Se o processo for considerado estável e capaz, o mesmo está apto a ser controlado estatisticamente. Para tanto, deve-se selecionar o tipo de carta de controle a ser utilizada para que o controle seja efetivamente aplicado. Eventualmente os modelos de cartas de controle utilizados para avaliação da estabilidade podem ser os mesmos a serem utilizados para o gerenciamento de processos. No entanto, dependendo das características de cada processo, outros modelos podem ser selecionados.
Além de depender das características
intrínsecas de cada processo, a seleção da carta mais
apropriada também depende do tamanho e freqüência de
amostragem. De forma geral, como será apresentado no item 5.2.7,
não existe uma única solução para o tamanho
e freqüência de amostragem. Logo, em outras palavras, deve-se
definir o recurso estatístico que melhor se ajuste a realidade do
processo levando-se em consideração principalmente os aspectos
práticos e econômicos envolvidos (viabilidade técnica
de retirada de amostras, custos das amostras, etc.). Em alguns casos a
experiência proveniente da avaliação da estabilidade
pode ser bastante útil. Logo, o procedimento para seleção
de recursos estatísticos que se segue é constituído
apenas de recomendações gerais que podem ser levadas em consideração
durante a seleção das cartas de controle. A figura a seguir
procura fornecer uma visão geral do fluxo de seleção
de cartas de controle:
Figura 42 – Fluxo para seleção da carta de controle para controle do processo (MONTGOMERY, 1991, p.350)
A figura anterior engloba, além dos modelos de Shewhart, outras cartas de controle. Na seqüência desse texto serão tecidos alguns comentários acerca dos principais modelos destacados no fluxo.
Os métodos de cálculo dos
limites de controle para as cartas a serem descritas a seguir podem ser
encontrados em diversos livros que abordam o tema "controle estatístico
de processos". Uma referência adequada é o livro "Ferramentas
Estatísticas Básicas para o Gerenciamento de Processos".
(WERKEMA, 1995b, p. 197-274)
5.2.6.a - Cartas
por variáveis
Carta X-Am
Essa carta é utilizada quando o tamanho da amostra é igual a uma unidade. Alguns exemplos de aplicação são:
Essa carta é principalmente escolhida quando o tamanho da amostra se situar entre 2 e 9 unidades. Das cartas de controle por variáveis essa é a mais freqüentemente aplicada na indústria. Invariavelmente o tamanho da amostra se situa em torno de 4 ou 5 unidades. Na prática o tamanho da amostra deve ser determinado com base na capacidade de detecção de mudanças. (ver item 5.2.7 – Tamanho e freqüência de amostragem para cartas de Shewhart)
No entanto, a medida que "n" aumenta diminui
a sensibilidade da amplitude R como estimador do desvio padrão do
processo s
. Montgomery demostra que para valores de "n" próximos de 10, a
amplitude já perde significativamente sua sensibilidade como estimador
(MONTGOMERY, 1991, p. 204). A tabela abaixo apresenta a "eficiência
relativa" do estimador R em função do tamanho da amostra
"n":
Tabela 6 – Eficiência relativa do estimador R (MONTGOMERY, 1991,p. 204)
| n | Eficiência relativa | |
| 2 | 1,000 | |
| 3 | 0,992 | |
| 4 | 0,975 | |
| 5 | 0,955 | |
| 6 | 0,930 | |
| 10 | 0,850 |
Carta
-S
Esta é uma opção para
a carta
-R quando tamanho
de amostra é maior ou igual a 10. Na prática esse modelo
de carta de controle não é freqüentemente utilizado,
pois muitas vezes as amostras desse tamanho são inviavelmente econômicas.
No entanto, assim como para a carta
-R
o tamanho da amostra deve ser calculado com base na capacidade de detecção
de mudanças no processo, como será visto no item 5.2.7.
5.2.6.b - Cartas
por atributos
Carta p
A carta de controle "p" é utilizada
quando o característico de qualidade de interesse é representado
pela proporção de itens defeituosos produzidos. Alguns exemplos
são:
A carta "c" é utilizada quando se deseja controlar o número total de defeitos em uma unidade do produto. Alguns exemplos são (WERKEMA, 1995, p. 258-259):
A carta "u" tem a mesma aplicação
da carta "c". A única diferença é que o tamanho de
amostra para a carta "u" é maior do que uma unidade. Assim um exemplo
seria o controle do número de riscos em duas chapas metálicas.
