CAPÍTULO 6
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
6.1. CONCLUSÕES

A nova tecnologia educacional, revestida de todo artefato tecnológico de hardware e software, exige novas tarefas e deveres para as pessoas e os profissionais que lidam com o processo ensino-aprendizagem computadorizado. O desafio é maior para estudantes, professores, pedagogos, administradores e especialistas em ensino de um lado, que geralmente não estão familiarizados com o domínio de conhecimento informática. E por outro, projetistas, programadores, designers, vendedores e outros que desenvolvem e distribuem estes produtos, que necessitam atender as necessidades destes consumidores..

Estas tarefas e deveres referem-se aos cuidados especiais que a nova tecnologia requer. Cuidados de ordem ergonômica e pedagógica. Ergonômica para que o usuário, aluno ou professor, possa utilizar a tecnologia com o máximo de segurança, conforto e produtividade conforme os preceitos da ergonomia e, pedagógico, para que as estratégias didáticas de apresentação das informações e tarefas exigidas estejam em conformidade com o objetivo educacional e as características de seu usuário.

Freqüentemente, o profissional de educação não tem a oportunidade de escolher e experimentar um software antes da sua utilização. A escolha de PEI são influenciadas por questões de ordem prática: por indicação de colegas, pelos que estão imediatamente disponíveis, por imposição da organização escolar, pela divulgação em artigos, jornais e revistas, pela descrição da embalagem entre outras formas.

Se os educadores possuem competência em relação a critérios de aprendizagem, o mesmo não ocorre em termos de usabilidade. Neste contexto, é necessário dispor de uma ferramenta que lhes permita efetuar uma avaliação a priori do programa, de maneira tenham uma orientação clara na identificação de como o software trata a aprendizagem e de como os usuários irão operar o programa, ou seja, trata-se de avaliar a integração da usabilidade com o conteúdo e a forma de aprendizagem.

Educadores e projetistas, em geral estão separados física e epistemologicamente na concepção destes produtos cabendo ao professor ou facilitador, a responsabilidade de adequar ou adaptar seu uso para o objetivo da aprendizagem. Isso exige, destes profissionais e também dos alunos um esforço extra para a descoberta e o domínio da lógica de utilização destes materiais.

Para os projetistas e produtores, privilegia-se, na concepção, os recursos tecnológicos e a atividade de programação. Prevalece seu conhecimento técnico, em detrimento do conhecimento pedagógico necessário para um programa de cunho educacional: estratégias de ensino correspondentes aos objetivos pedagógicos fixados, formas de avaliação, psicologia e filosofia subjacentes à proposta do produto, entre outros.

Quem mais possui condições de conhecer o usuário é o professor e/ou o pedagogo ou especialista em ensino e o próprio aluno. Estes conhecem suas necessidades curriculares e de aprendizagem, seus ritmos, características pessoais e de grupo, especificidades do conteúdo da aprendizagem e outros atributos pedagógicos.

Por isso, faz-se necessário a integração do projeto técnico e o projeto pedagógico na concepção e avaliação de produtos educacionais informatizados (PEI). Um não pode prescindir do outro para a garantia de uma qualidade ergonômica e pedagógica, que contemple no mesmo projeto as diversas competências técnicas, de interface e educacional.

As bases para competências técnicas e de interface estão presentes no capítulo 4 e parte do 5. As bases para competências pedagógicas estão enfatizadas nos capítulos 3 e 5. O capítulo 1,apresenta um quadro de contextualização da temática, destacando as principais teorias de aprendizagem e sua relação com a evolução da educação computadorizada, de forma a ter-se uma visão geral das implicações epistemológicas contidas em educação presencial e à distância (EPAD) informatizadas.

Em síntese, no conteúdo destes capítulos, identificou-se alguns dos procedimentos didático pedagógicos para realização em EAD (capítulo 3), destacou-se duas abordagens ergonômicas para concepção e avaliação de IHC, bem como destacou os critérios ergonômicos para avaliação de interfaces (capítulo 4), levantou-se algumas das contribuições sobre projeto e avaliação de PEI e, partindo destas abordagens da ergonomia e da pedagogia, propõe-se construir, a partir de pesquisa nesta área, uma forma de integrar estes conhecimentos para um modelo de critérios e recomendações para concepção e avaliação ergonômica de software educacionais, que seja generalizáveis às diversas tipologias (capítulo5).

Desta forma, neste trabalho levantou-se algumas das bases teorico-metodológicas para que na concepção, avaliação e seleção de PEI de forma que se possa solucionar ou minimizar os problemas detectados na sua realização e utilização.

A construção deste suporte básico visa apoiar a reflexão e aplicação dos conhecimentos acumulados mais recentemente sobre essa temática, em virtude da necessidade de diálogo constante entre os profissionais e as competências exigidas para fazer educação multimídia.

Estes conhecimentos comprovam a necessidade da pesquisa ergonômica e pedagógica de forma integrada, de modo a contribuir com os profissionais e especialistas que atuam nesta área, na tomada de consciência de suas responsabilidades na aquisição de competência para intervir no processo.

As contribuições descritas ao longo dos capítulos permitem encontrar um meio para descobrir e agregar orientações metodológicas essenciais aos produtos educacionais ergonômica e pedagogicamente elaborados para fins educacionais.

A dissertação teve como objetivo, levantar bases ergonômicas e pedagógicas para orientação na concepção e avaliação de PEI. Neste sentido, o que denominou-se hipóteses, constituiu-se nas linhas orientadoras do trabalho e demonstraram, pelo conteúdo desenvolvido pela revisão bibliográfica, que a ergonomia em informática pode contribuir com estratégias e metodológicas, critérios e recomendações para desenvolvimento e avaliação de interfaces homem-computador (IHC) educacionais.

Outras hipóteses destacam a necessidade de aplicação de abordagens e preceitos integrados da ergonomia e da pedagogia, pautando-se nas teorias cognitivistas de aprendizagem, na informática educativa e no meio tecnológico, observando, também, na ergonomia de software, as exigências técnicas, pedagógicas e biopsicosociais para o objetivo da educação computadorizada. Destaca-se, ainda que para EPAD, a interface destes ambientes deve privilegiar métodos didáticos que favoreçam a auto-gestão, a aprendizagem autônoma, flexível e adaptável às peculiaridades do usuário.

Ainda que sejam hipóteses não comprovadas por dados quantitativos e qualitativos ou experimento, a revisão bibliográfica realizada apontam para a confirmação destas afirmações. Entretanto, para confirmá-las (ou refutá-las), torna-se necessário aprofundar e aplicar estes conhecimentos como propõe as recomendações para trabalhos futuros.

Os objetivos específicos desta dissertação foram contemplados, na medida em que estruturou-se o trabalho buscando atingi-los, determinando, consequentemente, a forma metodológica da revisão bibliográfica realizada e a organização dos conteúdos dos capítulos.

Em conclusão, justifica-se esta integração da ergonomia com a pedagogia em razão da complexidade que a educação computadorizada comporta, necessitando, por isto, um tratamento integrador dos diversos aspectos envolvidos. Além disto, os modelos pedagógicos clássicos, em sua grande maioria, não estão adequadamente, sendo adaptados às novas situações em EPAD informatizadas.

Disto decorre que, fato de que uma interface bem produzida, do ponto de vista técnico, com todos os recursos multimídia, recomendações normalizadoras no projeto do software e/ou características ergonômicas contempladas no produto, será improdutiva e ineficaz se não atender as necessidades educacionais do usuário. O inverso, do mesmo modo, tornará improdutivo e ineficaz o uso pleno da máquina como ferramenta de suporte à aprendizagem.

6.2. RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
Os conhecimentos produzidos a partir deste trabalho representam o ponto de partida para a concepção, avaliação e implementação da interface de um ambiente de Educação Tecnológica a Distância, projeto já em desenvolvimento no Laboratório Multi-institucional de Redes e Sistemas Distribuídos do CEFET/CE, cuja arquitetura encontra-se definida por quatro camadas: a interface, que será objeto de continuidade desta pesquisa, as aplicações que oferecerão os serviços, uma camada de negociação de qualidade de serviço (QoS), além da infra-estrutura de rede.

Torna-se necessário aprofundar o tema nos aspectos da ergonomia, da pedagogia, da psicologia cognitiva, da engenharia de software, da informática educativa, da educação tecnológica e conhecimentos afins para a realização do projeto, que prevê a otimização e incorporação do uso das redes de computadores na prática pedagógica no âmbito da educação tecnológica.

Outras recomendações decorrentes deste trabalho referem-se a: