6. CONDIÇÕES AMBIENTAIS
DE TRABALHO
6.1
Definições básicas
6.2 Ambiente térmico
6.3 Ambiente acústico
6.4 Ambiente vibratório
6.5 Ambiente lumínico
6.6 Qualidade do ar
6.7.- Referência Bibliográfica
Avaliação do capítulo
Estudo Dirigido
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on-line] [Estudo Dirigido] [Avaliação]

CAPÍTULO VI AMBIENTES DE TRABALHO
AMBIENTES DE TRABALHO
6.1.
DEFINIÇÕES BÁSICAS
É um conjunto de fatores interdependentes,
materiais ou abstratos, que atua direta e indiretamente na qualidade de vida das pessoas e
nos resultados dos seus trabalhos (Wada, 1990).
Um local de trabalho, seja um escritório, uma fábrica, um
banco, deve ser sadio e agradável. O homem precisa encontrar aí condições capazes de
lhe proporcionar o máximo de proteção e, ao mesmo tempo, satisfação no trabalho.
Neste sentido, o ambiente de trabalho é
composto de um conjunto de fatores, que podem ser agrupados em dois blocos, quais sejam,
fatores físicos e fatores organizacionais do ambiente de trabalho. É importante
salientar que, não há uma hierarquização de importância, pois um ambiente de trabalho
é, na verdade, produto da contribuição desses diversos fatores.
6.2. AMBIENTE TÉRMICO
Segundo Verdussen (1978), a temperatura é
um ponto que deve merecer o maior cuidado, quando se busca criar adequadas condições
ambientais de trabalho. Há temperaturas que nos dão uma sensação de conforto, enquanto
outras tornam-se desagradáveis e até prejudiciais à saúde.
6.2.1. Temperatura do corpo humano
- Trocas térmicas
O organismo humano, para a manutenção de
sua estrutura, consome uma energia "mínima de repouso" que se traduz por uma
"temperatura interna constante". A fim de manter sua temperatura interna
constante o homem deve então comunicar-se com seu meio ambiente (Noulin, 1992).
As trocas de energia se realizam por:
. Condução: é a propriedade de um
corpo transmitir energia calorífica a outro, com o qual esteja em contato.
. Convecção: trocas por
intermédio de um fluido (ar ou água).
. Radiação: troca de calor entre o
organismo e o ambiente, que consiste na transmissão de energia por meio de ondas
eletromagnéticas .
. Evaporação: é o mecanismo mais
importante do equilíbrio térmico. Quando as condições de temperatura ambiente atingem
um nível tal que a dissipação do calor do corpo, tanto por radiação como por
condução-convecção, não mais atende às necessidades do organismo, entra em ação o
processo de evaporação do suor, que resfriará a superfície do corpo.
6.2.2. Conforto térmico
Definição: é um estado de espírito
que reflete a satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa. Se o balanço de
todas as trocas de calor a que está submetido o corpo humano for nulo e a temperatura da
pele e suor estiverem dentro de certos limites, pode-se dizer que o homem sente conforto
térmico Lamberts et al (1997). As variáveis ambientais que influenciam este conforto
são:
temperatura do ar
umidade do ar
velocidade do ar
calor radiante
Além destas variáveis, a atividade
desenvolvida pelo homem (met:W/m2) e a vestimenta que ele usa (resistência térmica:
Iclo) também interagem na sensação de conforto térmico do trabalhador, em seu ambiente
de trabalho (Lamberts et al, 1997).
6.2.2.1. Meios de medição das
variáveis ambientais
- Temperatura do ar (Tar):
A temperatura do ar pode ser medida com um termômetro
convencional de mercúrio;
- Umidade do ar (UR umidade relativa do
ar):
Esta é obtida com ajuda de um aparelho
denominado psicômetro giratório, que contempla dois termômetros: termômetro de
bulbo úmido (TBU) e termômetro de bulbo seco (TBS), com os quais coleta-se a temperatura
de bulbo úmido e a temperatura de bulbo seco, respectivamente. Com estas duas medidas
encontra-se a umidade relativa do ar correspondente, fazendo uso da carta psicométrica.
- Velocidade do ar (Var):
O aparelho mais indicado para medir
velocidade do ar é o termo-anemômetro;
- Calor radiante:
Este fator é medido através de um
aparelho denominado termômetro de globo;
- Temperatura radiante média (Trm):
A Trm é obtida a partir de duas equações
da ISO 7726, uma de convecção natural e outra de convecção forçada (equações 7 e 8,
respectivamente), tendo como principais variáveis: temperatura de bulbo seco e
temperatura de globo.
Para precisar se um determinado local é ou
não confortável, é necessário obter, ainda, o PMV e o PPD e compará-los aos valores
recomendados pela ISO 7730. Estes valores são obtidos com ajuda de um software denominado
Fanger.
Definições:
PMV: índice que estima o valor médio dos
votos de um grupo de pessoas na escala se sensação térmica.;
PPD: porcentagem de pessoas insatisfeitas
com o conforto térmico do ambiente.
