Este artigo foi publicado no portal do LED (http://www.led.br) em Dezembro, 2001.
Ele apresenta a fundamentação teórica adotada pelos organizadores da disciplina Tecnologias em Mídia e Conhecimento. 
 
DESIGN EDUCACIONAL  
por Leslie Paas 
     O Design Educacional pode ser entendido como um processo de conceber e desenvolver ambientes para otimizar a aprendizagem de determindas informações em determinados contextos.  
Pense no projeto de uma casa: ele deve ser desenvolvido pensando nas necessidades dos moradores. Também, a arquitetura deve basear-se em princípios de engenharia civil e adequar-se às normas do município.  
    
Da mesma forma, o design da educação exige um processo de planejamento e execução, voltado às necessidades dos aprendizes e baseado em princípios pedagógicos. E, a arquitetura educacional selecionada deve adequar-se às exigências da sociedade. 
Definido por Campos et. al. (1998 p. 15),   
    "O processo de Design Educacional é um ciclo de atividades que, apoiado em uma teoria de aprendizagem, define os objetivos educacionais, as informações que constarão do produto e o modelo de avaliação. A seleção da melhor solução para o modelo é um problema que envolve princípios sócio-culturais do “projetista”, fatores externos impostos pelo ambiente e habilidades do aprendiz". 
Os projetistas do sistema educacional tradicional seguiam princípios de design instrucional, baseado numa abordagem sistémica e apoiados no behaviorism (comportamentalismo). Todos nós conhecemos o produto deste modelo; a sala de aula tradicional é um ambiente físico onde grupos relativamente grandes de alunos, visto como homogêneos, são reunidos. A realidade do mundo é algo distante, apresentado pelo professor como fatos a memorizar, e o uso de tecnologias limita-se a retroprojetores. É freqüentemente argumentado que este método foi ultrapassada pelas exigências da sociedade da informação e pelo desenvolvimento tecnológico. Explicado por Litto (1996), 
 
"O advento do computador nos trouxe, além da automação na fábrica e no escritório, novos padrões de complexidade, competitividade e mudanças constantes em todos os empreendimentos. A única maneira de não ficar soterrado por essa complexidade e pelas mudanças é através da aprendizagem constante e da resposta imediata.(....) Aprender é responder de forma apropriada. É o terreno da Educação. Não a visão restrito da educação delimitada pela sala de aula, mas do conceito de qua a aprendizagem ocorre não apenas no local geográfico chamado "escola" mas que é um estado da mente". 
  
Atualmente, a filosofia construtivista é a mais influente no design educacional. Além de afirmar que o conhecimento é "construído" na prática e não "adquirido" passivamente, o construtivismo enfatiza a conscientização e responsabilidade do próprio aluno para sua aprendizagem, e a importância da incorpoção da realidade de cada aluno, dos grupos e da sociedade no processo educional. Estes focos geram princípios novos para o design da educação:  
   
 Sete Princípios para o Design Educacional Construtivista 
1. Providenciar experiência sobre o processo da construção do conhecimento 
2. Providenciar experiência na valorização de perspetivas múltiplas 
3. Embutir aprendizagem em contextos realísticos e relevantes
4. Encorajar posse e voz no processo de aprendizagem 
5. Inserir aprendizagem em experiência social 
6. Encorajar o uso de modos múltiplos de representação
7. Encorajar auto-consciência sobre o processo de construção de conhecimento 
 
 Cunningham et. al. apud Boyle (1997 p.72) 
 
Com o avanço das tecnologias de comunicação e informação, o design educacional passa a ser sinônimo com a criação de ambientes virtuais de aprendizagem. Podemos prever um modelo educacional onde a sala de aula é remota. Esse novo ambiente, imersivo e multi-sensorial, possui vários recursos projetados para facilitar a interação de professores e alunos. Alunos do mundo inteiro podem colaborar, expandir e construir conhecimento. A diferença entre o modelo tradicional e atual do design educacional está representado na figura abaixo: 
 
Diferença entre o modelo tradicional e colaborativo/construtivista 
Educação Tradicional - Ambiente de aprendizagem 
 
 Modelo Tradicional   
       Modelo  Construtivista  
 
    
No mundo inteiro a visão do modelo construtivista no design educacional se torna cada vez mais realizável. Porém, antes que ela possa materializar plenamente na educação, é necessária que as tecnologias sejam percebidas como ferramentas poderosas para enriquecer a aprendizagem e estimular a cognição, ao invés de ser vistas como meras facilitadores para apresentar e calcular dados. É interessante conhecer as perspectivas dos autores Moran, Pretto e Valente a respeito deste ponto no cenário brasileiro.    

Considerações finais  

Embora existam várias teorias e modelos do Design da Educacão, na prática devemos sempre buscar atender às necessidades da sociedade, e nunca deixar de manter em vista o papel “maior” da educação no desenvolvimento sustentável e humano. O documento escrito pelo fundador do programa Aprendizagem sem Fronteiras da Unesco (Visser (1998)), resume que qualquer situação de aprendizagem que queira habilitar pessoas a lidarem de forma adequada com a realidade do mundo, deve propocionar interacão, colaboração, e conectividade, e deve ser baseado em problemas e orientada a tarefas. Visser explica que, como a maioria dos problemas na vida real ultrapassam o nível de análise representado por disciplinas isoladas, a educação também deve ser transdisciplinária.  E, sendo que as mudanças aceleradas da sociedade exigem a aprendizagem contínua, a educação tem a obrigação de ser aberto a todosflexível e adaptável às necessidades de indivíduos e comunidades.  
 

Bibliografia para consultar   

Boyle, Tom. Design for Multimedia Learning. Prentice Hall Europe, Hertfordshire, HP2 7EZ, 1997. 
   
Campos, F.C.A; da Rocha, A.R.C.; de Campos, G.H.B. Design Instrucional e Construtivismo: Em Busca de Modelos para o Desenvolvimento de Software. IV Congresso RIBIE, Brasilia. 1998. http://www.niee.ufrgs.br/ribie98/TRABALHOS/250M.PDF     

DeMar, Gary. Behaviorism 
http://www.forerunner.com/forerunner/X0497_DeMar_-_Behaviorism.html 
(acessado Dezembro 2001) 

 Litto, Fredric M. Repensando A Educação em Função de Mudanças Sociais e Tecnológicas e o Advento de Novas Formas de Comunicação. 3º Congresso Iberoamericano de Informática Educativa. 1996. http://phoenix.sce.fct.unl.pt/ribie/cong_1996/CONGRESSO_HTML/CONF_1/CONF1.html    
  
Moran, José Manuel, Masetto, Marcos e Behrens, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. São Paulo, Papirus Editora, 2000.    http://www.eca.usp.br/prof/moran/inov.htm  

Paas, Leslie C. A Integração da Abordagem Colaborativista à Tecnologia Internet para a  Aprendizagem Individual e Organizacional no PPGEP.  Dissertação de mestrado, UFSC/PPGEP, Florianópolis 1999. http://www.eps.ufsc.br/disserta99/leslie/index.html  
  
Pretto, Nelson. Educação e Inovação Tecnológica: Um Olhar Sobre as Políticas Públicas Brasileiras. FACED/UFBA. http://www.ufba.br/~pretto/textos/rbe11.htm 

Ryder, Martin. Instructional Design Models. University of Colorado at Denver  
School of Education http://carbon.cudenver.edu/~mryder/itc/idmodels.html 
última atualização: 1/11/2001 

Romiszowiski, A. J. Sistems Approach to Education and Training  
Kogan Page Ltd. London, N1 9JN, 1970.    

Wilson, B. Reflections on Constructivism and Instructional Design     
C. R. Dills and A. A. Romiszowski (Eds.), Instructional Development Paradigms    
Englewood Cliffs NJ: Educational Technology Publications, 1997.     
http://carbon.cudenver.edu/~bwilson/construct.html    
  
Valente, José Armando. Diferentes Usos do Computador na Educação. PROINFO, 1993. http://www.proinfo.gov.br/prf_txtie2.htm.   

Visser, Jan.  Changing Learning Environments: The Real and Not so Real of Reality and Virtuality ED/LWF  08/26/99    
http://www.unesco.org/education/index.html   

 
Última atualização: Dez 2001