CAPÍTULO 2

REVISÃO BIBLIOGRAFICA

2.1 Ergonomia

2.1.1 Histórico

A ergonomia desenvolveu-se durante a II Guerra Mundial quando, pela primeira vez, houve uma conjugação sistemática de esforços entre a tecnologia e as ciências humanas. Fisiologistas, psicólogos, antropólogos, médicos e engenheiros trabalharam juntos para resolver os problemas causados pela operação de equipamentos militares complexos. Os resultados desse esforço interdisciplinar foram tão gratificantes, que foram aproveitados pela indústria, no pós-guerra (DUL e WEERDMEESTER, 1995).

No fim da Guerra, os EUA e a Europa descobriram que, se a indústria bélica podia tirar partido desta nova disciplina, a ERGONOMIA, as indústrias não bélicas também o poderiam fazer. Em 1949, foi então fundada a Sociedade de Pesquisas Ergonômicas na Universidade de Oxford. Em 1961, foi organizada a Associação Internacional de Ergonomia, em Estocolmo.

Atualmente vários países estão desenvolvendo esta disciplina, e entre eles podemos destacar: USA, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e Polônia etc. No caso do Brasil, apesar de relativamente recente, a Ergonomia está-se desenvolvendo na medida em que é objeto de estudo e aplicação. Em comparação a outros países da América Latina, no entanto, a Ergonomia brasileira está mais avançada.

Segundo SADD (1981) os estudos ergonômicos tiveram um aprofundamento ainda maior com o início dos programas espaciais e de segurança de veículos automotores, devido a severas solicitações:

2.1.2 Definições e características

O termo ergonomia é derivado das palavras gregas ergon(trabalho) e nomos (regras). Nos Estados Unidos é denominado como Human Factors (fatores humanos).

Numa publicação da organização Mundial da saúde, W.T.Singleton, em 1972, definia a Ergonomia como "uma tecnologia da concepção do trabalho baseada nas ciências da biologia humana".

A Ergonomia é definida por LAVILLE (1977) como "o conjunto de conhecimentos a respeito do desempenho do homem em atividade, afim de aplicá-los á concepção de tarefas, dos instrumentos, das máquinas e dos sistemas de produção".

Distingue-se, habitualmente, segundo o mesmo autor, em dois tipos: ergonomia de correção e a outra de concepção. A primeira procura melhorar as condições de trabalho existentes e é freqüentemente parcial e de eficácia limitada.

E a ergonomia de concepção, que ao contrário, tende a introduzir os conhecimentos sobre o homem desde o projeto do posto, do instrumento, da máquina ou dos sistemas de produção.

Para WISNER (1987), a ergonomia se baseia essencialmente em conhecimentos no campo das ciências do homem (antropometria, fisiologia, psicologia, uma pequena parte da sociologia), mas constitui uma parte da arte do engenheiro, à medida que seu resultado se traduz no dispositivo técnico. O mesmo autor coloca que, embora os contornos da prática ergonômica variem entre países e até entre grupos de pesquisa, quatro aspectos são constantes, quais sejam:

  1. a utilização de dados científicos sobre o homem
  2. a origem multidisciplinar desses dados;
  3. a aplicação sobre o dispositivo técnico e, de modo complementar, sobre a organização do trabalho e a formação;
  4. a perspectiva do uso destes dispositivos técnicos pela população normal dos trabalhadores disponíveis, por suas capacidades e limites, sem implicar a ênfase numa rigorosa seleção.
Segundo SANTOS e ZAMBERLAN (1992), a "Ergonomia tem como finalidade conceber e/ou transformar o trabalho de maneira a manter a integridade da saúde dos operadores e atingir objetivos econômicos. Os ergonomistas são profissionais que têm conhecimento sobre o funcionamento humano e estão prontos a atuar nos processos projetuais de situações de trabalho, interagindo na definição da organização do trabalho, nas modalidades de seleção e treinamento, na definição do mobiliário e ambiente físico de trabalho".

CHRISTENSEN (1987) em relação aos termos utilizados para descrever as várias áreas e subáreas da Ergonomia, tem predileção por utilizar o termo ergonomia ou fatores humanos no trabalho para abranger tanto a prevenção (saúde, segurança), ou desempenho no trabalho, como a pesquisa e suas aplicações.

Conforme MINICUCCI (1992) a "Ergonomia reúne conhecimentos relativos ao homem e necessários á concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência ao trabalhador.

A mesma trabalha essencialmente com duas ciências : a Psicologia e a Fisiologia, buscando também auxílio na Antropologia e na Sociologia.

A ergonomia, entre outros assuntos, procura estudar:

Ademais, a ergonomia procura realizar diversos tipos de análises das atividades, quer física, sensorial e mental. Assim, faz: Ela foge da linguagem simples das aptidões que define apenas as qualidades exigidas do operador para a execução do trabalho, procurando informações mais amplas a respeito das condições materiais necessárias para executá-lo. Leva em conta termos como: esforço, julgamento, atenção, concentração, percepção, motivação que o psicólogo, ás vezes, não leva em consideração, orientando-se apenas no sentido de seleção".

Uma ampla definição é dada por VIDAL et al. (1993) segundo a qual a "Ergonomia tem como objeto teórico a atividade de trabalho, como disciplinas fundamentais a fisiologia do trabalho, a antropologia cognitiva e a psicologia dinâmica, como fundamento metodológico a análise do trabalho, como programa tecnológico a concepção dos componentes materiais, lógicos e organizacionais de situações de trabalho adequadas aos indivíduos, às pessoas e aos coletivos de trabalho. Tem ainda como meta de base a discussão e interpretação sobre as interações entre ergonomistas e os demais atores sociais envolvidos na produção e no processo de concepção, buscando entender o lugar do ergonomista nestas ações, assim como formar seus princípios deontológicos".

Para o Instituto de Ergonomia da General Motors Espanha, a ergonomia é definida "como uma metodologia multidisplinar que tem como objetivo a adaptação da técnica e as tarefas ao homem. Desta adaptação, ha de derivar-se em um menor risco no trabalho, maior conforto no posto de trabalho, assim como um enriquecimento dos conteúdos dos mesmos. Todos estos aspetos são compatíveis com uma melhor produtividade, através , entre outros, da otimização dos esforços e movimento no desenvolvimento das tarefas, de uma diminuição da probabilidade de errores, da melhora das condições de trabalho".

SADD(1981), classifica a ergonomia em:

MARCELIN e FERREIRA (1982) comentam que os conhecimentos utilizados pela Ergonomia não são próprios dela, mas "tomados de empréstimo" de outras disciplinas, a organização e utilização desses conhecimentos em uma dada situação, ou seja, a metodologia empregada, ela sim, é própria da Ergonomia, A. Wisner considera mesmo ser a metodologia o domínio preferencial das pesquisas em Ergonomia.

Uma das metodologias mais utilizada na atualidade, em especial nas escolas francesas, é a de Análise Orientada ao Trabalho (CNAM- Conservatoire National des Arts et Métiers) que trata da utilização de um método particular para cada tipo de situação de trabalho.

A prática da ergonomia segundo SANTOS e FIALHO (1995), "consiste em emitir juízos de valor sobre o desempenho global de determinados sistemas homem(s)-tarefa(s). Como tais sistemas normalmente são complexos, envolvendo expectativas relativamente numerosas, procura-se facilitar a avaliação sobre o desempenho global apoiando-se no princípio da análise/síntese".

Segundo SELL (1994a) a "Ergonomia é uma ciência interdisciplinar, que pratica a pesquisa indutiva e cujo objeto de estudo é o trabalho. (Ergon- trabalho; nomos - lei, teoria, regra). Ela é também uma tecnologia, pois não é um fim em si mesmo, mas quer apoiar projetistas, planejadores, organizadores, administradores em projetos e avaliações, fornecendo recursos para isso.

A mesma autora continua enfatizando que os objetivos básicos da ergonomia são a humanização do trabalho e a melhoria da produtividade do sistema de trabalho. Onde, o aumento da produtividade está diretamente relacionado com o fator humano; e, a competitividade depende da qualidade dos produtos planejados, desenvolvidos e fabricados por este mesmo fator humano. Assim, para alcançar produtividade e competitividade é preciso, dentre outras coisas, centrar o enfoque no trabalhador. Por isso, a moderna administração empresarial não pode mais prescindir do uso de novas tecnologias, como a Ergonomia, para a melhoria da produtividade e da competitividade internacional".

Atualmente dentro da ergonomia estuda-se também a macroergonomia, que surgiu a partir de HENDRICK (apud MORAES, 1994). Segundo este autor, a ergonomia está na sua terceira geração.

"A primeira geração concentrou-se no projeto de trabalhos específicos, interfaces homem-máquinas, incluindo controles, painéis, arranjo do espaço e ambientes de trabalho. A maioria das pesquisas referia-se à antropometria e a outras características físicas do homem. Esta aplicação continua a ser um aspecto extremamente importante para a prática da ergonomia em termos de contribuições para a segurança industrial e para a melhoria geral da qualidade de vida.

A segunda geração da ergonomia se inicia com à ênfase na natureza cognitiva do trabalho. Tal ocorreu em função das inovações tecnológicas e, em particular, do desenvolvimento de sistemas automáticos e informatizados.

A terceira geração da ergonomia resulta do aumento progressivo da automação de sistemas em fábricas e escritórios, do surgimento da robótica. Esta geração da ergonomia privilegia a macroergonomia ou "organização global a nível de máquina/sistema", e se concentra no desenvolvimento para auxiliar os gerenciadores de processo a decidir sobre a adoção de cursos de ação que atendam aos múltiplos objetivos do mesmo".

Segundo MESHKATI (apud GONTIJO e SOUZA,1993), a macroergonomia consiste na "análise das interfaces tecnologia-organização-homem e das interações cultura-gerenciamento-tecnologia", ou "o estudo dos fatores humanos num nível macro ou num sistema pessoas-tecnologia mais abrangente, que está relacionado com as interações entre (sub-) sistemas tecnológicos e (sub-) sistemas organizacionais, gerenciais, pessoais e culturais".

