5.1.1 O Trabalho Humano
O trabalho humano é tão antigo quanto o homem. Desde
os primórdios a humanidade já trabalhava para assegurar
sua sobrevivência. O homem sempre procurou satisfazer suas
necessidades vitais e melhorar seu nível de vida.
Segundo FULLMANN [1975], os elementos primários dessas
necessidades: alimentação, vestuário, habitação,
foram satisfeitos pelo homem primitivo através de conquistas,
ou seja, colheita, caça e caverna. Sua evolução,
porém, continua o autor, não lhe permitia, manter-se
apenas do que encontrava e foi com o trabalho, trocando a simples
colheita pelo cultivo, a caça pela criação
e construindo sua própria casa que o homem progrediu. Seus
métodos de trabalho também evoluíram, inicialmente
com empirismo, descobertas ao acaso, bom senso, e posteriormente
com reflexão, estudo, organização.
O sentido do trabalho, como uma forma de atividade humana, variou
significativamente no decorrer dos tempos. O valor atribuído
pelo homem, ao trabalho, varia conforme as civilizações,
as culturas e as referências de cada sociedade.
O significado do trabalho, será diferente para cada indivíduo,
e será função da natureza, do conteúdo,
dos modos de organização das condições
de realização e da posição social
que ele lhe confere.
Sendo assim, percebe-se que a relação homem-trabalho
é, até hoje, um tanto complexa e até contraditória.
Muitas vezes o trabalho é encarado como um estorvo para
a vida das pessoas, outras vezes, é motivo de orgulho.
No entanto, são inúmeros os autores de nosso século
que se encorajam a apresentar uma definição para
o trabalho, ou para o significado do trabalho para o homem.
De acordo com NEFF [1968], "o trabalho... é uma atividade
instrumental executada por seres humanos, cujo objetivo é
preservar e manter a vida, e que é dirigida para uma alteração
planejada de certas características do meio-ambiente".
FAVERGE [1972] afirma que "Trabalhar é colocar em
ação formas de pensamento, é utilizar algoritmos
ou heurísticas, é empregar técnicas e estratégias,
é tomar decisões,...".
O´TOOLE [1973], diz que "o trabalho é uma atividade
que produz algo de valor para outras pessoas".
Segundo SEEMAN [1974], "a experiência da vida cotidiana
diz-nos que o trabalho que realizamos é de primordial importância:
toma-nos metade de nossa vida, gera dificuldade ou triunfos diários,
define os nossos interesses políticos e as identidades
pessoais".
DAVIES [1977], diz que "uma das mais simples definições
de trabalho talvez seja a de que ele constitui o meio pelo qual
são produzidos os bens e serviços que a sociedade
deseja". Segundo o autor, o trabalho também serve
a várias funções de interesse para o indivíduo,
contribuindo em especial para o amor-próprio, pois, através
do trabalho, um indivíduo pode adquirir domínio
sobre si mesmo e sobre seu meio e, ao dedicar-se a atividade que
produz bens e serviços apreciados por outros, o indivíduo
pode cotejar a avaliação que faz de si mesmo com
a avaliação dos outros a seu respeito, e obter assim
um sentimento de valor pessoal.
Para FLEURY [1983], o objetivo do trabalho é "a máxima
realização como ser humano".
O trabalho pode, então ser definido não apenas em
termos de sua função na sociedade, mas também
em termos de seu significado para cada trabalhador. Cada trabalhador
tem uma percepção sobre qual é o significado
do trabalho para ele, como também sobre a qualidade de
vida que a organização onde ele exerce suas funções
vem proporcionando a ele.
5.1.2 Produtividade
Segundo ALBRECHT [1992], de 1975 a 1982 falava-se muito de produtividade.
Artigos em revistas de negócios e finanças discutiam
a crise da produtividade americana. Segundo o autor, muitas tentativas
têm sido realizadas para aumentar a produtividade.
Nos primeiros tempos, a principal maneira adotada foi a simplificação
do trabalho. Depois, continua o autor, veio a automação
e a tentativa de substituir a mão-de-obra por capital sofisticado.
Finalmente, chegou-se à fase das campanhas de aumento de
produtividade, onde surgem ofertas de troca de dinheiro por desempenho,
através dos planos de participação nos ganhos.
Apesar de muitas tentativas neste sentido, o problema da produtividade
persiste até os dias de hoje.
Alguns autores identificam o problema da produtividade até
mesmo no momento de se conceituar o que vem a ser produtividade.
Para DAVIS [1992], a produtividade é uma proposição
que compara as unidades produzidas com as unidades de entrada.
A produtividade, segundo ele, aumenta quando mais unidades de
saída podem ser produzidas com a mesma quantidade de unidades
fornecidas, ou se menor quantidade de material fornecido pode
ser usado para produzir a mesma quantidade de produtos.
Segundo FLEURY [1983], ao se tentar descobrir qual o significado exato do termo produtividade, pode-se deparar com uma grande variedade de interpretações. Para um engenheiro de produção de tradição taylorista, produtividade é simplesmente a quantidade produzida por unidade de tempo. Para um economista neoclássico, é a relação entre a quantidade de produção e a quantidade de um dos fatores de produção utilizados. Para um administrador de empresas, produtividade é a relação entre o lucro bruto e o investimento total. Contudo, conclui o autor, essa diversidade de conceitos não indica que um esteja certo e os outros errados. Essa diversidade significa que "produtividade só se define em relação a um objetivo".
FLEURY [1983] conceitua produtividade como sendo "o grau
em que um sistema atinge um objetivo de produção".
E continua, "para o caso do sistema produtivo, a quantidade
de produto e de recurso são os parâmetros quantificáveis
mais importantes. O objetivo pode, na maioria das vezes, ser definido
como maximizar a quantidade de produto para determinada quantidade
de recursos escassos disponíveis, sob determinadas restrições.
Por isso, a relação produto/recurso é o indicador
de produtividade mais comum".
Para definir produtividade em termos dos objetivos do trabalho,
que deve ser "a combinação da posse de recursos
materiais que permitam a máxima realização
das potencialidades humanas de produzir, consumir e divertir-se
com a posse de uma cultura científica e humanista que lhe
permita fruir da melhor maneira possível esses recursos",
ainda segundo aquele autor, deve-se considerar o valor do produto
e sua efetiva distribuição e a capacidade de trabalho
efetivamente empregada na sua consecução.
FLEURY complementa que a capacidade de trabalho empregada deve
incluir os homens-hora empregados na transformação
final e também o que se gastou na obtenção
das matérias-primas, com a parcela dos equipamentos e
instalações
depreciada ao longo da produção e com os serviços
auxiliares que se fizeram necessários.
O autor finaliza afirmando que "boas condições
de trabalho implicam maior eficiência para o trabalhador
e podem até implicar maior produtividade, quando consideramos
o desperdício de capacidade de trabalho implícito
em condições que geram acidentes e doenças
profissionais".
ALBRECHT [1992] reforça a idéia de FLEURY afirmando
que "muitos dos erros cometidos por administradores em nome
da produtividade têm ocorrido devido à suposição
inconsciente, de que as pessoas não têm direito a
um envolvimento psicológico no sucesso da empresa. São
apenas peças de um aparelho, e não participantes
de uma experiência humana."
DENTON [1990], ao discorrer sobre produtividade, afirma que a
produtividade e a qualidade são igualmente cruciais, que
"a produtividade e a qualidade são dois fatores da
mesma equação".
Assim sendo, como a qualidade influi na produtividade, não
se pode deixar de enfocar esta ao se analisar aquela. E, por outro
lado, como o comportamento do homem no trabalho também
influi na produtividade, surge a necessidade de se realizar estudo
sobre a adaptação do trabalho ao homem que o realiza,
ou seja, a ergonomia.
5.1.3 Ergonomia
5.1.3.1 Um Breve Histórico
Desde há muito tempo o trabalho vem sendo motivo de estudo
e de preocupação. Segundo FULLMANN [1975], a
simplificação
e principalmente a preparação do trabalho tiveram,
provavelmente na antigüidade, aplicações importantes
sem as quais as grandiosas realizações dos Egípcios,
Persas, Gregos e Romanos não seriam possíveis. Segundo
o autor, tem-se conhecimento de certos baixos-relevos que mostram
as minúcias com que foram preparadas as edificações
das grandes pirâmides.
Uma das primeiras idéias gerais sobre o estudo do trabalho,
segundo o autor, são devidas a Xenofonte, general e filósofo
ateniense, que preconizou, por volta de 427 a 355 A.C., a fabricação
de coturnos - os "borzeguins" da armada grega - a divisão
do trabalho de maneira que cada operário efetuasse uma
só operação e sempre a mesma.
O desenvolvimento do estudo do trabalho continuou no final da
Idade Média, por volta de 1452-1519. Leonardo da Vinci
foi o responsável pela eclosão de novas idéias.
Em suas anotações, ainda segundo aquele autor, encontram-se,
além de suas numerosas invenções, suas idéias
de organização racional de trabalho, onde preconiza
a decomposição de gestos profissionais, a medida
do tempo e a utilização de quadros visuais de ordenação
e de lançamento, que seriam os atuais quadros de planejamento.
Segundo LAVILLE [1976], Da Vinci estudou os movimentos dos segmentos
corporais, dando origem à disciplina biomecânica.
Mais tarde, Lavoisier descobriu os primeiros elementos da fisiologia
respiratória e calorimétrica e foram feitas as primeiras
tentativas de evolução nas pesquisas sobre o custo
de trabalho muscular. Coulomb, ainda segundo LAVILLE, introduziu
noções sobre dificuldades de esforços no
trabalho, realizando estudos sobre o ritmo de trabalho de numerosas
tarefas, procurando determinar uma carga ótima, que levasse
em conta as diferentes condições de execução
do trabalho.
No século XVII, Romazzini, considerado o criador da medicina
do trabalho, se interessou pelas consequências do trabalho.
Segundo o mesmo autor, esse médico descreveu os primeiros
males profissionais em uma série de monografias (perturbações
oculares de pessoas que fabricavam pequenos objetos, más
posturas ao carregar cargas, surdez dos caldeireiros de Veneza).
No período 1623-1662, Blaise Pascal, retomou algumas das
idéias de Leonardo da Vinci, sem talvez conhecê-las,
quando da realização de seu famoso aritmômetro,
a primeira máquina de calcular.
De acordo com FULLMAN [1975], o progresso na área foi constante
e muito rápido. Um regulamento de 1668 fixava insuficientes
salários para trabalhos de aterro da cidade de Estraburgo;
Sébastian le Prestre, em 1633-1707, determinou a tarefa
diária que pode ser humanamente exigida dos trabalhadores
em aterro e com carrinhos de mão, servindo-se dos levantamentos
realizados para instituir um salário incentivo mais eqüitativo,
sendo talvez a primeira vez que surge a idéia de remuneração
humana do trabalho.
Segundo LAVILLE [1976], pode-se citar os estudos de Vauban, no
século XVII e Belidor, no século XVIII, que tentaram
medir a capacidade de trabalho físico cotidiano nos próprios
locais de trabalho. Estes pesquisadores sugeriram que uma carga
muito elevada de trabalho leva a uma predisposição
a doenças e preconizaram que uma melhor organização
das tarefas melhora o rendimento. Ainda, engenheiros como Vancanson
e Jacquard, criaram os primeiros dispositivos automáticos
que suprimiam alguns postos de trabalho particularmente incômodos.
De acordo com FULLMAN [1975], Belidor, mostrou em 1750, em seu
trabalho "Arquitetura Hidráulica", um modelo
de análise em tempos elementares relativos ao reforço
pilotis. Igualmente, De La Hire, Euler e Coulomb, efetuaram trabalhos
notáveis sobre a relação entre a força
e o peso do homem, sobre a quantidade de trabalho que ele pode
fornecer cada dia sem esgotamento e sobre a influência da
carga e do ritmo em sua eficiência.
No século XVIII, segundo LAVILLE [1977], o médico
Tissot se interessou pelos problemas de aclimatação
dos locais de trabalho, pela organização da medicina
do trabalho, propondo serviços especiais nos hospitais,
para tratamento das doenças dos artesãos.
Ainda segundo aquele autor, o médico Patissier desenvolveu
os temas de Romazzini e Tissot, preconizando a reunião
de dados estatísticos sobre a mortalidade por acidentes
e doenças na população trabalhadora. O médico
Villermé, na mesma época realizou estudos estatísticos
de numerosas usinas de todas as regiões da França,
apresentando um estudo sobre o estado físico e moral dos
trabalhadores. O estudo deste médico deu origem às
primeiras medidas legais de limitação da jornada
de trabalho e da idade dos trabalhadores.
A abordagem sistemática dos estudos dos métodos
de trabalho, conforme FULLMAN [1975], teve em 1760 um registro
importante quando o francês M. Perronet estudou a fabricação
de alfinetes. O inglês Charles Babbage, por volta de 1830,
fez determinações de tempos de forma semelhante,
também para a indústria de alfinetes. Contudo não
foram além da cronometragem da seqüência das
operações.
