CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES FINAIS

"O primado da produtividade organizacional sobre a produtividade tradicional dos recursos ou das operações se afirma por todas as partes, como uma questão irreversível."

Philippe Zarifian, 1994

     De acordo com os critérios de organização adotados neste trabalho, cada capítulo foi estruturado de modo a incluir, em suas páginas finais, as conclusões emanadas de seu conteúdo. Esta ordem de sistematização permitiu com que cada capítulo apresentasse, de modo particular e específico, as considerações conclusivas pertinentes ao conteúdo investigado. Assim sendo, o presente capítulo apresenta apenas um resumo destas principais considerações, apontando igualmente as recomendações finais decorrentes da execução deste estudo.

     As avaliações e análises produzidas no primeiro e segundo capítulo, apontaram as características e especificidades das evoluções recentes do mundo produtivo, explicitando os enfoques mais importantes registrados na literatura. Observa-se, em primeiro lugar, que o acirramento da concorrência e a internacionalizarão da oferta de produtos, produziram cambiamentos profundos no ambiente, como por exemplo, a extinção das reservas de mercado e a explosão competitiva entre diversos países do planeta.

     Em segundo lugar, constata-se que o processo de internacionalizarão dos mercados impulsionou a geração de economias de escalas em diversos processos produtivos, estimulou o aumento dos investimentos em P&D e desenvolveu a idéia do pronto atendimento ao cliente, mesmo nos casos em que este cliente se decida a operar no estrangeiro. Sob a pressão do marketing, cuja idealizarão é a de satisfazer, da melhor maneira possível, as necessidades de cada segmento da clientela, o sistema de produção e de distribuição deve ser capaz de levar em consideração uma variedade de produtos cada vez maior, mantendo constante os custos de revenda.

     Neste ambiente em plena evolução, as empresas estão sendo obrigadas a imporem novos objetivos aos seus sistemas logísticos, como por exemplo, a diminuição dos tempos de resposta (prazo de entrega aos clientes, tempo de concepção de novos produtos); a redução dos custos de fabricação, através da eliminação dos desperdícios e disfuncionamentos operacionais; a obtenção de excelência na qualidade dos produtos, o aperfeiçoamento dos serviços ao cliente; etc.

     Paralelamente ao desenvolvimento das novas formas de gestão, presencia-se a eclosão das novas tecnologia, que modificam sensivelmente os modos de produção, bem como as regras de funcionamento dos sistemas logísticos. Nesta ordem de consideração, verifica-se o re-aparelhamento tecnológico dos sistemas produtivos, através dos novos softwares, hardwares e humanwares de produção. Essas tecnologias começam com a máquina de comando numérico, passam pela manufatura acompanhada por computador e os robôs, chegando à fábrica flexível, que permite uma automatização completa dos processos de produção.

     A avaliação do desempenho desses novos sistemas produtivos, impôs modificações importantes nos mecanismos de apuração e gestão dos custos, estimulando a definição de novas medidas de produtividade, conforme a análise desenvolvida no terceiro capítulo deste trabalho. Neste sentido, surgiram o sistema de custeio baseado na atividade (ABC), o modelo de custos RWSC e RISC para análise da manufatura avançada, o sistema benchmarking de indicadores de avaliação, além de diversos outros modelos matemáticos de medida e avaliação do desempenho.

     De um modo geral, considera-se bastante expressivo o avanço produzido no campo da avaliação econômica dos modernos sistemas produtivos, uma vez que estas contribuições constituem abordagens básicas para apoiar outros estudos e pesquisas em andamento. Considera-se outrossim, que estas contribuições são ainda de natureza bastante generalista, adequando pouca especificidade no que diz respeito a configuração tecnológica do novo modo de produzir.

     Sabe-se, por exemplo, que a medida de desempenho de um sistema produtivo, deve refletir a natureza do processo de fabricação utilizado, bem como o tipo de tecnologia empregado, de modo que diversas categorias de indústrias e de processos, podem requerer diferentes sistemas de medidas, conforme os interesses e especificidades da análise em questão.

     No limite desta constatação, o estudo em pauta investigou os parâmetros de medida do desempenho de sistemas avançados de produção na indústria de alimentos, caracterizando as especificidades tecnológicas desta indústria, assim como as variáveis de avaliação que lhes são pertinentes. A análise apresentada no quarto capítulo deste trabalho, aponta as particularidades da indústria, as adaptações de AMT's aos sistemas operacionais em uso e a definição dos novos conceitos de produção na indústria alimentar.

     A partir das análises e discussões produzidas nestes quatro primeiros capítulos, associadas às observações empíricas realizadas sobre oito linhas de fabricação da indústria, definiu-se o delineamento de um sistema de avaliação do desempenho para a manufatura avançada da indústria de alimentos, conforme demonstrado na primeira parte do quinto capítulo. O sistema SAPROVIMA, assim denominado no trabalho, corresponde, na verdade, a uma metodologia específica de avaliação, onde o conceito de desempenho é definido como um vetor de atributos.

     O enfoque central do modelo reside na idéia de que a medida de desempenho de um sistema avançado de produção, deve constituir uma unidade vetorial de produtividade, indexada aos parâmetros de valor das tecnologias empregadas pela estrutura produtiva. O modelo considera que estes parâmetros de valor representam os elementos caracterizadores da manufatura, podendo ser agrupados em três classes distintas de avaliação: os critérios de valor da produtividade física do sistema, os critérios de valor da flexibilidade operacional da estrutura produtiva e os critérios de valor da qualidade obtida pelo sistema produtivo.