a) Exemplo de avaliação de conforto
térmico
horas |
TBS (° C)
0,10m |
TBS (° C)
1,10m |
TBU (° C) |
Var (m/s) |
U.R (%) |
Tg (° C) |
Sensação |
Trm (° C) |
14:00 |
25,80 |
25,40 |
20,8 |
0,15 |
67 |
25,4 |
+1 |
25,28 |
14:30 |
25,20 |
25,20 |
20,8 |
0,10 |
68 |
25,8 |
+1 |
25,99 |
15:00 |
25,20 |
25,60 |
20,8 |
0,11 |
65 |
26,0 |
+1 |
26,24 |
15:30 |
25,40 |
25,60 |
20,8 |
0,11 |
65 |
26,0 |
+1 |
26,19 |
16:00 |
25,00 |
25,00 |
20,8 |
0,09 |
69 |
25,4 |
+1 |
25,52 |
Tabela 1. Dados levantados no local,
objetivando a avaliação do ambiente térmico
TBS (0,10m) - temperatura de bulbo seco
na região dos pés;
TBS (1,10m) - atividade sedentária -
altura média de uma pessoa sentada;
TBU - temperatura de bulbo úmido;
UR (TBS e TBU) - carta psicométrica;
Trm (TBS e Tg) - pequenos valores p/ Var -
equação recomendada: convecção natural (equação 7 da ISO 7726);
Anotar a sensação térmica do usuário em
relação ao local, utilizando a escala abaixo (ISO 7730);

- Taxa de metabolismo
Anexo B da ISO 7730 - a atividade
sedentária com poucos deslocamentos - taxa de metabolismo é de 1,2 met ou 70w/m² ou
ainda, 0,86 x 70w/m² = 60kcal/hm².
- Índice de resistência térmica do corpo
Anexo B da ISO 7730 - diferentes peças
de roupa utilizadas pelo trabalhador no momento das medições ð Iclo = 0,57
b) Software Fanger
A alimentação do software comporta os
dados da tabela 1, o Iclo, a taxa de metabolismo e, ainda, as incertezas dos equipamentos:
TBS: ± 0,2 ° ; U.R.: ± 2% ; Var: ±
0,1m/s ; Trm: ± 0,2 ° ;
Iclo: ± 0,05 ; taxa de metabolismo: ±
5W/m².
c) Análise dos resultados do exemplo
PMV:
. O PMV obtido da opinião do usuário: 0
... + 1;
. PMV obtido pelo programa: 0,27 ... 0,58,
o qual está coerente com os dados fornecidos pelo usuário;
. Conforme a ISO 7730, os valores
recomendados estão entre 0,5 < PMV < + 0,5.
PPD:
. O PPD obtido pelo programa: 7,9% a 15%
. PPD recomendado: 5% a 20%.
Neste caso, a sala de estudo apresentou-se
confortável no período das medições.
6.2.3. Trabalho em temperaturas extremas
Segundo Noulin (1992), o trabalho em
ambientes particularmente quentes ou frios trazem riscos à saúde dos trabalhadores.
6.2.3.1. Trabalho em temperaturas
elevadas
Segundo Laville (1977), durante o trabalho
físico no calor, constata-se que a capacidade muscular se reduz, o rendimento decai e a
atividade mental se altera, apresentando perturbação da coordenação sensório-motora.
A freqüência de erros e acidentes tende a aumentar pois o nível de vigilância diminui,
principalmente a partir de 30° C. Abaixo relaciona-se outros problemas ligada à saúde,
quando o indivíduo está trabalhando em locais com temperaturas elevadas:
Internação ou insolação;
Prostração térmica;
Cãibras;
Catarata e conjuntivites;
Dermatites.
- Algumas recomendações para o trabalho
em locais quentes
Isolamento das fontes de calor;
Roupas e óculos adequados no caso de calor
por radiação;
Pausas para repouso;
Reposição hídrica adequada - beber
pequenas quantidades de líquido (0,25 l/vez), freqüentemente.
Ventilação natural. Sempre que as
condições de conforto térmico não forem atendidas pela ventilação natural,
recomenda-se a utilização de ventilação artificial.
6.2.3.2. Trabalho em baixas temperaturas
Os danos à saúde, nestes casos,
apresentam uma relação direta entre o tempo de exposição e as condições de
proteção corporal. Destaca-se, ainda, os cuidados necessários à prevenção dos
denominados choques térmicos, que podem ocorrer quando o organismo é exposto a uma
variação brusca de temperatura. Os efeitos sobre a saúde do trabalhador frente a um
ambiente de trabalho com baixas temperaturas são, entre outros:
enregelamento dos membros devido a má
circulação do sangue;
ulcerações decorrentes da necrose dos
tecidos expostos;
c) redução das habilidades motoras como a
destreza e a força, da capacidade de pensar e julgar;
d) tremores, alucinações e a
inconsciência.
- Algumas recomendações para o trabalho em baixas
temperaturas:
Para os trabalhos externos e prolongados,
recomenda-se uma boa alimentação em calorias e roupas quentes.
6.3. AMBIENTE ACÚSTICO
6.3.1. Definições
O SOM se caracteriza por flutuações de
pressão em um meio compressível.
não são todas as flutuações de pressão
que produzem a sensação de audição quando atingem o ouvido humano;
a sensação de som só ocorrerá quando a amplitude
destas flutuações e a freqüência com que elas se repetem estiverem dentro de
determinadas faixas de valores.;
estas flutuações têm as seguintes
características:
a) Freqüência (f) : é definida
como o n° de repetições das flutuações de pressão ou ciclos/segundo
ou n° de ciclos/segundo (1 ciclo/segundo = 1 Hz).
à 20 - 20000 Hz as ondas sonoras podem ser
audíveis.
b) Amplitude : é o deslocamento
máximo da posição de equilíbrio.
c) Comprimento de onda (l ) : é a
distância entre dois picos sucessivos de ondas com amplitudes similares.
O RUÍDO
Definição subjetiva: som desagradável e
indesejável
Definição operacional: é um estímulo que não
contém informações úteis à tarefa em execução
Exemplo: o bip intencional de uma máquina, ao final
de um ciclo de operação, pode ser considerado útil ao operador (aviso), mas para seu
colega pode ser considerado um ruído, se estiver concentrado em outra tarefa.
