5 AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DE EaD EM SANTA CATARINA

 

Neste capítulo será tratado a metodologia de trabalho que originou os resultados preliminares do I Ciclo Catarinense de Teleconferências sobre Tecnologia e Educação. A primeira iniciativa formal de educação a distância no estado de Santa Catarina requeria um processo de avaliação. Um modelo de avaliação, portanto, foi produzido para verificar a participação, o envolvimento e opinião a respeito do ciclo. Esta etapa requeria a avaliação dos trabalhos desenvolvidos, visando aprimorar futuras iniciativas, como também verificar a produção do conhecimento desenvolvido pelos participantes das teleconferências.

5.1 Descrição dos formulários

O formulário de avaliação foi dividido em seis partes: 1. Aspectos pessoais; 2.participação; 3.experiência; 4.impacto; 5.envolvimento; 6.opinião, totalizando 20 questões. A primeira parte referia-se à identificação do usuário e à identificação da unidade escolar. Na segunda parte do formulário, as questões referiam-se sobre como se deu a recepção e como os professores iriam dar continuidade ao trabalho depois de terem assistido às teleconferências. Esta parte foi chamada de participação. Na terceira parte, com o título de experiência, abordava questões sobre a participação em outro programa com a técnica de teleconferência. Na quarta parte do formulário, as questões mediam o impacto e os caminhos apontados pelos temas das teleconferências. Esta parte denominou-se impacto. A quinta parte foi chamada de envolvimento, pois as questões referiam-se à organização de grupos de estudo na escola e a interação das teleconferências com o professor. A sexta parte foi denominada de opinião, abordando questões de sugestões e contribuições ao processo de uso das novas tecnologias na escola.

Além dessas questões, foi solicitado aos professores para produzir um texto, analisando criticamente a teleconferência como um meio de comunicação e informação de educação a distância. Em abril de 1997, a pesquisa resultava em 4.201 formulários preenchidos, como também o texto produzido pelo professor ou grupo de professores.

A avaliação foi realizada na região do estado de Santa Catarina, abrangendo as unidades escolares do sistema público estadual, vinculados à Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. A coleta de dados foi realizada nas escolas participantes do programa e que possuíam o Kit Tecnológico (TV, vídeo e antena parabólica).

O trabalho foi assim distribuído e apresentava como objetivo obter a abordagem científica através da aplicação dos formulários de avaliação onde baseia-se no fato de que a pesquisa seja capaz de se ter aquisição confiável de informações e acumulação de conhecimentos. O formulário final de avaliação passou por várias etapas para a sua concretização. Tinham que ser levados em consideração vários aspectos, pois se tratava de um público usuário composto fundamentalmente por professores de 1o. e do 2o. graus. A abordagem deveria ser tanto qualitativa como quantitativa. As questões não poderiam ser compostas basicamente de informações acerca da tecnologia empregada, mas também, e sobretudo, de como essa tecnologia havia sido empregada.

Optou-se por uma divisão das questões, de maneira que as informações coletadas atingissem tanto o pesquisador quanto aos atores da pesquisa. O problema vinha da realidade, os professores tinham os equipamentos tecnológicos e precisariam utilizá-los e o ensino a distância era a opção para a disseminação dessa idéia. Porém, as questões não resultariam em motivação para os participantes se essas questões não viessem embutidas de um aspecto educativo. As questões ganharam, portanto, um caráter pedagógico e ao mesmo tempo técnico. O modelo do fomulário de avaliação encontra-se em anexo.

5.2 Metodologia de trabalho

A avaliação foi realizada nas 22 regiões do estado de Santa Catarina através da coleta de dados em 1.326 unidades escolares. O formulário foi produzido e avaliado pela equipe do Laboratório de Ensino a distância (LED) e enviado para a Secretaria do Estado da Educação e do Desporto (SED). Esta enviou uma cópia para cada uma das vinte e duas (22) coordenadorias regionais de educação (CREs) e estas enviaram para as respectivas unidades escolares (UEs). O retorno procedeu da mesma maneira, concedendo um prazo de 30 dias para a resposta, desde a chegada até as unidades escolares. O formulário foi enviado para a SED em outubro/96 e em abril/97, havia o recebimento de 4.201 formulários respondidos individualmente ou em grupo. Houve inicialmente 11.800 profissionais da educação inscritos para as teleconferências ao vivo. As 1.326 escolas participantes contavam com 10 professores que se propunham a assistir ao vivo as teleconferências, a fim de debater e contribuir para o processo interativo de aprendizagem a distância.

