2.2.3. Aquisição Humana da Linguagem, a Construção do Símbolo (continuação)

Por muito tempo, os eruditos consideraram que a aquisição da linguagem era, em grande parte, levada a cabo pela analogia de modelos de sentenças observadas ocorridas na expressão oral ouvida e entendida pela criança. Por exemplo, Skinner (1975) incorpora os principais aspectos do comportamento lingüístico dentro de uma estrutura "behaviorista", relatando um comportamento verbal a variações tais como estímulo, reforço e privação, como usadas nos experimentos com animais. Subseqüentemente, um número de lingüistas acentuou a inerente disposição e competência do cérebro humano para construir a gramática, que é ativada pela exposição à linguagem durante a infância.

As crianças normais nascem com a habilidade e a tendência para adquirir a linguagem a qual elas estão expostas desde a infância. No final da infância o vocabulário básico da língua "nativa" foi adquirido, junto com sua estrutura gramatical e fonológica. O calendário de aquisição da linguagem extraído de Lenneberg (1967) é mostrado no Quadro 1.
 
 

3 meses Quando se fala e se acena para, sorri, seguido por sons gorgolejantes como a voz (arrulhos)
4 meses Responde aos sons humanos mais definidamente, vira a cabeça, os olhos procuram a pessoa que fala, sons ocasionais de riso
5 meses Arrulhos com vogais entremeadas com sons consonantais
6 meses Arrulhos mudam para balbucios, parecidos com expressões orais de uma sílaba
8 meses Padrão de entonação distinto: ênfase nos sinais de expressão oral e nas emoções
10 meses Parece querer imitar sons, mas as imitações nunca são bem-sucedidas
12 meses Sinais definidos de compreensão de algumas palavras e comandos (ordens) simples, seqüência de sons repetidos
18 meses Repertório definido de palavras, 3 para 50, muito balbucio, padrão de entonação intrincado, rapidamente progride a compreensão
24 meses Vocabulário de mais de 50 itens, frases de duas palavras, interesse aumentado pela linguagem
30 meses  Aumento mais rápido do vocabulário, nenhum balbucio, expressão oral de pelo menos 2 palavras, inteligibilidade não muito boa, mas boa compreensão
3 anos Vocabulário de 1000 palavras: 80% da expressão oral é inteligível
4 anos Linguagem bem estabelecida
Quadro 01 - Calendário do Desenvolvimento da Linguagem na Criança (Fonte: Fialho, 1996)

Segundo este ponto de vista, nenhuma instrução de linguagem formal é necessária. Nós simplesmente mergulhamos a criança em um meio no qual a linguagem é falada e a inata habilidade do cérebro humano deduz as estruturas e regras gramaticais apropriadas que fornecerá à criança a competência lingüística.

Ao examinar o desenvolvimento da linguagem da criança, podemos encontrar corroboração para cada uma destas visões. Dar nomes aos objetos com os quais a criança está familiarizada e a associação de "não" com comportamento desaprovado são exemplos de condicionamento clássico.

Marshall (1980), discute a parte principal da evidência mostrando que a fala endereçada às crianças menores, denominada "linguagem da mamãe", é tipicamente diferente daquela endereçada a crianças mais velhas e adultos:

"No auge da aquisição da linguagem "nativista" (início dos anos 60) foi largamente assumido que a fala ouvida pela criança era uma coleção casual de fragmentos de sentenças, enganos, voltas, limpeza da garganta e outros tipos de palavreado inteligível. Há agora um considerável corpo de evidências mostrando que a fala dirigida a crianças menores é tipicamente muito diferente daquela dirigida a crianças mais velhas e adultos (p. 115)." Defensores do ponto de vista de Chomsky ressaltaram que a fala telegráfica usada pelas crianças não é uma simples repetição das sentenças dos adultos. Portanto, um dos pais diz "Ele vai sair", mas a criança converterá isto para "Ele sai". Em geral os pais parecem nem mesmo prestar atenção a tal sintaxe ruim; eles nem mesmo parecem estar cientes dela (Brown, 1977). O estudo de sentenças complexas produzidas pelas crianças indica que essas crianças aplicam suas próprias regras gramaticais (as quais não são imitações diretas da gramática adulta) de um modo sistemático, e parecem adquirir as regras convencionais apenas através do tempo e da experiência.

Recentes experimentos com crianças suficientemente jovens, para não serem afetadas por seu meio lingüístico apoiam a visão de Chomsky de que o conhecimento inato e as capacidades estão sujeitos ao uso da linguagem. Estudos da percepção da fala em crianças mostram que as crianças têm um mecanismo perceptivo inato adaptado às características da linguagem humana (Eimas, 1975). A pesquisa é baseada no estudo de fonemas, as menores unidades da fala que afetam o significado.

As pesquisas demonstraram é que além do inatismo genético existe o fator do condicionamento e, mais importante que tudo isso, um mecanismo interno de regulações que provoca a assimilação, acomodação das coisas do mundo com base em um a priori que só se observa após a realização da conquista cognitiva.

2.2.4. Linguagem e Pensamento

Um estudo da linguagem dos índios americanos levou alguns eruditos a especular sobre o relacionamento entre a linguagem, a cultura e o padrão de pensamento. Foi levantada a hipótese de que o mundo como que espelhado em cada linguagem poderia ter um forte efeito sobre a percepção e o pensamento do indivíduo. Sobre estas linhas o lingüista Edward Sapir disse: "Nós vemos e ouvimos e de outro modo experimentamos muito porque os hábitos de linguagem de nossa comunidade predispõe certas escolhas de interpretação".

Segundo Fialho (1996), esta idéia foi posteriormente desenvolvida por Benjamim Lee Whorfian (1956) e, é também conhecida como a hipótese da relatividade lingüística porque propõe que o pensamento é relativo à linguagem na qual é conduzido (Carrol, 1956).

"Quando a linguagem Semita Tibetana, Chinesa ou Africana são contrastadas com a nossa, a divergência na análise do mundo torna-se mais aparente; e, quando introduzimos as línguas nativas das Américas, onde a fala das comunidades por muitos milênios foram independentes umas das outras e do velho mundo, o fato de que as linguagens dissecam a natureza de muitos modos diferentes se torna aparente. A relatividade de todos os sistemas conceituais, incluindo o nosso, e sua dependência da linguagem é revelada." Usando as diferenças entre o padrão médio europeu das linguagens e a linguagem dos Hopi, Whorf investigou a questão: "São nossos próprios conceitos de "tempo", "espaço" e "matéria" dados substancialmente da mesma forma pela experiência a todos os homens ou eles são em parte condicionados pela estrutura de linguagens específicas?" Por exemplo, o Hopi não diz "Eu fiquei cinco dias", mas prefere "Eu parti no quinto dia", porque a palavra dia não pode ter plural. As conclusões de Whorf (Carrol, 1956) são as seguintes: "Conceitos de "tempo"... não são apresentados substancialmente da mesma forma, mas dependem da natureza da linguagem ou das linguagens através de cujo uso elas foram desenvolvidas... Nosso próprio "tempo" difere marcantemente da "duração" Hopi. ... Certas idéias nascidas de nosso conceito de tempo, tal como a absoluta simultaneidade, seriam ou muito difícil ou impossível de expressar e carecem de significado sob a concepção Hopi." Como indicado por Rosch (1977), nossa categorização do mundo não é arbitrária. Ela depende da informação do mundo natural ao qual nós, como uma espécie, somos equipados para responder.

2.2.5. Os Mecanismos da Comunicação

Para se comunicar com uma pessoa ou máquina, o receptor deve possuir uma "moldura de referência" social e conceitual similar a do comunicador. Uma vez que percebemos que uma pessoa fala nossa língua e partilha nossa moldura cultural, podemos presumir que compartilhar tal frame é necessário à comunicação.

As pessoas comunicam-se não apenas pela linguagem falada e escrita, mas também pela linguagem do corpo, envolvendo postura corporal, expressão facial, posição de sentar e outros sinais corporais. Tal comunicação não verbal, embora muito sutil, pode ser interpretada com grande precisão.

O vocabulário usado pelas pessoas é muito menor do que se poderia esperar. Os quadros seguintes são para o inglês, mas são os mesmos para o francês, o russo e muitas outras "linguagens naturais", especialmente aquelas que empregam alfabetos fonéticos. O quadro 02 mostra que somente uma pequena porção das palavras em um dicionário condensado são comumente conhecidas. O vocabulário médio de um adulto consiste de cerca de 10% de todas as palavras do dicionário.
 

Fonte
Número de Palavras
Criança
3.600
14 anos
9.000
Adulto
12.000 - 14.000
Dicionário Condensado
150.000
Divina Comédia de Dante
5.900
Poemas de Homero
9.000
Trabalhos de Shakespeare
15.000 - 25.000
Quadro 02 - Tamanho do Vocabulário Empregado por Várias Fontes (Fonte: Fialho, 1996)

No quadro 03 nós podemos observar que com um vocabulário de 3000 palavras podemos esperar reconhecer 90% das palavras de uma página de um texto geral. Um vocabulário de 1000 palavras permitirá o mesmo reconhecimento de palavras faladas.
 

Vocabulário da Linguagem Falada
Vocabulário da Linguagem Escrita
Probabilidade das Palavras aparecerem na Fala ou Texto
750
-
75,0%
-
1000
80,5%
-
2000
86,0%
1000
3000
90,0%
2000
5000
93,5%

Quadro 03 - Freqüência de Uso das Palavras da Linguagem Falada e Escrita (Fonte: Fialho, 1996)

Muitas das sentenças que são usadas pelas pessoas são de algum modo ambíguas, mas as pessoas são tão ágeis em decodificar os significados que as ambigüidades freqüentemente não são notadas. Por exemplo, a sentença "o tempo voa" não seria considerada ambígua desde que a maioria das pessoas vissem somente a afirmação "O tempo passa rapidamente".

