2. DOMÍNIO DO TRABALHO
 

Este capítulo discute aspectos importantes em se tratando de Prescrição de Atividades Físicas. Ele está subdividido em quatro partes: a primeira trata de aspectos biológicos da atividade física; a segunda fundamenta o uso de algumas medidas e avaliações utilizadas no cotidiano de um profissional de educação física; a terceira comenta sobre os princípios científicos e metodológicos que norteiam a prescrição de atividades físicas em situações normais, e finalmente, a última relata o estado da arte acerca da prescrição de atividades físicas.

2.1. Aspectos Biológicos da Atividade Física

2.1.1. Introdução

Para a compreensão dos aspectos biológicos aplicados neste trabalho, é importante que se faça uma revisão das principais alterações que ocorrem no corpo humano, bem como as adaptações funcionais e morfológicas surgidas nas pessoas que se exercitam. Tendo em mente os objetivos do trabalho, a primeira seção faz uma abordagem resumida no campo da bioenergética, a segunda trata das atividades aeróbicas e anaeróbicas, e a terceira discorre sobre os principais efeitos da prática de atividades físicas no organismo. Estes ítens certamente fornecerão meios para um acompanhamento mais efetivo no desenvolvimento das demais partes deste trabalho.

2.1.2. Bioenergética

O principal propósito das respostas fisiológicas ao exercício físico é o de prover energia para o desempenho durante a atividade física. Os cientistas definem energia como a capacidade de realizar trabalho (Fox e Mathews, 1991).

Particularmente quando aplicada ao mundo biológico, o interesse na energia é direcionado para transformação da energia química em energia mecânica (McArdle, Katch e Katch, 1991).

A energia mecânica manifesta-se no movimento humano, cuja fonte provém da conversão do alimento em energia química dentro do corpo humano.

O fato de um indivíduo manter atividade muscular por algum tempo depende basicamente de sua capacidade em extrair energia dos nutrientes, obtidos a partir dos alimentos ingeridos na forma de carboidratos, gordura e proteínas, e transferí-las para os músculos ativos.

Entretanto, a energia contida nos nutrientes, não pode ser diretamente transferida para o tecido muscular. A energia necessária para a manutenção do trabalho muscular é produzida mediante a ação de processos biológicos extremamente complexos e armazenada por intermédio de compostos de fosfogêneo, dos quais o trifosfato de adenosina - ATP - é o principal representante (Fox e Mathews, 1991).

Dessa maneira, a quebra do ATP em ADP (difosfato de adenosina) e Pi ( ?? ) deverá ser caracterizado como a única fonte imediata de energia para o desenvolvimento da atividade física, porque produz energia necessária para que os filamentos de actina e miosiona dos músculos deslizem um ao longo do outro, provocando a contração muscular (Fox e Mathews, 1992).

Com a realização de sucessivas contrações musculares, na tentativa de oferecer continuidade ao desenvolvimento da atividade física, existe necessidade de que ocorra uma ressíntese constante das moléculas de ATP, tão rapidamente quanto estas são desintegradas. Logo, considerando que as quantidades de ATPs estocadas no tecido muscular são bastante limitadas, para que o trabalho muscular possa ter prosseguimento o organismo apresenta várias formas de reconstituição do ATP, com base em diferentes substratos energéticos. Neste particular, o tipo de substrato energético utilizado e a via metabólica com que o ATP é ressintetizado dependem fundamentalmente da intensidade e da duração dos esforços físicos (Fox e Mathews, 1991).

Três vias metabólicas principais proporcionam energia para o desempenho de um exercício físico: a via anaeróbica alática (ATP - fosfocreatina), a via anaeróbica lática (glicose) e o metabolismo oxidativo (via aeróbica). A via mais importante para o exercício de longa duração é o metabolismo oxidativo, porque utiliza o oxigênio como combustível (Fox e Mathews, 1991).

Chama-se de VO2 máximo a mais alta captação de oxigênio alcançada por um indivíduo, respirando ar atmosférico ao nível do mar (Astrand e Rodahl, 1970). O VO2 máximo pode ser expresso em valores absolutos (1/min) ou em valores relativos ao peso corporal (ml.Kg-1.min-1) (Wilmore e Costill, 1994).

O consumo máximo de oxigênio (VO2 máx) depende de vários processos essenciais: ventilação pulmonar, trocas gasosas na membrana alvéolo-capilar, débito cardíaco, redistribuição do débito cardíaco e utilização do oxigênio pelo músculo esquelético. Estes processos metabólicos e cardiopulmonares podem ser expressos matematicamente pela equação de Fick (American College of Sports Medicine - ACSM, 1996), expressa da seguinte forma:

onde: O consumo máximo de oxigênio e as suas variáveis determinantes podem ser alteradas por várias condições, que incluem sexo, dimensões corporais, condições ambientais e várias doenças cardiopulmonares. (ACSM, 1996).

De forma geral, para efeito de produção de energia, os esforços físicos deverão ser classificados em duas categorias: (a) aqueles considerados de elevada intensidade, porém de curta duração (anaeróbico); e (b) aqueles de baixa intensidade e longa duração (aeróbico) (Fox e Mathews, 1991).

