METODOLOGIA

A metodologia a ser usada para a realização deste trabalho, será desenvolvida em duas etapas, numa primeira etapa será realizado o desenvolvimento de estudos teóricos nas áreas de acidentes do trabalho, organização do trabalho, ergonomia e Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA e, numa segunda será desenvolvido um estudo de caso múltiplo.

Nos estudos teóricos serão tratados os assuntos:

- Estudo sobre o Trabalho, Acidentes do Trabalho e Leis sobre Acidente do Trabalho.

- Organização do Trabalho.

- Ergonomia.

- Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA e Portarias regulamentadoras.

E numa segunda etapa será feito o estudo de caso, que neste trabalho caracteriza-se como estudo de caso múltiplo, pois pretende-se verificar e analisar como estão estruturadas as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes - CIPAs, nas empresas.

O trabalho se desenvolverá em nove empresas, nas quais serão realizadas entrevistas com trabalhadores, profissionais de segurança no trabalho e dirigentes sobre a estruturação e atuação das CIPAs e qual o conhecimento e a visão dos mesmos em relação ao trabalho desenvolvido pela mesma na empresa. Também serão aplicados questionários somente com trabalhadores de linha de produção contendo os mesmos assuntos das entrevistas.
 
 

2.1. A escolha das empresas

A escolha das empresas, nas quais realizamos os estudos, foi através de contatos prévios e da resposta positiva à realização do desenvolvimento do estudo nas mesmas.

Num primeiro momento foram contatadas mais ou menos quinze empresas, através de contatos pessoais com gerentes de recursos humanos, ou profissionais dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho ou presidentes da CIPA, encaminhada uma carta de apresentação do orientador e uma proposta do trabalho com os tópicos a serem analisados, e destas apenas dez empresas responderam positivamente à realização do estudo. Após as respostas foram feitos novos contatos pessoais para a apresentação mais detalhada do trabalho a ser desenvolvido, a forma de serem realizadas as entrevistas especificando os principais itens a serem abordados e um modelo do questionário a ser distribuído aos trabalhadores e, para serem marcadas as datas das entrevistas e da aplicação dos questionários.

Nove empresas responderam positivamente à realização do trabalho, sendo que destas quatro (04) são do estado de Santa Catarina e cinco (05) do estado de São Paulo, de diversos ramos de atividade e, as mesmas serão identificadas no decorrer do estudo por letras.

QUADRO - 1. CARACTERIZAÇÃO DAS EMPRESAS POR RAMO DE ATIVIDADE, GRAU DE RISCO, NÚMERO DE TRABALHADORES E MEMBROS DA CIPA.
RAMO DE ATIVIDADE
GRAU DE RISCO
N.º DE FUNC.
MEMBROS DA CIPA
EMPRESA A
- Fabricação de máquinas, aparelhos de refrigeração e ventilação  3  5.800  24 titulares 

24 suplentes 

EMPRESA B
- Fabricação de carrocerias de caminhões e ônibus  3  2.665  24 titulares e 

24 suplentes 

EMPRESA C
- Abastecimento de água e saneamento  455 
*
EMPRESA D
- Fabricação de telefones e centrais telefônicas  3  345  8 titulares e 

8 suplentes 

EMPRESA E
- Ensino superior  2  917  6 titulares e 

6 suplentes 

EMPRESA F
- Serviços sociais da industria  3 **  391  8 titulares e 

8 suplentes 

EMPRESA G
- Fabricação de biscoitos, bolachas, e produção de derivados de cacau e elaboração de chocolates, balas e goma de mascar  3  700  12 titulares e 

12 suplentes 

EMPRESA H

- Fabricação de implementos agrícolas 

1.005  16 titulares e 

16 suplentes 

EMPRESA I

- Fabricação de biscoitos e bolachas 

575  12 titulares e 

12 suplentes 

* Nesta empresa existem sete (7) CIPAs descentralizadas, com representantes proporcionais em cada uma delas.
** De acordo com o ramo de atividade do Quadro I da NR4, o grau de risco da empresa deveria ser "1", mas a unidade segue o padronizado pela instituição.

No quadro 1 estão as representações das empresas de acordo com o ramo de atividade e o grau de risco de acordo com a NR 4 - quadro I; o número de funcionários e o dimensionamento da CIPA de acordo com a NR 5 - quadro I.
 

2.2. Instrumentos de coleta de dados

Tendo em vista o objetivo do trabalho, a entrevista e os questionários tornaram-se os instrumentos de coleta de dados. A escolha da entrevista deve-se ao fato da mesma ser uma forma de interação social e poder ser usada com qualquer segmento da população, proporcionando o contato direto e descontraído entre o entrevistado e o entrevistador. Em relação aos dados possibilita a obtenção de informações mais precisas acerca do assunto estudado e permite que os mesmos sejam quantificados e submetidos a tratamento estatístico.