Ainda conforme o autor, no início do século XIX
sábios e engenheiros se reuniram para o estudo do trabalho,
enquanto que a indústria apresentava um desenvolvimento
suficiente para receber as aplicações resultantes
daquela reunião. O homem que realizou esta aplicação
talvez não tivesse conhecimento dos trabalhos já
desenvolvidos nos séculos anteriores. Deve ser devido a
este fato que foi atribuído a Frederick Winslow Taylor
a paternidade do que se chamaria a Organização Científica
do trabalho.
Enquanto Taylor estava ligado principalmente ao estudo de tempo,
um de seus discípulos, Frank G. Gilbreth, no período
1868-1924, auxiliado por sua esposa Lilian M. Gilbreth, aperfeiçoava
seus trabalhos juntando-lhes o estudo de movimentos, onde o objetivo
era de reduzir a fadiga provocada pela execução
de um trabalho.
Na mesma época, um engenheiro francês, instalado
nos Estados Unidos, Charles Bedaux, aplicava as noções
de tempo de repouso compensador.
Ainda no século XIX, segundo LAVILLE [1976], Chaveaus definiu
as primeiras leis do dispêndio energético do trabalho
muscular. Marey desenvolveu as técnicas de medidas (cápsulas
menométricas, que constituem os primeiros cardiógrafos
e pneumógrafos) e as técnicas de registro (fuzil
fotográfico).
De acordo com o mesmo autor, Juler Amar, no começo deste século, apresentou as bases da ergonomia do trabalho físico e estudou os diferentes tipos de contração muscular (dinâmica e estática), se interessando pelos problemas da fadiga no envelhecimento. Seu livro, O Motor Humano, que surgiu em 1914, foi a primeira obra de ergonomia descrevendo os métodos de avaliação e as técnicas experimentais, apresentando as bases fisiológicas do trabalho muscular e relacionando-as com as atividades profissionais.
Na primeira metade do século XX, continua o autor, o progresso
dos conhecimentos em psicologia e fisiologia foi considerável.
No entanto, as pesquisas relativas à questão do
trabalho eram ainda pouco numerosas.
Nesta época, Lahy, na França, efetuou pesquisas
sobre as condições de trabalho de algumas profissões.
Durante a segunda guerra mundial, segundo NOULIN [1992], um movimento
se desenvolveu - a engenharia humana - que visava a integração
na concepção das ferramentas, máquinas e
dispositivos técnicos e os conhecimentos se voltaram para
a fisiologia e psicologia experimental. Começou-se a se
falar da adaptação da máquina ao homem.
Após a guerra de 1914-1918, o desenvolvimento do Estudo
do trabalho prosseguiu em ritmo acelerado, coroando-se em 1932
pela obra de Allan H. Monensen "Common Sense Applied to Motion
an Time Study".
H. B. Maynard, experiente engenheiro industrial contemporâneo
de Mogensen, fundia as técnicas pioneiras em estudo do
trabalho, coordenando de forma sistemática as melhorias
de métodos, criando assim a engenharia de métodos.
De acordo com NOULIN [1992], a primeira associação
de fisiologistas, psicólogos e engenheiros, enfocando suas
pesquisas no sentido de adaptar as máquinas ao homem, L´Ergonomic
Research Society, foi criada na Inglaterra em 1949, data que marca
o nascimento da ergonomia.
Nesta ocasião o inglês K. F. Murell retomou o termo
"ergonomia", que etmologicamente, significa "Ciência
do Trabalho", que já havia sido utilizado por um polonês,
Jastrzebowski, em 1857, que intitulou um de seus trabalhos como
"Esboço de Ergonomia ou Ciência do Trabalho".
A International Ergonomics Association (I. E. A.) foi fundada em 1961 e a Sociedade de Ergonomia da França (S. E. L. F.), em 1963. Esta última tinha como objetivo promover as pesquisas no campo das ciências fisiológicas e psicológicas, aplicadas ao trabalho humano, com a perspectiva de uma melhor adaptação dos métodos, dos movimentos e dos centros de trabalho. A principal regra da associação era organizar uma cooperação estreita entre os franceses atuantes na pesquisa deste tema e entre outras pessoas interessadas pelo tema.
Após seu nascimento oficial, conforme complementa LAVILLE
[1976], a ergonomia estendeu suas bases científicas através
da Biometria, Biomecânica, Bioquímica e Sociologia,
entre outras.
A abordagem ergonômica do trabalho, segundo o mesmo autor,
é mantida na Europa Ocidental, mas é na Inglaterra
que se deve a origem e o emprego do termo e também o conteúdo
da ergonomia como disciplina autônoma. Na França
ela iniciou seu desenvolvimento nos setores de pesquisa e ensino
público (Conservatório Nacional de Artes e Trabalho,
Centro Nacional de Pesquisa Científica, Escola Prática
de Autos Estudos), progressivamente atingindo os setores industriais
(Régie Renault, Charbonnages de France), começando
a penetrar no setor privado.
Na Inglaterra, na Bélgica, na Suíça, na Holanda
e nos países nórdicos, a ergonomia é considerada
no ensino e na pesquisa apenas no setor público, mas os
centros de ergonomia são numerosos. O aspecto da higiene
industrial é um elemento importante em todos este países
e tem servido de tema para pesquisas. Nos Estados Unidos a ergonomia
tem se desenvolvido no campo da tecnologia do homem no trabalho.
Na Europa Socialista Antiga, a ergonomia vem sendo aplicada com
um certo atraso, mas seu desenvolvimento rápido faz com
que ela tenha um papel importante nos ambientes de pesquisa.
Ainda segundo o autor, a ergonomia está definitivamente
ligada aos progressos do conhecimento científico e na evolução
da questão do trabalho, através do desenvolvimento
da engenharia humana.
Para NOULIN [1992], a evolução da ergonomia é
marcada por duas correntes coexistentes em nossos dias.
A primeira pode ser considerada um prolongamento da ergonomia
em sua origem, ou seja pode ser vista como uma ergonomia tecnológica,
atualmente predominante nos países anglosaxônicos
e no Japão. Seu objetivo, segundo o autor, é uma
aplicação das ciências relativas ao homem
na concepção dos dispositivos técnicos do
trabalho, no propósito de uma melhoria das condições
de trabalho.
A segunda corrente, completa o autor, apareceu na França
e na Bélgica, nos anos 50-60. A. Ombredame e J. M. Faverge
investiram na ergonomia de laboratório, preconizando a
análise do trabalho no chão da fábrica. Juntamente
com eles e após eles, outros se tornaram notáveis
como P. Cazamian, J. Lepat e A. Wisner, pela sua atuação
em milhares de indústrias e pelos seus ensinamentos, dando
origem à corrente francesa de ergonomia.
No Brasil, segundo MORAES [1989], a ergonomia surgiu por volta
dos anos 60, quando Sérgio Penna Kehl, no curso de Engenharia
de Produção da Politécnica da USP, faz uma
abordagem sobre o tema , na disciplina que leciona.
Em 1966, o professor Karl Heinz Bergmiller inicia o ensino de
ergonomia, para o desenvolvimento de projetos de produtos, na
Escola Superior de Desenho Industrial, segundo o modelo de Tomás
Maldonado.
Ainda segundo o autor, os professores Rozestraten e Stephaneck,
em 1967, se instalam na USP de Ribeirão Preto e implantam
uma linha de psicologia ergonômica com ênfase na
percepção
visual e com aplicação no estudo do trânsito.
No ano de 1968, Itiro Iida passa a lecionar na pós-graduação
de Engenharia de Produção na COPPE/UFRJ, fazendo
do curso um centro de conhecimentos de ergonomia.
Em 1969, com a implantação do mestrado em engenharia
industrial na Universidade Federal de Santa Catarina (atual engenharia
de produção), é introduzida a disciplina
de engenharia humana, dentro de uma visão da "Human
Engineering" americana, baseada na obra de CHAPANIS [1965].
Em 1970, o professor Franco Lo Presti Seminério propicia
a vinda do professor Alain Wisner ao Brasil, que possibilitou
um grande incentivo para a ergonomia brasileira e orientou muitos
trabalhos da Fundação Getúlio Vargas.
Em 1974 foi realizado, no Rio de Janeiro, promovido pela Associação
Brasileira de Psicologia Aplicada - ABPA, e Fundação
Getúlio Vargas, o primeiro Seminário Brasileiro
de Ergonomia, que foi um marco na história da ergonomia
brasileira.
De acordo com o autor, em 1975, foi implantado o primeiro curso
de Especialização em Ergonomia no Brasil, na Fundação
Getúlio Vargas.
Em 1976 ocorreu a fundação do Grupo Associado de
Pesquisa e Planejamento - GAPP, pelo professor Sérgio Kehl,
que passa a oferecer a ergonomia em sua consultoria, divulgando-a
por diversas empresas.
Em 1977, com a mudança da denominação do
curso de engenharia industrial para engenharia de produção,
na universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, a disciplina
engenharia humana passou a denominar-se ergonomia.
A ergonomia transforma-se em disciplina obrigatória, através
da aprovação do currículo mínimo,
em 1979, para a especialização em Projeto de Produto
e em Programação Visual, na Escola Superior de Desenho
Industrial do Rio de Janeiro. Em 1987, o Conselho Federal de Educação
aprova o novo currículo mínimo.
Ainda em 1979, a disciplina ergonomia foi introduzida no curso
de graduação em engenharia de produção
da UFSC, recém criado.
Em agosto de 1983 é fundada a ABERGO - Associação
Brasileira de Ergonomia e, em 1984 é realizado o Segundo
Seminário Brasileiro de Ergonomia, no Rio de Janeiro, promovido
pela ABERGO e pela Fundação Getúlio Vargas.
Em 1985 foi implantado o setor de ergonomia da FUNDACENTRO, que
desenvolve trabalhos na área de Ergonomia Cognitiva, entre
outras.
A professora Diva Maria P. Ferreira inaugurou, em 1987, o Laboratório
de Ergonomia do INT/RJ, que vem desenvolvendo pesquisas na área
de antropometria.
Em 1987 foram realizados o Terceiro Seminário Brasileiro
de Ergonomia e o Primeiro Congresso Latino-Americano de Ergonomia,
em São Paulo, promovido pela ABERGO/FUNDACENTRO.
Em 1989 realizou-se, no Rio de Janeiro, o Quarto Seminário
Brasileiro de Ergonomia, promovido pela ABERGO/FGV.
Em 1993 é criado na UFSC o primeiro mestrado em ergonomia
do Brasil.
Outros seminários de ergonomia vem sendo realizados no
Brasil, e o nosso país recebeu várias vezes a visita
do professor Wisner para oferecer orientação e incentivo.
5.1.3.2 Definindo Ergonomia
A definição de ergonomia adotada pelo Conselho da
Sociedade de Ergonomia da França, no XXIV Congresso realizado
em Paris, em 1988 enfoca o seguinte:
Pelos seus métodos e etapas, a ergonomia permite uma
nova percepção do funcionamento de uma empresa,
a partir da compreensão do trabalho do homem. Esta compreensão
é necessária para conceber as situações
nas quais o operador tem domínio: - para seu equilíbrio
físico, mental e psíquico e para uma melhoria do
sistema.
Para WISNER [1987], a ergonomia é "um conjunto de
conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários
para conceber os instrumentos, as máquinas e dispositivos
de tal forma que possam ser utilizados com o máximo de
conforto, de segurança e de eficiência, pelo trabalhador".
Segundo LAVILLE [1976], "a ergonomia pode ser considerada
como um conjunto de conhecimentos interdisciplinares".
A ergonomia, de acordo com LAVILLE, pode ter diferentes perspectivas.
Ela pode ser uma ergonomia de correção, cujo objetivo
é melhorar as situações de trabalho existentes;
uma ergonomia de concepção, que tende a utilizar
os conhecimentos adquiridos sobre o homem no projeto dos postos,
das ferramentas, das máquinas e do sistema de produção.
A ergonomia pode também se preocupar com os meios de produção,
ou seja, com os componentes do trabalho; ou com o produto, se
preocupando em conceber o projeto a ser fabricado, tendo em vista
os dados ergonômicos correspondentes à população
de usuários. A ergonomia pode, conclui o autor, ser uma
ergonomia de proteção ao homem no trabalho, objetivando
evitar a fadiga, a velhice prematura e os acidentes; como também
uma ergonomia de desenvolvimento, objetivando a concepção
das tarefas de maneira a desenvolver a capacidade e a competência
dos operadores.
A ergonomia atualmente, considera o homem que trabalha não
como um executor, mas um operador. Ele é um operador que
adapta seu comportamento às variações tanto
de seu estado interno (fadiga...) quanto dos elementos da situação
(relações de trabalho, variação da
produção, disfunções,...), ele decide
melhores modos de proceder de modo que atenda seus objetivos.
Assim, sua atividade real difere sempre da tarefa prescrita pela
organização do trabalho. Ele não responde
a estímulos, mas expressa um saber e uma vivência
profissional enraizados numa história individual e coletiva,
inscrita num contexto sócio-econômico pré-determinado.
5.1.4 Ergonomia e Qualidade: Uma Convergência
Necessária
As organizações estão se voltando cada vez
mais para estes dois aspectos - ergonomia e qualidade, pois entendem
que, para uma empresa sobreviver, ela necessita oferecer uma qualidade
superior de vida para seus trabalhadores, em seus ambientes de
trabalho. Somente assim poderão oferecer qualidade a seus
clientes.
Pode-se identificar diferentes maneiras de conceituar a qualidade
de vida no trabalho.
Segundo ALBRECHT [1992], é cada vez maior o número
de organizações usando o conceito de qualidade de
vida no trabalho como idéia individual e unificadora para
a compreensão e administração de seu ambiente
interno.
A qualidade de vida no trabalho, segundo o autor, "é
o somatório das experiências individuais do funcionário
com a empresa, tal como ele as encara". Para ele, se uma
pessoa for bem remunerada, tiver uma função agradável,
mantiver uma relação positiva com seu superior e
vislumbrar oportunidades de progresso, então a qualidade
de vida no trabalho será elevada para ela.
O autor reforça a importância da qualidade de vida
no trabalho, afirmando que "uma organização
não pode ter um ambiente interno positivo e voltado para
o sucesso quando a qualidade de vida no trabalho é baixa
para muitos de seus membros. Se os executivos deixarem de prestar
atenção à qualidade de vida no trabalho ou
nunca aprenderem a pensar nesses termos, eles terão grandes
dificuldades para conquistar a dedicação e o entusiasmo
dos funcionários".
Para DENTON [1990], "A monitoração da qualidade
dos serviços é importante, mas, isoladamente, não
é suficiente para assegurar o sucesso a longo prazo e a
satisfação dos clientes. Os serviços, mais
que a fabricação, são dependentes de pessoas.
Os serviços não são gerados por máquinas,
mas produzidos por pessoas". Para ele, a medição
e a tecnologia são importante, mas o "ingrediente-chave"
para um bom serviço são as pessoas, particularmente
as que são ponto de contato.
De acordo com ALBRECHT [1992], se a organização
não liga para o funcionário, no que diz respeito
à qualidade de vida do funcionário no trabalho,
"porque deveria o funcionário se importar com a organização?"
E, complementa o autor, "Fica bastante difícil criar
o sentimento de objetivo comum necessário para um programa
de qualidade de serviço quando há o senso de "nós
e eles" de parte tanto dos executivos quanto dos funcionários".
O autor vai mais longe, defendendo o ponto de vista de que sentimentos
negativos de parte dos funcionários que têm contato
com clientes, tendem a contaminar a impressão da qualidade
percebida pelo cliente no momento desse contato. Portanto, se
os funcionários estiverem "furiosos, incomodados e
convencidos de que a empresa não liga para eles, é
muito difícil que sejam alegres, cordiais, dinâmicos
e positivos em seu relacionamento com os clientes".
Muitas vezes, os funcionários de uma empresa, acham que
nada importa. Problemas de cultura e clima, problemas de qualidade
de vida no trabalho, ou circunstâncias além do alcance
da administração podem ter feito com que desistam
de se entusiasmar.
Conforme o discurso daquele mesmo autor, "no meio de uma
recessão econômica, quando as pessoas estão
perdendo seus empregos e a administração parece
não ter outro vocabulário que não o da redução
de custos, os indivíduos podem ficar desesperançados
e cínicos quanto à qualidade. Quando a administração
lhes pede para que se envolvam numa iniciativa visando elevar
a qualidade dos serviços numa época de dificuldades,
os funcionários podem achar que isso não é
possível, mesmo que acreditem na sinceridade das intenções
dos administradores".
Complementa o autor, afirmando que "se os executivos superiores
não tiverem prestado atenção adequada a questões
de ambiente interno e qualidade de vida no trabalho, os funcionários,
além de cínicos, poderão estar adotando uma
atitude de antagonismo. Talvez tenham sido alvo, ou pensam que
foram, de mentiras, desapontamentos, trapaças, traições
ou exploração. Quando a alta administração
os procura com um outro "programa", não deve
se surpreender se descobrir que não querem ter nada a ver
com ele".
Para DENTON [1990], a maioria das organizações que
fornecem serviços com qualidade é capaz de melhorar
a sua imagem de serviços consistentes aos clientes por
meio de um treinamento constante e de programas de motivação.
Para o autor, o que existe de especial neste tipo de organização
é a atmosfera de abertura e confiança entre os empregados
e a administração. Por outro lado, o autor acredita
que os administradores devem ensinar para os empregados o entendimento
básico da companhia, pois entende que, indiretamente, a
satisfação dos clientes é melhorada.
O autor defende que "em serviços, como em muitas outras
áreas, o que importa não é tanto o que se
faz, mas o nível em que se faz. ...Qualidade em serviços
significa uso inteligente de incentivos, bem como um treinamento
inteligente. Quando se treinam empregados, é importante
mostrar-lhes a conexão entre ações e resultados".
Continua o autor, afirmando que o treinamento e a motivação
são essenciais para o empregado entender o seu papel no
desenvolvimento da satisfação do cliente.
ALBRECHT [1992] afirma que "é cada vez maior o número
de altos executivos que estão utilizando a função
de treinamento como instrumento de política de gestão
para transmitir, em massa, a mensagem da qualidade do serviço
às suas organizações".
Para o autor, a qualidade de vida no trabalho deve ser definida
em termos das percepções dos empregados. E, segundo
ele, uma elevada qualidade de vida no trabalho deve envolver pelo
menos os seguintes fatores:
- Um trabalho que valha a pena fazer.
- Condições de trabalho seguras.
- Remuneração e benefícios adequados.
- Estabilidade no emprego.
- Supervisão competente.
- "Feedback" quanto ao desempenho no trabalho.
- Oportunidades para aprender e crescer no emprego.
- Uma possibilidade de promoção com base em mérito.
- Clima social positivo.
- Justiça.
De acordo com o autor, cada um desses fatores representa um aspecto
importante da experiência global de trabalho de um indivíduo,
ou seja, a totalidade de sua experiência como membro da
organização. Cada um deles desempenha um papel na
percepção do indivíduo quanto a "como
é trabalhar ali".
Finaliza o autor, discorrendo sobre a importância de se
avaliar a qualidade de vida do trabalhador. Ele afirma que "sendo
possível medir a qualidade de vida no trabalho, será
possível geri-la, e pode-se medi-la com grande facilidade".
A avaliação da qualidade de vida no trabalho é
de grande importância para a organização.
Segundo MORAES [1989], "a consideração dos
fatores humanos, da operacionalização a partir da
avaliação ergonômica da tecnologia, da
operacionalização
da tarefa e das condições de trabalho, torna-se
uma variável indispensável para a qualidade total".
Para IIDA [1989] as oportunidades de aplicação da
ergonomia devem ir desde a indústria até o setor
primário da economia, onde as condições de
trabalho são as mais árduas e os índices
de acidentes são elevados. Segundo o autor, a rápida
expansão do setor de serviços, o advento da informática
e da automação, o desenvolvimento e operação
de sistemas complexos, em todos os ramos das atividades humanas,
criam novas oportunidades e desafios à ergonomia.
Para o autor, as empresas, pressionadas por segmentos organizados
da sociedade e pela competição industrial cada vez
mais acirrada, deverão realizar investimentos crescentes
na melhoria das condições de trabalho e no aperfeiçoamento
de seus sistemas e produtos.
Como foi possível perceber, muitas são as maneiras
de se conceituar a qualidade de vida no trabalho, porém
acredita-se que somente uma análise ergonômica do
trabalho, onde, além de observações nos diferentes
postos de trabalho, são levados em conta a percepção
que os funcionários têm sobre a qualidade de vida
de seu trabalho é que fornecerá dados reais para
que alguma conclusão possa ser tirada. E é exatamente
esse tipo de análise que o trabalho propõe.
5.2 Condições de Trabalho no Serviço
Bancário
Nesta seção é discutido, primeiramente, a
questão das condições de trabalho do homem,
divididas em condições ambientais e condições
organizacionais de trabalho. São apresentados em seguida
alguns atributos que devem ser considerados numa análise
ergonômica do trabalho bancário.
5.2.1 Condições de Trabalho
Segundo LAVILLE [1977], pode-se representar a atividade do homem
no trabalho por um modelo. Este modelo, apesar de muito simples,
descreve as relações que são estabelecidas
entre um operador e sua tarefa.
Por outro lado, continua o autor, as informações
que o operador recebe provêm da tarefa e do seu meio ambiente,
mas são fortemente influenciadas pelas operações
mentais do operador. Assim, a atividade mental prepara e comanda
a atividade física e estas duas atividades são,
portanto, ligadas uma à outra. Estas diferentes atividades
do homem formam as componentes da carga de trabalho.
Numerosos fatores influenciam as relações entre o homem e a tarefa e modificam a carga de trabalho. São estes fatores que constituem o campo de ação da ergonomia.
O autor identifica fatores que definem as condições
ambientais e as condições organizacionais de trabalho.
5.2.1.1 Condições Ambientais de Trabalho
As condições ambientais de trabalho podem ser estudadas
com relação a três aspectos: as condições
físicas, condições química e condições
biológicas de trabalho.
As condições físicas de trabalho são
identificadas por LAVILLE [1976], como: o ambiente arquitetônico,
o ambiente térmico, o ambiente sonoro, o ambiente luminoso,
as vibrações.
O ambiente arquitetônico constitui o aspecto dimensional
do posto de trabalho, das ferramentas, das máquinas. Para
que se determine corretamente as dimensões do espaço
de trabalho é necessário que se tenha amplo conhecimento
dos dados antropométricos e biomecânicos da população
dos usuários, bem como das exigências da tarefa.
O ambiente térmico também desenvolve importante
papel na definição das condições ambientais
de trabalho. As condições climáticas que
são submetidos os postos de trabalho devem ser levadas
em conta, para que proporcionem ambiente de trabalho confortável
ao homem, do ponto de vista térmico.
O ambiente sonoro e o ambiente luminoso são igualmente
fatores importantes num ambiente de trabalho. Os ruídos
estão presentes na maior parte dos ambientes de trabalho.
Por outro lado, a luminosidade de um ambiente não visa
somente a segurança e a circulação mas também
o conforto visual do trabalhador. Os limites impostos pela ergonomia
devem, portanto, ser levados em conta. É bom salientar
que estes limites não são objetivos para serem atingidos,
mas são limites que não devem em absoluto, serem
ultrapassados.
As vibrações ocorridas em ambientes de trabalho
podem causar sérios danos em todas as partes do corpo do
trabalhador. A ergonomia enumera os cuidados que devem ser tomados
em cada caso.
As condições químicas levam em conta o ambiente
toxicológico. O ambiente toxicológico se preocupa
com os riscos de poluição do meio ambiente. O Ministério
do Trabalho fixa os critérios e os limites de exposição
a serem respeitados.
Nas condições biológicas é observado
o ambiente bacteriológico. O ar-condicionado, por exemplo,
é muitas vezes causador de doenças nos trabalhadores.
A ergonomia alerta para este fato e salienta os cuidados que devem
ser tomados para segurança dos trabalhadores.
5.2.1.2 Condições Organizacionais de Trabalho
A organização do trabalho é o conjunto de
dispositivos sociais e técnicos, que definem a repartição
das tarefas num serviço, numa empresa e, mesmo no conjunto
da sociedade .
De acordo com SANTOS [1993], as condições organizacionais
de trabalho levam em conta os métodos de trabalho, a
comunicação
entre postos e dentro dos postos, os horários e turnos
de trabalho, a formação dos trabalhadores, a tecnologia
presente na organização e a política salarial.
Os métodos de trabalho irão definir a repartição
de funções, fixar as fronteiras verticais e horizontais
entre os postos, definindo o nível de especialização
necessária aos trabalhadores. Os métodos de trabalho
devem ser adaptados às exigências técnicas
e às competências dos operadores, para que os operadores
compreendam o que se passa e ajam inteligentemente.
A organização das comunicações definirá
quem irá receber informações e quem irá
emitir informações, quais informações
deverão ser emitidas ou recebidas e de que forma estas
comunicações serão ativadas (de forma oral,
escrita, gestual). É necessário haver dentro de
uma organização, uma rede de comunicações,
que permita a transferência sistemática de informações.
Os horários e turnos de trabalho definirão os turnos
às equipes de trabalhos adequados aos trabalhadores e à
organização.
A formação determinará a desejada qualificação
dos trabalhadores, suas competências e necessidade de treinamento.
A tecnologia especificará condicionantes a nível
de software e de hardware.
Por fim a política salarial definirá os salários
dos trabalhadores.
5.2.2 Análise Ergonômica do Trabalho no
Serviço
Bancário
Uma análise preliminar das condições de trabalho
dos bancários, realizada numa agência do Banco do
Brasil, tomada como amostra base, e denominada agência X
neste trabalho, forneceu os aspectos fundamentais, sob o ponto
de vista do pessoal bancário, que devem ser considerados
no que diz respeito às condições ambientais
e organizacionais de um banco.
