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considerações finais
"Nenhuma época acumulou sobre o homem conhecimentos tão numerosos e tão diversos quanto a nossa. Nenhuma época conseguiu apresentar seu saber do homem sob uma forma tão pronta e tão fácilmente acessível. Mas também nenhuma época soube menos o que é o homem."
(Martin Heidegger)
Os especialistas do comportamento organizacional, embora sensibilizados pelo tema comunicação ainda não se ocuparam do caráter intrínseco da fala do ser humano, dimensão considerada indispensável em nossos dias.

Fazer com que os colaboradores de uma empresa sintam-se felizes e se relacionem bem não é muito fácil. Os atuais administradores de empresas e executivos simplesmente não aprendem em seus cursos curriculares ou extracurriculares sobre "seres humanos", como se relacionam, como expressam suas percepções e emoções e portanto, não conseguem comunicar-se de forma adequada com cada pessoa com quem interagem em seus ambientes de trabalho. Já ouvimos administradores confessando que sabiam lidar perfeitamente com a tecnologia, com os produtos, com as máquinas, mas não sabiam lidar com as pessoas que precisavam administrar.

Sabemos que mesmo os médicos, dentistas e outros profissionais que tratam com pessoas, são treinados para o diagnóstico e tratamento, mas não aprendem em nenhum momento como se comunicar melhor com as pessoas. Possuem um preparo técnico esmerado, mas esquecem a importância do "como comunicar-se" de forma a produzirem bem estar, alegria, felicidade, de modo a desencadear emoções positivas nas pessoas ao invés de emoções como raiva, rejeição, tristeza, etc.

De que adianta o profissional saber tudo tecnicamente, saber os melhores procedimentos e passos, mas que ao comunicar-se não se faz entender, não consegue convencer as pessoas ? De que adianta todo saber ?

Existem algumas deficiências na formação empresarial que estão cobrando um preço alto. Muitos empresários e executivos estão se dando conta que precisam saber como lidar com sua gente de modo a conseguirem os resultados que desejam. Cursos e mais cursos de técnicas empresariais não servem para nada se não forem entendidos e "comprados" pelos funcionários, se não forem passados numa linguagem possível de decodificação por parte dos mesmos.

Técnicas importadas do Japão, dos Estados Unidos, muitas vezes, não funcionam quando aplicadas em nossas empresas porque os funcionários não se adaptam às novas normas. A questão, muitas vezes, não é, somente, de má adaptação. O problema é que os funcionários não são comunicados a respeito da filosofia das novas técnicas e, desta forma, simplesmente não compreendem e, por conseqüência, não se comprometem com as novas idéias.

Não existem pessoas adequadamente treinadas para administrar a comunicação dentro das empresas. A troca de informações é feita conforme a capacidade intuitiva de cada executivo. Deixa-se algo tão importante para a empresa, como a troca de informações, ao sabor da sorte e do acaso.

Todos sabemos que a produtividade está diretamente ligada ao grau de comprometimento que o funcionário tem com a empresa e suas metas. O comprometimento é um processo de decisão altamente influenciável através da comunicação. Só que precisa ser uma comunicação realmente persuasiva, pois comprometimento envolve emoção e é diferente de decisão. Comprometimento, dura muito mais tempo e leva a pessoa a empregar toda sua energia; decisão, a gente muda a todo instante e nem sempre nos seduz por inteiro.

Quem nas empresas tem feito essa comunicação persuasiva, de forma congruente, ecológica e ergonômica ? Onde se ensinam essas técnicas de comunicação? Onde os empresários e executivos aprendem a considerar a emoção das pessoas e a sua influência na comunicação, no bem estar das pessoas, na sua qualidade de vida e logicamente na produtividade da sua empresa? Onde aprendem os empresários que a emoção não expressa nas palavras e nas comunicações pode gerar stress, tristeza, doenças, maus relacionamentos, péssimas comunicações e acarretar em gastos com saúde, pagos pela empresa, reduzindo a qualidade dos produtos e serviços? Como aprendem a compreender que as pessoas têm o direito de expressar suas emoções quando se comunicam e quem lida com pessoas é quem deve estar preparado para decodificar e compreender as mensagens por eles emitidas?

