QUALIDADE E SERVIÇOS
2.1 Conceito de Qualidade
Os resultados obtidos com a qualidade são obtidos tal qual foram planejados. Por isso, planejar a qualidade, sem dúvida, constitui tema de importância; muitas organizações descobriram isso, ainda que às custas e prejuízos lamentáveis.
O conceito de produtos e processos deficientes se aplica aos vários
níveis de atividade da organização, e a obtenção
de níveis aceitáveis de satisfação do consumidor
pela qualidade de produtos e serviços é elemento fundamental
para o crescimento e a viabilidade econômica do negócio.
Entretanto, a luta pelo crescimento e permanência no mercado exige,
além do planejamento, empenho em servir, e servir bem, a todo e
qualquer cliente, tanto na venda de produto quanto na prestação
de serviço, uma vez que tal diferenciação parece não
mais existir.
"Não há sentido em separar produtos de serviços
quando se planeja a qualidade. A forma de planejar a qualidade de um e
de outro deve ser semelhante" (Cardoso, 1995, p. 6). O embrião do
planejamento da qualidade consiste em avaliar bem o significado da palavra
"qualidade".
Paladini (1994, p. 16) salienta a relevância de saber o que é
qualidade, para que os esforços destinados a obtê-la sejam
corretamente direcionados.
"A definição do termo qualidade tem dependência
direta do âmbito em que ocorre. Possui interpretações
diversas em diferentes empresas, conforme grupos de uma mesma organização,
de acordo com o entendimento de cada indivíduo"(Cardoso, 1995, p.
85).
Uma síntese da literatura que define a qualidade, a justifica
como variável estratégica (Langevin, 1992, p. 13). Não
é surpresa que não haja uma única definição
aceitável para a qualidade, dada a complexidade do conceito. As
definições, propostas por teóricos de renome, podem
ou não incluir algum tipo de referência ao interesse do consumidor:
Deming: "a produção eficiente da qualidade na expectativa do mercado";
Juran: "adaptação ao uso" e "desempenho do produto, livre de defeitos";
Crosby: "conformidade com as especificações".
Definições mais recentes enfocam a completa satisfação do consumidor com o produto ou serviço final:
Feigebaum: "a composição total das características de produto e serviço de marketing, engenharia, manufatura e manutenção, na qual o produto e o serviço utilizados encontram as expectativas do consumidor".
Harrington: "satisfazer ou exceder as expectativas do consumidor, por um custo que represente valor para ele".
Paladini: "a qualidade, corretamente definida, é aquela que prioriza
o consumidor".
Na ótica de Paladini (1994, p. 16), apesar da variedade muito ampla de definições para a palavra qualidade, esta deve ser orientada para seu alvo específico: o consumidor.
Assim, nota-se que a qualidade é tão entrelaçada
em serviços como o é produzido. A maneira como o consumidor
os utiliza é tão importante, que literalmente não
sabemos o que foi criado, até conhecermos a qualidade dos resultados
finais.
À medida que um país se industrializa, vai crescendo a
força de trabalho em atividades de serviços, tornando-se
maior que a soma daquela empregada em agricultura e indústria, conjuntamente.
Nos Estados Unidos, essa mudança se deu provavelmente a partir de
meados da década de 50. No Brasil, agricultura e indústria
somadas ainda suplantam os serviços em percentagem da mão-de-obra
empregada.
No entanto, os serviços são hoje, em nosso país, responsáveis por mais de 50% do PIB. Ademais, hoje, o sucesso de "produtos" depende em grande parte do mix e da qualidade do composto de serviços oferecidos. A preocupação básica de produtos e serviços é compatibilizar a fabricação com a satisfação da necessidade e desejos dos consumidores (Cobra, 1992, p.373).
"As ‘indústrias de serviço’ incluem transporte, comunicações,
serviços financeiros, comércio atacadista e varejista, a
maioria dos serviços de utilidade pública, serviços
profissionais: jurídicos, de consultoria e contábeis, de
entretenimento, de atendimento a saúde, de sistemas de entrega,
e assim por diante, no setor privado; serviços socio-governamentais
no setor público. ‘Atividades de serviço’ incluem as de armazenamento,
de comercialização, de vendas, de pesquisa de mercado, de
distribuição, de reparos e atividades tecnológicas,
que podem ser realizadas dentro de uma firma integrada, manufatura ou serviço;
ou por uma firma separada, como uma empresa de pesquisa de mercado ou contábil.
O elemento comum entre todas essas atividades e as indústrias é
a predominância da administração do intelecto, em vez
da administração de coisas físicas, na criação
do valor adicionado. Na verdade, as linhas divisórias entre essas
duas coisas estão sendo rapidamente apagadas" (Quinn, 1996, p. 6).
Outro aspecto importante é que os níveis de qualificação
exigidos nos serviços são muito variados. Dedicam-se a serviços
desde pessoas de muito baixa qualificação, executando tarefas
simples e de pouca exigência técnica, como os serviços
de limpeza, entrega e outros, até profissionais altamente qualificados,
que processam dados complexos, tomam decisões, relacionam-se com
pessoas de alto nível, precisam ser muito criativas e/ou apresentar
excelente nível de formação científica.
Proporcionar qualidade total em serviços é uma satisfação
na qual uma organização fornece qualidade e serviços
superiores a seus clientes, proprietários e funcionários.
Serviços diz respeito a sentimento (Albrecht, 1995, p. 86).
Portanto, o que se percebe com esta definição é
que não se limita apenas aos clientes externos. A qualidade total
em serviços engloba, além dos clientes externos, todos os
que com ela interagem, ou seja, funcionários e administradores.
A razão disso é que os serviços, sendo atos, desempenho,
ação,
pressupõem que cada pessoa próxima ao indivíduo é
considerada um cliente. Em decorrência, uma empresa deve satisfazer
necessidades, resolver problemas e fornecer benefícios a todos que
com ela interagem, e isto significa considerar clientes, proprietários,
como também todas as demais entidades de um mercado.
Uma característica significativa da Era dos Serviços é
que as pessoas, nas empresas, cada vez mais precisam conviver com situações
ambíguas ou paradoxais, em que certos aspectos parecem conflitar
uns com os outros, sendo ambos, no entanto, necessários.
A causa básica dessa grande transformação econômica
é a emergência do intelecto e da tecnologia, sobretudo em
serviços, como bem altamente alavancáveis (Quinn, 1996, p.4).
Isso produz grande confusão. Os dirigentes e gerentes estão
habituados, na realidade, a um enfoque mais cartesiano e mais prático
nas situações que enfrentam: O que temos aprendido até
agora, nas empresas, é que a tal e qual problema corresponde tal
e qual solução; assim, quando um paradoxo aparece, não
existe experiência anterior que permita enfrentá-lo como problema.
Além disso, os gerentes estão acostumados a definir algumas
coisas como sendo certas e, portanto, seus opostos como sendo errados,
enquanto que um paradoxo significa que algo não é completamente
certo, nem seu oposto completamente errado, ou ambas as coisas.
Em muitos países industrializados, a indústria de serviços
é a maior de todas, empregando até dois terços da
população.
Por isso, é muito importante que se tenham algumas definições
de autores renomados a respeito de serviço:
Juran (Apud Cardoso, 1995, p. 56) afirma que um produto é o resultado de qualquer processo. Os economistas definem "produtos" como sendo bens e serviços, ou seja, a palavra produto é termo genérico para qualquer coisa que se produza, seja bem ou serviço. Além disso, bem é algo físico, enquanto serviço é trabalho feito para outro, o que significa dizer que produto inclui tanto o bem quanto o serviço.
Para Cobra (apud Velho, 1995, p.5), serviço é comercializável
isoladamente; produto intangível que não se pega, não
se cheira, não se apalpa, não se experimenta antes da compra,
mas permite satisfação de desejos e necessidades dos clientes.
