3 EXPERIÊNCIAS DE ENSINO A DISTÂNCIA NO BRASIL

 

As experiências em ensino a distância no Brasil acontecem desde a década de 70 e possui algumas experiências até com bastante sucesso. Nunes (1996) apresenta um extenso relato dessas experiências. Os objetivos passam desde a melhoria das condições de vida das pessoas até a formação para a cidadania.

A Tabela 9 demonstra as experiências brasileiras segundo Nunes (1996).

A Tabela 10 exemplifica as experiências de ensino a distância no Brasil desde 1970 e os objetivos sempre se preocuparam com a formação profissional ou integral do indivíduo.

De acordo com Nunes (1996), as experiências de ensino a distância no Brasil cumpriram seu papel pedagógico, pois a metodologia utilizada "buscou a melhor utilização possível de um sistema de multimeios e a mais interessante aplicação de televisão, tomada como elemento essencial, como veículo de democratização do saber".

Segundo o autor, no campo das organizações não-governamentais, é possível adotar a educação a distância como estratégia de formação de grandes contingentes populacionais. Neste sentido já estão sendo iniciados os projetos pelo Instituto Nacional de Educação a Distância-INED, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas-IBASE e com outras ONGs. O INED mantém, desde 1992, uma publicação chamada Educação a Distância. Também há dois anos, foi criada a Rede Brasileira de Educação a distância READ/BR, e a secretaria está ao encargo da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional.

No capítulo seguinte, são demonstradas as experiências de ensino a distância em Santa Catarina veiculadas pela Universidade Federal, através de seu Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.
 

 

Tabela 9: Experiências de EaD no Brasil
instituição início objetivos áreas / cursos alunos que concluíram
UnB 1970 - -Constituição 

-Direito Achado na Rua 

-Abuso de Drogas, Freud, Introd. à Informática, etc

- 

 

CETEB 1973 Aperfeiçoamento e formação de pro-fessores em serviço   

-

  

-

FUNTELC 1974 Ensino regular de 5ª. a 8ª. Série do 1º. Grau, com implantação de telessalas em grande parte dos municípios   

-

  

-

PETROBRÁS 1975 -Escolarização em 1º. E 2º. Graus 

-Profissionalização específica para a área de petróleo

-Estudo autônomo 

-Demonstração de competência  

-Demonstração de suficiência

2.258
SENAI 1978   

-

-Leitura e Interpretação de  

desenho técnico mecânico 

-Matemática básica 

-Eletrônica

23.684
ABT 1980 Aperfeiçoamento do Magistério de 1º. e 3º. Graus a distância -Alfabetização 

-Metodologia Geral 

-L.Portuguesa 

-Matemática 

-Ciências Sociais , Físicas e Biológicas

18.368
ABEAS 1982   Ciências Agrárias 5.000
FEPLAN 1982 -Melhorar as condições de vida das populações carentes, através de:  

-Programas de rádio; 

-Série "Aprenda na TV" 

-Educação Geral 

-Educação cívico-social 

-Educação rural 

-Iniciação profissional

110.703 

53.000 

391.509 

60.401

FUNBEC 1990 Professores de 1º. Grau -Matemática por correspondência 7.000
 

 

3.1 A Interatividade do ensino a distância no PPGEP/UFSC

O ensino a distância no Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção - PPGEP - da Universidade Federal de Santa Catarina nasceu de um planejamento estratégico realizado dentro do programa em 1985, onde o programa de Pós-Graduação concluiu que já havia condições para a implantação do ensino a distancia no Brasil. A concretização da implementação do ensino a distância contribuiria para melhorar decisivamente a integração do meio acadêmico com o parque industrial brasileiro. O interatividade foi considerada item primordial para integrar a sala de aula tradicional com os recursos multimídia possibilitados pela inovação tecnológica .