2.1.3. Atividades Aeróbicas X Atividades Anaeróbicas

Nos esforços de alta intensidade (anaeróbico) as moléculas de ATP necessárias à manutenção do trabalho muscular são sintetizadas, inicialmente, por intermédio de outro composto fosfórico de alta energia denominado fosfato de creatina - PC. Por esse sistema energético, considerando que o PC apresenta energia livre de hidrólise mais alta que ATP, quando a ligação entre as moléculas de creatina e de fosfato é desfeita, seu fosfato é unido ao ADP, formando os ATPs necessários à contração muscular (McArdle, Katch e Katch, 1991).

Assim como no desdobramento do ATP em ADP e Pi, essas reações também são reversíveis, fazendo com que, na disponibilidade energética, creatina e fosfato se unam novamente. A quebra do PC em ATP é facilitada pela ação da enzima creatinoquinase.

Apesar de existir de 3 a 5 vezes mais do que ATP, o fosfato de creatina também é armazenado em pequenas quantidades. Portanto, o fornecimento de energia, por essa via metabólica também é muito reduzido e atende aos esforços físicos de elevada intensidade por não mais do que 8-10 segundos. Dessa maneira, por exemplo, o fosfato de creatina deverá ser o principal responsável pela produção de ATPs em exercícios físicos que envolvam corridas rápidas em distância curtas, saltos sucessivos e levantamento de grandes pesos (McArdle, Katch e Katch, 1985)

A menos que se diminua a intensidade, para que o esforço físico possa ser mantido por mais algum tempo, uma segunda via metabólica é acionada com o intuito de produzir os ATPs necessários à continuidade das contrações musculares, a glicólise (Astrand e Rodahl, 1970).

Nesse momento, torna-se importante a introdução dos conceitos relacionados aos metabolismos anaeróbicos ou não-oxidativos e aeróbicos ou oxidativos. A ativação de um desses dois tipos de metabolismos dependerá basicamente da velocidade exigida na produção da energia para o trabalho muscular.

Se os esforços físicos forem de elevada intensidade, ou seja, quando é necessária a produção de um número de moléculas de ATPs relativamente alto num espaço de tempo bastante curto, elevando a velocidade metabólica na produção de energia, deverá ser ativado o sistema anaeróbico, pois o fornecimento de oxigênio para as reações torna-se insuficiente (Fox e Mathews, 1991).

Contudo, se os esforços físicos forem de baixa a moderada intensidade, exigindo, por sua vez, menor velocidade metabólica na produção de ATPs, deverá ser ativado predominantemente o sistema aeróbico, tendo em vista que as reações metabólicas realizadas na presença do oxigênio são suficientes para produzir o ATP necessário. (McArdle, Katch e Katch, 1991).

Com isto em mente e admitindo que estão sendo analisados os esforços físicos de elevada intensidade, a via metabólica acionada mais especificamente é a glicólise anaeróbica.

A glicólise anaeróbica consiste na degradação do glicogênio ou da glicose para piruvato ou lactato mediante o envolvimento de uma série de passagens enzimáticas catalizadoras, o que resulta na produção das moléculas de ATP. O carboidrato é depositado nos músculos em forma de glicogênio e passa para o sangue em forma de glicose.

Portanto, ao se realizarem esforços de grande intensidade, deverá ocorrer acúmulo de lactato no grupo muscular ativo e, na seqüência, será difundido para a corrente sanguínea.

Quando a intensidade dos esforços físicos diminui, permite que o sistema de produção de energia venha a sintetizar os ATPs, necessários à contração muscular a partir do metabolismo aeróbico. Neste aspecto, quanto mais tempo durarem os esforços físicos, maior deverá ser a participação das reações oxidativas nas exigências energéticas, ao mesmo tempo em que a produção de energia por meio das vias anaeróbicas diminuirá gradativamente.

Ao contrário do metabolismo anaeróbico, em que apenas o carboidrato é utilizado como substrato energético, o metabolismo aeróbico pode usar, além do carboidrato, os lipídios e, em casos de duração extrema, as proteínas, como substratos para a produção de ATPs. Além do mais, o metabolismo aeróbico é o mais eficiente do ponto de vista de produção energética, pois além de sintetizar ATPs sem acúmulo de ácido lático, por essa via, forma-se muito mais ATPs comparativamente com a via anaeróbica (McArdle, Katch e Katch, 1991).

A produção de energia por via aeróbica resulta do produto final de um complexo processo de reações que ocorrem no interior da mitocôndria, com a participação de enzimas oxidativas, levando à quebra de carboidratos na forma de glicose, e de gorduras na forma de ácidos graxos livres, em moléculas de ATP, dióxido de carbono e água. Deve-se ressaltar que as proteínas, na forma de aminoácidos, somente entram em ação na produção de ATPs quando as exigências energéticas são extremamente elevadas e as fontes dos demais substratos já se encontram bastantes reduzidas.

