CONSIDERAÇÕES
METODOLÓGICAS
Este capítulo apresenta uma descrição dos
métodos mais utilizados atualmente para uma análise econômica
de investimento.
Para análise do projeto é utilizado o modelo clássico de Economia da Engenharia, acrescido de uma Análise de Sensibilidade para identificar as variáveis que mais interferem na viabilização do projeto.
Dentre os métodos utilizados para análise de viabilidade
de projetos, serão utilizados o Método do Valor Presente, a
Taxa Interna de Retorno e o Método Tempo de Recuperação
do Capital (Pay Back Time).
O conceito de Análise de Investimentos pode ser considerado como um conjunto de técnicas que permitem a comparação entre os resultados de tomada de decisões referentes a alternativas diferentes de forma científica.
Nessas comparações, as diferenças que marcam as alternativas devem ser expressas tanto quanto possível em termos quantitativos. Para expressar em termos quantitativos as diferenças entre as alternativas em uma tomada de decisão usa-se basicamente da Matemática Financeira.
A Engenharia Econômica é, em boa parte, uma aplicação das técnicas de Matemática Financeira nos problemas de tomada de decisões. É um conjunto dos métodos utilizados nas análises de investimentos e das técnicas empregadas na escolha da melhor alternativa.
Surge um problema de Engenharia Econômica quando se deseja investir um capital ou ocorre a necessidade de se comprar um bem de capital. Em ambos os casos, todas as alternativas tecnicamente viáveis para o investimento devem ser analisadas.
Empregando métodos específicos os resultados das oportunidades de negócios são comparados com o objetivo de apurar-se a melhor alternativa para o investimento. Economicamente, a melhor alternativa é a que , a longo prazo, propicia maior rentabilidade ou menor custo.
De acordo com DE FRANCISCO (1988), um estudo de análise de investimentos compreende:
a. um investimento a ser realizado;
b. enumeração de alternativas viáveis;
c. análise de cada alternativa;
d. comparação das alternativas;
e. escolha da melhor alternativa.
Finalizando, cabe ainda ressaltar que na tomada de decisão
a alternativa escolhida deve ser sempre a mais econômica, após
a verificação de que todas as variáveis que influem
no sistema foram convenientemente estudadas.
3.2. CONSIDERAÇÕES DA ENGENHARIA ECONÔMICA
Para a tomada de decisões de investimento, alguns pressupostos devem ser considerados como a seguir:
a. Não existe decisão com alternativa única. Significa que, para tomar qualquer decisão, devemos analisar todas as alternativas viáveis, sendo em número mínimo de duas.
b. Somente pode-se comparar alternativas homogêneas. Para melhor entendimento deste princípio, vejamos um exemplo: O que é melhor comprar, um apartamento na Beira -Mar (Florianópolis - zona altamente valorizada) por 300 mil dólares ou um outro em Capoeiras (Florianópolis, zona de menor valorização) por 100 mil dólares? Não será possível esta comparação se não conseguirmos a homogeneidade de dados de comparação. Se os dois apartamentos tiverem a mesma metragem, a mesma qualidade de acabamento, os mesmos cômodos, e se considerarmos que o índice de valorização de ambos os bairros são iguais e que seria indiferente morar na Beira-Mar ou em Capoeiras, aí então poderíamos dizer qual das duas alternativas é melhor.
c. Apenas as diferenças das alternativas são relevantes. Se em ambas as alternativas tivermos uma série de custos ou receitas iguais, elas não são necessárias para decidir qual é melhor, uma vez que existindo as duas alternativas no mesmo momento, suas diferenças anulam-se.
d. Os critérios para decisão de alternativas econômicas devem reconhecer o valor do dinheiro no tempo. Não pode-se comparar simplesmente a alternativa A (investir 1 milhão de dólares e receber 3 milhões em 2 anos) com a alternativa B (investir 1 milhão e receber 5 milhões em 4 anos), porque existe uma diferença das alternativas com relação ao tempo. Desta forma, não é possível simplesmente escolher a alternativa B porque 5 milhões é mais do que 2 milhões. Para se fazer esta comparação teremos que igualar o tempo de vida ou de utilização das alternativas. Não se pode esquecer, por exemplo que os 3 milhões recebidos antes podem ser reaplicados a determinada taxa por mais dois anos.