A modalidade de ensino a distância através de videoconferência foi escolhida como a tecnologia básica para a Universidade Virtual do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC, pelo fato de permitir uma passagem gradual da sala de aula presencial para o ensino a distância. Isso porque havia por parte dos professores do PPGEP uma clareza quanto à escolha da mídia a ser utilizada. Pois saber a mídia exata para levar informações sobre determinado conteúdo vem do enfoque que se deseja dar ao curso, considerando o ambiente, os aspectos culturais, o público alvo, o tipo de assunto a ser ensinado, etc., e não é apenas pelos meios de comunicação e informação é que se vai obter êxito no processo.

A opção do PPGEP pela interatividade da videoconferência como base do ensino a distância não impediu a utilização de outros meios, adequados à situação e necessidades das várias possibilidades educativas. O uso dos vários instrumentos (vídeo-aulas, teleconferências, Internet e videoconferência) se insere na tendência verificada em nível mundial de "multimídia interativa", na qual a combinação dos vários meios otimiza o processo, complementando-se para gerar um produto educativo mais eficaz.

Além disso, havia necessidade de uma estrutura de apoio especificamente para o ensino a distância com o objetivo de produzir, transportar, guardar e distribuir todo o material necessário. Uma das iniciativas para possibilitar esse apoio já foi desenvolvido com a criação do STELA por uma equipe do PPGEP. O STELA consiste em uma secretaria totalmente informatizada que possibilita a execução de todos os serviços burocráticos (matrícula, declarações, consultas, caixa de mensagens entre professores/alunos/ funcionários, etc.) já disponível para os alunos presenciais do programa e que poderá ser acessada via Internet para os alunos a distância.

Novaes (1994), afirmou que era preciso encontrar um meio termo para não haver uma ruptura entre o modo tradicional, já conhecido por alunos e professores, e o novo ensino a ser adotado. E apesar de já estarem sendo utilizados meios mais flexíveis (fitas de áudio, vídeo e correio eletrônico) para transmissão de informações, considerava necessária a presença dos alunos na mesma sala com a transmissão ao vivo da aula a partir de um estúdio no campus, evitando com isso, um afastamento muito radical e súbito da forma de ensino adotada em outras universidades.

A partir dessas considerações, no estudo realizado pelo PPGEP, havia duas possibilidades para realizar a solução da aula interativa: a montagem de um estúdio de televisão e conseqüente transmissão via rede de microondas para parabólicas receptoras em locais remotos determinados ou o uso mais sofisticado da videoconferência como transmissão possível por vários meios, dentre eles, a linha telefônica e a fibra ótica.

Na análise comparativa entre os dois meios, a videoconferência foi escolhida para servir de suporte para o ensino a distância por uma série de razões práticas. De acordo com Cruz (1996), a videoconferência possui uma qualidade de imagem correspondente a uma taxa de 90% da gerada pela TV, opera em velocidades baixas, sendo recomendada para aula 384 Kbps, trafega em linha de alta qualidade, permite interatividade total entre aluno/professor com alta qualidade, permite troca de arquivos, dispensa estúdio, infra-estrutura e equipe de retaguarda, possibilita total liberdade do professor contribuindo com a qualidade da aula e a prestação de serviços de atendimento extra-classe, além de ser um sistema completo e único, dispensando composições para transmissão bilateral.

Outra circunstância favorável foi a existência do projeto de uma rede estadual de comunicação que já estava sendo gerada desde a assinatura de um convênio da UFSC com a FAPESP em 1989, reforçado com sua entrada na RNP em 1991, e na Internet no ano seguinte. O projeto da Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia (RCT) foi concretizado em 1995, com a assinatura de um protocolo de cooperação técnica entre as instituições de ensino superior de Santa Catarina, o governo do Estado, a Telesc e mais uma série de entidades somando um total de 23 participantes.

A RCT, um "backbone" de fibra ótica inicialmente previsto para integrar-se pela Internet à RNP, teve seu projeto ampliado com a entrada de videoconferência. Pela necessidade de uma taxa de transmissão de 384 kbps, a velocidade da rede foi aumentada para 2Mb. O investimento para aquisição de equipamentos, recursos humanos, implantação e manutenção da rede praticamente dobrou com a chegada dos recursos para a videoconferência. Dessa forma, além da Internet, as instituições de ensino conveniadas também iriam participar do ensino a distância em salas remotas especialmente preparadas e equipadas para isso.