Quanto à duração, com o passar do tempo sob esforço físico, os estoques do glicogênio muscular diminuem e concomitantemente as quantidades de ácidos graxos livres na corrente sanguínea se elevam. Assim, a participação dos substratos na produção de energia tende a se inverter, diminuindo a participação do metabolismo de carboidratos e acentuando a participação do metabolismo do metabolismo de gorduras (Powers et al, 1980).

Com relação à intensidade, em esforços físicos de baixa a moderada intensidade as necessidades energéticas são atendidas prioritariamente pelos ácidos graxos livres, no entanto, ao elevar o nível de intensidade, a glicose passa a ser a principal fonte de energia (Gollnick et al, 1985).

Um outro aspecto que pode interferir na utilização da gordura como fonte de energia é o maior acúmulo de ácido lático. Quando existe maior quantidade de lactato sangüíneo, o uso do ácido graxo livre como fonte de energia pode ser dificultado em razão de o ácido láctico interferir de forma acentuada na mobilização do próprio ácido graxo livre a partir do tecido adiposo.

Logo, durante o esforço físico a nível submáximo, o indivíduo mais ativo deverá demonstrar maiores possibilidades de utilização do ácido graxo livre como fonte de energia do que o sedentário, em razão de apresentar tendência à concentração de lactato em níveis mais baixos (Holloszy e Coyle, 1984).

Nos programas de atividades físicas voltados à promoção da saúde, deve-se privilegiar as atividades que utilizam a gordura como substrato energético na produção de ATPs, ou seja, esforços físicos de baixa a moderada intensidade durante um período de tempo prolongado (ciclismo, caminhadas, corridas, natação), considerando que as gorduras representam o maior depósito de energia no organismo humano (Cooper, 1982).

Apesar da atividade aeróbica ser muito importante na prevenção de doenças cardiovasculares, Pate et al (1995) ressaltam que a força muscular e a flexibilidade são fundamentais para uma boa saúde. As pessoas que têm mais flexibilidade e força, são capazes de realizar suas tarefas diárias com mais facilidade, além de terem menor risco de problemas músculos-esqueléticos.

2.1.4. Efeitos da Prática de Atividades Físicas sobre o Organismo

A Atividade Física sistemática pode proporcionar modificações morfológicas e funcionais em diversas partes do organismo. A tabela abaixo demonstra alguns parâmetros que tendem a aumentar e outros que reconhecidamente diminuem com a prática de atividades físicas regulares.

 

Tabela 1: Aumento e diminuição de parâmetros decorrentes da atividade física (FITCOR, 1997)
Aumenta:
Diminui:
circulação colateral; níveis lipídicos
tamanho do vaso; intolerância à glicose
capacidade de transporte de oxigênio; obesidade
eficiência cardíaca; atividade plaquetária
eficiência na distribuição do sangue; pressão arterial sistêmica
eficiência no retorno venoso; freqüência cardíaca
conteúdo de oxigênio no sangue; vulnerabilidade para a arritmia
massa de eritrócitos e volume sanguíneo; ação neuro-hormonal exagerada
capacidade fibrinolítica; estressee psíquico
função tireoideana; produção crônica de catecolaminas
hormônio de crescimento; depressão isquêmica para cargas semelhantes
torelância ao estresse; menos manifestações clínicas para o mesmo esforço.
 

 
2.1.4.1 - ALTERAÇÕES NO SISTEMA CARDIOCIRCULATÓRIO:

Miocárdio: o exercício continuado leva a um aumento do volume cardíaco, por hipertrofia miocárdica, com conseqüente aumento da eficiência do coração como bomba e um mais rápido relaxamento do músculo cardíaco, permitindo o enchimento mais completo dos ventrículos. Além das alterações morfológicas, o exercício também leva ao aumento da atividade da ATPase-miosina e, provavelmente, da atividade enzimática das proteínas, que ocasionam um aumento da reserva cardíaca (Bouchard et al, 1992)

Perfusão do coração: em animais está demonstrado o aumento do fluxo coronariano após treinamento. Embora em humano não esteja comprovado o aumento da vasculatura das coronárias com o exercício, existe um aumento do limiar isquêmico, provavelmente devido às adaptações funcionais que alteram a relação entre o trabalho hemodinâmico e a demanda de oxigênio ou às mudanças do sistema de controle cardíaco, que melhoram o suprimento de oxigênio ao miocárdio (Bouchard et al, 1992).
 

Freqüência Cardíaca e Pressão Arterial: após condicionamento físico, observa-se redução da freqüência cardíaca e da pressão arterial, resultando em redução da demanda de oxigênio para o miocárdio durante qualquer nível de esforço. O efeito parece estar ligado ao aumento do tonus parassimpático ao coração e à diminuição da atividade simpática à periferia, com redução da resistência vascular periférica (Bouchard et al, 1992).

Coagulação Sanguínea: o exercício leva à redução da coagubilidade sanguínea, aumento transitório da fibrinólise e diminuição da adesividade plaquetária (Bouchard et al, 1992).