Logo, para esse caso o tamanho de amostra é de 2 unidades.
5.2.6.c - Diferenças
básicas entre as cartas por variáveis e por atributos
Muitas vezes a seleção de uma carta por atributos ou por variáveis é uma tarefa extremamente rápida. A própria definição do característico de qualidade pode ser suficientemente clara. Outras vezes a definição pode não ser tão óbvia. Nesses casos é melhor levar em consideração alguns fatores na seleção da melhor carta (MONTGOMERY, 1991, p. 246-247).
As por atributos oferecem a vantagem de se poder em uma única carta se controlar mais de um característico da qualidade, pois a medição consiste em verificar se o mesmo está ou não dentro da tolerância especificada. Por outro lado uma carta por variável exige geralmente uma medição mais complexa e mais cálculos. Basicamente para cada característico selecionado é necessário um conjunto de cartas de controle (na realidade são duas cartas: uma para controle da média e outra para controle da dispersão). Logo, sob o ponto de vista prático, as cartas por atributos são mais fáceis de serem manuseadas e apresentam, em geral, um menor custo de medição. Entretanto deve-se considerar, ainda sob o ponto de vista do custo de amostragem, que as por variáveis exigem um menor tamanho de amostra, fato esse que dependendo das características do processo pode ser vantajoso (um exemplo são os processos que exigem medições destrutivas).
Em contrapartida, as cartas por variáveis apresentam muito mais informações dos que as por atributos. Informações específicas sob a média e a variabilidade do processo são obtidas diretamente. Logo, quando é detectada a presença de uma causa especial, muito mais informações se têm para determinação da causa. Além disso, sob o ponto de vista da avaliação da capacidade do processo, as cartas por variáveis também apresentam muito mais informações do que as cartas por atributos.
Entretanto, a principal vantagem das cartas
por variáveis sobre as cartas por atributos é relativa ao
controle do processo em si. As por variáveis permitem que ações
preventivas sejam executadas antes que muitas peças defeituosas
sejam produzidas. Já as por atributos permitem que ações
corretivas sejam executadas após ter sido produzidas uma relativa
quantidade de itens defeituosos. Isto é, as cartas por atributos
supõem uma quantidade de itens defeituosos, enquanto as por variáveis
não necessariamente.
5.2.6.d - Efeito
da normalidade para as cartas de controle de Shewhart
As cartas de controle de Shewart são
estruturadas segundo os princípios que governam a distribuição
normal. Se a distribuição dos dados de um processo não
for normal todas as hipóteses e considerações sobre
as cartas de controle não serão válidas. Logo, para
as cartas de controle por variáveis de Shewhart os efeitos de violação
da suposição da normalidade dos dados deve ser considerado.
Dentre os modelos existentes, as cartas
-R
e
-S são mais robustas
quanto a normalidade. Isto se explica pelo Teorema Central do Limite:
"... a distribuição
da média amostral
,
de uma amostra de tamanho n extraída de uma população
NÃO-NORMAL, com média m
e desvio padrão s
, é aproximadamente normal com média m
e desvio padrão s
/
. " (WERKEMA, 1995, p.
165).
Na prática, subgrupos racionais
de tamanhos da ordem de 4 ou 5 elementos já são suficientes
para garantir que a distribuição amostral de
possa ser aproximada de uma distribuição normal, para efeito
de cálculo dos limites de controle. Isto é, os limites de
controle para as cartas
-R
e
-S são poucos
afetados pela violação de suposição de normalidade
a não ser que a população seja significativamente
diferente da normal. (WERKEMA, 1995, p. 228).
No entanto, a carta X-Am é extremamente
sensível a violação da suposição de
normalidade. Nesse caso a regra do Teorema Central do Limite não
se aplica. Logo, se a distribuição dos dados não forem
normalmente distribuídos a carta X-Am não deve ser aplicada.
Quando isto ocorrer duas alternativas são propostas (WERKEMA, 1995,
p. 248):
Eventualmente se os dados de um processo
não forem autocorrelacionados, outros modelos de cartas de controle,
que não as convencionais de Shewhart, podem ser utilizados. A difusão
desses outros modelos na indústria é bem menor que os modelos
tradicionais. O principal motivo é a dificuldade de se realizar
alguns cálculos adicionais necessários para a correta utilização
dessas cartas. A seguir serão traçados breves comentários
acerca dos principais modelos. Algumas referências bibliográficas
para um maior aprofundamento do tema também serão indicadas.
Cartas de controle para detecção
de pequenas mudanças no processo
As cartas de controle de Shewhart por variáveis
são adequadas para detectar variações na média
da ordem de 2,0s
ou mais. No entanto, se se interessa detectar mudanças menores (1,5s
ou menos), outras cartas de controle podem ser utilizadas desde que o processo
esteja em estado de controle estatístico. Os principais modelos
são:
Carta multivariável – Hotelling
T2 Chart
Esse modelo de carta se aplica quando se interessa controlar vários característicos por variáveis ao mesmo tempo. Uma situação prática seria o exemplo de uma máquina de usinagem multi-fuso. Basicamente, por vários lados da máquina são produzidas peças semelhantes. Se se fosse utilizar as cartas convencionais de Shewhart seria necesário um conjunto de cartas para cada saída da máquina. Com a aplicação da Hotelling T2 chart uma única carta de controle é necessária para controlar mais de um característico de qualidade.
Esse modelo de carta de controle é
adequado, sob o ponto de vista prático, para um número de
até 3 característicos de qualidade. Montgomery também
apresenta um roteiro para aplicação dessas cartas (MONTGOMERY,
1991, p. 322-332).
Cartas de controle para produções
curtas
Algumas vezes o volume de peças
produzidas é relativamente pequeno, não permitindo a adoção
de uma método de controle pelas cartas convencionais. Para esses
casos, as cartas X-R e cartas por atributos foram adaptadas para controle
desses tipos de manufatura. Mais uma vez Montgomery apresenta um breve
roteiro para aplicação dessas cartas (MONTGOMERY, 1991, p.
313 – 317)
Cartas de controle para eventos raros
Essas cartas são especialmente utilizadas quando a taxa de ocorrências de defeitos é muito baixa (WERKEMA, 1998, p. 1.70). O procedimento consiste em se controlar o tempo entre ocorrência sucessivas de defeitos em lugar de se controlar o número de defeitos. Eventualmente pode-se controlar também o número de peças boas entre unidades defeituosas.
Para o controle é utilizado uma
carta para individuais X-Am. Como a variável de interesse "tempo
entre ocorrências sucessivas de defeitos" é, freqüentemente,
regida por uma distribuição exponencial, é necessário
transformá-la em uma variável normal. A transformação
mais usual é:
x = y1/3,6 = y0,277
Realizada a transformação
o roteiro utilizado para a construção da carta X-Am deve
ser seguido.
Demais modelos
Recentemente muitos estudiosos têm
desenvolvido outros modelos de cartas de controle. Tais como os modelos
apresentados anteriormente, esses surgem das restrições provenientes
da aplicação das cartas de controle convencionais. Dentre
as variações existentes destacam-se ainda as cartas controle
de aceitação e as cartas controle com limites modificados.
Vários livros de CEP trazem esses outros modelos específicos.
(MONTGOMERY, 1991, p. 13-364).
5.2.7 – Tamanho e freqüência
de amostragem para cartas de Shewhart
Na prática, o tamanho e freqüência
de amostragem devem ser determinados simultaneamente, pois estes parâmetros
estão diretamente relacionados com a capacidade de se detectar mudanças
no processo.
5.2.7.a - Tamanho
e freqüência para características por variáveis
Para características por variáveis, sempre que possível, deve-se procurar adotar um tamanho de amostra constante, pois amostras de tamanhos variáveis geralmente são mais difíceis de serem controladas, devido a necessidade de cálculo dos limites de controle para cada amostra coletada.