Em março de 1996, os equipamentos de videoconferência para o ensino a distância começaram a ser instalados no Programa e a seguir, nas outras universidades do interior catarinense que fazem parte da Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia. Além de montados em uma sala especialmente preparada para transmissão e em dois auditórios na UFSC, os equipamentos já estão instalados nas seguintes universidades do interior do Estado: UDESC em Florianópolis, FURB em Blumenau, UNIVALI em Itajaí, UNISUL, em Tubarão, UNOESC, em Chapecó, FEJ, em Joinville. Ao todo, são oito salas interligadas ao mesmo tempo e de forma totalmente interativa, em áudio, vídeo e via Internet.

Vale ressaltar que, mesmo antes de implantar a rede de videoconferência, o Programa de Pós-Graduação de Engenharia da Produção da UFSC direcionou seu projeto de Ensino a distância para providenciar suporte pedagógico e tecnológico, objetivando a criação de produtos educativos para o ensino a distância baseado em quatro características: auto-instrução e flexibilidade, ensino de longo alcance e interatividade. Desde esse momento, o laboratório de ensino a distância vêm dando suporte para a realização de várias atividades que serão apresentadas a seguir.

3.1.1 Laboratório de ensino a distância da UFSC

O Laboratório de Ensino a distância (LED) vem concretizando ações desde 1995, onde produziu três cursos completos (vídeos, apostilas, manual instrutor e avaliação dos alunos) de Educação Continuada na área de Engenharia de Transportes, num total de 66 vídeo-aulas para o SEST/SENAT. O modelo de Ensino a distância adotado foi o da tele-educação, com transmissão de vídeo-aulas por satélite, com recepção pelos usuários diretamente por antena parabólica nas empresas de transporte rodoviário de carga e de passageiros, totalizando 1.280 organizações, com uma estimativa de cinco mil usuários nos escalões gerenciais.

Em 1996, num convênio com o Instituto de Desenvolvimento da Qualidade da Confederação Nacional dos Transportes, concretizou-se o desenvolvimento de 15 cursos de Educação Aberta para o segmento de transporte rodoviário de carga, também para produção de vídeo-aulas a serem transmitidas por satélite, após distribuição prévia de apostilas e instrumentos de acompanhamento para recepção dos usuários em 1.560 empresas de transporte de cargas em todo o país.

No segundo semestre de 1996, o LED realizou o I Ciclo Catarinense de Teleconferências sobre Tecnologia e Educação, em parceria com a Secretaria da Educação e do Desporto do Estado de Santa Catarina para capacitação a distância de professores da rede pública. Foram apresentadas dez teleconferências sobre temas relacionados ao impacto das inovações tecnológicas no ensino, transmitidas entre 02 de agosto e 01 de outubro, para 7.750 professores. Produziu em parceria com o SEBRAE o primeiro kit pedagógico brasileiro para a Formação de Jovens Empreendedores, formatado em fitas de vídeo e apostilas distribuídas para escolas técnicas e faculdades do Estado de São Paulo.

Em 1997, num convênio com a Secretaria de Educação a distância do MEC, o Laboratório de Ensino a distância produziu 24 programas da série Vídeos de Pretexto, para utilização em atividades de sala de aula nas duas primeiras séries do Ensino Fundamental, e um vídeo da série Bem-Te-Vi, sobre a imigração alemã no Vale do Itajaí.

Quanto à videoconferência, tem sido utilizada no PPGEP para servir de instrumento para os seguintes modos de interação: a) pesquisa e intercâmbio acadêmico; b) pós-graduação; c) reuniões interativas em eventos, congressos e seminários; d) integração universidade-empresa.

Em termos de pesquisa e intercâmbio acadêmico pode-se citar a parceria que estabeleceram a UFSC e a Universidade do Porto, em Portugal, quando, em outubro/95, as duas universidades interligaram-se por videoconferência para assinar um protocolo de intenções visando a organização da primeira semana de integração virtual, ocorrida em 1996.

A característica principal da Pós-Graduação pela videoconferência é que ela permite que universidades que tenham planos de capacitação profissional de seus docentes não tenham que afastá-los de suas funções. Assistir as aulas em sua própria universidade evita o custo da liberação em tempo integral e os problemas decorrentes do remanejamento do quadro docente, como por exemplo, a contratação de professores substitutos. Além disso, acelera a qualificação dos departamentos, por permitir a formação de um número maior de professores num tempo reduzido. Após a fase inicial de instalação do equipamento na RCT, o Programa iniciou em 1997 a Pós-Graduação em Engenharia de Produção por videoconferência para todo o Estado de Santa Catarina.

O uso da videoconferência propiciou à UFSC participar de vários eventos a distância durante os anos de 95 e 96: foi realizada uma conversa "on line" entre o governador do Estado, em Blumenau, na Coninfo 96 e o reitor da UFSC, em Florianópolis, no ano de 1995. Possibilitou o contato virtual entre os docentes do PPGEP e os participantes do Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE) realizado no Centro de Educação da UFSC; permitiu a interatividade na palestra entre o coordenador do PPGEP e o Secretário de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, presentes na UFSC e os participantes do Encontro Internacional de Ensino a distância, realizado na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, numa parceria com a PETROBRÁS; abriu espaço para o intercâmbio em São Paulo; palestra interativa para o EDUTEC/96 em Curitiba; o Seminário de Ergonomia para o Mercosul, em ligação com a FURB, de Blumenau, além de vários contatos interativos com empresas de telecomunicação de outros estados do país.

Segundo Novaes (1992, p.250-271), o ensino a distância diminui a limitação representada pelo distanciamento da Universidade localizada nos grandes centros, do setor produtivo, geralmente disperso geograficamente. Com o crescimento cada vez maior da demanda por reciclagem profissional por parte das empresas, a possibilidade de convênios com as universidades locais como sede para os cursos promovidos por universidades nos grandes centros, pode ampliar em muito o impacto da Pós-Graduação sobre o setor produtivo. Esta integração universidade/empresa pode ser exemplificada pela parceria entre o Instituto de Eletrônica de Potência da UFSC e da Empresa Brasileira de Compressores (Embraco) com sede em Joinville (SC) que utiliza as reuniões pela videoconferência como forma de dinamizar o trabalho em equipe.

Outro exemplo em andamento é o do primeiro Mestrado a distância em Engenharia de Produção do país, transmitido por videoconferência, interligando o campus da UFSC com a planta industrial da Equitel em Curitiba, Paraná, e preparado especialmente para os engenheiros da empresa, que, desde setembro de 1996, assistem as aulas numa sala interativa. O curso segue a estrutura do ensino presencial da Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC e é ministrado pelos professores do programa. Além de resolver problemas concretos dos alunos no dia-a-dia da empresa durante os trabalhos práticos das disciplinas, o objetivo do curso é que, ao final dos créditos, os alunos dediquem-se a uma pesquisa que leve à defesa de uma dissertação de Mestrado.

A seguir é feita a descrição de cada uma das outras tecnologias pertencentes ao PPGEP. As tecnologias que estão sendo utilizadas pelo LED são:

 

1. Vídeo-Aula

Este é o meio que permite menos interação com o professor. Por este motivo é o que necessita de planejamento mais cuidadoso e identificação do usuário mais detalhada. Não é possível, depois de pronto o vídeo, alterar ou incluir temas seguindo indagações do público, como acontece na videoconferência e na teleconferência.

Como nos outros meios, a utilização de material impresso complementa as aulas. Neste caso, já que a auto-instrutividade é mais necessária, os materiais devem estar intimamente relacionados, criando um cenário multimídia que permita que o tema do vídeo seja facilmente relacionado com o do material impresso, que expanda e detalhe o conteúdo audiovisual.