Função Ventricular: o exercício conduz a uma melhoria da função ventricular, que pode ser devido a fatores tais como: aumento da massa miocárdica; melhoria da função bioquímica; melhoria da resposta miocárdica contrátil aos estímulos beta-adrenérgicos; redução da resistência do volume sanguíneo periférico, devido à melhoria da condutância do músculo esquelético e da redução da resistência vascular sistêmica (Bouchard et al, 1992).
 

Efeitos Regulatórios e Periféricos: o exercício afeta, de maneira múltipla, o funcionamento do organismo, aumentando a capacidade de absorção e utilização do oxigênio, significando que o trabalho orgânico frente à demanda pode ser realizado de forma mais econômica, isto é, o trabalho do coração e dos pulmões é menor e o funcionamento hemodinâmico e a capacidade de reserva metabólica são melhorados. A resposta aos exercício é afetada por múltiplos mecanismos reflexos, através de receptores nos músculos esqueléticos e na circulação central e de ligações entre o córtex motor e centros regulatórios cardiovasculares (Bouchard et al, 1992).

Efeitos sobre o Consumo Máximo de Oxigênio: o exercício leva a um aumento da capacidade física do indivíduo, que é refletido pelo aumento da capacidade máxima de consumo de oxigênio (VO2 máx). Este aumento parece ser devido, diretamente, ao aumento do débito cardíaco e ao aumento da capacidade oxidativa dos músculos esqueléticos (Bouchard et al, 1992).

Eficiência Miocárdica: as alterações induzidas pelo exercício, produzindo melhoria dos meios de transporte do oxigênio e da capacidade oxidativa dos músculos esqueléticos, levam à redução do consumo miocárdico de oxigênio, ou seja, aumentam a eficiência do músculo cardíaco (Bouchard et al, 1992).
 

2.1.4.2 - ALTERAÇÕES MÚSCULO-ESQUELÉTICA E O SISTEMA LOCOMOTOR:
O condicionamento físico leva a importantes modificações nos músculos esqueléticos, tais como: aumento do número e tamanho das mitocôndrias; aumento do número das proteínas mitocondriais e das enzimas respiratórias; aumento da atividade da ATPase; diminuição do fluxo sanguíneo para músculo, a qualquer nível de esforço submáximo, devido ao maior aproveitamento do oxigênio, por unidade de massa muscular (Bouchard et al, 1992).

O exercício bem orientado pode exercer grandes benefícios ao sistema locomotor, principalmente durante o crescimento, porém, quando praticado inadequadamente, pode resultar em malefícios. Os efeitos positivos são: o desenvolvimento adequado dos grandes grupos musculares estabiliza a coluna vertebral e as articulações dos membros, prevenindo a ocorrência de distúrbios articulares, rupturas tendinosas e fraturas de "estresse"; o estímulo para o crescimento devido ao aumento do hormônio de crescimento induzido pelo exercício; após a adolescência os exercícios musculares que atuam na profilaxia da artrose, promovendo a distribuição uniforme das pressões que atuam sobre a cartilagem de revestimento, melhorando a coaptação articular, reduzindo o atrito entre as extremidades ósseas; o exercício muscular previne e auxilia na correção das osteopenias, comuns nas idades mais avançadas (Wilmore e Costill, 1994).

O uso inadequado dos exercícios físicos pode levar a patologias como tendinites, rupturas musculares e tendinosas, fraturas de "estresse", distúrbios do crescimento e agravamento de problemas naturais. Para evitar-se de malefícios, todo programa de atividade física deve, basicamente, respeitar alguns princípios que norteiam uma metodologia de prescrição para atividades físicas. Para que a prescrição possa respeitar estes princípios, é necessário que se conheça os limites e possibilidades do indivíduo, através de algumas avaliações do estado geral de saúde (Bouchard et al, 1992).
 

2.1.4.3 - ALTERAÇÕES NOS LIPÍDEOS E LIPOPROTEÍNAS SANGUÍNEAS:
Os níveis de lipídeos e triglicerídeos e das lipoproteínas de baixa densidade - LDL e VLDL - estão relacionados com um risco aumentado de manifestações da doença coronariana, das doenças vasculares periféricas, do acidente vascular e da aceleração da aterosclerose coronariana. A atividade física atua, positivamente, na redução dos níveis sanguíneos dos triglicerídeos e no aumento das lipoproteínas de alta densidade (HDL), que juntos oferecem maior proteção contra as doenças relatadas acima (Bouchard et al, 1992).

2.1.4.4 - ALTERAÇÕES NA INTOLERÂNCIA À GLICOSE:
O exercício físico leva a um aumento nos receptores de insulina, levando a um melhor aproveitamento celular da glicose e aumentando a tolerância aos carboidratos (Bouchard et al, 1992).

2.1.4.5 - ALTERAÇÕES NOS NÍVEIS SANGUÍNEOS DO ÁCIDO ÚRICO:
Estudos têm demonstrado redução dos níveis sanguíneos do ácido úrico, nos indivíduos hiperuricêmicos (Bouchard et al, 1992).

