5 APLICAÇÃO DO MODELO

Neste capítulo o Modelo de Avaliação como visto no capítulo 4 é aplicado em um cenário real. Os objetivos desta aplicação são apresentar a viabilidade da aplicação, verificar os resultados possíveis de serem obtidos e diagnosticar os pontos de ajuste necessários no modelo.

O curso Contabilidade de Empresas, realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística foi a escolha para a aplicação do modelo. Este curso utilizou as mídias impresso, vídeo-aula e teleconferência e foi desenhado para os pesquisadores da respectiva instituição.
 

5.1 Descrição do curso - situação-problema

O curso Contabilidade de Empresas foi desenvolvido e realizado em parceria com o IBGE para atender a necessidade de capacitação dos pesquisadores da instituição na coleta de dados oriundos da área contábil das empresas para o preenchimento dos novos formulários da Pesquisa Anual do Comércio (PAC), Pesquisa Anual da Indústria (PIA) e Pesquisa Anual do Transporte Rodoviário (PATR).

Segundo o projeto do curso, elaborado em junho de 1997 e estruturado a partir de briefing da chefia do Departamento de Treinamento do IBGE, as principais características da situação-problema eram:

Embora não tenha havido menção específica no projeto do curso, era do conhecimento de todos os envolvidos no projeto que os alunos eram funcionários públicos, a maioria com 2o. grau completo, na faixa etária entre 30 e 45 anos e que havia uma demanda por treinamento e atualização que as iniciativas presenciais não atendiam a contento.

5.2 Design

A modelagem do curso foi planejada a partir do diagnóstico inicial e utilizou "um mix de pedagogia e tecnologia que caracteriza-se pela escolha de mídias que possam alcançar de maneira uniforme todos os treinandos, de materiais que possam oferecer fácil acesso aos conteúdos de contabilidade necessários ao desempenho das tarefas solicitadas, pela adequação destes conteúdos à realização da tarefa, e de materiais motivacionais e demonstrativos das atividades de campo a serem executadas após o período de treinamento." (Vianney e Schaeffer, 1997).

Nos cursos de capacitação realizados pelo IBGE de forma presencial não há uma avaliação quantitativa do conhecimento dos alunos para a emissão do certificado de participação, sendo que a presença e participação são os itens considerados para a emissão dos certificados. O artifício utilizado para manter o critério consolidado na instituição em cursos presenciais no curso a distância foi a utilização da pergunta-senha no instrumento de avaliação. Durante cada Teleconferência seria formulada uma pergunta sobre o conteúdo que os alunos deveriam responder no Instrumento de Avaliação. A obtenção do certificado era condicionada ao encaminhamento do formulário com todas as questões preenchidas ao Departamento de Treinamento do IBGE.

A preocupação com a adequação da linguagem e das metáforas gerou um modelo que constituia-se no cotidiano dos pesquisadores, com o uso intensivo de reportagens mostrando situações reais em visitas à empresas dos ramos de atividade relacionadas às pesquisas do comércio, indústria e transporte. A participação dos alunos era incentivada e viabilizada através do "Tira-Dúvidas", formulário destacável que identificava o aluno, o destinatário e tinha espaço reservado ao texto da pergunta, e do telefone 0800 disponibilizado durante as Teleconferências. Os "Tira-Dúvidas" que chegavam com perguntas foram utilizados para direcionar os conteúdos apresentados durante as aulas, concentrando mais tempo na solução das questões mais freqüentes apresentadas pelos alunos. Todas as questões recebidas através de correio, telefax e telefone foram organizadas e armazenadas e cópias entregues ao IBGE, ao professor coordenador e ao LED para referência no final do curso.

Todas as perguntas sobre Contabilidade foram respondidas pelo professor responsável e entregues ao IBGE, que coordenou o encaminhamento aos alunos.
 

5.3 Mídias utilizadas

A estratégia para este curso foi o uso conjugado de teleconferências, material impresso - livro texto (apostila), manual do aluno e instrumento de avaliação - e vídeo aula.
 

5.3.1 Manual do aluno

O Manual do Aluno apresenta mensagem institucional do IBGE, texto esclarecendo a estratégia pedagógica e das mídias, com descrição detalhada de cada um dos materiais. Atenção especial foi dedicada para as teleconferências, enfatizando as instruções para a sintonia.

"O objetivo do Manual do Aluno foi o se constituir em um guia de informações imediatas a respeito das várias mídias utilizadas no programa de treinamento". (Laboratório de Ensino a Distância, 1997)

Figura 8: Manual do aluno
 

5.3.2 Cartaz

Foram distribuídos 600 cartazes 40 x 60 cm, com impressão a 4 cores que informavam as datas e horários e orientavam os alunos a procurar as chefias locais para se informar o local de recepção. A ilustração principal foi a mesma da capa do Manual do Aluno, da Apostila e da Vídeo-aula
Figura 9: Cartaz

5.3.3 Livro-Texto

O livro-texto foi produzido em formato A4, com encadernação tipo brochura costurada, com capa a 4 cores e interior com texto e ilustrações em Preto e Branco, com 105 páginas e dividido em 7 capítulos mais gabarito dos exercícios, os Manuais de Instruções das pesquisas PIA, PAC e PATR e o formulário Tira-Dúvidas.

O livro foi especialmente elaborado para este curso, dentro da metáfora já mencionada do cotidiano dos alunos, a linguagem, o conteúdo e as ilustrações foram direcionados ao público alvo identificado no diagnóstico inicial.

Figura 10: Livro-Texto
 

5.3.4 Vídeo-Aula

A vídeo-aula teve duração de 20 minutos e pode ser dividida em 3 partes principais, apresentação do conteúdo básico pelo professor, dramatização do cotidiano dos pesquisadores em cenário criado especialmente para o curso, e reportagem em situações reais sobre coleta de dados realizadas na fábrica de Bordados Hoepcke, na Biguaçu Transportes Coletivos e na farmácia Nova Fórmula. Os blocos não foram colocados linearmente e um apresentador fazia a ligação entre os cenários.

O vídeo utilizou o mesmo efeito de computação gráfica das vinhetas das teleconferências e as reportagens foram feitas pela mesma equipe, proporcionando uniformidade estética e referencial.

Figura 11: Vídeo-Aula

5.3.5 Instrumento de avaliação

O instrumento de avaliação, além da identificação do aluno, conta com espaço específico para a pergunta-senha das teleconferências e questões de escolha múltipla referentes ao conteúdo programático. Ainda um questionário com 25 perguntas fechadas que permitiam 5 opções de respostas, de Excelente a Insuficiente para a avaliação da recepção e opinião dos alunos sobre o curso.
Figura 12: Instrumento de avaliação

O livro-texto, a vídeo-aula, o manual do aluno e o instrumento de avaliação foram embalados, identificados com o nome de cada um dos alunos e enviados pelo correio ou pelo sistema de malotes do IBGE para todos os alunos cadastrados, atingindo 2.794 pesquisadores em todo o Brasil. O conjunto destes materiais denominou-se "kit de materiais" e chegou aos alunos com até 5 semanas de antecedência em relação à primeira teleconferência.

O IBGE não possui estrutura própria de recepção para as teleconferências em todas as cidades. A estratégia adotada estava em estabelecer parcerias, sendo que o LED facilitou o contato com o SEBRAE para o uso dos centros de treinamento para possibilitar que os alunos assistissem as transmissões. Todas as parcerias para viabilizar que os alunos assistissem as transmissões ao vivo das teleconferências foram coordenadas pelas chefias regionais e nacional do IBGE.
 