Kotler (apud Cardoso, 1995, p. 57) diz que serviço é qualquer
ato essencialmente intangível que uma parte pode oferecer à
outra, cuja execução pode estar ou não ligada a produto
físico.
"Um produto físico pode ser claramente descrito em termos de
seus atributos, se não de suas funções: tamanho, partes,
materiais e assim por diante. Um serviço não pode ser facilmente
especificado nem realmente demonstrado antes da compra" (Normann, 1993,
p. 67).
A qualidade do serviço do ponto de vista do cliente, pode ser
definida como o grau até o qual um serviço satisfaz as exigências,
os desejos e as expectativas do seu recebedor. Um cliente percebe a qualidade
como sendo superior ou inferior, dependendo da sua experiência. Isto
não tem, necessariamente, relação alguma com aquilo
que dizem os peritos.
Assim, a qualidade de um dado serviço somente é melhor
quando o cliente sente que o serviço é melhor, a despeito
daquilo que a gerência da organização de serviços,
e outras autoridades percebem como aperfeiçoamento objetivos e factuais.
Toda organização de serviços deve se assegurar
de que a qualidade dos seus serviços satisfaça constantemente
as exigências daqueles segmentos de mercado para os quais ela decidiu
dirigir seus esforços.
A crescente insatisfação entre os clientes que não
reclamam representa uma ameaça a qualquer organização
de serviços, por isso, toda organização de serviços
deve monitorar a satisfação dos clientes, através
de pesquisas de mercado regulares. A disponibilidade do serviço
tornou-se critério chave na decisão de compra (Lovelock,
1995, p. 37).
Há diferentes tipos de serviços a serem comercializados.
Um consultor de empresas, por exemplo, quando comercializa seus serviços,
tem como enfoque seu conhecimento. Ele pode usar componente materiais de
comercialização como relatórios, propostas, ou outro
qualquer. No entanto, o que ele comercializa realmente é seu conhecimento.
É como um advogado, um professor ou algum profissional liberal.
O objeto de comercialização principal destes profissionais
é intangível. Apesar de ser muito mais confortável
lidar com o concreto e o tangível do que com o abstrato e o intangível,
a criação de valor da economia atual está crescendo
relacionada aos intangíveis (Normann, 1993, p.27).
Exemplificam os restaurantes. O cliente ficará exposto a uma
combinação de prestação de serviços
de atendimento (intangível) e de refeições (tangível).
Não adianta servir apenas boa comida ou apenas dar bom atendimento.
Os dois devem ser considerados sempre nestas interações.
Além desta categoria, há serviços que são
consumidos junto com bens; neste caso, o objeto de comercialização
inclui ambos, produtos tangíveis e intangíveis.
Fica absolutamente claro que todas as organizações estão
no ramo de serviços. O que as diferencia é somente a proporção
de tangíveis e intangíveis envolvidos na experiência
do cliente (Albrecht, 1995, p. 61).
Ao considerarmos o setor de prestação de serviços
como um todo, percebe-se que o objeto de comercialização
é uma combinação de tangíveis e intangíveis
que variam de proporcionalidade. Segundo Berry & Parasuraman (1992
p.21), os objetos finais de comercialização quanto a seus
componentes tangíveis podem ser vistos da forma a seguir (Figura
2-1).
Figura 2-1: O espectro mercadorias-serviço
Fonte: BERRY, Leonard L, PARASURAMAN, A . Serviço do marketing. Competindo através da qualidade. São Paulo: Maltese-Norma, 1992. p.22.
Serviços de qualidade tornaram-se imprescindíveis na decisão
de compra (Horovitz, 1993, p. 33). Conforme se percebe na Figura 2-1, há
mercadorias e serviços relativamente puros nos dois extremos do
quadro. No centro há uma combinação mais equilibrada
entre mercadorias e serviços. O autor procurou exemplificar cada
uma das categorias com setores específicos.