6.3.2) Nível de pressão sonora - escala decíbel (dB)
O ouvido humano responde a uma larga faixa de
intensidade acústica, desde o limiar da audição até o limiar da dor. Por exemplo, a
1000 Hz a intensidade acústica que é capaz de causar a sensação de dor é 104
vezes a intensidade acústica que é capaz de causar a sensação de audição (Gerges,
1992).
| Intensidade sonora |
Exemplos |
100.000.000.000.000
10.000.000.000.000
100
1 |
limiar da dor
avião a jato
sala acústica
limiar da audição |
Tabela 3.1: Intensidade de pressão
sonora
Segundo Gerges (1992), é visível a dificuldade de se
expressar números de ordens de grandeza tão diferentes numa mesma escala linear,
portanto optou-se pela escala logarítmica., por dois motivos: comprime a faixa de valores
e o ouvido humano responde melhor a uma forma logarítmica.
A escala logarítmica empregada para descrever níveis de
som é a escala BEL, onde
1 BEL = Log 10 (1 divisão de escala)
â
14 BEL = Log 1014 = 14 log 10 (14 divisão de
escala)
No entanto, O BEL é ainda um valor de
divisão de escala muito grande e emprega-se, então, o decibel (dB) que é um décimo do
BEL.
1 BEL = log10 = 10 dB
14 BEL = 14 log 10 = 140 dB
| intensidade da pressão sonora |
Exemplos dB |
100.000.000.000.000
10.000.000.000.000
1.000.000.000.000
100.000.000.000
M
100.000
10.000
1.000
100
10
1 |
140 limiar da dor 130
. avião a jato
. britadeira pneumática
120
. buzina de carro
. forjaria
110
M
50
. escritório
. sala de estar
à 40
. biblioteca
à 30
quarto de dormir
à 20
. sala acústica
à 10
limiar da audição
à 0 |
Tabela 3.2: Intensidade de
pressão sonora e valores de dB correspondentes.
6.3.3. Cálculo do nível sonoro
equivalente
O potencial de danos à audição de um
dado ruído depende não somente de seu nível, mas também de sua duração. É possível
estabelecer um valor único Leq que é o nível sonoro equivalente durante uma
faixa de tempo especificada.

onde: NPS à nível de pressão sonora
n à número de medições
6.3.4. Normas Reguladoras
Os países industrializados têm suas
próprias normas e recomendações sobre índices e níveis de ruído para vários tipos
de ambientes:
ISO (International Standard Organization) -
R 1996 (1971) e R 1999 (1975).
BS (British Standard) - BS 4141 (1967).
NFS (Association Française de
Normalization) - NFS 31-010 (1974).
ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas) - NBR 10151 e 10152.
IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente) - Resolução Conama 001 e 002 de 17 de agosto de 1990.
As normas francesas consideram como nível
suportável de ruído:
Leq= 85 dB(A) - nível de alerta
Leq= 90 dB(A) - nível de perigo,
considerando que a partir de 80 dB já pode
ocorrer alterações do sistema auditivo.
A portaria Brasileira do Ministério do Trabalho n.
3.214/78 fixa o NPS máximo permitido de 85 dB (A) para 8 horas de jornada de trabalho.
Esta portaria só é válida para ambientes industriais onde existe ruído de máquinas e
processos ruidosos. No caso dos hospitais, igrejas, bibliotecas, salas de aula,
laboratórios, hotéis, etc, o nível de pressão sonora deve ser muito menor que 85dB(A)
(tabela 3.3).
Locais |
dB(A) |
Hospitais |
apartamentos,
enfermarias, berçários
laboratórios, áreas para uso público
serviços |
35-45
40-50
45-55 |
Escolas |
bibliotecas,
salas de desenho
salas de aula, laboratórios
circulação |
35-45
40-50
45-55 |
Hotéis |
Apartamentos
restaurantes, salas de estar
portaria, recepção, circulação |
35-45
40-50
45-55 |
Escritórios |
salas de
reunião
salas de gerência, salas de projetos
salas de computadores |
30-40
35-45
45-65 |
Locais para
esportes |
pavilhões
fechados para espetáculos e atividades esportivas |
45-60 |
Tabela3.3: Valores de dB (A)
recomendados.
A tabela a seguir mostra os níveis
máximos de pressão sonora permitidos pela Portaria Brasileira 3.214 e a duração de
tempo para cada nível.
NPS dB(A) |
Máxima
exposição diária permissível |
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
98
100
102
104
105
106
108
110
112
114
115 |
08 horas
07 horas
06 horas
05 horas
04 horas e 30 minutos
04 horas
03 horas e 30 minutos
03 horas
02 horas e 30 minutos
02 horas e 15 minutos
02 horas
1 horas e 45 minutos
1 horas e 15 minutos
01 horas
45 minutos
35 minutos
30 minutos
25 minutos
20 minutos
15 minutos
10 minutos
08 minutos
07 minutos |
Tabela 3.4: Limites de NPS - Portaria
3214/1978
3.4.1.) Exemplo de avaliação de conforto
acústico - sala de estudo dos alunos do PPGEP
situação: sala de computadores com ar-condicionado ligado
Medida |
Horas |
NPS mínimo
dB(A) |
NPS máximo
- dB(A) |
1 |
9:05 |
68 |
72 |
2 |
9:07 |
70 |
74 |
3 |
9:09 |
69 |
73 |
4 |
9:11 |
68 |
76 |
5 |
9:13 |
70 |
77 |
6 |
9:15 |
65 |
75 |
7 |
9:17 |
69 |
75 |
8 |
9:19 |
63 |
77 |
9 |
9:21 |
68 |
74 |
10 |
9:23 |
68 |
74 |
10
Leqmin = 10 log 1/10 å 10 NPSi/10 =
i =1
10 Log 1/10 [ 10 68/10 + 10 70/10 +
10 69/10+ 10 68/10 + 1070/10+ 10 65/10 + 10
69/10 + 10 63/10 +
10 68/10 + 10 68/10 ] = 68 dB(A)
Leqmin = 68 dB(A)
Leqmax = 75 dB(A)
Resultado: 68 - 75 dB(A)
Recomendado: 35 - 45 dB(A) - ambiente acústico
desconfortável
6.3.5. Dose Diária de Ruído (DDR)
Uma pessoa está exposta aos seguintes NPS
durante 8 horas de trabalho:
4 horas - 85 dB(A)
1 hora - 90 dB(A)
3 horas - 95 dB(A).
Será que este ambiente de trabalho do
ponto de vista acústico é saudável? A exposição a níveis diferentes é considerado
dentro dos limites permitidos pela portaria Brasileira 3.214 se o valor DDR, calculado
pela expressão abaixo, não exceder a unidade, ou seja, DDR = Ci/Ti Þ não for > 1,
onde:
- i = 1,...,m
- Ci é o tempo real de exposição a um
específico NPSi
- Ti é o tempo total colocado pela
portaria para aquele NPSi (tabela 3.4)
Para o exemplo acima, temos:
DDR = 4/8 + ¼ + 3/2 = 2,25 > 1
- situação não recomendável
6.3.6. A Influência do ruído na saúde
e no desempenho do trabalhador
A conseqüência mais evidente do ruído é
a surdez. A surdez pode ter naturezas diferentes:
surdez de condução: causada por
infeção, perfuração do tímpano, acúmulo de cera;
surdez nervosa: redução da sensibilidade das células nervosas. Essa insensibilidade
pode ocorrer, principalmente, nas faixas de maior freqüência, acima de 1000 Hertz e em
função da idade, sobretudo após os 40 anos. Os homens apresentam uma perda auditiva
mais rápida do que as mulheres, principalmente na faixa de 2000 a 4000 Hz;
surdez temporária ou permanente: a
exposição diária a um certo NPS elevado, durante a jornada de trabalho, sempre provoca
algum tipo de surdez temporária, que tende a desaparecer com o descanso diário
(desaparece num intervalo de 24 a 48 horas).
Fatores diversos como freqüência,
intensidade e tempo da duração da exposição podem influir de modo a não haver mais a
recuperação, tendendo a um efeito cumulativo, nestes casos a surdez temporária passa a
ser permanente e irreversível.
Na figura abaixo, mostra-se de forma
esquematizada, os efeitos oriundos do excesso de ruído sobre a saúde do trabalhador e a
comunicação com seus colegas.

Figura 3.1. Efeitos do excesso de ruído
6.3.7. Formas de reduzir o ruído nos
locais de trabalho
Para combater o ruído deve-se agir sobre:
a) a prevenção no planejamento (quando da
concepção da empresa)
- fábrica: colocar os postos de trabalho
(escritórios) onde se desenvolve atividades mentais afastados das fontes de ruído
(máquinas);
- empresa de serviços: postos afastados de
janelas que dão para ruas movimentadas.
b) a fonte
- compra de equipamentos menos ruidosos
(dentro do recomendado);
- manutenção constante (fixação, ajuste
dos parafusos e equilíbrio dos aparelhos rotatório);
- adaptações na tecnologia (troca de
peças retas por helicoidais das engrenagens, silenciadores nos escapamentos de ar
comprimido).
c) a propagação (direta e indireta - via
aérea ou sólida)
- vibrações: pés anti-vibratórios,
pranchas intermediárias, fundações independentes;
- isolamento interno: usar placas de
material absorvente de som no teto e nas paredes (escritórios);
- gabinetes que cobrem hermeticamente a
fonte de ruído.
c) proteção individual do operador (menos
aconselhável)
- solução paliativa;
- deve ser adequado ao trabalhador (são
geralmente pouco confortáveis);
- deve ser de qualidade (não deixar passar
o som);
- dificulta a comunicação entre os
trabalhadores.
6.4. AMBIENTE
VIBRATÓRIO
6.4.1. Definição:
A vibração é qualquer movimento que o
corpo executa em torno de um ponto fixo. Esse movimento pode ser regular, do tipo senoidal
ou irregular, quando não segue nenhum padrão determinado.
A vibração é definida por três
variáveis: a freqüência (Hz), a aceleração máxima sofrida pelo corpo (m/s2) e pela
direção do movimento, que é dada em três eixos (figura 3): x (das costas para frente),
y (da direita para esquerda e z (dos pés à cabeça).
A vibração pode afetar o corpo inteiro ou apenas parte do
corpo, com as mãos e os braços. A vibração do corpo inteiro ocorre quando há uma
vibração dos pés (posição em pé) ou do assento (posição sentada).
O funcionamento de máquinas, veículos e a
manipulação de ferramentas produzem vibrações que são transmitidas ao conjunto do
organismo, mas de forma diferente, conforme as partes do corpo, as quais não são
sensíveis as mesmas freqüências. Cada parte do corpo pode tanto amortecer como ampliar
as vibrações. As ampliações ocorrem quando partes do corpo passam a vibrar na mesma
freqüência e, então, dizemos que entrou em ressonância.
O corpo inteiro é mais sensível na faixa
de 4 a 8 Hz, que corresponde a freqüência de ressonância na direção vertical (eixo
z). Na direção x e y, as ressonâncias ocorrem a freqüências mais baixas, de 1 a 2 Hz.
Os efeitos da vibração direta sobre o corpo humano podem ser extremamente graves,
podendo danificar permanentemente alguns órgãos do corpo humano. As vibrações danosas
ao organismo estão nas freqüências de 1 a 80 Hz, provocando lesões nos ossos, juntas e
tendões.
As freqüências intermediárias, de 30 a
200Hz, provocam doenças cardiovasculares, mesmo com baixas amplitudes e, nas
freqüências altas, acima de 300 Hz, o sintoma é de dores agudas e distúrbios. Alguns
desses sintomas são reversíveis, podendo ser reduzido após um longo período de
descanso.
O primeiro estudo quantitativo no assunto
foi realizado por Goldmann e publicado em 1960. Os efeitos da vibração sobre o corpo
humano podem ser extremamente graves. Alguns exemplos desses efeitos são:
visão turva - O efeito das
vibrações sobre a visão é de grande importância uma vez que o desempenho do
trabalhador diminui, aumentando, assim, o risco de acidentes. As vibrações reduzem a
acuidade visual e torna a visão turva, ocorrendo a partir de 4 Hz.
2- perda de equilíbrio - Os
indivíduos que trabalham com equipamentos vibratórios de operação manual, tais como
martelo pneumático e moto serra, apresentam degeneração gradativa do tecido muscular e
nervoso.
3- falta de concentração;
4- danificação permanente de
determinados órgãos do corpo - Os efeitos aparecem na forma de perda da capacidade
manipuladora e do controle do tato nas mãos, conhecido, popularmente, por dedo branco.
Essas doenças são observadas, principalmente, em trabalhadores de minas e florestais
(moto-serras à 50-200 Hz). Os dedos mortos surgem no máximo após 6 meses de
trabalho com uma ferramenta vibratória.
A ISO 2631 apresenta valores máximos de
vibrações suportáveis para tempos de um minuto a 12 horas de exposição, abrangendo
três critérios de severidade:
limite de conforto, sem maior gravidade
(ex: veículos de transporte coletivo);
limite de fadiga, provocando redução da
eficiência dos trabalhadores (ex: máquinas que vibram);
limite de exposição, correspondente ao
limiar do risco à saúde.
A norma brasileira NR-15, estabelece
níveis máximos de vibração, utilizando os dados especificados pelas recomendações da
ISO 2631.
6.5. AMBIENTE LUMÍNICO (Clique para ver as
Transparências)
Na sociedade moderna as pessoas passam a maior parte do
tempo em ambientes iluminados, parcialmente por aberturas, mas predominantemente iluminado
artificialmente (ex: nas estradas, à noite, estamos totalmente dependentes dos faróis
dos veículos e das luminárias das ruas para nossa segurança). Desta forma, a maior
parte dos ambientes que vemos, seja de trabalho ou não, é iluminado artificialmente.
Boa iluminação aumenta a produtividade,
gera um ambiente mais prazeroso e pode também salvar vidas. Portanto, garantir a
iluminação adequada é uma das principais responsabilidades não só dos projetistas,
mas também de administradores e autoridades.
Conforto visual, segundo Lamberts et al
(1997), é entendido como a existência de um conjunto de condições, num determinado
ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver suas tarefas visuais com o máximo de
acuidade (medida da habilidade do olho humano em discernir detalhes) e precisão visual.
6.5.1 Luz, ou radiação visível -
é a energia em forma de ondas eletromagnéticas capazes de excitar o sistema humano
olho-cérebro, produzindo diretamente uma sensação visual. Ao contrário do som ou
vibração, que são vibrações mecânicas, ondas eletromagnéticas não necessitam do
meio para sua transmissão. Elas passam através de sólidos, líquidos ou gases, mas se
propagam mais eficientemente no vácuo, onde não há nada para absorver a energia.
O espectro eletromagnético cobre uma
grande variedade de energia radiante, classificadas de acordo com a magnitude de suas
freqüências ou comprimento de onda. Numa extremidade do espectro, de grande comprimento
de onda (milhares de metros; baixa freqüência) encontram-se as ondas de rádio, enquanto
que na outra ponta, estão os raios gama e raio X com comprimentos de onda na ordem de 10-12
m (alta freqüência).
Apenas uma pequena parte desta energia
radiante é percebida pelo olho humano; esta faixa chamamos de luz. Esta radiação
visível situa-se no espectro entre 0,38 a 0,78m (10-6 m). O sistema
olho-cérebro não somente percebe a radiação dentro desta faixa mas também é capaz de
descriminar diferentes comprimentos de onda para produzir a sensação de cor.
6.5.2 Principais Grandezas do Ambiente
Lumínico alguns requisitos são necessário para a avaliação do conforto
visual de um ambiente, como:
Iluminação suficiente;
Boa distribuição de iluminância;
Ausência de ofuscamento;
Contrastes adequados (equilíbrio de
luminâncias);
Desta forma, serão apresentados os
principais parâmetros do ambiente lumínico, conforme ilustra o quadro 5.1 a seguir.
Ilustração das grandezas de iluminação |
Principais parâmetros do ambiente luminoso |
Fórmula |
Unidades |
| a) Fluxo Luminoso - é a emissão
luminosa de uma fonte. |
f |
lúmen (lm) |
| b) Intensidade Luminosa - a luz
que se propaga em uma dada direção. |

|
candela (cd) |
| c) Iluminância - a quantidade de
luz recebida por uma superfície |
ou

|
lux (lx) |
| d) Luminância - luz recebidad
pelo olho de uma superfície (refletida). |

|
candela/m2(cd/m2) |
Tabela 5.1: Grandezas do Ambiente
lumínico
onde: d - é a distância entre a fonte e a
superfície
q - é o ângulo formado entre a direção
da luz e a normal da superfícies
w - ângulo sólido, é uma medida do
espaço tridimensional.
A - é área real da superfície.
a) Fluxo Radiante e Fluxo luminoso -
Fluxo radiante é a potência (em watts) da radiação eletromagnética emitida ou
recebida por um corpo. O fluxo radiante pode conter frações visíveis e não visíveis.