e. Capital escasso. De nada adianta existir uma alternativa excepcionalmente rentável, se o capital próprio mais o capital conseguido com terceiros não é suficiente para cobrir as necessidades de capital do investimento.
f. Deve-se sempre atribuir certo peso para os graus relativos de incerteza associados às previsões efetuadas. Como em todas as alternativas de investimento sempre observam-se valores estimativos, deve-se tomar a precaução de atribuir a cada um destes eventos certo grau de incerteza. A consideração formal do grau e do tipo de incerteza serve para assegurar que a qualidade da solução será conhecida pelos responsáveis da tomada de decisões.
g. As decisões devem também levar em consideração os eventos qualitativos não quantificáveis monetariamente. Seleção de alternativas requer que as possíveis diferenças entre alternativas sejam claramente especificadas. Sempre que possível essas diferenças devem ser quantificáveis em uma unidade comum, geralmente unidade monetária, para fornecer uma base para a seleção dos investimentos. Os eventos não quantificáveis devem ser, entretanto claramente especificados a fim de que os responsáveis pela tomada de decisão tenham os dados necessários relacionados, de forma a tomar a melhor decisão. Em certos casos, a alternativa mais econômica não é a melhor solução em função dos dados não monetários ou não quantificáveis.
h. Realimentação de Informações. A
realimentação de dados para os técnicos responsáveis
pelo estudo de alternativas é vital para um reajuste das alternativas
realizadas, além de permitir o aumento do grau de sensibilidade e
também para que se previnam erros nas decisões futuras.
3.3. MÉTODOS DE ENGENHARIA ECONÔMICA PARA SELEÇÃO DE ALTERNATIVAS
A Engenharia Econômica é uma técnica destinada a escolher dentre várias alternativas de investimento a mais rentável. Várias alternativas não podem ser comparadas a menos que suas respectivas conseqüências em valores monetários sejam primeiramente transladadas a pontos comparáveis no tempo, através de uma taxa de juros adequada.
Por isso, qualquer metodologia a ser adotada no processo de análise deve, necessariamente, incluir:
A rentabilidade de uma série de pagamentos é dada pela taxa de juros que permite ao capital empregado fornecer um certo retorno.
Ao analisar um possível investimento, deve-se levar em consideração que o mesmo já deslocou capital passível de ser aplicado em outros investimentos que possibilitariam retorno. Portanto, esse investimento para tornar-se atrativo deverá render , no mínimo, a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações correntes e de pouco risco.
A análise de investimentos é a maneira que temos de
antecipar , através de uma estimativa, os prováveis resultados
a serem obtidos. Para o estudo dos métodos de seleção
de alternativas, o conceito a seguir deve ser considerado.
3.3.1. Taxa Mínima de Atratividade (TMA)
Consiste na taxa mínima de juros que o investidor pretende conseguir como rendimento ao optar e realizar certo investimento, para o nível de risco escolhido.
É a taxa a partir da qual o investidor espera estar obtendo ganhos. Corresponde, na prática, a taxa oferecida pelo mercado para uma aplicação de capital como, a caderneta de poupança, depósitos a prazo fixo, e outros. Assim, se um investimento propiciar uma rentabilidade abaixo do rendimento dessas formas de aplicação de capital, ele não será atrativo ao investidor.
Os métodos de seleção de alternativas de
investimentos que serão apresentados e utilizados para análise
do projeto proposto estão descritos abaixo:
3.3.2. Valor Presente Líquido (VPL)
O valor presente líquido, também conhecido por valor atual líquido (VAL) é um método bastante difundido na área de tomada de decisão sobre investimento, por tratar-se de um método de fácil elaboração.
Segundo FLEISCHER (1973), a característica essencial do método do Valor Presente "é o desconto para o valor presente de todos os fluxos de caixa esperados como resultado de uma decisão de investimento". Todos os fluxos de caixa futuros são descontados, usando-se a Taxa Mínima de Atratividade (TMA).
Na prática trata-se em trazer para o presente, ou seja, para o tempo em que se iniciou o projeto todas as despesas e receitas de capital esperados, a uma determinada taxa de juros que reflita os juros de mercado.
Segundo CASAROTTO FILHO (1994) este método normalmente é utilizado nas análises de investimentos isolados, que envolvam o curto prazo ou que tenham baixo número de períodos.
Para ilustrar mais facilmente a repetição dos fluxos de caixa pode-se expressá-lo através de um diagrama, onde:
Figura C : Fluxo de Caixa
A partir de fluxos similares ao apresentado na figura 3, para calcular
o Valor Presente Líquido pode-se usar a equação (3.1),
onde 'VP' é igual ao valor presente, 'P' o fluxo de caixa líquido
no fim de cada período 't' e 'i' é a taxa mínima de
atratividade.
(3.1.)
A análise econômica de um único projeto através do Valor Presente, como é o caso deste estudo, é simplesmente analisar se este é positivo, neste caso o projeto é vantajoso.
Porém, pelo Método do Valor Presente Líquido, se tivermos várias alternativas de projetos a serem analisadas e estas possuírem tempos de vida diferentes é necessário transformá-las em projetos com o mesmo número de períodos, o que pode ser feito considerando-se um período de planejamento igual ao menor múltiplo comum das vidas dos projetos através da repetição dos mesmos. Vantagens do Valor Presente Líquido sobre os outros critérios de avaliação de investimentos, são descritos a seguir:
a. O valor presente líquido pressupõe que um dólar disponível hoje, vale mais do que um dólar disponível amanhã, porque este pode ser aplicado e começar imediatamente a render juros (Valor Temporal do Dinheiro).
b. O valor presente líquido depende unicamente dos fluxos de caixa previsionais do projeto e do custo de oportunidade do capital, não é afetado pelas preferências do decisor, pelos métodos de contabilização usados pela empresa, pela rentabilidade da atividade atual da empresa ou pela rentabilidade de outros projetos autônomos, o que conduziria a decisões menos qualificadas.
c. Outra propriedade muito importante do valor presente líquido é a propriedade da aditividade. Por exemplo, existindo dois projetos A e B, o VPL do investimento conjunto é:
No caso do projeto B apresentar VPL negativo, a soma dos dois terá
um VPL menor do que o do projeto A que é positivo. Desta forma,
provavelmente, não se escolherá um mau projeto (B) só
porque está se associando a um bom projeto (A).
3.3.3. Taxa Interna de Retorno (TIR)
Segundo FLEISCHER (1973), a taxa interna de retorno de um investimento é a taxa de juros para a qual o valor presente dos recebimentos resultantes do projeto é exatamente igual ao valor presente dos desembolsos, ou seja, é a obtenção de uma taxa de juros que zere o valor presente do fluxo de caixa. Assim o critério para a decisão de investimento com base na TIR é aceitar um projeto de investimento se o custo de oportunidade do capital for menor do que a taxa interna de retorno.
OLIVEIRA (1982) define taxa interna de retorno como aquela que torna o valor dos lucros futuros equivalente ao valor dos gastos realizados com o projeto. Assim a TIR caracteriza-se como a taxa de remuneração esperada para o capital investido e pode ser calculada através da equação (3.3):
Não há solução algébrica simples para esta equação, portanto para calcular a TIR aplica-se o processo de tentativa e erro, isto implica na obtenção de um valor positivo e outro negativo, correspondente as duas taxas de juros tomadas arbitrariamente. Como a taxa de juros solução deve resultar em valor presente zero, é necessário encontrar a solução dentro dos limites das tabelas disponíveis em livros que tratam do assunto. A interpolação linear desses valores fornecerá a TIR aproximada.
A TIR e o VPL baseiam-se nos mesmos princípios da equivalência de capitais e conduzem à mesma decisão, à exceção de alguns casos particulares.
A diferença fundamental dentre estas duas técnicas é que o VPL assume reinvestimentos ao custo de capital, enquanto a TIR assume que os reinvestimentos se farão à própria taxa interna de retorno. Entretanto, o critério da TIR é suscetível à apresentar algumas desvantagens, entre as quais:
Quando observa-se conflito entre os métodos de VPL versus TIR, a decisão correta é selecionar o projeto com maior VPL, assumindo-se que o objetivo é maximizar o valor presente da empresa.
