UM MUNDO SEM EMPREGOS OU
DE DESEMPREGO:
RELAÇÕES POSSÍVEIS
ENTRE HOMEM E TRABALHO PARA O SÉCULO XXI
MICHELLE STEINER DOS SANTOS
Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas, da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção.
Florianópolis
1999
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de
Produção e Sistemas
UM MUNDO SEM EMPREGOS OU DE DESEMPREGO:
relações possíveis entre homem e trabalho para
o século XXI
Michelle Steiner dos Santos
Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas, da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção.
Orientador: Francisco Antonio Pereira Fialho, Dr. Eng.
Florianópolis
1999
UM MUNDO SEM EMPREGOS OU DE DESEMPREGO:
relações possíveis entre homem e trabalho para
o século XXI
MICHELLE STEINER DOS SANTOS
Esta dissertação foi julgada adequada para obtenção do Título de "Mestre", Especialidade em Engenharia de Produção, e aprovada em sua forma final pelo programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.
Ricardo Miranda Barcia, Ph.d.
Coordenador do Curso
BANCA EXAMINADORA:
Francisco Antonio Pereira Fialho, Dr. Eng.
Orientador
Álvaro Lezana, Dr. Eng.
Membro da Banca
Bruno H. Kopittke, Dr. Eng.
Membro da Banca
Marcelo Lobo Heldwein, Ms. Eng.
Membro da Banca
Florianópolis, 13 de Maio de 1999.
ESTA DISSERTAÇÃO
FALA DA RESPONSABILIDADE DE
CADA UM DE NÓS NOS EVENTOS PASSADOS E
PRESENTES,
E AS POSSIBILIDADES DE MUDANÇA NO FUTURO,
ATRAVÉS
DA TOMADA DE CONSCIÊNCIA E DA REFLEXÃO.
ELA
FOGE, PORTANTO, DOS PADRÕES EXIGIDOS PELA
ACADEMIA AO NÃO SER ESCRITA NA IMPESSOALIDADE
DA
TERCEIRA PESSOA DO SINGULAR; MAS MANTÉM-SE
COERENTE EM SEUS PRINCÍPIOS, A MEDIDA
QUE
ESCRITA NA PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR O "EU",
PERMITE QUE EU POSSA ASSUMIR MINHAS
IDÉIAS E, QUE AO USAR EM CONJUNTO A
PRIMEIRA PESSOAS DO PLURAL O "NÓS",
EU
POSSA FAZER COM QUE VOCÊ LEITOR TRILHE
JUNTO
COMIGO E COM AS IDÉIAS QUE ENCONTREI NOS
LIVROS O CAMINHO DA DESCOBERTA PESSOAL E,
PORTANTO, DA RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL E
COLETIVA A QUE TEMOS PARTE, SIMPLESMENTE POR
TERMOS NASCIDO.
Ao Dom da criação que a tudo permite, e através dele a meus pais Ida e Agenor, personagens deste grande teatro que é a vida.
A minha segunda mãe Doroti.
Aos meus companheiros desta jornada, irmãos de sangue Leo, Johanna, Samuca, e da vida Marcelo, Cláudia, Silvana e Mauricio carmicos, no amor, na tristeza, no ódio e nas alegrias.
Aos irmãos cujos laços não são tão estreitos mas nem por isso menores em importância, aos amigos de adolescência e de Escola Técnica que mesmo hoje permanecem como verdadeiras descobertas, valeu!
Às amigas de universidade e de profissão Carol, Flávia, Leo, Clarice e especialmente Paty, escutar é um grande Dom; acredito que estejamos finalmente aprendendo a sermos solidárias umas com as outras.
A família universal, conhecidos e desconhecidos, mas imanentes em permanência.
Ao amor que a tudo constrói e que mesmo na destruição é a fonte eterna de nosso aprendizado.
Aos mestres, guias espirituais e outros não tão nobres, porém, imensamentes importantes em sua grandeza de caráter, contribuindo com seu conhecimento para minha construção pessoal e profissional. Especialmente ao meu orientador, Francisco, cuja luz, permitiu que do caos eu pudesse resgatar algumas das estrelas da sapiência; a professora-madrinha Vírginia, cuja a magia encantou meus olhos abrindo-os para a vida.
A Bruno e Alvaro pela disponibilidade que mostraram ao compartilhar seus conhecimentos comigo.
A Lidiane pela amizade e ajuda, realmente os pontos, vírgulas e acentos não são o meu forte.
A Bianca, amiga que dos pampas veio com família, filhos, histórias e causos, a complementar e explicar, mas principalmente à vivenciar
A escola Coopertrabalho, que mesmo subjetiva na existência formou e forma novos profissionais para a vida. Reciclando modelos com criatividade, aprendendo a duras penas o quão distante é muitas vezes a teoria da prática.
A Academia universitária, especialmente à UFSC, cuja
algumas lições tentei não aprender. Não acredito
que a mediocridade é um dom do outro e não de nós
mesmos. Falta-nos um imenso espelho. Que a verdade é una,
una na mentira, una no individualismo, una no discurso. Não acredito
que o real é somente aquilo que se diz, se não o por
quê de nossos olhos, de nossos sentidos e do desconhecido?