É importante salientar que no Brasil, o Ministério do Trabalho e Previdência Social instituiu a Portaria n. 3.751 em 23/11/90 que estabelece a Norma Regulamentadora, a NR17, que trata da Ergonomia. "Esta norma visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente". Com esta norma começa-se a despertar o interesse pela Ergonomia no meio empresarial brasileiro.

Segundo SELL (1994a) "esta norma exige do empregador condições e postos de trabalho que atendam a um mínimo de requisitos ergonômicos. Se todas as empresas atendessem ao que a norma prescreve, haveria uma melhoria geral nas condições de trabalho, o que significaria um pequeno avanço social. A mesma autora recomenda a exigência e fiscalização do seu cumprimento em forma urgente".
 
 

2.2 Trabalho e condições de Trabalho

A primeira definição conhecida de trabalho está escrita em as Sagradas Escrituras em Gênesis 3: 17b , 19 " Disse, pois, o Senhor Deus ao homem: maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois és pó, e ao pó tornarás". Podemos deduzir então que o trabalho está relacionado com a noção geral de sofrimento e pena (BIBLIA,1995).

O Dicionário Larousse de Língua Portuguesa (1992) dá as seguintes definições para trabalho:

NEFF (apud DAVIES e SHACKLETON, 1977) define o trabalho como uma atividade instrumental executada por seres humanos, cujo objetivo é preservar e manter a vida, e que é dirigida para uma alteração planejada de certas caraterísticas do meio-ambiente do homem. Davies e Shackleton referenciam também a definição ainda mais ampla dada por O'Toole, que diz que "o trabalho é uma atividade que produz algo de valor para outras pessoas".

LEPLAT e CUNY (1977) definem condições de trabalho como "o conjunto de fatores que determinam o comportamento do trabalhador . Estes fatores são, antes de mais nada, constituídos pelas exigências impostas ao trabalhador: objetivo com critérios de avaliação (fabricar determinado tipo de peça com estas ou aquelas tolerâncias), condições de execução (meios técnicos utilizáveis, ambientes físicos, regulamentos a observar.)".

Por sua parte, MONTMOLLIN (1990), define condições de trabalho como tudo o que caracteriza uma situação de trabalho e permite ou impede a atividade dos trabalhadores. Deste modo, distinguem-se as condições:

Segundo SELL (1994b) entende-se por trabalho " tudo o que a pessoa faz para manter-se e desenvolver-se e para manter e desenvolver a sociedade, dentro de limites estabelecidos por esta sociedade. E, o conceito de condições de trabalho inclui tudo que influencia o próprio trabalho, como ambiente, tarefa, posto, meios de produção, organização do trabalho, as relações entre produção e salário, etc.

A mesma autora explica que boas condições de trabalho significam, em termos práticos:

2.2.1 Avaliação do trabalho humano

SELL (1994b) afirma que com vistas à " melhoria das condições de trabalho, tanto de forma corretiva - melhorias em sistemas já existentes - quanto de maneira prospectiva - melhorias nos sistemas de trabalho em fase de concepção e projeto - é necessário avaliar o trabalho humano existente, por critérios bem definidos, aceitos e que obedeçam a uma hierarquia de níveis de valoração relacionados com o trabalhador. Assim:

2.3 A INFLUÊNCIA DE FATORES AMBIENTAIS NO TRABALHO

2.3.1 Ambiente de trabalho e riscos ambientais

Segundo ILO (apud FISCHER & PARAGUAY, 1989) o " ambiente de trabalho é um conjunto de fatores interdependentes, que atua direta e indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados do próprio trabalho. Esta visão global das influências do trabalho facilita a compreensão das dificuldades e desconforto, da insatisfação, dos baixos desempenhos, das doenças camufladas e/ou na ocorrência de acidentes e incidentes do trabalho.

São fatores ou componentes do ambiente de trabalho: espaço, ambiências (luminosa, sonora, térmica, tóxica etc.), equipamentos, organização do trabalho/tempos; aspectos de segurança e relações profissionais". Na figura 2.1 se representa os componentes do ambiente de trabalho: Atividade, Carga de Trabalho, Saúde e Acidentes.

Para DUL e WEERDMEESTER (1995) existem, os "fatores ambientais de natureza física e química, tais como ruídos, vibrações, iluminação, clima e substâncias químicas, que podem afetar a saúde, a segurança e o conforto das pessoas. Existem outros fatores ambientais como radiação e a poluição microbiológica (bactérias, fungos)".

Segundo a norma regulamentadora brasileira, NR 9, aprovadas pela portaria N0 3.214, de 8 de junho de 1978, referente a riscos ambientais: são considerados riscos ambientais os agentes agressivos físicos, químicos e biológicos que possam trazer ou ocasionar danos à saúde do trabalhador, nos ambientes de trabalho, em função de sua natureza, concentração, intensidade e tempo de exposição ao agente.

Figura 2.1 Atividade, Carga de Trabalho, Saúde e Acidentes

Fonte: Laboratoire de Neurophysiologie du Travail et D´Ergonomie do CNAM, Paris, França

De acordo com IIDA (1990) " para cada uma das variáveis ambientais há certas características que são mais prejudiciais ao trabalho. Cabe ao projetista conhecer essas limitações e, na medida do possível, tomar as providências necessárias para manter os trabalhadores fora dessas faixas de risco. Entretanto, quando isso não for possível, devem ser avaliados os possíveis danos ao desempenho e à saúde dos trabalhadores, para que seja adotada aquela alternativa menos prejudicial, tomando-se todas as medidas preventivas cabíveis em cada caso".

È importante ressaltar a importância das boas condições do ambiente de trabalho não somente como indispensável para a luta contra as doenças profissionais e para respeitar as normas de conforto, como também levando em conta um fator importantíssimo, que o homem passa 33% (considerando 8 horas/ dia) de seu tempo por dia de trabalho. Em outras palavras, um terço do dia (muitas vezes mais ainda) da pessoa fica reservado para o trabalho na indústria ou lugar de trabalho. Por conseguinte, melhores condições de trabalho significam melhores condições de vida..

Os riscos ambientais mais comuns nas empresas são o de iluminação, temperatura, sonoro e gases. Apresentamos a seguir, avaliações dessas condições:

2.3.2 Avaliação das condições de iluminação

A influência de uma boa iluminação é de suma importância para o bom desempenho da tarefa. A iluminação deverá ser distribuída uniformemente, geral e difusa, a fim de evitar o ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. É importante considerar que uma iluminação inadequada prejudica a visão, determina esforço mental, reduz o rendimento e predispõe aos acidentes.

A quantidade de luz necessária para qualquer espaço em particular depende, primeiramente, da atividade a ser desenvolvida (ABNT NB 57). Os iluminamentos recomendados dependem das características das tarefas visuais e das exigências de execução, sendo mais elevados para aquelas tarefas que envolvem muitos detalhes, precisão e baixos contrastes. Utilizam-se valores mais baixos para tarefas intermitentes. No caso da medição da quantidade de iluminação é importante que se considere a quantidade de luz no ponto e no plano onde a tarefa for executada, seja horizontal, vertical ou em qualquer outro ângulo (PEREIRA, 1994).

Conforme IIDA (1990) existem basicamente três tipos de sistemas de iluminação ver figura 2.2:

Quanto ao posicionamento das luminárias devem ser posicionadas de modo a evitar a incidência da luz direta ou refletida sobre os olhos, para não provocar ofuscamentos. De preferência, devem se situar acima de 30o em relação à linha de visão. A figura 2.3 mostra o posicionamento das luminárias com respeito a visão do trabalhador.

Através da Tabela 2.1 podem dar-se valores básicos de iluminação interna em um ambiente de trabalho dependendo do tipo de tarefa , a qual pode ser utilizada numa verificação preliminar durante a realização das medições do nível de iluminação. Para uma verificação mais precisa, os valores determinados na NB 57 devem ser seguidos:

 
Figura 2.2 Sistemas de iluminação típicos em áreas de trabalho.
Fonte: IIDA(1990).
 
Figura 2.3 As luminárias devem ficar posicionadas 30o acima da linha de visão e atrás do trabalhador, para evitar ofuscamentos e reflexos. IIDA (1990).
 

Tabela 2.1. Classificação básica de iluminação interna.

Fonte: PEREIRA(1994).
Classificação
Nível de iluminação a ser obtido *
Tarefa
Baixa
100 a 200 lx (Lux)
  • Circulação; 
  • Reconhecimento facial; 
  • Leitura casual; 
  • Armazenamento; 
  • Refeição; 
  • Terminais de vídeo; 
Média
300 a 500 lx
  • Leitura /escrita de documentos com alto contraste; 
  • Participação de conferências; 
Alta
300 a 500 lx
  • Leitura/escrita de documentos com fontes pequenas e de baixo contraste; 
  • Desenho técnico 
* Este valor deve ser obtido no plano da tarefa.

O nível de iluminamento interfere diretamente no mecanismo fisiológico da visão e também na musculatura que comanda os movimentos dos olhos (IIDA,1990). Outros efeitos do nível de iluminamento são:

  1. Ofuscamento:
Segundo PEREIRA (1994) ofuscamento é quando o processo de adaptação não transcorre normalmente devido a uma variação muito grande da iluminação e/ou a uma velocidade muito grande. Experimenta-se uma perturbação, desconforto ou até perda na visibilidade. O ofuscamento pode ocorrer devido a dois efeitos distintos:
  1. Fadiga visual
É provocada principalmente pelo esgotamento dos pequenos músculos ligados ao globo ocular, responsáveis pela movimentação, fixação e focalização dos olhos. Raramente referem-se à dificuldade de percepção. Provoca tensão e desconforto. Os olhos ficam avermelhados, começam a lacrimejar, e a freqüência de piscar vai aumentar. Muitas vezes a imagem perde a nitidez ou se duplica. Em grau mais avançado, a fadiga visual provoca dores de cabeça, náuseas, depressão e irritabilidade emocional.

As possíveis causas de fadiga visual são: Fixação de detalhes, iluminação inadequada, pouco contraste, pouca definição, objetos em movimento e má postura.

