CAPÍTULO 6 - CONCLUSÕES
A implementação da gestão
pela qualidade total não tem uma formula definida, cabendo aos
administradores da organização definirem estratégias
e táticas compatíveis com suas realidades. Entretanto, os
princípios básicos, os fundamentos filosóficos e o
método de gestão são únicos, inserindo-se aí
a padronização.
Entende-se que sem padronização
não exista o TQC.
É como uma casa, um edifício,
cuja construção sólida e segura depende de vigas e colunas.
Dimensionar este conjunto estrutural adequadamente
requer conhecimento científico dos fatos relativos à obra,
no seu sentido amplo, que vai desde o domínio do solo até aos
requintes da fachada. Assim, pode-se dimensionar com precisão, evitando-se
desperdícios pelo superdimensionamento, ou então, o
contrário, por em risco todo o empreendimento devido a um
subdimensionamento.
A implementação da
padronização sob a ótica do TQC, conforme apresentado
neste trabalho, permite concluir principalmente quanto à
relação padrão, padronização e sistema
de padronização, nos seguintes pontos, observados como fatos
reais:
1 - Padrões são elementos
de referência e como tais devem ser entendidos e elaborados,
considerando-se não só a variabilidade inerente à qualquer
atividade, como também o grau de maturidade e de educação
do usuário.
Eles não devem ser tão
flexíveis que permitam ações diametralmente opostas
e nem tão rígidos que causem temores na sua
utilização.
2 - Por serem ferramentas
imprescindíveis ao domínio da rotina, devem ser consequentemente
dominados pelos usuários, o que só é possível
de se certificar desde que ações de treinamento e de
verificação sejam realizadas sistematicamente. Em caso
contrário, transformam-se em registros de informações
sem valor .
3 - Como fruto do consenso, os padrões
são objetos de debates intensos, e nem sempre a sua forma final, firmada
sobre prosas e tabelas, figuras e fórmulas, traduz-se em práticas
uniformes e eficientes. São elementos dinâmicos e como tal devem
ser entendidos e praticados.
4 - Como o processo que é, a
padronização deve ser gerenciada caracterizando-se aí
a necessidade de planejamentos, verificações, e melhorias
contínuas. Trata-se portanto de planejar, verificar e melhorar
continuamente as seguintes fases:
-Elaboração do
padrão
-Treinamento e cumprimento do padrão
5 - Por ser tratar de uma função
gerencial indelegável, a padronização deve ser primeiramente
entendida e assimilada como valor de gestão pelos gerentes das unidades
gerenciais básicas, a despeito de se tornar uma força
burocratizante na organização, haja vista a profunda
transformação de atividades e comportamentos que ela provoca,
principalmente por se tratar de um movimento que capta a experiência
coletiva de trabalho diário compartilhado por grupos. Muda-se do
individualismo para o trabalho em equipe .
6 - Considerando-se que o usuário
do padrão é um ser humano que tem seus temores, suas necessidades
e graus de maturidade diferentes, urge que se prepare os grupos distintos,
com enfoques distintos, quanto à padronização. Trata-se
de estabelecer um clima adequado e favorável a absorção
dos princípios da padronização, compatível com
o nível e com as características locais e grupais . Assim,
a forma de se tratar o setor técnico de engenharia tem seu enfoque
diferente do setor de limpeza e conservação predial, por exemplo.
Os ambientes por serem cultural/social e
psicologicamente distantes, não podem ser trabalhados linearmente.
A experiência mostrou que os conhecimentos de pedagogia industrial,
principalmente nos aspectos aplicativos de liderança situacional,
são indispensáveis.
7 - A geração do padrão
e o treinamento é um processo que toma tempo e incide nos custos da
produção. Consequentemente, não pode ser fortuito, a
despeito de se perder o foco do que é realmente vital . Em se tratando
de qualidade total, cuja essência é a análise do processo,
é daí que devem nascer os padrões, voltados sempre para
atender as necessidades dos clientes, sejam eles internos ou externos.
8 - Finalmente, conclui-se que a padronização participativa incorpora-se ao TQC, dando a este sistema de gestão a comprovação de que a participação do homem, principalmente aqueles do "chão de fábrica" , é fundamental para o domínio da rotina, contrariando a ideologia hierarquizante de gestão taylorista, sem entretanto tirar do ilustre engenheiro o mérito de ter dado os primeiros passos nesta direção.