As escolas organizaram lista de freqüência para os professores participantes, que resultou em 7.750 assinaturas de professores que participaram da primeira iniciativa formal de educação a distância realizada pela UFSC. A pesquisa abrangeu portanto 7.750 atores desse processo, distribuidos geograficamente no estado de Santa Catarina, em 22 municípios : Florianópolis; Tubarão; Criciúma; Blumenau; Joinville; Rio do Sul; Lages; Mafra; Joaçaba; Concórdia; Chapecó; São Miguel D’Oeste; Itajaí; Caçador; Araranguá; Brusque; Xanxerê; Canoinhas; Jaraguá do Sul; Laguna; Ituporanga; São Bento do Sul. Desse processo resultou 4.201 formulários de avaliação para o tratamento das informações.

5.3 Análise e hipóteses levantadas

O sucesso de uma pesquisa depende de vários fatores a serem observados antes do procedimento de coleta de dados. Um desses fatores é o próprio instrumento de coleta de dados, no caso dessa pesquisa o formulário de avaliação.

O formulário elaborado para a avaliação do I Ciclo Catarinense de Teleconferências sobre Tecnologia e Educação é um misto de questões estruturadas (fechadas) e de questões abertas. Sobre instrumentos de pesquisa estruturados, Mattar (1994, p. 169) salienta o seguinte :

"Os instrumentos estruturados (...) requerem longo tempo de desenvolvimento e construção e exigem do pesquisador o máximo de cuidado em não deixar que perguntas fiquem sem algumas das possíveis alternativas de resposta, pois isto poderá confundir o respondente. Devem, também, ser tomados cuidados para que as perguntas sejam elaboradas de forma a não induzir as respostas e para que as opções de respostas estejam suficientemente claras e completas. Uma forma importante de depuração do instrumento é o pré-teste". Após tabulados os dados das questões fechadas e esboçados os gráficos, nota-se que algumas análises ficaram difíceis de serem realizadas, justamente por problema de má formulação de algumas perguntas e alternativas de respostas ao formulário. Desta forma, faz-se importante salientar, num âmbito geral, as deficiências encontradas no instrumento de coleta de dados: 06) O local da recepção das teleconferências era:

( ) uma telesala exclusiva para uso do Kit TV Escola

( ) um ambiente calmo, mas não exclusivo para uso do Kit

( ) havia muito ruído externo

( ) havia conversa paralela

A pergunta deveria ter sido efetuada de outra maneira como : Como era o local da recepção das teleconferências ? Pode até parecer a mesma coisa, mas perguntada de uma forma correta a questão fica mais clara e mais objetiva. Além disso, as alternativas de respostas estão confusas, as duas primeiras dão a impressão de tratar-se de um assunto e as duas últimas de outro, sendo que uma não exclui a outra, ou seja, o local da recepção poderia ser uma telesala exclusiva para uso do Kit TV Escola, mas também com muita conversa paralela;

Uma maneira de garantir fidedignidade ao instrumento de avaliação poderia ter sido feito antes dele ser aplicado, através de um tipo de validação, pré-teste com pessoas comuns que não estivessem ligadas a este projeto. Este tipo de prevenção garante que possíveis erros possam ser detectados e corrigidos antes da aplicação do formulário de avaliação.

Definição da amostra

O método usado para a determinação do número da amostra foi o das estimativas das proporções finitas, onde :

N : população (4201)

p : (50%) – probabilidade de ocorrência de um evento

q : (50%) – probabilidade de não ocorrência de um evento

Z : 1,96 (desvio padrão correspondente a 95% de confiança na curva normal)

e : 0,05 - erro amostral (5% no máximo)

n : número da amostra

 

n = Z2 . p . q . N .

e2 . (N - 1) + p . q . Z2

 

logo: n = (1,96) 2 . 0,5 . 0,5 . 4201 = 352 quest. aproximadamente.

(0,05) 2 . (4201 - 1) + 0,5 . 0,5 . (1,96) 2

 

Poderia ter sido utilizado outro método para a análise dos questionários que não fosse por amostra, como por exemplo o censo, que consistiria em analisar toda a população, ou seja, os 4201 questionários.

Este método não seria tão mais eficaz do que o utilizado pois, como podemos perceber, como uma confiança de 95% e com um erro máximo de 5%, a fidedignidade dos dados obtidos não ficará comprometida e estaremos assim trabalhando com um número quase doze vezes menor de questionários, que acarretará numa diminuição considerável de tempo e recursos financeiros.

Informações importantes :

A pesquisa quantitativa, como também a pesquisa qualitativa é um processo cognitivo, segundo Baiyln (1982), e gera implicações na análise de dados. A autora coloca que "relatar a sua experiência pessoal no processo de pesquisa e como o novo conhecimento é criado no processo é particularmente relevante", O formulário de avaliação do ciclo traz muitas informações sobre educação, muitas delas dependendo de reflexões sobre o que o professor quis concretamente dizer com tal resposta, pois muitas metáforas são apresentadas no processo de análise de dados. Optou-se diante disso, por apresentar uma análise da inferência estatística das dez (10) questões fechadas e uma análise das questões abertas.

O objetivo da pesquisa baseava-se em colher respostas do quanto o uso da teleconferência na formação de professores era válido ou não. Pretendia-se conhecer a opinião dos professores quanto ao ensino a distância utilizado na capacitação desses profissionais. Contudo, essa pesquisa tornou-se cognitiva, pois o novo conhecimento era criado de maneira cada vez mais crescente no processo de tratamento das informações. As respostas tornavam-se cada vez mais complexas.

 
 

É apresentado a seguir a Tabela 13 que mostra as implicações para a análise de dados, quando a pesquisa torna-se uma processo cognitivo, segundo Baylyn, (1977).
 
  Ao considerar a pesquisa como um processo cognitivo, o pesquisador pode desenvolver uma percepção conceitual à medida que a pesquisa ocorre. O pesquisador cognitivo tem a oportunidade de fazer descobertas em todo o processo, desde a coleta dos dados, compilação e processamento e até a apresentação.
  Para proceder à análise contínua, é preciso colher dados que ofereçam complexidade suficiente para instigar o pesquisador, e promover, cognitivamente uma interação entre conceitos e dados.
  A abordagem cognitiva proposta pela autora entende o processo de pesquisa não com simples validação metodológica para postulados preestabelecidos, mas como um processo de criação e transformação contínua. Isto exige do pesquisador um esforço para ligar permanentemente os resultados empíricos colhidos com o plano conceitual.
  A partir da produção de conhecimento do pesquisador em contato com os dados e resultados que colhe ao longo da pesquisa, pode contribuir tão decisivamente quanto os rituais e procedimentos determinados pelo método científico.
  A análise empírica dos dados pode ser enriquecida com abordagens qualitativas e com abertura de novas possibilidades de cruzamentos. Realizar cruzamentos além dos que estavam inicialmente previstos pode revelar informações importantes que ficariam possivelmente mascaradas se apenas os procedimentos científicos de formulação de hipótese, levantamento de dados, processamento, análise e apresentação de resultados e conclusões fossem seguidos.
Figura 5: Pesquisa Cognitiva

A Figura 5 representada pela síntese do pensamento de Baylyn (1977), demonstra a pesquisa como um processo cognitivo, onde há implicações para a análise de dados. Este tipo de análise aumenta a complexidade dos dados e proporciona explicações mais abrangentes aos eventos. A pesquisa de avaliação do ciclo mostra que uma análise quantitativa do processo poderia considerar que as consequências da tecnologia na educação assumiria que a tecnologia ou as pessoas são os agentes de mudança. Na análise cognitiva considera-se que a mudança é o resultado da complexa relação entre os dois (a tecnologia e as pessoas).