Segundo LYRA (1994) "em um posto de trabalho, uma iluminação inadequada (decorrente de ofuscamento e/ou sombreamento e/ou iluminação insuficiente) faz com que o trabalhador force sua visão, além de exigir uma postura inadequada para melhor visualização. Os efeitos dessa condição são fadiga visual e dores de cabeça, coluna e pescoço. A conseqüência de tal estado é a diminuição da capacidade visual ao longo do tempo, elevado número de erros na execução das tarefas, diminuição do ritmo de trabalho e menor percepção de detalhes".

2.3.3 Ruído

Para GERGES (1992), som é ruído não são sinônimos. Um ruído é apenas um tipo de som, mas um som não é necessariamente um ruído. O conceito de ruído é associado a som desagradável e indesejável. Som é definido como variação da pressão atmosférica dentro dos limites de amplitude e banda de freqüências aos quais o ouvido humano responde.

O limiar da audição, isto é, a pressão acústica mínima que o ouvido humano pode detectar é 20x 10-6 N/m2 na freqüência de 1 kHz. Na banda de freqüência auditiva, vai de 20 Hz a 20.000Hz, o ouvido não é igualmente sensível.

Continua afirmando o autor que tem sido compilado por pesquisadores durante os últimos 30 anos dados a respeito dos efeitos do ruído nos sistemas extra-auditivos no corpo humano. E são conhecidos sérios efeitos tais como: " aceleração da pulsação, aumento da pressão sangüínea e estreitamento dos vasos sangüíneos. Um longo tempo de exposição a ruído alto pode causar sobrecarga do coração causando secreções anormais de hormônios e tensões musculares (ver figura 2.4 ). O efeito destas alterações aparece em forma de mudanças de comportamento, tais como: nervosismo, fadiga mental, frustração, prejuízo no desempenho no trabalho, provocando também altas taxas de ausência no trabalho. Existem queixas de dificuldades mentais e emocionais que aparecem como irritabilidade, fadiga e mal-ajustamento em situações diferentes e conflitos sociais entre operários expostos ao ruído ". Além do mais, COUTO (1978) menciona que aos indivíduos neuróticos, os níveis altos de ruído podem causar à perda de controle.

 
Figura 2.4 Efeito do ruído no organismo humano.
Fonte: GERGES (1992)

2.3.3.1 Avaliação das condições de ruído

Este é um outro ponto crítico no que diz respeito à obtenção de um ambiente de trabalho conveniente.

Segundo VERDUSSEN (1978) o ruído afeta-nos física e psicologicamente, causando lesões irreversíveis, ou tornando o homem verdadeiramente neurótico.

O mesmo autor define o ruído como sendo um som ou complexo de sons que nos dão uma sensação de desconforto. Sendo que o som, é a sensação, agradável ou não, percebida por nosso sistema auditivo e conseqüente da vibração molecular de um meio elástico condutor, originado por um processo de ativação, a que chamamos de fonte sonora. O deslocamento vibratório das moléculas ocorre sob a forma de ondas senoidais, sendo estas caracterizadas por sua freqüência (f), definida em Hertz (Hz), onde 1 Hz corresponde a um ciclo por segundo, e por sua amplitude.

É importante ressaltar ademais, com relação a intensidade, que o ouvido humano percebe sons, cuja pressão sonora esteja entre 0 e 140 dB, sendo o limiar da sensação dolorosa na ordem de 120 dB, e que, ao nível de 140 dB, já há grande risco de ruptura de tímpano. Entretanto, muito abaixo destes limites o ruído já se pode tornar incômodo ou nocivo.

Segundo as Normas Regulamentadora Brasileiras - NR 15, anexo n0. 1 entende-se por Ruído Contínuo ou intermitente, para os fins de aplicação de Limites de Tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto.

Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos.

As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente.

Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância apresentados na norma regulamentadora brasileira, NR 15, Anexo N0 1 aprovadas pela portaria N0 3.214, de 8 de junho de 1978, referente a limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente.

Considerando os prejuízos que o ruído causa às pessoas expostas ao(s) mesmo(s) faz-se necessário tomar medidas no sentido de reduzir, o máximo possível, a intensidade da pressão sonora (ruído) nos ambientes de trabalho, sendo a maneira mais freqüente de solucionar este problema, através do fornecimento de protetores auriculares adequados para os trabalhadores.

Estudos contínuos deverão ser realizados no sentido de eliminar o ruído na fonte geradora e só quando não for possível a eliminação do mesmo na fonte é que se deve fazer uso de protetores auriculares. Exemplos de protetores auriculares são apresentadas na figura 2.5.

 
Figura 2.5 Exemplos de protetores auriculares.
Fonte: DUL e WEERDMEESTER (1995)

2.3.4 Avaliação das condições de temperatura

Segundo GIAMPAOLI (apud SAAD, 1981) " uma série de atividades profissionais submete os trabalhadores a ambientes de trabalho que apresentam condições térmicas bastante diferentes daquelas que o organismo humano está habitualmente submetido. Estes profissionais ficam expostos ao calor ou frio intensos que podem comprometer seriamente a sua saúde. No entanto, um minucioso estudo do problema permite, não só criar critérios adequados à quantificação dos riscos envolvidos, mas também definir condições de trabalho compatíveis com a natureza humana".

SAAD (1981), afirma que é sabido que "o homem que trabalha em ambientes de altas temperaturas sofre de fadiga, seu rendimento diminui, ocorrem erros de percepção e raciocínio e aparecem sérias perturbações psicológicas que podem conduzir a esgotamentos e prostrações".

COUTO (1978) ressalta que as doenças que podem ser desencadeadas pela exposição a altas temperaturas de indivíduos sadios são: " a hipertermia ou intermação, desfalecimentos, desidratação, doenças de pele, distúrbios psico-neuróticos e cataratas. Se o mesmo é submetido a baixas temperaturas ela tem influência nas habilidades motoras. Se as mãos estão expostas ao frio, são também frias, com prejuízo do tato e da movimentação das articulações e o tiritar acomete muito a movimentação delicada dos músculos. Isto ocorre quando a temperatura das mãos cai abaixo de 150 .O indivíduo geralmente interrompe o trabalho freqüentemente para reaquecer suas mãos, tornando assim o trabalho mais lento e aumentando os erros e acidentes".

2.3.4.1 Limites de tolerância

A legislação brasileira, através da portaria número 3.214 de 8 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho, estabelece que:

A exposição ao calor deve ser avaliada através do "Índice de Bulbo Úmido - Termômetro de Globo"(IBUTG) definido pelas equações que seguem;

Ambientes internos ou extremos sem carga solar;

IBUTG 0,7 tbn + 0,3 tg

Ambientes externos com carga solar;

IBUTG 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg

onde,

tbn temperatura de bulbo úmido natural, tb temperatura de globo, tbs temperatura de bulbo seco.

Os aparelhos que devem ser utilizados para a medição são: termômetro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum.

Os Limites de Tolerância são para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço. Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente é definido na Norma Regulamentadora brasileira, NR-15- Anexo 3- Quadro 1, aprovadas pela porteria N0 3.214 de 8 de junho de 1978, referente a temperatura-límite para diferentes regimes de trabalho e repouso.

Os limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com período de descanso em outro local (local de descanso), são dados na NR15- Anexo 3 - Quadro No.2.

2.3.5 Gases

Segundo IIDA (1990) a indústria moderna, a química , usa atualmente cerca de 50.000 compostos e cerca de 2.000 novos compostos são criados a cada ano. Apenas uma pequena parcela deles foi estudada quanto aos aspectos nocivos à saúde.

Para estes, existem tabelas que apresentam as concentrações máximas toleradas pelo organismo humano e pelas quais também se podem calcular os tempos máximos permissíveis à exposição, sem causar doenças. As formas em que se apresentam estes compostos são: agrotóxicos, metais pesados, solventes, sílica, fumaças, gases e vapores tóxicos , radiações ionizantes, etc.

Para CAMARDELLA (1989) "agentes químicos são os fatores desencadeantes das doenças do trabalho, devido à sua ação química sobre o organismo humano. Em virtude das propriedades físicas e químicas dos produtos manipulados, fabricados ou armazenados nos meios industriais, vários fatos podem acontecer, como: emissão de gases tóxicos, vapores, poeiras, radiações e vários tipos de subprodutos indesejáveis, bem como explosões, incêndios, etc. Portanto, em atividades ou operações, nas quais os trabalhadores ficam expostos a agentes químicos, podem ocorrer insalubridade, desde que os limites de tolerância desses agentes sejam ultrapassados".

CAMARDELLA (1989) classifica, quanto às características físicas dos contaminantes atmosféricos, os seguintes:

As partículas mais perigosas são visíveis somente com microscópio, ou seja, com dimensões abaixo de 10 . Elas constituem a chamada fração respirável, pois podem ser absorvidas pelo organismo através do sistema respiratório. As partículas maiores normalmente ficam retidas nas mucosas da parte superior do aparelho respiratório, de onde são expelidas através da tosse, expectoração ou pela ação do cílios.

Segundo LYRA (1994) "a influência dos gases tóxicos no ambiente sobre o homem é dependente de vários fatores, tais como tempo de exposição e quantidade, entre outros. O primeiro efeito negativo dos gases no trabalhador faz-se presente, na maioria dos casos, na absorção pelas vias nasais (mau cheiro) e/ou pela pele (irritação cutânea). Nos pulmões, tais gases afetam a capacidade pulmonar do trabalhador, o que afeta diretamente sua capacidade física. Na circulação sangüínea, dificulta o transporte de oxigênio. Nos rins, compromete sua capacidade de filtragem, debilitando ainda mais o trabalhador. Por fim, se a quantidade presente no organismo ultrapassar certos limites, ele se tornará incapaz de desenvolver qualquer tipo de atividade".

2.3.5.1 Limites de tolerância

Os limites de tolerância são definidos como "a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral", conforme citado no item 15.1.5 da NR-15- Atividades e operações insalubres.

Porém, de acordo com VALVERDE (1996) "esta definição não evidencia o grau de incerteza que deve ser respeitado para que estes limites possam ser corretamente utilizados, levando-se em consideração a base técnico-científica que os fundamenta. Portanto, devem ser respeitadas as limitações do limite, como a própria definição da American Conference of Governmental Hygienists (ACGIH), que considera os TLVs (limites de tolerância) como "concentrações de substâncias no ar que representam condições sob as quais acredita-se que a maioria dos trabalhadores pode ficar repetidamente exposta, dia após dia, sem sofrer efeitos adversos à saúde".

Continua enfatizando a autora que não é correto usar o Limite de Tolerância como um divisor entre o certo e errado e, para que as incertezas sejam minimizadas, torna-se necessária a adoção de procedimentos formais de controle de exposição ocupacional aos riscos ambientais. Ademais existe uma probabilidade com base estatística, de que o próprio limite possa estar sendo superado".

Entretanto por ser o único parâmetro reconhecido legalmente deve ser avaliado para tê-lo como mera referência, sem ser o parâmetro absoluto.

A lista de substâncias que contém os agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho pode ser encontrada no - Anexo No. 11 da NR-15- Portaria 3.214 de 1978.

2.3.5.2 Medição da concentração dos gases

Os gases e vapores tóxicos existente na maioria dos processos industriais decorrentes de combustão ou mistura de matérias-primas para fabricação de produtos, ou mesmo em espaços confinados pelo processo natural de degeneração de matérias. Eles representam um sério risco à saúde humana e são medidos em partes por milhão (ppm), que é a milionésima parte de uma amostra. Para saber se estão dentro do recomendado consulta-se os limites de tolerância (TLVs) estabelecidos pelo Ministério de Trabalho, ou órgãos internacionais como OSHA, NIOSH o ACGIH que publica cada dois anos a relação de inúmeros gases e vapores com seus respectivos níveis de tolerância (QUÍMICA, 1992).

Existem equipamentos especiais que são utilizados para a medição dos gases e vapores tóxicos, os quais são fabricados por empresas de equipamentos e segurança industrial. Alguns deles, podem, inclusive mostrar valores de exposição em um computador, realizando o monitoramento contínuo e fazendo soar um alarme em caso de irregularidade, como também outros instrumentos de medição mais simples como o, Draeger, M.S.A. Para medição de algumas substâncias se recorre a cromatografía, a quantificação por via química, entre outros métodos.

2.3.5.3 Controle de emissão de gases

O controle de emissão de gases é realizado dependendo diretamente de cada situação e compostos utilizados particularmente. Por tanto as medidas tomadas em cada caso podem ser diferentes. Algumas das medidas para o controle podem ser:

2.4 Fatores Humanos no trabalho

Segundo IIDA (1990) existem certas caraterísticas do organismo humano, que influenciam no desempenho do trabalho. O estudo da adaptação ao trabalho abrange as transformações que ocorrem quando um organismo passa do estado de repouso para a atividade e também aquelas transformações de caráter mais duradouras, devidas ao treinamento.

A monotonia, fadiga e motivação são três aspectos muito importantes que devem interessar a todos aqueles que realizam análise e projeto do trabalho humano. A monotonia e fadiga estão presentes em todos os trabalhos e, se não podem ser totalmente eliminadas, podem ser controladas e substituídas por ambientes mais interessantes e motivadores.
 

2.4.1 Fadiga

Se entende por fadiga no homem, uma situação de baixa eficiência devida a uma forte ou prolongada atividade sem reposição suficiente. Esta reposição, pode ser mediante relaxação e descanso (RUIZ, s.d.).

"Fadiga é o efeito de um trabalho continuado, que provoca uma redução reversível da capacidade do organismo e uma degradação qualitativa desse trabalho. A fadiga é causada por um conjunto complexo de fatores, cujos efeitos são cumulativos. Em primeiro lugar, estão os fatores fisiológicos, relacionados com a intensidade e duração do trabalho físico e intelectual. Depois, há uma série de fatores psicológicos, como a monotonia, falta de motivação e por fim, os fatores ambientais e sociais, como iluminação, ruídos, temperaturas e o relacionamento social com a chefia e os colegas de trabalho" (IIDA, 1990).

PERONI (1990) apresenta um gráfico baseado em estudos laboratoriais realizados, que demostra que o rendimento do operário inicia-se no ponto zero atingindo seu ponto culminante em 0,8 de sua eficiência, correspondente à segunda hora de trabalho. No segundo turno o seu comportamento apresenta-se com rendimentos inferiores a primeira jornada de trabalho por efeito da fadiga.

 
Gráfico 2.1 Gráfico demonstrativo de fadiga

Fonte: PERONI(1990) Pg. 45

A fadiga no homem podem apresentar-se basicamente em dois tipos de fadiga, a saber:

2.4.1.1 Fadiga Física

Alguns dos fatores condicionantes de um estado de fadiga física no trabalhador segundo COUTO (1978, p.209) são: GRANDJEAN (apud COUTO,1978) afirma que a fadiga simples ou cansaço físico -mental tem sua etiologia na somação dos seguintes fatores: Portanto IIDA (1990) complementa que "como conseqüência da fadiga, a pessoa fatigada tende a aceitar menores padrões de precisão e segurança. Ela começa a fazer uma simplificação de sua tarefa, eliminando tudo o que não for essencial. Os índices de erro começam a crescer, mesmo quando a pessoa pense que esteja fazendo o melhor possível, seu padrão de desempenho vai piorando. Isso ocorre com coisas certas feitas em tempos errados ou coisas erradas feitas nos tempos certos.

O mesmo autor continua dizendo que em tarefas com excesso de carga mental a fadiga provoca decréscimo da precisão na discriminação de sinais, retardando as respostas sensoriais e aumentando a irregularidade das respostas".

A prevenção da fadiga orgânica se faz através de uma série de medidas segundo HAEBISCH (apud, NOGUEIRA, s.d):

2.4.1.2 Fadiga psíquica

Segundo IIDA (1990) os sintomas de fadiga psicológica são mais dispersos e não se manifestam de forma localizada, mas de forma mais ampla, como sentimento de cansaço geral, aumento da irritabilidade, desinteresse e maior sensibilidade a certos estímulos como fome, calor, frio ou má postura. Este tipo de fadiga está relacionado de forma complexa a uma série de fatores como monotonia, motivação, estado geral de saúde, relacionamento social e assim por diante. Ocorre também em situações onde há predomínio do trabalho "mental" com poucas solicitações de esforços musculares.

Para NOGUEIRA (s.d.) a fadiga psíquica é também chamada de "fadiga nervosa". Após o grande desenvolvimento industrial de todo o mundo que se seguiu à I Guerra Mundial, mostrou-se que a fadiga ocupacional era extremamente freqüente, com as seguintes características:

1. Quadro predominante psíquico, mas acompanhando-se de repercussões orgânicas.

2. Sintomatologia múltipla e polimorfa, onde se destacam:

3. Quadro geral, atingindo o organismo como um todo, e não como ocorre na fadiga orgânica, que atinge apenas determinados setores orgânicos.

4. Quadro remanescente: o sono e/ou o repouso de horas a dias não leva a uma recuperação, como ocorre na fadiga orgânica.

5. Diminuição da eficiência para o trabalho, seja este físico ou mental.

2.4.2 Monotonia

É a reação do organismo a um ambiente uniforme, pobre em estímulos ou com pouca variação das excitações. Os sintomas mais indicativos da monotonia são uma sensação de fadiga, sonolência, aumento do tempo de reação, morosidade e uma diminuição da atenção. As operações repetitivas na indústria e o tráfego rotineiro são condições propícias à monotonia (IIDA, 1990).

. As experiências demostram que as causas de monotonia são as atividades prolongadas e repetitivas de pouca dificuldade, assim como os trabalhos de vigilância com baixa freqüência de excitação, mas que exigem atenção continuada. Tem-se demostrado nas observações realizadas na indústria que condições como: curta duração do ciclo de trabalho, períodos curtos de aprendizagem e restrição dos movimentos corporais, locais mal iluminados, muito quentes, ruidoso e com isolamento social são condições agravantes da monotonia (IIDA, 1990).

Como foi mencionado anteriormente, uma das causas da monotonia no trabalho apresentado em forma muito comum é a repetição das atividades ou trabalho repetitivo que segundo LEPLAT e CUNY (1977) provoca uma automatização dos comportamentos, com graves inconvenientes. Ela leva a que não se registre a informação no campo de trabalho, senão em determinados momentos privilegiados do ciclo.

A repetição provoca aborrecimento e insatisfação nos trabalhadores e caracteriza-se por nítida desafeição relativamente a estes postos, assim como por um elevado absenteísmo e turnover.

2.4.3 Motivação

A motivação no comportamento humano é algo que faz uma pessoa perseguir um determinado objetivo, durante um certo tempo, que pode ser curto ou longo, e que não pode ser explicado somente pelos seus conhecimentos, experiências e habilidades. A motivação não pode ser observada diretamente, mas somente através dos seus efeitos e pode ser medida indiretamente, por exemplo, pelas quantidades adicionais de peças produzidas por um trabalhador motivado (IIDA, 1990).

De uma forma esquemática muito simples pode-se resumir o papel da motivação no desempenho como no modelo de motivação da Figura 2.6.
 

Figura 2.6 Modelo de Motivação
Fonte: KEITH (1992)

Os fatores de satisfação (ou motivadores) segundo HERSEY e BLANCHARD (1986) envolvem sentimentos de realização, de crescimento profissional e de reconhecimento que se podem experimentar num trabalho desafiante e pleno de sentido. Herzberg usou esse termo porque tais fatores parecem ser capazes de ter um efeito positivo sobre a satisfação no trabalho, muitas vezes resultando num aumento da capacidade de produção da pessoa. Na tabela 2.2 apresenta-se fatores de motivação e de higiene.
 

Tabela 2.2 Fatores de motivação e de Higiene.