2.1.4.6 - ALTERAÇÕES NA ESFERA PSICO-SOMÁTICA:
O indivíduo exercitado tende a ser mais criativo, auto-suficiente, emocionalmente mais amadurecido e auto-realizado, apresenta maior resistência à fadiga, maior capacidade de conciliar o sono e menor tendência à depressão e à ansiedade (Bouchard et al, 1992).

2.2. Medidas e Avaliação para a Prescrição de Atividades Físicas
 
O conceito de medidas e avaliação em Educação Fïsica é encarado como um processo que tem como objetivo saber em que condições se encontra o avaliado, para que, a partir deste ponto, possa-se interpretar e prescrever corretamente o programa de atividade física conforme as características próprias daquele indivíduo (Marins e Giannichi, 1996).

Os termos Medidas e Avaliação referem-se a elementos específicos de um processo de decisão e apesar de estarem relacionados entre si, cada um tem um significado diferente e devem ser usados corretamente (Morrow, 1995).

Medida é o processo utilizado para quantificar uma determinada caraterística de um indivíduo ou objeto. As medidas devem ser precisas e objetivas. A avaliação determina a importância ou valor da informação coletada, reflete o progresso e indica se os objetivos estão sendo atingidos (Marins e Giannichi, 1996).

Quando as qualidades e características de pessoas são quantificáveis o problema que surge é desenvolver técnicas de medição ao mesmo tempo simples e precisas. Como ferramenta de pesquisa, uma medida deve atingir um número de pré-requisitos, os quais podem ser resumidos da seguinte forma: a) devem ser padronizados; b) devem ser confiáveis; c) devem ser válidos; e finalmente d) devem ser acompanhados por valores de referência, os quais são necessários para a verificação da performance ou medida individual (Beunen e Borms, 1990).

Antes de iniciar o processo de avaliação propriamente dito é muito importante que se realize uma anamnese com o indivíduo, evitando assim, que ocorra alguma complicação advinda dos testes. O histórico médico ou anamnese pode revelar sinais ou sintomas de doenças, indicar se o indivíduo possui histórico familiar para determinadas doenças, além de detectar diversos aspectos de ordem médica, importantes no processo de prescrição de atividades físicas.

Um instrumento que tem sido amplamente utilizado no Canadá e que mostrou sensibilidade de 100% para a detecção de contra-indicações médicas ao exercício e uma especificidade de 80% foi o PAR-Q (Physical Activity Readiness Questionnaire), traduzido no Brasil para Q-PAF (NuPAF, 1992). A sua capacidade de predizer anormalidades ao ECG de esforço é mais baixa, com uma sensibilidade de aproximadamente 35% e uma especificidade de 80% (ACSM, 1996).

A tabela abaixo apresenta contra indicações relativas e absolutas para o teste de esforço. Entende-se por contra-indicações absolutas aquelas que impedem totalmente o indivíduo de realizar o teste e as contra-indicações relativas são aquelas que dependem de uma análise mais detalhada para avaliar a possibilidade da realização do teste.

Tabela 2: Contra-Indicações Relativas e Absolutas para a Prática de Atividades Físicas
 
Absolutas
Relativas
Infarto do Miocárdio agudo ou qualquer alteração recente no ECG em repouso Qualquer distúrbio não-cardíaco menos grave
Angina instável Defeito da condução ventricular
Disritmias cardíacas graves Significante hipertensão arterial ou pulmonar
Pericardite ou miocardite agudas Taqui ou bradiarritmias menos graves
Endocardites Cardiopatias valvulares ou miocárdicas moderadas
Estenose aórtica grave Anormalidades eltrolíticas e/ou causadas por drogas
Grave disfunção ventricular esquerda Marcapasso artificial de freqüência fixa
Embolia pulmonar Obstrução do tronco da artéria coronária esquerda ou equivalente
Qualquer distúrbio não-cardíaco agudo ou grave Doença psiquiátrica ou incapacidade de cooperar
Grave empecilho físico  
Fonte: ACSM - American College of Sports Medicine (1996)

Para um melhor entendimento do sistema em questão, esta seção foi dividida em três partes, na tentativa de descrever o que foi utilizado para o funcionamento deste protótipo.

a) Avaliação Antropométrica e da Composição Corporal:

A antropometria representa um importante recurso de assessoramento para uma análise completa de um indivíduo, seja ele atleta ou não, pois oferece informações ligadas ao crescimento, desenvolvimento e envelhecimento, sendo por isso crucial na avaliação do estado físico e no controle das diversas variáveis que estão envolvidas durante uma prescrição de atividade física.

São medidas de uma avaliação antropométrica (Matsudo, 1984):

Com estas medidas pode-se realizar uma avaliação da Composição Corporal do indivíduo a partir dos seguintes indicadores: massa corporal magra (MCM); percentual de gordura (%G); índice de massa corporal (IMC); índice cintura quadril (ICQ); faixa de peso recomendada (FPR); índice de obesidade (IO).

b) Avaliação da Capacidade Cardiorrespiratória:

A melhor maneira de avaliar a capacidade cardiorrespiratória é através da medida do consumo direto de oxigênio, porém esta técnica requer equipamentos específicos, na maioria das vezes de difícil acesso pelo seu custo elevado.