A linguagem pode ser examinada de muitos pontos de vista diferentes, inclusive o estudo da linguagem universal, da aquisição e uso da linguagem e a filosofia da linguagem, para citar alguns. Ressaltamos aqui os seguintes aspectos da linguagem, em função de sua importância para a comunicação: sintaxe, o estudo da estrutura da sentença; semântica, o estudo do sentido; e pragmática, o estudo dos usos que são feitos da linguagem e como os objetivos dos falantes são atingidos por sentenças completas no contexto. Enquanto esta divisão é útil para fins de discussão, deve-se ter em mente que não há sempre uma linha clara separando estas áreas. Winograd (1974), apud Fialho (1996), usa a analogia de um quebra-cabeças para explicar o papel da sintaxe, da semântica e da pragmática.

"A forma das peças do quebra-cabeças poderia corresponder à sintaxe da linguagem - há regras para como algumas peças podem ser montadas sem considerar o que aparece nelas... Nós poderíamos considerar coisas como cor e textura como um tipo de quadro semântico simples que indica quais tipos de elementos podem combinar com os outros... Finalmente, há uma pragmática mais sofisticada ou raciocínio baseado no conhecimento de figuras. Se a figura de um elefante estiver surgindo, poderia ser útil procurar alguma coisa com a cor e a textura do rabo de um elefante, e então usar sua informação adicional de cor e forma para guiar o processo (p. 46)." O papel da sintaxe da semântica e da pragmática na compreensão e geração da linguagem é muito importante. Na compreensão da linguagem, a estrutura da mensagem, obtida pela análise sintática, é processada semanticamente para extrair o sentido literal da sentença. Uma análise pragmática obtém o "sentido pretendido" usando o conhecimento do mundo, o conhecimento do contexto e um modelo do emissor. O processo opera ao contrário na geração da linguagem.

A linguagem natural possibilita que as pessoas comuniquem informações sobre objetos, ações, crenças, intenções e desejos que ocorrem acima do tempo e espaço. As nuances do significado devem ser capturadas pelo receptor.

A sintaxe é essencial na comunicação. Nenhuma comunidade foi jamais identificada onde a comunicação fosse restrita a um discurso de uma única palavra. Ao contrário, as palavras são concatenadas (ligadas umas as outras), e não conhecemos nenhuma linguagem onde as palavras sejam ligadas umas as outras casualmente. Geralmente supõe-se que deve haver um conjunto finito de regras que defina todas as operações gramaticais para qualquer linguagem dada. Qualquer falante nativo gerará sentenças que adaptam-se a estas regras gramaticais, e qualquer falante da comunidade reconhecerá tais sentenças como gramaticais.

O papel da semântica na compreensão da linguagem é de suma importância pois a questão do significado é profundamente filosófica. Há duas abordagens principais para a atribuição de sentido literal a uma expressão. A primeira é a semântica léxica que dá mais importância ao conteúdo das palavras. Presumindo-se que tais palavras tenham um relacionamento direto com noções "mais profundas", a semântica léxica espera mostrar como as palavras se agrupam. Na abordagem semântica "composicional", o sentido de uma expressão complexa depende do significado de suas sub-expressões. Portanto, a análise de uma frase é sua tradução em fórmulas de cálculo lógico apropriado. Isto é executado usando-se regras que descrevem como juntar as fórmulas das subfrases da frase enquanto leva em conta o contexto da frase. A semântica composicional tenta fornecer descrições lógicas de como uma frase ou uma palavra modifica uma outra. A frase, traduzida em uma expressão lógica, é usada em um sistema de dedução formal e forma a base para qualquer etapa seguinte no processo de derivação do sentido, envolvendo talvez a pragmática da situação.

Finalmente, ressaltamos o valor da pragmática pois usar a linguagem, com a competência de um falante nativo, requer mais do que a descrição das regras sintáticas, semânticas e do discurso; o comportamento da linguagem humana é parte de um plano coerente de ação na direção da satisfação dos objetivos do falante. Portanto, a pragmática requer o uso do raciocínio e de técnicas de planejamento, uma vez que o falante tem que desenvolver um plano de como converter a intenção em uma seqüência de palavras, e inversamente, o receptor deve raciocinar a partir da mensagem para determinar qual é aquela intenção.