Fonte: HERSEY e BLANCHARD(1986)
Fatores Motivadores
Fatores de Higiene
O trabalho em si
Ambiente
Realização 

Reconhecimento do desempenho

 Trabalho desafiante

 Maior responsabilidade

 Crescimento e desenvolvimento 

Política e administração

 Supervisão

 Condições de trabalho

 Relações interpessoais

 Dinheiro, status, segurança 

KEITH (1992) faz um resumo dos três novos enfoques sobre motivação que são:

  1. O modelo da expectância: este modelo afirma que a motivação é o produto de quanto uma pessoa quer alguma coisa e da probabilidade que aquele esforço leve à realização da tarefa e à recompensa. Estes relacionamentos são apresentados na seguinte fórmula:
Valência x Expectância x Instrumentalidade = Motivação

Onde, Valência é a força da preferência de uma pessoa por um resultado, a Expectância é a força da crença que o esforço de uma pessoa será bem-sucedido em vencer uma tarefa e a instrumentalidade é a força da crença que o desempenho bem sucedido será seguido por uma recompensa.

  1. O modelo da equidade: tem a ver com o processo intelectual do empregado, tendo uma dupla comparação na qual há a confrontação entre a percepção que o empregado possui sobre as contribuições e os resultados face à comparação com alguma pessoa tomada como referência em termos das recompensas que recebe o seu nível de contribuições.
  1. O modelo da atribuição: tem a ver também com o processo intelectual do empregado e nela as pessoas interpretam as causas dos seus próprios comportamentos e os comportamentos dos outros. As atribuições diferem dependendo de quem faz o julgamento e de como o comportamento tenha sido ou não bem-sucedido. Quatro atribuições gerais são feitas. Habilidades e esforço são fatores pessoais, enquanto duas explicações situacionais envolvem a dificuldade da tarefa e a sorte.
Por outro lado, é importante estudar e considerar os aportes de outras áreas do conhecimento como a biomêcanica, fisiologia e antropometria, à ergonomia, que provêm base a mesma para formular princípios importantes e posteriormente dar recomendações sobre a postura e movimento, uma parte sumamente essencial nos estudos da ergonomia. Para tanto apresentaremos a seguir, noções importantes sobre postura e movimento:

2.5 Postura e movimento

Postura e movimento têm uma grande importância na ergonomia. Tanto no trabalho como na vida cotidiano, eles são determinados pela tarefa, atividade e pelo posto de trabalho.

A Academia Americana de Ortopedia define postura como um arranjo relativo das partes do corpo e, como critério de boa postura, o equilíbrio entre suas estruturas de suporte, os músculos e os osso, que as protegem contra uma agressão (trauma direto ou deformidade progressiva (alterações estruturais). As diversas posturas (em pé, deitado, sentado, inclinado à frente, agachado) podem, durante o repouso e o trabalho, serem realizadas em condições mais adequadas.

BERNE e LEVY (1990) definem postura desde o ponto de vista fisiológico, como a resistência muscular ativa ao deslocamento do corpo pela gravidade ou aceleração. A manutenção de uma postura ereta é um substrato crítico para o desempenho de movimentos fásicos direcionados para um objetivo. Isso é conseguido, principalmente, por meio de ajustes reflexos dos músculos extensores proximais, em resposta, que deslocam o corpo. Por essa razão, os músculos extensores proximais freqüentemente são denominados músculos antigravitacionais.

Segundo IIDA (1990) trabalhando ou repousando, o corpo assume três posturas básicas as posições deitada, sentada e de pé:

Em cada uma dessas posturas estão envolvidos esforços musculares para manter a posição relativa de partes do corpo, que se distribuem da seguinte forma:
Parte do corpo 
% do peso total 
cabeça 

tronco

 membros superiores

 membros inferiores 

6 a 8%
40 a 46%
11a 14%
33 a 40 %
O mesmo autor continua enfatizando que essas faixas de variação são justificadas pelas diferenças do tipo físico e do sexo.

Posição deitada: Nesta posição não há concentração de tensão em nenhuma parte do corpo. O sangue flui livremente para todas as partes do corpo, contribuindo para eliminar os resíduos do metabolismo e as toxinas dos músculos, provocadores da fadiga. O consumo energético assume o valor mínimo, aproximando-se do metabolismo basal. É, portanto, a postura mais recomendada para repouso e recuperação da fadiga.

Posição sentada: esta posição exige atividade muscular do dorso e do ventre para manter esta posição. Praticamente todo o peso do corpo é suportado pela pele que cobre o osso ísquio, nas nádegas. O consumo de energia é de 3 a 10% maior em relação à posição horizontal. A postura ligeiramente inclinada para frente é mais natural e menos fatigante que aquela ereta. O assento deve permitir mudanças freqüentes de postura, para retardar o aparecimento da fadiga.

Posição de pé: A posição parada, em pé, é altamente fatigante porque exige muito trabalho estático da musculatura envolvida para manter essa posição. O coração encontra maiores resistências para bombear sangue para os extremos do corpo. As pessoas que executam trabalhos dinâmicos em pé, geralmente apresentam menos fadiga que aquelas que permanecem estáticas ou com pouca movimentação (IIDA, 1990). A figura 2.7 apresenta algumas exemplos de posturas segundo o método de OWAS.

A posição sentada, em relação à posição de pé, apresenta ainda a vantagem de liberar os braços e pés para tarefas produtivas, permitindo grande mobilidade desses membros e, além disso, tem um ponto de referência relativamente fixo no assento. Na posição em pé, além da dificuldade de usar os próprios pés para o trabalho, freqüentemente necessita-se também do apoio das mãos e braços para manter a postura e fica mais difícil manter um ponto de referência .

Segundo DUL e WEERDMEESTER (1995) a posição sentada apresenta vantagens sobre a em pé. O corpo fica melhor apoiado em diversas superfícies: piso, assento, encosto, braços da cadeira, mesa. Portanto, a posição sentada é menos cansativa que a em pé. Entretanto, as atividades que exigem maiores forças ou movimentos do corpo, são melhor executadas de pé.

IIDA (1990) enfatiza que muitas vezes, projetos inadequados de máquinas, assentos ou bancadas de trabalho obrigam o trabalhador a usar posturas inadequadas. Se estas forem mantidas por um longo tempo, podem provocar fortes dores localizadas naquele conjunto de músculos solicitados na conservação dessas posturas (ver Tab.2.3).

 
 
Figura 2.7 Registro da postura no sistema OWAS, representando posições do dorso,
braços e pernas.
Fonte: KARHU, KANSI e KUORINGA (1977).

Quanto à inclinação da cabeça podem apresentar-se dores no pescoço que começam a aparecer quando a inclinação da cabeça, em relação à vertical, for maior que 30o (Ver figura 2.8). Nesse casso deve-se tomar providencias para restabelecer a postura vertical da cabeça, de preferência com até 20o de inclinação, fazendo-se ajustes na altura da cadeira, mesa ou localização da peça.

Tabela 2.3 Localização das dores no corpo, provocadas por posturas inadequadas.

Fonte: IIDA (1990)
POSTURA
RISCO DE DORES
Em pé 

Sentado sem encosto

 Assento muito alto

 Assento muito baixo

 Braços esticados

 Pegas inadequadas em ferramentas 

Pés e pernas (varizes)

 Músculos extensores do dorso

 Parte inferior das pernas, joelhos e pés

 Dorso e pescoço

 Ombros e braços

 Antebraços 

 

Poderíamos definir má postura como sendo aquela que causa incapacidade, dor ou outra anormalidade qualquer. É possível que algumas pessoas tenham tendência maior de adquirir estas anormalidades, que outras.

Segundo DUL e WEERDMEESTER (1995) "para realizar uma postura ou movimento, são acionados diversos músculos, ligamentos e articulações do corpo. Os músculos fornecem a força necessária para o corpo adotar uma postura ou realizar um movimento. Os ligamentos desempenham uma função auxiliar, enquanto as articulações permitem um deslocamento de partes do corpo em relação às outras. Posturas ou movimentos inadequados produzem tensões mecânicas nos músculos, ligamentos e articulações , resultando em dores no pescoço, costas, ombros, punhos e outras partes do sistema músculo-esquelético. Alguns movimentos, além de produzirem tensões mecânicas nos músculos e articulações, apresentam um gasto energético que exige muito dos músculos, coração e pulmões".

 

Figura 2.8 Tempos médios para aparecimento de dores no pescoço, de acordo com a inclinação da cabeça para frente

Fonte: CHAFFIN (1973).

Segundo GATTO et al. (1994) a postura é determinada pelo sistema locomotor. A integridade dos elementos deste complexo resulta em uma postura harmoniosa ou desequilibrada. O sistema locomotor é um complexo formado por: ossos, articulações, músculos e pelo sistema nervoso. Este complexo é responsável pelo deslocamento do corpo no espaço. Todo movimento, por menor que seja, requer a participação deste complexo mesmo em repouso ou na posição estática.

2.5.1 Fatores relativos à tarefa que influenciam a adoção de posturas.

A realização de uma tarefa ocorre em função do cumprimento das exigências que esta coloca, e para o trabalhador garantir o bom sucesso nessa realização, entre outros meios que ele utiliza, encontram-se as posturas e movimentação. Estas exigências podem ser classificadas por alguns aspectos relativos à tarefa em si e à sua realização, que se abordará como fatores que influenciam a adoção de posturas e atividades motoras (BARREIRA,1989), que são:

2.6 Utilização das mãos no trabalho

Qualquer tipo de tarefa realizada pelo homem normalmente demanda a utilização ativa da mão durante sua realização. É por isso que é considerado um instrumento sumamente importante para atingir os objetivos traçados na atividade de trabalho .

Assim, transcreve-se parcialmente uma reflexão sobre o tema exposta no artigo (A Mão na consciência, 1990), que diz o seguinte:

"As mãos são a ferramenta indispensável da vida […]. Em que pese tudo isto, seguidamente nos esquecemos do quanto é frágil esta esplêndida engrenagem, onde tudo está a flor de pele. As mãos, nuas, desarmadas, a todo instante expõem-se ao perigo. Nenhuma ameaça as faz recuar. Ao contrário, numa fração de segundo são elas as primeiras a postarem-se, como um escudo, entre qualquer parte de nosso corpo e o que quer que ameace agredir. Talvez isto explique o porque de serem as mãos um alvo tão propício a lesões e mutilações. Entretanto, para a constrangedora realidade brasileira, onde de cada três acidentes de trabalho um envolve mãos, os motivos parecem ser bem mais amplos. Vivemos num país onde as mãos estão em todo o lugar - menos na consciência. Desavisada e desprotegida, a quase totalidade de trabalhadores diariamente expõe suas mãos a toda sorte de agentes físicos, químicos, vibratórios, radioativos e biológicos. A maioria destes operários tem nas mãos sua única capacitação. Lesioná-las ou perdê-las, parcial ou totalmente, muitas vezes representa o abrevio de uma vida produtiva, a lamentável ampliação das fileiras da invalidez".