5.2.2.1 Análise das Condições de
Trabalho
da Agência X do Banco do Brasil
Análise da Demanda
Reconhecimento da Agência
O Banco do Brasil é um banco comercial que tem como finalidade
a execução de operações financeiras
com recursos de pessoas (físicas e jurídicas) da
sociedade, contas de investimentos, pagamentos de salários,
recebimento de contas e outras atividades próprias de um
banco comercial.
A Agência X do Banco do Brasil está localizada na
região central da cidade. O edifício da agência
possui oito pavimentos. Do térreo ao terceiro andar funciona
a agência bancária propriamente dita e, do quarto
ao oitavo andar, é destinado à Superintendência
Regional.
O Novo Modelo Organizacional foi implantado na Agência X
do Banco do Brasil em dezembro de 1991. Um dos aspectos que caracterizam
o novo modelo é a proposta de eliminar a especialidade
dentro do Banco. A polivalência decorrente dessa proposta
exige que os funcionários exerçam diferentes atividades
como bancário.
No organograma do Banco do Brasil, pode-se visualizar a Gerência
Geral, em seu topo, contando com dois Gerentes de Atendimento
que, por sua vez, contam com diversos Gerentes de Expediente (GEREX).
Para cada grupo de seis funcionários existe um GEREX. Continuando
o organograma, percebe-se em seguida os caixas, seguidos pelos
postos efetivos, que compõem a maioria dos funcionários.
Atualmente, com a nova política organizacional, todos o
funcionários dos postos efetivos devem passar pelo curso
de caixa, e todos podem chegar a GEREX.
As agências do Banco do Brasil são diferenciadas,
e cada uma pertence a uma classe, que vai da classe 1 até
a classe 4. Dependendo do volume, lucro, tamanho da agência,
a sua classe é especificada. A agência X é
caracterizada como uma agência classe 4.
A política de pessoal do órgão, com relação
ao recrutamento, seleção e admissão segue
os trâmites burocráticos do serviço público
federal. Além dos funcionários contratados através
de concursos, estagiários, menores aprendizes e menores
auxiliares de serviços de apoio, também trabalham
na agência funcionários de empresas prestadoras de
serviços, contratadas para a realização de
serviços de limpeza e de segurança.
O tempo de serviço no banco, da maioria dos funcionários
contratados , varia entre 17 e 30 anos. Existem alguns poucos
casos de funcionários com menos tempo de banco, mas mesmo
estes já possuem pelo menos 7 anos de tempo de serviço,
que foi a época do penúltimo concurso.
O absenteísmo dos funcionários ao serviço
praticamente inexiste, oficialmente. Os funcionários,
contam com um serviço médico na própria agência.
Além do serviço médico, os funcionários
também contam com um refeitório que serve almoços
e lanches.
A agência conta com 180 funcionários, enquanto que
a superintendência conta com 97 funcionários. Do
total de funcionários que compõem a agência
e a superintendência, 172 são do sexo masculino,
enquanto que 105 são do sexo feminino, cujas idades se
situam entre 30 e 49 anos, na sua maioria, ou seja, 84% do total
de funcionários estão nessa faixa etária.
Funcionam no térreo o setor da Gerência Geral e o
atendimento ao cliente especial, onde existe um terminal de extratos
de uso exclusivo destes clientes.
No primeiro andar são atendidos os demais clientes através
de uma grande bateria formada por 16 caixas e de diversos terminais
de extratos. Também se situa no primeiro andar a plataforma,
cujo local é destinado à venda de produtos e serviços
oferecidos pelo banco. No segundo andar está situado o
Setor Internacional da Agência. No terceiro andar ficam
situados o Serviço de atendimento Telefônico - SAT,
o Suporte, a Sala de Multiplexação e o Sistema Gerencial
de Vendas - SGV.
Análise das Condições Ambientais de Trabalho
Serão aqui abordados de uma forma superficial os aspectos
ambientais que são determinantes na execução
das tarefas bancárias: o ambiente arquitetônico (espaço
e locais de trabalho), o ambiente térmico (temperatura),
o ambiente sonoro (ruído) e o ambiente luminoso (iluminação).
Posteriormente, a nível de cada posto de trabalho, estes
aspectos serão analisados detalhadamente.
O Ambiente Arquitetônico
A distribuição dos diversos setores da agência,
nos quatro andares disponíveis, parece atender as exigências
do Novo Modelo Organizacional adotado pelo banco, em termos de
deslocamentos dos funcionários e de movimentação
dos clientes. Contudo, algumas modificações ainda
estão sendo realizadas para uma melhor adaptação
à nova estrutura organizacional.
O lay-out em cada setor também é razoavelmente bem
distribuído, havendo pouco registro de descontentamento
por parte da maioria dos funcionários.
O mobiliário utilizado pelos funcionários (mesas,
cadeiras, arquivos, armário) são, em geral, de boa
qualidade, sendo que parte dele está sendo trocado para
melhor se adaptar ao novo Modelo Organizacional.
O Ambiente Térmico
O prédio da Agência X do Banco do Brasil possui
instalação
central de ar condicionado, devidamente posicionado para atender
a carga térmica ambiente, mantendo-o em níveis de
temperatura e umidade relativa do ar próximos do conforto
térmico desejável.
Contudo, como em todo ambiente que possui esse tipo de instalação,
este aparelho apresenta alguns problemas. Há o problema
do ruído que, apesar de não ser traumatizante, se
constitui num incômodo para o tipo de atividade desenvolvida
pelos bancários. Há, ainda, o problema da distribuição
homogênea do ar climatizado. Neste sentido, podem ocorrer
problemas de desconforto térmico para as pessoas que se
encontram ou muito próximas ou muito afastadas das saídas
de ar. Apesar desta questão ser um tanto subjetiva, é
possível estabelecer um compromisso entre o conforto térmico
para as pessoas e a climatização dos equipamentos.
O Ambiente Sonoro
Muitas foram as reclamações por parte dos funcionários,
principalmente dos que estão alocados nos andares superiores
ao térreo, com relação ao problema de ruídos.
Os ruídos externos parecem constituir verdadeiro problema,
principalmente em datas especiais, quando há algum tipo
de manifestação popular, pois elas se dão,
principalmente, na praça em frente ao Banco ou em frente
à Catedral, ao lado do Banco. Quanto aos ruídos
internos, percebeu-se algumas reclamações esporádicas
no que diz respeito aos ruídos advindos de equipamentos
(máquinas de extratos, telefones, ar condicionado, conversas),
que não chegam a causar grande incômodo.
O Ambiente Luminoso
Quanto ao ambiente luminoso, certificou-se que a iluminação
geral da agência é compatível com as exigências
visuais, para a realização das tarefas bancárias.
Contudo, foi observado algum problema com ofuscamentos.
Análise Ergonômica dos Postos de Trabalho
Neste item são analisados diversos postos de trabalho que
compõem uma agência bancária, apresentando
a análise da tarefa e das atividades desenvolvidas, para
cada posto.
A função de caixa no banco se apresenta de quatro (04) formas diferentes, dependendo das características do negócio e do cliente.
1. Caixa no primeiro andar, atendimento ao grande público,
sistema on-line e o posto de trabalho é situado em um gabinete
composto de uma bancada de trabalho, com gaveta para dinheiro
e objetos pessoais, terminal do caixa, banqueta, armários
para talões de cheques e conferência de assinaturas.
Existe uma proteção de vidro, além do balcão
separando o cliente do funcionário.
2. Caixa no terceiro andar, atendimento ao câmbio, o posto
de trabalho é igual ao anterior (primeiro andar), com menor
número de unidades de caixa.
3. Caixa no térreo, atendimento a clientes especiais, feito
em mesas e individualizados, e os caixas são preparados
para qualquer tipo de operação ou serviço
no banco.
4. Caixa no quarto andar, atendimento a clientes ouro e personalizados,
feito em mesas como o anterior (térreo), também
os caixas estão preparados para qualquer tipo de operação
ou serviço e muitas vezes o cliente é atendido sempre
pelo mesmo caixa. Salas compostas de sete (07) caixas.
Este estudo foi realizado sob o enfoque ergonômico, abordando
principalmente o posto de trabalho do caixa do guichê (caso
1)
Em entrevistas realizadas com funcionários do setor de
caixa, gerentes e caixas propriamente ditos, foram levantados
os seguintes problemas:
A - Referentes à Tarefa
- Tecnologia obsoleta (grande número de falhas dos equipamentos;
terminais fora do ar com muita frequência, etc.).
- Medo provocado por possíveis erros e roubos (exigência
de grande atenção na atividade).
B - Referentes à Situação de Trabalho
- Iluminação no térreo deficiente.
- Banquetas sem encosto lombar.
- Espaço de trabalho reduzido.
- Ruído proveniente das máquinas e meio externo.
- Saídas do ar condicionado sobre os guichês.
- Observou-se um caso de tenossinovite
C - Referentes à Organização do Trabalho
- Pouca ou nenhuma participação nas decisões
referentes ao trabalho a ser executado, às modificações
e melhoria da situação de trabalho.
Análise da Tarefa no Posto Caixa
Descrição do posto de trabalho
Caixa
- Exigências Referentes ao Homem
* Operador: Caixa (um operador por posto, realizando todo o serviço
de caixa).
* Formação profissional, nível de 2º grau, existindo muitos com nível superior, porém sem exercê-lo.
* Turno de trabalho de 6 horas diárias com uma hora para
almoço.
* Característica da população:
Idade: acima dos 30 anos é variável.
Sexo : masc/fem.
Admissão por concurso público.
Remuneração: compatível com o serviço bancário, acrescido de uma porcentagem para a função de caixa.
Estabilidade: total.
Absteísmo: muito baixo (tem direito a 5 dias no ano).
Turn-over: não existe.
- Exigências Referentes ao Posto Caixa
* Estrutura geral: balcão com espaço para trabalho, máquina autenticadora, banqueta.
* Dimensões - .
* Orgão de comando: teclado e cartão magnético.
* Informações através da tela (displays).
* Princípios de funcionamento: digitação dos dados e autenticações.
* Problemas aparentes: o sistema "sai do ar" muito freqüentemente,
obrigando os operadores a efetuarem suas funções
manualmente. Porém fica impossível determinar o
saldo de cada cliente. A rotina interna do banco recomenda pagamentos
até determinados valores.
- Dados Referentes às Entradas de Informações
no posto Caixa
*Entradas: Cheques / dinheiro / cartões magnéticos
/ papéis de saque e saldo / duplicatas / carnê /
ordens de pagamento / solicitações e guias.
- Dados Referentes às Saídas de Informações
* Saídas: Conferências / dinheiro / cartões
magnéticos / autenticações / valores.
- Dados Referentes às Informações
no posto Caixa
* Relativos à máquina: passar o cartão, códigos, senhas, etc.
* Entradas: Teclado / cartão / valores.
* Saídas: Autenticações / impressão em papel / vídeo.
* Comunicação interpessoal: diálogo caixa / cliente, e cliente / caixa.
* Distinguir informações: Verbais / assinaturas,
escritas (depósito).
- Dados Referentes às Ações de
Trabalho no posto Caixa
* Ações mediante teclado e vídeo, (digitação é mais rápida do que o processamento da informação da máquina).
* Aguardar resposta da máquina, (resposta lenta, teclado tranca freqüentemente).
* Posição: em pé / sentado em pé / andando. Postura inclinado para frente quando sentado
* Deslocamentos entre os balcões de talões e conferência de assinaturas.
* Principal ligação sensorial motora: digitação, manusear e contar dinheiro (em espécie).
* Descrição macroscópica dos modos operativos: receber e pagar.
* Autenticação de valores.
* Decisões: conferências de assinaturas, valores, procedimentos, e etc.
* Regulações: não abandonar o posto de trabalho.
* Ações do operador: máquina / controle, entradas e saídas / conferências de valores.
* Ações transmitidas por um dispositivo de comando:
teclado e vídeo.
Relação entre o Posto Caixa e
os demais Postos
* Os postos de trabalho estão estruturados de forma individual, havendo uma interdependência entre eles, através de uso de determinadas zonas de trabalho coletivo, como por exemplo os armários de talões e conferência de assinaturas.
* Problemas de ruído das máquinas que, sendo operadas simultaneamente, provocam incômodo na realização das tarefas.
*Auxílio na realização de determinadas tarefas por parte de colegas de postos de trabalho vizinhos.
* Circulação: espaço entre os balcões - Acesso só permitido aos caixas.
* Espaço em reforma: caixas de clientes ouro em mesas -
Posto atual: tipo guichê que, segundo os caixas, tem
relativa segurança.
- Dados Referentes ao Meio Ambiente no Posto Caixa
* Espaço amplo / posto de trabalho pequeno.
* Ambiente com pouca iluminação.
* Sonoro, com muito ruído.
* Com ar condicionado (calor no verão).
* Ambiente tóxico: Foi verificado a existência de
pessoas com Dermatite de contato, devido ao creme umedecedor de
dedos.