     A aplicação e teste do sistema SAPROV/MA, mostrados no sexto capítulo, indicaram algumas vantagens e pertinências importantes do modelo proposto, as quais podem ser citadas resumidamente como segue:

     Dessa forma, tanto o objetivo geral da pesquisa, quanto os objetivos específicos OE.1, OE.2, OE.3 e OE.4, foram prontamente alcançados, nas diferentes etapas do estudo realizado. A consecução destes objetivos encontra-se desenvolvida e mostrada no trabalho na seguinte ordem de seqüência:

NATUREZA
DO OBJETIVO
DESCRIÇÃO ORDEM DE
INSERÇÃO NO
TRABALHO
OBJETIVO
GERAL
Estabelecer um sistema de avaliação da produtividade, tendo como unidade de referência os sistemas avançados de produção, a fim de permitir uma gestão adequada da manufatura avançada na indústria de alimentos. Capítulo VI, seção 6.3.4
OBJETIVO
ESPECIFICO OE.1
Definir uma tipologia dos sistemas de produção na indústria agro-alimentar, com base nas características de suas configurações organizacionais e tecnológicas. Capítulos IV e VI, seções 4.4.1, 4.4.2 e 6.2.2
OBJETIVO
ESPECIFICO
OE.2
Identificar as principais medidas de desempenho utilizadas pela indústria de alimentos, verificando a correlação existente entre esses indicadores e as técnicas de manufatura utilizadas. Capítulo VI, seção 6.2.3
OBJETIVO
ESPECIFICO OE.3
Estabelecer uma rede de indicadores parciais de desempenho, logicamente combinados com os paradigmas dos novos métodos de produção, de modo a permitir a elaboração e teste de um sistema de avaliação do desempenho global, em um ambiente de manufatura avançada. Capítulo VI, seção 6.3.4
OBJETIVO
ESPECIFICO
OE.4
Determinar os parâmetros de mensuração do desempenho global de um sistema produtivo, de modo que estes parâmetros sejam funções das AMT's incorporadas pelo sistema. Capítulo VI, seção 6.3.4

     A experiência de realização deste trabalho suscita algumas recomendações importantes, sobretudo no que diz respeito às futuras pesquisas sobre o assunto. Conforme citado anteriormente, o sistema SAPROVIMA constitui um modelo específico de avaliação do desempenho, cujas variáveis estão essencialmente voltadas para os sistemas de fabricação modernos da indústria de alimentos. Neste sentido, o uso do presente modelo para a avaliação de outros tipos de manufatura, demandará necessariamente algumas modificações na estrutura de suas variáveis e de seus parâmetros de medida.

     A aplicação do modelo proposto em outros setores da indústria, como o têxtil, o metal-mecânico, o de confecções, etc., deverá constituir objeto de novos estudos e pesquisas, a fim de verificar o estado da arte sobre esse tipo de conhecimento nestes setores, assim como para testar e validar os princípios e conceitos fundamentais que compõem o modelo SAPROVIMA.

     No contexto destas recomendações, pode-se apresentar uma metodologia de implantação do modelo, levando em consideração alguns critérios básicos e comuns aos diversos tipos de organizações da indústria. Esses procedimentos metodológicos constituem operações gerais de implementação operacional do modelo e podem ser sintetizados da seguinte forma:

METODOLOGIA DE IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA SAPROVIMA

PROCEDIMENTOS INSTRUÇÃO NORMATIVA
1 - Formação da equipe de avaliação. Os avaliadores devem estar sintonizados com os princípios, as metas e os valores da organização. O formato da equipe deve incluir o gerente de produção e de engenharia e um representante da alta administração da empresa.
2 - Definição da base de dados. O processo de auditoria e avaliação proposto no modelo SAPROVIMA, pressupõe a definição de um sistema de dados confiável acerca do sub-sistema de manufatura da organização. A qualidade dessa informação constitui um parâmetro importante do processo avaliativo, garantindo a validade e segurança dos indicadores construídos.
3 - Análise qualitativa consistente dos indicadores de avaliação A análise dos indicadores propostos deve privilegiar critérios de referência previamente estabelecidos, de modo a sistematizar o cenário de avaliação desejado pela empresa. Alguns desses critérios estão referenciados nos próprios princípios que norteiam o modelo, podendo ser apresentados como segue:
- Os índices globais (IPVMA e IDVMA) funcionam como balizadores dos resultados técnico e econômico da manufatura, de tal forma que as ações de intervenção gerencial devem ser desenhadas em função dos resultados demonstrados pelos indicadores parciais.

- Os indicadores e variáveis trabalhados no processo de avaliação devem assumir uma natureza dinâmica, de modo que suas tipologias possam ser alteradas e/ou modificadas.
- Em determinadas situações, a equipe de avaliação poderá proceder uma eliminação de possíveis redundâncias entre os indicadores, calculando as correlações existentes entre eles. Este procedimento poderá enxugar melhor o modelo, ajustando-o às especificidades da organização. - O terceiro procedimento operacional do modelo, que trata do processo de auditoria dos parâmetros de valor da manufatura, poderá ser efetuado através da utilização de benchmark ideal ou setorial por indicadores.

     Outra recomendação importante está relacionada com a pesquisa acerca dos sistemas de custos para análise da manufatura avançada. No entendimento geral deste trabalho, trata-se ainda de uma questão a ser investigada com bastante cuidado, haja visto sua importância para os estudos sobre a avaliação econômica dos novos métodos de produção.



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