Entretanto, pode-se fazer uma avaliação da capacidade cardiorrespiratória por meio da marcha ou da corrida. Uma série de testes foram desenvolvidos para atender essa necessidade, entre eles:

c) Avaliação da Força, Flexibilidade e RML (testes físicos): d) Avaliação dos Níveis de Atividade Física Habitual:

Para Nahas (1996), as maiores dificuldades encontradas na revisão de métodos para determinação dos níveis de atividade física habitual em grupos populacionais são: a) inexistência de um método preciso que possa servir de critério de referência; b) cada instrumento parece medir aspectos específicos da atividade física; c) são empregadas definições diferentes de atividade física, dificultando comparações e conclusões.

Por isso, é necessário que se tenha claro as definições dos termos que envolvem esta seção:

Define-se como Aptidão Física o constructo multidimensional que inclui um conjunto de características possuídas ou adquiridas por um indivíduo e que estão relacionadas com a capacidade de realizar atividades físicas (Caspersen et al, 1985).

Por atividade física entende-se todo movimento corporal produzido pela musculatura esquelética e que resulta em gasto energético acima dos níveis de repouso (Caspersen et al, 1985; Baranowski et al, 1992).

O termo exercício físico, inadequadamente usado como sinônimo de atividade física, representa uma das formas de atividade física planejada, estruturada e repetitiva, tendo por objetivo a melhoria da aptidão física ou a reabilitação orgânico-funcional (Caspersen et al, 1985).

Existem mais de 30 instrumentos diferentes descritos na literatura para estimativas da atividade física nas diversas faixas etárias (Nieman, 1990). Visto que o objetivo desta seção do trabalho é apenas referenciar os testes utilizados, buscou-se citar apenas aqueles que foram utilizados. Para isto, o selecionado foi o instrumento de Godin e Shepard (1995).

2.2.1. Prescrição das Atividades Físicas em Situações Normais

Um vez conhecidos a capacidade funcional, o estado de saúde e os interesses de cada um, pode ser traçada a prescrição de exercícios individual. Deve-se definir as proposições principais do programa de exercícios e fazer o planejamento de acordo com elas, pois variam em muito as razões de um exercício, assim como as necessidades da prescrição (Skinner,1991).

Apenas duas categorias de pessoas necessitam de prescrições mais minuciosas: aquelas que buscam resultados (atletas) e pessoas que apresentam diagnóstico de algum tipo de doença (coronariana, enfisema, diabetes, entre outras).

De maneira geral, as pessoas em condições normais, ainda que busquem o desempenho, a saúde e a boa aparência, devem seguir os princípios gerais de exercício e treinamento para qualquer pessoa.

Os princípios do treinamento são aplicáveis a todas as pessoas e as modificações estão associadas à presença ou ausência de restrições ou contra-indicações médicas, a tipo de atividades, e ao nível inicial de aptidão.

Segundo Barbanti (1996) e Skinner (1991), o treinamento é baseado em três princípios biológicos: o princípio da Sobrecarga, o princípio da Especificidade e o princípio da Reversibilidade. O princípio da Sobrecarga estipula que as mudanças funcionais no corpo ocorrem somente quando a carga é suficiente para causar adaptação a cada nível de solicitação. Para cada indivíduo existe um limite mínimo e máximo, onde, na medida em que se processa a níveis mais altos de atividade, também se elevam estes limites. O princípio da Especificidade é baseado no fato de que as maiores mudanças funcionais e morfológicas, durante o treinamento, acontecem somente nos órgãos e estruturas intracelulares que são responsáveis pelo movimento. O princípio da Reversibilidade assegura que as mudanças corporais conseguidas pelo treinamento são de natureza transitória e que o organismo também pode se adaptar à inatividade.

Barbanti (1996), Tubino (1992), e Fernandes (1981) colocam que os Princípios Científicos do Treinamento são grandes responsáveis pelo sucesso de um programa de atividades físicas.

A tabela 3 relata o que as evidências recentes dizem a respeito da prescrição de exercícios para adultos saudáveis:

Tabela 3: Evidências recentes a respeito da prescrição de exercícios para adultos saudáveis: (Skinner, 1996)
 
1. A prescrição deve sempre considerar o nível de aptidão física inicial e a condição de saúde dos sujeitos;
2. O aumento do VO2 máx pode variar de 5 a 25%, dependendo do nível inicial e da intensidade, duração e freqüência do treinamento;
3. O aumento de VO2 máx tende a se nivelar quando a freqüência de treinamento ultrapassa 3 sessões semanais;
4. Menos de duas sessões semanais não são suficientes para estimular modificações significativas;
5. Uma intensidade mínima de 60% da FC máx é necessária para provocar aumento no consumo máximo de oxigênio;
6. Há uma interrelação entre a intensidade e a duração dos estímulos; treinamento com sessões intensas/curtas ou moderadas/longas, desde que acima do nível mínimo, tendem a produzir resultados semelhantes (desde que o gasto calórico seja equivalente);
7. Duas semanas de interrupção são suficientes para reduzir significativamente a capacidade aeróbica;
 