É necessário que as empresas invistam em pessoas treinadas e dedicadas a compreender o sistema de comunicação pessoal e empresarial. Pessoas que atuem como educadores, facilitadores do processo de comunicação, fazendo com que as mensagens sigam um fluxo adequado, passando a visão, a missão, os objetivos que a direção estabelece para os escalões inferiores e/ou superiores da melhor maneira que estes escalões possam entendê-las; fazendo com que cada um dentro da empresa consiga entender o próximo, entender como funciona seu time para poder melhorar suas relações com os demais, aumentando assim as escolhas, a flexibilidade de condutas de cada um, motivando-os para obter resultados positivos para a empresa como um todo e para cada trabalhador individualmente. Alguém que saiba trocar as informações necessárias da melhor forma possível, e que produza, como efeito colateral, a mudança da satisfação dos colaboradores da organização, melhorando o ambiente de trabalho e conseqüentemente a produtividade. Isto facilita para estabelecer uma eficaz comunicação sistêmica num grupo de pessoas diferentes, com características e anseios diferentes mas que convivem juntas buscando resultados comuns.

É importante que o processo de comunicação como qualquer outro processo que ocorre em uma organização seja encarado com responsabilidade. Compreendendo e valorizando este processo as pessoas e organizações passam a buscar melhores formas de captar, processar e transformar as mensagens. Através da compreensão desta dinâmica poderemos contribuir para um ambiente comunicacional favorecendo inclusive níveis de participação dentro e fora das empresas ou em quaisquer locais onde ocorram processos de relacionamento humano. E nestas situações a comunicação é premissa básica.

Conforme mostramos em capítulos anteriores a Programação Neurolingüística e a Análise Transacional aliadas à Psicologia Organizacional e do trabalho, bem como à Ergonomia, poderão oferecer ferramentas adequadas e acessíveis para a melhoria da comunicação pessoal e organizacional.

A Análise Transacional como foi mostrada é um instrumento simples, fácil de ser entendido, comunicável, com poucos termos técnicos, é por excelência, como podemos perceber através do próprio significado da palavra, um modelo útil e prático para se compreender as "transações", que são interações, relações interpessoais, comunicações pessoais e interpessoais. Pode ser usada em qualquer nível: pessoal ou organizacional, individual ou em grupos, para treinamento e desenvolvimento gerencial ou desenvolvimento de equipes.

No capítulo 4 apresentamos um exemplo de como os Estilos Gerenciais podem ser analisados e compreendidos à luz dos instrumentos da AT e de como os estilos transacionais podem contribuir de forma positiva às organizações.

A Programação Neurolingüística é mostrada por muitos autores como a arte e a ciência da "excelência". Utiliza de métodos e processos para determinar os padrões que as pessoas usam para obter resultados excepcionais no campo pessoal e organizacional. Oferece também, procedimentos específicos, eficazes na área da administração.

Trabalhando apenas os pressupostos básicos da PNL, apresentados nesta dissertação já estaremos contribuindo para que as pessoas se comuniquem e se relacionem com muito mais prazer, eficácia e qualidade, gerando ambientes de trabalho mais felizes e produtivos.

Podemos generalizar dizendo que todos os instrumentos, estratégias e pressupostos da PNL, aqui apresentados, contribuem para a melhoria da Comunicação Pessoal e Organizacional. As estratégias de modelagem poderão ser aproveitadas em treinamentos técnicos específicos, em transferência de processos e estratégias de trabalho. As técnicas de rapport e sintonia poderão ser usadas em negociações, acordos com empregados, sindicatos, com clientes internos e externos, em reuniões, apresentações, etc. O metamodelo de linguagem, se bem aplicado, levará a comunicações mais claras, objetivas, diretas e produtivas, em todos os níveis da organização. Os metaprogramas podem ser usados, também, para melhorar e comunicação e em treinamentos de qualquer natureza. Na área gerencial é muito útil e poderá fornecer dados para a elaboração de treinamentos e desenvolvimentos gerenciais. Conhecendo-se os metaprogramas das pessoas fica muito mais fácil adequar o trabalho ao ser humano trabalhador.

7.1. Sugestões para Futuros Trabalhos

Considerando-se que esta dissertação limitou-se à pesquisa bibliográfica, reflexões, observações, experiências e práticas empíricas, o próximo passo poderia ser a aplicação dos instrumentos apresentados, em organizações, embasados por instrumentos científicos com acompanhamento e registros de dados para posterior comprovação. Este trabalho poderia ser realizado em distintas áreas, tais como: