2 ENSINO A DISTÂNCIA

 

2.1 Conceituação: o que se entende por ensino a distância?

A evolução da tecnologia vem provocando uma revolução no ensino, e conseqüentemente no conhecimento. O acesso à Internet e a disseminação do uso da computador está possibilitando mudar a forma de produzir, armazenar e disseminar a informação. As fontes de pesquisa aberta aos alunos pela Internet, as bibliotecas digitais em substituição às publicações impressas e os cursos a distância vêm crescendo gradativamente. Diante disso, escolas e universidades estão iniciando o processo de repensar suas funções de ensino-aprendizagem.

Este capítulo pretende tratar dos fundamentos e definições de ensino a distância historicamente. Vários são os autores que já definiram conceitualmente o ensino a distância. Segundo Nunes (1992), a abordagem conceitual para ensino a distância já sofreu várias transformações e os estudos mais recentes apontam para uma conceituação do que é educação a distância: Perry & Rumble (1987) afirmam que "a característica básica da educação a distância é o estabelecimento de uma comunicação de dupla via, na medida em que professor e aluno não se encontram juntos na mesma sala". Dohmem (1967) diz que a "Educação a distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de auto-estudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, e onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso são levados a cabo por um grupo de professores". Peters (1973) coloca: "Educação/ensino a distância (Fernunterricht) é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, pelo uso extensivo de meios de comunicação (...) É uma forma industrializada de ensinar e aprender". Moore (1973) aborda o ensino a distância como "a família de métodos instrucionais onde as ações dos professores são executadas a partir das ações dos alunos". Holmberg (1977) diz que "o termo educação a distância esconde-se sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local". Keegan (1991) afirma que o termo inclui um conjunto de estratégias educativas referenciadas por: educação por correspondência, utilizada no Reino Unido; estudo em casa (home study), na Austrália; ensino a distância, na Open University do Reino Unido. A Tabela 1 mostra as várias definições que o ensino a distância sofreu nessas últimas décadas:

Tabela 1: Definições de Ensino a distância
 
AUTOR CONCEITO ANO
G. Dohmem auto-estudo 1967
O. Peters ensino industrializado 1973
M. Moore métodos instrucionais 1973
B. Holmberg várias formas de estudo 1977
W. Perry e G. Rumble Comunicação de dupla-via 1987
D. Keegan separação física  1991
Fonte: Baseados nos estudos de Keegan

De acordo com a , Keegan (1991), enumera os elementos fundamentais nesses conceitos abordados sobre ensino a distância:

"separação física entre professor e aluno, que o distingue do presencial; influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto, organização dirigida, etc.) que a diferencia da educação individual; utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos; previsão de uma comunicação-diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via; possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização; e participação de uma forma industrializada de educação". Essas variáveis que distinguem o ensino a distância do ensino presencial tem fortalecido principalmente a questão de uma comunicação-diálogo, onde no ensino presencial parece existir com muita ênfase. No ensino a distância as pessoas se manifestam mais, sem medo de errar e sem medo de estarem se expondo aos demais colegas, e isto determina concretamente a possibilidade de atuação do ensino a distância.

Com o desenvolvimento tecnológico, os processos de capacitação estão se tornando cada vez mais eficazes, pois apresentam uma linguagem interativa e processos de multimídia, com equipamentos cada vez mais rápidos, com maior confiabilidade e capacidade de processamento, e também a modalidade de ensino a distância pode caracterizar uma forma de atuação para a tomada de decisões independentes e para o acesso às informações sistematizadas, além de desempenhar um papel de aperfeiçoamento de conhecimentos específicos até a formação profissional.

Keegan (1991) também afirma que é possível prover um programa educativo completo tanto para crianças como para adultos. No caso de crianças e adolescentes, o programa deve prever meios de estímulo social e motivação individual e que sejam realizados por orientadores de aprendizagem capazes de estimular e coordenar atividades ligadas à realidade concreta desse tipo de clientela.

A informação na educação a distância pode ser organizada de maneira crítica e construtiva, na medida em que a informação seja transformada em conhecimento, construindo e fortalecendo uma mentalidade crítica e criativa no público-alvo, como também possibilitar aos profissionais os conhecimentos sobre os avanços nas suas áreas específicas.

Neste contexto, Nunes (1994) diz que

"A dinâmica própria das transformações tecnológicas atuais, que devem ser incorporadas rapidamente pelas empresas produtivas e do setor de serviços, bem como a sofisticação e o requerimento de agilidade no trato de informações, como também a necessária qualificação para o trato de um mercado consumidor mais exigente, fará com que grandes empresas e conglomerados sejam forçados a adotar procedimentos de formação, qualificação e capacitação de pessoal, que atendam a requisitos de celeridade e custo, que somente a educação a distância poderá realizar".

Nesse contexto, muitas empresas já descobriram as vantagens do treinamento a distância para a capacitação e atualização dos funcionários. Além de atingir um enorme contingente de pessoas em localidades diferentes, apresenta flexilbilidade, melhora a qualidade da aprendizagem e diminui os custos da educação, pois os funcionários teriam que se deslocar da empresa até o local do curso, acarretando com isso despesas de viagem e manutenção, além do que, se um funcionário permanecesse por um longo período fora da empresa, quando ele voltasse, a empresa poderia estar vivenciando um outro ambiente de produção, pois é grande a velocidade com que a revolução tecnológica se incorporou no cotidiano das pessoas.

Quanto à educação, que sempre pretendeu atender a todos; o ensino a distância parece ser uma excelente alternativa, pois tem a capacidade de atender um grande número de pessoas que estão dispersas geograficamente e atende aos anseios do sistema educacional convencional, pois é possível desenvolver no ensino a distância um nível de consciência capaz de dar possibilidades de refletir e transformar a sociedade.

A educação a distância proporciona não só a capacitação e atualização de professores e funcionários de empresas, como também de grupos não governamentais com cursos abordados sob a ótica da saúde, ecologia, etc.; para a organização e a integração social.

Quanto ao serviço público, percebe-se que a incorporação do sistema tecnológico é cada vez maior, para atender a população por melhores e mais rápidos serviços públicos de qualidade. E a educação a distância se insere nesse novo cenário tecnológico , pois o uso apropriado da tecnologia pode diminuir os custos e reduzir o tédio conforme estudo do "Report on the Effectiveness of Technology in Schools". Um estudo de alunos utilizando computadores, mostrou que a tecnologia educacional aumentou a produção dos estudantes, melhorando a atitude e a auto-imagem dos alunos e propiciando relacionamentos estudante-professor de melhor qualidade. A tecnologia encoraja o pensamento criativo, promove a capacidade de emprendimento e desperta a curiosidade.

De acordo com Nunes, Educação a distância, ensino a distância e teleducação são termos utilizados para expressar o mesmo processo real, e teleducação não é apenas educação pela televisão; tele vem do grego que significa ao longe ou, a distância.

Esta seção aborda a conceituação historicamente determinada para ensino a distância até a década de 90. Modelos Pedagógicos sustentados em EaD serão apresentados no capítulo seguinte, possibilitando investigar a concepção de educação que se quer, a fim de que o ensino a distância possa desempenhar papel fundamental na sociedade.

2.2 Modelos pedagógicos em ensino a distância

O ensino a distância pressupõe um sistema de transmissão e estratégias pedagógicas adequadas às diferentes tecnologias utilizadas. A estratégia didática do ensino a distância, de acordo com Brande (1993) significa a "escolha dos métodos e meios instrucionais estruturados para produzir um aprendizado efetivo. Isto inclui não apenas o conteúdo do curso, mas também decisões sobre o suporte ao aluno, acesso e escolha dos meios. O modo como o tutor e o aluno se comunicam e interagem depende do esquema de aprendizado que é usado". Segundo Brande (1993), o processo de aprendizado no ensino a distância depende de pelo menos três fatores: o modelo de aprendizagem, a infra-estrutura tecnológica e infra-estrutura física da sala de aula.

Dentre os modelos de aprendizagem na educação, o mais tradicional é o chamado de comportamentalista ou objetivista. Nesta forma de ensino baseada numa aprendizagem reprodutiva (memorização), o aluno é entendido como um sujeito passivo, que recebe uma série de informações prontas, trabalhando muito pouco sobre elas. O ensino segundo essa concepção é encarado apenas como transmissão de conhecimentos.

Uma forma totalmente diferente de ver o processo de aprendizagem é a do modelo construtivista, que pode ser subdividido em algumas correntes: construtivista, cooperativo ou colaboracionista, o cognitivo e o sócio-cultural. (Leidner & Jarvenpaa, 1995, p.265-291). No modelo construtivista, em lugar de ser apenas transmitido, o conhecimento é criado ou construído por cada educador e os seus alunos. O professor serve como o mediador do processo de aprendizado. Sob esta ótica, os alunos tendem a aprender melhor quando são induzidos a descobrir as coisas por si sós.

Já no modelo cooperativo ou colaboracionista, o aprendizado acontece na interação do indivíduo com os objetos. É pela contribuição de diferentes entendimentos de uma mesma matéria que se chega a um conhecimento compartilhado. O professor age como um facilitador do compartilhamento em vez de controlar a entrega do conhecimento ao grupo.

O modelo cognitivo tem como premissa básica que o aprendizado requer um certo período para desenvolver, testar e refinar modelos para serem levados à prática. O aprendizado é um processo de transferência de novo conhecimento na memória de longo prazo. Ao mesmo tempo uma extensão e uma reação ao modelo construtivista, o modelo sócio-cultural de aprendizagem pressupõe que o conhecimento não pode estar dissociado do "background" histórico-cultural do aprendiz. Como conseqüência disso, a aprendizagem será tanto mais rápida quanto mais próxima da experiência do aluno. Por essa razão, o instrutor não deve realizar uma única representação da realidade nem uma interpretação baseada em termos culturais únicos.

Para cada modelo de aprendizagem é possível associar um instrumento mais adequado e ao qual corresponde uma infra-estrutura tecnológica específica. É o que demonstra a Tabela 2, em diferentes modalidades de ensino.

Tabela 2: Diferentes Modalidades de Ensino
 
Instrumento Objeti 

vismo

Construti 

Vismo

Colabora 

tivo

Cognitivo Sócio-cultural
Uso de computador pelo instrutor **        
Computador partilhado entre instrutores e alunos ** **      
Software educativo **     *  
Educação a distância **       *
Comunicação através de E-mail       *  
Networks de aprendizado   **   *  
Hipermídia/Internet   **      
Simulação/Realidade Virtual   **      
Network individual na sala de aula     **    
Network em grupos com salas distantes     ** ** *
E-mail e presencial     **   *
E-mail em grupo     ** ** *
Fonte: Leidner e Jarvenpaa, 1995

* Representa a principal teoria de aprendizado adequada ao meio;

** Representa a segunda opção.

Tomando como parâmetro a infra-estrutura tecnológica pode-se identificar quatro gerações de ensino a distância.

2.3 Gerações de ensino a distância

A primeira geração é a dos cursos por correspondência e via rede aberta de televisão, na qual o indivíduo segue um curso predeterminado com interação relativamente pequena com a instituição produtora. Na segunda, tecnologias de comunicação interativa começam a possibilitar uma aproximação na experiência da sala de aula. Na terceira, pode-se ver o que Miller (1996) chama de "emergência de uma comunidade de aprendizes, tornada possível por um uso assíncrono de cada meio de telecomunicação como conferência computadorizada, correio eletrônico, correio por voz, que são aquelas que permitem ao estudante não só adquirir controle sobre o tempo, lugar e ritmo do estudo, mas também se comunicar com outros alunos".

De fato, Miller (1996) sugere que se pode antecipar uma quarta relação que surgirá na próxima década ou começo da seguinte, com os estudantes ganhando acesso direto às bases de dados, acesso para vídeo e material em forma de texto, etc. E ainda, chama a essa relação de "empowered student" ou melhor ainda, "uma comunidade de estudiosos", na qual os estudantes controlarão seu tempo, lugar e ritmo de estudo; serão capazes de se comunicar livremente com professores e colegas; e, mais ainda, terão considerável controle sobre a seqüência do material a ser estudado.

No processo de ensino a distância, as questões de comunicação, da informação e das imagens são fundamentais na formação do professor. Pretto (1996) menciona que "Numa escola, na qual a cultura audiovisiva seja uma presença, o professor, principal personagem desse processo, precisa estar preparado para trabalhar com essa cultura. Uma cultura que está intimamente relacionada com as mídias, e por isso exige e determina uma nova linguagem".

Segundo Tardy citado por Pretto (1996) "Os alunos já pertencem a uma civilização icônica, enquanto os professores pertencem a uma civilização pré-icônica. Daí essa situação sem precedentes na história da pedagogia: os professores precisam, senão ultrapassar, pelo menos alcançar seus alunos". As novas tecnologias de comunicação e informação estão determinando,portanto, uma nova escola com uma nova concepção, onde novos valores estão sendo construídos, e os professores necessitam adotar esse novo modelo de educação tecnológica, concebendo portanto novas perspectivas no avanço da formação do professor.