Pollock et al (1995) reuniram informações de diversos locais, dos mais conceituados, sobre Prescrição de Exercício para Aptidão Física, conforme resumo na tabela abaixo:
 

Tabela 4: Recomendações de Instituições Internacionais sobre Prescrição de Exercício para Aptidão Física
 
Fonte
Freqüência
Intensidade
Duração
Tipo de Atividade
Características das atividades de RML
ACSM (1995)
American College of Sports Medicine
3 - 5 vezes/semana 50/60-90% FC máx. ou 40/50-85% do VO2máx 20-60 de forma contínua ou no mínimo 20-30 min atividades aeróbicas 2/semana,
1 série de 8-12 rep., trabalhar maiores grupos musculares
AHA (1995)
American Heart Association
mínimo de 3 vezes por semana 50-60% do VO2máx mínimo de 30 min * Atividades voltadas para a promoção da saúde 2 a 3/semana,
1 série de 10-15 repetições (rep.)
CDC (1995)
Centers for Disease Control and Prevention
diariamente moderado 30 min acumulados por dia * Atividades voltadas para a promoção da saúde Não especificado
VO2máx = Consumo máximo de Oxigênio;
rep.= repetições;
RML = Resistência Muscular Localizada.
* Atividades voltadas para a promoção da saúde podem ser aquelas realizadas nas atividades do cotidiano e/ou caminhadas leves.

Os quatro componentes básicos do programa de exercícios são: a freqüência, a duração, a intensidade e o tipo de exercício. O volume de treinamento é resultante da freqüência, duração e intensidade do exercício, isto é, estímulo total ou sobrecarga (Skinner,1991).

A freqüência das sessões depende em parte de sua duração e da sua intensidade. A freqüência habitualmente recomendada é de três a cinco vezes por semana, conforme as necessidades, o interesse e a capacidade funcional do indivíduo (Pollock et al, 1995).

O Colégio Americano de Medicina Desportiva (1996) recomenda: "para indivíduos com capacidades funcionais inferiores a 3 METs, sessões de 5 minutos de duração várias vezes ao dia podem ser desejáveis. Para pessoas com capacidades funcionais entre 3 e 5 METs, uma a duas sessões diárias podem ser recomendadas. Em geral, os participantes que possuem um capacidade funcional superior a 5 METs devem exercitar-se pelo menos três vezes por semana, em dias alternados.

A duração e a intensidade do exercício estão inversamente relacionadas, isto é, quanto maior a intensidade, menor a duração do exercício (Heyward, 1991). O Colégio Americano de Medicina Desportiva recomenda que uma atividade deve iniciar com sessões entre 15 a 30 minutos. Indivíduos sedentários devem utilizar de 40 a 60 % da capacidade funcional por este tempo.

Uma outra alternativa para estimar a duração correta é utilizar o gasto calórico da atividade. Sharkey (1979) apud Heyward (1991) recomenda que indivíduos classificados dentro das categorias baixa, média e boa aptidão física devem exercitar-se com objetivo de gastar entre 100-200, 200-400, e mais de 400 quilocalorias por atividade respectivamente. O valor calórico equivalente a 1 MET é 1 kcal.kg-1.hr-1. Se a intensidade inicial for de 7 METs, por exemplo, uma mulher de 60 kg deveria gastar cerca de 420 kcal.hr-1 ou 7 kcal.min-1. Então, a duração de sua atividade inicial deve ser de 14 a 28 minutos (aproximadamente 100 a 200 kcal/7kcal.min-1).

Várias técnicas podem ser utilizadas para prescrever e monitorar a intensidade do exercício. Entre as estratégias que podem ser utilizadas existem a freqüência cardíaca, a escala de Borg e a utilização de atividades físicas que tenham demandas de gasto energético conhecidas, isto é, aquelas nas quais os valores em METs sejam preditíveis. Com estas três técnicas pode-se orientar o indivíduo e ajudá-lo a praticar o exercício na intensidade adequada, de modo a aumentar ou manter a capacidade funcional (ACSM, 1996).

O tipo de atividade está associado com o princípio da especificidade, assim como a duração e a intensidade, pois as atividades de intensidade elevada tendem a ser curtas e anaeróbicas, enquanto as de intensidade baixa tendem a ser prolongadas e aeróbicas (Skinner,1991).

Para estimular o sistema aeróbico, o mais adequado é utilizar atividades prolongadas, contínuas e de baixa intensidade, envolvendo contrações rítmicas de grandes grupamentos musculares. A força e a velocidade tendem a ser anaeróbicas e desenvolvem-se melhor em atividades breves, intermitentes e de intensidade elevada (Blair, 1995).