A identificação do usuário neste caso é de extrema importância, pois o vídeo deve ter um formato estético, uma linguagem e uma proposta pedagógica que atenda as necessidades de conteúdo, prendam a atenção e motivem o aluno. Uma vez identificado o usuário, é preciso definir uma estrutura que crie envolvimento e facilite a transmissão das mensagens através de uma dinâmica onde os apresentadores, o conteúdo, a linguagem, os recursos de computação gráfica, os cenários etc. serão definidos em função de um padrão que facilite a aprendizagem.

Considerar o contexto sócio-cultural onde a vídeo-aula será utilizada dará a dimensão macro necessária para que o aprendizado seja efetivo. Compensar a pouca flexibilidade deste meio inserindo o produto no cotidiano do usuário cria uma identificação que é necessária para suprir a falta de participação direta no processo.

 

2 - Teleconferência

A teleconferência consiste na geração, via satélite, da apresentação de conferencistas/professores com a possibilidade de interação com a audiência através de chamadas telefônicas, fax ou Internet. O(s) conferencista(s)/professor(es) fica(m) em um estúdio de televisão e fala(m) "ao vivo" para a audiência, que recebe a imagem em um aparelho de TV comum conectado a uma antena parabólica sintonizada em um canal pré-determinado. É possível agregar imagens pré-produzidas em vídeo, computador, etc., como se fosse um programa de televisão.

É necessária a presença de um mediador e estrutura de atendimento para receber as perguntas que vão chegando no decorrer do programa. Um modelo básico de teleconferência é da apresentação de conferencista(s)/professor(es) a que se segue uma discussão dirigida pelas perguntas que vão chegando dos telespectadores. É importante destacar e incentivar a participação do público para que haja real envolvimento.

A abrangência da Teleconferência é praticamente ilimitada, basta ter uma antena parabólica e sintonizar no canal pré-determinado. No caso específico do Brasil, o satélite Brasil Sat 1 alcança da Venezuela até a Argentina, incluindo todo o território nacional. A diferença de transmissão com a Videoconferência, é que esta atinge apenas pontos pré-determinados, onde esteja instalado o equipamento básico. Por outro lado, a possibilidade de participação em nível individual fica bem mais restrita, pois o feedback dos alunos é possível apenas através do telefone e fax e também porque o grande número de telespectadores participantes não permite que todos se expressem.

Um procedimento comum a este tipo de transmissão é o de gravar em vídeo no local de recepção as aulas para registro e/ou uso e análise posterior. O TV Escola do MEC, que atinge todas as escolas públicas do Brasil que disponham de antena parabólica, recomenda a gravação dos programas para uso posterior em sala de aula ou pelos professores.

 

3 - Videoconferência

A videoconferência é o que se poderia chamar de TV interativa. Trabalha com compressão de áudio e vídeo utilizando linha telefônica para transmitir em tempo real para salas remotas que possuam o mesmo equipamento básico: uma câmera acoplada a um monitor de televisão, um computador, modem, microfone e teclado de comando. Este sistema é adequado para instituições que queiram criar programas de formação de redes de ensino e pesquisa, implantar processos de educação a distância para atividades de formação e treinamento. Integrando periféricos projetados especialmente para auxiliar o professor na tarefa de ministrar aula, a videoconferência é o meio que mais se aproxima da sala de aula tradicional, permitindo a interação professor/aluno em tempo real.

Mesmo com a presença "virtual" do professor na sala, a dinâmica da aula é muito diferente, uma vez que os alunos levam um tempo até "falar" com a televisão, e a expectativa inicial é de algo semelhante ao que estamos habituados na TV comercial. Longas aulas expositivas não são especialmente indicadas ao meio, os materiais devem ter formatação adequada aos periféricos e o ideal é que o ritmo seja alterado a cada 15 minutos aproximadamente (o tempo de intervalo na TV comercial) até que os alunos habituem-se à mecânica do processo.

 

4 - Internet

Organizações e usuários de todo o mundo estão utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a obtenção de competitividade no desenvolvimento de novos conhecimentos, produtos, serviços e para o estabelecimento de novas relações produtivas, provocando inovações e mudanças operacionais.

No Brasil, por contingências e barreiras tecnológicas que só recentemente foram superadas, o acesso à Internet para usuários não governamentais ou institucionais e também para provedores de acesso, disponibilizadores de informação e provedores de serviços, foi liberado somente em abril de 1995.

A Internet pode ser definida como uma modalidade de troca de informações entre computadores heterogêneos situados em ambientes remotos, interconectados através de um modem que se liga por linha telefônica aos backbones existentes em cada país. O Correio Eletrônico ou E-mail é o serviço mais utilizado na Internet. Via o E-mail, pode-se enviar sons, imagens, vídeo ou qualquer tipo de arquivo, dependendo da capacidade do equipamento utilizado.

O acesso à Internet é um caminho de baixo custo para abreviar o acesso a mais recursos e oportunidades educacionais que fisicamente estariam bloqueadas à grande maioria de alunos, professores, pesquisadores, cientistas e instituições brasileiras. A Internet é uma rede que possui uma linguagem própria e um ritmo adequado para ser operado de forma ótima. Um dos aspectos mais importantes é o fluxo da comunicação.

 

 

Tabela 10: Experiências em EaD no LED/UFSC
 
TECNOLOGIA INTERAÇÃO PRODUTO ALCANCE USUÁRIO ANO
vídeo-aula Pouca 66 vídeos 1.280 

empresas

SEST/ 

SENAT

1995
Vídeo-aula Pouca 

 

103 vídeos 1560 

empresas

IDAQ 1996
Vídeo-aula Pouca 6.000 alunos SEBRAE 1997
Vídeo-aula Pouca 24 vídeos 

(português, 

matemática, 

ciências)

48.000 escolas MEC 1997
Vídeo-aula Pouca 01 vídeo 

(história)

48.000 escolas MEC 1997
Vídeo-Aula Pouca 2.800 usuários IBGE 1997
Vídeo-Aula Pouca 12 vídeos 2.000 empresas IDAQ 1997
Teleconf. Telefone 

Fax 

e-mail

I Ciclo Tecnologia e Educação 1.326 escolas Secretaria da Educação de Sta.Catarina 1997
Videoconf. Total I semana de Integ.Virtual Brasil- 

Portugal

UFSC 

Univ.Porto

1995
Videoconf. Total Encontro Nacional de Didática 1995
Videoconf. Total CONINFO 1996
 

Videoconf.

Total Encontro Internacional de EaD 1996
Videoconf. Total Palestra Interativa Equitel- 

Curitiba

1996 

 

Videoconf. Total Seminário de Ergonomia – Mercosul 1996
Videoconf. Total Mestrado a Distância 35 alunos Equitel 1996
Videoconf. Total Mestrado a Distância 22 alunos Petrobrás 1997
 

Todas essas tecnologias traduzem o desafio que o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina vêm proporcionando para a sociedade brasileira através do ensino a distância, cumprindo assim o papel da universidade, que é o de construir conhecimento e o compromisso social. A Tabela 10 mostra a experiência do LED, utilizando as novas tecnologias de comunicação e informação para o ensino a distância.

A Tabela 10 demonstra a experiência de Ensino a distância da UFSC. Pode-se observar que em tão pouco tempo as atividades crescem rapidamente, atendendo a um público-alvo, tanto empresarial quanto educacional. Isto deve-se ao caráter do PPGEP, que ao assumir as novas tecnologias de comunicação e informação, assumiu no grupo de trabalho; equipes multidisciplinares, realizando portanto, trabalhos de excelente qualidade.

O ensino a distância no mundo tem uma história condicionada, por um lado, pelos paradigmas que inspiraram as experiências educacionais e, por outro, aos avanços tecnológicos que possibilitaram a abrangência, o caráter, a dinâmica e a qualidade deste tipo de educação.