Quando se calcula o VPL de um projeto, busca-se saber se o projeto vale mais do que ele custa. Estima-se seu valor calculando quanto seu fluxo de caixa deveria valer se uma reivindicação sobre o projeto fosse oferecida isoladamente aos investidores e negociada no mercado. É por este motivo que se calcula o VPL descontando fluxos de caixa futuros ao custo de oportunidade de capital, isto é, à taxa de retorno esperada oferecida para títulos que têm risco similar ao projeto.
Por fim, cabe lembrar que o VPL permite que milhares de acionistas,
que têm uma enormidade de diferenças entre níveis de
riqueza e atitudes frente ao risco, participem de uma mesma empresa e deleguem
sua operacionalização a um profissional, através de
uma simples instrução: "Maximizem o Valor Presente" (BREALEY
and MYERS,1991).
3.3.4. Período de Recuperação do Capital Investido (Pay Back)
O Pay Back é o principal método não exato. Ele mede o tempo necessário para que a somatória das parcelas anuais seja igual ao investimento inicial.
Este método é bastante utilizado pelos empresários para determinar a atratividade de um investimento. Considerando que o maior objetivo de um projeto é o lucro e não o tempo de recuperação do capital investido, este método ignora qualquer ocorrência além do período final em que o capital foi recuperado. Assim mesmo, ele pode fornecer informações de interesse, principalmente quando o futuro é altamente incerto, e o interesse em recuperar o investimento inicial é o mais rápido possível, mas este método deve ser usado somente para fornecer informações adicionais. Existem, no entanto, algumas desvantagens no método Pay Back, as quais são descritas a seguir.
3.3.5. Período de Recuperação
Atualizado ou Pay Back Descontado
Este método tem vantagem em relação ao Pay
Back porque ele questiona quantos períodos serão
necessários para o projeto ser aceito em termos de valor presente
líquido. Isto quer dizer que é dada uma ponderação
igual a todos os fluxos, antes do período limite, mas ele continua
a não considerar os fluxos de caixa que ocorrem após o
período.
Uma forma de analisar os possíveis resultados de um investimento é através da Análise de Sensibilidade, que estuda o efeito que a variação de um dado de entrada (input) pode ocasionar nos resultados finais. A análise determina o efeito que variações nos inputs, como receitas e custos operacionais, usados para estimar fluxos caixa, podem ocasionar no valor presente líquido ou em qualquer outro fator de decisão utilizado (PARK, 1993).
Quando uma pequena variação num parâmetro altera drasticamente a rentabilidade de um projeto, diz-se que o projeto é muito sensível a este parâmetro e poderá ser interessante concentrar esforços para obter dados menos incertos (CASSAROTTO FILHO e KOPITTKE, 1994).
A Análise de Sensibilidade demonstra portanto, o quanto o Valor Presente Líquido ou outro fator utilizado mudará, devido a uma dada alteração de um input. Assim, na análise de fluxos de caixa pelos modelos de Engenharia Econômica, alguns itens podem ter maior influência no resultado final do que outros, podendo-se identificar os inputs mais significativos.
As planilhas eletrônicas são um dos melhores instrumentos
para elaborar um estudo de análise de sensibilidade.
3.5. DETERMINAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
O processo de fixação de preços, está intimamente ligado ao sistema de planejamento e deve refletir os objetivos e estratégias estabelecidos pela alta administração do plano gerencial da empresa.
Pode-se afirmar que a determinação dos preços de venda está mais ligado às imposições do mercado, como grau de aceitação e elasticidade do produto do que seu preço. Entretanto, os custos são fatores preponderantes na formação e análise de preço de venda. Se o mercado não paga o preço estipulado, é porque existe o mesmo produto ou similar no mercado, a preços mais vantajosos, ou seja, o concorrente está trabalhando a custos menores.
Os custos possibilitam a luz do mercado, ou seja, a avaliação dos efeitos sobre os lucros das alternativas de preços a serem praticadas, permitindo a empresa decidir sobre a continuidade, ou descontinuidade, ou ainda a modificação de produtos. O preço se faz ou se analisa a partir dos custos.