2.6.1 Anatomia da mão

Como a mão é um membro superior sumamente importante na realização do trabalho humano, considerou-se oportuno neste estudo incluir alguns pontos básicos sobre anatomia da mão que são apresentados sucintamente. 1) músculo supinador;

2) longo abdutor do polegar;

3) curto extensor do polegar;

4) longo extensor do polegar;

5) extensor próprio do indicador.

 
Figura 2.9 Exemplos de incompatibilidade do trabalhador com seu posto de trabalho.
Fonte: WOODSON e CONOVER (1970). Existem 6 bainhas, começando do bordo radial:
  1. bainha do longo abdutor e do curto extensor do polegar;
  2. bainha comum aos dois extensores radiais;
  3. bainha do longo extensor do polegar;
  4. bainha do extensor comum dos dedos e do extensor próprio do indicador;
  5. bainha do extensor do mínimo e
  6. bainha do extensor cubital do carpo.
Segundo CUNNINGHAM (1976) está composta pelo músculo palmar curto que é um músculo delgado, subcutâneo, situado nos 2-3 cm proximais da eminência hipotenar, e que cobre a terminação do nervo e da artéria ulnares. Sua ação é a de aprofundar a escavação da palma da mão e melhora a preensão de um objeto, pela elevação de coxim cutâneo-subcutâneo. Constituem a eminência hipotenar: dois mais superficiais (abdutor e flexor) e outro profundo (oponente), todos próprios do dedo mínimo e inervados pelo ramo profundo do nervo ulnar.

O músculo abdutor do dedo mínimo insere-se medialmente na base da falange proximal do 50 dedo, além do mais o músculo flexor curto do dedo mínimo, de tamanho variável, insere-se com o abdutor, com o qual se funde parcialmente, ademais o músculo oponente do dedo mínimo está em plano mais profundo e insere-se em todo o comprimento da face anterior do 50 metacárpico, medialmente.

A mão está formada por uma membrana fibrosa densa, muito forte, subjacente à tela subcutânea da parte média da palma (ver ANEXO IV), cuja função principal é proteger tendões e principais vasos e nervos palmares que rumam para os dedos. É composta por espessos feixes fibrosos longitudinais entremeados por fibras transversas de ligação, suas fibras superficiais continuam-se com o tendão do palmar longo. A base da aponeurose está na altura do extremo distal dos metacárpicos. Ela divide-se em quatro prolongamnetos, um para cada dedo, do 20 ao 50 .

2.6.1.1 Movimentos da mão

Segundo ADAMS (1978) os movimentos da mão ocorrem principalmente em três grupos de articulações:
  1. a articulação carpometacarpiana do polegar;
  2. as articulações metacarpofalangianas e
  3. as articulações interfalangianas.
A articulação carpometacarpiana do polegar é uma articulação que permite movimento em cinco direções: O mesmo autor diz que as articulações metacarpofalangianas do polegar e demais dedos são articulações que permitem movimento de flexão-extensão de cerca de 90º (o grau é variável no polegar) e um pequeno grau de abdução e de adução em relação ao eixo do dedo médio. Por outro lado, as articulações interfalangianas do polegar e demais dedos são verdadeiras articulações trocleares, permitindo apenas flexão e extensão (ver ANEXO IV).

2.6.2 Lesões que podem afetar as mãos

Segundo LECH (1990) "de maneira geral lesões da mão são interpretadas como estrutura lesada. Podem ser lesões de pele apenas, ou lesões que atinjam a pele, além de tendões e nervos. Também, há casos mais graves, envolvendo estas partes mais as artérias e a parte óssea, através de fraturas".

A Fundacentro, em 1988, conseguiu levantar o número de lesões da área rural em 1983, especificando, em oito estados brasileiros, que partes do corpo foram agredidas. Pelo relatório, mãos e artelhos são, de longe, as áreas de maior risco, totalizando, no universo aferido (Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás com DF, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco) 9.136 lesões. Os pés, em segundo lugar, somam 6.985 ocorrências. Em termos absolutos São Paulo é quem mais fere suas mãos. Todavia, a situação proporcionalmente é mais crítica no Paraná, no Espírito Santo e em Pernambuco. Segundo o Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST) estimam-se 20 mil casos de lesões por esforços repetitivos em o Brasil.

MATTAR e AZZE (1995) afirmam que para os cirurgiões de mão, os anos "90" podem ser conhecidos como a década das moléstias relacionadas com a atividade profissional, isto devido aos problemas de mão causados pelas lesões por esforço repetitivo.

Países altamente industrializados como os EEUU, referem, entre a população industrial de risco, 15% de trabalhadores afetados com o síndrome de túnel carpiano (STC), cifra 100 vezes superior do esperado nesses mesmos grupos para a população geral (MARQUÉS e SOLÉ, 1992).

Conforme OLIVEIRA (1991) "com a revolução industrial e, especialmente, com a revolução tecnológica iniciada no século 19, quando o homem apreendeu a dominar e recriar novas formas de energia , as possibilidades se multiplicaram. Novos sistemas econômicos e de produção foram desenvolvidos. A atual organização da produção é orientada no sentido de se obter a maior produtividade possível. Para que isto fosse atingido o processo de trabalho evoluiu com metodologia que insere o homem no esquema de automatização e especialização. É, entre outros, o caso das linhas de montagem e dos serviços de processamento de dados.

Em ambos os setores citados o trabalhador passa a executar uma parcela ou segmento do produto final, com movimentos repetitivos e/ou forçados, em ritmo muitas vezes imposto pela velocidade da própria máquina, em postura nem sempre adequada ás suas condições pessoais e, em geral, por longas e contínuas jornadas de trabalho. Tal situação obriga o trabalhador a intensos e forçados movimentos dos seus membros superiores, levando, freqüentemente, a desordens neuro, músculo-tendinosas".

Historicamente, a tenossinovite (uns dos quadros clínicos mais representativos do LER, mas não o único) já havia sido descrita desde 1700, quando RAMAZZINI descreveu-a como doença dos escribas, dizendo "A necessária posição da mão para fazer correr a pena sobre o papel ocasiona não leve dano que se comunica a todo o braço devido à constante tensão tônica dos músculos e tendões, e com o andar do tempo diminui o vigor da mão". Em 1920 descreveu-se patologia semelhante, classificada por BRIDGE como doença dos tecelões.

"É bem reconhecido que repetidos movimentos dos dedos , mão e braços levam a distúrbios como tendinites, tenossinovites, síndrome do túnel do carpo, miosites e bursites" (ARNDT,1983).

Segundo ARMSTRONG (1987) numerosos estudos durante os últimos 100 anos mostram que as tendinites são a maior causa de sofrimentos do trabalhador cuja atividade é manual, bem como de indenização trabalhista. Dados epidemiológicos mostram que o risco de tendinite de mãos e punhos em pessoas que executam tarefas altamente repetitivas e forçadas é 29 vezes maior do que em pessoas que executam tarefas lentas e pouco repetitivas e forçadas.

É importante salientar que a maioria dos autores refere-se a essas injúrias como Lesões por Esforços Repetitivos (LER), mas alguns autores como SILVERSTEIN, ARMSTRONG e outros sugerem que o quadro seja denominado como Lesões por Traumas Cumulativos (LTC).

OLIVEIRA (1991) define a doença do LER como "desordens neuro, músculo-tendinosas de origem ocupacional, que atingem os membros superiores, espádua e pescoço, causadas pelo uso repetido e forçado de grupos musculares ou manutenção de forçada postura".

A LER pode ser considerado como o mal da era cibernética, doença ocupacional comum e grave na classe trabalhadora, cujos sintomas apresentados são inflamação dos músculos, tendões, nervos e articulações dos membros superiores (dedos, mãos, ombros, braços, antebraços e pescoço), causada pelo esforço repetitivo exigido na atividade laboral que exigem do trabalhador o uso forçado de grupos musculares e assim como também a manutenção de postura inadequada. Com muita razão, uma das portadoras de dito mal CASTEL (s.d.) o denomina em seu livro como o calvário na era moderna, devido principalmente a sua conseqüência, que é a perda da capacidade de realizar movimentos. Esta perda poderá ser temporária ou permanente.

Para LEITE (1997) as lesões por esforços repetitivos (LER) ou as lesões por traumas cumulativos (LTC) são um grupo de doenças causadas pelo uso excessivo de determinada articulação, principalmente envolvendo as mãos, os punhos, cotovelos, ombros e joelhos. Essas doenças têm merecido destaque ultimamente devido ao aumento de casos que estão aparecendo, principalmente nas pessoas que trabalham com computadores e vem apresentando sintomas de dor e inflamação nas mãos. Por serem doenças que envolvem certas profissões, elas são consideradas doenças do trabalho e muitas vezes levam o paciente à perda de dias de serviço, bem como afetam o andamento das empresas.

Segundo COSTA (apud SANCHES, 1997) "o emprego de força na realização da atividade, postura inadequada, repetitividade dos movimentos, compressão mecânica e repouso insuficiente para a devida recuperação dos tecidos, são os principais fatores que causam as lesões por traumas cumulativos, onde a mais comum e conhecida é a tenossinovite".

Quanto as leis que amparam ao trabalhador, a Legislação Trabalhista Brasileira, através da Portaria N° 3.214/78 em suas normas regulamentadoras NR-7, NR-9 e NR-17 estabelecem parâmetros para os programas de saúde ocupacional, prevenção de riscos e ergonomia no trabalho, respectivamente.

2.6.2.1 Causas do LER

Segundo LEITE (1997) a causa direta parece ser o uso excessivo de determinadas articulações do corpo, em geral relacionado a certas profissões. Como exemplo, pode-se citar os datilógrafos, os operadores de caixas registradoras, os profissionais da área de computação, os trabalhadores de linhas de montagem, costureiras e outros. Essas pessoas passam horas fazendo o mesmo movimento com as mãos ou braços, provocando uma inflamação das estruturas ósseas, ou nos músculos, nos tendões ou mesmo comprimindo nervos e a circulação. Existem várias doenças que podem ser enquadradas nesse grupo LER, cada uma delas com uma característica diferente, mas que irão levar no final aos sintomas de dor, fraqueza e fadiga das articulações, impedindo a pessoa de trabalhar normalmente.

Segundo GRAÇA (1990) o resultado após a pesquisa feita em uma empresa de processamento de dados com 190 funcionários evidenciou que por trás das lesões por esforços repetitivos estão as questões estruturais. Os funcionários, além de executarem tarefas repetitivas, monótonas e volumosas, as fazem num ritmo aceleradíssimo de uma maneira totalmente alienada . Não têm a mínima relação com o que digitam, teclam mecanicamente, não por sua culpa, mas em razão da estrutura que lhes é imposta.

Para SANCHES (1997) essas lesões causam dor constante e até incapacitação permanente, caso não sejam diagnosticadas e tratadas logo no início da apresentação dos sintomas. O problema que as organizações enfrentam torna-se grave, pois os funcionários geralmente são acometidos por esse tipo de problema quando se encontram em uma idade de alta capacidade produtiva, o que está intimamente ligado à qualidade dos produtos e serviços prestados. Daí a importância da realização do planejamento ergonômico.

Continua colocando a autora que a realização de um planejamento ergonômico dentro das organizações tem sido cada vez mais importante devido ao seu aspecto de prevenção das lesões musculoligamentares e das lesões por traumas cumulativos (LTC). Essas lesões ocorrem nos músculos, tendões ou nervos, e são causadas pela utilização biomecanicamente incorreta dos membros superiores, causando dor, fadiga e queda na qualidade e produtividade.

Portanto, considerada-se uma das causas principais do aparecimento do LER os movimentos de alta repetitividade durante o desenvolvimento da tarefa, "vários pesquisadores consideram como movimentos de alta repetitividade aqueles que possuem um ciclo básico de menos de 30 segundos e/ou atividades em que mais do que 50% do ciclo de trabalho envolve movimentos similares das extremidades superiores" (KEYSERLING et al., SILVERSTEIN et al. apud, MACIEL, 1995).

Para CODO (1995), os fatores de risco na organização de trabalho, responsáveis pela LER, estão ligados à organização taylor-fordista do trabalho.

Segundo MACIEL (1995), de maneira geral, as funções onde a LER aparece com maior freqüência possuem algumas características específicas que estão portanto relacionadas ao aparecimento da síndrome. A seguir são apresentados sucintamente os principais fatores do trabalho determinantes da LER:

Tabela 2.4: Principais fatores determinantes da LER

Elaborado pelo autor, adaptado de MACIEL (1995).
Postura
Movimento e Força
Conteúdo do trabalho e Fatores psicológicos 
Características individuais
Posturas fixas, 

principalmente em 

trabalhos sedentários 

Força e repetitividade 

de movimentos 

Conteúdo mental 

das tarefas 

Tipo de 

musculatura e 

características 

corporais 

Posturas extremas 

(movimentações 

corporais 

envolvendo torções 

extremas do tronco) 

Força moderada mas 

utilização de pequenos 

músculos 

repetidamente no 

tempo 

Grau de 

flexibilidade da 

ação do trabalhador 

Estudos 

demostraram 

que as 

mulheres são 

mais sensíveis* 

Más posturas de 

Extremidades 

superiores (tais 

como desvio de 

punhos, elevação de 

ombros, braços 

torcionados) 

Tempo e freqüência: 

Movimentos 

repetitivos e 

estereotipados em 

pequenos ciclos de 

tempo 

Pressão em relação 

à produção 

Técnica de 

realização do 

trabalho 

Desvios de posturas 

influenciados por: 

a)Características do 

posto de trabalho; 

b)Características 

antropométricas do 

trabalhador. 

Contato mecânico 

localizado (contato 

físico entre uma parte 

do corpo ou das mãos 

e/ou punhos com um 

determinado objeto , 

sempre no mesmo 

local e na mesma 

posição, ex. tesoura) 

Qualidade da 

comunicação entre 

empregados e 

chefia 

Distribuição de 

tarefas por 

sexo 

Força exercida durante 

a realização de 

movimentos 

(levantamento, 

carregamento e 

utilização de 

ferramentas pesadas) 

Recomenda-se mais 

estudos para 

estabelecer a 

relação entre o 

trabalho, "stress"e o 

sitema músculo 

-esquelético*. 

Carga de 
Trabalho
Exposição das 

extremidades 

superiores à vibração e 

baixas temperaturas 

*WALLACE E BUCKLE (apud MACIEL, 1995)

2.6.2.2 Grupos de risco

É importante ressaltar que na atualidade existe uma tendência cada vez maior de extinção dos trabalhos mais fisicamente constrangedores, que demandem a utilização da mão, implicando a realização de esforços. A utilização de novas tecnologias como o computador, a telemáquina e, em fim, toda a área de informação demandam, porém, a utilização cada vez maior das mãos acompanhada de movimentos altamente repetitivos a um ritmo aceleradíssimo e com a aplicação de força enquadrando-se assim dentro do grupos de risco do L.E.R.

Em toda a literatura observa-se que os que fazem parte dos grupos com maior probabilidade de apresentar a doença do LER são aqueles trabalhadores cujas funções apresentam limitadas variações de movimento, realizando-os em alta freqüência e com o uso de força. Dessa forma, os incluídos nesses grupos seriam os seguintes trabalhadores:

 

2.6.2.3 Estágios das LERs

É importante ressaltar que os principais sintomas das lesões por traumas cumulativos são sensação de peso e cansaço no membro afetado e surgimento de dor, formigamento, inchaço, calor localizado e perda da força muscular, choques. Sensação de peso e cansaço no membro afetado. Transtorno emocionais, depressão, insônia, etc. Os sintomas melhoram com o repouso.

Segundo BRAWNE (apud, CUNHA et al., 1992, p.48), a LER pode ser classificada em 3 estágios:

I. Há dor e fadiga do braço afetado, durante o trabalho, cessando à noite e nos dias de folga.

II. Há dor recorrente e fadiga, que aumentam inicialmente durante a jornada de trabalho e permanecem por mais tempo. III. A dor, a fadiga e a fraqueza agora persistem mesmo em repouso e pode haver dor mesmo sem movimentos repetitivos. Já OLIVEIRA (apud, CUNHA et al.,1992, p.49) prefere classificar a LER em 4 estágios, procurando enfatizar os extremos do curso clínico da doença:

I. Sensação de peso e desconforto no membro afetado

II. Dor mais persistente e intensa, que aparece durante a jornada de trabalho de forma não-contínua.  

III. Dor persistente e forte, com irradiação mais definida.

IV. Dor forte e contínua, por vezes insuportável. - hipotrofias por desuso;

- edema;

- nódulos e crepitações.

Em todos esses estágios é importante que o médico reconheça a sua responsabilidade como agente capaz de intervir na evolução do processo degenerativo. A partir do segundo estágio considerado por Oliveira, o médico deve emitir uma CAT, promovendo o afastamento e/ou reabilitação.
 
 

2.6.2.4 Formas Clínicas

A LER é representada por lesões que atingem todos os segmentos dos membros superiores, espádua e pescoço.

Os tipos mais conhecidos de lesões são: a Tenossinovites (inflamação do tecido que reveste os tendões), Tendinite (inflamação dos tendões), Miosites (inflamação dos músculos), Epicondilite (inflamação das estruturas do cotovelo), Bursite (inflamação das Bursas), Túnel do Carpo (compressão do nervo mediano ao nível do punho), entre outras.

Algumas formas reproduzem quadros, tais como dedo em gatilho, doença de De Quervain, síndrome do Tunel do Carpo, síndrome do Tunel Ulnar, epicondilite, bursite, cervicobraquialgia, miosite e polimiosites.

A seguir apresenta-se com detalhes algumas formas clínicas:

a) Tenossinovite digital estenosante ou dedos de gatilho

Tenossinovite estenosante por compressão da bainha tendinosa, geralmente associada à face áspera do tendão, resultando no déficit do deslizamento macio normal do tendão em sua bainha, e acometendo o tendão do plexo superficial dos dedos das mãos. Encontra-se freqüentemente em trabalhadores que realizam movimento de fechar os dedos, como carimbar e grampear, acompanhados de movimentos repetitivos e por longos períodos.

b)Tenossinovite De Quervain

Tenossinovite do abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar é uma doença que decorre da inflamação dos tendões que passam pelo punho no lado do polegar. Se houver um uso excessivo dessa articulação, poderá ocorrer a inflamação desses tendões, dificultando o movimento do polegar e do punho, principalmente quando for pegar algum objeto ou rodar o punho. Em geral as pessoas que trabalham em escritório arquivando documentos, ou datilografando ou escrevendo a mão, em que há uso constante do polegar em direção ao dedo mínimo são as mais propensas a apresentar essa doença.

c) Síndrome do Túnel Ulnar

Para CUNHA et al. (1992, p.50) o síndrome do túnel ulnar consiste na compressão do nervo ulnar ao nível do punho, quando ele passa através do canal de Guyon ou tunel ulnar, em torno do osso pisiforme, levando a sintomas na margem ulnar da mão.

Trata-se de afecção bem menos freqüente que a síndrome do túnel carpiano, e ainda não tão bem estudada.

Os sintomas consistem fundamentalmente em disastesia, dor, fraqueza e hipotrofia musculares, sensação de frio e intolerância ao calor, atingindo geralmente a face flexora e extensora do quarto e quinto dedos e região hipotenar.

d)Tenossinovite aguda por atrito (Peritendinite, paratendinite)

Segundo ADAMS (1978) a tenossinovite aguda por atrito é uma enfermidade facilmente reconhecida, comum em adultos jovens, cujas ocupações demandam movimentos repetitivos do punho e da mão.