Esta divisão em diferentes tipos de serviços serve principalmente
para sugerir diferenças no tratamento mercadológico de cada
uma das categorias. Las Casas (1991, p.22) procurou identificar os produtos
e serviços que possuem graus de tangibilidade diferenciados. O resultado
está na Figura seguinte, onde aparecem os produtos com componentes
predominantemente tangíveis acima da linha divisória e os
componentes predominantemente intangíveis abaixo da linha divisória,
incluindo-se diferentes níveis de combinação entre
tangíveis e intangíveis. Quanto mais intangível for
o componente comercializado, um maior afastamento do marketing tradicional
de massa será recomendado para a abordagem do serviço.
Figura 2-2: Escala das entidades de marketing.
Fonte: LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Marketing de serviços. São Paulo: Atlas, 1991. p. 22.
Assim, conforme a Figura 2.2, o marketing de cadeias de lanchonetes
estará muito próximo ao de produtos. Mc’Donald’s, por exemplo,
utiliza marketing de massa usando intensamente TV, jornais, revistas, promoção
de vendas, merchandising etc. À medida que aumenta o componente
intangível no objeto de comercialização afasta-se
do marketing considerado como tradicional. É o caso de consultoria
e de ensino, as atividades localizadas no extremo, conforme a escala das
entidades. Uma empresa de consultoria conduzirá o marketing de forma
diferente que uma lanchonete ou de outras empresas do tipo localizado próximo
à linha divisória de dominância tangível/intangível.
Neste caso serão usadas outras ferramentas, como publicidade, propaganda
indireta, treinamento etc.
Os dois gráficos apresentados procuram mostrar a necessidade
de tratamento diferenciado para os diferentes níveis de serviços.
Esta é sem dúvida uma importante consideração,
pois orienta quais ferramentas mercadológicas deverão ser
as mais usadas.
No entanto, convém observar que, independentemente do posicionamento
na escala de serviço comercializado, todos devem receber um tratamento
mercadológico que considere as principais características
dos serviços.
2.4 Características dos Serviços
A alteração do perfil de atendimento da empresa pode determinar
alteração na formulação de seu modelo de qualidade.
De certa forma, a participação do consumidor no processo
produtivo no caso de métodos e serviços é uma vantagem
em termos de qualidade se o processo for flexível para contemplar
alterações constantes. Isto, sem dúvida, facilita
a adequação ao uso.
Cobra (1986, p.6-7) define seis características da prestação de serviços:
1 - Os serviços são mais intangíveis do que tangíveis: produto é objeto; serviço é o resultado de desempenho. Quando o serviço é vendido, não há nada mostrado que seja tangível. Os serviços são consumidos mas não podem ser possuídos.
2 - Os serviços são simultaneamente produzidos e consumidos: os serviços são usualmente vendidos, depois produzidos e consumidos ao mesmo tempo: ao dar aula, o professor produz o serviço educacional que o estudante vai consumindo.
3 - Os serviços são menos padronizados e uniformes: mesmo que os serviços sejam baseados em pessoas e equipamentos, o componente humano prevalece.
4 - Os serviços não podem ser estocados: uma vez produzido, o serviço deve ser consumido; não é estocado para venda e consumo futuro.
5 - Geralmente não podem ser protegidos por patentes: os serviços são facilmente copiados, razão pela qual é interessante que desfrutem de boa imagem de marca.
6 - É difícil estabelecer o preço: os custos de produção dos serviços variam em virtude de serem apoiados em trabalho humano estipulado subjetivamente.
Parasuraman (apud Velho, 1995, p.7) ainda acrescenta outra característica,
a heterogeneidade do serviço, que resulta no alto grau de variabilidade,
decorrente da ligação do fornecedor, bem como do cliente,
ao local e tempo, ou seja, o serviço depende de quem, quando, onde
e como é provido.
Supondo-se que o objetivo das organizações é satisfazer
seus clientes, qualidade pode ser expressa como uma venda medida do grau
em que algo ou uma experiência satisfaz uma necessidade, resolve
um problema, ou adiciona valor para alguém (Albrecht, 1995, p. 69).
