A maioria dos trabalhadores não gosta do trabalho em turnos e noturno, a literatura e o presente estudo de caso confirmam que este tipo de organização temporal do trabalho não é benéfica para a saúde física, psíquica e emocional do trabalhador, criando também, interferências nas estruturas temporais, sociais e familiares, podendo os problemas se acentuarem com a duração da exposição e a idade dos indivíduos submetidos a este sistema de trabalho.
O fato de mais da metade dos trabalhadores do turno da noite preferir permanecer neste horário parece estar mais relacionado com o adicional noturno a que têm direito e com a ausência de supervisão constante e intensa, pois os ajustes na produção são feitos durante os turnos diurnos, do que com a possível tolerância do trabalhador ao turno noturno.
No presente estudo de caso, em média 12,08% dos trabalhadores do 2o turno, 22,33% do 3o turno e 27,5% do 1o turno apresentaram pelo menos um dos sintomas de inadaptação ao trabalho em turnos e noturno, sendo que 16,67% dos trabalhadores do turno da noite e 10,34% dos trabalhadores do turno matutino manifestaram sintomatologia característica da Síndrome de Maladaptação ao Trabalho em Turnos.
Parece evidente que não existe uma solução única e ideal para os sistemas de turnos. O que existe são soluções melhores ou piores para os trabalhadores, dependendo se houver ou não uma preocupação de seguir critérios ergonômicos no estabelecimento da escala de turnos e na análise concreta da situação de trabalho.
Assim, antes de recomendar para uma empresa um novo esquema de sistema ou modelo de turnos de trabalho, a complexidade de variáveis que envolvem o trabalho em turnos e noturno deve ser reconhecida fazendo-se um estudo de larga escala sobre aspectos pessoais, sociais e de saúde.
É necessário que haja cooperação, consulta e concessões entre os parceiros sociais, ou seja, para adequar horários de trabalho e estratégias individuais de superação.
Porém, algumas linhas principais merecem ser consideradas:
Finalmente, é preciso determinar a eficiência e a utilidade de certas estratégias como luz brilhante durante o turno da noite para melhorar a adaptação do ritmo circadiano ao trabalho em turnos, como sugerem pesquisas realizadas por Eastman, Stewart, Mahoney et al (1994), uso de agentes terapêuticos como comprimidos de melatonina e mais recentemente o Modafinal para tratar perturbações do sono provocadas pelo trabalho em horários irregulares e a permissão para fazer "sonecas" durante o trabalho.