5.3.6 Teleconferências

Foram geradas 6 (seis) Teleconferências com duas horas de duração cada, todas das 14:00 as 16:00 horas. As Teleconferências são detalhadas a seguir:
Figura 13: Estúdio de teleconferência
a. Teste de Sintonia - dia 28.07.97 - Com a mediação do jornalista profissional, Mário Motta e a participação do professor conteudista responsável Prof. Nilton Hausmann, esp. - UFSC, da chefia de treinamento do DETRE/ENCE/IBGE Maria Angélica Vasconcelos de Araújo e do coordenador no Laboratório de Ensino a Distância, João Vianney Valle dos Santos, a primeira teleconferência teve por objetivo a familiarização dos alunos com a tecnologia, a checagem do local de recepção e a apresentação da equipe.

b. Teleconferência 1 - dia 04.08.97 - Conceitos fundamentais em Contabilidade, com a participação do Prof. Nilton Hausmann, da UFSC, da chefia de treinamento do DETRE/ENCE/IBGE Maria Angélica Vasconcelos de Araújo, de Roberto da Cruz Saldanha, do Departamento de Comércio e Serviços/IBGE, Ednéa Machado Andrade do Departamento de Indústria/IBGE e de Alexandre Pessoa Brandão do Departamento de Indústria do IBGE.
A reportagem que mostra a situação real foi realizada na empresa Intelbrás S.A., localizada em São José, SC.

c. Teleconferência 2 - dia 06.08.97 - Abordagem específica ao desempenho da pesquisa PIA com a participação do Prof. Nilton Hausmann, da UFSC, da chefia de treinamento do DETRE/ENCE/IBGE Maria Angélica Vasconcelos de Araújo, Ednéa Machado Andrade do Departamento de Indústria/IBGE e de Alexandre Pessoa Brandão do Departamento de Indústria do IBGE. Reportagem na Imperatriz Empreendimentos e Participações Ltda - Água Mineral Imperatriz, localizada no município de Santo Amaro da Imperatriz. SC.

d. Teleconferência 3 - dia 11.08.97 - Abordagem específica ao desempenho da pesquisa PATR com a participação do Prof. Nilton Hausmann, da UFSC, da chefia de treinamento do DETRE/ENCE/IBGE Maria Angélica Vasconcelos de Araújo e de Roberto da Cruz Saldanha, do Departamento de Comércio e Serviços/IBGE. Reportagem na empresa Autoviação Catarinense, com sede em Blumenau/SC

e. Teleconferência 4 - dia 13.08.97 - Abordagem específica ao desempenho da pesquisa PAC com a participação do Prof. Nilton Hausmann, da UFSC, da chefia de treinamento do DETRE/ENCE/IBGE Maria Angélica Vasconcelos de Araújo e de Roberto da Cruz Saldanha, do Departamento de Comércio e Serviços/IBGE. Reportagem na CASSOL Materiais de Construção, localizada em Florianópolis, SC

f. Teleconferência 5 - dia 18.08.97 - Integração de conceitos e revisão com a participação do Prof. Nilton Hausmann, da UFSC, da chefia de treinamento do DETRE/ENCE/IBGE Maria Angélica Vasconcelos de Araújo, de Roberto da Cruz Saldanha, do Departamento de Comércio e Serviços/IBGE e de Wasmália Socorro Barata Bivar do Departamento de Indústria/IBGE.
 

5.4 Interações

5.4.1 Interação professor aluno

A estrutura de recepção das mensagens dos alunos foi montada para atendimento em dois níveis: os formulários Tira-Dúvidas que chegavam eram agrupados por assunto e encaminhados ao professor conteudista responsável para que as aulas por teleconferência fossem preparadas de modo a responder o maior número de questões durante as aulas ao vivo. As ligações telefônicas pelo 0800 durante as teleconferências eram atendidas por equipe ligada ao LED e ao IBGE, se fosse possível as questões eram respondidas na hora pelo telefone, ou então eram encaminhadas à direção de estúdio para resposta ao vivo ou para o professor ou à equipe do IBGE para resposta posterior.
 

5.4.2 Interação aluno aluno

O fato do IBGE não possuir estrutura de recepção própria para as teleconferências gerou um movimento em função do local de recepção, implicando em soluções para o grupo, possibilitando e incentivando discussões e comentários entre os alunos. Enquanto o kit de materiais tinha uma usabilidade eminentemente individual, as teleconferências formavam a opção síncrona e socializada da implementação do curso.
 

5.5 Coleta dos dados

Foram utilizadas três fontes para a obtenção de dados nesta pesquisa. O questionário estruturado com respostas fechadas que foi enviado aos alunos como parte do kit de materiais, o registro da participação expontânea dos alunos através do formulário Tira-dúvidas e das ligações feitas através do telefone 0800 e relatos dos procedimentos. Os dados foram analisados separadamente, pois a amostra do questionário estruturado são os alunos do estado de Santa Catarina, a participação expontânea refere-se ao Brasil inteiro e os relatos são principalmente da produção dos materiais e do acompanhamento das aulas por teleconferência geradas em Florianópolis.

Na análise dos dados do questionário estruturado, utilizou-se o programa computacional Statistics, que determina os valores das médias, das medianas e possibilita o cruzamento dos dados das questões (Azevedo, 1997), permitindo a busca da interelação e da interdependência que caracteriza sistemas complexos que envolvem grande número de variáveis e amostras significativas. O questionário era composto de perguntas que permitiam vários tipos de resposta, as que inquiriam diretamente sobre a opinião dos alunos sobre o curso usamos escala tipo Liekert, com 5 opções, Excelente, Muito Bom, Bom, Regular e Insuficiente, que foram transformadas em valores numéricos, sendo que 5 representa Excelente e 1 Insuficiente. A amostra é composta de 74 questionários respondidos pelos alunos de Santa Catarina, de um total de 2.503 certificados de participação emitidos pelo IBGE a nível de Brasil.

No tratamento dos dados de participação expontânea, foi utilizado o programa Excel para apontar os índices percentuais das ocorrências, que foram transformadas em palavras-chave, definidas a partir do assunto do contato. No total foram apuradas 454 mensagens abordando 533 assuntos.

Como o objetivo deste capítulo é testar o modelo de avaliação fundamentado no capítulo 4, a seqüência da análise obedecerá a do modelo, utilizaremos o questionário estruturado, a participação expontânea e relatos para verificar o nível de atendimento aos critérios propostos.

O questionário possibilita a identificação dos alunos nos itens sexo, escolaridade e faixa etária. O perfil nos alunos obtido através dos questionários estruturados respondidos pelos alunos de Santa Catarina é demonstrado a seguir:

Figura 14: Distribuição de gênero dos alunos
Figura 15: Distribuição da faixa etária dos alunos
Figura 16: Distribuição da escolaridade dos alunos

Não houve um pré-teste ou qualificação de determinasse com exatidão o nível de conhecimento do público-alvo sobre o conteúdo programático. As informações contidas no briefing referem-se à escolaridade e faixa etária dos alunos. Este trabalho prioriza a escolaridade como variável na análise dos dados do índice de satisfação dos alunos em relação ao curso.
 

5.6 Apresentação e análise dos resultados

Os resultados da avaliação de recepção seguirão a estrutura do Modelo de Avaliação proposto no capítulo 4, cada item será avaliado individualmente e ao final de cada critério será feito um parecer geral.
 

5.6.1 Perfil dos alunos

Os itens considerados no perfil dos alunos foram: a) Como já mencionamos anteriormente, não houve uma avaliação detalhada do conhecimento dos alunos sobre o tema Contabilidade de Empresas antes do planejamento do curso, a informação disponível era a escolaridade e a experiência profissional. No questionário estruturado as seguintes questões subsidiam um parecer sobre a contribuição do curso em relação à aquisição de conhecimento sobre o tema.

Questão 5 - "Como você classifica o conteúdo da apostila Contabilidade de Empresas em relação à apresentação das noções básicas de contabilidade?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Questão 9 - "A vídeo-aula do curso Contabilidade de Empresas foi um material didático eficaz para auxiliar no aprendizado dos principais conceitos de contabilidade aplicados a situações de como as empresas organizam seus dados? Como você classifica a vídeo-aula?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Questão 21 - "Como você considera a contribuição das aulas transmitidas por satélite para o aprendizado dos principais conceitos da Contabilidade de Empresas?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Questão 22 - "Como você considera a contribuição das aulas transmitidas por satélite para o esclarecimento técnico sobre os formulários das pesquisas PIA, PAC e PATR?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

O cruzamento das respostas do questionário estruturado permitiu elaborar a tabela 12, considerando os percentuais sobre o total:

Tabela 12: Avaliação da contribuição das mídias
Conceito
Livro-texto
Vídeo
Tele Contabilidade
Tele Formulário
Excelente
6.8
1,4
6,8
6.8
Muito Bom
35,6
15,3
24,7
16,4
Bom
45,2
38,9
46,6
46,6
Regular
12,3
25
13,7
19.2
Insuficiente
0
19,4
8,2
11

Os resultados mostram índices diferentes para cada mídia, destacando o alto nível de adequação do livro-texto, com 87,7% das respostas entre bom e excelente e nenhuma menção Insuficiente. Embora todos os materiais e aulas tenham sido preparados pelo mesmo professor especialista e utilizado a mesma metáfora, os dados indicam que outros fatores influenciaram o conceito que os alunos atribuíram para cada mídia e ressalta a importância de material impresso de boa qualidade

b) a cultura, evitando mensagens preconceituosas

A avaliação deste critério baseou-se na análise da participação expontânea e de observações feitas pelos alunos no questionário estruturado.
A leitura do questionário estruturado mostra 2 observações em relação à vídeo-aula, considerando a metáfora da dramatização inadequada. O uso de humor na dramatização pode ter sido a causa dos comentários. Na leitura da participação expontânea não foi possível localizar nenhum comentário deste tipo. Também não foram identificadas observações dos alunos sobre questões de gênero, faixa etária ou aspectos religiosos.

c) a linguagem, de modo que seja inteligível e clara:
No questionário estruturado uma questão se refere especificamente à clareza da linguagem, a do Manual dos Alunos. Podemos inferir que os índices apresentados no item a) podem ser considerados parcialmente nesta questão.

Questão 04 - "Em relação às instruções para a realização do curso contidas no Manual do Aluno, você considera que elas foram claras o suficiente? Como você classifica o Manual do Aluno?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Figura 17 : Clareza do manual do aluno
Legenda: outliers: observações atípicas e infreqüentes
Median: tendência central

O índice da amostra com 1o. grau é baixo- 3 indivíduos em um total de 74, mas a inclusão mostra que todas as escolaridades apresentam a mesma média, entre bom e muito bom, sendo que o índice de satisfação com a clareza da linguagem do manual nos indivíduos com 3o. grau é maior, pois a mediana está em muito bom e nos indivíduos com 1o. e 2o. graus a mediana está em bom. Podemos concluir que os alunos com 3o. grau consideraram as informações do Manual do Alunos mais claras que os de 1o. e 2o. graus. Não houve nenhuma referência que considerasse as informações do Manual do Aluno Insuficiente.

d) o contexto, considerando que os alunos não estão em ambientes dedicados ao aprendizado, e possivelmente tem obrigações profissionais e/ou familiares.

Este critério trata basicamente da sincronicidade dos compromissos do curso. Quanto maior o controle que o aluno tiver sobre a velocidade do curso, mais fácil será adaptar seu cotidiano ao tempo necessário de dedicação ao estudo. Neste caso o desenrolar do curso foi marcado em função dos prazos de aplicação das pesquisas, e os alunos tinham conhecimento da situação.

No questionário estruturado temos as seguintes questões que nos informam sobre o assunto:

Questão 2 - "Indique com que antecedência você recebeu os materiais assinalados (o kit enviado por correio ou malote), em relação à primeira aula transmitida por satélite, no dia 04 de agosto.
( ) 1 semana, ( ) 2 semanas, ( ) 3 semanas, ( ) 4 semanas e ( ) 5 semanas."
 

Figura 18: Tempo antecedência recebimento do kit de materiais

Se considerarmos o prazo de duas semanas de antecedência como ideal, temos 84% do público recebendo o kit dentro deste prazo ou mais. Facilitando aos alunos conhecerem o conteúdo e os materiais e causando expectativa positiva durante o período.

O material que compõe o kit possibilitava ao aluno escolher os horários e o tempo dedicado ao estudo. Consideramos o ambiente em que assistiu a vídeo-aula em separado pois, caso não tenha sido assistida em ambiente residencial, o acesso e o tempo dedicado dependiam também de fatores externos.

Questão 10 - "Indique o ambiente em que você assistiu à vídeo-aula: ( ) nas dependências do IBGE.
( ) em telesala de escola pública, ( ) em teleposto de prefeitura ( ) em auditório da Embratel, ( ) em teleposto do Sebrae, ( ) em teleposto de empresa, ( ) em ambiente residencial e ( ) outros. "

Figura 19: Local de acesso a vídeo-aula

O contingente de alunos que teve mais flexibilidade para assistir à vídeo-aula representa 64% do total, pois o fizeram em ambiente residencial.

Questão 11 - Além do kit de materiais didáticos, este curso apresentou cinco aulas transmitidas por satélite. Indique na relação abaixo quais as aulas que você assistiu ao vivo, com recepção por antena parabólica.
( ) Aula 01 (04 de agosto/97), ( ) Aula 02 (06 de agosto/97, ( ) Aula 03 (11 de agosto/97), Aula 04 (13 de agosto/97) e ( ) Aula 05 (18 de agosto/97).

Figura 20: Número de aulas assistidas por teleconferência

A teleconferência, enquanto meio de comunicação, era a alternativa mais inovadora para os alunos. A opção por uma estratégia de comunicação que possibilitasse interação, mesmo sem contar com estrutura própria de recepção, foi viabilizada, sendo que 95,9% dos alunos assistiram 3 teleconferências ou mais.

As teleconferências são um modelo típico de estudo síncrono, com tempo e local determinados pelos organizadores do curso, onde os alunos não tem o controle de data, horário e local.

Parecer final do Critério Perfil dos Alunos:

No critério Perfil dos Alunos os dados mostram que o curso atendeu todos os itens mencionados. Ou seja, considerou a experiência dos alunos, a cultura, a linguagem e o contexto, utilizando elementos familiares para compor as metáforas e os exemplos, ilustrados com reportagens nas empresas.
 

5.6.2 Mídias

Os itens considerados na avaliação das mídias são: a) O curso utilizou várias mídias, a tabela abaixo nos mostra o índice de acesso a cada uma, em percentuais sobre o total de alunos de Santa Catarina:
Tabela 13: Acesso dos alunos às mídias do curso

Mídias

% acesso

Manual

100
Livro-texto
100
Vídeo
100
Avaliação
100
Tele 1
94,6
Tele 2
94,6
Tele 3
93,2
Tele 4
91,9
Tele 5
91,9

O local de acesso ao material impresso é uma questão que, apesar de aparentemente simples, pois pode ser lido e estudado em qualquer parte, requer uma logística de produção e distribuição complexa, especialmente para públicos muito dispersos.

A vídeo-aula também merece atenção pois, embora equipamento de vídeo seja um eletrodoméstico considerado popular, 64% dos alunos assistiram em ambiente residencial, sendo que o local pode influenciar o índice de satisfação com o material, que corresponde às perguntas 9 e 10 do questionário estruturado.

Questão 9 - "A vídeo-aula do curso Contabilidade de Empresas foi um material didático eficaz para auxiliar no aprendizado dos principais conceitos de contabilidade aplicados a situações de como as empresas organizam seus dados? Como você classifica a vídeo-aula?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Questão 10 - "Indique o ambiente em que você assistiu a vídeo-aula: ( ) Nas dependências do IBGE, ( ) Em telesala de escola pública, ( ) Em teleposto da prefeitura, ( ) Em auditório da Embratel, ( ) Em teleposto do Sebrae, ( ) Em teleposto de empresa, ( ) Em ambiente residencial e ( ) Outros."

Figura 21: Local e opinião sobre a vídeo-aula

Nem todas as alternativas de local sugeridas no questionário foram utilizadas em Santa Catarina, consideramos apenas as mencionadas pelos alunos. O gráfico mostra que os alunos que assistiram à vídeo-aula em ambiente residencial (64%) indicaram um índice maior quanto à contribuição do material para o aprendizado, sendo que os que assistiram em espaço cedido pela Embratel apresentaram o índice mais baixo. A razão provável da preferência por ambientes residenciais é a maior flexibilidade de horários.

Figura 22: Local recepção das teleconferências
Teleconferência foi a mídia que gerou mais esforço quanto ao acesso dos alunos, devido à falta de estrutura própria de recepção do IBGE. A instrução no cartaz de divulgação orientava no sentido de procurar "o chefe da agencia para se informar sobre o local de recepção das teleconferências em sua cidade (por exemplo: escolas públicas, auditórios do SEBRAE, DIPEQs ou qualquer outro local munido de antena parabólica!".

Verificou-se o índice de satisfação dos alunos em relação aos locais cruzando as questões 12 e 13 do questionário estruturado:

Questão 12 - "Indique o local onde você acompanhou a maioria das transmissões ao vivo.
( ) Nas dependências do IBGE, ( ) Em telesala de escola pública ( ) Em teleposto de prefeitura ( ) Em auditório da Embratel    ( ) Em teleposto do SEBRAE ( ) Em teleposto de empresa ( ) em ambiente residencial e ( ) Outros (Qual?___)"

Questão 13 - "Como você classificaria o local de recepção que você utilizou para assistir as aulas deste programa de educação a distância?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Figura 23: Local de recepção teleconferência e índice de satisfação

O fato de ter sido a primeira iniciativa de transmissão por teleconferência para este público e a necessidade de uma solução local de acesso devido à dispersão dos alunos explica a variação do gráfico, onde os alunos que utilizaram as instalações do SEBRAE mostram os maiores índices de satisfação com o local de recepção.

A leitura das participações expontâneas a nível nacional indicam que 22% dos alunos que ligaram ou passaram fax que mencionaram a questão tenham informado que a recepção estava perfeita e 7% dos alunos ou grupos de alunos relataram problemas de sintonia.

b) O suporte técnico para os alunos foi fornecido principalmente pelo Manual do Aluno. As indicações para a sintonia descreviam os passos necessários para obter sucesso em condições técnicas normais e indicavam quando procurar auxílio especializado local para solucionar o problema. As parcerias contatadas tinham sua própria estrutura de suporte técnico, o que não diminui a importância do manual, pois os detalhes de sintonia, dicas e horários são fundamentais mesmo com estrutura de suporte local sofisticada.

No questionário estruturado, as questões 13 e 14 informam:

Questão 13 - "Como você classificaria o local de recepção que você utilizou para assistir as aulas deste programa de educação a distância?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Questão 14 - "Indique os equipamentos complementares disponíveis no local de recepção que você utilizou para assistir as aulas deste programa de educação a distância ( )Telefone, ( ) Fax, ( ) Videocassete , ( ) Cadeira e mesa, ( ) Cadeira escolar ou poltrona com braço de apoio e ( ) Cadeira ou sofás sem braço de apoio."

Figura 24: Equipamentos local de recepção das teleconferências

O gráfico mostra a importância de equipamentos de suporte no local que permitam a interação. A opinião mais favorável foi expressa pelos alunos que estavam em ambientes com todos os equipamentos.

A estrutura de suporte para a equipe que participou da transmissão - professor e especialistas do IBGE - contou com direção de estúdio, iluminador, maquiagem, roteiros estruturados a partir dos Tira-Dúvidas, pessoal para recepção das ligações pelo 0800 e as reportagens realizadas especialmente para os programas.

c) Quanto à utilização das mídias, embora não tenha sido inquirido aos alunos diretamente a respeito, uma análise dos materiais e das teleconferências fornece subsídios para um relato elucidativo.

O livro-texto está dividido em capítulos e estes em tópicos facilmente localizáveis através de índice no início, a diagramação é clara e limpa e as ilustrações feitas especialmente para o curso. A ilustração da capa em cores é a mesma do Manual do Aluno, da capa da vídeo-aula, da apostila e do cartaz. O vídeo, de aproximadamente 20 minutos, apresenta 3 (três) tipos de situação: em estúdio, com cenário especialmente montado para o professor e apresentador; em estúdio, com outro cenário para a dramatização e reportagens em 3 (três) diferentes empresas.

As teleconferências foram feitas em um terceiro cenário, com o mesmo professor e a direção de treinamento e equipe de especialistas em pesquisas do IBGE. Todas as aulas, de duas horas de duração cada, apresentaram reportagens em empresas ligadas ao tema do dia e no encerramento foi apresentado o depoimento do diretor presidente do IBGE.

As informações de cada mídia são adequadas às suas características, com a parte impressa funcionando como base do conteúdo e o vídeo expandindo e buscando uma variedade de situações que não seriam possíveis através da mídia impressa, explorando bem o uso de situações reais como elemento auxiliar e motivador da aprendizagem.

d) Os alunos foram incentivados e acompanhados pelas chefias locais para assistir as teleconferências, tendo sido liberados do expediente normal para assistir as aulas.

e) Este item não se aplica à este curso.

Parecer Final do Critério Mídias:

As mídias foram bem exploradas, com a distribuição das informações adequadas e integradas. Não houve superposição de conteúdos e cada uma utilizou os recursos possíveis. A estética e qualidade do material atendem padrões comerciais atuais. A utilização das teleconferências foi uma opção ousada em virtude da falta de estrutura própria que se mostrou muito eficaz. A viabilidade do uso das teleconferências foi possível graças ao empenho e agilidade do IBGE, mostrando a importância do envolvimento da instituição parceira no caso de cursos customizados.
 

5.6.3 Estratégia Pedagógica

Neste critério serão analisados os itens referentes: a) As atividades em grupo foram possíveis em todas as mídias e etapas do curso. O momento que mais propiciou interação entre os alunos foram as teleconferências, devido à escassez de ambientes com antena parabólica, as aulas foram assistidas em grupo por 86,5% dos alunos de Santa Catarina, como mostra a figura 25 a seguir:
Figura 25: Como foram assistidas as teleconferências

O percentual de alunos que assistiram as aulas ao vivo por teleconferência em grupo representa 86,5% do total de Santa Catarina, o cruzamento das questões 20 e 21 demonstra a relação entre o tempo de estudo em grupo dedicado e o índice de satisfação dos alunos:

Questão 20 ­ "Após a transmissão de cada aula você estabeleceu alguma atividade de estudo ou discussão em grupo sobre o conteúdo apresentado? Indique a alternativa que mais se aproxima do tempo dedicado.
( ) Não ( ) Sim, durante meia hora ( ) Sim, durante uma hora ( ) Sim, com dedicação acima de uma hora."

Questão 21 ­ "Como você considera a contribuição das auras transmitidas por satélite pare o aprendizado dos principais conceitos da Contabilidade de empresas?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( )Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente"

Figura 26: Tempo estudo em grupo nas teleconferências

Os alunos que estabeleceram atividades de estudo em grupo após as teleconferência tiveram uma opinião mais favorável sobre a aula dos que não o fizeram, conforme ilustra a figura 26, sendo que os que dedicaram mais de 60 minutos foram os que indicaram o rendimento mais positivo.

b) As interações professor­aluno foram incentivadas em muitos momentos do curso. A possibilidade de ter as dúvidas respondidas ao vivo pelas teleconferências ou por escrito mais tarde, levou 128 a alunos ou grupos de alunos em todo o Brasil a enviarem os formulários Tira-Dúvidas.

O Manual do Aluno, o Livro-texto e a Vídeo­Aula incentivaram a participação dos alunos. Em todas as teleconferências o apresentador chamava a participação e mencionava ao vivo algumas das perguntas e os nomes das cidades dos participantes que haviam enviado as mensagens.

O incentivo gerou 326 telefonemas através do 0800, que somados com as 128 mensagens de fax alcançaram 454 contatos a nível nacional, sendo que vários telefonemas e fax eram multitemáticos, com mais de um assunto na mesma mensagem, totalizando 533 perguntas ou comentários durante o curso. As mensagens podiam representar um ou mais alunos, não temos o controle de quantos alunos enviaram mensagens individuais ou como parte de um grupo. A tabela mostra a leitura das participações expontâneas dos alunos em percentuais sobre o total.

Tabela 14: Participação expontânea dos alunos - nível nacional
ASSUNTO DAS MENSAGENS  %
Questão Contabilidade  24
Sinal Perfeito  22 
Questão Formulários  16
Parabéns a Todos  9
Problemas no Sinal  7
Falta Formulários ou + Kit  7
Sugestões Recursos Teleconf.  7
Parabéns ao Prof./Apresentador  3
Outros 
Agradece Local Recepção  2
Questões Institucionais IBGE  2
Problemas Local Recepção  1

Observa-se que 40% das mensagens tratavam sobre conteúdo, significando a interação dos alunos em busca de mais esclarecimentos, representando interesse e envolvimento no curso. O percentual significativo de 29% de mensagens referentes ao sinal representa a preocupação com a mídia teleconferência, a mais inovadora para este público. As mensagens expressando opinião positiva dos alunos quanto à condução do curso representam 14% do total de contatos.

Todas as perguntas foram respondidas, ou ao vivo durante as teleconferências ou posteriormente, em ação coordenada pelo IBGE.

c) Os alunos tinham controle parcial do tempo de estudo, sendo que para a avaliação deste item, podemos dividir o curso em 3 partes, o kit de materiais que propiciava o controle total dos alunos sobre o tempo dedicado ao estudo, as teleconferências, onde o ritmo foi controlado pela organização do curso, e o instrumento de avaliação, onde os alunos tiveram 10 dias pare preencher o formulário após as teleconferências e encaminhar o material ao IBGE.

A antecedência do recebimento do material influenciou a utilização dos exercícios do livro-texto enquanto ferramenta de auto-aprendizado, conforme mostra a figura 27, que resultou do cruzamento das questões 2 e 6 do questionário estruturado:

Questão 02 -" Indique com que antecedência você recebeu os materiais assinalados, em relação a primeira aula transmitida por satélite, no dia 04 de agosto.
( ) 01 semana, ( ) 02 semanas, ( ) 03 semanas, ( ) 04 semanas e ( ) 05 semanas "

Questão 06 - 'Você fez os exercícios sugeridos como atividades de aprendizagem ao longo da apostila e conferiu os resultados no gabarito final? ( ) Não, ( ) Sim, Fiz uma parte dos exercícios propostos e ( ) Sim. Fiz todos os exercícios propostos."

Figura 27: Antecedência do recebimento do material

Sendo que o maior índice de alunos que fizeram todos os exercícios está representado no grupo que recebeu o kit com 4 semanas de antecedência. Sendo que em segundo lugar, os grupos que receberam com 5 e 2 semanas empatados.

Embora os alunos não tivessem controle sobre as datas e horários das teleconferências, havia tempo suficiente, no mínimo 2 dias, entre as aulas para que desenvolvessem atividades de estudo individual, como mostra a figura 28 , baseada nas questões 19 e 21:

Questão 19 - "Após a transmissão de cada aula você estabeleceu alguma atividade de estudo individual sobre o conteúdo apresentado? Indique a alternativa que mais se aproxima do tempo dedicado?
( ) Não, ( ) Sim, durante meia hora, ( ) Sim, durante meia hora e ( ) Sim, com dedicação acima de uma hora."

Questão 21 - "Como você considera a contribuição das auras transmitidas por satélite pare o aprendizado dos principais conceitos da Contabilidade de Empresas?
( )Excelente, ( ) Muito Bom, ( )Bom, ( ) Regular ( ) Insuficiente."

Figura 28: Tempo de estudo individual

O gráfico indica que a opinião sobre a teleconferência foi influenciada pelo tempo de dedicação ao estudo dos conteúdos, sendo que os índices mais altos foram mencionados por quem se dedicou uma hora e mais.

d) A questão do conhecimento do contexto do aluno foi parte fundamental do curso. A metáfora principal foi o cotidiano dos pesquisadores, com entrevistas e informações fornecidas pela própria equipe do IBGE, principalmente de Florianópolis. Foram 7 reportagens, todas buscando situações reais da pratica dos alunos como alavanca e motivação para o aprendizado.

e) A avaliação dos alunos considerou a prática dos cursos de capacitação vigente no IBGE, onde a participação era o quesito essencial. No Manual do Aluno foi destacado qual seria o procedimento necessário para obter o certificado:

"Para ter direito ao certificado de participação os alunos devem cumprir os seguintes requisitos básicos:
· ler e estudar a apostila,
· assistir a fita de vídeo;
· assistir a todas as teleconferências ;
· preencher e remeter os instrumentos de avaliação."

A escolha da avaliação foi adequada, mantendo um procedimento consolidado para os alunos. Para adaptar o método de avaliação ao curso a distância, a estratégia utilizada foi a pergunta­senha ao vivo nas teleconferências.

Parecer final do critério Estratégias Pedagógicas

Considerando-se que a estratégia pedagógica buscou a identificação dos alunos com o material, a superação do isolamento e da familiaridade com a nova alternativa do curso, observa-se aqui uma estratégia delineada especialmente pare o grupo de alunos envolvidos no curso, que pode-se considerar uma alternativa mista, que oportunizou momentos de atividades em grupo ­ principalmente durante as teleconferências ­, momentos de racionalização, quando as reportagens mostravam os problemas ou dificuldades encontrados pelos pesquisadores no dia a dia e técnicas de solução de problemas, quando o professor comentava as alternativas de ação para obter os dados necessários ao preenchimento dos formulários e momentos onde o alunos controlavam o tempo e o ritmo do estudo.

A opção por uma alternativa mista, especialmente desenhada pare este curso, tendo como guia a identificação com o repertório dos alunos, a racionalização e a solução de problemas foi adequada, devido a utilização de várias técnicas, possibilitando aos alunos acesso a conceitos complexos e densos de forma amigável e inteligível.
 

5.6.4 Planejamento do Curso

Os itens a serem avaliados no critério planejamento são: a) O planejamento foi baseado na busca de soluções para a situação­problema apresentada pelo IBGE, que se apresenta neste caso como o próprio objetivo. Em se tratando de uma parceria, o curso foi desenhado para atender uma demanda já existente.

b) O planejamento foi consistente, incluindo descrição de todos os materiais, cronograma, e demonstrativo de todos os procedimentos. Ao comparar o planejamento com o relatório final, 3 itens foram incluídos: o telefone 0800, a teleconferência Teste de Sintonia e o comprometimento de responder a todas as perguntas dos alunos. A inclusão destes itens mostra a flexibilidade que tornou possível aprimorar o curso durante a execução.

c) Os itens foram exaustivamente detalhados, descrição dos temas das teleconferências, metáforas dos materiais, descrição técnica de todos os procedimentos e cronograma com responsabilidades.

d) O curso foi realizado dentro do prazo e orçamento planejados, com todas as tarefas inicialmente propostas realizadas e os procedimentos complementares incluídos levados a termo com sucesso.

Parecer final critério Planejamento do Curso

A avaliação deste critério mostra a experiência do LED no design, planejamento e produção de cursos a distância, tendo levado o empreendimento a termo satisfatoriamente.
 

5.6.5 Materiais

No critério materiais os itens a serem analisado são: a) Todos os materiais e aulas do curso foram produzidos por profissionais da área, utilizando equipamentos com padrão de TV e vídeo comercial, com a contratação de apresentador profissional, roteiros e direção de estúdio e maquiagem para todos os participantes.

A dramatização que fazia parte do vídeo foi feita com atores profissionais e o cenário por arquiteto premiado em festivais de cinema nacionais. A apostila teve capa a 4 cores e ilustrações feitas especialmente, assim como o Manual do Aluno, este todo impresso a cores e ilustrado.

As vinhetas que foram utilizadas na vídeo­aula e nas teleconferências utilizaram sofisticados recursos de animação e computação gráfica analógica. Na leitura da participação expontânea dos alunos, 7% fizeram sugestões de melhoria dos recursos didáticos das teleconferências, especialmente sobre materiais que possibilitassem ilustrar melhor os conceitos expostos pelo professor.

b) A linguagem considerou principalmente o nível de escolaridade dos alunos, sem tornar o conteúdo superficial. A estratégia de comunicação buscou termos e metáforas que fossem familiares aos alunos e exemplos que fizessem parte do cotidiano dos pesquisadores. Os indicadores disponíveis não fornecem informações sobre a linguagem isoladamente, exceto do Manual do Aluno, que a figura17, no critério Perfil dos Alunos ilustra. Os demais materiais foram estudados como elemento de contribuição para o aprendizado do conteúdo.

Sobre o livro-texto nota-se que as informações no questionário estruturado nas questões, considerando a escolaridade como variável:

Questão 5 ­ "Como você classifica o conteúdo da apostila Contabilidade de Empresas em relação a apresentação das noções básicas de contabilidade?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Questão 9 ­ "A vídeo­aula do curso Contabilidade de Empresas foi um material didático eficaz para auxiliar no aprendizado dos principais conceitos de contabilidade aplicados a situações de como as empresas organizam seus dados? Como você classifica a vídeo­aula?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Figura 29: Adequação do livro-texto em relação a escolaridade

Segundo os resultados, os alunos de Santa Catarina, em todos os níveis de escolaridade, consideram o material entre bom e muito bom.

Questão 9 - "A vídeo-aula do curso Contabilidade de empresas foi um material didático eficaz para auxiliar no aprendizado dos principais conceitos de contabilidade aplicados a situações de como as empresas organizam seus dados? Como você classifica a vídeo-aula?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente

Figura 30: Adequação da vídeo-aula em relação à escolaridade

Os resultados mostram que os alunos com 3º grau mostraram opinião mais favorável quanto à contribuição para o aprendizado.

Questão 21 - "Como você considera a contribuição das aulas transmitidas por satélite para o aprendizado dos principais conceitos da Contabilidade de Empresas?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente".

Figura 31: Adequação da teleconferência contabilidade em relação a escolaridade

A figura mostra igualdade na mediana e variações nos grupos com 2º grau e 3º grau, sendo que a maioria (75% do grupo com 2º grau) considerou a contribuição entre boa e muito boa.

Questão 22 - "Como você considera a contribuição das aulas transmitidas por satélite para o esclarecimento técnico sobre os formulários das pesquisas PIA, PAC e PATR?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente."

Figura 33: Adequação da teleconferência aos formulários em relação a escolaridade

A figura mostra igualdade nas medianas em Bom em todas as escolaridades, destaque para a maior aceitação do grupo com 2º grau, com a média estendendo-se até Muito Bom.

Embora as medianas mostrem semelhança nas diversas escolaridades, exceto no vídeo, como descrito no item Perfil do Aluno e no livro-texto, onde os alunos com 1º grau mostram um índice maior.

As teleconferências, embora apresentem medianas iguais em todos os grupos, têm variação nas médias, sendo que os alunos com 3º grau mostram índices inferiores aos demais.

Se considerarmos cada mídia isoladamente, a que mais contribuiu pare o aprendizado, segundo a opinião dos alunos de Santa Catarina, foi o livro­texto; e a que apresentou o menor índice de aprovação pelos alunos foi a vídeo­aula.

c) Aplicações no Curso

Cada material do curso tem um papel que foi definido no Manual do Aluno. Como se trata de um curso de 40 horas abordando assunto técnico, foi preparado um volume para cada mídia, que contém todas as informações, um vídeo, um livro-texto, um manual e uma avaliação. As Teleconferências trataram do tema em blocos de assuntos seguindo o caminho apontado pelas linhas de pesquisa do IBGE.

Todos os materiais foram fundamentais ao curso, e contribuíram para o entendimento dos conteúdos, cada um com suas peculiaridades, formando um mix onde o todo é maior do que a simples soma das partes.

d) Prazos de recebimento pelos alunos

Este item foi demonstrado na análise do critério Perfil dos Alunos, e no critério Estratégias Pedagógicas, porque este curso em particular considera o contexto dos alunos; no caso de cursos que não considerem, a análise dos prazos é feita neste item e não no critério Perfil dos Alunos e Estratégia Pedagógica. Os resultados foram positivos, os materiais recebidos com antecedência, possibilitando contato com o conteúdo e permitindo que os alunos se preparassem para as teleconferências..

Parecer final do critério Materiais

A estética, a linguagem e as aplicações de cada mídia no curso foram adequados, destacando a qualidade de todos os materiais, e também o esforço operacional para entrega no prazo de todas as mídias.

A utilização de diversas mídias possibilitou aos alunos contato com diferentes materiais, alguns que permitiram posse permanente ­ livro­texto e vídeo ­ e as teleconferências que possibilitaram a interação com professor e equipe do IBGE para a solução das dúvidas. A remessa de todas as perguntas e respostas criou um banco de dados pessoal para consultas que enriqueceu ainda mais as fontes de consulta disponíveis.

No critério Materiais a análise mostra que a opinião dos alunos foi favorável. Percebe-se que os alunos recomendam ajustes na metáfora da vídeo-aula e nos recursos didáticos das teleconferências.
 

5.6.6 Implementação do curso

Neste critério se analisam os seguintes itens: a) As atividades propostas aos alunos foram:
"1 ­ Fazer os exercícios da apostila
2 ­ Utilizar o formulário tira-dúvidas
3 ­ Assistir e estudar a vídeo­aula
4 ­ Assistir as Teleconferências"

Os exercícios do livro-texto foram parte importante da estratégia pedagógica do curso e os alunos que fizeram a atividade indicam que contribuiu para o aprendizado, como mostra a analise da figura 97, construída a partir do questionário estruturado:

Questão 5 ­ "Como você classifica o conteúdo do livro-texto Contabilidade de Empresas em relação a apresentação das noções básicas de contabilidade?
( ) Excelente, ( ) Muito Bom, ( ) Bom, ( ) Regular e ( ) Insuficiente ."

