CAPÍTULO 12

O Pensamento pedagógico antiautoritário

freud.gif (2805 bytes)

O movimento antiautoritário teve em Sigmund Freud (1856-1939) um de seus inspiradores. Freud, ao descobrir o fenômeno da transferência e ao evidenciar a prática repressiva da sociedade e da escola em relação à sexualidade, influenciou a mentalidade dos educadores.

Ele acreditava que a educação representava um processo com o objetivo de modelar as crianças de acordo com valores impostos. Assim, a educação obriga a criança a renunciar a impulsos naturais, acomodando o desenvolvimento do seu ego às exigências morais e culturais do superego.

Francisco Ferrer Guardia (1859-1909) fundador da escola moderna, criticou muito a escola tradicional, apoiado no pensamento iluminista. Foi um revolucionário que acreditava no valor da educação como remédio absoluto para males da sociedade. Na Espanha conservadora, defendia a coeducação, sem distinção entre sexo ou classe, pois acreditava que dessa forma, ajudaria a nova geração a criar uma sociedade mais justa. Para ele, para emancipar um indivíduo, seria necessário mostrar-lhe a origem da injustiça social para que ele, através do conhecimento, pudesse combatê-la.

Alexander S. Neill (1883-1973) se propôs a realizar o postulado de uma educação sem violência. Acreditava, assim como Rousseau, que o Homem era bom na sua essência. Se ele puder crescer em plena liberdade, só conhecendo como limite o direito e a liberdade do outro, aí a criança se transformará em um homem feliz e bom. Neill nunca desenvolveu um sistema formal a respeito dos objetivos e métodos da educação. Segundo ele, o clima psicológico favorecia o pleno desenvolvimento do indivíduo. Ele valorizava também a empatia. Todo processo educativo deveria centrar-se na criança, não no professor, nem no conteúdo pragmático.

Foi com Célestin Freinet (1896-1966) que o trabalho manual entrou na prática e na teoria da educação. Ele centrava a educação no trabalho, na expressão livre, e na pesquisa. Freinet distingue-se de outros educadores da escola nova por dar ao trabalho um sentido histórico, inserindo-o na luta de classes.

O novo papel do mestre exigiria que o mesmo fosse preparado para, individual e cooperativamente, aperfeiçoar a organização material e a vida comunitária de sua escola, permitindo que respondesse ao máximo a suas necessidades e tendências vitais. O professor deveria ser formado para dedicar-se menos ao ensino e mais ao deixar viver, a organizar o trabalho. Trata-se de um papel antiautoritário dar à criança consciência de sua força e convertê-la ao seu próprio futuro em meio à grande ação coletiva.

                      wpe30.jpg (1292 bytes)             wpe2E.jpg (1141 bytes)              wpe2C.jpg (1285 bytes)