O contato entre professores e alunos foi evoluindo de uma grande distância não só espacial como temporal, como era o caso do ensino a distância através dos correios, até chegar a uma comunicação que rompe as barreiras geográficas e se torna cada vez mais instantânea, em tempo real, que é o que acontece nas aulas pela videoconferência.

A essa nova relação professor/aluno que se estabelece a partir da incorporação das tecnologias da informação e da telecomunicação, convencionou-se chamar interatividade. A interatividade, dentro do processo educativo a distância, será entendida aqui como o grau de comunicação entre seres humanos, intermediado por equipamentos que permitem não só a transmissão de informações, mas a construção de conhecimento.

Este conceito pode ser usado, portanto, para classificar o ensino a distância tomando como parâmetro a capacidade dos meios técnicos de proporcionarem um determinado grau de interação entre os participantes. Esse suporte técnico vai influenciar tanto o conteúdo como a forma na qual se configuram cada modalidade de ensino a distância. Pensada desta forma, a educação a distância precisa ser planejada para atender as necessidades e as possibilidades de cada usuário, seja ele uma instituição de ensino, governamental ou do setor empresarial, da forma mais adequada ao aluno, considerando o cenário sócio-cultural e o repertório dos alunos.

Neste sentido, a interatividade proporciona um desafio não só pedagógico (papel do professor, linguagem, dinâmica e preparação da forma e conteúdo das novas aulas), mas também tecnológico (implantação, desenvolvimento e utilização) e legal (legislação sobre ensino a distância (ver anexo). Mais que tudo, é uma mudança cultural que está em andamento e na qual a universidade precisa assumir um papel de liderança de acordo com seu compromisso com a sociedade brasileira.

Essas estratégias multimídia desenvolvidas pelo LED interligam universidades, instituições e empresas na oferta de cursos de formação, educação aberta, educação continuada e pós-graduação a distância. No capítulo seguinte, são apresentados os modelos internacionais de EaD.

3.2 Modelos internacionais de ensino a distância

Várias são as experiências de ensino a distância desenvolvidas em outros países. A Open University na Inglaterra é a mais tradicional e a maior instituição de Educação a distância do Ocidente. Em 1971, os primeiros 24.000 estudantes ingressaram em diversos cursos. Em 1997, 160.000 alunos estavam registrados em algum dos cursos oferecidos, sendo que mais de 70% dos alunos permanecem trabalhando meio período durante o curso.

Os cursos produzidos são oferecidos em diversos países que usam a língua inglesa, a maioria na Europa. As centrais de atendimento estão distribuídas em 12 cidades na Inglaterra. Pesquisa da universidade informa que 54% dos alunos escolhem a Open University pela liberdade de lugar, tempo e ritmo de estudo, sendo que 68% dos alunos tem emprego fixo, e desejam desenvolver sua capacidade intelectual (49%) e melhorar as chances na carreira profissional(40%). Os cursos são formados por módulos e exames escritos são feitos em um dos 18 centros de atendimento distribuídos no país. Os materiais dos cursos são enviados pelo correio.

A universidade aberta da Holanda iniciou sua atividades em 1984. O governo holandês criou uma instituição independente, com o objetivo de capacitar qualquer pessoa que não tenha concluído a formação acadêmica adequada ou porque não dispõe de tempo necessário. O número de alunos matriculados em 1996 chegou a 22.683, sendo que 29% estão matriculados em cursos da área de Economia, Negócios e Administração Pública; 56% em Ciências Sociais e Legislativas e 15% em Ambiental e Ciências Técnicas. São 300 cursos e 8 graduações, sendo que o diploma obtido é equivalente a qualquer outra universidade.