A importância de considerar o contexto de uma expressão oral ao derivar o significado é discutida por Searle em seu livro clássico sobre atos de linguagem (1969):

"A unidade da comunicação lingüística não é, como tem geralmente sido suposto, o símbolo, palavra ou sentença, ... mas sim a produção ou emissão do símbolo, palavra ou sentença no desempenho do ato de linguagem... Mais precisamente, a produção ou emissão de uma sentença sob certas condições é um ato de linguagem, atos de linguagem... são as unidades básicas ou mínimas da comunicação lingüística. Uma teoria da linguagem é parte de uma teoria de ação..". Alguns dos problemas que devem ser considerados na pragmática são como lidar com sentenças múltiplas e o discurso ampliado e como resolver referências porque a análise de tal discurso requer um modelo do que o participante sabe, acredita, deseja e pretende.

A linguagem proporciona tanto uma base para a cooperação social quanto uma ferramenta para o pensamento. O elemento essencial da competência lingüística é uma representação (partilhada) que seja suficientemente geral para permitir que situações de relevância (para o grupo de intercomunicação) sejam facilmente expressas, e que seja extensível, para permitir que se lide com novos conceitos e situações.

Se a linguagem simbólica fosse nossa única forma de representação interna dos conhecimentos, teríamos que concordar com a hipótese Whorfiana. Entretanto, há uma forte evidência sugerindo que nós temos acesso a representações internas adicionais. Pessoas podem privilegiar, por exemplo, representações icônicas.

2.3. Comunicação não Verbal

Consideramos com naturalidade a idéia de que a aparência física e os movimentos do corpo desempenham um papel em nosso relacionamento social. Eles exprimem uma parte de cada um de nós e, percebidos pelas outras pessoas, permitem captar certas características do nosso modo de agir. Sem nos darmos sempre conta, utilizamo-nos desse procedimento na vida cotidiana, principalmente quando procuramos convencer ou agradar alguém. Já na antigüidade, os tratados de retórica cotejavam os méritos respectivos dos gestos e da palavra. Hoje, políticos buscam, através de treinamento, aprimorar sua expressão diante das câmaras; executivos fazem estágios visando desenvolver seu potencial "não verbal"; psicólogos, através de técnicas de "afirmação do eu", ensinam aos tímidos como se mostrarem mais seguros de si; publicam-se livros que permitem identificar, na expressão fisionômica e na postura das pessoas, os sinais da sinceridade ou da mentira.

A imagem que nós transmitimos através dos sinais corporais exerce um efeito sobre as demais pessoas. Esse efeito pode vir a ser importante na vida cotidiana, na escola, na empresa, etc. Se tomarmos como exemplo a realização de uma entrevista realizada para seleção de pessoal, sabemos que ela pode ser influenciada por diversos aspectos do comportamento não verbal. A produção de gestos faz a pessoa parecer motivada e competente. Sendo igual a avaliação nas demais variáveis, a possibilidade de o candidato ser selecionado pode depender da freqüência de seus movimentos de assentimento com a cabeça. Os comportamentos não verbais, entretanto, são correlacionados com os comportamentos verbais, ou interagem com eles. Os movimentos da cabeça e da mão feitos enquanto se fala, podem estar ligados ao estilo da fala ou à entonação. Questões semelhantes se levantam a propósito da influência dos valores não verbais na avaliação de desempenho de um empregado. O resultado da avaliação pode depender de sua aparência física, ou de seus movimentos expressivos.

Muitas vezes, nos envolvemos e chegamos a tomar parte naquilo que outra pessoa experimenta ou vivencia. Essa participação imediata nos sentimentos, nas emoções, nas impressões de outrem caracteriza a "empatia". Em sua forma mais elementar a empatia está aparentemente na base dos fenômenos de contágio social, que fazem com que grupos de pessoas se ponham a realizar as mesmas ações, sem lhes conhecer o objetivo ou as conseqüências. De acordo com algumas concepções, a empatia ocupa um lugar muito importante no processo de comunicação.

Segundo Lannoy e Feyereisen (1996), existem três orientações principais que caracterizam o estudo da comunicação corporal e, em particular, da comunicação gestual. De acordo com a primeira, os gestos podem ser considerados detentores, assim como as palavras, da propriedade de exprimir as representações mentais que constituem o pensamento: existiria de acordo com essa concepção, uma linguagem dos "gestos", que os lingüistas, os antropólogos e os sociólogos procuram descrever. A segunda perspectiva ressalta o fato de que certos modos de comunicação são comuns aos homens e aos demais animais, do que decorre a formulação de hipóteses quanto a sua filogênese (desenvolvimento da etnologia humana, dos mesmos autores, l987). A terceira perspectiva é de que os gestos podem apresentar especificidade com relação à linguagem oral, qual seja a de servir antes de tudo, à expressão das emoções, dos estados afetivos, das atitudes interpessoais; falamos, neste caso, de uma comunicação não verbal.