A determinação de preços de venda é influenciada por inúmeros fatores:
A estrutura da unidade de industrialização de surimi foi projetada para ser anexada a uma indústria pesqueira já existente, possibilitando assim, maior aproveitamento das sobras de filetagem (carcaça do peixe) e espécies sub-aproveitadas, diversificação de produtos e ocupação da capacidade ociosa destas empresas.
Será construída uma área de 100 m2, cujo investimento será calculado pelo CUB (Custo Unitário Básico) do mês de janeiro de 1996.
A fonte de recursos para o investimento será através de recursos da própria empresa.
A produção estimada de surimi será em torno de 557,04 toneladas/ano, ou seja, de 46,42 toneladas/mês.
Foi suposto um "horizonte econômico" de dez anos, sendo que no período zero o Investimento Fixo é totalmente realizado.
Assumiu-se que no período um, a unidade de produção iniciará suas atividades a plena capacidade, e essa manter-se-á constante no decorrer dos dez anos seguintes. Todas as demais variáveis também permanecem constante durante os dez anos de atividade da unidade de produção.
Para a realização do estudo utilizaram-se informações obtidas junto ao CEPSUL (Centro de Pesquisa e Extensão Pesqueira das Regiões Sudeste e Sul), quanto a quantidade e capturada de peixes nos anos de 1988 a 1994, no Estado de Santa Catarina e a quantidade capturada de "mistura" foi obtida junto ao Sindicato da Pesca de Itajaí, nos anos de 1988 a 1993 (Tabela II).
TABELA 2 - QUANTIDADE CAPTURADA DE PEIXE E
"MISTURA" NOS ANOS DE 1988 A 1994 EM TONELADAS
Optou-se pela utilização de um mix de peixes menores, de diversas espécies, baixa viabilidade e valor comercial como matéria-prima para industrialização do surimi, além do aproveitamento das carcaças provenientes da filetagem de peixes pela própria indústria. Este mix de peixes é conhecido pelo meio pesqueiro como "mistura", e é composto principalmente das espécies citadas na Tabela III.
TABELA 3 - ESPÉCIES COMUMENTE ENCONTRADAS
NA MISTURA
Para optar-se pela "mistura" levou-se em consideração os requisitos de quantidade e características técnicas dos pescados que a compõem. E com relação as carcaças fez-se um levantamento junto a várias empresas do setor, para obter a quantidade média de peixes que é filetado mensalmente.
As indústrias da Região do Vale do Itajaí, que industrializam filé de peixe, filetam aproximadamente 40 toneladas/mês de peixes de diversas espécies no período de março a outubro, sendo que de novembro a fevereiro, esta quantidade é bastante reduzida. Assim, a indústria deverá manter um estoque de matéria-prima para processar durante este período.
Na industrialização de filé de peixe, uma porcentagem considerável da carne do peixe não é aproveitada para este fim. No processo de filetagem, cerca de 8,4% da carne próxima a carcaça do peixe não é retirada. Esta porcentagem subtilizada pode servir como suprimento de parte da matéria-prima para fabricação de surimi. Este total de 8,4%, obteve-se da porcentagem média total da carne do pescado, menos a porcentagem média do filé de peixe, mais a quantidade média de espinhas e esqueleto (Ver Tabela IV), o que corresponde a 21%, que é a carcaça. Deste total, segundo as informações pessoais do professor Beirão da Tecnologia de Pescados do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UFSC o aproveitamento da carcaça é de 40% no processo de industrialização do surimi, o que corresponde a 8,4% de carne de peixe. Então de 40 toneladas vai se obter 3,36 toneladas de carne de peixe o que corresponde a 908 Kg de surimi mensalmente.
A Tabela IV mostra a composição percentual do pescado, porém, deve-se ressaltar que estes números podem variar dependendo da espécie analisada e da época de captura do pescado.
A necessidade total de peixes para industrializar 46,42 toneladas/mês de surimi é de 140 toneladas, mas deve-se considerar as 3,36 toneladas de carne de peixe provenientes da carcaça, o que corresponde a 7,369 toneladas de peixe. Então, a quantidade total de pescados adquiridos pela empresa é de 132,631 toneladas/mês.