Causa - Esta afecção é atribuída ao atrito excessivo entre os tendões e o paratendão circundante, pelo uso excessivo da mão.

Patologia - Os tendões mais freqüentemente afetados são os músculos profundos no dorso do antebraço, especialmente os extensores do polegar, e os extensores radiais do punho. Há uma reação inflamatória moderada ao redor do tendão e suas bainhas, com aumento de volume pelo edema.

e) Epicondilite

Para OLIVEIRA (1991, p.67) a epicondilite lateral ou medial é caracterizada por dor no local de inserção dos músculos epicondilianos. No epicondilo lateral fixam-se especialmente os extensores e no medial, os flexores.

A dor pode se irradiar para o ombro e a mão. Pode ser difusa, atingindo o terço proximal do antebraço. A articulação do cotovelo permanece livre. Há freqüentemente hipertonia da musculatura que se encontra aumentada de volume e sensível à apalpação. A lesão que atinge a musculatura dos flexores é mais freqüente no caso da LER.

É uma condição que facilmente se torna crônica, que se agrava e recidiva com retorno aos movimentos repetitivos e forçados.

f) Bursites

Segundo CUNHA et al. (1992, p.50) a articulação do ombro é a mais diferenciada do aparelho locomotor no que diz respeito aos seus movimentos. Apresentando, assim, ampla liberdade de movimentos, mas pouco poder de contenção mioligamentar, dela é justo esperar um número de queixas dolorosas freqüentemente atribuídas a traumatismos que resultam em distensões, entorses, estiramento de partes moles justa-articulares.

A tendinite mais comum é a do supraespinhoso, que realiza imensa quantidade de movimentos, sofrendo microtraumas repetidos, podendo chegar à degeneração progressiva e necrose.

Abduções repetidas levam a processos inflamatórios e degenerativos do tendão do manguito rotator (grupo de músculos responsável pela rotação externa do braço e sua abdução), resultando algumas vezes na ruptura parcial do músculo referido, que se traduz na dificuldade de abdução e, nas formas agudas, na impossibilidade de movimentos com o braço devido à dor. O quadro doloroso não se restringe ao ombro, mas atinge partes do membro e região da espádua e do pescoço.

g) Cervicobraquialgia

Conforme CUNHA et al. (1992) trata-se de uma desordem funcional e orgânica, de origem ocupacional, produzida por fadiga muscular e/ou repetida função dos braços e mãos. É extremamente freqüente.

Os músculos envolvidos são o trapézio, levantador de escápula, o rombóides, o supraespinhoso e os músculos cervicais. As síndromes dolorosas da região cervicobraquial se compõem especialmente pela compressão do feixe neurovascular ao atravessar os músculos do pescoço, especialmente os escalenos. A dor se irradia para todo o membro superior, é de modo geral indefinida e acompanhada de sensação de desconforto e de disastesias.

Trabalhadores que exercem sua função de pé (posturas defeituosas) e com os braços levantados estão entre o grupo de maior risco.

h) Síndrome do túnel do carpo e pronador

LECH (1990) apresenta em forma de quadro as principais características dos dois síndromes, no quadro seguinte:

Quadro 2.1. Principais características dos síndromes de túnel do carpo e pronador.

Fonte: LECH (1990)
Nervo
Localização da Compressão
Déficit 

Sensitivo 

Déficit Motor
Sintomas e Sinais
Causas da Compressão
Nervo mediano 

(Síndrome do tunel do carpo) 

Canal (volar) do carpo

Polpa do polegar indicador, médio e lado radial do anular 

Atrofia tenar 

Braquialgia

 parestésica

 noturna, 

Amortecimento dos dedos; sinal de Tinel, Phalen e Phalen invertido positivo

 

Distúrbios hormonais; tenossinovites dos flexores; desproporção entre o canal do carpo e o seu conteúdo 
Nervo mediano (Síndrome do pronador) Músculo pronador redondo Região tenar e polpa do polegar, indicador, médio e lado radial do anular  Atrofia tenar, força diminuída dos flexores do polegar, indicador e médio  Ver déficit sensitivo e motor Movimentos repetitivos de pronosupinação;

 hipertrofia muscular; variante anatômica 

 

2.6.2.4 Diagnóstico da LER

Segundo a Divisão de Saúde, Higiene e Segurança do Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (1997) o diagnóstico da L.E.R. é essencialmente clínico baseando-se na história tanto clínica como nas atividades ocupacionais vivenciadas por cada trabalhador. Auxiliam ainda no diagnóstico, o exame físico detalhado, os exames complementares, (conforme a situação), e a análise das condições de trabalho responsáveis pelo aparecimento da lesão.

De acordo com OLIVEIRA (1991) o sinais de Finkelstein, Tinnel, Fhalen e Gilliart-Wilson devem ser pesquisados. (Ver ANEXO IV).

Segundo Oliveira (1989) ecografista e radiologista, a ultrassonografia é um método moderno de diagnóstico por imagem que utiliza som de alta freqüência e com baixa intensidade, permitindo, sem danos ou prejuízos ao organismo, identificação das estruturas músculo-esqueléticas e de outros órgãos internos do corpo. Com o uso dos aparelhos de última generação de tempo real e de alta definição, com sondas de 7,5 a 10 Mhz, observou-se que as estruturas correspondentes aos tecidos moles eram perfeitamente bem definidas e que as alterações patológicas nas mesmas eram facilmente identificadas. Atualmente está sendo utilizada para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento nas síndromes da LER, especialmente nos pacientes com atividade em digitação, em quem freqüentemente ocorrem inflamações dos tendões, bainhas tendinosas e bolsas sinoviais .

2.6.2.5 Soluções preventivas recomendadas

Segundo SANCHES (1997) a solução encontrada por alguns médicos do trabalho para diminuir o número de casos desse problema é o revezamento do trabalho, colocando o trabalhador, por exemplo, em duas áreas de atividade dentro da empresa. "É importante uma pausa de cinco minutos por cada hora trabalhada, pois assim irão desaparecer as lesões causadas por repetitividade de movimentos".
Continua enfatizando a autora que existe melhora dos sintomas quando há repouso. Entretanto se o trabalhador continua exercendo um esforço repetitivo, os sintomas são sentidos por longas horas após o final da jornada, impedindo atividades simples, como descascar uma laranja, maçã etc.
Segundo LECH (1990) no caso de problemas cervicobraquialgia o tratamento inicialmente é mais conservador, através do uso de medicação de alívio da dor, calor local, e exercícios de retencionamento da musculatura cervical e escapular.

MUSSE (1989) afirma que com os exercícios mostrados no ANEXO V de alongamentos das mãos e alguns pequenos intervalos resolvem e evitam a tenossinovite. Outro exercício que pode ajudar nos casos de sobrecarga estática são os alongamentos para a coluna. O mesmo autor comenta que existem estudos que comprovam que com pausas a produtividade é maior, pois a pessoa não chega à fadiga.

Para a prevenção de acordo a Divisão de Saúde, Higiene e Segurança do Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (1997) deve ser seguido os seguintes passos:

Para CODO (1995) que estuda o LER do ponto de vista da organização do trabalho a forma de prevenir o aparecimento de LER nas empresas é através de o que ele denomina "destaylorização do trabalho", que segundo o mesmo autor se conseguira da seguinte forma:
"É preciso apagar qualquer vestígio da organização taylorista do trabalho. Schmidt (qualquer trabalhador) produzirá mais e sofrerá menos quanto mais pensar. O ciclo de trabalho imune à LER será o que se completar da ideação em uma ponta ao sorriso do cliente final da outra. O ritmo adequado não é o mais lento; é o autodeterminado. A melhor política de comunicação na empresa é aquela que não existe. Que todas as falas se permitam, que todas elas integrem o sistema de produção".
Acredita-se portanto que através da destaylorização pode dar-se um passo importante na prevenção do aparecimento do LER devido a uma melhor organização do trabalho considerando a homem como ser humano e não como uma maquinaria que deve fazer tudo o que o mandem com precisão e rapidez custe o que custar.
Com o propósito de prevenir o desenvolvimento das Lesões por Esforços Repetitivos (OOS), o Guidelines for Prevention and Management publicado na Austrália em 1991 (apud, ALVES, 1995), aponta os seguintes aspectos:
  1. Projeto adequado de ferramentas e equipamentos que permita uma postura confortável e livre de esforço. Os trabalhadores devem ser consultados em todos os estágios de projeto e compra de equipamentos.
  2. O posto de trabalho deve permitir uma variação nas posturas.
  3. Quando as tarefas exigirem atividades repetitivas ou estáticas prolongadas deve-se introduzir períodos de descanso.
  4. Introdução de rodízio no trabalho, modificação nas tarefas para diminuir o efeito de movimentos repetitivos e posturas estáticas. O trabalhador deve ser consultado permitindo uma integração entre o indivíduo e o trabalho.
  5. O ritmo de trabalho não deve ser imposto pela máquina. Deve-se considerar a experiência do indivíduo no trabalho, sua capacidade individual, o tempo necessário para adaptar-se a novas tecnologias. Além disso, permitir a reintegração progressiva no trabalho após um período de afastamento.
  6. Prêmios produção, monitoramento eletrônico e ritmo imposto pela máquina não devem ser encorajados; estes fatores fazem com que os trabalhadores ultrapassem seus limites pessoais.
  7. Fatores físicos e sociais contribuem para aumentar o stress dos trabalhadores no ambiente de trabalho. Os fatores físicos: iluminamento, ventilação, temperatura, umidade e ruído devem ser avaliados e seguirem as normas regulamentadoras. Os fatores sociais incluem: relacionamento interpessoal, a carga de trabalho, o estilo gerencial, a adaptação a novas tecnologias e as mudanças no local de trabalho.
  8. Deve ser instituído um treinamento direcionado a todos os níveis hierárquicos que inclua o conhecimento sobre a doença: sintomatologia, etiopatogênia, consequências, medidas de prevenção, princípios de tratamento e reabilitação.