A chave de um bom programa de atividades físicas é a seleção de atividades que agradem ao indivíduo e o façam sempre, em tempo e intensidade suficientes para produzir efeito de treinamento. Para a população em geral, a resistência cardiorrespiratória é o objetivo mais importante de um programa de exercícios, seguindo-se a força, a resistência muscular localizada e a flexibilidade. Todos estes objetivos podem ser atingidos através da seleção adequada de atividades (Skinner,1991).

Visando uma prescrição de exercícios, além de observar os ítens discutidos acima, deve-se também alertar os indivíduos para os efeitos fisiológicos da prática de atividades físicas em temperaturas extremas, umidade ou em caso de locais superiores a 1500 metros de altitude. Na medida em que uma situação destas ocorrer, é preciso ter precaução (observar a vestimenta, ingestão de líquidos) e reduzir a intensidade e/ou duração do exercício.

2.2.2. Perspectivas Atuais na Prescrição de Atividades Físicas

A prática de atividades físicas regulares tem se mostrado eficaz na prevenção e na redução de diversas doenças crônicas não-transmissíveis, além de melhorar a qualidade de vida e aumentar a longevidade.

Shephard (1995) divide em categorias, quando o objetivo é mostrar as evidências da prática de atividades físicas no caso das doenças. Existem evidências que demonstram, de uma forma cada vez mais clara, as evidências da relação entre atividade física, as doenças coronarianas e a redução dos riscos de morbidade e mortalidade (Blair, 1989, Caspersen, 1987; Cooper, 1976; La Porte, 1984).

Os casos que apresentam fortes evidências são: (Shephard, 1995)

Existe uma segunda categoria, que apresentam evidências sugestivas do benefício de atividades físicas regulares (Shephard, 1995): Existe ainda, uma terceira categoria, representada pelos casos com efeitos inconclusivos e que necessitam maior atenção (Shephard, 1995): As recomendações para futuros estudos giram em torno de três temas: um deles é a necessidade de ampliação de programas de atividade física que envolvam toda a população, e demonstre o impacto na saúde pública. O segundo deve enfatizar que atividade física é um componente do estilo de vida, isto é, pode-se obter benefícios nas atividades do dia-a-dia, simplesmente tornando-se mais ativo. Nos programas de atividade física dever-se-ia dar mais atenção à questão das mulheres, das pessoas de idade, grupos socio-economicamente desprivilegiados e pessoas incapacitadas. Finalmente, algumas pesquisas recentes, tem recomendado "doses" de atividade física, isto é, não necessariamente uma atividade física sistemática e contínua, e sim para o total de atividade física diária que complete aproximadamente 30 minutos no total, na maioria dos dias da semana (Pate, 1995).

 
2.3. Ergonomia e a Prescrição de Atividades Físicas: Qualidade de Vida Aliada à Maior Produtividade

Estudos evidenciam que a atividade física regular protege os indivíduos de determinadas doenças e aumenta a expectativa de vida.

A implantação de programas de "Aptidão" para o trabalhador, deveria estar entre as prioridades dos governos e das empresas privadas, onde o nível de aptidão física e um bom estado de saúde, fossem os principais alvos a serem alcançados entre os trabalhadores, independente de qualquer benefício financeiro resultante (Shephard, 1994).

No entanto, existe uma preocupação quanto a relação custo/benefício desse estilo de vida ativo. Investir em saúde preventiva inicialmente requer um aumento dos custos. Os custos para desenvolver um programa de exercícios variam amplamente. As instalações para implementação de um programa deste cunho, podem variar desde um simples local para caminhar, a uma completa instalação milionária com ginásio, piscina, e sofisticados equipamentos para o exercício (Shephard, 1986).

Porém, o interesse do trabalhador que tem um estilo de vida ativo, não está afetado grandemente pela quantidade de gastos, desde que haja uma mínima instalação básica disponível para ele se exercitar (Shephard, 1986).

Cox e Shephard (1981) pesquisaram a influência de um programa de exercícios físicos no local de trabalho, onde participaram apenas 20% dos trabalhadores. Reduziu-se o absenteísmo em 22%, o que representou uma redução dos custos totais da empresa. O aumento da produtividade resultou de um aumento da capacidade física para o trabalho, e um decréscimo da fadiga, redução de doenças, alívio do desânimo, ansiedade ou agressividade gratuita.

Na redução do eestressee, o exercício tem se mostrado tão efetivo quanto as técnicas mais tradicionais, reduzindo ou até mesmo anulando o uso de drogas prescritas e não prescritas.

No Brasil, a situação dos gastos com a saúde é alarmante, pois os investimentos são baixíssimos e a situação vem progressivamente piorando. Em 1990, o Brasil apresentou um gasto de 63,4 dólares/ano per capita, enquanto que a Organização Mundial da Saúde propõe, como um mínimo, um gasto de 500 dólares/ano per capita (OMS, 1994).

O alvo das autoridades da saúde pública deveria ser o desenvolvimento de programas de exercícios na prevenção de doenças crônico-degenerativas, em populações de baixa renda e menos educadas, idosos e deficientes, para que estas pessoas possam realizar suas atividades com o mínimo de assistência (Pate, 1995).