Note-se, ainda, que serviços e métodos não podem
ser gerados de forma centralizada, o que dificulta o controle em termos
de unicidade e coerência. Também não há como
inspecioná-los previamente, já que são consumidos
ao tempo em que são produzidos. Não há como ter amostras
do serviço, o que permitiria a prévia aprovação
de sua execução. No caso de métodos, até podem-se
obter amostras, mas elas dificilmente reproduzirão as facilidades
que o método possui, quando totalmente executado.
De forma geral, assim, observa-se que o conceito da qualidade nos serviços
e métodos não altera substancialmente: a meta prioritária
é a plena satisfação do consumidor em ambos os casos;
o que mudam são as características da qualidade, tanto em
termos de processos produtivos quanto em termos de suporte e interação
com os clientes.
A prestação de bons serviços nunca é acidental. Empresas que atendem bem o consumidor fazem disso prioridade em todos os níveis da organização e criam valores e estratégias constantes.
Para uma empresa manter a prestação de serviços
com qualidade, é necessário que haja certa padronização.
Caso contrário, dificilmente irá projetar uma imagem coerente.
No entanto, necessita-se de padronização de desempenho nas
heterogeneidades de interações devido às diferenças
das expectativas dos clientes.
A simultaneidade dos serviços nos diz que produção e consumo ocorrem ao mesmo tempo e, sendo assim, será necessário sempre considerar o momento de contato com a clientela como fator principal de qualquer esforço mercadológico.
A revista Exame (1992, p. 67-68) publicou um artigo que mostra
o que algumas empresas estão fazendo quanto à qualidade.
Uma destas empresas é a American Express. Conforme citado no artigo
um dia o telefone tocou em uma das salas da empresa e não havia
ninguém para atender.
Uma secretária de outro departamento próximo levantou-se
e foi atender ao chamado. Era um consumidor que reclamava que o Hospital
Albert Einstein estava exigindo um depósito de 1.500 dólares
por dia par internar um amigo francês que teve uma crise hepática.
Ele sabia que o amigo era associado do American Express (AMEX) e resolveu
cuidar pessoalmente do caso. Solicitou uma carta-autorização
do vice-presidente da AMEX e levou-a ao hospital. A carta responsabilizava
a empresa pelas despesas do paciente. Não foi tudo. Após
este atendimento ela se prontificou a acompanhar pessoalmente o atendimento
procurando saber como estava o paciente e a evolução do tratamento.
Esta atitude foi premiada pela empresa em concurso interno que estimula
procedimentos desta natureza.
No American Express, a satisfação do cliente passou a
ser um fator determinante na avaliação de seus funcionários.
O programa premia e considera permanentemente o desempenho dos seus colaboradores.
O que as empresas brasileiras estão fazendo em busca da excelência
está na Figura 2-3.
Há iniciativas por parte de algumas empresas em atender bem o
consumidor prestando serviços de qualidade por meio de ações,
atos e desempenho. No momento que consideramos serviços como atos,
fica claro definir e diferenciar o objeto de transação. Portanto,
no marketing de serviços estamos principalmente preocupados em comercializar
atos, ações, desempenho. O enfoque é naquela parte
intangível que acompanha ou não algum bem, igualmente objeto
de transação comercial.
|
AMERICAN EXPRESS A satisfação do cliente passou a ser um fator determinante na avaliação de seus funcionários e serve de base para promoções e recebimento de gratificações. Seguindo orientação da matriz, lançou o "American Express Quality Leadership", versão interna dos programas de Qualidade Total, envolvendo todos os funcionários. CAESAR PARK Desde 1986, o hotel mantém em funcionamento Círculos de
Controle de Qualidade, que reúnem empregados de todas as sua áreas.
Os CCQ’s são responsáveis pela apresentação
de sugestões para a racionalização de custos e melhorias
no atendimento aos hóspedes.
DU PONT Investiu 5 milhões de dólares na instalação
do Centro Técnico de Cliente, localizado em Paulina, no interior
de São Paulo. Ali, clientes de um de seus produtos, o Teflon, usado
no revestimento de panelas e instalações industriais, têm
esclarecidas dúvidas sobre a aplicação do produto.
