5. CONCLUSÕES, RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES

 

5.1. CONCLUSÕES SOBRE A PESQUISA

Através desta pesquisa pode-se perceber que uma característica significativa da L.E.R. é a invisibilidade da doença, pois havendo uma limitação que não é aparente, há também a discriminação do portador que não tem seu sofrimento explícito em sinais de lesão. Origina-se daí os principais problemas advindos da L.E.R., que são os de relacionamento com os colegas e gerentes de trabalho, com a família, com os profissionais de saúde e até mesmo conflitos internos, justamente por essa peculiaridade da doença em atingir de forma inaparente a capacidade de trabalho e até de cuidar de si próprio.

Grande parte desses problemas de relacionamento, e até mesmo da aquisição da doença, ocorrem devido à deficiência de informação em torno da realidade da L.E.R., relativamente fácil de ser prevenida, porém uma vez instalada é de difícil cura e geradora de muitos problemas. Essa pobreza de informações acaba determinando a exclusão social do portador, pois por sofrer descrédito dos colegas, familiares e até mesmo dos profissionais de saúde em relação aos seus sintomas - principalmente a dor - ele acaba se fechando em seu mundo onde se sente seguro, o que conduz a uma mudança no estilo de vida e a quadros depressivos. Isto também se deve à incerteza da cura e à demora dos resultados do tratamento.

Especificamente quanto ao atendimento dos profissionais de saúde, percebe-se a necessidade do portador ser acompanhado sempre pelo mes-mo médico, o qual já ao par de seu histórico, poderia acompanhá-lo mais eficientemente, pois a insatisfação dos entrevistados com o atendimento pelos pro-fissionais do governo é uma realidade agravada pelo atendimento feito por profissionais que não pertencem à área de saúde ocupacional e que não recebem um treinamento voltado aos problemas subjetivos resultantes da L.E.R. - o que pareceu ser uma conseqüência marcante - assim como por um sistema de saúde pública desgastado, voltado, quase sempre, à visão mecanicista.

Em relação ao trabalho, o desempenho da maioria das funções exercidas anteriormente, teoricamente, exigia esforços repetitivos. Entretanto, não convém afirmar que essas atividades deram início às lesões ósteo-músculo-esqueléticas apresentadas pelos entrevistados, já que não foi feito um estudo detalhado dessa questão.

Quanto ao trabalho atual, não pode-se afirmar de maneira precisa que este foi o causador da lesão, embora haja uma grande tendência, já que os sintomas surgiram a partir de 02 anos após o início da atividade atual. Contribui para essa suspeita as condições de trabalho ergonomicamente inadequadas e incompatíveis consigo mesmos, citadas pelos entrevistados. Além disso, o controle hierárquico, devido ao próprio tipo de empresa, não permitia um relacionamento satisfatório com os supervisores, o que era gerador de um clima de trabalho tenso. Ainda, a falta de uma política de prevenção da L.E.R. e a desinformação do trabalhador e, muitas vezes, da própria empresa, sobre os fatores de risco da doença e suas conseqüências, podem ser causas tanto da L.E.R. como do seu agravamento.

Pode-se associar a isso, as características individuais de perfeccionismo, iniciativa nas ações doméstica e profissional, e incompreensão diante da inércia dos outros, querendo agregar e realizar rapidamente todas as tarefas, características estas encontradas na amostra e citadas na literatura como fatores que contribuem para o aparecimento da L.E.R.

Por fim, observou-se que a doença ocasiona uma modificação em todo o estilo de vida do portador e da família, transtornos emocionais, limitações físicas que restringem a vida social do portador em algum momento, gera custos para a empresa e para o Estado, e muitas vezes, ocasiona a perda de um indivíduo produtivo e gerador de recursos para a sociedade. Isso é agravado pela deficiência na política de reinserção do doente na sociedade, ocasionando expectativas sombrias quanto ao seu futuro.

5.2. RECOMENDAÇÕES DO TRABALHO

Em decorrência do que foi visto em todo o trabalho, verifica-se a necessidade de:

5.3. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Propõe-se que seja realizado um estudo mais específico para se conhecer as reais limitações impostas pela doença, de modo a salientar as possibilidades do indivíduo para a ação no trabalho, o que seria possível através do trabalho de uma equipe de saúde multidisciplinar, visando não apenas o tratamento, mas também a reabilitação para a situação real de trabalho.

Conseqüentemente, isso daria início a um estudo das possibilidades de atuação e/ou atividades possíveis de serem executadas pelos portadores de L.E.R., estabelecendo as características e exigências do trabalho através de uma análise ergonômica para melhor compreensão das possibilidades de reinserção dos portadores da doença.

Sugere-se também o aprofundamento na questão psicológica, tentando relacionar mais especificamente pontos-chaves que exerçam influência no desencadeamento da L.E.R., assim como maneiras de trabalhar esses aspectos na tentativa de minimizar a incidência da doença sob esse prisma.

Outra sugestão seria realizar um trabalho junto aos profissionais de saúde do governo que atendem os portadores de L.E.R., objetivando verificar quais as barreiras e problemas encontrados por eles diante dessa problemá-tica, já que no presente trabalho focou-se somente a visão do portador de L.E.R.