Análise da Atividade no Posto Caixa
Descrição da Dinâmica do Sistema Homem-Tarefa
* Atendimento a clientes no balcão, estando em pé
/ sentado em pé, efetuando operações de recebimento
de documentos, dinheiro, cheques, pagamentos e autenticações.
*Atividades do Posto Caixa
- Depósitos com e sem cartão.
- Saque com e sem cartão.
- Recebimento de diversos.
- Recebimento de ordem de pagamento.
- Arquivar cartões / talões.
* Existência de rotina por escrito e informativo diário,
consulta, às vezes, às normas escritas.
Avaliação das Exigências do Trabalho no
posto Caixa
Exigências físicas
*Deslocamentos a pé.
* Turnos de 6 horas de trabalho, com intervalo de uma hora de almoço, definido pelo Gerex.
* Controle do caixa.
* Ritmo livre.
* Posturas: trabalho sentado-em pé (existência de casos de varizes).
* Movimentos: digitação e contagem de dinheiro.
* Gasto de energia em função da tensão para
evitar erros sobre valores pagos ou recebidos, possibilidade de
assaltos ou roubos (existência de casos de gastrite e úlceras).
Exigências Ambientais
* Iluminação deficiente: no andar térreo e no primeiro andar, as cortinas devem permanecer fechadas para evitar problemas de ofuscamentos.
* Térmico: calor no verão, ocorre problema quando
a saída do ar condicionado se localiza sobre o posto de
trabalho.
* Sonoro: As máquinas funcionando em conjunto geram muito
ruído.
Exigências Sensoriais
* Respostas da máquina (caixa).
* Canais (visual / auditivo).
* Variedades do suporte (vídeo / teclado).
* Intensidade dos sinais (caixa).
* Distância olho / teclado / vídeo / documento.
* Contraste do vídeo / iluminação.
Exigências Sensoriais-Motoras
* Quando ? colocar o documento para autenticar.
* Onde ? colocar o documento a autenticar. (posição / carbono).
* Intervalo do aparecimento do sinal (para autenticar, pagamentos uma autenticação, recebimentos três autenticações).
* Operador características - comando com as mãos,
na máquina, escrita e carimbos, destacar documentos.
Exigências Mentais
* Diferentes tipos de operações.
* Nível de atenção na operação.
* Número de informações a serem memorizadas.
* Importância dos conhecimentos necessários.
* Grau de atenção para não cometer erros.
* Medo com relação a roubos (segurança).
Levantamentos e Dimensionamentos
Principais posturas identificadas (segundo o método OWAS).
No caixa:
- caixa sentado
posição de trabalho > 117 (dorso reto
/ dois braços para baixo / pernas flexionadas e apoiadas)
- caixa de pé
posição de trabalho > 211 (dorso inclinado
/ dois braços para baixo / pernas retas)
Na conferência de saldo :
> 211 (idem ao anterior)
Medidas Ambientais
- Iluminação
Escala 500 lux
Superfície de trabalho > 370 lux
Visor da máquina registradora >290 lux
Superfície de conferência de saldo > 380 lux
Balcão de talonário de cheques > 400 lux
- Ruído
Média > 72 db
- Posto de Trabalho
comprimento > 1,04m
largura > 0,52m
altura > 1,04m
divisória entre caixas > 0,425m
apoio para os pés > 0,245m
espaço embaixo da bancada > 0,67m
profundidade sobre a bancada > 0,485m
prateleira sobre a bancada (altura) > 0,275m
gaveta abre > 0,22m
- Banqueta
apoio para os pés > 0,29m
altura regulável (máximo) > 0,815m
(mínimo) > 0,725m
diâmetro do assento > 0,387m
espaço útil para trabalho sobre a bancada > 0,43m
- Máquina registradora
largura > 0,425m
comprimento > 0,32m
alturas (teclado) > 0,09m
(bojo) > 0,21m
visor (comprimento) > 0,115m
(altura) > 0.089m
Recomendações Ergonômicas
Referentes ao Posto Caixa
Relativas ao espaço de trabalho
- Em função das dimensões da máquina
registradora, recomenda-se um aumento do espaço útil
de trabalho sobre o balcão ou uma alteração
nas dimensões da máquina.
- Ao abrir a gaveta das espécies, o operador assume posturas
desconfortáveis. Além disso é obrigado a
permanecer a uma certa distância do posto, o que leva a
assumir postura inclinada que causa prejuízo à coluna.
Recomenda-se portanto o redesenho do balcão de forma a
proporcionar uma postura mais confortável.
- Aumento do balcão na parte externa, de forma a ampliar
a área disponível ao cliente.
- Em função da posição de trabalho adotada pelos caixas (sentado em pé), é recomendado uma banqueta. Entretanto, recomenda-se um reestudo do projeto desta, acoplando um encosto lombar.
- Rever o lay-out da área em função dos espaços
entre as banquetas dos caixas e balcões de cheques.
- Elevar a altura da mesa de conferência de saldo
Referentes à Tarefa:
- Após o fechamento diário do caixa, o operador
deve prestar contas até no máximo 24 horas após.
Possíveis diferenças devem ser corrigidas e pagas
ao banco. O fato da possibilidade da diferença gera tensão
nos operadores. Neste sentido recomenda-se uma revisão
no sistema de negociação entre o caixa e o banco.
- Recomenda-se a busca de um sistema de hardware mais eficiente,
que forneça respostas mais rápidas ao operador e
que não apresente problemas de travamento quando a digitação
é mais rápida.
- Recomenda-se a introdução de um sistema de gestão
participativa no banco, de forma a dar mais autonomia e participação
dos operadores nas decisões referentes à sua atividade.
Descrição do Posto de Trabalho
Aspectos Organizacionais:
- Situação na Hierarquia da Empresa:
Subsetor do SETEC (Setor Tecnológico), subordinado ao
CESEC, que, por sua vez, é subordinado ao CEDIP, em São
José dos Pinhais, Paraná.
- Funções:
. Concentração de informação para transmissão e recebimento entre São José dos Pinhais e as agências ligadas à sala (em anexo).
. Manutenção do Hardware e software do sistema.
. Serviço de "help-desk" às agências
ligadas, visando o perfeito funcionamento do sistema "on-line"
das agências.
. Implantação do sistema em novas agências.
- Agências Ligadas à Sala:
Barreiros, Beira-Mar Norte, Biguacu, Capoeiras, Coqueiros, Estreito,
Felipe Schmitd, Fpolis Centro, Garopaba, Ilhéus, Imbituba,
Itapema, Lagoa da Conceição, Laguna, Lauro Linhares,
Palhoça, Porto Belo, São José, Tijucas e
Trindade. (Total: 20 agências + 23 postos de atendimento).
- Horário de Funcionamento: das 7:00h às
22:00h.
Aspectos Humanos:
- Total de Funcionários:
2 técnicos contratados e 3 funcionários de carreira
do banco.
- Turnos de Trabalho: 2 turnos ajustados.
- Sindicalização: 80% dos funcionários
são sindicalizados.
- Formação Profissional:
Técnicos : Técnicos em Eletrotécnica.
Funcionários de Carreira: Formação Superior,
advindos de serviços bancários/administrativos,
tendo recebido treinamento em informática e ocupando cargos
de nível médio.
- Forma de Admissão:
Técnicos: contratação.
Funcionários de Carreira: concurso público.
- Tarefas Realizadas:
Técnicos: Instalação e assistência técnica nos equipamentos.
Funcionários de Carreira: Coordenação das
Atividades, relacionamento com usuários e prestadores de
serviço, ativação e controle do sistema "on-line".
Aspectos Técnicos:
- Especificação das Máquinas / Princípio
de Funcionamento:
Multiplexador: Multiplexação estatística
(STDM) - Circuito de Transmissão de Dados.
.Concentradores: Controle / gerenciamento do tráfego de
dados entre terminais e CPU remota (São José dos
Pinhais).
Terminais "on-line".
- Velocidade de Transmissão de Dados
Multiplexador: 19200 BPS.
Concentradores: 9600 BPS.
As tarefas desenvolvidas na Sala Mux podem ser classificadas em: tarefas de implantação de sistemas "on-line" em novas agências, tarefas de manutenção dos sistemas, linhas e comunicações já existentes e tarefa de "help-desk" do sistema para as agências e pessoal que fazem uso de suas atribuições.
Assim sendo, na implantação de novas agências
a Sala é mais exigida para trabalhos técnicos da
implantação e para treinamento.
A manutenção do sistema é atividade corriqueira,
sendo para isso necessário o conhecimento dos equipamentos,
suas funções e inter-relações existentes.
Em geral, as tarefas mais técnicas são de responsabilidade
dos técnicos contratados.
O trabalho de 'help-desk", além da necessidade de
conhecimento técnico, exige contato direto com pessoal
nas agências. Este trabalho é facilitado dependendo
da experiência dos funcionários da Sala e da agência.
Análise Ambiental
Em virtude dos equipamentos utilizados, suas características
e demandas técnicas, faz-se necessário a manutenção
de um ambiente propício às máquinas e de
boas condições para os trabalhadores.
A temperatura ambiente é controlada por ar condicionado
central e por mais dois equipamentos auxiliares, particulares
de sala. A umidade relativa também é controlada
por estes equipamentos. A luminosidade do ambiente é boa,
com quantidade adequada de lâmpadas e iluminação
natural direta de boa qualidade.
Fazem parte da Sala Mux os estabilizadores e baterias necessários
ao sistema. Estes equipamentos foram colocados em duas salas com
isolamento acústico e térmico adequados.
O espaço utilizado pela sala é de tamanho adequado,
possibilitando a locação de equipamentos, mesas
e cadeiras de tal forma a facilitar a circulação
de empregados e propiciar o melhor ambiente físico.
Análise Organizacional
Segundo a estrutura apresentada anteriormente, a Sala é
subordinada ao CEDIP de São José dos Pinhais, que
define os procedimentos gerais a serem adotados. Entretanto, tendo
em vista a dinamicidade do ambiente decorrente da impossibilidade
de previsão dos problemas, a sala trabalha com plena liberdade
de decisão, inclusive com flexibilidade quanto a horários
de trabalho dos funcionários.
De uma maneira geral, os funcionários da sala trabalham
com certa independência, executando tarefas diferentes das
demais no banco, o que lhes proporciona relativa autonomia. Nota-se
um sentido de equipe e bom relacionamento entre os funcionários,
e sinais de monotonia ou estresse não são percebidos.
As atividades desenvolvidas pelo pessoal da Sala serão
aqui descritas sob três aspectos: gestuais, de informação
e de processos cognitivos.
Aspectos Gestuais:
As tarefas de operação de console de computador,
comunicação telefônica com agências
e deslocamentos externos até as agências são,
neste caso, as principais, observando-se que não há
necessidade de manter-se em uma mesma posição nem
em manter a atenção fixada em um mesmo ponto por
muito tempo.
O trabalho externo é mais desenvolvido quando da implantação
do sistema "on-line" em novas agências, o que
acontece apenas esporadicamente. São realizados com carro
próprio ou táxi. Todas as despesas decorrentes destes
deslocamentos são reembolsadas.
A operação de console requer dispêndio de
pouca digitação, com comandos resumidos. Não
é necessário grande esforço visual, nem tão
pouco esforço de postura.
A comunicação telefônica é direta,
com a presença de quatro linhas, entre diretas e ramais
internos, não sendo comum o atendimento a mais de duas
chamadas simultaneamente.
Aspectos de Informação:
As informações encontradas são basicamente
visuais e sonoras. As sonoras (via telefone) são obtidas
com maior ou menor facilidade em decorrência do grau de
experiência da pessoa que se encontra na agência demandante.
Em geral, os tempos de chamada são reduzidos, podendo,
no entanto, um contato telefônico durar horas.
As informações visuais são obtidas via console
de operação, através de comandos do sistema,
ou nos equipamentos de multiplexação por intermédio
dos "leds" indicativos. Existe uma grande quantidade
de informações luminosas nos equipamentos, o que
ocasiona uma difícil leitura e certa confusão entre
as diversas indicações possíveis.
Aspectos Cognitivos:
Este é um ponto de relevância. Na operação
normal do sistema, a maior parte dos problemas podem ser resolvidos
no console de operação com a utilização
de comandos usuais. Alguns problemas são até mesmo
antevistos e solucionados antes de sentidos pelas agências.
O pessoal da Sala faz consultas esporádicas para a verificação
de falhas usuais no sistema.
Apesar do número reduzido de comandos, são eles
pouco explicativos, de entendimento não facilitado. Assim,
na operação normal do sistema não se externam
problemas maiores. Porém, quando algo de novo acontece,
a ausência de menus de navegação e a dificuldade
de uma visualização global do sistema, fazem com
que o operador sinta uma certa confusão na recuperação
das informações desejadas.
No âmbito de "hardware", os "leds" de
indicação são de tamanho reduzido e agrupados
em grande quantidade, o que leva a confusões no entendimento
do funcionamento e nas condições do equipamento.
Há, também, como agravante, a falta de discriminação
dos equipamentos, ou parte destes, que são dedicados a
cada agência, o que levou o pessoal a indicações
com papel e fita adesiva de reduzido tamanho, o que leva, mais
uma vez, a dificuldades na utilização do hardware.
Diagnóstico do Posto Setor de Multiplexação
Ao início do trabalho, através dos primeiros contatos,
perceberam-se as excelentes condições ambientais,
organizacionais e de relacionamento entre os funcionários,
o que levou a levantar uma primeira hipótese, a de que
a sala não apresentava problemas em suas condições
de trabalho.
Num segundo momento, através de uma visão mais ampla
da verdadeira abrangência da ergonomia, pode-se detectar
dois grandes problemas, cuja solução é vital
ao adequado funcionamento da sala. São eles:
1) Problema de Treinamento e Reciclagem
O ambiente de informática normalmente é caracterizado por constantes mudanças, em virtude da rápida evolução tecnológica. Tal aspecto leva à necessidade de um programa intensivo de reciclagem dos funcionários da sala, o que tem sido uma forte demanda dos próprios funcionários.
Outro ponto importante refere-se ao preparo dos empregados que
irão ingressar no setor. Existe atualmente uma ausência
quase total de treinamento prévio, que permita ao empregado
uma capacitação adequada às funções
que irá desempenhar. Tal necessidade faz-se premente, uma
vez que as tarefas na sala Mux diferem completamente das demais
desempenhadas no banco.
Outra questão observada diz respeito à falta de
preparo de pessoas responsáveis nas agências para
o adequado diagnóstico dos problemas e até mesmo
solução daqueles mais banais. A falta de pessoas
preparadas tem levado a uma dificuldade no reconhecimento e solução
dos problemas por parte dos funcionários que atendem ao
"help-desk".
2) Problema de Concepção das Sistemas Informatizados
Tal questão refere-se tanto ao "hardware" quanto ao "software", bem como à integração entre os dois. Atualmente, a verificação de agências "fora do ar" se dá através de consultas esporádicas no sistema on-line, ou, se a consulta não tiver sido realizada a tempo, através de chamada telefônica da agência com problemas. Isto ocasiona atrasos de diagnóstico e chamadas telefônicas desnecessárias, o que incorre em grandes prejuízos para as agências.
A consulta via "hardware" é bastante dificultada,
devido a sinais luminosos bastante confusos, como já foi
colocado anteriormente. A consulta via "software" também
conta com certo grau de dificuldade, devido à inexistência
de menus, comandos inexpressivos, navegação confusa,
difícil visualização do todo, respostas altamente
técnicas, e outros problemas ergonômicos.
Conclusão e Recomendações sobre o Posto
Sala de Multiplexação
A análise das condições de trabalho da Sala
de Multiplexação, levou a observar que uma abordagem
ergonômica envolve aspectos mais complexos do que a simples
questão antropométrica.
Apenas após uma série de visitas e indagações,
pode-se visualizar claramente os dois grandes problemas descritos
no decorrer deste trabalho, a saber, formação de
pessoal e ergonomia da informática.
Em relação à questão de formação,
notou-se a necessidade de um programa de treinamento e reciclagem,
envolvendo:
- Funcionários técnico-administrativo da sala:
Este treinamento deve contar com a efetiva participação
do CEDIP, através da promoção de estágios
e cursos de atualização e aperfeiçoamento,
uma vez que o CEDIP é o órgão responsável
por toda inovação tecnológica ocorrida no
setor, e possui condições humanas e estruturais
para a orientação e implantação deste
treinamento. É preciso que o treinamento ocorra antes e
durante o ingresso do funcionário na sala, como um meio
não apenas de atualização, mas também
de preparação para o trabalho.
- Elementos-Chave nas agências atendidas pela sala:
Uma forma de solucionar grande parte dos problemas de assistência
técnica no sistema "on-line" das agências,
seria manter um mínimo de duas pessoas em cada agência,
preparadas para diagnosticar corretamente e, eventualmente, solucionar
pequenos problemas. Neste sentido, seria necessário desenvolver
um programa de treinamento para o pessoal das agências,
coordenado e efetivado em conjunto entre os funcionários
da Sala MUX e do departamento de treinamento do Banco. Uma medida
desta natureza reduziria significativamente os "pedidos de
socorro" à sala, além de racionalizar as ligações,
através da apresentação de diagnósticos
mais precisos e corretos.
A segunda questão analisada diz respeito à ergonomia
da informática, abrangendo os "softwares" e "hardwares"
utilizados pelos funcionários da sala MUX. Relativo a este
ponto, apresentam-se as seguintes recomendações:
- Necessidade de um sinal luminoso e sonoro, que emitisse um ruído
cada vez que a agência saísse fora do ar, e mantivesse-se
aceso enquanto o problema não fosse devidamente solucionado.
- Necessidade de uma reconcepção do sistema "on-line"
utilizado, através de menus e telas ergonomicamente concebidos,
que possam facilitar a navegação, visualização
e a consulta ao sistema.
Posto de Trabalho Setor de Telefonia
As chamadas telefônicas são atendidas por uma central,
que recebe e as distribui para seus destinos, e por telefones
específicos em certos postos como: gerentes, direção,
alguns GEREX, etc.
Os postos de trabalho envolvidos diretamente com atendimento telefônico
são dois: o SETEL (central telefônica) e o SAT (que
tem o objetivo de realizar o atendimento bancário que é
possível ser feito por telefone).
Serviço de Atendimento Telefônico - SAT
Localizado no 3o andar em um ambiente espaçoso,
conforme planta baixa em anexo, com boa iluminação,
porém barulhento devido aos sinais dos telefones, as conversas
dos funcionários com os clientes e da máquina on-line,
onde o condicionador de ar permanece constantemente ligado por
causa da sala de informática ao lado que necessita de
climatização.
Como solução para o problema encontrado nos dias
em que não é necessário a utilização
do ar condicionado foi realizado o fechamento da canaleta do difusor
que insufla ar no ambiente, ficando aberta a área destinada
para exaustão.
Este setor realiza o atendimento de clientes por telefone, onde
as operações básicas são: resgate
do fundo ouro, aplicações, informações
de índices financeiros e saldos. As informações
dos saldos são fornecidas aos clientes que assim autorizem,
necessitando para isso registrarem uma senha de 3 números
que é mencionada no momento que solicitarem o serviço.
Possui um quadro na parede onde são anotados os índices
mais solicitados (poupança, dólar, UFIR), e para
consulta dos dados de aplicação do fundo ouro, proventos,
ordens bancárias e índices gerais são consultadas
as listas que ficam sobre a mesa central onde também estão
os seis ramais de atendimento.
O ambiente é também ocupado por uma funcionária
responsável pelo setor cultural do banco e visualização
da agência como instalação de cartazes, placas
indicativas e outras, estando ligada diretamente ao gerente geral.
É previsto o deslocamento desta para uma sala própria
com menos barulho e mais adaptada ao tipo de função
que exerce, enquanto isto não ocorre continuará
desfrutando do mesmo ambiente.
O setor recebe periodicamente relatórios (saldos do fundo
ouro ou conta corrente), informações gerais, telex,
e envia para o CESEC documentos para microfilmagem, documentos
de caixa (aplic, RDB), pedidos de extrato e lançamentos
quando este não é possível de ser realizado
totalmente no setor (ocorre esporadicamente).
O setor é composto por um GEREX, seis postos efetivos,
duas telefonistas (que atendem no SETEL) e um menor (que auxilia
no transporte de documentos no interior da agência e em
pequenos serviços do SAT).
Possui basicamente dois postos de trabalho: a do GEREX e dos postos
efetivos.
Gerente de Expediente (GEREX) da Telefonia
Funcionária responsável pela coordenação
do serviço no setor e as telefonistas efetivas da central
telefônica, situada em uma mesa separada dos demais funcionários,
admitindo postura sentado em pé, em cadeira padrão
(com rodas e encosto regulável), trabalhando em horário
integral ao que é realizado no setor, das 8 às 17
horas.
Possui um telefone de linha direta que recebe ligações
de clientes especiais que solicitam informações
de saldos e realização de aplicações,
mesmo sem ser a função do GEREX ela atende o cliente
de forma a satisfazê-lo. O número desse telefone
é dado aos clientes que exigem uma maior atenção
sendo o objetivo principal de permitir a comunicação
com outras agências e CESEC.
O GEREX também realiza o levantamento, controle e conferência
do RDB, serviço pequeno porém sofre inúmeras
interrupções tornando-se demorado; determina e orienta
as atividades que o menor auxiliar deve executar, confere os documentos
processados e organiza a nível geral o setor.
No tratamento das informações a memória de
curto termo é a mais utilizada que corresponde às
consultas a dados dos clientes e posterior anotação
ou resposta verbal.
Postos Efetivos do setor Telefonia
Funcionários responsáveis pelo atendimento telefônico
dos clientes, fornecendo informações sobre índices
financeiros, saldos e realizando aplicações e resgates.
Um dos funcionários tem a responsabilidade de fazer o lançamento
das aplicações e o que não for possível
ser realizado no dia é emitido ao CESEC para que o faça
(que ocorre esporadicamente).
Os funcionários estão dispostos ao redor de uma
mesa oval em cadeiras padrões de escritório (encosto
regulável e rodas) onde todos tem acesso às listagens.
Apesar do banco requerer que os funcionários realizem
suas atividades em horário corrido (6 horas), para uma
maior comodidade dos funcionários e do serviço há
um intervalo de 30 min a 1 hora de almoço. Os horários
oficiais são: 8 às 14h (2 func.), 11 às 17h
(3 func.) e das 10 às 16h (1 func.), o intervalo de almoço
é compensado ao final do expediente.
Os ramais são independentes sendo cada ramal destinado
para um aparelho em específico; ocorre constantemente do
telefone que chama estar longe do funcionário que irá
atendê-lo aumentando o tempo de espera do cliente e conseqüentemente
diminuindo a produtividade.
O estado de vigília é constante, e os funcionários
levantam-se constantemente para fazer consultas ao sistema on-line,
apresentando postura sentado em pé.
Nos horários de maior movimento a única máquina
on-line existente não é capaz de fornecer a contento
as informações que os clientes solicitam, causando
uma pequena fila para o seu uso e uma demora no atendimento.
O nível sonoro ambiental aumenta nos horários de
maior número de consultas telefônicas, onde cada
telefone possui uma campainha ocorrendo de mais de um tocar ao
mesmo instante, porém o ruído mais significativo
é devido às conversas dos funcionários com
os clientes e o funcionamento da máquina on-line. Na
observação
verificou-se que a intensidade da voz dos funcionários
aumenta quando a carga de trabalho torna-se mais intensa.
O desgaste mental é significativo onde um dos funcionários
relatou que já esteve internado no Hospital do Câncer,
Curitiba, por distúrbio do sono. Os demais funcionários
também reclamaram de algum problema para dormir e descansar
nos momentos propícios, considerando o serviço muito
agitado em função do número de atendimentos
que tem que realizar em um curto espaço de tempo e da
movimentação
das pessoas no ambiente, e que o relacionamento interpessoal deve
ser melhorado. Tem como origem na constante "concorrência"
dos funcionários no atendimento telefônico, acesso
às listagens e máquina on-line e na exigência
no trabalho.
O lanche fornecido pelo banco não é consumido, os
funcionários preferem a compra de outros (geralmente pastéis
e refrigerantes), por achá-lo de pequena atratividade e
sem sabor (é sempre pão com manteiga e café
com leite).
Recomendações para melhorar as condições
de trabalho do posto Telefonia
* que seja indicado na lista telefônica o destino dos telefones
além do PABX, no caso o telefone que tem linha direta.
* os telefones possuem apenas uma campainha para indicar que algum
ramal está sendo chamado, onde a indicação
do ramal seja por um sinal luminoso;
* qualquer um dos telefones possa atender todos os ramais de forma
que o atendimento ocorra de forma mais rápida e com um
menor esforço por parte do funcionário
Posto de Trabalho Suporte
Correspondente à área destinada ao processamento
de papéis oriundos do Segmento de Atendimento e aos demais
serviços internos da agência a cargo das chamadas
equipes de trabalho, como por exemplo: lançamentos, operações
com telex, ordens de pagamento, xerox, acertos diversos, transferências,
devolução de cheques e arquivos.
Localiza-se fora do alcance visual do público no 3o
andar, conforme planta baixa em anexo, com janelas direcionadas
para a catedral metropolitana em um ambiente de boa iluminação,
em um espaço considerado insatisfatório (6 metros
quadrados por funcionários quando o indicado pelas normas
para uma agência bancária é de 10m2/funcionário,
este valor deve ser tomado apenas como um referencial); onde a
disposição das mesas e cadeiras e seu número
dificulta a rápida movimentação no setor.
Foram realizadas várias visitas com observações
e acompanhamentos do serviço que era executado. No primeiro
contato, o GEREX colocou-se a disposição para auxiliar
no estudo e orientou seus funcionários para que fornecessem
todas as informações necessárias desde que
não fossem sigilo de profissão.
O setor é composto por um GEREX, um Auxiliar de Serviço
de Gerência e sua Secretária, 3 menores Auxiliar
de Serviço de Apoio e 4 Postos Efetivos e os que estão
alocados no setor e não realizam as atividades correspondente
ao mesmo são: 3 em licença permanente de saúde
aguardando aposentadoria, 3 cedidos ao Gerente Geral (2 Assessorias
Jurídicas e 1 AABB), 1 Auxiliar de Serviço de Gerência
(no térreo), 1 contínuo e 1 funcionária,
responsáveis pelo setor cultural e imagem da agência
(ligados ao Gerente Geral).
Na tomada de informações sobre o ambiente de trabalho
e serviço, uma reclamação geral foi o barulho
oriundo da praça que nos momentos de maior nível
sonoro torna difícil a comunicação entre
as pessoas, ocorrendo isto em média 2 vezes por semana
e também o ruído das máquinas on-line, telex
e máquinas de impressão.
Um dos funcionários possui problemas de bronquite, sentindo-se
mal quando o ar ambiente torna-se viciado (o ar condicionado e
janelas fechadas). Devido às variações sensoriais
dos indivíduos a determinação da necessidade
de ligar ou não o ar condicionado é um tanto subjetiva
ocorrendo assim a satisfação de alguns e o descontentamento
de outros. Apresenta-se no setor um bom relacionamento entre chefe
e subordinados.
Gerente de Expediente (GEREX) do Posto de Trabalho Suporte
Tem como função principal gerenciar a equipe de
trabalho que compõe o setor, planejando o desenvolvimento
das atividades e decidindo sobre os assuntos administrativos e
operacionais nos termos dos poderes que lhe foram conferidos.
Ocupa uma mesa em destaque na célula (ver planta baixa
em anexo), com telefone (ramal). Adotando a postura sentado normal,
em cadeira padrão (rodas e encosto regulável). Estando
trabalhando no banco há 15 anos e 10 meses sendo 8 meses
neste setor.
A escolha do funcionário para ocupar o cargo de GEREX ocorreu
após indicação de alguns considerados hábeis,
que apresentavam experiência em outros postos e um bom conceito
nas fichas de avaliação realizadas ao longo do tempo,
onde a escolha final ficou a cargo da diretoria.
O treinamento para a função ocorreu através
de cursos de matemática financeira, negociação
de produtos de banco, rentabilidade e relações humanas
realizados durante o período de trabalho em outros postos
nos centros de treinamento do próprio banco.
Telex
Tem a função de envio e recebimento de mensagens
para outras agências que vão desde ordens de pagamento
até instruções da direção geral.
São 5 máquinas de telex em linha onde uma funcionária
tem como função principal a operação
destas auxiliadas por outra quando há um acúmulo
de serviço ou não é o horário de serviço
da operadora ( 11:30h - 17:30h ) e necessita o envio de mensagens.
Este é um serviço que requer grande atenção
e que o barulho ambiente, mesmo não causando traumas ao
aparelho auditivo, perturba, tornando-o cansativo.
É necessário uma grande movimentação
entre as máquinas fazendo com que a postura adotada seja
em pé com apoio para as nádegas. Não há
suporte para fixação dos papéis que são
lidos durante a digitação.
Após a digitação a fita perfurada é
passada pela máquina para o envio da mensagem, enquanto
uma máquina envia outra é operada surgindo aí
a necessidade de deslocamento constante de uma máquina
para outras.
Após observações do serviço, em momentos
de grande fluxo de trabalho, através de uma cronoanálise,
verificou-se, para duas considerações: digitação
concentrada e serviços em pé (consulta a papéis,
atendimento de telefone, operação de máquina
de telex, lançamento), que o tempo destinado a estas atividades
são próximos ocorrendo de forma intercalada e o
número de movimentos de sentar e levantar é significativo
(tempos observados apresentam uma média de 12 vezes por
hora).
As máquinas recebem mensagens automaticamente, não
necessitando qualquer intervenção por parte da funcionária,
e para o envio a máquina deve ser autorizada pelo GEREX
através de uma senha que sem esta ela não funciona.
É muito útil neste serviço a presença
de um cesto de lixo onde papéis, carbono e fitas velhas
são lançadas fora a todo instante.
O contato com o chefe é direto e verbal, sem intermediários
ou instruções por escrito.
Recomendações para melhoria das condições
de trabalho no posto de Telex
* instalação das máquinas de telex em sala
separada de forma que o trabalho seja executado sem intervenções
do meio ambiente;
* utilização de mesas para a máquina do telex
sem pernas próximo ao operador de forma que o deslocamento
de uma máquina para outra ocorra de forma mais cômoda
sem o inconveniente de gavetas fazendo que o serviço seja
executado de forma mais breve;
* instalação de apoio para pés;
* que a operadora de telex utilize um suporte regulável
para o documento que contém a mensagem escrita que está
sendo digitada, diminuindo as posições incômodas
atualmente adotadas para leitura e manuseio;
Secretária ( Auxiliar do Serviço de Gerência)
O posto ocupado pela funcionária está em um ambiente
aberto, em relação aos demais funcionários
do setor, conta com mesa e gavetas, máquina de escrever,
calculadora e armários onde são arquivados os CICs,
BIDs, correspondências, registro funcional, processos administrativos,
e demais informações sobre eleições,
escala de férias, curso externos.
A ocupação deste cargo implica no recebimento de
uma gratificação extra, estando em contato direto
com os Gerentes de Atendimento e Gerente Geral.
Suas principais atribuições são:
* escala e controle das férias dos funcionários
a nível de gerência (obs.: o CESEC se encarrega de
fazer o controle dos prazos fatais de preenchimento do comunicado
de férias ao funcionário);
* correspondências: datilografia, expedição
e arquivo;
* processos administrativos, formalização, expedição
e arquivo;
* recepção e distribuição da correspondência
recebida;
* instruções: recebimento e distribuição
(CIC, BIP) e arquivo;
* processos, recepção , expedição
e arquivo;
* mapas de dotação da agência: confecção
e controle;
* controle dos cartões magnéticos operacionais,
entrega e arquivo;
* escala de trabalho para os funcionários do atendimento
ao saque fácil;
* elaboração e expedição do BID (Boletim
Interno Diário), editado de 3 a 4 vezes por semana, possuindo
geralmente 1 ou 2 folhas impressas por computador que são
distribuídas para todos os setores da agência, o
seu conteúdo é de informações administrativas
relativas ao serviço, regras e normas implantadas pela
direção, cursos, férias e licenças,
dados do Cassi, CIPA, e credenciamento de médicos entre
outras;
Atividades eventuais de:
* coordenação das eleições (Previ,
Cassi, CIPA, etc.);
* escala e controle de exames periódicos de saúde;
* coordenação de concursos externos e internos.
A gama de atividades da secretária é muito variada,
exigindo uma grande dedicação e dinamismo, uma vez
que envolve-se com os diferentes setores da agência levando
ou coletando informações, e coordenando seleções.
A funcionária ocupa um cargo que lhe permite uma certa
autonomia na execução de suas atividades, em contrapartida
uma responsabilidade maior onde o término da jornada de
trabalho está mais relacionado à realização
da tarefa do que ao horário. Esta responsabilidade apresenta
consequências físicas somatizadas característico
para o tipo de atividade (dores musculares e de cabeça,
insônia).
Recentemente uma funcionária foi deslocada para o setor
de forma a auxiliar a secretária no seu serviço,
que passa a dedicar-se de forma mais intensa na coordenação
de suas tarefas.
Como o contato desta funcionária ocorre com todos os setores
da agência e possui um contato direto com a gerência
é vista como um referencial para reclamações
e queixas gerais.
Quando o GEREX do setor está impossibilitado de exercer
o função ou por motivo de doença ou férias,
a secretária mesmo sem exercer uma atividade específica
para o suporte é quem o substitui.
Postos Efetivos
Estão dispostos em mesas padrões de escritório,
conforme planta baixa do setor em anexo, ocupando cadeiras com
rodas e encosto regulável.
São 4 funcionários que dividem o serviço:
1 somente para operação do telex (avaliado a parte),
1 que auxilia no telex e realiza serviços gerais, 1 faz
a compe (conferência e devolução dos cheques
e o fechamento) e outra faz as partidas da agência, preparação
dos documentos a ser enviado para o CESEC, gravação
e a pesquisa para resolver problemas gerais.
A tarefa que merece maior atenção é o lançamento
realizado nas máquinas on-line que requer grande concentração,
o erro na digitação pode acarretar um prejuízo
financeiro para o funcionário.
Os papéis que ingressam no setor para ser processado provém
principalmente do setor de atendimento (caixas e plataforma).
Os documentos são encaminhados na maior parte para o CESEC
que realiza a microfilmagem e digitação.
A posição adotada é a sentada normal, onde
a operação da máquina on-line necessita a
adoção de posturas desconfortáveis.
A comunicação ente as funcionárias é
direta, sendo produtivo este contato como forma de resolver pequenas
dúvidas que surgem durante a execução das
atividades.
Recomendações para a melhoria das condições
de trabalho do Posto Suporte
* localização do posto de assistência de gerência
para um local mais reservado em virtude da gama de documentos
confidenciais que são processados;
* levantamento acústico do ambiente com vistas a reduzir
a penetração de ruído externo e a propagação
do ruído interno auxiliando assim a concentração
nas execuções das diferentes atividades que exigem
grande concentração.
* seja realizado um levantamento acústico no ambiente de
trabalho, caracterizando para os pontos de operação
da máquina de telex e a nível geral nos períodos
de perturbação por sinais externos (apresentações
culturais em frente à catedral);
* instalação de proteções nas luminárias
impedindo a perturbação visual causada pela
visualização
direta das lâmpadas acesas.
Posto de Trabalho Sistema Gerencial de Vendas - SGV
Localizada temporariamente no terceiro andar deslocando-se para
o segundo após a conclusão das reformas deste.
Ambiente com iluminação suficiente e um nível
de ruído aceitável, a densidade de pessoas no setor
é de 4 m2/funcionário não sendo incômodo
na maior parte do tempo visto que os GERAEs permanecem no setor
por volta de 30% do tempo. Composta de 5 mesas de escritório
com gavetas, sem armários uma vez que para atender a função
do setor não necessita o arquivamento de um grande quantidade
de documentos, onde o computador é destinado para programação
e controle das atividades, e o contato com os clientes é
realizado principalmente por telefone.
Setor implantado a pouco tempo na agência, por decisão
de Brasília, com o intuito de aumentar a participação
de investimentos de empresas, que para a sua instalação
requeiram da agência o preenchimento de algumas premissas
básicas que são:
* as iniciativas isoladas da agência para venda externa
não eram suficientes;
* empenho das vendas devem ter um registro e avaliação
dos resultados;
* o acompanhamento permanente é fundamental para realização
e manutenção de qualquer sistema.
A nível organizacional, o setor é composto por três
Gerentes de Atendimentos Especiais (GERAE, semelhante aos GEREX)
em um mesmo nível hierárquico e dois postos efetivos.
GERAEs (Gerentes de Atendimentos Especiais) do SGV
Os GERAEs foram escolhidos dentre os funcionários da agência
por eleição direta que selecionou 10 pessoas, destes
a gerência optou por 6 (3 efetivos e 3 substitutos) para
compor o quadro, onde o perfil estipulado para um GERAE foi o
de ter conhecimento sobre os produtos, serviços do banco,
clientes e concorrência, experiência no atendimento
ao público, auto-confiança, ser comunicativo, determinado
e bom relacionamento com as pessoas. Receberam um treinamento
de 21 horas (7 encontros de 3 horas) com conteúdo sobre
o que representa o sistema gerencial de vendas, aspectos comportamentais
do atendimento, técnicas e estratégias de vendas.
Como meta de desempenho inicialmente esperado para os GERAEs é um número de visitas (contatos) externas (4 por dia (cada uma possuindo uma carteira de 100 clientes)) que possam assegurar uma assistência eficiente aos clientes alvo e manutenção da essência do sistema. Esta meta inicial está sendo cumprida por todos, salientando que os índices de desempenho são próximos, não havendo uma projeção de alguns dos GERAEs.
O trabalho do GERAE é muito diferente do que outrora realizado
no interior da agência, o funcionário passa a trabalhar
no campo de atuação do cliente, sujeito a situações
variadas onde o domínio do tempo de atendimento não
está mais em seu poder e a variação de ambientes
e o tempo gasto com transporte de uma empresa até outra
é muito significativo. O funcionário deixou de
desenvolver uma atividade onde há uma supremacia do esforço
mental; os deslocamentos a pé necessários contribuem
para uma melhor circulação sanguínea e saúde
geral do organismo.
Cada GERAE responsabiliza-se pelo seu transporte sendo realizado
em automóvel próprio; o banco paga um valor em dinheiro
por quilômetro rodado.
Para adaptação neste novo quadro, requer um certo
tempo que ocorrerá de forma mais breve conforme for demostrado
os resultados positivos.