A idéia de que o ser humano não fala apenas com as palavras, mas também com o seu corpo suscitaram vários estudos. A analogia entre os gestos e a língua repousa em certo tipo de lógica, que começa pela observação de que os usos corporais variam segundo os povos e as culturas; assim como as línguas faladas no mundo, as práticas gestuais diferem segundo o lugar e a época. Em seguida, vem a observação de que as regularidades no uso corporal parecem obedecer a um sistema de regras que podem ser comparadas a uma sintaxe. Os gestos parecem constituir uma língua, pode-se inferir que os métodos lingüísticos desenvolvidos para sua análise podem aplicar-se ao estudo dos movimentos corporais. Além da analogia entre o gesto e a língua, a noção de linguagem do corpo convida a descrever os gestos, a classificá-los, a analisar seu funcionamento à luz daquilo que sabemos da linguagem oral.

Os indivíduos, à semelhança do que ocorre com a língua falada na sociedade a que pertencem, aprendem os gestos, as mímicas, as expressões corporais próprias a seu meio de origem. Mesmo que certos movimentos possam ter um significado universal, como talvez seja o caso de certas expressões da emoção, e de alguns gestos descritos pelos etólogos a respeito do ritual de receber uma pessoa, a cultura pode influenciar os comportamentos regrando as condições de sua utilização, prescrevendo ou reprimindo.

Sabemos que os gestos que acompanham a fala são mais freqüentes em certas culturas que em outras. Por outro lado, segundo a região, movimentos semelhantes correspondem a significados diferentes. Um dos exemplos mais conhecidos é o dos movimentos da cabeça que exprimem afirmação e negação. Em certas regiões do sudeste europeu, a negação se exprime através de um movimento de cabeça para cima, muito semelhante ao movimento de afirmação utilizado em outras regiões européias (Jakobson, l973). Da mesma forma, no caso o gesto de levantar os dedos em forma de V, os europeus do continente consideram como equivalente a duas formas de fazê-lo, seja com a palma da mão voltada para quem faz o gesto, seja com a palma da mão voltada para a outra pessoa. Para os britânicos ao contrário, no primeiro caso o gesto é considerado obsceno e no segundo significa "vitória" (Morris, l979).

Na comunicação entre pessoas de culturas diferentes pode ocorrer, portanto, erros de compreensão.

Podemos nos aprofundar bastante no estudo da linguagem do corpo e analisar abordagens de diversos autores, respaldados por diversas pesquisas, considerando a análise intercultural dos gestos, os usos do corpo nos rituais de interação, os gestos na perspectiva da sociologia da conversação, os gestos nas situações de conflito, a comunicação não verbal, os gestos e palavra como sistemas distintos de comunicação, a comunicação dos estados emocionais, a comunicação e os comportamentos, a relação entre os gestos e a palavra na comunicação, os efeitos da eliminação dos sinais não verbais, quando gestos e palavras se contradizem, etc.

De maneira geral, as dificuldades encontradas no estudo da "comunicação não verbal" decorrem da constituição, no seio da Psicologia Social, de um domínio de estudo particular, consagrado à análise de um "código" que se supõe distinto e estritamente definido ou, mais amplamente, à análise dos diferentes índices não verbais que dão origem a uma interpretação (Sherer e Walbott, l985; Wiener et al., l972). Esta concepção, não levou ainda a se interrogar a respeito dos processos de "codificação" e "decodificação"; a imagem da relação bi-focal que permite descrever as relações probabilísticas entre as condições do indivíduo e os comportamentos manifestos, ou entre esses comportamentos e as inferências que a ele suscitam, mas não permitem analisar os mecanismos subjacentes à produção e à compreensão de tais sinais.

O estudo das relações entre gestos e língua não se impõe, portanto, somente porque esses componentes são estritamente associados, mas também porque os dois sistemas podem interagir de diferentes maneiras.

Existem várias formas de comunicação não verbal, dentre as quais podemos destacar:

2.4. Neurofisiologia da Comunicação

O pouco que é conhecido sobre o papel do cérebro na comunicação pelo uso de uma linguagem foi derivado do estudo da relação dos danos no cérebro com o desempenho das pessoas.

A área de Broca foi assim nomeada depois que Paul Broca, por volta de 1860, observou que os danos a uma região do córtex, em particular no lado do lóbulo frontal, dá origem a uma desordem da fala. Ele mostrou que o dano nesta área do lado esquerdo do cérebro causa afasia, mas o dano à área correspondente no lado direito deixa a fala intacta.

Em 1874, Karl Wernicke identificou uma área no lóbulo temporal do hemisfério esquerdo que desempenha um papel crucial na comunicação. Relatando defeitos nas áreas de Broca e de Wernicke para a perda de atuação, Wernicke formulou um modelo de produção de linguagem.

Neste modelo, a "estrutura" básica de uma expressão oral aparece na área de Wernicke e é transmitida para a área de Broca através de um feixe de fibras nervosas chamada de arcuate fasciculus. A área de Broca desenvolve um "programa" para vocalização que é então passado para a área da face do córtex motor, ativando os músculos apropriados da boca, lábios, língua e laringe.

Quando uma palavra é ouvida, o som é recebido pelo córtex auditivo e então passado para a área de Wernicke onde é "entendida". Quando uma palavra é lida, a informação do córtex visual é transmitida para o angular gyrus onde ela parece ser transformada de modo a ser compatível com a "forma auditiva" da palavra; sendo então transmitida para a área de Wernicke.

Quando a área de Broca é danificada, a fala já não é mais fluente ou bem articulada. Quando o caminho da área de Wernicke para a área de Broca é danificado, a fala semanticamente aberrante é produzida, mas se a área de Wernicke está intacta, haverá compreensão normal da comunicação falada e escrita. O dano à área de Wernicke rompe todos os aspectos do uso da linguagem.

Finalmente, o dano ao gyrus angular rompe os sinais do córtex visual para a área de Wernicke e causa dificuldades em lidar com a linguagem escrita. Esta visão, de que há centros de controle cerebrais discretos desempenhando aspectos específicos do processo da linguagem, foi chamada de visão "localizacionista-conexionista".

Mesmo sabendo-se que regiões específicas do cérebro são identificadas como sendo associadas a várias funções da comunicação, é importante observar que estas funções podem ser assumidas por outras regiões do cérebro. Por exemplo, um considerável grau de recuperação pode ocorrer quando a área de Broca é lesada, desde que as regiões adjacentes partilhem sua especialização de forma latente.

Pacientes com dano nas regiões posteriores do cérebro às vezes sofrem de afasia nominal ou afasia anômica, com a qual eles perdem a habilidade de nomear e categorizar objetos. Foi sugerido que este dano é um resultado da quebra de associações envolvendo diferentes modalidades sensoriais que são parte do ato de nomear.

2.4.1 Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso é responsável pela coordenação e integração de todas as atividades orgânicas e pela adaptação do organismo. Ele reúne as informações sensoriais vindas de todas as partes do corpo oriundas de terminações neurais sensoriais especializadas da pele, dos tecidos profundos, dos olhos, dos ouvidos, e do aparelho do equilíbrio. O cérebro e a medula espinhal podem reagir rapidamente a essa informação no campo de percepção sensorial. O comportamento é o resultado de sinais enviados para os músculos e para órgãos internos do corpo. A fisiologia humana como um todo é fundamental à vida, porém a importância que alguns órgãos sensoriais exercem no processo de comunicação e sua lógica natural desde a percepção, seleção e concatenação dos estímulos é fundamental para que se atinja o êxito na comunicação.

Ainda se reportando a fisiologia, é importante saber como cada órgão sensorial contribui para a conclusão do processo de comunicação, desde o estímulo à percepção, selecionando e organizando o pensamento.

Sabemos que o ser humano capta a realidade, e portanto, percebe a comunicação externa através dos sentidos, que funcionam como sensores da percepção e, diante de determinada situação, com base em seus conhecimentos, crenças, valores, ou seja, o seu banco de dados, cria a representação mental dessa situação. Esta representação varia também de acordo com a emoção envolvida no ato. Podemos dizer, portanto, que para um determinado contexto, a ação e o resultado, bem como comportamentos e condutas dependem de como esta pessoa processa a informação no cérebro.

Para um maior entendimento sobre o processo de comunicação, como captamos e processamos nossas imagens mentais, como é desencadeada nossa emoção, faz-se necessário entender o funcionamento do Sistema Nervoso e rever algumas noções de anatomia.

Podemos dividir o Sistema Nervoso em: Central, Periférico e Autônomo. O Sistema Nervoso Central é o centro de todas as atividades Nervosas, interpretando e comandando as relações do organismo com o ambiente. Abrange a medula espinhal e o encéfalo (cérebro, bulbo, cerebelo). O Sistema Nervoso Periférico coloca o organismo em contato com o ambiente (nervos cranianos e nervos raquidianos). O Sistema Nervoso Autônomo, relaciona e coordena órgãos de nutrição ou de vida vegetativa. Temos o Sistema Nervoso Simpático e o Parassimpático.

O cérebro é o órgão sede do Sistema Nervoso Central (SNC) e funciona como quartel general de uma vasta rede de comunicações e de comando. É a sede da inteligência, dos atos conscientes e da sensibilidade. Sua superfície é revestida por uma massa cinzenta denominada córtex (ou cortiça) cerebral. Conecta-se ao cerebelo e ao bulbo e tem sua continuação na medula espinhal, um grosso cordão fibroso, de onde partem trinta e um pares de nervos, responsáveis pela captação de estímulos e transmissão e execução das ordens transmitidas pelo cérebro e, às vezes, pela própria medula.

O Sistema Nervoso Periférico (SNP) é formado pela rede de nervos que, partindo aos pares do encéfalo ou da medula, distribuem-se pelo corpo todo.

Tanto o SNC como o SNP comandam ou respondem pela execução de todos os atos que obedecem a nossa vontade consciente. Comandam basicamente a musculatura "estriada", isto é, aquela, que nos permite andar, mover os braços e as mãos, abrir e fechar os olhos e a boca, falar, fazer "careta", etc. Ao lado deles, existe também um Sistema Nervoso Autônomo (SNA), isto é, independente de nossa vontade consciente. O SNA é responsável pelo funcionamento automático de nossos órgãos.

Desta forma, coração, estômago, intestinos, fígado, etc, funcionam ininterruptamente, sem que disso tenhamos consciência ou sem que, em condições normais, possamos sobre eles influir. O SNA divide-se em dois ramos distintos, o simpático e o parassimpático ou vago.

A ativação ou "entrada em cena" de ambos os ramos se dá por meio de ordens emanadas do cérebro. Tais ordens são transmitidas pelo hipotálamo à glândula hipófise e, desta às glândulas supra-renais e à outras estruturas espalhadas pelo organismo.

O parassimpático, ou vago, tem como regra a função de "freio", de "acalmar" o organismo. O simpático, ao contrário, excita o organismo e prepara-o para enfrentar situações percebidas como ameaçadoras. Assim, quando ativado, entre outras coisas, acelera e intensifica os batimentos cardíacos, aumenta a pressão arterial e, através da contração dos vasos sangüíneos, redistribui o sangue, canalizando-o em maior quantidade para onde julgue ser mais necessário.

Esses efeitos e todos os demais resultantes da ação do simpático tornam-se possíveis pela ação de um grupo de substâncias chamadas catecolaminas, das quais as mais conhecidas são a adrenalina e a noradrenalina, cuja quantidade no sangue aumenta em situações de alarme ou excitação.

2.4.2. O Hipotálamo e a Hipófise

Há na base do cérebro uma estrutura chamada tálamo e, abaixo dela, o hipotálamo. Este último guarda proximidade tanto anatômica quanto funcional, com a hipófise, que chamada, às vezes, a "rainha das glândulas", comanda e coordena o trabalho de todas as outras. Esta pequena glândula situada na base do crânio, pode provocar mudanças na pulsação, no apetite, na expectativa de vida e crescimento de uma pessoa. Ela é o painel de controle do nosso organismo. Funciona como um termostato que controla um sistema de aquecimento central. É possível acelerar a temperatura de cada radiador, mas o termostato está num nível lógico superior ao dos radiadores que ele controla. A noção de que as glândulas do organismo tem seu funcionamento regido pela hipófise é antiga. Só recentemente, veio a se reconhecer que o trabalho da hipófise, obedece ao controle do hipotálamo e este, finalmente, age em consonância e obediência às ordens que lhes chegam do córtex e do Sistema Límbico.

Denomina-se Sistema Límbico a estrutura que faz a supervisão e coordenação dos diferentes centros reguladores das relações entre o cérebro e os outros órgãos internos (vísceras), músculos e tecidos. O Sistema Límbico mantém permanentemente interação ou troca com o córtex cerebral. Cabe ao sistema límbico controlar a atividade do hipotálamo, o qual, através de substâncias chamadas neurotransmissores, leva à hipófise as "ordens recebidas". Assim se estabelece a conexão entre a ação do cérebro e o resto do corpo. Os diversos centros que compõe o sistema límbico, não apenas regulam as atividades dos órgãos, como também são geradores de afetos. Além do mais reconhece-se no hipotálamo a "sede as emoções", se é que assim podemos falar.

2.4.3. As Emoções

Em psiquiatria a palavra emoção é uma designação genérica que engloba o sentir (afeto) e a expressão, física e involuntária, desse sentimento. É um fenômeno que se passa ao mesmo tempo na mente e no corpo.

A emoção é fator importante nas comunicações podendo interferir de forma positiva ou negativa. Os gestos e movimentos corporais traduzem a intensidade das emoções sentidas mas a natureza do estado emocional – medo, raiva, tristeza, alegria, etc.- se exprimem principalmente pelos movimentos faciais. No plano das expressões, os gestos constituem mais precisamente, dentre os movimentos corporais, os indícios da ativação emocional. A postura adotada pelas pessoas também influencia a receptividade ou não das mensagens verbais, e pode demonstrar seu estado emocional.

A realização de tarefas que não trazem prazer às pessoas pode mobilizar energias negativas. Quando isto ocorre a tarefa é realizada em uma emoção distinta do prazer, ou seja com frustração, resultante do desejo de estar realizando uma tarefa não desejada. Às vezes, não nos damos conta de que essa emoção interfere no resultado e na qualidade das ações e realizações do ser humano trabalhador podendo desencadear problemas pessoais e organizacionais.

A maior parte de nossos sofrimentos surgem de comunicações ou de conversações que nos levam, repetidas vezes, a operar em domínios de emoções contraditórias às nossas ações, gerando a insatisfação no trabalho. É possível dissolver estes sofrimentos e insatisfações através de uma comunicação mais adequada às pessoas e ao ambiente de trabalho.