Contudo, para determinação
do tamanho de amostra, podem ser considerados 4 aspectos práticos:
1. Tempo de resposta e capacidade de inspeção
Um primeiro aspecto importante é
a limitação quanto a capacidade dos meios de inspeção
e testes. Quando necessário deve ser realizada uma análise
técnica da capacidade dos meios de inspeção e testes,
considerando:
Quanto maior o tamanho da amostra maior será o tempo necessário para se obter os resultados das observações.
· capacidade
de inspeção e teste: este item refere-se a disponibilidade
(número) dos meios de medição e testes. Quanto menor
a disponibilidade de meios de inspeção e testes menor deve
ser o tamanho da amostra.
- Utilizar limites de atenção
(warning limits): são limites dispostos a 1
ou 2
da linha de centro da carta
de controle e servem como referência para aprimorar a detecção
de estados fora-de-controle.
- Aprimorar a análise de tendência: constitui o conjunto de caminhos não aleatórios possíveis que os pontos podem descrever para um determinado processo.
- Aumentar a freqüência de amostragem
· Produção em pequenos lotes ou produção de lotes rápidos: recomenda-se neste caso utilizar tamanhos de amostra maiores (da ordem de 20 elementos), uma vez que torna-se mais difícil aumentar a capacidade de detecção de mudanças no processo através do aumento na freqüência de amostragem.
3. Custos de inspeção
Um tamanho de amostra adequado é
aquele que determina um amostragem econômica. Quando possível
e necessário deve ser estimados os seguintes custos, para que seja
possível determinar as opções possíveis de
tamanho de amostra:
· custo
de tratamento dos dados: este custo refere-se ao custo de pessoal e provável
parada de produção para tratamento dos dados para posterior
plotagem no recurso estatístico (cálculo de média,
desvio padrão)
Por último devem ser levados em
consideração os erros estatísticos associados ao tamanho
de amostra. Esses erros estão associados a capacidade de detecção
de variações no processo pela carta de controle. Esses erros
podem ser obtidos das curvas características de operação
(CCO). Em geral quanto menor o tamanho da amostra e menor o tamanho da
mudança que se deseja detectar, maior é o erro estatístico
associado. Montgomery apresenta a CCO para uma carta
com
limites de controle 3 sigmas (Mongomery, 1991, p.227).
Figura 43 – Curvas características de operação para a carta de controle X com limites 3s .(MONTGOMERY, 1991, p.227)
Nesta CCO, o fator "k" representa o número
de desvios padrões em que a média pode variar num processo,
enquanto o erro
é o risco
ou probabilidade de não se detectar a mudança igual a ks
unidades na média do processo na primeira amostra retirada após
a ocorrência desta alteração. Como pode ser observado
no gráfico, quanto menor o tamanho de amostra, menor é a
sensibilidade de se detectar pequenas mudanças no processo.
A CCO para a carta R seria:
Figura 44 – Curvas características de operação para a carta de controle R com limites 3s (MONTGOMERY, 1991, p.228)
Onde s o é o desvio atual do processo e s 1 é o desvio após a ocorrência da causa especial.
Enquanto estatisticamente a CCO é adequada para se determinar o tamanho da amostra, a freqüência de amostragem são melhor determinadas pelo uso das curvas ARL – Average Run Lenght (comprimento médio da seqüência).
O ARL (Average run length) reresenta o
número médio de amostras necessário para que seja
detectada uma mudança após a mesma ter ocorrido no processo.
O ARL depende do tamanho de amostra "n" e da dimensão da mudança
"k" que se deseja detectar (número de desvios padrões que
a média pode variar). A figura abaixo apresenta valores aproximados
de ARL para detecção de mudanças "k
"
na média do processo para uma carta X com limites 3s
:
Figura 45 – ARL para a carta X com limites 3s .(MONTGOMERY, 1991, p. 230)
Assim com base no tamanho de amostra e na ordem de grandeza da mudança que se deseja detectar, é possível estabelecer a freqüência de amostragem, que dependerá então das perdas associadas a se operar com o processo fora de controle estatístico.
