2 PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO
A sobrevivência e sucesso de uma organização depende
da eficiência com a qual produz seus bens e serviços, sendo
o custo do produto determinado em grande parte pela eficiência do seu
sistema produtivo
Assim sendo, as organizações atuam na busca do
aperfeiçoamento de seus Sistemas de Administração da
Produção, considerados por Giannesi & Correia (1993) como
o coração dos processos produtivos.
Neste capítulo serão vistos alguns conceitos pertinentes ao Planejamento e Controle da Produção, um dos sistemas produtivos da organização.
Conforme Stoner (1985), a visão sistêmica da
administração focaliza a organização como um
sistema unificado, formado por partes inter-relacionadas e voltado para um
determinado fim, que possibilita ao administrador considerar a
organização como um todo e como parte do meio exterior mais
amplo.
Harding (1992) afirma que a grande vantagem da abordagem sistêmica é que ela ultrapassa os limites de departamentos funcionais bem como, ressalta a importância do trabalho como um todo.
A empresa no contexto sistêmico é considerada como um sistema
pertencente a um outro sistema maior e está inter-relacionada com
outros, sendo composta de subsistemas que interagem para construir um todo
dinâmico (ibidem).
Para Stoner (1985), a teoria dos sistemas chama a atenção para a dinâmica e natureza integrativa da organizações, permitindo visualizar a empresa que produz bens e serviços, como um conjunto de componentes relacionados e em interação, que desempenham funções e têm objetivos associados com o todo, formando um sistema.
2.3 Sistemas de Administração
da Produção
O planejamento, organização, direção e acompanhamento
da produção são importantes não só para
a organização mas também, para o indivíduo e
para a sociedade como um todo, uma vez que a eficácia deste sistema
depende do projeto dos subsistemas componentes e das tarefas desempenhadas
pelo trabalhador alocado ao sistema (Stoner, 1985).
Monks (1987) associa as atividades de produção à base
do sistema econômico de uma nação, pois estas transformam
as entradas do sistema de produção ( recursos de capital, recursos
de material e recursos humanos) em bens e serviços de maior valor.
Atualmente os termos Administração de Produção e Administração Operacional, segundo Stoner (1985), são empregados indistintamente, constituindo em:
Monks (1987, p.4) define Administração de Produção
como sendo "a atividade pela qual os recursos, fluindo dentro de um sistema
definido, são reunidos e transformados de uma forma controlada, a
fim de agregar valor, de acordo com os objetivos empresariais".
Sob o ponto de vista de Giannesi & Correia (1993) Sistemas de
Administração da Produção são aqueles
que disponibilizam as informações para a tomada de decisão
gerencial inteligente, propiciando uma administração eficaz
no que se refere a:
Stoner (1985) ressalta que o sistema produtivo atua dentro do quadro mais amplo da estratégia organizacional, devendo o plano estratégico da organização ser utilizado como diretriz coerente para as políticas produtivas, especificando metas e objetivos que possam ser atingidos pelo sistema produtivo.
Desta forma, o sistema produtivo deve ser projetado de modo compatível com as estratégias da organização e reciprocamente, as capacidades do sistema produtivo devem ser consideradas na formulação da estratégia organizacional (ibidem).
2.3.1 Ciclo do Sistema de
Produção
Conforme relaciona Harding (1992), o ciclo do sistema de produção
é contínuo, constituído das seguintes etapas:
Figura 1- Ciclo do Sistema de
Produção Fonte - Harding (1992)
2.3.2 Modelo do Sistema de
Produção
O planejamento e controle no sistema de produção baseia-se
na estimativa da procura futura, envolvendo
programação e controle dos empregados, de materiais e de recursos
de capital, objetivando produzir a quantidade e qualidade desejáveis
de maneira eficiente (Stoner, 1985).
Contudo, a viabilidade das estimativas podem ser afetadas negativamente por
tendências inesperadas de mercado bem como, por inovações
em produtos e outros fatores.
Figura 2 - Modelo do sistema de planejamento e controle de produção
Adaptado de Stoner (1985)
Stoner (1985) ressalta que o sistema operacional pode diminuir a capacidade
produtiva projetada. Consequentemente, o atendimento da procura em determinado
período poderá exigir medidas corretivas a curto prazo no sistema
de produção.
Harding (1992) relaciona como subsistemas de produção os
sistemas:
2.5 Subsistema de
Planejamento
De acordo com Monks (1987) as atividades de planejamento e controle, inseridas no Subsistema de Planejamento, vão desde o planejamento de alto nível, como a introdução de novos produtos e lucros por ação da empresa, até o exame e controle da fábrica.
O Planejamento Agregado é considerado por Monks (1987, p. 230) como
"uma decisão negociada de alto nível que coordena as atividades
de marketing, finanças e outras funções".
O Planejamento Agregado é o processo de planejamento das quantidades
a produzir a médio prazo, através do ajuste da velocidade de
produção, mão-de-obra disponível, estoques e
outros, sendo seu objetivo atender às demandas irregulares, empregando
os recursos disponíveis na empresa (ibidem).
Os administradores têm à sua disposição algumas estratégias para a tomada de decisão no Planejamento Agregado, sendo relacionadas por Monks (1987):
A programação segue o Plano Agregado especificando em itens
o plano global.
Figura 3 - Plano Agregado
Adaptado de Monks (1987)
"O Plano Mestre representa uma das contribuições mais
importantes da manufatura ao processo de planejamento global da
organização" (Giannesi & Correia, 1993, p.118).
Segundo Monks (1987) a programação da produção
se concretiza com a elaboração do Plano Mestre), o qual comanda
todo o Sistema de Produção, determinando as metas específicas
de produção.
O Plano Mestre pode ser entendido como a formalização da
programação da produção, expressa em necessidades
específicas de material e capacidade. Assim, o desenvolvimento do
Plano Mestre exige uma avaliação das necessidades de
mão-de-obra, equipamentos e materiais para cada tarefa a realizar
(ibidem).
De acordo com Giannesi & Correia (1993), o Plano Mestre considera as limitações de capacidade e a conveniência de sua utilização, podendo determinar a produção prévia de itens ou até mesmo, não programar suas produções, ainda que o mercado pudesse consumi-los.
2.5.2.1 Funções do
Plano Mestre
Entre as funções do Plano Mestre algumas são consideradas
por Monks (1987) como funções-chave:
2.5.2.2 Inputs do Plano
Mestre
Conforme relaciona Monks (1987) o Plano Mestre da Produção
apresenta como inputs:
2.5.2.3 Enfoques do Plano
Mestre
Segundo Giannesi & Correia (1993) Plano Mestre é um instrumento de estabelecimento de políticas de produção, podendo ser utilizado como Plano Mestre Nivelado ou como Plano Mestre Conforme a Previsão de Vendas.
a. Plano Mestre Conforme a Previsão de
Vendas
O desenvolvimento do Plano Mestre Conforme a Previsão de Vendas, tem
como diretriz o acompanhamento da demanda com os níveis de
produção.
Figura 4 - Plano Mestre Conforme Acompanhamento
da Previsão de Vendas
b. Plano Mestre Nivelado
O desenvolvimento do Plano Mestre Nivelado é utilizado quando a
produção privilegia o nivelamento dos volumes de
produção, variando consequentemente, o nível de estoques
disponíveis.
Figura 5 - Plano Mestre Nivelado
2.5.2.4 Período de Abrangência
do Plano Mestre
Monks (1987) relaciona três variáveis como interferentes na
determinação do período de abrangência do Plano
Mestre:
2.5.2.5 Questões Estratégicas
para Gestão do Plano Mestre
Giannesi e Correia (1993) sugerem a análise de algumas questões
para uma eficiente gestão de estoques:
2.5.3 Planejamento de Recursos de Manufatura
Conforme Giannesi e Correia (1993) o Planejamento de Recursos de Manufatura
(MRP II) é um sistema integrado e hierárquico de
administração da produção, baseado na lógica
do cálculo de necessidades, onde os planos de longo prazo da
produção, são detalhados sucessivamente até
alcançar o nível do planejamento de componentes e máquinas
específicas.
O MRP II possui como módulos principais:
O MRP II consiste em um sistema integrado de informações, o
qual apresenta como principal vantagem o fato de ser dinâmico, suportando
alterações do planejamento da produção que se
façam necessárias para o bom desempenho do sistema produtivo
(ibidem).
Entre as limitações atribuídas por Giannesi & Correia
(1993) ao MRP II, relaciona-se a complexidade do sistema, exigindo alto custo
para manutenção das alterações que possam ser
necessárias no processamento.
Outro aspecto considerado como restrição para sua utilização é a disciplina imposta aos seus usuários, no que diz respeito à entrada de dados do sistema, determinando um ambiente altamente computadorizado (ibidem).
Através da revisão da literatura efetuada, verifica-se que as técnicas para desenvolvimento do Planejamento e Controle da Produção deverão ser utilizadas em consonância com as estratégias globais da organização, interagindo com os demais sistemas da empresa, na busca da realização das metas organizacionais.