O espaço do "conversar" no cotidiano pode mudar. Ao dar-se conta que os seres humanos existem e como tal estão participando de muitas conversações em domínios operacionais distintos, que configuram muitos domínios de realidades diferentes, é significativo, pois nos permite recuperar o "emocional" como âmbito fundamental de nosso "ser seres humanos" e usá-lo para melhorar as relações e comunicações.

Na história evolutiva, se configura o humano, com o "conversar" ao surgir a linguagem como um recurso nas relações humanas tendo como base a participação da emoção.

Na cultura patriarcal a que pertencemos, no Ocidente, e que parece expandir-se por todos os âmbitos da terra, as emoções tem sido desvalorizadas em favor da razão, como se esta pudesse existir com independência e em oposição a elas.

O reconhecer que o humano se realiza da fusão da linguagem e da emoção nos dá a possibilidade de integrá-las respeitando a legitimidade do ser humano nestes dois aspectos .

Desde pequenos nos dizem que devemos controlar ou negar nossas emoções porque estas dão origem a arbitrariedade do não racional. Sabemos que isto não deve ser assim. Numa conversação surge tanto o racional como o operar em linguagem através do fluir de nossas emoções. Sabemos que devemos ter em conta nossas emoções e conhecê-las quando queremos que nossa conduta seja racional a partir da compreensão da razão.

2.4.4. Emoção, Estado Mental e Comunicação

A emoção está tão presente em nossa comunicação em nosso modo de falar que quando uma pessoa está com um nível físico emocional baixo, costumamos dizer que ela está em "péssimo estado". Por outro lado, sabemos que, para dar o melhor de nós, precisamos estar num bom "estado mental". O estado mental inclui todos os pensamentos, as emoções e a fisiologia que expressamos num dado momento. São as imagens neurais, sons, sentimentos e todos os padrões da postura física e da respiração. Como corpo e mente estão totalmente interligados, nossos pensamentos influenciam imediatamente nossa fisiologia e vice-versa.

Um dos poucos fatos corretos com que podemos contar é que nosso estado mental muda continuamente. Quando mudamos nosso estado de espírito, o mundo externo também muda ou, pelo menos, parece mudar. Em geral, temos mais consciência do nosso estado emocional do que de nossa fisiologia, postura, gestos e padrões respiratórios. Na verdade, geralmente acreditamos que as emoções estão fora do controle consciente, sendo a porta visível de um iceberg. Não percebemos a fisiologia nem os processos mentais subjacentes às emoções, que formam os nove décimos submersos do iceberg. Tentar influenciar as emoções sem modificar o estado mental é tão inútil quanto tentar destruir o iceberg cortando apenas a ponta visível. A outra parte virá à tona, a menos que se gaste muito tempo e muita energia empurrando o iceberg para baixo. Segundo nosso ponto de vista, a mente ordena e o corpo obedece. Assim, as emoções habituais estão estampadas no rosto e na postura de uma pessoa, porque ela não percebe até que ponto suas emoções moldam sua fisiologia.

Até as recordações podem desencadear emoções. Sempre que alguém tem recordações desagradáveis e entra num estado mental negativo, seu corpo inteiro recebe esse estado negativo e o mantém na forma de determinados padrões de tônus muscular, postura e respiração. Essas lembranças armazenadas fisicamente podem contaminar suas futuras experiências por minutos ou horas.

As pessoas que sofrem de depressão adquiriram inconscientemente a capacidade de manter-se num estado negativo por longos períodos. Outras pessoas são capazes de modificar seu estado emocional sempre que desejam, criando para si mesmas uma liberdade emocional que lhes dá uma melhor qualidade de vida. Elas vivenciam os altos e baixos emocionais da vida, mas aprendem com eles e seguem em frente, sem prolongar uma dor emocional desnecessária.

Em nosso cotidiano passamos sucessivamente por vários estados emocionais. Por exemplo, se estamos com o moral baixo e um amigo nos telefona para dar boas notícias, nosso estado de espírito fica mais leve. Mas se numa manhã ensolarada abrimos a correspondência e vemos uma conta alta, nuvens mentais vem encobrir o sol. Podemos influenciar nossos estados mentais em vez de simplesmente reagir ao que acontece externamente.

As relações entre seres humanos são muito complexas, já que muitas coisas acontecem simultaneamente. Não se pode prever exatamente o que vai ocorrer, porque a reação de uma pessoa influencia a comunicação de outra. O relacionamento é um ciclo, no qual estamos reagindo a feedbacks para saber o que devemos fazer em seguida. Concentrar-se em apenas um lado do ciclo é o mesmo que querer entender um jogo de tênis analisando apenas um dos lados da quadra. Podemos passar a vida inteira tentando entender como um toque na bola faz com que ela volte, e as leis que determinam qual deveria ser a próxima jogada. Nossa mente consciente é limitada e nunca consegue ver o circuito inteiro da comunicação, apenas pequenos segmentos dele.