Ex: ao ligarmos uma lâmpada não apenas vemos a radiação visível como também sentimos
a radiação térmica (ou infravermelho).
O componente de qualquer fluxo radiante que
gera uma resposta visual é chamado de fluxo luminoso - f . A unidade para o fluxo
luminoso é lúmen (lm).
b) Intensidade Luminosa - a luz que se
propaga numa dada direção, dentro de um ângulo sólido unitário, é chamada
intensidade luminosa (I), e sua unidade é lúmen/esteradiano ou candela (cd). O ângulo
sólido (w ), é uma medida do espaço tridimensional, assim como o radiano é para o
espaço bidimensional.

c) Iluminância - quando a luz
emitida por uma fonte atinge uma superfície, esta superfície será iluminada. Assim,
iluminância (E), é a medida da quantidade de luz incidente numa superfície por unidade
de área. Sua unidade é lúmen/m2 ou lux (lx).

A iluminância numa superfície também
pode ser relacionada com a intensidade da fonte luminosa pela seguinte equação:

onde I é a intensidade luminosa da fonte,
d é a distância entre a fonte e a superfície e q é o ângulo formado entre a direção
da luz e a normal da superfícies
d) Luminância - luminância pode
ser considerada como uma medida de brilho de uma superfície. Quando parte da luz
incidente numa superfície é refletida, o olho humano deve observar esta superfície como
uma fonte de luz. Assim, luminância (L), é definida como a intensidade luminosa por
unidade de área aparente de uma superfície numa dada direção e sua unidade no SI é
candela/ m2 (cd/ m2).

onde A = A. Cos b , A é área real
da superfície, b é o ângulo a normal da superfície e a direção de observação de Ib
é a intensidade luminosa na direção considerada. O olho humano detecta luminância da
faixa de um milionésimo de cd/m2 até um 1.000.000 (Hum milhão) cd/m2,
um limite máximo, a partir do qual a retina é danificada. O ofuscamento, ou impedimento
da visão, ocorre a partir de 25.000 cd/ m2.
e) Contraste é definido como
as diferenças de brilho (luminância) entre os objetos e as superfícies no campo visual.
Alguns autores definem as diferenças de brilho como a razão entre as luminâncias e até
adotam o termo "proporção de contraste" , assim temos:
,
onde: Lo= luminância da superfície
La= luminância do fundo
Com base nos conhecimentos e experiências
na área, algumas recomendações são indicadas com relação a proporção dos
contrastes, conforme ilustra o quadro 5.2 a seguir.
1. As luminâncias de todas as superfícies
e objetos maiores no campo visual devem ser preferencialmente da mesma grandeza.
2. Na parte média do campo visual, os
contrastes das superfícies não devem ultrapassar a relação de
..
3. Entre a metade e aparte periférica do
campo visual ou dentro das partes periféricas os contrastes não devem ultrapassar a
relação de
.
4. No local de trabalho as partes mais
claras devem ficar no centro do campo visual e externamente as superfícies mais escuras.
5. Entre a fonte de luz e o fundo os
contrastes não devem ultrapassar uma relação de
6. A maior diferença permitida entre as
luminâncias em uma sala é de
|
3:1
10:1
20:1
40:1 |
Tabela 5.2: Os níveis permitidos
de contrastes de luminância no campo visual
Fonte: Grandjean (1997)
f) Ofuscamento a ocorrência
de grandes diferenças de contraste entre a área da tarefa e circunvizinha acabam gerando
ofuscamento, inconveniente para os ambientes, principalmente de trabalho. A ocorrência de
grandes diferenças de contraste resultam normalmente de: reflexos, focos de luz e sombras
existentes no campo visual.
g) Acuidade Visual - é a medida da habilidade do
olho em discernir detalhes, definida em termos do ângulo visual contido nos extremos do
menor detalhe perceptível ou contido entre dois objetos que os olhos ainda podem
distinguir. Este ângulo é expresso em minutos e a acuidade por:

sendo:
a = arc tg H/D,
H= altura do menor detalhe
D= distância do olho ao objeto.
Para determinar a quantidade de luz, é
necessário distinguir entre a luz ambiental e a iluminação no local de trabalho.
a) luz ambiental
Uma luz ambiental de 10 a 200 lux é
suficiente para lugares como: corredores, depósitos e outros lugares onde não há
tarefas críticas. O mínimo necessário para visualizar obstáculos é de 10 lux e uma
intensidade maior é necessária para ler avisos e, também, para evitar grandes
contrastes. O olho demora mais tempo para se adaptar, quando há grandes diferenças de
brilhos. Para diminuir esses contrastes, pode-se fazer algumas adaptações, como por
exemplo um túnel deve ser melhor iluminado durante o dia, podendo ficar mais escuro
durante a noite.
b) iluminação em locais de trabalho
A intensidade de luz que incide sobre a
superfície de trabalho deve ser suficiente para garantir uma boa visibilidade. Além
disso, o contraste entre a figura e o fundo também é importante.
(i) tarefas normais - para tarefas
normais, como leitura de livros, montagens de peças e operações com máquinas,
aplicam-se as seguintes recomendações.
uma intensidade de luz de 200lux é
suficiente para tarefas com bom contrastes, sem necessidade de percepção de muitos
detalhes, como na leitura de letras pretas sobre um fundo branco;
é necessário aumentar a intensidade
luminosa à medida que o contraste diminui e se exige a percepção de muitos detalhes;
uma intensidade maior pode ser necessária
para reduzir as diferenças de brilhos no campo visual, como por exemplo, quando há
presença de uma lâmpada ou uma janela no campo visual;
as pessoas idosas e deficientes visuais
requerem mais luz.