À palavra, por extrapolar o ser e corromper mesmo o mais
santo dos homens. Por poder nos redimir junto a ação.
Aos erros, graças a vocês sei que sou humana.
À idéia de emprego e trabalho que nada mais são do que extensões desse emaranhado de construções humanas na busca de sua compreensão e manutenção de nossa espécie.
Enfim, a DEUS fonte da criação e de transformação, o início o meio e o fim, o ponto de partida e chegada.
Sei que nada sei, mas que tudo posso...
Neste fim de século, cientistas e pessoas comuns passaram a se questionar sobre o uso e desenvolvimento cada vez maior de uma prática, vista até bem pouco tempo atrás com otimismo, como salvação da humanidade, de diferenciação entre nossa espécie e outros animais, o progresso científico. Indagações surgiram de todos os lados, mas com um mesmo fim, descobrir quais as conseqüência imediatas e futuras do emprego da técnica sobre o trabalho, trabalhadores e sistema de produção. A ameaça do fim dos empregos e a progressiva quantidade de pessoas doentes pelo trabalho ou pela falta deste, levou e está levando pesquisadores a investigar os impactos da evolução científica nas relações humanas, na constituição de novas formas de perceber o homem em seu universo pessoal e profis. Percebemos que o desemprego está levando o Estado a flexibilizar seus sistemas jurídicos, suas leis trabalhistas, permitindo a construção de novas relações de trabalho que por sua vez constituem novas identidades. As tercerizações e mais precisamente as cooperativas, são o fruto desse processo de redimensionamento, de vida e morte, de devir humano neste final de século XX. É nosso objetivo com esta dissertação, demonstrar que embora a perspectiva de um mundo sem empregos configure novas relações nos contratos de trabalho, estas nem sempre levam a uma nova forma de repensar o trabalhador e o homem. As cooperativas de trabalho, são o maior exemplo deste fato; embora sejam pela sua própria configuração uma alternativa das mais viáveis e flexíveis, econômica e socialmente, de sobrevida para trabalhadores e empresários frente ao mercado, são por vezes usadas de forma ilícita. Porém nada está perdido, o homem possui a capacidade infinita de se transformar enquanto identidade e a partir de sua ação, transformar o mundo. Os caminhos existem, basta percorrê-los. Uma escolha possível é a Ergonomia. Cabe ao ergonomista neste novo milênio, mudar o seu perfil, adequar-se as mudanças, englobar novas funções. Uma destas funções é sem dúvida a re-orientação organizacional de empresários e trabalhadores.
Palavras-chaves: Homem, Trabalho, Emprego, Terceirização, Cooperativismo
At the dawn of this century, scientists and common people passed questioning on the use and development every time larger of a practice, view until very little time behind with optimism, as the humanity's salvation, as the differentiation of our species and another animals, the scientific progress. Inquiries appeared from everywhere, but still with the same kind of work, workers and production system. The menace of the end of the employments and the progressive amount of sick people due to their jobs or in the lack of these, took and is taking researchers to investigate the impacts of the scientific evolution in the human relationships, in the constitution of new ways of noticing the man in its personal and professional universe. It can be noticed that the unemployment is taking the State to make its juridical systems and its laws, more flexible allowing the construction of new work relationships that on their turn constitute new identities. The terceirizações and more precisely the cooperatives, are fruit of that re-dimensioning process, of life and death, of human future in the end of century XX. The objective with this dissertation, is to demonstrate that although the perspective of a world without employments configures new relationships in the work contracts, these not always lead to a new way of thinking the worker and the man. The work cooperatives, are the largest examples of this fact. Although they are, for its own configuration, one of the most viable and flexible alternative, economically and socially speaking, for workers and managers faced to the market, they are used many times in an illicit way. Even so, nothing is lost; the man possesses the infinite capacity to change while identity and starting from its action, to transform the world. The ways exist; it is enough to travel them. A possible choice is the Ergonomics. It fits to the ergonomist on this new millennium, to change its profile, to adapt to the changes, to include new functions. One of these functions is without a doubt the organizational re-orientation of managers and workers.
Key-words: Men, Job, Work, Unenployment
| SIGLA | NOME POR EXTENSO |
| OCB | Organização das Cooperativas Brasileiras |
| DENACOOP | Departamento de Cooperativismo e Associativismo Rural |
| INSS | Instituto de Seguridade Social |
| OCDE | Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico da Organização das Nações Unidas |
| PIB | Produto Interno Bruto |
| PEA | População Economicamente Ativa |
| CLT | Consolidação das Leis Trabalhistas |
| DIEESE | Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos |
| IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística |
| OIT | Organização Internacional do Trabalho |
| CFB | Constituição da República Federativa do Brasil |
| TST | Tribunal Superior do Trabalho |
| ACI | Aliança Cooperativa Internacional |
| CNC | Conselho Nacional de Cooperativismo |
| INCRA | Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária |
| FATES | Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social |
| BRASCOOP | Fundação Brasileira de Cooperativismo |