 

5.4 Resultados da avaliação das teleconferências

Os resultados da pesquisa de avaliação do I Ciclo Catarinense de Teleconferências sobre Tecnologia e Educação dividiram-se em :

  1. Inferência Estatística das Questões Dissertativas;
  2. Análise das Questões Dissertativas, que subdividiu-se em : 1. Adequadamente Respondidas e 2. Consideradas Cognitivas;
  3. Produção de Texto (Editoração de um livro dos textos produzidos pelos professores).
O modelo do formulário de avaliação, como também a estatística dos dados encontram-se no anexo.

5.4.1 Inferência estatística

A inferência estatística é importante para fazer descobertas de informações que poderiam ficar mascaradas no decorrer do processo. A estatística dessa pesquisa mostrou que as cidades incluídas na pesquisa e com o método utilizado, têm-se trezentos e cinquenta e três pessoas envolvidas no tratamento de dados. Sorteadas aleatoriamente, temos que 90% são do sexo feminino, ou seja 318 são mulheres e 10% são do sexo masculino, e portanto 35 são homens. Isto deve-se ao fato historicamente de que as mulheres iniciavam o curso de magistério, pelo fato da profissão ser vista com algo complementar ao trabalho de mãe e esposa que as mulheres deveriam desempenhar na sociedade. Atualmente, entende-se que é através da educação que ocorre a transformação da sociedade e que ser professor não é ter vocação, mas sim deve ser entendida como uma profissão formadora de consciência e que desenvolve estruturas mentais avançadas no indivíduo.

Legenda utilizada:

Nível de instrução :

a : 1º grau

b : 2º grau

c : superior completo

c.1 : superior incompleto

c.2 : superior completo com pós concluída

c.3 : superior completo com pós em andamento

 

Idade :

a : menos de 25 anos

b : De 25 a 30 anos

c : De 31 a 40 anos

d : De 41 a 50 anos

e : Mais de 50 anos

S/R : sem resposta

Tabela 13: Sexo x Escolaridade
 
Sexo X Nível de escolaridade
a b c c.1 c.2 c.3
Masculino 0% 20% 46% 17% 14% 3%
Feminino 0% 24% 38% 10% 25% 3%
 

O nível de escolaridade das mulheres é um pouco maior do que os dos homens. Cerca de 66% das mulheres têm o nível superior completo (com ou sem pós- graduação), contra 63% dos homens. Exatamente 10% das mulheres estão concluindo o 3º grau. Nesta mesma condição, encontram-se 17% dos homens.

Tabela 14: Sexo x Idade x Nível de Escolaridade
 
Sexo X Idade X Nível de Escolaridade
Idade  A b C c.1 c.2 c.3
A - fem. 0% 46% 8% 38% 4% 4%
A - masc. 0% 57% 0% 43% 0% 0%
B - fem. 0% 18% 41% 14% 22% 6%
B - masc. 0% 20% 0% 60% 20% 0%
C - fem. 1% 25% 41% 7% 25% 1%
C - masc. 0% 13% 80% 0% 0% 7%
D - fem. 0% 20% 38% 6% 33% 4%
D - masc. 0% 0% 50% 0% 50% 0%
E - fem. 0% 33% 33% 0% 33% 0%
E - masc. 0% 0% 0% 0% 0% 0%
 

Todos os homens com faixa etária entre 41 e 50 anos têm o 3º grau completo, sendo que destes, 50% está em algum programa de pós-graduação ainda não concluída. Nesta mesma condição, encontram-se 75% das mulheres, de mesma faixa etária.

Os homens com idade entre 25 e 30 anos representam a classe com o maior número de pessoas ainda cursando o 3º grau (60%).

Tabela 15: Sexo x Experiência Anterior EaD
 
Sexo X Experiência anterior com EaD
Sim Não S/R
Masculino 14% 86% 0%
Feminino 16% 83% 1%
 

Os homens tiveram mais experiências anteriores com ensino a distância a este I Ciclo de Teleconferências do que as mulheres.