As empresas de pescados que possuem fábrica de farinha de peixe utilizam as carcaças para industrializar farinha de peixe, mas na maioria delas este material não é aproveitado, sendo doado às indústrias que processam farinha de peixe, já que estes resíduos não possuem local adequado para serem despejados e são um grande transtorno para a indústria.
TABELA 4 - COMPOSIÇÃO MÉDIA
DO PESCADO EM PORCENTAGEM
O preço da mistura foi coletado junto a Indústria Pesca Viva Comércio de Pescados Ltda, localizada em Itajaí/SC e CEASA/São Paulo (Central de Abastecimento da Secretaria de Agricultura).
O consumo de água foi estipulado de acordo com um levantamento feito junto as indústrias de pescados da Região do Vale do Itajaí e Florianópolis e também através do cálculo de consumo de água de cada processo de industrialização do surimi.
O levantamento de preços dos equipamentos destinados a industrialização do surimi foram feitos junto a Refrigeração União Paulista Ltda, localizada em São Paulo (ver anexo 3).
O consumo de energia elétrica pelos equipamentos diretamente relacionados com a industrialização de surimi, foram calculados através da transformação da potência dos motores (HP) em Kwatts/hora, conforme os resultados apresentados no quadro 4, anexo 1.
A taxa de iluminação pública (TIP), varia de município para município, e para tal estudo usou-se a TIP de Itajaí. Para indústrias que consomem acima de 50 Kwatts/hora a taxa estipulada é de R$ 157,50/mês.
Os equipamentos necessários para congelamento e armazenagem do produto final são comuns a praticamente todas indústrias de pescados, mudando somente as características de tamanho, capacidade e potência (ver anexo 2). Entretanto, para o presente estudo foram levantados dados sobre tais equipamentos junto as indústrias de Pescados Costa Sul, localizada no município de Penha/SC e Pioneira da Costa em Florianópolis/SC. O consumo de energia elétrica foi calculado através da transformação da potência dos equipamentos em consumo de energia elétrica. Posteriormente, rateou-se os gastos para a unidade de surimi.
O custo da mão-de-obra da produção é calculado com base no piso salarial mínimo de um trabalhador da indústria da pesca, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Alimentação de Itajaí (quadro 1, anexo 1).
O custo de um responsável pela manutenção elétrica e mecânica da empresa é calculado de acordo com o piso mínimo dado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica/Mecânica /Elétrica do Estado de Santa Catarina (quadro 1, anexo 1).
O piso salarial de um responsável técnico (químico) foi dado pelo Sindicato Regional de Química do Estado de Santa Catarina (quadro 1, anexo 1).
O preço do Sorbitol utilizado para estabilização do surimi foi coletado junto a Empresa Getec-Guanabara Química Industrial, localizada em São Paulo (quadro 3).
O preço de Tripolifosfato de Sódio foi fornecido pela Quimidrol de Joinville.
O preço e especificações das embalagens plásticas para cada bloco de surimi foram levantados junto à Empresa Milplast localizada em Curitiba. As embalagens são sacos de polietileno azul com espessura de 10 milímetros e dimensões de 30x50x8 para largura, comprimento, e altura respectivamente.
Os custos e especificações das embalagens de papelão foram levantados junto a Empresa de Embalagens Clabin localizada em São Leopoldo-RS. A embalagem é uma caixa de papelão branca, impermeabilizada de tampa e fundo, com impressão em duas cores, cujas dimensões em centímetros são 30x50x16 para largura, comprimento, e altura respectivamente. Para insumos ver quadro 3, anexo 1.
O preço da balança utilizada para pesagem dos blocos foi obtido junto a empresa Datasist-Equipamentos e Sistemas Ltda de São José/SC.
Os impostos que irão incidir sobre o produto final foram levantados junto aos órgãos competentes, e estão descritos no quadro18, anexo 5.
O surimi não é industrializado no Brasil, e não
tem produto similar para que se possa comparar e determinar o preço
de venda, por isso é necessário primeiramente calcular o custo
do produto e estimar a faixa de preço viável para que o produto
seja aceito pelo mercado. O preço do surimi vai ser comparado com
o preço da PTS (proteína texturizada de soja), que também
é um produto intermediário, altamente proteico, e muito utilizado
pela indústrias frigoríficas em embutidos, pela merenda escolar
e restaurantes industriais.
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