Será desenvolvido através de entrevista semi-estruturada, pois de acordo com TRIVIÑOS (1995):

Para a realização das entrevistas optou-se pela utilização de gravador, pois de acordo com TRIVIÑOS (1995) a entrevista gravada é importante por duas razões fundamentais, a primeira porque permite contar com todo material fornecido pelo informante e também porque o mesmo pode ajudar a aperfeiçoar e completar as idéias por ele colocadas. Para a realização da entrevista com o uso de gravador foi conversado previamente com o entrevistado e somente utilizado com a sua permissão, nos casos da não permissão do uso do gravador foram feitas anotações no decorrer da entrevista.

Os temas a serem investigados neste estudo, através da entrevista, são os seguintes:

- Como as CIPAs estão organizadas e estruturadas nas empresas, e qual o papel de seus membros em relação as suas atribuições.

- Qual a autonomia das CIPAs dentro das empresas na identificação e solução de problemas ergonômicos, organizacionais e ambientais.

- Qual o conhecimento e a preocupação sobre a ergonomia.

- Verificar a receptividade e interesse dos entrevistados, em relação à proposta da criação COMISSÃO DE ESTUDOS DO TRABALHO - CET.

E para as entrevistas acompanhou-se o roteiro predeterminado como é mostrado no Anexo 1.

Também utilizou-se o questionário como forma de obtenção de mais informações sobre o conhecimento e a interação dos trabalhadores com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPAs das empresas. Os temas transcorridos nos questionários foram os mesmos das entrevistas só que de forma mais direta, conforme é apresentado no Anexo 2.

A utilização do questionário se deu devido ao interesse de atingir um número maior de pessoas e opiniões. Para GIL (1994), "o questionário constitui uma das mais importantes técnicas disponíveis para a obtenção de dados nas pesquisas sociais, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, expectativas, situações vivenciadas, etc." .
 

2.3. A escolha dos participantes

Para as entrevistas, os dirigentes, gerentes e profissionais de segurança foram indicados pelos próprios profissionais responsáveis e os trabalhadores foram escolhidos aleatoriamente em dois grupos. "membros da CIPA" e "não membros da CIPA", e para a aplicação dos questionários, a pesquisadora percorria os setores e conversava com os trabalhadores que eram escolhidos aleatoriamente durante o trabalho de campo.

Foram entrevistadas 113 pessoas, distribuídas entre diretores e/ou gerentes das áreas de produção ou de recursos humanos, engenheiros de segurança e/ou técnicos de segurança do trabalho e trabalhadores membros da CIPA e não membros, de acordo com o apresentado no Quadro 2.

QUADRO - 2: DISTRIBUIÇÃO DOS ENTREVISTADOS POR EMPRESA
Diretor ou Gerente
Eng.º de segurança ou téc. de segurança do trabalho
Trabalhadores membros da CIPA
Trabalhadores não membros da CIPA
EMPRESA A
2
2
5
5
EMPRESA B
2
3
4
5
EMPRESA C
1
*
5
5
EMPRESA D
2
1
5
5
EMPRESA E
2
1
4
6
EMPRESA F
1
*
4
4
EMPRESA G
1
1
4
6
EMPRESA H
2
2
5
5
EMPRESA I
2
1
5
5
* Estão sem técnico de segurança do trabalho na unidade em que foi desenvolvido o estudo.

Foram distribuídos 300 questionários, nas nove empresas estudadas somente para trabalhadores da linha de produção nas indústrias e trabalhadores administrativos e de suporte das empresas prestadoras de serviços , destes retornaram 167.

QUADRO - 3. DISTRIBUIÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS DE ACORDO COM MEMBROS E NÃO MEMBROS DA CIPA, SEXO E TEMPO DE SERVIÇO.
 
Membros da CIPA
Não membros da CIPA
Masculino
Feminino
Média de tempo de serviço (meses)
EMPRESA A 
9
25 
30 
4 
74,0 
EMPRESA B 
4
18 
19 
3 
84,9 
EMPRESA C 
9
8 
14 
3 
171,5 
EMPRESA D 
4
7 
7 
4 
32,4 
EMPRESA E 
8
5 
10 
3 
61,7 
EMPRESA F 
8
7 
8 
7 
166,4 
EMPRESA G 
6
13 
2 
17 
66,1 
EMPRESA H 
7
4 
10 
1 
186,7 
EMPRESA I 
4
11 
3 
12 
28,1 

Os questionários (Anexo 2) continham perguntas relativas sobre o conhecimento dos trabalhadores do que é a CIPA e como ela está estruturada e atuando na empresa; conhecimento sobre ergonomia e se o trabalhador tem algum conhecimento de estar sendo desenvolvido algum trabalho sobre ergonomia na empresa; conhecimento sobre a organização da empresa e o processo de trabalho da mesma; cursos, palestras e treinamentos oferecidos pela empresa sobre prevenção de acidentes, segurança no trabalho, ergonomia e qualidade de vida; qual a participação dos trabalhadores na identificação e resolução dos problemas e a opinião sobre a proposta da criação da Comissão de Estudos do Trabalho -CET, que venha reestruturar ou substituir a CIPA, com maior participação dos trabalhadores.

No quadro 3, encontra-se a quantidade de questionários devolvidos por empresa, o número de membros da CIPA e não membros que responderam, a distribuição por sexo e a média de tempo de serviço representada em meses.