Questão 6 ­ Você fez os exercícios sugeridos como atividades de aprendizagem ao longo da apostila e conferiu os resultados no gabarito final? ( ) Não, ( ) Sim, fiz uma parte dos exercícios propostos e ( ) Sim, fiz todos os exercícios propostos.

Figura 33: Influência dos exercícios na opinião sobre o livro-texto

Os alunos que fizeram os exercícios apresentaram índices de aprovação superiores aos que não o fizeram.

b) O professor ­ tempo de retorno das perguntas, uso do material e das mídias

O professor responsável pelo curso foi o prof. Nilton Hausmann, especialista. O professor teve o apoio da equipe do LED para adaptar o conteúdo a linguagem identificada no Perfil dos alunos e no uso das mídias.

As perguntas recebidas eram imediatamente encaminhadas ao professor, que preparava sua participação na próxima teleconferência baseado nas questões apresentadas pelos alunos. O tempo das respostas "ao vivo" era condicionado pela data da próxima aula ou da aula destinada aquele tema.

Ao final, todas as questões foram respondidas e o material entregue ao IBGE para encaminhamento aos alunos.

c) Estrutura de suporte - atendimento aos alunos e professores;

O atendimento aos alunos foi centralizado em Santa Catarina, trabalhando basicamente a sistematização e encaminhamento das mensagens recebidas por telefax e na recepção dos telefonemas pelo 0800.

As mensagens enviadas por fax foram agrupadas e o assunto incluído nos roteiros das teleconferências correspondentes ao tema da pergunta. Uma equipe com pessoas do LED e IBGE atendiam os telefonemas durante as teleconferências, informando, na hora, o que fosse possível e registrando os contatos. Todos os registros eram encaminhados a Direção de Estúdio para avaliação da possibilidade de inclusão na teleconferência do dia ou nas próximas.

O professor conteudista trabalhou, desde o inicio do projeto, com uma equipe de profissionais de comunicação e educação para a redação de todos os materiais. Na gravação do vídeo, o acompanhamento de um Diretor de Estúdio, maquiador e iluminador profissional garantiu uma qualidade de mercado sem pretender que o professor se tornasse um ator.

Nas teleconferências, o atendimento incluiu os profissionais do IBGE que participaram como especialistas de pesquisas e a coordenação nacional. A estrutura de apoio das teleconferências incluiu a Direção de Estúdio, iluminação e maquiagem, alem do jornalista que tinha o papel de âncora e mediador das discussões.

d) Estrutura do local de recepção das aulas e/ou dos centros de atendimento;

Este curso não teve uma estrutura organizada nos pontos de recepção.

e) Satisfação dos alunos.

As fontes que informam sobre este item são as questões 24 e 25 no questionário estruturado e a participação expontânea.

Questão 24 ­ "Como você classifica a iniciativa do IBGE em realizar este curso Contabilidade de Empresas por educação a distancia?
( ) Excelente, ( ) Muito boa, ( ) Boa, ( ) Regular e ( ) Insuficiente".

Seguindo o procedimento utilizado neste trabalho, analisou-se esta questão utilizando a escolaridade dos alunos como variável independente.

Figura 34: Relevância do curso

O gráfico demonstra que os participantes consideram positiva a iniciativa do IBGE em realizar o curso.

Questão 25 ­ "Você gostaria de participar de outros cursos de treinamento por educação a distancia?
( ) Não ( ) Sim"

Observou-se que 94% dos alunos responderam sim, informando que gostariam de participar de novos cursos utilizando a modalidade de educação a distância.

As informações reiteram a viabilidade de cursos desta natureza, como visto anteriormente, na participação expontânea nacional acusou 9% do total das mensagens parabenizando a chefia de treinamento do IBGE pela iniciativa e o curso como um todo e 3 % parabenizando o professor e/ou o apresentador pela condução das teleconferências.

f) O índice de evasão do curso fornecido pelo IBGE, demonstra que dos 2.794 inscritos no pais inteiro, 2.436 dos inscritos enviaram a avaliação e 67 alunos não inscritos que também participaram, obtendo o material e enviando a avaliação, totalizando 2.503 certificados emitidos pelo curso. Em termos percentuais temos 89.6% dos alunos concluindo o curso e recebendo certificado de participação, o que representa um índice de evasão de 10,4%.

Parecer Final do critério Processo de Aprendizagem

Neste critério os indicadores são de sucesso, com as atividades propostas perfeitamente viáveis e citadas como elemento que contribuíram para a aprendizagem. O professor e a equipe do IBGE conduziram com desenvoltura o curso e utilizaram as mídias de forma adequada. O suporte ao professor aconteceu durante todo o curso, a intensa participação da direção de treinamento e dos especialistas das diversas áreas de pesquisa do IBGE, garantiu, mais do que suporte, um trabalho integrado e produtivo.

Embora o curso não contasse com uma estrutura de recepção controlada e não houvesse centros de atendimento individualizados, pela falta de locais próprios de recepção, as soluções encontradas viabilizaram com diferentes graus de adequação as atividades programadas.

Os contatos expontâneos a nível Brasil e os questionários estruturados de Santa Catarina mostram índices muito positivos de satisfação dos alunos em relação a todos os itens analisados. Na análise do índice de evasão, não foi possível rastrear as razões que levaram 10,4% dos alunos a não enviarem o formulário de avaliação. De qualquer forma, seria impossível estabelecer comparativos com outros cursos pela inexistência de dados. A contribuição deste item é a formação de referências que possam ser utilizadas em cursos futuros.
 

5.6.7 Instituição

Este critério considera os seguintes itens: a) O professor responsável pelo curso, contador Nilton Hausmann, especialista. Professor adjunto do Departamento de Ciências Contábeis da UFSC, com larga experiência em consultoria nas áreas de custos, auditoria, contabilidade e informações gerenciais

b) A equipe do Laboratório de Ensino a Distância que participou deste curso foram 17 pessoas pessoas, além da coordenação. A seguir breve currículo dos coordenadores do projeto.

João Vianney Valle dos Santos ­ Supervisão Geral. Psicólogo com especialização em Psicologia da Comunicação, mestre em Sociologia Política pela UFSC e doutorando em Engenharia de Produção pela UFSC. Jornalista e ator profissional, coordena o Laboratório de Ensino a Distancia da UFSC desde 1995, que hoje é referencia nacional na área.

Maria Isabel O. Schaeffer ­ Instructional Designer, redação dos materiais impressos, roteiro da vídeo­aula, roteiros e direção de estúdio das teleconferências. Jornalista, com Mestrado em Educação pela UFSC e doutoranda em Comunicação na ECA/USP. Tem vários trabalhos na área de comunicação, entre os quais livros e vídeos sobre a memória dos moradores da Lagoa da Conceição, o documentário premiado Santo de Casa sobre a vida do artista Franklin Cascaes e roteiro e texto do espetáculo Catharina ­Uma Ópera da Ilha.

Arthur Emmanoel ­ Coordenação de Produção. Experiência de 15 anos na coordenação de produção de comerciais e documentários, tendo produzido campanhas políticas que elegerem os candidatos ao governo do Estado e Senado em Santa Catarina. Coordena a produção de vídeos e teleconferências do LED deste 1995.

c) O LED já produziu 29 cursos a distância, em parceria com diversas instituições, utilizando material impresso, vídeos ( mais de 250), teleconferências, videoconferências e Internet, envolvendo mais de 70.000 alunos em cursos de capacitação, atualização, especialização e mestrado. Hoje é considerado referência brasileira na área, atendendo também conferências, workshops e consultoria para outras entidades na área de metodologias e gestão de estruturas de Educação a Distância.

d) O índice geral de evasão dos alunos e o tempo de conclusão dos cursos ainda não está disponível para os cursos de longa duração, que estão em andamento. Dos cursos de capacitação de 40 horas os índices totais ainda não estão consolidados.

e) O índice sobre o desempenho dos alunos egressos dos cursos não está disponível.

f) O custo total deste curso foi R$ 214.000,00 e 2.503 alunos receberam certificado de participação, o custo por aluno atendido foi R$ 85,50. Não está disponível o índice de comparação com cursos presenciais deste alcance no IBGE, devido nunca ter havido um curso presencial que atendesse este número de alunos simultaneamente.

g) A avaliação e a produção científica na área de ED. Os alunos de mestrado e doutorado e os professores do curso de pós-graduação em Engenharia de Produção publicaram 5 artigos sobre EAD em congressos e revistas nacionais no ano de 1996 e 6 no ano de 1997. O curso Introdução a Educação a Distância em parceria com o SlNE/PROMOTEC gerou um livro­texto e um vídeo que consolidam e ampliam o domínio teórico e operacional do LED enquanto núcleo de pesquisa e conhecimento na área de EAD. O referencial sobre o Laboratório no capítulo 2 amplia e detalha as avaliação deste item.

Parecer Final Critério Instituição:

A avaliação da instituição e importante no sentido de contextualizar o curso dentro de uma entidade major, que certamente influencia de forma decisiva o desempenho da equipe responsável pela ED. Os critérios não recomendam um padrão mínimo de qualificação dos professores e da equipe, mas identifica pontos fundamentais e propicia registo pare analises comparativas e estudos futuros.

As parcerias com outras instituições implicam em ações acordadas entre as partes envolvidas, sendo esta a origem da postura do LED de consultar a entidade parceira quanto a viabilidade de avaliação e incluir os procedimentos necessários no planejamento. As pesquisas e avaliações normalmente são conduzidas por alunos de mestrado e doutorado e utilizadas como estudo de caso em teses e dissertações.

A formação acadêmica e a experiência profissional dos professores e da equipe que formatou, produziu e gerenciou o curso fazem parte do departamento de pós-graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina que têm obtidos nos últimos anos conceito A tanto pela Capes como pelo CNPq, órgãos que são de fundamental importância para o fomento da pesquisa no Brasil.
 

5.6.8 Avaliação

Os itens a serem analisados neste critério são: a) O questionário de avaliação de recepção do curso Contabilidade de Empresas foi enviado aos alunos junto com o kit de materiais do curso em julho de 1997. A fundamentação teórica que gerou o modelo de avaliação apresentado no capitulo 4 chegou à este formato em dezembro de 1977. Os objetivos expressos no formulário de avaliação "As respostas dadas as questões a seguir irão formar um banco de dados pare avaliar a realização deste curso, e para orientar a preparação de possíveis novos cursos por educação a distância" foram expandidos e aprofundados, ultrapassando o objetivo inicial.

O PPGEP e o LED aprovam e incentivam trabalhos deste tipo, onde a literatura científica colabora para o desenvolvimento de projetos em parceria com outras instituições e os resultados são utilizados em estudos de caso para artigos, dissertações e teses. O IBGE concordou que o curso fosse utilizado como estudo de caso para a respectiva dissertação de mestrado e disponibilizou os dados baseado no objetivo inicial que constava no Instrumento de Avaliação e na relação de confiança e profissionalismo que se estabeleceu ao longo do curso, sem o conhecimento exato dos critérios que seriam utilizados.

Logo, o planejamento da avaliação deste curso teve procedimentos que não seguiram uma estrutura linear, o que não impediu a revelação de resultados que contribuem para o desenvolvimento de novos cursos e para a produção de conhecimento sobre a ED enquanto área de conhecimento cientifico.

b) O fato de ser um curso de 40 horas, que foi aplicado em um curto espaço de tempo ­3 semanas ­ e do planejamento da avaliação apresentado neste trabalho não estar completamente estruturado inviabilizou uma avaliação formativa durante o curso. A avaliação somativa é apresentada neste capítulo.

c) As alternativas usadas para a coleta de dados foram o questionário estruturado enviado aos alunos, dos quais utilizamos a amostra de Santa Catarina, o registro das participações expontâneas de todos alunos no Brasil através dos formulários "Tira-Dúvidas" e das mensagens recebidas por fax e do telefone 0800, os registros do LED para o planejamento e do relatório final do curso, os materiais do "kit" e as fitas arquivo com as teleconferências.

O fato do planejamento da avaliação não estar completamente estruturado durante a aplicação do curso nos privou de informações que pudessem ser obtidas através da convivência com os alunos e formação de grupos de discussão e participação conforme a recomendação de Eastmond (1994).

Foi possível, entretanto, participar durante as teleconferências no atendimento aos telefonemas recebidos, e constatou-se que, durante a primeira sessão ao vivo, o Dia da Sintonia o número de ligações foi maior ­ 115. As questões mais freqüentes eram quanto à qualidade do sinal e alguns alunos estavam nitidamente entusiasmados com a possibilidade de assistirem um curso especialmente dirigido para eles pela televisão.

Nos demais dias, além da diminuição das ligações como um todo, em torno de 50 a cada sessão, foi possível observar queda significativa no número de ligações durante a fala do professor, fato que acreditamos ter ocorrido porque os alunos estavam prestando atenção na explicação e não queriam perder nenhuma informação enquanto telefonavam.

d) Os dados do questionário estruturado formam a parte quantitativa da análise e a informações das participações expontâneas fornecem os dados para análise qualitativa.

e) A coordenação da equipe do LED preparou um relatório final parcial que foi apresentado ao IBGE em outubro de 1997.

f) As informações possíveis de serem obtidas com os dados disponíveis são capazes de oferecer subsídios suficientes pare tomada de decisões tanto a longo prazo, como no caso de envolverem recursos financeiros significativos. Certamente outros fatores tendem a influenciar qualquer estratégia a ser adotada, mas é importante que os registros e os resultados das avaliações estejam disponibilizados a tempo de contribuir para novas iniciativas.

Parecer final Critério Avaliação:

A avaliação do curso Contabilidade de Empresas, desenhado pelo LED/PPGEP em parceria com o IBGE, teve o cuidado de coletar os dados e manter os registros da participação expontânea dos alunos, atendendo os critérios recomendados pelo Modelo de Avaliação.
 

5.7 Comentários

A utilização do Modelo de Avaliação estruturado no capítulo 4 deste trabalho no curso Contabilidade de Empresas do LED/IBGE permite concluir que foi um trabalho de qualidade, com diversos critérios atendidos. Os pontos de ajuste detectados são de rápida adequação e não requerem investimentos significativos.

A opção por mídias que permitissem interação, como a teleconferência, mostrou que empenho e agilidade são fundamentais em iniciativas ousadas, mas que a criatividade e o senso de parceria viabiliza soluções que a princípio parecem temerárias. Os índices de satisfação dos alunos expressos no questionário estruturado e nas participações expontâneas e da própria diretoria de treinamento do IBGE, em contatos pessoais, apontam para a consolidação de uma relação profissional de sucesso que permite o que o conhecimento teórico e operacional da academia, representado pelo LED, contribua pare a solução dos problemas da instituição e que os resultados ­ como este curso ­ possam ser utilizados para refinar e aprofundar os estudos na área, trazendo benefícios para ambas as partes e para a sociedade, uma vez que os trabalhos em Educação a Distância no Brasil contribuem para democratizar o acesso ao conhecimento e expandir as fontes de educação para o público adulto.