UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA
DE PRODUÇÃO E SISTEMAS




A QUESTÃO AMBIENTAL DENTRO DAS INDÚSTRIAS DE SANTA CATARINA: UMA ABORDAGEM PARA O SEGMENTO INDUSTRIAL TÊXTIL

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA À UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO



CHRISTIANNE COELHO DE SOUZA REINISCH COELHO





Florianópolis, agosto de 1996


A QUESTÃO AMBIENTAL DENTRO DAS INDÚSTRIAS

DE SANTA CATARINA: UMA ABORDAGEM PARA

O SEGMENTO INDUSTRIAL TÊXTIL



CHRISTIANNE COELHO DE SOUZA REINISCH COELHO




Esta dissertação foi julgada adequada para obtenção do Título de

"MESTRE EM ENGENHARIA "

ESPECIALIDADE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E APROVADA EM SUA FORMA FINAL PELO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO




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Prof. Ricardo Miranda Barcia, PhD.

Coordenador do Curso

Banca Examinadora

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Prof. Sandra Sulamita Nahas Baasch, Dra.

Orientador

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Prof. Luiz Sérgio Philippi, Dr.

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Prof. Francisco Antônio Pereira Fialho, Dr.



Dedico esta dissertação

Aos meus avós
Maria Francisca (Nenê) e Djalma (in memoriam)
Luiza e Amaro (in memorium)

Aos meus pais
Yara e Carlos

À minha irmã
Kika

Ao meu marido
Francisco

Aos meus filhos
Olavo e Luciana



AGRADECIMENTOS:

Nesta oportunidade agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para o meu desenvolvimento pessoal, profissional e à elaboração desta dissertação.

Em especial, agradeço:

À professora Sandra, pela orientação, apoio e amizade durante este caminho.

À Universidade Federal de Santa Catarina, pelo apoio institucional.

Às empresas Hering Têxtil e Marisol, por terem aberto suas portas, oferecendo apoio total para a realização do trabalho.

Aos funcionários das empresas, pela colaboração ao responderem aos questionamentos feitos e, em especial, ao João e ao Jair, da Hering Têxtil e ao René, ao Odair , ao Paulo e à Tânia da Marisol.

Ao corpo de professores do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, pelos conhecimentos transmitidos.

À ELETROSUL, pelo apoio institucional.

Aos meus filhos Olavo e Luciana, que, literalmente, me ensinaram sobre o amor e o ciclo da vida.

Ao meu marido, por estar sempre ao meu lado.

Aos meus avós, Djalma e Nenê pelo amor e paciência que tiveram comigo, ensinado-me que eu sempre posso chegar mais além ...

À minha mãe, por todo o seu carinho.

Ao meu pai, por ter me ensinado a paixão pelos livros.

Á minha irmã, Kika, pelo seu companheirismo e amor.

Aos meus tios Jaça e Luíz, pelo carinho e pelos filmes das suas viagens que me criaram a vontade de ver o mundo com outros olhos.

À minha tia Teresa, pela atenção de mãe e que, aos dez anos, me levou para conhecer a minha primeira indústria têxtil.

Ao meu tio Neno, pela atenção de pai e pelos conselhos, que despertaram, em mim, a vontade de ser engenheira

E, aos meus familiares e amigos, Adriana, Ana, Angela, Augusta, Carla, Carlos, Clô, Cristina, Elaine, Eduardo, Helena, Hugo, Luizinho, Jali, Lúcia, Magri, Marcelo, Márcia, Maria Helena, Maristela, Maurício, Michele, Mig, Moacyr, Nair, Nado, Nica, Olavo, Pedro, Rafael, Renan, Roberto, Ronaldo, Sandoval, Sayonara, Silvinha, Simoni, Suzana, Telma, Tio Jali, Toni, Yolanda, Vanessa, pelo companheirismo e pelas palavras de incentivo.




RESUMO


Nosso objetivo nessa dissertação é discutir a questão ambiental como estratégia competitiva e de excelência empresarial. A meta é a de identificar como as empresas do segmento industrial têxtil catarinense estão se estruturando em termos de gerenciamento ambiental, no que tange ao seu processo produtivo e seus impactos no meio ambiente.

Para tanto, buscamos:

Sistematizar as informações relativas ao gerenciamento das questões ambientais no Segmento Industrial Têxtil Catarinense

Identificar as principais diretrizes adotadas pelas empresas deste segmento industrial para a implantação de programas ambientais

Levantar a importância do mercado consumidor, como agente regulador para implantação de ações de proteção ambiental dentro deste segmento industrial

Identificar quais foram os reais benefícios para as empresas que investiram na preservação ambiental

Levantar quanto do seu faturamento as empresas deste segmento industrial têm investido para se adequar aos novos padrões ambientais.

Duas empresas do setor têxtil Catarinense, a Hering e a Marisol, foram escolhidas, e as técnicas relativas a Estudo de Caso, empregadas com o objetivo de subsidiar nossa análise.




ABSTRACT

Our main goal in this dissertation is to discuss the impact of environmental questions, both as a competitive strategy and as a mean for attaining company excellence. Our target is to identify how companies of Santa Catarina textile sector are organizing themselves in terms of environmental management, with respect to their productive process and environmental impacts to face these challenges.

In order to do so, we looked for:

Systematize information relative to the management of environmental questions in Santa Catarina Textile Industries

Identify the main guidelines that were adopted for these companies in order to implement their environmental programs

Investigate the relevance given by consumers market, as a regulator agent, to the implementation of environmental protection actions within this industrial segment

Identify what real benefits were obtained by companies that invested in environmental preservation

Investigate the percentage of industry incomes that are being invested to adequate the company to the new environment standards.

Two companies of Santa Catarina Textile Sector, Hering and Marisol, were chosen and Case Study techniques were employed to help in our analysis.


SUMÁRIO

Resumo

Abstract

Lista das Figuras

Lista das Tabelas

Lista de Quadros

Abreviações e Glossário


CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

1.1. Considerações Iniciais

1.2. Objetivos do trabalho

1.2.1. Objetivo Geral

1.2.2.  Objetivos Específicos

1.3. Hipóteses Geral e Específicas

1.3.1. Hipótese Geral

1.3.2. Hipótese Específicas

1.4. Importância do Trabalho

1.5. Origem do Trabalho

1.6. Estrutura do Trabalho

1.7. Metodologia do Trabalho

1.8. Limitações do Trabalho


CAPÍTULO II - O MEIO AMBIENTE

2.1. Definições

2.2. Cultura e Meio Ambiente

2.3. Visões do Meio Ambiente

2.3.1. Ecologia

2.3.2. Economia Ecológica

2.3.3. - Ecosofia


CAPÍTULO III - QUESTÕES AMBIENTAIS

3.1. Revisão Histórica dos Problemas Ambientais

3.1.1. Introdução

3.1.2. História da Poluição Ambiental

3.2. Definições de "Incômodo Público" e Poluição Ambiental

3.3. Considerações sobre a Poluição

3.3.1. Poluição Aérea

3.3.2. Poluição Hídrica

3.3.3. Resíduos Sólidos


CAPÍTULO IV - LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

4.1. Considerações Iniciais

4.2. Licenciamento Ambiental de Atividades Industriais Poluidoras

4.3 - Legislação de Controle da Poluição

4.3.1 - Controle da Poluição Aérea

4.3.2. Controle da Poluição Hídrica

4.3.3. Controle de Resíduos Sólidos

4.4. Outras Leis

4.4.1. Ação Civil Pública de Responsabilidade por Danos ao Meio Ambiente

4.4.2. Artigos sobre Meio Ambiente na Constituição Federal


CAPÍTULO V - TECNOLOGIA

5.1. Tecnologia e Meio Ambiente

5.2. Meio Ambiente, Tecnologia e Industrialização

5.3. Desenvolvimento Tecnológico e o Meio Ambiente

5.4. Tecnologias Ambientalmente Saudáveis (ESTs)


CAPÍTULO VI - AS ORGANIZAÇÕES

6.1. As Organizações

6.2. A Questão da Competitividade e do Sucesso

6.3. Learning Organizations

6.4. Administração Estratégica

6.5. A Questão do Controle: Organizações Dirigidas por Gênios ou Capazes de "Aprender a Aprender".

6.6. Planejamento Estratégico por Refinamentos Sucessivos

6.7. Por uma Gestão Ambiental Moderna


CAPÍTULO VII - GERENCIAMENTO AMBIENTAL

7.1. Considerações Iniciais

7.2. Evolução da Gestão Ambiental

7.3. Gerenciamento Ambiental

7.4. A ISO Série 14000

7.5. O Mercado

7.6. Perspectivas para o Século XXI


CAPÍTULO VIII - INDÚSTRIA TÊXTIL

8.1 - Área de Abrangência do Estudo: O Estado de Santa Catarina

8.2. O Processo de Fabricação Têxtil

8.3. Os Impactos Ambientais do Setor Têxtil

8.4. Do Algodão Cru ao Acabamento

8.5. Efluentes do Processamento de Algodão

8.6. Qualidade e Produtividade na Indústria Brasileira


CAPÍTULO IX - METODOLOGIA

9.1. Avaliação do Gerenciamento Ambiental na Indústria Têxtil

9.2. Metodologia

9.2.1. Coleta de Dados

9.2.2. Exploração e Interpretação dos Dados

9.3. O Estudo de Caso


CAPÍTULO X - ESTUDO DE CASO 1: HERING TÊXTIL S. A .

10.1. A Organização

10.2. Aspectos Ambientais

10.3. Gerenciamento Ambiental

10.4. Sistema de Gerenciamento Ambiental

10.5. O Mercado

10.6. O Aprendizado


CAPÍTULO XI - ESTUDO DE CASO 2: MARISOL S. A . INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO

11.1. A Organização

11.2. Aspectos Ambientais

11.3. Gerenciamento Ambiental

11.4. Sistema de Gerenciamento Ambiental

11.5. O Mercado

11.6. O Aprendizado


CAPÍTULO XII - RESULTADOS OBTIDOS

12.1. Considerações Iniciais

12.2. Aspectos Ambientais

12.3. Gerenciamento Ambiental

12.4. Sistema de Gerenciamento Ambiental

12.5. O Mercado

12.6. O Aprendizado


CAPÍTULO XIII - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BIBLIOGRAFIA


LISTA DAS FIGURAS

Figura 2.1 - Filtragem sobre como o homem encara e reage ao ambiente natural
Figura 2.2: O processo produtivo e o meio ambiente
Figura 2.3: O homem, a natureza e a tecnologia
Figura 2.4: Os domínios da economia convencional, ecologia convencional, economia ambiental e dos recursos naturais e economia ecológica
Figura 2.5: As três ecologias
Figura 4.1: Organograma do SISNAMA
Figura 6.1: Cinco forças competitivas que determinem a rentabilidade da indústria e os elementos da estrutura industrial
Figura 6.2: Determinantes de estratégias das empresas brasileiras
Figura 7.1: Efeitos de todos os aspectos da atividade interna de uma organização sobre o meio ambiente
Figura 7.2: Comportamento ambiental reativo
Figura 7.3: Comportamento ético ambiental da empresa
Figura 7.4: As três questões fundamentais do sistema de gerenciamento ambiental
Figura 7.5: ISO Série 14000
Figura 7.6: Melhoria contínua
Figura 8.1: Fluxo de produção têxtil
Figura 8.2: Classificação das fibras têxteis
Figura 8.3: Efluentes provenientes do processamento de tecidos de algodão e sintéticos
Figura 9.1: Diagrama representando o sistema de gestão ambiental relacionado a um modelo empresarial
Figura 9.2: Estrutura de melhoria contínua
Figura 10.1: Localização das unidades fabris da Hering
Figura 10.2: Organograma da Hering
Figura 10.3: Fluxograma do processo produtivo da Hering
Figura 10.4: Fluxo de processamento do lixo interno da Hering
Figura 10.5: Mudança no processo produtivo da Hering
Figura 10.6: Política ambiental da Hering
Figura 10.7: Estrutura do sistema de gestão ambiental
Figura 11.1: Organograma da Marisol
Figura 11.2: Fluxograma do processo produtivo da Marisol
Figura 11.3: Mudança no processo produtivo da Marisol
Figura 11.4: Plano de ação tático da Marisol
Figura 12.1: Identificação do gerenciamento das questões ambientais no organograma da Hering
Figura 12.2: Identificação do gerenciamento das questões ambientais no organograma da Marisol
Figura 12.3: Pressões exercidas sobre a indústria


LISTA DAS TABELAS

Tabela 2.1: Comparação entre economia e ecologia convencionais e economia ecológica
Tabela 4.1: Padrões de qualidade do ar
Tabela 4.2: Padrões de emissão de poluentes atmosféricos
Tabela 5.1: Estimativa das principais emissões industriais na atmosfera
Tabela 8.1: Exportações catarinenses em 1994
Tabela 8.2: Volume dos efluentes provenientes de uma indústria típica de tecidos de algodão, raiom-viscose, poliéster-algodão e de poliéster-náilon.
Tabela 8.3: Cargas dos efluentes do processamento do algodão
Tabela 8.4: Programas, técnica e métodos para aumento de qualidade
Tabela 8.5: Os métodos utilizados como função do porte da empresa
Tabela 8.6: Os métodos utilizados de acordo com o setor produtivo


LISTA DE QUADROS

Quadro 5.1: Eventos ambientais significativos entre 1984 e 1987
Quadro 7.1 A transição dos anos 90 rumo a uma conscientização ambiental
Quadro 7.2 Evolução da gestão ambiental
Quadro 7.3:Diferentes tipos de auditoria na British Petroleum
Quadro 7.4: Sistema de gerenciamento ambiental (SGA)
Quadro 7.5: Perspectivas da transformação ecológica na indústria
Quadro 10.1: Dados gerais da Hering
Quadro 10.2: Matriz e unidades fabris da Hering
Quadro 10.3: Identificação dos efluentes líquidos das unidades fabris da Hering
Quadro 10.4: Matriz energética da Hering
Quadro 10.5: Consumo de água industrial da Hering
Quadro 10.6: Fatores que influenciam a empresa para investir em proteção ambiental
Quadro 10.7: Sistemas de tratamento dos efluentes líquidos da Hering
Quadro 10.8: Sistemas de controle para efluentes gasosos da Hering
Quadro 10.9: Monitoramento ambiental da Hering
Quadro 10.10: Licenciamento ambiental das unidades fabris da Hering
Quadro 10.11:Atividades e responsabilidades no S.G.A . da Hering
Quadro 11.1: Dados gerais da Marisol
Quadro 11.2: Matriz e unidades fabris da Marisol
Quadro 11.3: Identificação dos efluentes das unidades fabris da Marisol
Quadro 11.4: Matriz energética da Marisol
Quadro 11.5: Consumo de água industrial da Hering
Quadro 11.6: Fatores que influenciam a empresa para investir em proteção ambiental
Quadro 11.7: Sistemas de tratamento dos efluentes líquidos da Marisol
Quadro 11.8: Sistemas de controle para efluentes gasosos da Marisol
Quadro 11.9: Processamento dos resíduos sólidos na Marisol
Quadro 11.10: Monitoramento ambiental da Marisol
Quadro 11.11: Licenciamento Ambiental das Unidades Fabris da Marisol
Quadro 11.12: Oko-Tex: análises residuais para todos os grupos de fibras
Quadro 11.13: Oko-Tex: qualificações ecológicas adicionais (somente para fibras naturais
Quadro 12.1: Resumo dos dados das organizações
Quadro 12.2: Resumo da matriz energética das organizações
Quadro 12.3: Consumo de água nas organizações
Quadro 12.4: Fatores que influenciaram as organizações para melhorar seu desempenho ambiental
Quadro 12.5: Fatores que estão influenciando as organizações para melhorar seus desempenhos ambientais


ABREVIAÇÕES E GLOSSÁRIO

ABREVIAÇÕES

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
CMI - Capitalismo Mundial Integrado
CNI - Confederação Nacional das Indústrias
CONAMA - Conselho Nacional de Meio Ambiente
DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio
EIA - Estudo de Impacto Ambiental
ERCs - Emission Reduction Credits (Créditos por Redução de Emissão)
FGV - Fundação Getúlio Vargas
IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
ICC - International Commerce Camera (Câmara Internacional do Comércio)
OCDE - Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico
OD - Oxigênio Dissolvido
OMC - Organização Mundial do Comércio
PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
PPP - Princípio Poluidor Pagador
PRONAR - Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar
RIMA - Relatório de Impacto Ambiental
SEMA - Secretaria Especial do Meio Ambiente
SGA - Sistema de Gerenciamento Ambiental
SISNAMA - Sistema Nacional de Meio Ambiente

GLOSSÁRIO

Benchmark - Base que serve de referência para uma comparação