Os reflexos da incorporação destas tecnologias no cotidiano de um universo cada vez maior de pessoas em diferentes cenários e com diversas expectativas vem modificando as relações de poder dentro dos grupos, entre as instituições e criando uma diversidade de aplicações que eram impensáveis até há pouco tempo.
Esta sociedade, onde os paradigmas não são mais estanques, se desenrola em um movimento contínuo, apesar de desigual. A diversidade da qualidade de vida e acesso à tecnologia vai do neolítico à realidade virtual, sendo que estes ambientes convivem ao mesmo tempo a poucos quilômetros de distância um do outro.
A competitividade acirrada, que é outra característica da globalização, requer constante atualização e reciclagem dos trabalhadores e pesquisadores. Uma das conseqüências deste cenário é uma nova dimensão na área do conhecimento. O uso das "novas tecnologias" a serviço da educação permite que um universo cada vez maior de pessoas tenha acesso à informações a uma velocidade que se aproxima do instantâneo.
Lévy (1995, p. 54) descreve com objetividade "as pessoas não apenas são levadas a mudar várias vezes de profissão em sua vida, como também, no interior da mesma "profissão", os conhecimentos têm um ciclo de renovação cada vez mais curto". Visser (1997) aborda o mesmo tema afirmando
A demanda por conhecimento e atualização deve continuar em ritmo cada vez mais acelerado, mesmo considerando-se diferentes necessidades e velocidades em vários contextos e em diversas áreas de conhecimento. A tendência geral é o aumento do consumo de informações.
O cenário de busca constante de atualização e tecnologia que possibilite aumentar sempre a quantidade e velocidade das fontes de informação convive com ilhas de analfabetismo, com cerca de 1 milhão de pessoas iletradas no planeta e mais de 130 milhões de crianças em idade escolar fora das salas de aula (Visser, 1997).
O sistema educacional tradicional não conseguia atender satisfatoriamente (salvo em contextos com alta renda e estabilidade) a demanda por educação mesmo antes da globalização. Com o aumento do número de anos e períodos que os alunos precisam permanecer estudando para competirem no mercado de trabalho, é difícil supor que a estrutura de educação presencial esteja apta a atender à todos que buscarem seus serviços.
O Brasil apresenta enorme diversidade de estágios de desenvolvimento e necessidades na área da Educação; Barcia (1996) aponta a Educação a Distância como uma alternativa viável para a melhoria em qualidade e aumento da quantidade de atendimento na educação do país.
Viabilizar a modalidade de Educação a Distância
- ED - no Brasil, onde a diversidade de contextos e experiências
fracassadas criaram uma imagem de descrédito e resistência,
implica em trabalho meticuloso de pesquisa e avaliação das
iniciativas, na busca da estruturação de modelos que sejam
adequados à realidade brasileira e que consolidem a ED enquanto
prática educativa.
O objetivo específico foi a criação de um modelo que seja flexível, permitindo aplicação em vários cursos, proporcionando uma abordagem uniforme e, portanto, passível de comparações, aos vários formatos possíveis de cursos a distância. Além disso, o modelo deve proporcionar informações sólidas e confiáveis, que permita sua utilização como ferramenta de apoio a decisão para investimentos financeiros significativos e procedimentos a longo prazo. O modelo deve ser de fácil aplicação e abranger um número expressivo de variáveis, dada a complexidade da atividade. As variáveis são interdependentes e a possibilidade de distinguir pontos onde são necessários pequenos ajustes e pontos onde mudanças mais profundas são essenciais também é fundamental.
O modelo de avaliação é centrado no curso e identifica
a adequação das mídias e da estratégia pedagógica
ao diagnóstico inicial, os procedimentos de recepção
e o nível de satisfação com o design e a estética
do curso.
Os acadêmicos envolvidos no Laboratório e nos projetos utilizam os cursos para estudos de caso tanto para o desenvolvimento de teses e dissertações, pois um dos objetivos do programa é refinar a fundamentação teórica e acadêmica necessária para a área de concentração de Mídia e Conhecimento:
No Brasil, desde a fundação do Instituto Rádio
Monitor, em 1939, várias experiências foram iniciadas conforme
mencionado por Nunes (1992), mas nenhuma consolidou um sistema de ensino
baseado nesta modalidade. A maioria dos cursos teve uma intervenção
governamental acentuada, trazendo os componentes ideológicos dos
regimes vigentes (Alonso, 1996). Entretanto, chama a atenção
um traço constante: a descontinuidade dos projetos, principalmente
os governamentais (Nunes, 1992).
Em se tratando de uma área recente no Brasil, a importância de rigoroso acompanhamento e avaliação são necessários tanto para o aprimoramento das técnicas e metodologias utilizadas, como também para a consolidação e credibilidade da própria Educação a Distância no Brasil.
O modelo de avaliação apresentado pode e sugere-se que
seja aplicado à outros cursos, eis a preocupação pertinente
na construção de uma estrutura flexível que permita
a utilização por outras iniciativas, colaborando para um
trabalho que sirva de referência para novas pesquisas a serem desenvolvidas
na área de Mídia e Conhecimento - Educação
a Distância.
No capítulo 3 a revisão está centrada nas questões operacionais características da Educação a Distância, como um curso é estruturado, qual o diagnóstico pertinente, quais as mídias e as estratégias pedagógicas utilizadas, chegando à análise do planejamento, da produção de materiais, da implementação e da avaliação propriamente dita.
No capítulo 4 é apresentado o modelo de avaliação, que é a diretriz principal deste trabalho, justificando a proposta com a análise dos objetivos gerais da avaliação na Educação a Distância, as várias escolas pedagógicas, as mídias utilizadas, os processos e os critérios existentes.
O quinto capítulo refere-se a aplicação do modelo proposto. Estando estruturado primeiramente a descrição do curso, a seguir o enfoque metodológico e operacional da pesquisa, e em seguida a aplicação do modelo no curso Contabilidade de Empresas, partindo do diagnóstico, análise e apresentação dos resultados da avaliação de cada item específico e síntese do geral.
No sexto capítulo estão as conclusões e recomendações da pesquisa, e finalizando no capítulo 7 estão as fontes bibliográficas utilizadas nesta dissertação.