Para Fusari citado por Pretto (1996), a escola nesse momento "consiste no intercâmbio, na veiculação, na troca criativa de saberes, de concepções a respeito da vida no mundo em que vivem seus participantes, ou seja, os professores e alunos. São esses participantes, os principais comunicadores, os agentes sociais em exercício de integração humana entre si e com os textos e contextos comunicacionais".

A educação como um todo, ou seja, a escola, os professores e os alunos estão vivendo os novos valores, num mundo de imagens, num movimento de comunicação e da informação, necessitando para isso um novo modelo de alfabetização. De acordo com Moraes (1996), "o maior desafio da modernidade é a produção do conhecimento e seu manejo criativo e crítico, o que impõe novas qualificações e alfabetização digital" .

Segundo Moraes ( 1996), o indivíduo se apresenta como um ser incloncluso, singular, diferente e único, um ser de relações, contextualizado, indiviso, com diferentes perfis cognitivos, um usuário específico que muda a maneira de pensar, conhecer e aprender o mundo. Contextualizar o profissional da educação no mundo globalizado e informatizado implica na

"capacidade de oferecer aos alunos os domínios de códigos culturais básicos, a capacidade para participação democrática e cidadania, o desenvolvimento da capacidade de resolver problemas e seguir aprendendo, o desenvolvimento de valores e atitudes compatíveis com a vida em sociedade, pois a crescente transformação informática e informacional vem provocar novos hábitos de simbolização, de formalização do conhecimento apoiado num modelo digital, explorado de forma interativa". A interatividade implica na comunicação de dupla-via, onde é possível colocar a "teoria dialógica" de Paulo Freire, pois somente através do "Diálogo" o processo formativo se consolidará; está na interação professor-aluno. Paulo Freire explicitava que seus leitores não faziam o que ele pedia, que pensassem pela própria cabeça. O Leitor freiriano deve ser um inventor de idéias, não seguidor de idéias, pensava Freire; quer dizer, ser fiel à proposta educativa do autor não consiste em repeti-la mecanicamente ou reproduzi-la acriticamente Freire não gostava do mecanicismo, muito menos dos discípulos submissos e obedientes, Gadotti (1987) diz que "Ser fiel a Paulo Freire significa, antes de mais nada, reinventá-lo e reinventar-se como ele. Nisto aliás , consiste a superação na dialética: não é nem a cópia e nem a negação do passado, do caminho percorrido pelo outros. É a sua transformação e, ao mesmo tempo, a conservação do que há de fundamental e original nele, e a elaboração de uma nova síntese qualitativa". Diante desse conceito, este trabalho elabora uma análise do ensino a distância, através da modalidade de teleconferência como meio de formação de professores do 1º e 2º graus, através da teoria de alguns pensadores da educação como Paulo Freire, Jean Piaget, e outros autores construtivistas. O capítulo seguinte faz a abordagem dos modelos pedagógicos sob o ponto de vista de Freire e Piaget.

 
2.4 A concepção dos modelos pedagógicos
 

Desde a década de 20 até os anos 90 (Gadotti, 1987) é possível detectar as concepções dos modelos pedagógicos que variavam de acordo com determinado contexto histórico. Uma primeira geração, que data entre a década de 20-30 vem da Tendência Liberal Tradicional. Liberal aqui, não tem o sentido de democrático. De acordo com Gadotti (1987b), o termo liberal vêm do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Para a escola, é defendida a idéia de igualdade de oportunidades, sem levar em consideração a desigualdade de condições.

Para esse modelo pedagógico, os conteúdos não tem nenhuma relação com o cotidiano e muito menos com a realidade social. É a predominância da palavra do professor, das regras impostas, do cultivo exclusivamente intelectual. O conhecimento está apresentado com ênfase nos exercícios, na repetição ou memorização de conceitos ou fórmulas. Visa disciplinar a mente e formar hábitos. Retrata portanto a sociedade da ditadura da época e é atuante até nos dias de hoje. A avaliação para esse modelo é determinada através da mensuração, onde avaliar é medir, é atribuir notas.

A segunda geração (40-50), apresenta o início da Pedagogia Liberal Renovada (Gadotti,1987). A educação é vista como um processo interno, não externo. Ela parte das necessidades e interesses individuais necessários para a adaptação ao meio. É um tipo de auto-educação. O conhecimento apresenta-se com ênfase nos processos mentais e habilidades cognitivas, através da valorização da pesquisa, da descoberta e da solução de problemas. O professor intervém para dar forma ao raciocínio. Os modelos de Decroly, Montessóri, Dewey e Piaget estão classificados nessa pedagogia. O modelo Histórico-Social é apresentado por Vygotsky e Wallon, que atribuíram o aspecto para o qual os conteúdos estão historicamente determinados e culturalmente situados. A avaliação para esse modelo é a descrição, é a compreensão do objeto.

A terceira geração (60-70) , trata da Pedagogia Liberal Tecnicista (Gadotti,1987); onde o essencial não é o conteúdo da realidade, mas as técnicas de descoberta e aplicação. O conhecimento está em transmitir informações eficientemente precisas, objetivas e rápidas. Tudo é objetivo, eliminando qualquer sinal de subjetividade. O material instrucional encontra-se sistematizado nos manuais, nos módulos de ensino, nos audiovisuais, etc. Skiner, Gagné, Bloom, Mager trabalharam com essas concepções. Dentro desse modelo a avaliação assume o papel de julgamento, pois o ensino é um processo de condicionamento às respostas que se quer obter.

Paralelo a essas concepções, surge até os anos 80 a Pedagogia Progressista (Gadotti,1987), que se dispôs a realizar a análise crítica das realidades sociais, sustentando as finalidades sócio-políticas da educação. Os conteúdos são temas geradores, extraídos da problematização do cotidiano da vida dos alunos. O conhecimento é resultante do saber criticamente elaborado. Freinet, Arroyo e Freire atuam nesse modelo. Para essa concepção de educação, a avaliação passa a ser vista como negociação, como participação.

A partir da década de 90, um novo modelo pedagógico é apresentado através do Empowerment (Miller, 1996), onde a experiência do conhecimento passa a ser interativa. A avaliação é sinônimo de capacitação e o avaliador agora passa a ser o colaborador, o facilitador. Empowerment é o fortalecimento das pessoas, através de suas habilidades e contribuições significativas ao processo, sendo capazes de inovar sempre para a mudança, através do novo ou a novidade.

Os modelos pedagógicos sempre retrataram o contexto histórico da sociedade. Entretanto, não existe uma metodologia consensual. Uma concepção filosófica da educação não nega a anterior, ela se adapta e inova a cada momento. O fundamental é que a análise do conteúdo pelo aluno possa passar de uma apropriação apenas reprodutiva para uma apropriação transformadora; quer dizer, o que faz o aluno para demonstrar que realmente aprendeu?

No seção seguinte, esta questão será discutida através das concepções construtivistas de autores preocupados com esse desafio.
 

 

2.4.1 Concepção filosófica de Paulo Freire
 

A Figura abaixo mostra a teoria dialógica de Freire.

Esquema do Diálogo
 
A à B = comunicação
à 
A ß à B = intercomunicação
ß à 
Figura 1: Teoria Dialógica de Freire

Relação de "simpatia " entre os pólos, em busca de algo.

Na destaca-se a " Teoria Dialógica" de Paulo Freire, que concebe quatro características: 1. colaboração; 2. união; 3. organização; 4. síntese cultural. A preocupação de Paulo Freire estava na análise do contexto da educação. A sua obra traz uma concepção do papel político que a educação pode vir a desempenhar e conseqüentemente desempenha sempre, na construção de uma outra sociedade. A sua teoria traz uma íntima relação com a prática pedagógica. A sua metodologia é conceber o aluno como aquele que se descobre como sujeito do processo histórico, onde o "universo vocabular" e as "palavras geradoras", partem do sensível, do imediato, do dado, do empírico para o concreto. A dialética presente no seu pensamento constrói uma metodologia que parte do empírico para o abstrato, do particular para o contextualizado.

O saber, para Freire, tem um papel emancipador, pois a teoria e a prática realacionam-se com o conhecimento e seus interesses. A mensagem de Paulo Freire é uma pedagogia que dignifica o outro. Forma a consciência, sem violentá-lo, sem humilhá-lo. O respeito dialético é fundamental (ter respeito e indicar outro caminho), salto da consciência ingênua para consciência crítica. O método consiste em fazer da pergunta um jogo: pega a pergunta, trabalha a pergunta e volta a pergunta para o aluno, pois só conhecemos aquilo que é significativo para nós.

Freire colocava que aprender exige alegria e a alegria funciona como resultado da aprendizagem. O ato de estética para Freire é sentir-se bem na escola, é ter qualidade e qualidade é o professor trabalhar com alegria, é o aluno ter vontade de ir para a escola. Qualquer coisa pode ser transmitida de uma maneira simples, por mais complexa que seja. A preocupação de Freire resultava na construção de uma nova sociedade, diferente de Piaget, sobre a construção do conhecimento.

Essa nova sociedade coloca que ensinar não é transmitir conhecimentos, mas sim é a consciência do inacabamento, a capacidade está em intervir sobre os nossos próprios condicionamentos, pois somos seres únicos; se morrermos, o mundo será diferente. Exige bom senso e apreensão da realidade, este é o resultado de ensinar.

O ensino que somente trabalha com dados como fonte de informação necessita ultrapassar os dados como informação, e chegar ao conhecimento através da decodificação dessa informação e na elaboração de novas informações. É o conhecimento que dá o sentido das coisas. Este conceito de educação revela a produção dos trabalhos dos alunos e não somente as suas notas. Isto é produto, é fazer parte da história.

Pode-se dizer que existe uma complementaridade entre Freire e Piaget. Piaget se preocupava com a construção do conhecimento, como se organiza o desenvolvimento das estruturas mentais no indivíduo. Já Freire se preocupava com o tipo de homem que vem por aí, quem é realmente o homem do seu tempo, onde a insatisfação e a auto-realização são aspectos importantes nesse homem. O ensino, portanto, deve preparar o homem para a autonomia intelectual, para a compreensão da realidade, para a facilidade da comunicação, para a oralidade, não prepará-lo para a cultura do silêncio, e, somente desse modo ele poderá afirmar-se como soberano.

Becker (1997), coloca que

"o grande mérito de Paulo Freire foi mostrar que a educação é um ato político, mesmo quando parece reduzir-se a uma pura relação pedagógica. Isso significa que o professor, ao ensinar regra de três, concordância nominal ou verbal, modelo atômico ou polímeros, bioquímica cerebral ou mecânica quântica, está exercendo uma função política, quer saiba ou não, quer esteja consciente ou não". Becker combinou Piaget e Freire para tematizar o ato pedagógico, onde concluiu que não se pode ser "politicamente crítico, sendo epistemologicamente ingênuo". O modelo de Piaget é mostrado no capítulo seguinte.
 
 

 

2.4.2 concepção filosófica de Jean Piaget

 

 

Piaget estudou as engrenagens da inteligência, do nascimento à maturidade do ser humano, onde decifrou sucessivos degraus na evolução do raciocínio, ou seja, em como a inteligência humana se desenvolve, atribuindo o nome de construtivismo. Outras correntes também empenhadas em explicar sobre o desenvolvimento da inteligência surgiram: o empirismo e o racionalismo.

Essas três correntes divergem quanto à relação entre meio ambiente e inteligência: O empirismo é uma concepção teórica que explica que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo meio ambiente e não pelo sujeito, ou seja, o desenvolvimento intelectual é submetido às forças do meio, vem de fora para dentro, a inteligência vai se modelando através dos estímulos externos e não do indivíduo. Já o racionalismo é uma concepção teórica que concebe o desenvolvimento intelectual determinado pelo indivíduo e não pelo meio. A inteligência já nasce pré-moldada com o indivíduo, sendo reorganizada pelas percepções da realidade na medida em que o ser humano vai amadurecendo. Os estímulos externos não são considerados e sim as capacidades que são inerentes ao indivíduo.

O construtivismo é uma postura filosófica que parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. Essa concepção teórica determina que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio. O indivíduo responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de maneira cada vez mais elaborada.

Piaget estudou detalhadamente e explicou na sua teoria chamada de Epistemologia Genética ou Teoria Psicogenética como a inteligência vai se construindo desde o nascimento. É a concepção construtivista mais conhecida.

Enquanto que no construtivismo é a pessoa que constrói o seu próprio conhecimento, nas teorias empiristas e racionalistas reduzem o desenvolvimento intelectual somente à força do meio ou à ação do indivíduo. Piaget aborda que a questão do desenvolvimento da inteligência está em manter um equilíbrio dinâmico com o meio ambiente. Quando o equilíbrio se rompe, o indivíduo age sobre o que o afetou (um som, uma imagem, uma informação) buscando se reequilibrar. Esse equilibrio é feito através da adaptação e organização.

A adaptação apresenta duas formas básicas: a assimilação e a acomodação. Na assimilação, o indivíduo usa as estruturas psíquicas que já possui, construindo novas estruturas, se necessário. Isso é acomodação. A organização articula a atividade da mente e a pressão da realidade com as estruturas existentes e reorganiza todo o conjunto. O indivíduo vai assim, construindo e reconstruindo continuamente as estruturas que o tornam cada vez mais apto ao equilíbrio. Porém, essas construções seguem idades mais ou menos determinadas, como formas específicas da inteligência.

Segundo Piaget (1987), os estágios que descrevem o desenvolvimento da inteligência são: sensório-motor (0 a 2 anos); pré-operatório (2 a 7 anos); operatório-concreto (7 a 11 anos) e lógico-formal (12 anos em diante). No sensório-motor, a inteligência é prática. A partir de reflexos neurológicos, começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. No estágio pré-operatório, torna-se capaz de representar mentalmente pessoas e situações. Tem percepção global, não atenta para detalhes. É centrada em si mesma., não tem noção de abstrato. Já na fase operatório-concreto, é capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. A criança nessa fase depende ainda do mundo concreto para chegar à abstração. O estágio lógico-formal permite que a representação tenha abstração total, sendo capaz de pensar em todas as relações possíveis logicamente.

Piaget analisava o desenvolvimento da inteligência, enquanto que Freire se preocupava com o desenvolvimento da consciência política. De acordo com Becker (1997), "o professor professa epistemologias do senso comum, e, nessa medida, não pode agir no nível da crítica política proposto por Freire".

Conforme coloca Becker (1997), "o construtivismo sustenta a idéia de que o conhecimento é uma construção, contra os (neo) behavioristas, de um lado, que acreditam que o conhecimento é reflexo do mundo exterior gravado na mente do sujeito por intermediação da linguagem - e contra os sociobiólogos, de outro - que acreditam que o conhecimento está em grande parte determinado pelos genes".

O meio físico ou social e os genes não podem realizar os esquemas sozinhos, são determinantes na construção, mas não independentes. De acordo com Becker( 1997), "ser construtivista é realizar uma teoria articulada dessa visão de mundo e produzir uma prática coerente com essa teoria em todos os níveis da vida". Na postura construtivista de Piaget, o conhecimento deve distinguir do conteúdo. A assimilação de qualquer conteúdo está na organização da estrutura que o indivíduo foi construindo, do concreto para o abstrato.

A estrutura é construída na medida em que o indivíduo vai agindo sobre o meio físico ou social, transformando-o em algo que ele não era. Aprender uma outra língua, por exemplo, é construir estruturas, podendo assimilar qualquer conteúdo no nível de abstração. Becker (1997) considera que o conhecimento é uma construção individual. "O sujeito humano é um projeto a ser construído por ele mesmo". O conhecimento nessa postura filosófica é construído pela ação do sujeito, na relação hereditariedade e meio.

Portanto, o construtivismo explica que o conhecimento se desenvolve nas ações do sujeito, e que tanto o meio quanto os genes não conseguem ter elementos o bastante para explicá-lo, como pensam os empiristas ou aprioristas. Becker (1997) menciona que "ser professor é fundamentalmente professar na teoria e na prática a certeza de que o conhecimento não está previamente determinado, nem no meio (empirismo), nem no sujeito (apriorismo), mas que ele consiste numa construção que se dá por força da ação do sujeito enquanto ele dinamiza as relações entre sujeito e meio".

Uma outra concepção de aprendizagem é apresentada pela concepção histórico-social do desenvolvimento humano, pois permite compreender os processos de interação existentes entre pensamento e atividade humana. Vygotsky e Wallon são os representantes principais desse modelo. Ambos estudaram a construção do ser humano e a contribuição da educação sistematizada neste processo que é dialético e histórico. Para Vygotsky, o indivíduo apresenta-se em cada situação de interação com o mundo social, de maneira particular, onde traz determinadas interpretações e ressignificações do material que obtém do mundo.

Para ele, as funções psicológicas referem-se a processos voluntários, ações conscientemente controladas, intencionais. Segundo Oliveira (1993), Vygotsky tinha como objetivo trabalhar com o meio cultural e com as relações entre indivíduos no desenvolvimento do ser humano, trabalhando a idéia de reconstrução, de reelaboração, por parte do indivíduo, dos significados que lhe são transmitidos pelo grupo cultural.

Oliveira (1993) diz ainda, que

" a consciência individual e os aspectos subjetivos que constituem cada pessoa são, para Vygotsky, elementos essenciais no desenvolvimento da ser humano, dos processos psicológicos superiores. A constante recriação da cultura por parte de cada um de seus membros é a base do processo histórico, sempre em transformação, das sociedades humanas", Wallon & Vygotsky chegaram à conclusão de que o sujeito é determinado pelo organismo e pelo social que estrutura sua consciência, sua linguagem , seu pensamento, a partir da apropriação ativa das significações histórico-sociais. No entanto, Wallon elaborou um sistema de estágios. Cada estágio significa, ao mesmo tempo, um momento de evolução mental e um tipo de comportamento determinado pelas interações sociais.

Esses modelos de aprendizagem apresentados por Freire, Piaget, Vygotsky, Wallon e muitos outros refletem no cotidiano do interior da sala de aula. Becker pesquisou e analisou professores quanto à epistemologia determinante existente no indivíduo (no caso, o professor) e que determinações essa epistemologia produz na sua prática. A sua pesquisa da epistemologia do professor revelou que os professores respondem como empiristas diante de determinadas circunstâncias epistemológicas, como aprioristas diante de outras, ou ainda como construtivistas. Entretanto, essa análise é importante, pois resta saber como essas posturas dos professores se revelam na prática com os seus alunos.

A condição para que os professores passem da visão empirista ou apriorista para o construtivismo está na interação, como dizia Paulo Freire. Na sua teoria dialógica, é possivel se dar essa interação e não simplesmente ignorar uma concepção ou outra. Piaget coloca a palavra colaboração para essa interação. Essa interação não se dá através da exclusão, mas através da síntese. Tem-se assim a possibilidade de uma epistemologia construída na superação do senso comum.

O professor construtivista é aquele que questiona constantemente o aluno, coloca desafios para os alunos, deve ter sempre perguntas a fazer. Se o professor não faz perguntas, ele não tem curiosidades, e por conseguinte, não tem novidades. Se o professor conhece o aluno através dos questionamentos, ele terá sempre perguntas a fazer e o aluno estará assim construindo suas estruturas, desenvolvendo a sua inteligência. Essa comunicação é dita por Paulo Freire de teoria dialógica e é fundamental no desenvolvimento intelectual. Toda vez que se pensa sobre algo, se constrói conhecimento e isto significa refazer aquela estrutura que estava ali até aquele momento.

A função do professor não é portanto depositar informações em grande quantidade e das mais diversas formas possíveis. Segundo Becker (1997), "Professor é alguém que desafia o aluno a reconstruir suas estruturas, e quem sabe, a construir novas estruturas. E para isso ele tem que colocar o aluno diante de si mesmo, perante a sua história de ações". Quer dizer, o professor deve trabalhar o conteúdo, não de maneira quantitativa, mas qualitativamente, procurar resolver problemas e a tomada de decisões, colocando a estrutura cognitiva em ação. Ensinar não é apenas fazer com que os alunos adquiram pré-requisitos na memória, acumulando passivamente as informações.

Pode-se notar que as diferentes concepções de aprendizagem atuam constantemente na prática do professor e que superar, portanto, o empirismo, e o apriorismo é a condição fundamental para a prática pedagógica. Neste sentido, é possível afirmar que a teoria dialógica de Freire que apresenta as características de colaboração, união, organização e síntese cultural são fundamentais para a construção do professor nessa concepção epistemológica.

Os modelos pedagógicos trazem importância significativa para o bom andamento do processo de ensino-aprendizagem, seja na educação presencial ou na educação a distância. No entanto, necessitam também de fontes incentivadoras que proporcionam a motivação para a assimilação de conhecimentos e a produção de novos conhecimentos. Motivação e ensino-aprendizagem serão vistos no capitulo seguinte.

 

2.5 Motivação e ensino-aprendizagem: aplicação no EAD

 
A motivação começou a ser vista como um centro de interesse do ato pedagógico desde que as novas concepções de educação desmistificaram a idéia de que a aprendizagem não é resultado de simples memorização e repetição.

A grande quantidade de bibliografia sobre o tema demonstra que o interesse pela motivação tem levado pesquisadores a buscarem respostas para essa variável imprescindível, pois a aprendizagem proporcionando a modificação do comportamento satisfaz a motivos individuais para que ocorra o desenvolvimento da aprendizagem.

De acordo com Vilarinho (1986), "Seja numa aprendizagem motora, ou numa que envolve a compreensão de relações e conceitos ou a apreensão de valores, só haverá aprendizado quando houver atividade do aprendiz, que por sua vez necessita de motivos para despertá-lo à ação".

Para muitos professores, motivar é despertar o interesse. No entanto, a definição de interesse para Campos (1972) é a "atração emotiva exercida por um objeto ideal sobre a individualidade consciente. O interesse pode ser imediato (subjetivo) quando se liga a um objeto atual, implicando na relação com a própria atividade, ou pode ser mediato (objetivo), quando se liga a um objeto ideal, implicando na relação com o objetivo para a qual a atividade se dirige" Neste sentido, o professor pode incentivar o aluno a despertar os motivos para a aprendizagem.

A incentivo para Vilarinho (1986), "implica na proposição de situações de modo a deflagar no psiquismo do sujeito as fontes de energia interior (motivos), que o levarão à ação com empenho e entusiasmo. Incentivar é manipular as condições externas ao sujeito, de forma a despertar no aprendiz a motivação que mantém o processo de aprendizagem". A incentivo pode ser intrínseca ou extrínseca. A intrínseca estimula o aluno a estudar uma disciplina pelo próprio valor que a disciplina apresenta. A extrínseca estimula o aluno a estudar uma disciplina pelas vantagens que ela pode proporcionar na vida do aluno.

Já para Campos (1972) a "Motivação é um processo interior, individual, que deflagra, mantém e dirige o comportamento. Implica num estado de tensão energética, resultante da atuação de fortes motivos que impelem o sujeito a agir com certo grau de intensidade e empenho". Pode-se também distinguir dois tipos de motivação: 1.motivação intrínseca: quando há interesse pessoal na aprendizagem. Ex: o aluno que estuda inteligência aplicada, porque tem real interesse na disciplina. 2. motivação extrínseca: quando o objeto estudado traz aspectos relacionados com o cotidiano do sujeito: Ex. o aluno que estuda inteligência aplicada, porque está desenvolvendo um projeto de Treinamento Baseado em Computadores. A incentivo promove a motivação e muitos autores preferem que os professores utilizem a modalidade intrínseca.

Há muitas concepções de como a aprendizagem pode ocorrer. Para alguns autores, o ato pedagógico pode acontecer, estando o aluno motivado e acompanhado da maturidade bio-sócio-psicológica. São as habilidades iniciais que o aluno posssui para que a aprendizagem possa se desenvolver. Por exemplo: suficiente capacidade intelecutal; certo grau de interesse; certa aptidão etc.

Os estudos comtemporâneos acerca da motivação trazem ainda conceitos de educadores e psicólogos da década de 70, que de acordo com Carvalho (1972) chegaram as seguintes conclusões conforme a Figura 2.

 
 
 

 

1.

Não há aprendizagem sem motivação (seja esta consciente ou inconsciente, intrínseca ou extrínseca);
2. Deve haver uma relação positiva entre incentivos e motivos (motivos fortes x ambiente hostil, incentivos inoperantes x aprendiz com pouca motivação são realidades incompatíveis;
3. Motivação e incentivo são importantes em todas as fases da aprendizagem;
4. Incentivo positivo x incentivo negativo (elogios funcionam melhor que punição ou censura);
5. a competição pode funcionar como elemento estimulador (a competição entre grupos é preferível à competição individual);
6. o aumento a incentivos deve aumentar proporcionalmente os motivos, no entanto é preciso ter cuidado para que os incentivos não ultrapassem o limite máximo da capacidade do sujeito;
7. o êxito inicial numa tarefa pode funcionar como fonte de motivação;
8. o insucesso inicial pode, em alguns casos, servir de estímulo para novas aprendizagens;
9. um esforço suspenso ou uma tarefa interrompida pode ser fonte de motivação;
10. a motivação pode aumentar na medida em que o aluno sabe o objetivo de sua tarefa, bem como atribui valor a esse fim;
11. Motivação em excesso pode levar o sujeito a realizar um trabalho abaixo do nível que costuma fazer.

 
Figura 2: Definições de Motivação

 

Vilarinho (1986) faz um extenso relato sobre os diferentes posicionamentos de muitos autores sobre o que seja exatamente o desafio da motivação.

Para Ausubel citado por Vilarinho (1986), a aprendizagem não necessita necessariamente da motivação. Ela ocorre por si só. Para ele, quando se aprende algo, há uma satisfação inicial, que estimula que o ato pedagógico continue se desenvolvendo. O aspecto cognitivo é a sua maior preocupação. A motivação para ele é crescente no momento em que o aluno conhece os objetivos do ensino , que devem ser claros e relacionados com o imediato. Para ele, motivação é a própria aprendizagem.

Para Bruner citado por Vilarinho (1986), é importante distinguir motivação intrínseca e motivação extrínseca. O professor deve sempre estimular os alunos para a descoberta, desafiando-os sempre. Para ele, aprendizagem é também motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido.

Gagné (1976) coloca que há dois tipos de motivação: uma inerente ao próprio sujeito (necessidades ou impulsos) e outra relacionada com a aprendizagem. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. O desejo de realização é a própria motivação. E o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços, captando a atenção do aluno.

Outro autor que pesquisou o desafio da motivação foi Skinner. Para ele (Skinner,1968) a motivação se resolve em termos de reforço, de acordo com as necessidades individuais. O professor, segundo ele, deve sempre controlar o comportamento observável do aluno, para num segundo momento, possa o aluno ter autocontrole.

Já para Rogers (1972), a motivação tem uma grande importância em todo o processso educativo. Os motivos que levam aluno a aprender devem ser conhecidos do professor. Somente assim ocorrerá aprendizagem eficiente e auto-realização. Rogers dá muita ênfase a motivação intrínseca, ou seja, o aluno deve gostar de aprender determinado conteúdo pelo prazer da atividade. Professor e aluno devem convergir os objetivos para que a motivação aumente.

Villarinho (1986) também aborda em sua obra as técnicas incentivadoras apresentadas pela didática para despertar os motivos dos alunos e assim favorecer a ocorrência do processo educativo. A autora relata várias técnicas incentivadoras e coloca que as técnicas intrínsecas são em maior número pela importância que os autores atribuem a elas, já as técnicas extrínsecas são consideradas recursos complementares, caso as intrínsecas falhem. Por exemplo: apresentação de objetivos no início da aula apresentando o valor e a importância das atividades que serão desenvolvidas . Também a apresentação de tarefas, logo no início da aula, mostrando quais as tarefas que irão ser solicitadas a partir daquele objetivo ou conteúdo são exemplos de técnicas intrínsecas.

Como também o sucesso inicial, que implica no desenvolvimento de atividades adequadas ao nível da turma ou insucesso inicial, que implica no desenvolvimento de atividades que estão além do nível da turma. Uma outra técnica incentivadora consiste na exemplificação, que tem por finalidade a apresentação de modelos ou exemplos relacionados ao assunto ou também tarefa interrompida, onde se interrompe a atividade num ponto crítico, terminando-a na próxima aula, a aula acaba em suspense e os alunos podem refletir muito mais sobre o assunto.

As técnicas extrínsecas apresentam-se sob a forma de interesses pelos resultados; são as preocupações com o produto, e não com o processo. O aluno estuda para ser aprovado na disciplina e não para entender o conteúdo. No entanto, durante o estudo, o aluno pode vir a ficar motivado pelo conteúdo. Uma outra forma de técnica extrínseca é a dedicação do professor, que mostra afetividade pelo aluno e este quer corresponder ao afeto do professor. As punições são incentivações negativas e devem ser usadas somente quando todas as outras técnicas falharem.

Integrada às técnicas de incentivo, estão o conteúdo do ensino que deve ser bem estruturado e com experiências significativas, a metodologia que deve facilitar a aprendizagem e que proporciona ao aluno gerar processos mentais que permitam a generalização e aplicação do conteúdo. Os recursos de ensino devem ser usados de maneira inteligente, para facilitar o alcance dos objetivos e por fim a personalidade do professor que segundo muitos autores é a mais rica fonte de incentivo.

As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado, proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente, pois ensinar está relacionado a comunicação. No entanto, o ato de ensinar efetivamente está na capacidade do educando decodificar a mensagem que foi recebida. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. E conhecer como o professor ensina é importante para o ato pedagógico se desenvolver, contudo, entender como o aluno aprende é fundamental. Somente assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar, a sentir , a agir.

Neste sentido, Piaget detém uma obra gigantesca. Piaget coloca que o processo de formação do conhecimento é dado através do desenvolvimento das estruturas do conteúdo e deve-se retornar sempre, aumentando o nível de complexidade da abordagem. A linguagem adequada é aquela à fase do desenvolvimento cognitivo na qual o aluno se encontra. Deve-se também facilitar a passagem do pensamento concreto ao estágio da representação conceitual-simbólica e ensinar mais esquemas de raciocínio do que conteúdos propriamente ditos. O conteúdo deve ser apresentado sempre de maneira hipotético e heurístico.

O aluno aprende nesta concepção quando apresenta respostas compatíveis com o nível do seu desenvolvimento intelectual; quando faz relações entre o material aprendido e outros conceitos e/ou contextos; e quando aplica o conhecimento adquirido a novas situações.

Na Educação a Distância, as fontes de incentivo devem ser uma constante, onde pressupõe-se o uso da mídia e estando os alunos e professores distantes uns dos outros. As interações são possíveis, não somente porque elas permitem o acessso ao aluno para receber a informação, mas também porque proporcionam a participação nas demais interações. A motivação pode então estar nas perspectivas do modelo proposto por Hoffman & Mackin (1996), onde consideram quatro tipos de interações na educação a distância: aluno/interface; aluno/conteúdo; aluno/professor; aluno/aluno.

Na interação aluno/interface, a tecnologia deve ser transparente e amigável para o aluno. Na interação aluno/conteúdo, este deve ser capaz de estimular a percepção e a cognição do aluno, como também de ser possível prender a atenção do aluno por longos períodos. Na interação aluno/professor, o professor deve Ter a capacidade de manter o seu interesse, motivando-o ao ensino pela descoberta e apresentar muitas oportunidades de aprendizado ao aluno. As interações aluno/ aluno incentivam muito a participação e discussão, possibilitando, através da informação recebida, a construção de novos conhecimentos aplicáveis ao cotidiano das pessoas e da sociedade.

Nesta seção, verificou-se a importância da motivação no processo ensino-aprendizagem e as técnicas incentivadoras que favorecem o ato pedagógico; como também mostrar que a motivação é fundamental no ensino a distância. As interações aluno/interface; aluno/conteúdo; aluno/professor; aluno/aluno que ocorrem no ensino a distância podem Ter ricas fontes de incentivo e assim proporcionar a motivação.
 
 

2.6 Aspectos e paradigmas: mudanças no ensino-aprendizagem
 

Neste capítulo tratar-se-a do paradigma educacional e do paradigma tecnológico. Ambos combinados geram uma educação de última qualidade.

A sociedade está vivenciando um novo paradigma no setor educacional. Com a revolução tecnológica e o desenvolvimento da informática, a exigência por novos ambientes de aprendizagem está cada vez maior, pois está ligada aos novos cenários que a sociedade apresenta. As mudanças organizacionais, tecnológicas, econômicas, culturais e sociais sugerem, por conseguinte, que a educação também transforme no modo de pensar e aprender o mundo. De acordo com Moraes (1996), esse novo modelo de educação é apresentado de forma cada vez mais interativa, rápida, flexível e cada vez mais com redução de custos. No entanto, coloca que

"como o indivíduo poderá sobreviver a esse movimento cultural, atuar, participar e transformar a sua realidade, se a educação não lhe oferece condições instrumentais mínimas requeridas pelos novos cenários mundiais? Como absorver os traços culturais presentes na herança histórica da humanidade se a educação continua preparando um indivíduo para um passado remoto, para um mundo desconectado, onde textos, livros e teorias no papel ainda constituem as únicas formas de representação do conhecimento? Como preparar o indivíduo para trabalhar modelos computacionais que requerem novas formas de construção do conhecimento, se os professores desconhecem as novas tecnologias e continuam temendo toda e qualquer possibilidade de inovação no ambiente escolar"? Segundo Moraes (1996), o sistema educacional convencional pode modificar-se significamente com as novas tecnologias. As pessoas trocam informações, participam de projetos e pesquisa em conjunto, e a possibilidade de integração de várias mídias, acessando no horário que o usuário dispor já é uma realidade. A indústria eletrônica e o desenvolvimento das telecomunicações têm favorecido todo esse quadro e o mundo está se tornando cada vez mais interativo, se tornando grande e pequeno, mediante o uso de voz, dados, imagens e textos cada vez mais interativos . Segundo a autora, é uma nova realidade cultural.

Estas questões nos levam a verificar que o papel da escola mudou. Em vez de atender a todos, é necessário focalizar o indivíduo numa aprendizagem interativa com outros indivíduos, onde estão presentes características como aprendizagem individualizada, flexibilidade e auto-desenvolvimento.

Moraes (1996) coloque que

"Pensar na formação do professor para exercitar uma pedagogia adequada dos meios, uma pedagogia para a modernidade, é pensar no amanhã, numa perspectiva moderna e própria de desenvolvimento, numa educação capaz de manejar e produzir conhecimento, fator principal das mudanças que se impõem nesta antevéspera do século XXI. E desta forma, seremos contemporâneos do futuro, construtores da ciência e participantes da reconstrução do mundo". A formação do professor, colocada por Moraes (1996), é fundamental par a inserção no nova realidade cultural, pois predomina ainda na educação formal, o conhecimento lógico-matemático, as habilidades ligadas ao cálculo, a leitura e à escrita. A totalidade do indivíduo é vista como partes de um todo onde a separação entre corpo e mente é dimensionada entre professores e alunos.

Na perspectiva de muitos educadores, o conhecimento não é fragmentado, mas sim interligado. Gardner (1995) afirma que conhecemos através de um "sistema de inteligências interconectadas e, em parte, independentes, localizadas em regiões diferentes do nosso cérebro, com pesos diferentes para cada indivíduo e para cada cultura".

Segundo Gardner (1995), essa ampla variedade de inteligências humanas conduz a nova visão de educação, a qual o autor chama de "educação centrada no indivíduo". Essa nova perspectiva de educação equivale a uma visão pluralista da mente, reconhecendo que as pessoas têm forças cognitivas diferenciadas. O ensino baseado no computador converge para esse pensamento, pois a descoberta faz parte desse aprendizado.

Gardner conduziu a sua pesquisa baseada nos estilos cognitivos diferenciados apresentados pelos indivíduos. A sua teoria é apresentada sob a forma das "inteligências múltiplas". Todos nós possuímos as inteligências ou habilidades, porém com pesos diferentes. Segundo o autor, a inteligência ou habilidade linguística é aquela em que se manifesta o gosto pela leitura, escrita, ouvir e contar histórias e que facilita a comprensão através das palavras faladas ou escritas. Uma outra inteligência ou habilidade é apresentada pela lógico-matemática, que pode estruturar, organizar e sintetizar os conteúdos da vida cotidiana e a encontrar ordem no caos. Uma outra é apresentada sob a forma de inteligência espacial, que está em trabalhar com imagens, capacidade de visualizar espacialmente as fotos, as imagens, o visual. A sensibilidade para ambientes musicais e melodias está na inteligência musical, onde o aprendizado é favorecido através do som. A inteligência cinestésico-corporal é aquela onde a informação chega mais rápido através do movimento e do toque. Nessa abordagem, a aprendizagem é mais rápida quando o indíviduo está se movimentando.

As outras inteligências ou habilidades são complementares: uma é a intrapessoal e a outra, a interpessoal. Na intrapessoal predomina a busca da auto-realização. Na interpessoal aprende-se melhor através da interação com os outros. Gardner vem pesquisando também a inteligência ou habilidades teológica e ambiental.

Gardner demonstra com a sua teoria, que todo ser humano é capaz de chegar ao conhecimento, porém com intensidades diferentes, pois a aprendizagem muda de pessoa para pessoa. Algumas pessoas têm mais facilidade de aprender através da fala, outros através de cálculos, ou através da música ou do movimento e também da cooperação entre as pessoas.

Os meios de informação e comunicação utilizam o paradigma de Gardner, pois têm na sua estrutura a combinação de quase todos esses elementos: fala, imagem, movimento, sensorial. Podem combinar a linguagem escrita com a falada com a dimensão espacial. O acesso ao conhecimento é dado através da combinação dessas variáveis, quer sejam palavras, música, imagem, além de estar envolvida por um contexto afetivo, e assim poder ser reconhecida mais facilmente.

Os meios eletrônicos, principalmente a televisão, têm a capacidade de combinar imagens bem diferentes, como a fala, a música, a escrita, além de uma narrativa que envolve as pessoas. A televisão pode combinar imagens ao vivo e gravadas, imagens criadas no computador, combina imagens estáticas e dinâmicas, contextualizando historicamente as imagens de maneira a articular o passado, o presente e o futuro.

A televisão e também o vídeo combinam som e imagem de maneira dinâmica e interligada. Algumas características são, no entanto, específicas de cada um desses recursos audiovisuais. Enquanto que a televisão tem espaços de tempos fixos para a transmissão com horários determinados, a duração da produção de vídeo é flexível e se pode interromper a programação no tempo em que for necessário.

Combinar esses dois recursos tem demonstrado bom resultado, pois o usuário pode conseguir uma programação de televisão, gravando no vídeo e assistir quando bem entender. Desse modo, o vídeo pode se aproximar do texto impresso. A qualidade da produção dos vídeos tem aumentado gradativamente e eles vêm se tornando tão atrativos quanto a televisão. As transmissões também são outro referencial da qualidade, pois o vídeo é buscado por um público-alvo, enquanto que as transmissões da televisão atingem a muitas localidades e o aspecto educativo da programação é muito discutido, já que está acessível a várias populações, porém a recepção da televisão é disponível a muitas localidades, enquanto que a recepção do vídeo é limitada ao equipamentos de vídeo cassete.

Além disso, as técnicas de computação gráfica têm possibilitado a combinação de imagens, onde é possível que a televisão e o vídeo possam combinar e mixar imagens cada vez mais.

Moran (1993, p. 28-34) coloque que

"A combinação de inúmeros tipos de imagens com diferentes ritmos provoca um estado de intensa excitação do cérebro, continuamente sacudido pelas mudanças de enquadramentos, de planos, de pontos de vista difíceis de processar com precisão, rapidez. O olhar, para encontrar um mínimo de coerência entre tantas solicitações simultâneas, procura integrá-las numa visão de totalidade (leitura do conjunto da tela e não das informações isoladas)" . Televisão e vídeo portanto, têm uma variedade de combinações que facilitam o aprendizado. Para Moran (1993) o ritmo, a fala, o texto escrito são combinações de linguagens que estimulam e motivam a aprendizagem. A imagem e o som conseguem tocar a sensibilidade, enquanto que a fala e o texto escrito orienta a decodificação, leva ao processo do conhecimento. E afirma ainda que, " O sensorial é atingido quando a imagem, a palavra, o movimento e a música são combinados e a totalidade do indivíduo é atingida".

Conforme Moran (1993), um dos critérios principais é a contigüidade, a justaposição por algum tipo de analogia, de associação por semelhança ou por oposição, por constraste. "Ao colocar pedaços de imagens ou cenas juntas em seqüência, criam-se novas relações, novos significados, que antes não existiam e que passam a ser considerados aceitos, naturais, normais" Por exemplo, se vários dias sucessivamente forem colocadas matérias sobre a violência e assasinatos, gera-se a cultura da indignação, favorecendo os que defendem a pena de morte, mesmo que isso não fosse a intenção da programação. Como também apresentando no dia-a dia qualquer dança típica de determinada região, que antes não era conhecida, passa agora a ser reconhecida e aceita, podendo inclusive mudar os hábitos de dança de determinada localidade. Um outro exemplo de construção de novas relações proporcionado pelos meios de comunicação é o fato de uma pessoa sair do anonimato e ganhar destaque somente porque foi fotografada com alguém famoso. Neste caso, ganha destaque a pessoa que não era famosa. A televisão, para Moran (1993), também cria relações do tipo de junção de situações que antes estavam separadas, além de criar extensões entre o real e o imaginário.

Moran (1993, p.28-34) fala que "no texto falado da televisão a estrutura é mais organizada, mais sintética, enquanto que na imagem a lógica é mais distribuída, podendo se combinarem diferentemente a cada momento. Normalmente imagem e palavra se complementam, combinando a lógica analógica, metafórica da imagem, com a lógica conceitual, racional do texto; em outros momentos, se opõem". Para as pessoas que compreendem o mundo de forma racional ou que "possuam a inteligência lógico-matemática ou a linguística, segundo Gardner (1995); é possível que possam captar na televisão mais a lógica da narrativa, principalmente a do texto falado-escrito. Para outros, em que o mundo tem comprensão na sensibilidade, podem captar mais através da imagem, da música. Mas para Moran (1993), tanto a lógica racional, quanto a analógica, apóiam na estrutura da lógica sensorial-emocional.

Para Moran (1993, p.28-34)

" a televisão nos toca, nos atinge, na relação imagem, palavra, música, afetivamente desperta emoções imediatas, que orientam a compreensão da realidade no nível analógico e/ou conceitual. A televisão estabelece uma conexão aparentemente lógica entre mostrar e demonstar, isto é, se mostra, está comprovando o que diz. Mostrar é igual a demonstrar, a provar, a comprovar. A televisão, principalmente, transita continuamente entre as situações concretas e a generalização: mostra dois ou três escândalos na família real inglesa e tira conclusões sobre o valor e a ética da realeza como um todo". Mostrar o que está acontecendo, significa mostrar a existência de determinada realidade. A realidade demonstrada através da imagem, da palavra ou do som, ganham mais coerência e podem atingir as emoções. Os meios televisivos articulam a lógica falada, a escrita, efeitos sonoros e música, contribuindo assim para a pluralidade de idéias e atingindo o indivíduo por inteiro.

O que se pode observar nesse capítulo é que Moraes, Gardner e Moran relatam aspectos do novo ambiente tecnológico apresentados pelos meios de comunicação, que combinados com os aspectos pedagógicos sejam capazes de desencadear um novo processo de ensino-aprendizagem, possibilitando que o cotidiano do interior da sala de aula se envolva com a nova realidade cultural.

Complementando esse capítulo tem-se os paradigmas de ensino, que demonstra como o ensino é visto sob o prisma de modelos. Paradigma é visto por muitos autores como os valores que determinada comunidade científica tem como padrão. Os padrões que permitem a explicação de certos aspectos da realidade é chamada de paradigma, que é afetado por mudanças que podem ocorrer de tempos em tempos.

Para Moraes, (1996)

"Paradigma é um modelo científico de grande envergadura, com base teórica e metodológica, convincente e sedutora, e que passa a ser aceito pela maioria dos cientistas integrantes de uma comunidade. É uma construção que põe fim às controvérsias existentes na área a respeito de determinados fenômenos. A partir da existência de um consenso sobre determinadas ocorrências ou fenômenos por parte de um grupo de cientistas, inicia uma sinergia unificadora ao redor de um novo tema".
Tabela 3: Estudo Comparativo dos Paradigmas de Ensino
 
ENSINO COMO REPRODUÇÃO DO CONHECIMENTO ENSINO COMO PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
- enfoca o conhecimento "sem raízes" e o dá como pronto, acabado e inquestionável; - enfoca o conhecimento a partir da localização histórica de sua produção e entende como provisório e relativo;
- valoriza o imobilismo e a disciplina intelectual tomada como reprodução das palavras, textos e experiências do professor e do livro; - valoriza a ação reflexiva e a disciplina tomada como a capacidade de estudar, refletir e sistematizar conhecimento;
- privilegia a memória e a repetição do conhecimento socialmente acu-mulado; - privilegia a intervenção no conhe-cimento socialmente acumulado;
- usa a síntese já elaborada para melhor passar informações aos estudantes, muitas vezes repro-duzidas de outras fontes; - estimula a análise, a capacidade de compor e recompor dados, informações, argumentos e idéias;
- valoriza a precisão, a segurança, a certeza e o não- questionamento; -valoriza a ação, a reflexão crítica, a curiosidade, o questionamento exigente, a inquietação e a incerteza, carac-terísticas básicas do sujeito cognos-cente;
- premia o pensamento convergente, a resposta única e verdadeira e o sentimento de certeza; - valoriza o pensamento divergente e/ou provoca incerteza e inquietação;
- concebe cada disciplina curricular como um espaço próprio de Domínio de conteúdo e em geral, dá a cada uma o status de mais significativa do currículo acadêmico;  - percebe o conhecimento de forma interdisciplinar, propondo pontes de relação entre eles e atribuindo signi-ficados próprios aos conteúdos, em função dos objetivos acadêmicos;
- valoriza a quantidade de espaços de aula que ocupa para poder "ter a matéria dada", em toda a sua ex-tensão; - valoriza a qualidade dos encontros com os alunos e deixa a estes tempo disponível para o estudo sistemático e investigação orientada; 
- concebe a pesquisa como atividade exclusiva de iniciados, onde o apa-rato metodológico e os instrumentos de certeza sobrepõe à capacidade intelectiva de trabalhar com a dú-vida; - concebe a pesquisa como atividade inerente ao ser humano, um modo de aprender o mundo, acessível a todos e qualquer nível de ensino, guardadas as devidas proporções;
- incompatibiliza o ensino com a pesquisa e com a extensão, dico-tomizando o processo de aprender; - entende a pesquisa como instrumento de ensino e a extensão como ponto de partida e de chegada da apreensão da realidade;
- requer um professor "erudito" que pensa deter com segurança os conteúdos de sua matéria de ensino; - requer um professor inteligente e responsável, capaz de estimular a dú-vida e orientar o estudo para a eman-cipação;
- coloca o professor como a principal fonte de informação que, pela pala-vra, repassa ao aluno o estoque que acumulou. - entende o professor como mediador entre o conhecimento, a cultura siste-matizada e a condição de aprendizado do aluno. 
Fonte: Maria Isabel da Cunha.

II Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino.

 

A Tabela 3 faz um estudo comparativo dos paradigmas de ensino, trazendo as concepções de aprendizagem de autores já mencionados nesse trabalho. Os modelos apresentados são vistos sob dois modelos. O primeiro trata o ensino como reprodução do conhecimento e é visto mais sob o prisma da escola tradicional. O outro modelo trata o ensino como produção do conhecimento e apresenta características da escola construtivista.

Da Tabela 3 pode-se inferir que o ensino é visto sob o prisma de paradigmas. Cabe agora acrescentar que as novas tecnologias já começam a ser incorporadas no cotidiano escolar tendo com isso também o paradigma tecnológico. No entanto, somente a instalação de equipamentos não equivale dizer que a aprendizagem está sendo conduzida. O professor necessita além de entrar no cenário da modernização tecnológica, comprender como se dá o processo de desenvolvimento do conhecimento no indivíduo. O novo paradigma educacional deve também ser incorporado no contexto escolar. De acordo com a Tabela 4, o modelo de ensino, tanto o antigo como o novo, sofreram modificacões com a evolução da tecnologia.

Tabela 4: Mudanças nos Paradigmas Educacionais
 
MODELO ANTIGO MODELO NOVO IMPLICAÇÕES TECNOLÓGICAS
Palestras em sala de aula Exploração individual PCs em rede com acesso às informações
Absorção passiva Atitude de aprendiz Exige desenvolvimento de habilidades e simu-lações
Trabalho individual Aprendizagem em equipe Beneficia-se de ferra-mentas colaborativas e e-mail
Professor onisciente Professor como guia Depende do acesso a ex-perts através da rede
Conteúdo estável Conteúdo em rápida um-dança Requer redes e fer-ramentas de publicação
Homogeneidade Diversidade Requer uma variedade de ferramentas e métodos de acesso
 

Na Tabela 4 estão representados o modelo antigo de paradigma e o novo modelo, como também as implicações tecnológicas para cada aspecto apresentado.

Atualmente, ao invés de se ter um expert na frente da sala de aula falando para muitas pessoas, ocorrer o contrário; tem- se o usuário de um computador com vários experts embutidos nele. Os computadores permitem esse modelo e os alunos ficam mais livres para descobrirem sozinhos o conhecimento.

Há muita informação sobre cada conteúdo que o professor precisa repassar aos alunos, de modo que o professor vai depender cada vez mais da tecnologia. As redes têm as informações, e os professores podem se tornar facilitadores do processso, colaboradores e distribuidores de recursos.

Os computadores também auxiliam na preparação de materiais didáticos, como programas de processamento de textos, editoração eletrônica, apresentação, recursos a distância, facilitando o trabalho dos professores que antes também tinham que se preocupar com a confecção de materiais, possibilitando a concentração na explicação das informações.