O serviço é gratuito e os casos mais simples são resolvidos
em 48 horas. Antigamente, problemas semelhantes tinham de ser remetidos
a outros centro da Du Pont, no exterior, e a solução demorava
de 15 a 30 dias.
TVA Todos os diretores têm como tarefa telefonar diariamente para 10 assinantes. O resultado das conversas é transmitido em relatórios de três linhas ao superintendente da empresa, que também tem a mesma obrigação. UNION CARBIDE Criou os Business Teams, equipes formadas por seis gerentes, encarregadas
da prestação de serviços aos clientes. Em parceria
com eles, o Business Team tem desenvolvido novos materiais e aplicações
para os seus produtos.
NOVOTEL Introduziu a figura do "cliente fantasma", individualmente, 24 entre
os clientes mais assíduos fazem uma auditoria nos serviços
de cada um dos 12 hotéis da rede. Eles se hospedam normalmente e
ao final da estada respondem a um questionário de 45 itens. São
consideradas como qualidade na reserva e na recepção, limpeza
das instalações, serviços de quarto e dos restaurantes,
entre outros.
OLVEBRA O presidente da Empresa, Richard Tse, visita pessoalmente supermercados para conversar com os consumidores. ROSSI RESIDENCIAL Ao comprar um apartamento, o cliente recebe por carta o nome e o número de um supervisor, que ficará encarregado de solucionar todos os problemas - do eventual atraso nas prestações à cor dos azulejos do banheiro. Mensalmente, a construtora envia ao cliente um relatório do andamento
da obra, acompanhado de fotografias.
TAM A empresa estende um tapete vermelho diante da escada de embarque de
seus aviões. Em São Paulo, quem costuma recepcionar os passageiros
é o presidente da TAM, comandante Rolim Amaro.
LOCALIZA Uma vez por mês, os diretores dão expediente no atendimento
de uma das 195 lojas da locadora.
Mc’Donald’s Mantém dois centros de treinamento, um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo, por onde passam obrigatoriamente todos os funcionários. Anualmente, 15 deles são enviados à Universidade do Hambúrguer, em Chicago, onde participam de cursos de motivação e satisfação do cliente. |
Figura 2-3: Experiências na prestação de Serviços
Fonte: Revista Exame, 16 set 1992, ano 24, nº
19, p. 66-67.
O produto final de um serviço é sempre um sentimento.
Os clientes ficam satisfeitos ou não conforme suas expectativas.
Portanto, a qualidade do serviço é variável de acordo
com o tipo de pessoa.
Qualidade em serviços, é capacidade que uma experiência ou qualquer outro fator tenha para satisfazer uma necessidade, resolver problema ou fornecer benefícios a alguém (Albrecht, 1992, p. 32).
É importante observar que os serviços possuem dois componentes
de qualidade que devem ser considerados: o serviço propriamente
dito e a forma com é percebido pelo cliente.
No setor industrial, um fabricante de peças de automóveis
pode desenvolver um sistema de fabricação que assegura a
qualidade de seu produto a um custo reduzido. As peças são
devidamente torneadas e a equipe que as manipula recebe o devido treinamento.
O resultado deste esforço é uma peça de boa qualidade,
caso contrário o produto não terá uma imagem compatível.
Portanto, quando consideramos a qualidade em serviços, dois componentes
devem ser avaliados: a qualidade de serviços propriamente dita e
a forma como o cliente a percebe.
2.5 Qualidade Pessoal e Qualidade de Serviço
A pessoa que presta serviço é quem determina, em grande
parte, a maneira pela qual o recebedor o percebe. As vezes, um item físico,
que pode ser entregue, é muito mais importante para o cliente do
que qualquer coisa que o acompanhe. Outras vezes, não há
o que entregar, ou que é entregue representa muito menos. De qualquer
forma, o que vale é a percepção total de valor por
parte do cliente (Albrecht, 1995b, p. 128)
O comportamento individual do provedor, em uma situação
de serviço, é determinado pelo seu nível atual de
desempenho naquele momento. É por isso que existe uma conexão
direta entre a expectativa do cliente, sobre um determinado serviço,
e a qualidade pessoal do provedor deste serviço.