As cartas ARL também permitem identificar
a eficácia do tamanho de amostra selecionado. Como pode ser visto
para se detectar mudanças moderadas ou grandes na média do
processo (da ordem de 2s
), na carta
, tamanhos
de amostras 4 ou 5 já são suficientes, desde que se deseje
detectar a mudança já na amostra seguinte a mesma ter ocorrido.
Na prática, a maioria das cartas
utilizadas nas industrias utilizam estes tamanhos de amostras, sem que
se tenha noção da ordem de grandeza da mudança no
processo que é possível ser detectada. No entanto, se o objetivo
é detectar mudanças de menor magnitude será necessário
utilizar tamanhos de amostras maiores (n³
15). A dificuldade maior reside no fato que, sob o ponto de vista prático,
nem sempre tamanhos de amostras dessa grandeza são possíveis
de ser obtidos. Logo, a relação entre tamanho e freqüência
de amostragem é de extrema importância para determinação
da capacidade do recurso estatístico em indicar a ocorrência
de mudanças no processo. Em geral, quanto maior o tamanho e freqüência
de amostragem maior é esta capacidade de detecção
de mudanças. Na prática, sob o ponto de vista econômico,
adota-se preferencialmente tamanhos de amostra menores com freqüências
maiores, pois amostras coletadas de forma mais freqüentes permitem
detecção de mudanças mais rapidamente.
5.2.7.b - Tamanho
e freqüência para características por atributos
As cartas por atributos são mais
flexíveis que as por variáveis quanto a utilização
de tamanho de amostras constantes ou não. As cartas p e u são
alternativas que permitem que sejam utilizados tamanhos de amostras variáveis
sem que seja necessário o cálculo dos limites para cada amostra
coletada. Em algumas situações, isto pode facilitar a retirada
de amostras.
Carta p
A carta "p" é regida pela distribuição binomial. Essa distribuição é adequada para caracterizar uma população cujos elementos podem ser classificados como atributos, tais como sucesso ou falha, conformes ou não conformes. Logo, a distribuição binomial é adequada para caracterizar processos cujos característicos de qualidade são expressos pelo percentual de itens não conformes.
As cartas por variáveis são
regidas pela distribuição normal. Portanto, os limites de
controle 3s
são calculados com base nas propriedades dessa distribuição.
As regras para identificação de comportamento não
aleatórios são também estabelecidas com base nas características
dessa distribuição. Logo, para que essas regras sejam também
válidas para a carta "p’’ é importante respeitar o critério
de aproximação normal para a distribuição binomial
(WERKEMA, 1995, p. 248-254). Isto é, as propriedades da distribuição
normal podem ser estendidas para a binomial desde que:
n.p > 5, e
n.(1-p) > 5
onde "p" é o percentual médio
de itens não conformes para o característico de qualidade
em questão.
Assim, o fator que condiciona o estabelecimento do tamanho de amostra para a carta p é a condição de aproximação da normal para a binomial.
Alguns autores têm proposto outros
métodos para determinação do tamanho de amostra. Esses
podem ser seguidos desde que as condições n.p >5 e n.(1-p)
> 5 sejam respeitadas. Uma primeira abordagem é proposta por Montgomery
(MONTGOMERY, 1991, p.160-161). Nessa proposta o tamanho da amostra deve
ser tal que se tenha uma chance de 50% de se detectar uma variação
igual a d .
Logo:
n = (3/d )2 x p(1-p)
Assim, se p for igual a 0,01 e d for igual a 0,04, tem-se um tamanho de amostra "n" igual a 56 unidades. No entanto, como n.p é menor que 5, esse critério não é válido para esse exemplo. Como n é igual a 0,01 o tamanho mínimo da amostra deve ser 500 unidades.
Outro critério semelhante para determinação do tamanho de amostra é também proposto por Montgomery (MONTGOMERY, 1991, p.161).
Quando as cartas de controle são baseadas em inspeção 100% tanto o tamanho quanto a freqüência de amostragem são definidos pela taxa de produção.
A melhor situação é quando o tamanho da amostra "n "é fixo. Na prática isto nem sempre é possível. Logo, a carta "p" para "n" variável pode ser aplicada quando a variação do tamanho da amostra for menor ou igual a 25%. (JURAN, 1986, p.24.20)
O tamanho da amostra também tem
um limite superior. Dependendo do percentual médio de itens não
conformes "p", tamanhos de amostras relativamente grandes podem estreitar
significativamente os limites de controle de forma que o número
de falsos alarmes aumente significativamente. Isto é, podem ocorrer
muitos pontos fora dos limites de controle e se concluir que o processo
está fora do controle estatístico, quando na realidade o
processo está sob estado de controle. Esse fato ocorre devido a
fórmula utilizada para os cálculos dos limites de controle:
LC = p![]()
Assim, se "n" for suficientemente grande os limites de controle poderão ser apertados. Logo, é importante verificar empiricamente essa condição para cada característico de qualidade. Para esses casos Heimann propõe uma forma alternativa de se controlar o processo. O procedimento resume-se em utilizar como alternativa uma carta para individuais. Informações mais detalhadas sobre esse procedimento podem ser encontradas no artigo "Attributes control charts with large sample sizes" (HEIMANN, 1996, p. 451-459)
Para freqüência de amostragem
a regra básica é que as amostras não devem ser muito
espaçadas, pois caso contrário variações no
processo ocorrer sem que sejam detectadas. Esse critério é
empírico e deve ser ajustado para a realidade de cada processo.
Carta c e carta u
A distribuição que rege a carta "c" e a carta "u" é a de Poisson. Essa distribuição é apropriada para caracterizar um processo cujo característico da qualidade de interesse seja a ocorrência de eventos em um intervalo de tempo ou em uma unidade de espaço (comprimento, área ou volume) (WERKEMA, 1995b, p. 259).
Estatisticamente a determinação do tamanho da amostra decorre da utilização do conceito de limites 3s . Esse conceito baseia-se na hipótese da aproximação pela normal. Neste contexto a aproximação seria caracterizada pela simetria da distribuição de Poisson. (MYERS & WALPOLE, 1989, p. 677). Assim, o tamanho da amostra é governado pela simetria da distribuição. Entretanto, para que o limite da simetria seja respeitado é importante que o parâmetro l da distribuição de Poisson seja relativamente grande. Werkema demonstra que quanto maior o tamanho de l mais simétrica é a distribuição (WERKEMA, 1995b, p. 258 - 260). No caso específico da carta "c" o parâmetro l é o número de defeitos encontrados "c". Para valores de l maior ou igual a 5 a distribuição já pode ser considerada simétrica.
Tal como para a carta "p" para a freqüência de amostragem a regra básica é que as amostras não devem ser muito espaçadas. Esse critério deve ser ajustado para a realidade de cada processo.
Tanto para a carta "p", quanto para a "c"
ou "u", alguns softwares estatísticos disponíveis no mercado
já levam em consideração algumas aproximações
estatísticas. Contudo, é importante estar atento para as
considerações realizadas em cada software, com o objetivo
de evitar erros estatísticos grosseiros.
O objetivo principal desse item 5.2 do
presente capítulo foi demonstrar o método de avaliação
da viabilidade estatística de se aplicar cartas de controle. O método
proposto é composto de diversas ferramentas: mapa de processo, formação
de subgrupos racionais, avaliação de sistemas de medição,
cartas de controle, índices de capacidade, entre outras. Logicamente
a metodologia não é rígida e deve ser adaptada à
realidade de cada processo. O item mais importante é o método,
as ferramentas podem ser adicionadas ou não utilizadas, em acordo
com a situação que se estiver analisando. Resumidamente,
sob o ponto de vista estatístico, para que uma carta de controle
possa
ser utilizada como ferramenta de controle é necessário que
os seguintes requisitos sejam atendidos:
5.3 – Gerenciamento de processos:
estabelecimento da rotina
Após realização das etapas anteriores é necessário realizar o gerenciamento da variabilidade do processo com o auxílio das ferramentas estatísticas. O conjunto de atividades de gerenciamento é a prática do controle estatístico de processo propriamente dito. Essas atividades podem ser sistematizadas e definidas como o gerenciamento da rotina através de técnicas estatísticas. Por rotina entende-se o conjunto de atividades padronizadas para garantir o atingimento de uma meta.
Definir as atividades que são necessárias tanto para manutenção quanto para melhoria da variabilidade de um processo é uma etapa essencial. A delegação definitiva do CEP para a fabricação somente deve ocorrer depois que todas as pessoas estejam treinadas nos sistemas de ações corretivas destinados a eliminação e/ou redução das fontes de variação que atuam sobre o processo. A inexistência de um sistema estruturado de investigação, planejamento, execução e acompanhamento de ações corretivas estruturado pode levar um programa de CEP a "bancarrota".
O estabelecimento dessa rotina é
baseado nos tipos de causas que afetam o estado de controle estatístico
de um processo. Conforme já apresentado são estas:
Para o estabelecimento do gerenciamento da rotina é necessário entender das etapas que o compõem, ou seja, o gerenciamento para manter e para melhorar.
Um modelo apropriado para o estabelecimento
da rotina do CEP é o "Método de Gerenciamento de Processos"
(CAMPOS, 1994b, p.195). Esse método é também denominado
ciclo PDCA, isto é, PLAN-DO-CHECK-ACTION ou PLANEJAR-EXECUTAR-VERIFICAR-AGIR.
O ciclo PDCA pode ser observado na figura a seguir:
Figura 46 – Ciclo PDCA
Este ciclo é didaticamente dividido
em 2 métodos de gestão, o SDCA e o PDCA, que na trilogia
Juran corresponderia as etapas de controle e de melhoria da qualidade respectivamente.
Enquanto o SDCA é o gerenciamento para manter o desempenho de um
processo, o PDCA é o gerenciamento para melhorar este desempenho:
Figura 47 – Ciclos SDCA e PDCA no gerenciamento de processos
O controle para manter - SDCA (STANDARD-DO-CHECK-ACTION)
é composto pelas atividades necessárias para atingir as metas
padrão:
" Você pode desejar
entregar um certo relatório sempre no dia 5 do mês seguinte;
ou fabricar um produto sempre com as mesmas dimensões, etc. Estes
tipos de metas são metas para manter...Estas metas para manter podem
ser também chamadas de metas padrão. Teríamos então
qualidade padrão, custo padrão, prazo padrão, etc.
...As metas padrão são atingidas através de operações
padronizadas. Portanto o plano para se atingir a meta é o Procedimento
Operacional Padrão (standard) " (CAMPOS; 1994b; p.194)
Na linguagem do CEP o controle para manter é constituído pelas atividades necessárias para manter o processo dentro dos limites de controle estabelecidos. É o controle dito operacional que constitui-se da detecção, investigação e eliminação das causas especiais do processo.
Já o controle para melhorar – PDCA
é constituído pelas atividades necessárias para atingir
as metas para melhorar.
"Por exemplo: reduzir os
custos em 5% até agosto de 1995; aumentar a produção
em 8% até dezembro de 1994, etc. estes tipos de metas são
metas para melhorar. ... Para se atingir novas metas, ou novos resultados,
devemos modificar a maneira de trabalhar, ou seja, modificar os Procedimentos
Operacionais Padrão." (CAMPOS;1994b;p.196).
O controle para melhorar na linguagem do
CEP são as atividades necessárias para reduzir variabilidade
do processo, que constitui-se da redução das causas comuns
que atuam sobre o processo.
Portanto, para o estabelecimento da rotina
3 etapas são importantes:
A – desenho das etapas, isto é,
da seqüência de atividades do controle para manter e do controle
para melhorar;
B - determinação das responsabilidades
e autoridades por cada etapa;
C - treinamento e capacitação
dos envolvidos na rotina;.
Preliminarmente é importante observar
que cada organização deve adaptar as etapas do controle para
manter e para melhorar, bem como definir as responsabilidades e autoridades
sobre estas etapas em função de sua arquitetura organizacional
(cargos e funções), e da maturidade de suas pessoas (conhecimento
e motivação)
5.3.1 - Determinação
das etapas do controle para manter (SDCA)
A figura abaixo demonstra conceitualmente
a seqüência de atividades do controle para manter:
Figura 48 - Controle para manter (CAMPOS, 1994, p. 197)
Situação 2 - causas especiais
no processo: se causas especiais estiverem atuando sobre o processo os
operadores devem investigá-las e tomar ações de correção
que tiver no seu escopo, isto é, que forem de seu conhecimento.
Neste sentido, Shainin (1992, p. 254) ressalta que:
"O operador deve ter autoridade
para ajustar o processo quando avisado pelo CEP. É bastante comum
em algumas industrias se exigir que o operador peça permissão
a supervisão para atuar no processo. A confiança da gerência
é retribuída com uma quantidade igual de motivação.
Em indústrias de alta tecnologia freqüentemente os operadores
têm que avisar a um técnico especializado sobre a necessidade
de ajustar um processo complexo. E quando ninguém realmente entende
o processo, é muito mais confortável para o gerente ter um
técnico especializado tentando ajustar o processo por adivinhação
do que o operador. A decisão de ajuste do processo e ação
devem ser de responsabilidade do operador e nunca deve ser por adivinhação.
Isto requer mais conhecimento do que o operador possui, logo treinamento
deve ser providenciado."
No entanto, nem sempre os meios estão
disponíveis e a empresa deve providenciá-los. Alguns destes
são:
Se existir um sistema de registro das informações
relativas a investigação das causas especiais e ações
executadas, esse será de extrema valia para execução
do controle para melhorar.
5.3.2 - Determinação
das etapas do controle para melhorar (PDCA)
Observou-se nas empresas visitadas que freqüentemente o controle se restringia ao SDCA. No entanto, o controle para melhorar é fundamental para a continuidade do CEP. A prática deste controle é a garantia de atingimento do maior objetivo do CEP, isto é, da redução da variabilidade do processo. Enquanto as atividades do SDCA são ditas operacionais, estas são denominadas gerenciais, porque geralmente fogem do conhecimento, da autoridade e da responsabilidade daqueles que utilizam as cartas de controle no dia-a-dia. A redução da variabilidade só é possível com a redução das causas comuns, e para que seja possível a eliminação destas algumas vezes é necessário a aplicação de técnicas estatísticas mais complexas, tais como o Planejamento de Experimentos (DOE – Design of Experiments).
O ponto de partida para a investigação das causas comuns que atuam sobre o processo são as informações obtidas durante o gerenciamento para manter. Se algumas causas especiais atuam repetitivamente pode ser que essas sejam comuns ao processo e, obviamente, necessitam de um método mais elaborado para investigação das mesmas.
Paralelamente a isto, a avaliação da capacidade de processos constitui-se uma importante ferramenta para a determinação de prioridades de melhorias. A avaliação fornece informações acerca do nível de variabilidade do processo. A lógica é simples: se a capacidade de um processo está melhorando, então sua variabilidade está sendo reduzida através da eliminação de causas comuns. Esta atividade deve também estar na rotina do CEP, e deve ser executada por pessoal habilitado em técnicas estatísticas de análise. Em outras palavras, a verificação da eficácia da prática do CEP é a "Avaliação Periódica da Capacidade do Processo", e esta deve ser realizada de tempos em tempos.
No entanto para a investigação das causas comuns é necesário a adoção de métodos mais elaborados de análise de problemas, pois essas causas, em geral, não são tão fáceis de serem identificadas. Uma opção é o QC Story (KUME; 1993;p. 201-217). Este método de 8 etapas constitui-se de uma seqüência lógica para solução de problemas crônicos, isto é, problemas em que atuam causas comuns. A utilização deste método em uma das empresas visitadas tem proporcionado a solução de muitos problemas considerados crônicos.
Neste método uma etapa muito importante é a análise, que se constitui na descoberta das causas comuns. Nesta etapa várias técnicas estatísticas de análise podem ser utilizadas, tais como:
Esse capítulo 5 apresentou as diretrizes
gerais para implantação e gerenciamento do CEP. Conforme
proposto, a metodologia constitui-se de um conjunto de diretrizes gerais,
que devem ser analisadas e adaptadas caso-a caso. As fontes utilizadas
para composição do capítulo 5 basicamente foram as
práticas observadas em algumas empresas visitadas e alguns textos
encontrados na literatura especializada. Dessa forma, o texto estruturado
ao longo do presente capítulo encerra o tema proposto dessa dissertação.