 
 
 
 
 
Tabela 16: Sexo x Opinião de EaD

 
 
Sexo X Como considera os temas das teleconferências
a B c s/r
Masculino 5% 15% 80% 0%
Feminino 3% 18% 78% 1%
 

Nesta questão, tanto os homens quantos as mulheres consideraram em sua maioria absoluta os temas das teleconferências capazes de iniciar uma reflexão de que dê origem a mudanças. Homens com 80% e mulheres com 78% dos casos.

Tabela 17: Sexo x Envolvimento em EaD
 
Sexo X Envolvimento nos grupos de trabalho
a b c s/r
Masculino 72% 28% 0% 0%
Feminino 69% 28% 0% 3%
 

Cerca de 72% dos homens e 69% das mulheres disseram que as suas participações foram efetivas nos grupos de trabalho durante as teleconferências. Exatamente 3% das participantes mulheres deixaram de responder esta questão.

Tabela 18: Sexo x Contribuição para EaD
 
Sexo X Contribuição com temas para as próximas teleconferências
sim não  s/r
Masculino 83% 14% 3%
Feminino 73% 24% 3%
 

Os homens contribuíram com mais sugestões para próximas teleconferências do que as mulheres. Quase um quarto das participantes não tinham sugestões para próximos eventos.

 
 
 
 
Tabela 19: Sexo x Participação em EaD

 
 
Sexo X Intenção de participar de outros cursos semelhantes
sim Não s/r
Masculino 97% 3% 0%
Feminino 93% 5% 2%
 

A maioria absoluta dos participantes, tanto homens como mulheres, tem intenção de participar de novos eventos. É importante ressaltar que 7% das mulheres não têm intenção ou não responderam esta questão.

 
Tabela 20: Sexo x Idade x Participação em EaD
 
Sexo X Idade X Intenção de participar de outros cursos semelhantes
sim não s/r
A – fem 96% 0% 4%
A - masc. 100% 0% 0%
B - fem. 87% 9% 4%
B - masc. 100% 0% 0%
C - fem. 95% 3% 1%
C - masc. 93% 7% 0%
D - fem. 94% 5% 1%
D - masc. 100% 0% 0%
E - fem. 67% 0% 33%
E - masc. 0% 0% 0%
 

As mulheres com menos de 25 anos são as que mais têm intenção de participar de outras teleconferências (96%); as que menos têm intenção são as que possuem entre 25 e 30 anos.

Os homens com menos de 30 anos e os que possuem entre 41 e 50 anos são os que mais têm intenção de participar de outros eventos (100%); os que menos têm intenção de participar são os que possuem entre 31 e 40 anos.

As mulheres com faixa etária acima de 50 anos foram as que mais deixaram de responder esta questão (33%).

Tabela 21: Sexo X Tempo de magistério
 
Sexo X Tempo de magistério
Menos de 4 anos De 4 a 10 anos De 11 a 17 anos De 18 a 24 anos Mais de 24 anos s/r
Masculino 23% 23% 31% 14% 6% 3%
Feminino 6% 23% 39% 21% 4% 6%
 

As mulheres têm mais tempo de magistério do que os homens. Cerca de 64% das mulheres têm mais de onze anos de magistério contra 51% dos homens.

Apenas 6% delas têm menos de quatro anos de magistério, contra 23% dos homens que encontram-se nesta situação.

5.4.2 Questões dissertativas

As questões dissertativas subdividiu-se em duas formas: 1. Questões consideradas adequadamente respondidas e 2. Questões consideradas cognitivas. As questões adequadamente respondidas, como o próprio nome já diz; são aquelas que conseguiram responder exatamente a pergunta. As questões consideradas cognitivas são aquelas a que Baylyn (1977), coloca que há implicações para a análise de dados, onde aumenta a complexidade dos dados e proporciona explicações mais abrangentes ao evento.

Dos trezentos e cinqüenta e três formulários pertencentes à amostra selecionada, foram obtidas quatrocentas e nove respostas à sétima questão, que foram classificadas da seguinte forma: questões em branco, questões adequadamente respondidas e questões consideradas cognitivas. Além disso, tendo em vista a natureza do questionamento, foram levantadas algumas dificuldades expostas pelos participantes sobre a forma de dar ou não continuidade ao trabalho.

As questões em branco, como o próprio nome sugere, são aquelas sem nenhum tipo de resposta, que representam 3% do total de questões. As questões adequadamente respondidas são aquelas onde as respostas obtidas enquadram-se em um conjunto e estão de total acordo com a pergunta formulada. Por fim, as questões cognitivas são aquelas que apresentam interpretações divergentes quanto à questão formulada. O que pode-se observar é que, num âmbito geral, as respostas apresentavam um alto grau de erros gramaticais e de concordância. Palavras como "análise" e "perspectiva" foram algumas das encontradas.

A seguir é feita a análise gráfica dos pontos levantados na questão 07.

5.4.3 Questões consideradas adequadamente respondidas

Questão 07: De que maneira você pretende dar continuidade a esse trabalho, que possibilitou a você entrar em contato com as informações mais recentes sobre como lidar com as novas tecnologias na educação?

As questões adequadamente respondidas foram classificadas dentro de quatorze grupos de respostas :

A seguir, será mostrado graficamente de que forma as alternativas de respostas distribuíram-se entre as vinte e duas CRE’s do Estado.
 
Tabela 22: Aplicação em Sala de Aula

Como pode-se observar no gráfico acima, a 12ª CRE (São Miguel D’Oeste) foi a que obteve maior freqüência na resposta 1 (15%), ou seja, os integrantes desta CRE são os que mais estão dispostos a aplicar em sala de aula as novas técnicas aprendidas.

Os gráficos que serão apresentados em seguida poderão ser analisados desta mesma forma.

 
 

Tabela 21: Sexo X Tempo de magistério
 
 

 
 Figura 6: Informação sobre Tecnologia

 
 
 

 
Figura 7: Discutindo as Tecnologias
 
 
 
Figura 8: Revisão do Ciclo
 
 
Figura 9: Debate do Ciclo
 
 
Figura 15: Cursos de Capacitação
 
 
Figura 11: Estudo de EaD
 
 
Figura 12: Postura dos Professores
 
 
Figura 13:Programa TV Escola

 
 
 
Figura 14: Utilização da Tecnologia
 
 
Figura 15: Cursos de Capacitação (SED/CRE)
 
 
Figura 16: Divulgação do EaD
 
 
5.4.4 Questões consideradas cognitivas

Quarenta e uma questões foram consideradas cognitivas, representando 10% do total de questões. A CRE que destacou-se com o maior número de questões consideradas cognitivas foi a 12ª (São Miguel D’Oeste), com 15% do total.

A seguir, têm-se alguns exemplos de questões consideradas cognitivas:

As dificuldades também foram apresentadas pelo grupo de professores para dar continuidade ao trabalho logo após o ciclo de teleconferências.

Cerca de 10% dos participantes apresentaram uma ou mais dificuldades para darem continuidade ao trabalho proposto pela I Teleconferência. As dificuldades que apareceram com maior freqüência foram :

A Figura 17 ilustra a classificação por CRE das dificuldades.  
Figura 17: Classificação por CRE das dificuldades
 
 
Conforme o gráfico acima, a 11ª CRE foi a que apresentou maiores dificuldades em dar continuidade ao trabalho proposto pelas Teleconferências.

Outra questão analisada refere-se a de número 8: "Você já teve alguma experiência anterior a este I Ciclo de Teleconferências com Ensino a distância ? A Figura 18 ilustra as respostas dada pelos participantes.

 
Figura 18: Classificação por CRE

 
Figura 19: Experiências com EaD

 
Essa questão mostra que 84% dos profesores não haviam tido experiência com ensino a distância. Dos trezentos e cinqüenta e três questionários pertencentes à amostra selecionada foram obtidas trezentas e quarenta e cinco respostas à oitava questão, sendo que 16% responderam "sim" e 84% responderam "não". Cabe a esta análise verificar os tipos de experiências que tiveram anteriormente os participantes que responderam "sim".

Numa classificação por CRE, como será mostrado graficamente adiante, veremos que a 2ª CRE - Tubarão foi a região onde os participantes mais tiveram experiências anteriores a esta Teleconferência, seguida pela 7ª CRE - Lages e pela 17ª CRE - Xanxerê.

Dos participantes que responderam "sim" à questão nº 8, a maioria absoluta, 59%, admitiram que assistiam/assistem o programa exibido pela TV Educativa "Um salto para o futuro" . O restante dividiu-se da seguinte forma:

 
Figura 20: EaD realizados

 
Um outro tipo de análise refere-se a questão 09 do formulário: "Os temas das teleconferências trouxeram novos conhecimentos para sua atualização ? Quais ?"

Dos trezentos e cinqüenta e três formulários selecionados foram obtidas trezentas e sessenta e nove respostas à questão número 9, que foram divididas em cinco grupos, dispostos da seguinte maneira:

 

Exatamente 89% das respostas dividem-se entre o 2º e o 4º grupo, logo, dessa forma

foi dada uma atenção especial a estes dois grupos, classificando-os por CRE, como poderá ser observado nos gráficos adiante.
 
 
Figura 21:2o Grupo: Análise por CRE

 
 
 
Figura 22: 4o Grupo: Análise por CRE
 
 
 
Figura 23: Temáticas Inovadoras
 
 

Legenda :

Tema 1: Tecnologia e Educação

Tema 2 : TV escola e capacitação dos professores

Tema 3 : A arte do professor frente às novas formas de comunicação

Tema 4 : O professor do futuro

Tema 5 : Do quadro negro à realidade virtual

Tema 6 : O uso educacional do computador

Tema 7 : Ensino a distância e produção do conhecimento

Tema 8 : O uso da INTERNET na escola

Tema 9 : O papel da TV na sala de aula

Tema 10 : Educação e novas tecnologias da educação

 

O 4º grupo representa 38% do total geral de respostas da questão nº 9 ,então, dessa forma, podemos observar através do gráfico acima, que o tema 8 (O uso da INTERNET na escola) com 18% das respostas, foi o que mais trouxe novos conhecimentos aos participantes da I Teleconferência, seguido pelos temas 6 e 1 (O uso educacional do computador e Tecnologia e Educação), ambos com 13%.

Exatamente 9% dos participantes deste evento, disseram que todos os temas lhes trouxeram novos conhecimentos.

O tema 7 (Ensino a distância e produção do conhecimento) foi o menos citado com apenas 2% das respostas.

As questões número 10,16,17,18 e 19 do formulário de avaliação que encontra-se anexo foram consideradas cognitivas. O formulário produzido ficou extenso e as respostas começaram a aparecer idênticas. Logo, as respostas dessas questões não fizeram parte da conclusão do trabalho. Em trabalhos futuros, levar-se-à em consideração essa hipótese.

5.4.5 Produção de textos

A "fala" dos professores nos textos produzidos vêm desenhando um modelo de educação com o novo tempo. Na teoria dialógica de Freire, trata-se da síntese cultural. Os professores empregam constantemente a linguagem tecnológica para a mudança do ensino-aprendizagem, considerando que os alunos já estão inseridos no contexto das tecnologias, e que a educação deve se concentrar na aprendizagem e não apenas no ensino. Os formulários analisados demonstram que os professores de várias regiões do estado estão considerando o ensino a distância na sua unidade escolar como a real oportunidade para sua capacitação, visto que de outra forma seria de difícil possibilidade. Alguns textos continuam enfocando o aspecto da substituição do professor pela máquina, outros textos, no entanto, abordam de maneira consistente a falta de preparação do professor para o uso das novas tecnologias em sala de aula como também é possível diagnosticar que os professores estão enfocando o tema sob a ótica da aplicação em sala de aula, e indicando as necessidades de capacitação dos professores para o uso adequado das novas tecnologias, listando as mudanças de atitude e as inovações pedagógicas necessárias na escola.

Há textos em que os professores relatam uma observação no conhecimento dos alunos a partir do contato com as novas tecnologias nas escola, ou simplesmente produziram um comentário sobre um dos temas apresentados ou da técnica de teleconferência. "A fala" dos professores nos textos produzidos individualmente ou em grupo vem demonstrando que a sua inserção no contexto tecnológico já se faz presente, pois vários textos preocupam-se em colocar que as tecnologias interativas aplicadas à educação ampliam as formas de agir mediante a construção de novos esquemas mentais.