No capítulo 2, através de uma revisão
bibliográfica e de levantamento de dados em empresas, havia-se constatado
que:
- As empresas, de maneira geral, efetuam estudos de pré-investimentos,
mas ainda de certa forma sem o claro objetivo se esses estudos o são
para o subsídio à tomada de decisão sobre os investimentos
ou meramente justificadores para organismos de fomento. Mas constatou-se
que há um ambiente econômico dinâmico, que está
exigindo das empresas maior atenção à Estratégia
Empresarial, antes de estudarem seus futuros projetos. Aliás, esta
foi a primeira hipótese formulada e comprovada, especialmente pelos
resultados da pesquisa na amostra de empresas portuguesas. Seria interessante
contribuir com as empresas na definição de um texto que clareasse
os objetivos dos estudos de pré-investimentos, realinhando ferramentas
e metodologias;
- A visão dos bancos de fomento ajudou a criar a distorção
acima apontada , de modo que o Anteprojeto veio a ser confundido como
instrumento justificador para obtenção de recursos financeiros
de fontes oficiais de crédito e, por isto, não cumprindo o
seu verdadeiro papel de instrumento de avaliação e
transformação da intenção empresarial de
mudança em algo concreto para a Engenharia.
- A literatura, e aqui fala-se em livros e manuais, apresenta-se de um
modo geral defasada, sendo que no caso brasileiro essencialmente voltada
a programas governamentais de fomento e não à tomada de
decisão por parte da empresa, e ainda assim com visões de mais
de 20 anos. Essa foi a segunda hipótese formulada, que foi apreciada
e constatada no capítulo 2. No caso de países desenvolvidos,
mesmo que bons artigos tratem de itens de estudos de pré-investimento,
livros que condensem ou unifiquem metodologias estão em falta.
Os capítulos 3 e 4 deste trabalho justamente apresentam modelos
prescritivos respectivamente para a determinação de
estratégias e para a geração dos parâmetros do
empreendimento. Um teste de aplicação dos modelo foi efetivado
em um caso real, resultando na constatação de que houve
lógica, fluidez e flexibilidade.
O modelo evidentemente é genérico e amplo, sendo que
em cada situação (tipo de segmento industrial, porte da
empresa/grupo, porte do empreendimento) deve-se adequar a metodologia.
Como objetivos complementares enumeram-se três outros objetivos
que se procurou cumprir: 1- Apresentação de uma pesquisa
empírica com empresas industriais dos mais variados tipos e portes,
para constatar como são feitos e como estão evoluindo os estudos
que subsidiam as decisões de investimentos com um aprofundamento em
algumas empresas reconhecidas como paradigmas, verificando inclusive a
organização da função Planejamento/Projetos;
2- Revisão da metodologia para a elaboração da Engenharia
Básica, já que esta representa a utilização dos
"outputs" do Anteprojeto, podendo vir a ser um texto de referência
técnica face à atual precária disponibilidade
bibliográfica deste assunto; 3- Apresentar um conteúdo capaz
de servir de base a uma nova bibliografia de referência
técnico/didática para a área de Planejamento/Projetos
industriais, haja vista que os livros atualmente em uso, especialmente no
caso brasileiro, ou foram escritos ou apresentam abordagens de mais de vinte
anos.
Cabe um comentário em relação ao objetivo complementar
1, de que a pesquisa apontou relações entre estudo de mercado
e sucesso do projeto e do binômio orientação
estratégica/planejamento do projeto com o seu insucesso. Importante
também foi a constatação de que 88% das empresas tiveram
a preocupação de elaborar algum estudo prévio, de
caráter formal, o que valida o esforço de se buscar o aprimoramento
do processo de geração de estratégias e de
elaboração de estudos anteprojeto. Nas empresas que se classificou
como paradigmas e onde se buscou um maior aprofundamento, verificou-se em
100% dos casos as preocupações com determinação
de estratégias e análise de projetos, e, embora cada uma tenha
uma percepção própria sobre o que deve ser analisado
em estudos estratégicos, observou-se que há uma clara
noção de estratégia competitiva, entre baixo custo e
diferenciação, fruto da ampla divulgação do modelo
de Porter(149), e fortes convicções sobre
verticalização ou não. Também os métodos
empregados, normalmente não apresentam sofisticação,
prevalecendo metodologias simples, mas lógicas e eficientes.
Crê-se que foi dada uma boa contribuição a essas
empresas, no sentido de classificar estratégias e proporcionar uma
metodologia para determiná-las, e de reestruturar um processo de estudo
de viabilidade.
6.2 - Recomendações para Trabalhos Posteriores na Área
O trabalho desenvolvido, no tocante aos modelos prescritivos, teve
preocupação com conteúdos e metodologias, mas não
abordou o aspecto administrativo. A gestão do processo de
determinação das estratégias e elaboração
do Anteprojeto não foi aqui abordada, mas poderia servir de tema
para novos estudos complementares. Como organizar a equipe de estudos, quer
na própria empresa industrial, quer em empresas de Engenharia
especializadas, pode vir portanto a ser um tema para novos estudos.
Também está na ordem do dia, a utilização
da Engenharia Simultânea como uma das formas de se acelerar processos
de mudanças. Embora seja comum a simultaneidade de ações
após a Engenharia Básica, ou seja, Engenharia de Detalhes,
Compras e Montagem ocorrem simultaneamente, não houve a
incorporação de conceitos como forças-tarefa, nem a
tentativa de colocar-se o Anteprojeto e a Engenharia Básica como
integrantes de um processo de Engenharia Simultânea. A bibliografia,
de uma maneira geral aborda a Engenharia Simultânea aplicada a
desenvolvimento de produtos, restando para futuros estudos, a sua
utilização em grandes mudanças dos meios de
fabricação.
O modelo de determinação de estratégias apresentado
no capítulo 2, volta-se a orientar a empresa em termos de negócios
e possíveis projetos decorrentes, porém não preocupa-se
com reorganizações ou processos administrativos. Decorrente
especialmente da Análise Ambiental interna, pode-se partir paralelamente
aos projetos, à reorganização interna. A
associação mudanças físicas com mudanças
culturais/organizacionais, é um tema que pode sugerir novos estudos
aprofundados.
Por fim, a visão aqui apresentada é privada, ou seja é
destinada para quem irá elaborar estudos para a Direção
da empresa tomar decisões sobre como investir. Possíveis
investidores, externos à gestão da empresa, como bancos
financiadores, órgãos gestores de incentivos governamentais,
empresas de participação ou outros investidores quaisquer podem
ter necessidades outras de informações. Novos estudos
complementares voltados a definir metodologias para elaboração
de relatórios derivados ou mesmo estudos específicos para cada
uma das necessidades acima apontadas, seriam passíveis de tema para
dissertações de mestrado ou mesmo teses de doutorado. Para
Bancos de Desenvolvimento, por exemplo, foi desenvolvida uma
dissertação voltada a definir uma metodologia de análise
de crédito e formatação de relatório para tomada
de decisão, basicamente adaptando os conceitos aqui desenvolvidos
na ótica empresarial, para a ótica do banco financiador 1.
1- GARTNER, Ivan R. Análise de projetos em bancos de desenvolvimento:
proposição de um modelo de análise, Dissertação
de Mestrado, Curso de Pós-Graduação em Engenharia de
Produção, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 1995.