A Athabasca University no Canadá tem 12.500 alunos ingressando a cada ano em 39 cursos de graduação e 2 cursos de mestrado – Educação a Distância e Administração de Negócios, que são oferecidos por estudo individual doméstico, onde todos os materiais e linha de contato com tutores estão incluídos nas taxas. Seminários e teleconferências são utilizados dependendo do curso e vários programas são oferecidos através da WWW. A

 

Tabela
a seguir, mostra as experiências internacionais de ensino a distância, colocando assim a preocupação com esta nova modalidade de ensino em atender grandes contingentes de pessoas e a perspectiva de surgir uma nova educação, já que a atenção está sendo voltada agora aos aspectos pedagógicos da educação e não ao aparato tecnológico em si. 

 
Tabela 11: Experiências de EaD Internacionais
 
  

  

  

  

  

UNIVERSIDADE

CURSOS A DISTÂNCIA MÍDIAS UTILIZADAS OBSERVAÇÃO
South Florida 

www.acomp.usf.edu

Ed.Continuada Internet  
Maryland 

 

Ed.Continuada 

Graduação 

Mestrado

Internet 

Voice mail 

Presencial

Consórcio 50 universidades
University of 

Wisconsin 

http://www.uwex.edu/

Graduação 

Ed.Continuada 

 

Internet 

Rádio 

Televisão 

Videoconferência

18 centros de atendimento
Northern Arizona 

star.ucc.nau.edu

Graduação Videoconferência 

CD-Rom 

Softwares

15 centros de atendimento
San Diego State Univ. 

www~rohan.sdsu.edu

Ed. Continuada 

Disciplinas

Videoconferência 

Internet

Cursos disponíveis em Inglês e Espanhol
Texas A&M 

www.tamu.edu

Disciplinas Teleconferência 

CD-Rom 

Vídeo 

Videoconferência

30 centros de atendimento
UK Open University 

www.open.ac.uk

Ed.Continuada 

Graduação 

Pós-Graduação

Software 

Rádio e TV 

Impresso 

Presencial 

Internet

14 centros no país
Penn State 

www.cde.psu

Graduação Impresso 

Kits e Modelos 

Softwares 

Vídeos e Àudio

Convênio com outras universidades
Feruniversitat 

ww.uni~sb.de/z-einr

Graduação Impresso 

Vídeo e Àudio 

CD-Rom 

Videoconferência 

Internet

40 centros de atendimento
OU Netherlands Graduação 

Ed.Continuada

Impresso 

Vídeo e Àudio 

Vídeo Interativo 

Presencial

Flexível 

Consórcio Europeu

Univ.Dist.Espanha 

Www.uned.es

Graduação Impresso 

Rádio 

Vídeo 

Telefone

64 Centros de Atendimento
Athabasca University 

Www.athabasca.ca

Graduação 

Mestrado

Impresso 4 Centros de Atendimento
 

 

 

A Tabela 11 demonstra as diversas experiências que estão acontecendo mundialmente. Pode-se notar que diversas mídias são utilizadas para os cursos de educação a distância. Fazendo um paralelo com o PPGEP/UFSC, também é possível perceber que a formatação de produtos multimídia desenvolvidos pelo LED utiliza-se de mídias diferenciadas para identificar as necessidades e expectativas do público-alvo.

As experiências de ensino a distância desenvolvidas pelo Brasil e no exterior apresentam algumas diferenças entre si. No exterior, a educação a distância já existe há muito mais tempo do que no Brasil que ficou somente conhecida a partir dos anos 90, apesar de existir desde a década de 70. No Brasil, as experiências com sucesso mostram que a tecnologia empregada no ensino a distância é somente desenvolvida pelo PPGEP da UFSC. No entanto, nota-se que há muito mais preocupação com a metodologia do ensino a distância no exterior, do que no Brasil. No Brasil, existe uma forte separação da educação e da tecnologia, que atualmente está começando a desaparecer. No exterior também a preocupação é maior com a relação custo e benefício das tecnologias de comunicação e informação.

No capítulo 4, será apresentado o trabalho realizado pela mídia de Teleconferência, ocorrido nas regiões de Santa Catarina para os profissionais da educação do ensino público estadual.