O desenvolvimento da qualidade pessoal do provedor do serviço
irá elevar a qualidade daquele serviço.
Os clientes experimentam os serviços em situações
de "linha de frente", isto é, através de contatos diretos
com os provedores, os quais dão forma à imagem dos serviços
da organização.
A tarefa mais importante de qualquer organização de serviços
é capacitar o provedor individual a atuar de forma ótima
em todas as situações de serviços. É por isso
que a gerência precisa trabalhar com os fatores que podem influenciar
o nível de desempenho atual dos seus funcionários.
Toda organização de serviços deve considerar seus
provedores de serviços como embaixadores de boa vontade da empresa.
Eles devem ser o alvo principal da atenção e do serviço
interno.
Quando os provedores de serviços se sentem bem tratados, eles
tratam melhor os recebedores dos seus serviços.
Tudo o que se precisa fazer, segundo Clauss Möller (1992, p. 97)
quando se deseja que o cliente/recebedor do serviço sinta-se bem
e perceba seu serviço como sendo positivo e brilhante é:
Os programas também mostram como a gerência pode manter-se
em contato com as exigências de serviços dos clientes e, ao
mesmo tempo, motivar os funcionários a satisfazer essas exigências
e demonstrar um elevado nível de qualidade pessoal.
A qualidade da empresa é desenvolvida dirigindo-se os esforços
para duas áreas principais. Em primeiro lugar, a empresa pode procurar
melhorar a qualidade do seu pessoal, seus departamentos, produtos e serviços,
uma vez que tanto a imagem como a posição de mercado são,
em grande parte, determinadas pela percepção dos clientes
a respeito da qualidade nessas quatro áreas.
Em segundo lugar, a empresa pode trabalhar para introduzir uma "cultura
de qualidade", a qual influencia toda a organização.
Segundo Clauss Möller (1992,p.37), existem 17 indicadores de uma
empresa de qualidade:
A qualidade é levada a sério. O desenvolvimento da qualidade
faz parte da vida da empresa tanto quanto orçamentos e contas.
II - Participação da gerência no processo de qualidade.
A gerência participa de forma visível do processo de desenvolvimento
da qualidade. Ela se esforça para cumprir o programa de altos padrões
para eficiência e relações humanas.
III - Clientes/usuários satisfeitos
Os clientes, usuários e recebedores de serviços estão
satisfeitos com os produtos e serviços da empresa. Eles permanecem
leais a ela.
IV - Funcionários comprometidos
Os funcionários prosperam e são comprometidos. O giro
de pessoal e o absenteísmo estão muito abaixo da média
para a indústria.
V - Desenvolvimento da qualidade a longo prazo
A empresa investe mais no desenvolvimento da qualidade a longo prazo
do que em reduções de custos e lucros a curto prazo.
VI - Metas de qualidade claramente definidas
As metas de qualidade estão claramente definidas para todas as
áreas. Os padrões são elevados. Os resultados são
constantemente monitorados e divulgados.
VII - O desempenho de qualidade é premiado
O desempenho de qualidade é premiado de forma visível
e é um pré-requisito para promoções.
VIII - O controle de qualidade é percebido de forma positiva
O controle de qualidade não é percebido como sinal de
desconfiança, mas sim como um meio para desenvolver e manter a qualidade.
Os desvios em relação às metas de qualidade combinadas
não são aceitáveis. Eles exigem explicações
e conduzem a ações corretivas, tais como mudanças
no desempenho ou nas metas.
IX - A pessoa seguinte no processo produtivo é um cliente valioso
Dentro da empresa, a pessoa seguinte no processo produtivo é
vista como um cliente valioso. Nenhum membro da cadeia deve sofrer devido
a erros cometidos por outros. Todos se comprometem a agir como fornecedores
de produtos de qualidade aos seus clientes.
X - Investimentos em treinamento e desenvolvimento de pessoal
Os funcionários são o recurso mais importante da empresa.
Ela investe no treinamento e desenvolvimento de todo o pessoal.
XI - Prevenção/redução de erros
Investimentos consideráveis são feitos para evitar os
erros. A empresa faz distinção entre os erros aceitáveis
e inaceitáveis. Erros aceitáveis são erros criativos.
Eles estimulam o desenvolvimento, testam novos conhecimentos e são
de experimentação. Erros inaceitáveis são erros
"por descuido". Eles são desnecessários, dispendiosos e prejudiciais.
XII - Nível de decisão adequado
O nível de tomada de decisão não está localizado
mais alto que o necessário na organização. Decisões
informadas são tomadas no nível em que as exigências
de qualidade possam ser satisfeitas.
XIII - Caminho direto até os usuários finais.
Os produtos e serviços são produzidos e passados aos usuários
finais pelo método mais direto e eficaz à disposição.
XIV - Ênfase tanto na qualidade técnica como na humana.
A empresa enfatiza tanto a qualidade técnica como a humana.
XV - Ações da empresa dirigidas às necessidades dos clientes
A satisfação das necessidades dos clientes ou usuários
finais se reflete em todas as ações da empresa. As medições
da qualidade têm lugar não só dentro da empresa, mas
também junto aos clientes.
XVI - Análise de valor permanente
Análise de valor permanentes são conduzidas, para verificar se as coisas estão sendo feitas, e ver se os resultados valem o esforço despendido. Os trabalhos que não criem "valor" são abandonados.
XVII - Reconhecimento, pela empresa, do seu papel na sociedade
A empresa reconhece sua responsabilidade global e assume seu papel ao contribuir para a sociedade.
Um programa para o desenvolvimento da qualidade, em uma empresa ou organização,
é projetado conjuntamente pelos responsáveis pelas decisões
na empresa e por especialistas em qualidade.
Este capítulo apresentou duplo foco: Qualidade e serviços.
Na verdade, quando se pensa em uma empresa prestadora de serviço
que atue com vanguarda no mercado, o termo qualidade já está
implícito. Não existe prestação de serviço,
que dure num mercado competitivo, sem que seja prestado com qualidade.
Os exemplos desta situação foram mostrados, quando apresentados
os exemplos de empresas do porte da American Express, Du Pont, Union Carbide,
entre outras. Elas vivem para atender, satisfazer e superar as expectativas
dos seus clientes. A Mc’Donald’s chegou até a fundar uma Universidade:
A Universidade do Hambúrguer, em Chicago, para onde são enviados
os futuros franqueados, para participarem de cursos de motivação
e satisfação do cliente.
Todas essas empresas tem um produto a oferecer. Mas, conforme o espectro
de mercadorias-serviço de Berry & Parasuraman (Figura 2-1),
não existe mercadoria pura. Também não há serviço
puro. Há sempre uma parte tangível e uma intangível
em cada situação. Assim, o serviço é o produto
e o produto é o serviço.
Essa fusão, leva a pensarmos numa abordagem centrada no valor
para o cliente. Isso, impede que os executivos façam distinções
arbitrárias com "produto", "qualidade" e "serviço". Eles
começam a compreender que a questão é o valor superior
oferecido ao cliente, que sua função é ajudar as pessoas
da organização a criar e oferecer este valor, premissa mais
alta da eficácia organizacional (Albrecht, 1995b, p. 127).
Como numa prestação de serviços nem sempre se consegue
obter a qualidade desejada, estudou-se uma maneira de se obter um monitoramento
de algumas atividades durante a execução dos serviços.
Assim, com o estudo das ferramentas e técnicas para a solução de problemas no Capítulo a seguir, busca-se obter uma melhoria do processo, fazendo-se uma sinergia da prestação de serviço baseada no comportamento e no atendimento das pessoas (intangível - percepção do cliente), com a baseado em fatos, dados e métodos (tangível - causas).