(ii) tarefas especiais - quando há
grandes exigências visuais, o nível de iluminação deve ser aumentado, colocando-se um
foco de luz diretamente sobre a tarefa. Isso ocorre, por exemplo, em tarefas de
inspeção, em que pequenos detalhes devem ser detectados, ou quando o contraste é muito
pequeno. Nesses casos, o nível pode chegar até 3000 lux. Entretanto, níveis muito
elevados provocam fadiga visual.
(iii) algumas recomendações para os
ambientes de trabalho
Consegue-se melhorar a iluminação,
providenciando intensidade luminosa suficiente sobre os objetos e evitando as diferenças
excessivas de brilho no campo visual, causadas por focos de luz, janelas e sombras.
Quando a informação for pouco legível,
é mais efetivo melhorar a legibilidade da mesma do que aumentar o nível de iluminação
(os aumentos da intensidade luminosa acima de 200 lux não aumenta significativamente a
eficiência visual).
A legibilidade pode ser melhorada com
aumento dos detalhes (usando fontes maiores ou reduzindo a distância de leitura) ou
aumento do contraste (escurecendo a figura e clareando o fundo).
A iluminação local, sobre a tarefa, deve
ser ligeiramente superior à luz ambiental. A relação entre elas depende das diferenças
de brilho entre a tarefa e o ambiente, e também das preferências pessoais. De qualquer
forma, é conveniente que a luz local seja regulável.
A luz natural pode ser usada para compor a
iluminação ambiental. A luz natural, assim como a visão do exterior, é apreciada por
muitas pessoas. Mas, podem ocorrer nos postos de trabalho junto a janelas, o ofuscamento.
As grandes variações da luz natural, durante o dia, podem ser reguladas com uso de
cortinas ou persianas.
A incidência de luz direta deve ser
evitada, colocando-se anteparos entre a fonte de luz e os olhos. Contudo, algumas
superfícies podem ficar mal iluminadas. Nesse caso, a luz natural pode ser complementada
ou substituída pela luz artificial, convenientemente posicionada.
A luz deve ser posicionada, em relação à
tarefa, de modo a evitar os reflexos e as sombras. Nos trabalhos com monitores, deve-se
tomar especial cuidado para evitar os reflexos sobre a tela. Os reflexos podem ser
evitados com uso de luz difusa no teto. Isso pode ser feito também substituindo as
superfícies lisas e polidas das mesas, paredes e objetos, por superfícies rugosas e
difusoras, que disseminam a luz.
6.6. QUALIDADE DO AR
Em virtude do desenvolvimento industrial e
o conseqüente aumento no uso dos produtos químicos, nenhum tipo de ocupação está
inteiramente livre da exposição de substâncias capazes de produzir efeitos nocivos aos
organismos biológicos.
O National Institute of Ocupacional Safety
and Health (NIOSCH) nos Estados Unidos relacionou em 1974, cerca de 42.000 substâncias
tóxicas. Hoje calcula-se em aproximadamente 600.000 compostos químicos. Por isto, a
importância de estudos que possibilitem a obtenção de informações a respeito da
toxicidade dessas substâncias empregadas em processos industriais (toxicologia
ocupacional).
6.6.1. Definição
Qualidade do ar aceitável é definido como
o ar sem concentrações de contaminantes prejudiciais à saúde e com o qual uma parcela
significativa de pessoas expostas se sintam satisfeitas (Lamberts, 1994).
Os diversos agentes químicos que entram em
contato com o organismo dos trabalhadores, podem apresentar uma ação localizada ou
generalizada (diversos órgãos)
As principais vias de penetração destas
substâncias no organismo são:
Respiratória (inalação) ar
inalado durante a jornada de trabalho.
Digestiva através da higienização
dos locais de refeitórios e individual.
Cutânea limitada a certas
substâncias como: nitrobenzeno, nitroglicerina, fenol
Ocular a visão é facilmente
atingida durante a manipulação de agentes químicos.
Contaminantes Atmosféricos
são gases, vapores e as partículas sólidas ou líquidas suspensas ou dispersas no ar. A
contaminação pode ocorrer por:
- agentes biológicos (microorganismos:
vírus, bactérias e fungos)
- agentes químicos ( gases e vapores,
poeiras, fumos, fumaças neblinas e névoas)
Por sua vez os agentes químicos podem
ocorrer no estado sólido, líquido ou gasoso.
Os sólidos são poeiras nocivas que podem
ser de origem: animal (pelos e couro), vegetal (fibras de algodão e do bagaço de cana),
mineral (sílica livre e cristalina, amianto, berílio e carvão) e sintética (fibras de
plástico).
Os líquidos, são soluções ácidas,
alcalinas ou solventes orgânicos.
Os gasosos são os gases e vapores, sendo
este último a evaporação de substâncias sólidas ou líquidas que estão distribuído
no ar. Ex.: monóxido de carbono, metano e gás carbônico.
O material particulado suspenso no ar
constitui os aerodispersóides ou aerosóis, isto é, dispersão de partículas sólidas
ou líquidas, de tamanho bastante reduzido.
Classificação dos aerosóis, de acordo
com sua formação:
POEIRAS são partículas sólidas
resultantes da desintegração mecânica de substâncias orgânicas ou inorgânicas
(rochas, minérios, metais, carvão, madeira, grãos, pólens, etc), seja pelo manuseio,
operações de esmagamento, de moagem, trituração, detonação e outros.
FUMOS são pequeníssimas
partículas sólidas resultantes da condensação, sublimação ou reação química de
vapores, geralmente, provenientes da volatização de metais em fusão ( fumos de óxidos
de zinco, de chumbo, etc.).
FUMAÇA são partículas resultantes
da combustão incompleta de materiais orgânicos (fumaças industriais).
NÉVOAS são aerosóis constituído
por partículas líquidas (gotículas) resultantes da condensação de vapores, ou
dispersão mecânica de líquidos ( névoa de ácido crômico, de ácido sulfúrico, tinta
pulverizada e agrotóxicos).
O ar de um ambiente, é alterado
principalmente pelos seguintes fatores:
excreção de substâncias aromáticas;
formação de vapor dágua;
liberação de calor;
produção de ácido carbônico e
impurezas do ar, que penetram de fora para
dentro, ou são produzidas pelo processo do trabalho.
A qualidade do ar, considerando alguns
tipos de ambientes de trabalho, pode ser afetada pelos seguintes agentes:
escritórios de modo geral
Poluição entre paredes |
Fontes
- Fotocopiadora
- Ar-condicionado
- Ambientes fechados
- Fumaça de cigarro
- Carpete
- Tinta para caneta
- Vernizes
- Cola de móveis
- Detergentes |
Agentes de
envenenamento
- Bactérias
- Fungos
- Poeira
- Benzina
- Tolueno
- Ozônio
- Formaldeídos |
Riscos para
a saúde: cansaço sonolência - dor de cabeça - alergias de pele e
respiratória - tontura - doenças pulmonares câncer |
Tabela 6.1: Fontes e agentes de
envenenamento presentes nos ambientes fechados
b) minas de carvão
As atividades de mineração, em ambiente
aberto ou semi-fechado, expõe o trabalhador a uma gama de agentes de risco e
insalubridade. Os estudos sobre as condições do meio ambiente de trabalho na
mineração, ganharam impulso quando se constatou alta incidência de silicose (doença
pulmonar) proveniente da inalação de poeiras finas que se desprendem dos processos de
perfuração, britagem, moagem da rocha e transporte.
c) no meio rural
Os trabalhadores que desenvolvem atividades
no meio rural apresentam, muitas vezes, problemas de saúde relacionados à exposição à
poeira originada de agentes variados (defensivos agrícolas, processo de colheita e
manipulação de produtos, manipulação de rações e remédios para animais).
6.7. REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA
ALEXANDRE, C.C.S. Qualidade do ar e a
contribuição do sistema de ar-comdicionado. Revista Abrava, , pp.28-31, dezembro,
1996.
DUTRA, A . R. A. ; FRANCO; E.M et al.
Avaliação do conforto ambiental numa sala de estudo. In: Anais do II Congresso Latino
Americano e VI Seminário Brasileiro de Ergonomia/Abergo, Fpolis, outubro de 1993.
DUL, J. ; WEERDMEESTER, B. Ergonomia
Prática. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 1995.
GERGES, S. N.Y. Ruídos: Fundamentos e
Controle. Florianópolis, UFSC, 1992.
GERGES, S. N.Y. Ruído: efeitos nocivos.
Proteção, pp. 56-67, julho/1997.
GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia:
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, 1998.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F.R. Eficiência
energética na arquitetura. São Paulo: PW, 1997.
LAMBERTS, R.; Conforto Térmico.
Florianópolis, UFSC, 1994 (notas de aula).
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção.
São Paulo: Edgard Blucher Ldta, 1992.
ISO 7730/84. Moderate Thermal Enviroments -
Determination of the PMV and PPD
indices and specification of the conditions for thermal
confort.
ISO 7726/85. Thermal Enviroments - Instruments and
methods for measuring physical
quantities.
LAVILLE, A. Ergonomia.
São Paulo: EPU, 1977.
NOULIN, M. Ergonomie. Paris: Techniplus, 1992.
REVISTA ISTOE/SENHOR. Os prédios
que adoecem. N.1052, p.56-59, 15/11/89.
REVISTA SUPER INTERESSANTE. Coleções o
corpo humano: o ouvido humano. São Paulo: Editora Abril, v.7, n.7, 1998.
SALOMÃO, R.C. Síndrome dos edifícios doentes.
Microbiotécnica Informativo, n.02/98, pp.2-3, abril-junho, 1998.
VERDUSSEN, R. A racionalização humanizada do trabalho.
Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 1978.
WADA, C.C.B.B. Saúde: Determinante Básico
do Desempenho. Revista Alimentação e Nutrição, n. 56, p. 36-38, 1990.

AVALIAÇÃO
DUAS OPÇÕES:
Estudar um artigo do assunto :
. Ambiente Térmico
. Ambiente Acústico
. Ambiente Vibratório
. Ambiente Lumínico
. Ambiente Toxicológico
e levantar os seguintes pontos:
Identificar o setor envolvido;
A metodologia utilizada;
Observar quais são os efeitos do ambiente
de trabalho para a saúde do trabalhador;
Citar as soluções propostas pelo texto para minimizar os
problemas levantados;
OBS:
. os artigos podem ser de anais de
congresso, de revistas científicas e outros..
. o trabalho deverá comportar um
introdução, corpo do trabalho, conclusão e uma referência bibliográfica.
2) Levantar em todos os ambientes de
trabalho, quais são os efeitos sobre a saúde do trabalhador.
Obs: pesquisar na Internet, nos anais de
congresso e no texto da aula.
ESTUDO DIRIGIDO
Estudar um artigo que contemple os assuntos
tratados nos diferentes ambientes físicos de trabalho.
- Levantar os seguintes pontos:
Destacar os pontos críticos apresentados
nas situações de trabalho;
Observar quais são os efeitos do ambiente
físico de trabalho (do artigo em questão) à saúde e ao desempenho do trabalhador;
Citar as soluções propostas pelo texto para minimizar os
problemas levantados;
Dar sua contribuição com base no referencial teórico,
visto em sala de aula, referente ao assunto abordado.
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