As novas tecnologias estão divididas nas seguintes categorias: redes, multimídia e mobilidade. As redes LANs, WANs e serviços on-line (especialmente a Internet) bem como as conferências de áudio e videoconferência, e-mail, software colaborativo e gerenciamento da instrução. Multimídia apresenta uma ampla variedade de dados (vídeo analógico e digital, animação bi e tridimensional, inclui também discos e drives de CD-Rom, hardware para exibição gráfica e placas de som). Processadores de sinais digitais, para processamento de fala e sinais, estão também surgindo no mercado. A aplicação da multimídia na educação garante o aspecto motivacional, pois ela envolve o uso da imagem e do som de maneira atraente para aprender e analisar os conteúdos.

A categoria de mobilidade é a conseqüência da redes, mas também decorrente da miniaturização, como os computadores tipo notebok, que formam LANs sem fio com grupos de trabalho virtuais ou estabelecendo serviços de discagem que permitam acesso, a qualquer hora, de qualquer lugar. Isto vai garantir levar as informações para um público-alvo sempre que tiver demanda, aprendendo enquanto se trabalha. Para a educação, os professores requerem constantemente atualização e a mobilidade proporciona aprendizado no próprio trabalho. Ao invés de livros, tem-se a base de informações constantemente atualizada, "just-in-time".

Nota-se, com o modelo novo, que a perspectiva de escola mudou. Ao invés de salas de aula convencionais, o novo paradigma propõe ambientes de aprendizagem, centrado no ensino por descoberta, como é o caso do computador, onde as pessoas podem desenvolver os seus potenciais, mediante a interação de elementos que envolvem o usuário. A flexibilidade facilita as interações e as ações espontâneas têm a possibilidade de desenvolver múltiplas inteligências ou habilidades.

O papel da escola nesse novo paradigma é atender ao indivíduo, levando em consideração suas necessidades e interesses. Nesse sentido, o ensino a distância pode suprir essas expectativas, pois o ensino a distância abre perspectivas de um aprendizado sem fronteiras, sem limites de idade e revela novos espaços de produção de conhecimento.

Segundo Moraes (1996); o novo paradigma revela que "a educação tem uma escola baseada agora no paradigma de investigação interpretativo ou hermenêutico, qualitativo, descritivo e indutivo, subjetivo, com valores explícitos, fundamentado na realidade, orientado a descoberta e a exploração. Aceita a quantificação quando possível. É holista, histórico e considera o contexto".

O novo paradigma traz consigo toda a evolução tecnológica, tem um mundo em que a economia é baseada na informação, com ferramentas de ensino como drives de CD-Rom, conexões com a Internet, multimídia, lotus notes, e-mail, simulações e ambientes de softwares colaborativos. Essas técnicas derrubam barreiras, personalizam a instrução e tornam a educação mais eficiente em termos de custos.

O investimento em tecnologia deve ser usado, não somente para automatizar antigos processos de aprendizagem, mas também para habilitar novos processos, pois o ensino por descoberta tem favorecido usuários que agora podem ficar mais a vontade com computadores, quando se trata de um assunto que estão tendo problemas. O constrangimento que poderia haver se dessem uma resposta considerada errada é minimizado com essa modalidade de interação.

Já existem muitos softwares preocupados com o novo aprendizado como é o caso do Programa FAST (Financial Analysis and Security Trading) utilizado no curso de graduação de Finanças Computacionais em Pittsburgh. Conseguem envolver o aluno e a possibilidade dele reagir num ambiente de verdade. O sistema recebe dados em tempo real, mostrando o que está acontecendo no mercado finaceiro e os estudantes podem comprar e vender ações pelos preços verdadeiros., ou seja; da sala de aula para a bolsa verdadeira e ao vivo.

Alguns programas encorajam o aluno, ao invés de colocar que ele errou, como se pode pobservar no Programa PAT (PUMP Algebra Tutor). O erro é tratado como construção do acerto e quando o aluno fica perdido ele pode pedir dicas ao tutor. O programa não dá a resposta, encoraja com perguntas: - Você já tentou isso?, por exemplo; e quando o aluno parece Ter dominado as habilidades relevantes, o computador apresenta o próximo nível de problema; fazendo com que a interação seja construtivista e não depositária de informações. Os alunos ficam mais a vontade com o computador quando se trata de um assunto que eles estão tendo problemas. Quando se dá uma resposta errada ao tutor baseado em computador, o aluno com certeza, não ficará constrangido e sim ele ficará envolvido.

Um outro programa é o Project Listen ( ouvir e intervir). Trata-se de um sistema reconhecedor de voz, que casa as palavras faladas com o texto que o estudante está lendo, e destaca as mais problemáticas e as pronuncia. Softwares que provocam discussões e reflexão filosófica sobre algum assunto também já estão sendo desenvolvidos no Centro para o Avanço da Ética Aplicada em Pittsburg.

Uma outra possibilidade também é a aplicação interdisciplinar de um conteúdo num programa. No curso de ciências de Pittsburg, um software foi desenvolvidio para ensinar programação aos estudantes da àrea de biologia, através do desenvolvimento do embrião da mosca nas frutas. Por trás da simulação, há linhas de código. Os estudantes podem acessar o código e fazer alterações na simulação ou aprender quais fatores disparam certos eventos. O software traz a questão: Você quer mudar a forma como a difusão acontece? Entre lá e modifique o código. Os alunos aprendem sobre estruturas de dados, algoritmos e outros elementos de software.

Todos esses programas estão trabalhando no novo paradigma, associando tecnologia e aprendizagem, pois as novas tecnologias podem encorajar o pensamento criativo, promover a capacidade de empreendimento e despertar a curiosidade, aliada ao aprendizado prático e individualizado, ao trabalho em equipe e a descoberta dirigida das informações.

Os aspectos e paradigmas apresentados nesse capítulo consideram a preocupação constante com a produção do conhecimento, independente da tecnologia ou pedagogia. No entanto, a possibilidade da agregação da pedagogia à tecnologia avança na perspectiva de gerar um ensino a distância com qualidade.

Os desafios e as perspectivas para ensino a distância serão tratados no capítulo seguinte.

 
2.7 Desafios e perspectivas para ensino a distância

Nesse capítulo, a preocupação é com os desafios e perspectivas da educação a distância. Dentro das perspectivas brasileiras, o Ministério da Educação decretou a autorização para instituições que promovam cursos de educação a distância . Foi limitado a um período de cinco (05) anos, podendo ser renovados após avaliação.

Em 12 de fevereiro de 1998, o "Diário Oficial" da União regulamentou o artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que trata da educação a distância. O decreto define a educação a distância como uma forma de ensino que possibilita a auto- aprendizagem por intermédio de recursos didáticos apresentados em diferentes suportes de informação (material impresso, vídeo, computador), utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.

A Figura3 exemplifica os critérios para cursos a distância:

 
 
  Os cursos ministrados sob forma de educação a distância serão organizados em regime especial, com flexibilidade de requisitos para admissão, horários e duração, sem prejuízo, quando for o caso, dos objetivos e das diretrizes curriculares fixadas nacionalmente;
  Os cursos a distância que conferem certificado ou diploma de conclusão do ensino fundamental para jovens e adultos, do ensino médio, da educação profissional e de graduação serão oferecidos por instituições públicas ou privadas especificamente credenciadas para esse fim;
  A oferta de programas de mestrado e de doutorado na modalidade a distância será objeto de regulamentação específica;
  O credenciamento das instituições e a autorização de cursos serão limitados a cinco anos, podendo ser renovados após avaliação;
  A matrícula nos cursos a distância de ensino fundamental para jovens e adultos, médio e educação profissional será feita independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação que defina grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino;
  A matrícula nos cursos de graduação e pós-graduação será efetivada mediante comprovação dos requisitos estabelecidos na legislação que regula esses níveis;
  Os certificados e diplomas de cursos a distância autorizados pelos sistemas de ensino, expedidos por instituições credenciadas e registrados na forma de lei, terão validade nacional;
  Os certificados e diplomas de cursos a distância emitidos por instituições estrangeiras, mesmo quando realizados em cooperação com instituições sediadas no Brasil, deverão ser reavaliados para gerarem efeitos legais, de acordo com as normas vigentes para o ensino presencial;
  A avaliação do rendimento do aluno para fins de promoção, certificação ou diplomação será feita por meio de exames presenciais, de responsabilidade da instituição credenciada para ministrar o curso, segundo procedimentos e critérios definidos no projeto autorizado.
Fonte: Decreto publicado no Jornal Folha de São Paulo, em 13/02/98
Figura 3: Critérios para Cursos a Distância

 

Como conseqüência do uso da educação a distância já é possível identificar como resultados iniciais a qualificação de ambientes acadêmicos da engenharia brasileira na elaboração de conteúdos, formatação, distribuição e acompanhamento da aplicação dos produtos de ensino a distância.

E refletindo sobre perspectivas, não se pode esquecer do fator da globalização. A integração globalizante da economia e da cultura, está tornando o homem um cidadão do mundo, um ser universal, como também, o professor não é mais depositário da informação, como questionava Freire. A educação não é mais bancária e o homem vem desenvolvendo a característica de cidadão globalizado.

A globalização é a situação atual da economia mundial, ainda em fase de consolidação. A busca por novos mercados ou matéria-prima com menor custo, sempre foi a principal motivação para muitas mudanças históricas. O termo globalização surgiu no final dos anos 70, onde os economistas começaram a difundir o conceito de globalização, usado para definir um cenário em que as relações de comércio entre os países fossem mais freqüentes e facilitadas. Depois o termo passou a ser usado fora das discussões econômicas. Nos anos 90, começaram a falar em globalização da cultura, globalização dos esportes.

As barreiras comerciais entre os países começaram a cair com a diminuição (ou eliminação) de impostos sobre importações, o fortalecimento de grupos internacionais de livre comércio (como a Comunidade Européia e o Mercosul) e o incentivo do governo de cada país à instalação de empresas estrangeiras em seu território. Contudo, a produção e emprego são afetados. Com a contratação de uma empresa de outro país para fazer algumas peças de carros, uma montadora pode demitir empregados e reorganizar funções de outros. O profissional globalizado tem que estar preparado para mudanças em sua carreira. O novo perfil do profissional globalizado está na capacidade interdisciplinar de seus conhecimentos e habilidades, para entender todas as informações sobre os avanços tecnológicos de sua área, e que saiba racionar a partir das informações que tem. O talento, portanto é fundamental para se ter sucesso na globalização. Conseguir informação é o que conta no mundo globalizado.

Para alguns o mundo começou a ficar globalizado no início dos anos 80, quando a tecnologia de informática se associou à de telecomunicações (processamento, difusão e transmissão de informações). Outros acreditam que a globalização começou mais tarde, com a queda das barreiras comerciais. Contudo, a globalização vêm fazendo parte do cotidiano das pessoas e diminuindo distâncias. Há comerciais na TV brasileira, por exemplo, criados por agências norte-americanas, para vender no Brasil produtos norte-americanos, mas fabricados em países da Ásia, como Vietnã ou Indonésia, ou seja, há uma crescente mundialização das marcas dos produtos.

A revolução tecnológica vêm reduzindo o tamanho do mundo e a indústria de telecomunicações vive uma explosão, com a diminuição dos custos de equipamentos de informática e a velocidade na troca de dados. A tecnologia evoluiu rapidamente. Uniu transmissão de imagens (TV) com a de som (telefone) e com a de dados. O barateamento da informática popularizou-a, além de permitir rapidez nos dados processados. As redes nacionais se interligaram, dando maior rapidez e segurança ao sistema.

Paralelamente, inicia-se um processo de convergência entre o sistema de telecomunicações e o mercado da mídia, favorecendo a globalização, facilitando o acesso a informação em qualquer lugar onde se esteja. Contudo, mais informações não significa mais racionalidade. O que veicula na mídia em termos de informação precisa ser transformado em conhecimento, para que as pessoas não se sintam sobrecarregadas psicologicamente e assim vemos novamente a preocupação de Freire no sentido de educação depositária de informações, de conteúdos. Contudo, a indústria de informática, telefonia e mídia transformaram tanto o mercado de informação, quanto o de comunicação. A explosão tecnológica iniciou-se no século 19, demonstrada na Tabela 3 e complementando, a Tabela 4 mostra os principais consórcios de satélite.

Tabela 5: Evolução Tecnológica das Mídias de Informação
 
ANO MÍDIA
1832 Telégrafo
1876 Telefone
1906 Rádio
1923 Reprodução de documentos
1925 Televisão
1945 Computador
1947 Transistor
1960 Satélite
1969 Rede de Computadores
1970 Cabos de fibra óptica e laser
1971 Chip
1978 Compact Disc (CD)
1980 Computadores pessoais (PCs)
1985 Telefone Celular
1986 Redes Locais
1987 ISDN (Rede digital de serviços integrados)
1991 Popularização da Internet
1993 Sistema de posicionamento global
1995 TV digital, transferência assíncrona de inform. e redes de transmissão sem fio
1996 Rede de computadores pessoais
1997 Pager de voz
Fonte: Banco Mundial / Folha de São Paulo [02/11/97]

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Tabela 6: Principais Consórcios de Satélite
 
INMARSATGLOBALSTAR Consórcio de 10 empresas (Alcatel, France Telecom, Vodafone, Qualcomm, Loral, Airtouch e Hyundai entre outras), são 56 satélites (8 já inativos), alcançando 100 países, é usado para voz, dados, fax e outros serviços de tele-comunicações;
ORBCOMM Pertence às empresas Orbital Sciences Corporation e Teleglobe Inc , entra em operação comercial no começo de 98, são 36 satélites - 2 já estão em órbita desde 95;
ODISSEY As duas empresas fundadoras são a TRW e a Teleglobe Inc. , são 12 satélites, será usado para transmissão de voz e dados;
ELLIPSO São 17 satélites, pertence a empresa norte americana Mobile Communications Holdings, transmitirá principalmente voz, mas também dados, entra em operação no início do ano 2000;
TELEDESIC Fundado em 1990, seus principais acionistas são Craig McCaw, ex- pro-prietário da McCaw Cellular e Bill Gates, proprietário da Microsoft, o início das operações está previsto para 2002, serão 288 satélites;
IRIDIUM Sistema desenhado pela norte-americana Motorola, está sendo implantada por um consórcio de empresas. No Brasil é representado pelo grupo Inepar, do Paraná, entra em operação em setembro de 98.
Fonte: Folha de São Paulo [02/11/97].

A tabela da evolução tecnológica representada pela Tabela 5 e os principais consórcios de satélite na Tabela 6, demonstram que o mundo passou por uma desenvolvimento e fortalecimento tecnológico. As informações vem chegando com tamanha velocidade nos dias de hoje que o preço da chamada telefônica vem caindo e a Internet pode barateá-la ainda mais. Fusões de empresas da área da informática, telefonia e comunicação estão mudando o mercado da informação. A Tabela 6 exemplifica os futuros desenvolvimentos da tecnologia segundo a revista Wired, (1997).

 
Tabela 7: Futuros Desenvolvimentos das Tecnologias
 
Linha do Tempo / Área da Previsão Civilização Social/Política Nova Economia O Mundo Segue 

(Globalização) 

  

  

 

Reestruturação da Europa (Globalização)
1995/2000 ·  · Conferência Mundial da ONU de mulheres, em Beijing 

· Republicanos comandam Câmara e Senado 

· Califórnia inicia uso da maconha com fins medicinais 

· Plano de bem-estar do povo americano começa 

 

· A nova Economia se ergue 

· Grande descontinuidade economic da Internet 

· Reengenharia nas corporações terceirização 

· Dinheiro virtual chega

· Tratado de livre comércio na América 

· Crescimento do GDP mundial chega a 4% 

· Organização mundial de comércio independente do GATT surge

· Acordo para telecomunicação global 

· Acordo para tecnologia da informação global

2000/2005 ·  · Taxadores de café americano ganham com economia florescente 

· Projeto Gutenberg completo, 10 mil livros on-line 

· Uso generalizado de cartões escolares 

· A eleição da educação 

· Transformação da educação k-12 

· Imigração de trabalhadores do conhecimento ativamente encorajada 

· Final da transição de cinco anos do plano de bem-estar

· Comércio engrena 

· Venda on-line chegam a US$10 bi 

· Economia americana cresce 4% 

· Medidas de produtividade americanas são revistas

· Tratado de livre comércio em todas as Américas · Europa adota a moeda comum 

· União Européia se alastra para o Leste Europeu 

· Europa começa dolorosa reestruturação econômica

2005/2010 · "Projeto Marte" iniciado por comunidade internacional · Primeira eleição presidencial americana via Internet (e-voting from home) 

· Seguridade Social transformados radicalmente  

· Ensino superior radicalmente transformado

· Indústria farmacêutica desenvolve nova biotecnologia 

· Revolução global verde em biotecnologia agrícola 

· Transformações completas nas indústrias automotoras e petroquímicas começa 

 

· Crescimento do GDP mundial atinge espantosos 6% 

· Crise do petróleo no Oriente Médio, petróleo despenca

· Russia emerge da transição capitalista
2010/2015 · Supertrata-do de não-agressão vincula EUA, China, Europa e Rússia · Imigrantes voltam para ver a família · Economia global em rede toma seu lugar 

· "Explosicionistas" começam a arrefecer, dando impulso a um novo crescimento da indústria da saúde

·  · 
2015/2020 · Economia global começa a encontrar equilíbrio com a natureza 

· Uma cultura realmente global emerge 

· Primeira conven-ção Global sobre reparação à natureza

· Americanos se esforçando profundamente para fazer a sociedade multicultural funcionar ·  · Grande crise na África Central: 5 milhões morrem · 
2020 · Homens "aterris-sam" em Marte 

· O início de uma civiliza-ção que engloba as civi-lizações 

· Popu-lação mundial se estabiliza em 11 bilhões de habi-tantes

·  · Transição das indústrias automotivas para fontes alternativas de energia · Taxa de crescimento populacional mundial estabiliza-se em 6% · Itália torna-se a primeira Nação-Estado a se dissolver na Europa
 
 

 

Tabela 8: Desenvolvimentos Futuros

 
 
Linha do Tempo/ Área da Previsão Nanotecnologia 

(tecnologia))

Energia Alternativa 

(tecnologia)

Biotecnologia 

(tecnologia)

Telecomunicações 

(tecnologia)

Computadores 

(tecnologia)

1995/2000 · Princípios de design da nanotecnologia desenvolvidos · Indústria da eletricidade se descentraliza 

· Laboratórios de pesquisa trabalhando no combustível de hidrogênio

· Ovelha clonada pela primeira vez · Explosão da WWW 

· Telecom torna-se sem fios 

· Satélite global de Irídio

· Pentium Pro apresentado com 5,5 milhòes de transístores 

· PC’s em 35% dos lares dos EUA

2000/2005 · Primeiros chips e sensores integrados em escala molecular · Indústria solar - US$ 1 bi em vendas 

· Automóveis elétricos 

· Deadline para carro "Emissão-Zero" californiano

· Projeto Genoma completo · Internet sem cabos de conexão 

· Satélite teledésico global para Internet

· Reconheci-mento de escrita manual confiável 

· resolução de uma tela mediana de computador igual à do papel 

· Reconheci-mento de voz confiável

2005/2010 ·  · Segundo estágio de híbridos impulsionados por turbinas de gás 

· Primeiros carros com hidrogênio à base de gasolina

· Animais são comumente usados como doadores de órgãos 

· Todos os defeitos de nascença eliminados 

· Maioria da produção americana geneticamente monitorada

· Transição para TV digital completa 

· Conexões de bandas de grande largura para as casas 

· Videofones deslancham

· Intel introduz microproces-sador com 350 milhões de transístores
2010/2015 ·  · Terceiro estágio de carros híbridos movidos a hidrogênio puro · Geneterapia para câncer aperfeiçoada · Conexões de bandas de grande largura à disposição em qualquer ponto do planeta 

 

· Intel introduz microproces-sador de 10 GHz e com um bilhão de transístores 

· Tradutor simultâneo confiável

2015/2020 · Primeiros produtos nanotecnológicos comercialmente viáveis 

· Computadores quantum são criados

· Ressurgimento do poder nuclear verde 

· Fontes de energia limpa altamente diversificadas

· Expectativa de vida humana atinge 120 anos 

· 4 mil doenças genéticas controladas

·  · 
2020 · Fábricas de desktop no horizonte ·  · Primeira criança designer 

· Computação do DNA no horizonte

·  · 
 

Tabela 8 demonstra os desenvolvimentos futuros na sociedade até o ano 2020, segundo a revista Wired. A rápida evolução computacional tem possibilitado em gama variada de perspectivas futuras quanto ao uso das novas tecnologias pela educação. Os alunos são curiosos e têm iniciativas e o modelo por descoberta proporcionado pelo conhecimento tecnológico é o desafio dado aos professores.

No entanto, esse crescimento das novas tecnologias tem preocupado pesquisadores que consideram que a educação a distância está se tornando competitiva. No capítulo seguinte será tratado as questões de custo e benefício das tecnologias, como também as dimensões futuras para o ensino a distância.

2.8 Custo e benefício das tecnologias

O uso da tecnologia não somente aumenta o acesso e apresenta flexibilidade, mas também melhora a qualidade da aprendizagem e aumenta a efetividade entre custo e benefício. Bates (1997), vem pesquisando a questão custo x benefício nas prioridades em que ele chamou de ACTION. ACTION é uma sigla de prioridades ao se escolher uma determinada tecnologia. Refere-se à sigla:

1. Acess (acesso) - Refere-se às tecnologias que se pode utilizar para determinado público-alvo; são aquelas tecnologias que o usuário tem acesso. Por exemplo; ao se tratar de trabalhadores, a mídia escolhida foi a televisão para repassar o conteúdo do telecurso. Provavelmente, a mídia foi escolhida certa. Para um público de empresários que já possui computador, a utilização de CD- Rom funcionaria perfeitamente, pois eles poderiam ter acesso a qualquer hora. Isto para Bates é benefício.

2.Costs (custos) - Trata dos custos das tecnologias e o número das pessoas que estão utilizando essa tecnologia. Por exemplo, conferência por computador pode se tornar muito caro, se o público for pequeno. Mas o que apresenta menor custo para um número pequeno de alunos, pode se tornar caro para um número grande de alunos. Por exemplo, uma sala com muitos computadores para um grande número de alunos. A estrutura de custos no ensino a distância é dada por Bates (1997) como cálculo de custo de aluno estudando por hora e custo de aluno no final do curso, levando em consideração as mídias e o horário de transmissão e a carga horária total do curso. Por exemplo, se utilizada a televisão, quantas vezes o programa foi ao ar, se foi ao vivo ou gravação. Já na conferência pelo computador, o expert deve estar sempre ao vivo, tornando o custo mais elevado.

Para os custos, Bates (1997) também considera cinco variáveis: 1. compra de equipamentos; 2. rede usada para várias maneiras; (relação custos fixos x custos variáveis). A televisão por exemplo, não importa o que assiste, o custo é o mesmo; já no vídeo o número de aula é variável e a produção é variável e os custos também são variáveis; 3. número de alunos; 4. Volume de atividades. Na TV, há um grande número de atividades, e o custo é variável e 5. Vida do curso , que permite atender a quantos alunos por curso.

3.Teaching and Learning (Funcões de ensino) - Escolher a tecnologia e o custo é determinante para depois determinar as funções de ensino. Segundo Bates, os professsores podem imaginar que esta seria a primeira variável, quando se pensa em utilizar uma tecnologia. No entanto, garante ele, que o acesso e o custo é determinante para a qualidade da aprendizagem. Isto para Bates é benefício.

4.Interactivity (Interação e facilidade de uso) - A interação e a facilidade de uso são ítens importantes no uso das novas tecnologias pelo professor. Para Bates, isso se trata de um benefício.

5.Organizational Issues (Assuntos Organizacionais) - Refere-se ao tratamento apropriado das bases de dados. Bates considera variável este aspecto. Uma hora é benefício, outra é custo.

6.Novelty (novidade) - O autor considera esse aspecto da novidade, como um benefício, pois as pessoas estão sempre procurando mídias novas. E conseguir apoio financeiro para apoiar e desenvolver novas mídias, garante ele que não é tão difícil. E também a "Speed of course", o tempo de desenvolvimento para cursos que trabalham com parcerias e com verbas especiais. Estes cursos devem ser desenvolvidos rapidamente, pelo fato de se ter conseguido verbas especiais.

Para Bates (1997), tem-se uma escolha quando se usa a tecnologia: Quando se acrescenta a tecnologia ao currículo básico, significa que não se utiliza a tecnologia na essência e quando a tecnologia é centrada no processo ensino - aprendizagem, ocorre uma mudança de postura do professor e na organização.

As tecnologias e metodologias de aprendizagem proporcionam a transmissão da informação, a aprendizagem colaborativa e a estratégia de tomada de decisões ou a resolução de problemas. Em comum, a tecnologia e a metodologia apresentam a capacitação do aluno; seja ela cognitiva ou para habilidades. O conhecimento do conteúdo, da tecnologia e a sua análise é complementada pela aplicação da informação, quer dizer, o aluno deve ser capaz de ir além da informação e criar novos conhecimentos.

Contudo, Bates (1997) afirma que não há uma metodologia consensual, pois as pessoas tem perspectivas diferentes. Reduzir custos sem perder a qualidade é primordial e a pesquisa sobre custos é real para trabalhar com os interesses e as necessidades do usuário.

Na educação, nota-se a crescente preocupação com a formação do professor para lidar com as novas tecnologias no interior da sala de aula e a modalidade de ensino a distância configura-se como um instrumento fundamental quando possibilita que grande número de pessoas, simultaneamente ou não, tenham acesso a informação, sem que para isso tenham que se deslocar do seu local de trabalho. A modalidade de teleconferência é adequada para essa situação atual da educação, pelo fato de conseguir alcance, através de satélite, para um grande contingente.

A teleconferência possibilita adaptar os conteúdos de maneira inteligente, onde cada aluno seja capaz de construir seu conhecimento e testar seus conhecimentos de cima para baixo e de aluno para aluno. O ensino centra não na informação, mas na formulação de perguntas dos alunos. A percepção é centrada nas perguntas que vão levá-los a uma informação ou interação com outros.

Geralmente, a metodologia da teleconferência se desenvolve levando experts em algum conteúdo para dar informações para todas as pessoas do curso, controlando o tempo. No ensino a distância, como as pessoas estão distribuídas geograficamente, é interessante que as coisas estejam colocadas certas no lugar certo, ou seja, os detalhes vão mudar de grupo para grupo, de região para região, de modo que a informação é metade do processo educacional. É apenas um dos lados, pelo fato de que cada grupo constitui valores distintos para o mesmo conteúdo.

Cada grupo precisa transformar a informação em conhecimento. É necessário fazer as pessoas processarem essas informações. Reunir pessoas somente para ouvir equivale a dizer que são grupos de audiência. No I Ciclo Catarinense de Teleconferências sobre Tecnologia e Educação, os professores interagiram através do fax, fone ou e-mail. Pelo controle do tempo, não foi possível responder a todos os questionamentos que surgiram durante os programas, como também se a resposta dada pelo expert, saneou ou suscitou mais dúvidas nos participantes, pois as perguntas com o mesmo problema foram organizadas pela equipe de produção. Porém, mesmo perguntas iguais podem ter sentidos diferentes e exigem respostas diferentes.

Para Moore (1989, p.1-6)), "a interatividade está na capacidade de ajudar as pessoas a formar a sua própria percepção". A interação está em unir os conhecimentos das pessoas e constituir novos conhecimentos. Por exemplo, no uso de TV em sala de aula, colocar idéias de Freud. E no apoio ao estudante, questionar: O que você vê nesse filme? Aqui temos duas dimensões da educação: o ensino a distância e a aprendizagem a distância; ou seja; dois processos: ensinar e aprender. E não há meio melhor do que o outro. Elaborar as perguntas que fará os alunos a adquirirem a percepção é a melhor maneira para a aprendizagem a distância . O meio tecnológico possibilita o ensino a distância para grandes contingentes de pessoas, o que não seria possível no ensino convencional.

O ensino a distância começa pela tecnologia. No entanto, a arte do ensino a distância está em ser capaz de entender o conteúdo e o meio e usar a mídia adequada. O objetivo é que o aprendizado tenha a ver com mudança, crescimento, visão, entendimento. Na medida em que as pessoas crescem, elas estão se tornando diferentes das outras. A concretização do desenvolvimento do aluno está na avaliação. No ensino a distância, o aluno também tem responsabilidade na avaliação.

A Teoria de Gardner (1995), sobre as inteligências múltiplas, nos mostra que uma forma de apresentação de um curso deve ser dado de maneira que se tente incorporar o maior número de meios, pela razão de que pessoas diferentes aprendem de maneiras diferentes e um conteúdo é melhor apresentado de um jeito ou de outro.

A era da informação e da tecnologia apresenta fenômenos de mudança e barreiras. As perguntas e as respostas vêm da tecnologia. As tecnologias de comunicação podem levar os recursos de ensino, podem dar informação de uma forma contínua. Reorganizar a educação num sistema baseado em tecnologia, onde sistemas de design e pessoas especializadas no aprendizado como um todo é fundamental. Para a eficácia da educação a distância, é necessário também incorporar procedimentos educativos que auxiliem a ingressar nessa nova modalidade de ensino, como também os aspectos motivacionais no período em que o aluno estiver realizando atividades a distância.

Segundo Nunes (1996), os materiais devem ser preparados por equipes multidisciplinares que estejam interagindo com outras instituições, a fim de pesquisarem novas metodologias e linguagem e que incorporem no material pedagógico as técnicas mais adaptadas para auto-aprendizagem, tendo em vista que o centro do processo de ensino passa a ser o aluno e a motivação da modalidade a distância.

Ainda de acordo com o autor acima, "é essencial que se procure ir ampliando as possibilidades de escolha dos estudantes, oferecendo visões alternativas sobre o mesmo problema e materiais complementares que auxiliem na formação de um pensamento crítico e analítico". Isto pode garantir a capacidade de observação crítica e pluralismo de idéias, para que o ensino a distância possa ser visto como produção do conhecimento (saber) e não como reprodução do conhecimento (saber fazer).

Assim, as dimensões do ensino a distância como separação física do professor e dos alunos se minimiza a partir do momento em que a estrutura do material a ser apresentado e a interação entre os aprendizes e o professor (diálogo de Freire) se afirma como fundamental. Dessa maneira, como aconteceu no ciclo de teleconferências, pode-se observar que a informação foi enviada pelo meio tecnológico e o conhecimento enviado por escrito. Houve a decodificação da mensagem.

No ensino a distância deve-se, portanto, entregar o material para os alunos lerem antes das informações começarem a ser enviadas, exercícios a serem feitos com guia de estudo para orientar durante o aprendizado, como também é primordial decidir o conteúdo, os objetivos, as atividades a serem planejadas, o que os alunos vão aprender, e assim poder passar a informação e dar o tempo para eles aprenderem. Elaborar testes e avaliação para que haja interação, fazer com que estas se interliguem, material certo no lugar certo, avisar o horário, trabalhar com a filosofia just-in-time, e atividades planejadas sistematicamente são formas de planejamento que podem auxiliar no processo de ensino a distância.

O apoio ao estudante também deve ser levado em consideração. Numa rede de ensino a distância, pode-se utilizar o apoio ao estudante. Por exemplo; a coordenadoria regional estabelece grupos de estudo, orientados por um coordenador, e pode trabalhar de forma próxima com essas pessoas as questões administrativas e também ajudar os alunos na orientação pessoal e individual.

Na educação a distância, há dois grupos de interesse: interesse no meio e interesse no aprendizado. O grupo que se preocupa com o meio são aqueles que selecionam as mídias, querem saber de todas as mídias mais utilizadas. Já o grupo com interesse no aprendizado tem como foco um ensino sério, que atinja um grande número de pessoas como também se preocupam com a metodologia utilizada para repassar a informação para determinado público-alvo.

Blois (1994), coloca que

"somente formas não presenciais de educação poderão atender a um número enorme de cidadãos - que atinge a casa dos milhões - em suas necessidades de adaptação às exigências do mercado de trabalho, atualizando-o, dando-lhe suporte para posturas criativas e até considerando, como atitude desejável, a mudança no ramo de trabalho para melhor realizá-lo e ajustá-lo à sua real vocação profissional". Quer dizer, a educação a distância apresenta como característica básica a capacidade de difusão do conhecimento, vencendo os desafios da separação física e principalmente temporal, entre os processos de ensino-aprendizagem. Isto significa não somente uma qualidade específica dessa área, mas fundamentalmente uma conquista.

Não é possível apontar tendências isoladas no ensino a distância, mas sim indicar uma tendência mais geral para a diversificação, incremento da funcionalidade e de modalidades sobrepostas. Isto quer dizer que cada vez mais a oferta em ensino a distância será uma conjugação de tecnologias interligadas para atender melhor as necessidades de cada usuário. Segundo Peacock (1996), "a sofisticação dos métodos de comunicação vão aumentar, em particular, as larguras de bandas de transmissão, que poderão carregar mais e mais opções - tais como texto e vídeo - no mesmo canal. Via de regra, dada a generosa largura de banda, a principal limitação da funcionalidade e conectividade é a imaginação do programador".

Peacock (1996) sugere que se pode ver pelo menos duas direções para as quais a EAD pode caminhar. Por um lado, existe uma necessidade fundamental de servir o máximo possível uma comunidade de usuários. Isto quer dizer uma demanda relativamente não sofisticada, uma tecnologia flexível como um e-mail comum ou sistemas de "bulletin-board/newsgroup". Muitas aplicações da Internet podem ser grosseiramente classificadas desse modo, desde que elas possam servir a muitas pessoas com um largo espectro de equipamentos. A modalidade tende a ser assíncrona, podendo servir em conjunção com os significados mais prosaicos de transferência de informação tais como o envio de materiais impressos, discos ou videoteipes. A ênfase está no serviço mais amplo e diverso quanto é possível ser a clientela, com o máximo de conveniência de custo razoável.

Por outro lado, existe uma necessidade de servir a uma outra clientela relativamente sofisticada e dirigida, freqüentemente num nível de pós-graduação, corporativo ou profissional. Aqui a ênfase está em alcançar o máximo de performance possível com a melhor tecnologia disponível. A modalidade é freqüentemente sincrônica, considerando que quaisquer meios de troca de informação permitida pela tecnologia tenderá a ser explorada. Em algum lugar entre os dois extremos estão várias modalidades de áudio e videoconferência. De novo, elas podem ser combinadas com transferência de texto, imagens paradas, etc.

As perspectivas evolutivas da educação a distância apontam para a importância crescente de novos modelos de interatividade. Alguns autores acreditam que é preciso conhecer as diversas interações existentes no processo de aprendizagem para poder criar cursos a distância que atendam conceitos de Qualidade Total.

Hoffman & Mackin (1996) propõe que se considere quatro interações presentes no ensino a distância: aluno/interface, aluno/conteúdo, aluno/instrutor e aluno/aluno. A primeira interação proporciona o acesso que permite aos aprendizes não só receber o treinamento mas também participar dele. A interação aluno/interface é a "linha vital" entre o professor e o aluno, se ela falha, o treinamento também pode falhar. Entre outras medidas, é preciso tomar a tecnologia o mais amigável e transparente possível.

A segunda interação que acontece entre o aluno e o conteúdo é chamada por Moore (1989), de "interação intelectual", que é aquela em que o entendimento, a percepção e as estruturas cognitivas do aluno são transformadas. A visualização do conteúdo é crítica para estimular satisfatoriamente não só a percepção e a cognição, mas também a atenção do aluno por longos períodos de tempo. Hoffman & Mackin (1996) propoem o "entertrainment", uma mistura de treinamento com entretenimento para capturar a atenção e a imaginação dos estudantes.

A terceira interação é a que acontece entre aluno e professor. O papel do instrutor segundo Hoffman & Mackin (1996) é o de dirigir o fluxo da informação para o estudante, baseado em duas categorias gerais: o toque humano e o diretor de aprendizagem. O primeiro consiste na capacidade de estimular e motivar o aluno, manter o seu interesse, dar apoio e encorajá-lo no processo de aprendizagem, desenvolvendo uma espécie de relacionamento humano com ele. O diretor de aprendizagem é o papel que o professor representa na hora de organizar as matérias e dar as aulas.

Segundo Hoffman & Mackin (1996) , as interações aluno/aluno são freqüentemente as mais produtivas experiências de treinamento. Estas interações quando bem projetadas oferecem a oportunidade para os estudantes expandirem e aplicarem o conhecimento do conteúdo de outras maneiras. Os autores sugerem algumas ações de forma a desenvolver uma interação aluno/aluno eficiente: planejar para que haja tempo suficiente, cobrar a participação dos estudantes, fazer atividades relevantes para o trabalho e planejar espaços para apresentação de resultados.

Cada vez mais o ensino flexível e a distância se apresenta como uma das formas de resolver o "gap" existente entre as nações e, dentro destas, entre as populações situadas no centro e na periferia. Tem contribuído para isso o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação, que possibilitam o barateamento dos processos de transmissão e do acesso aos equipamentos por parte de instituições de estudantes. Meios como satélites, fibra ótica e linhas telefônicas com alta capacidade na transmissão de dados possibilitam cada vez mais, a interligação de alunos e professores através de computadores, antenas parabólicas e videocassetes. É cada vez mais fácil a difusão do conhecimento antes centralizado em poucos locais.

No caso das Universidades Federais, o Ensino a distância oportuniza a discussão e ações para a melhoria da qualidade dos cursos em todo país, e da integração destes com o setor produtivo. Neste sentido, o ensino a distância pode ser considerado uma alternativa para distribuir o conhecimento ainda localizado em alguns centros de excelência.

O que se pode verificar com esse capítulo é que o ensino a distância vêm introduzindo novos elementos na relação de comunicação e informação, contribuindo assim para a perspectiva de produzir novos perfis de profissionais globalizados e cidadãos informados.

Na seção seguinte, serão apresentadas experiências de educação a distância no Brasil, como também os modelos de educação a distância adotados internacionalmente.