São realizadas regularmente 4 visitas diárias porém
no último dia útil da semana são somente
2 visitas com tempo para a reunião semanal de avaliação
e programação de visitas para a semana posterior.
O Gerente Geral acompanha os GERAEs na visita a alguns clientes,
que acontece com uma frequência média de 3 visitas
semanais com cada GERAE.
Os GERAEs permanecem no setor em torno de 30% do tempo destinado
ao serviço (8h às 17h), para participar de reuniões,
contatos telefônicos, e organização de suas
atividades.
Cada GERAE tem que relatar suas atividades em dois formulários,
que são:
* Histórico de Clientes: informações para
estabelecer o potencial de cada cliente, e auxiliar no planejamento
de contatos;
* Agenda de Contatos: organização para os serviços
de venda.
Postos Efetivos
Os postos efetivos tem funções distintas que são:
operações do over e suporte para os GERAEs, havendo
um auxílio mútuo na execução das tarefas
quando necessário. Na falta de qualquer um há uma
absorção de todo o serviço pelo outro sem
maiores problemas.
O funcionário responsável pelo suporte realiza suas
atividades no mesmo horário que os GERAEs (8h às
17h), adotando a postura sentado em pé. É responsável
pelo:
* atendimento das ligações telefônicas, agindo
como intercomunicador entre os clientes e os GERAEs nos momentos
que estes não estão no setor;
* encaminhamento das operações financeiras;
* lançamentos em máquinas on-line;
* operação do microcomputador;
* preenchimento dos relatórios operacionais de venda (semanalmente)
e dos relatórios gerencial agência (mensalmente).
Por trabalhar com volumes grandes de dinheiro (clientes são
empresas), qualquer erro em alguma aplicação pode
corresponder a um prejuízo financeiro significativo para
o funcionário. Esta situação o coloca em
um estado de tensão. Pode-se considerar como hipótese
inicial, que a constante dor de cabeça que o funcionário
se queixa é devido à sua preocupação
em não errar. Somente uma avaliação médica
mais aprofundada poderá determinar com maior certeza a
causa do problema.
Conclusões e Recomendações Gerais sobre
os postos Telefonia, Suporte e SGV
Com a elaboração desta análise tem-se uma
visualização geral das condições de
trabalho nos setores de Telefonia, Suporte e Sistema Gerencial
de Vendas, e algumas medidas que podem ser adotadas para melhorá-las.
Existe entre os funcionários uma preferência para
trabalhar direto no atendimento ao público, pois esta atividade
permite um contato direto com o usuário de seu serviço
que aumenta de forma significativa o seu nível de satisfação,
recebendo propostas diretas relativas a sua ação.
A atividade bancária é muitas vezes monótona
e repetitiva, onde a visualização do serviço
se perde entre folhas e anotações, não havendo
uma representação física que possa ser referenciada
como tarefa cumprida; em vista disto é necessário
uma atenção especial no lado humano do serviço.
Não se encontram no ambiente físico os maiores
problemas ergonômicos e sim a nível organizacional
e de exigência mental no trabalho, originando várias
doenças que são psicossomatizadas ao longo do tempo.
Para amenizar estas consequências é necessário
um maior investimento em medidas preventivas de combate ao Stress.
Uma forma é que seja feito o acompanhamento , por um psicólogo
ou psiquiatra, nos exames periódicos exigidos aos funcionários
(11 funcionários dos 21 que responderam um questionário
mostraram-se interessados em fazer um tratamento de
psicanálise).
Descrição dos Postos de trabalho
Este setor está localizado no 2 andar da agência
central, com 8 funcionários, sendo 3 gerentes, 4 atendentes
e 1 caixa fixo. O setor está subordinado ao gerente de
atendimento.
As principais tarefas deste setor consistem no seguinte:
- Preenchimento de boletos para a compra de moeda estrangeira (dólar, marco alemão, franco suíço, ien, franco francês, libra esterlina) e de boletos para a compra/venda de "travelers" cheques.
- Fornecimento de cotações de moeda via telefone e balcão.
- Saque com cartão Visa.
- Venda de formulários para o cadastramento na CACEX.
- Pagamento de ordens de pagamento para o exterior.
Os funcionários não comissionados do setor trabalham
6 horas por dia, sem turnos, com horário das 10:00 às
16:00 h com direito a 30 minutos para almoço. Os funcionários
comissionados trabalham 8 horas por dia com 60 minutos para o
almoço.
O local de trabalho é constituído de mesas, cadeiras,
máquinas de calcular, máquinas de escrever e terminal
de computador.
O trabalho dos funcionários, de maneira geral, consiste
em verificar as taxas correntes, e o preenchimento de fichas a
mão ou a máquina. Antes de concluir cada atendimento
ele deve ser verificado pelo gerente.
Tarefas do Setor Internacional
1 - Abertura de contas;
2 - Poupança;
3 - RDB/CDB;
4 - Conta-Ouro;
5 - Seguros
6 - Ações;
7 - Cobranças;
8 - Ourocard;
9 - Empréstimos;
10 - Importação/Exportação
11 - Operações de câmbio;
12 - Ordens de pagamento (exterior)
Os itens 10, 11, 12 são característicos do setor
e os demais somente são realizados quando vinculados a
alguma dessas atividades.
O trabalho efetuado pelos bancários, de maneira geral,
exige uma grande dose de atenção e concentração,
o que produz muito cansaço e fadiga mental, com possíveis
distúrbios emocionais, mentais e físicos (foram
detectados, por exemplo, problemas de gastrite). No caso específico
deste setor a atenção tem que ser redobrada devido
a grande variação das taxas, que chegam a mudar
várias vezes ao dia, o que geram dificuldades de memorização
dentro do período normal de trabalho.
Este setor do banco exige um alto nível de conhecimento
específico, tais como circulares e normas de importação
e exportação, e uma boa experiência, podendo-se
dizer que é uma trabalho especializado dentro do Banco.
Quando ocorre uma substituição de funcionários,
e o novo funcionário não tem conhecimento das tarefas
da área internacional, o banco não proporciona um
treinamento para as novas atividades. O funcionário tem
que aprender pela observação dos colegas mais experientes,
e com seus próprios erros. Isto desgasta o funcionário,
que fica dependente particularmente do gerente (que autoriza em
última instância todas as decisões), a quem
ele tem que recorrer para responder as dúvidas dos clientes,
o que passa como insegurança do funcionário, o que
prejudica a qualidade do atendimento.
Neste setor do banco o absteísmo é baixo, devido inclusivo ao pouco número de funcionários e sua especialização (seria difícil encontrar outro substituto rapidamente).
O principal problema encontrado quanto ao ambiente foi o ruído,
principalmente externo ao prédio, além de ser um
local pequeno para o número de funcionários envolvidos.
Houve reclamações quanto às máquinas
de escrever, muito velhas, que ocasionam problema na utilização.
Existe a necessidade do funcionário mostrar ao gerente
tudo o que é feito em termos de operações
monetárias, para conferência, o que exige uma grande
utilização do gerente, com uma grande carga de trabalho.
Com um melhor treinamento do funcionário isto poderia ser
melhorado.
Todos os passos de cada procedimento constam de regras e planos
escritos, o que exige o seu conhecimento e atualização,
devido a mudanças inclusive diárias.
No caso de câmbio, sempre existe o risco de haver moeda
falsa, e de grande valor, o que exige uma conferência cuidadosa
de cada nota (é o funcionário quem paga a nota falsa).
É necessário o conhecimento de pelo menos uma língua
estrangeira, sendo que nem todos os funcionários possuem
este conhecimento.
A idade média é 39 anos, o que revela a existência
de funcionários mais experientes.
Medidas realizadas no setor referentes à iluminação
e ao ruído permitiram verificar que em um dia de trabalho
sem interferências externas (ruído externo), o nível
de ruído ficou em 64 dbA, e o nível de iluminação
foi de 430 lux.
Recomendações e Conclusões sobre o
Setor Internacional
- Reprojetar o espaço de trabalho de forma a aumentar os
espaços para circulação dos funcionários
e clientes.
- Substituir as máquinas de escrever atuais por máquinas
mais novas.
- Estudar mais detalhadamente o efeito do ruído na atividade estudada e suas consequências sobre o trabalho.
* os trabalhadores que ocupam o posto demostram implicitamente
que dentre as funções bancárias, a atividade
na área internacional é a mais estimulante e menos
repetitiva, o que traz certa satisfação.
* As atividades do setor, por envolverem valores monetários
e portanto não permitindo o erro, causam grande solicitação
psíquica aos funcionários, e isto pode ser apontado
como o principal problema do setor.
* Os fatores ambientais, principalmente o ruído, embora
aparentemente não apresentem ser de grande importância
quanto às possíveis danos à saúde,
devem ser melhor estudados quanto ao seu efeito na atividade.
As reclamações dos funcionários quanto ao
ruído não foram confirmadas durante a medição,
o que possivelmente indica que este fator está sendo usado
como válvula de escape de uma situação de
trabalho muito tensa. Neste tipo de situação é
difícil, para o funcionário, indicar facilmente
a causa do seu desconforto, e o ruído parece estar sendo
usado para simbolizar toda um série de fatores já
apontados. Evidente que isto não descarta o fato e que
em dias de grande ruído externo ele seja um fator de
perturbação
do trabalho.
5.2.3 Caracterização da Qualidade de Vida
no
trabalho
A realização da análise das condições
de trabalho da agência X do Banco do Brasil forneceu subsídios
para que fosse elaborada uma caracterização da qualidade
de vida no trabalho dos funcionários do banco. A figura
04 fornece, de forma clara, os fatores que devem ser levados em
conta ao se avaliar a qualidade de vida no trabalho. Os fatores
são as variáveis definidas pelos indivíduos
amostrados, que são consideradas neste trabalho.
No que se refere às condições ambientais,
foram identificados como mais importantes os atributos relativos
às condições físicas, condições
químicas e biológicas.
Referente às condições físicas, foram
apontados os sub-atributos que dizem respeito ao ambiente
arquitetônico,
onde os funcionários desejam um espaço de trabalho
e os móveis que servem de apoio ao trabalho condizentes
com a tarefa realizada e com quem a realiza.
O ambiente sonoro também foi apontado como sendo
de fundamental importância. Os funcionários desejam
que os ruídos vindos do meio externo sejam brandos ou nulos,
e que os equipamentos que apresentem ruídos ao serem utilizados
sejam ou isolados ou melhor adaptados para que os ruídos
internos não prejudiquem a realização da
tarefa.
No que se refere às condições químicas,
o ambiente tóxico foi indicado importante no sentido
de que a questão de funcionários e clientes fumantes
seja tratada, para que a fumaça não prejudique aqueles
que não fazem uso do cigarro.
Nas condições biológicas, o fator mais preocupante dos funcionários entrevistados foi o aspecto que diz respeito ao ambiente bacteriológico, tais como problemas de saúde provocados pelo uso inadequado do ar-condicionado.
Figura 04 -
Caracterização da Qualidade de Vida
no Trabalho
Considerando as condições organizacionais, foram
identificados os atributos que levam em conta os métodos
de trabalho, a comunicação, o horário,
a formação, a tecnologia e a política
salarial. É claro que alguns destes atributos foram
mais evidenciados que outros.
Como a maioria dos funcionários brasileiros, no que se
refere ao sub-atributo política salarial, o pessoal
bancário deseja receber um salário melhor.
Os funcionários também desejam que o sub-atributo
tecnologia seja levado em conta no sentido de que os equipamentos
do setor bancário sejam mais modernos, de melhor qualidade,
mais "amigáveis" e possuam melhores sinalizadores.
Outro sub-atributo apontado pelos funcionários como de
importância foi a formação. Os bancários
anseiam por mais treinamento e aperfeiçoamento para que,
conforme eles próprios apontaram, possam ter maior conhecimento
do trabalho bancário para que ofereçam um atendimento
de maior qualidade a seus clientes.
Quanto ao sub-atributo horário, ficou evidenciado
o desejo de que o horário de trabalho seja mais compatível
com as necessidades e interesses de cada trabalhador.
A análise preliminar também mostrou que o sub-atributo
comunicação tem um grande peso na avaliação
das condições de trabalho dos bancários,
devido ao grande número de elementos levantados neste item.
Os funcionários desejam que haja mais facilidade de acesso
a documentos do banco para pesquisas, desejam que os manuais do
banco sejam mais estudados e que haja uma maior divulgação
dos mesmos. Por outro lado, os funcionários anseiam receber
maiores informações sobre as atividades de outros
setores do banco.
Outro item apontado pelos funcionários bancários
é a questão da grande comunicação
que existe entre funcionários de um mesmo setor, durante
a jornada de trabalho, para sanar dúvidas sobre a tarefa
executada. Eles apontaram esta questão com o objetivo de
que a comunicação, para o fim exposto, seja minimizada.
O último sub-atributo identificado é o que diz respeito
aos métodos de trabalho. Os funcionários
desejam ter maior poder de decisão na realização
de suas tarefas. Eles também apontaram a questão
da integração entre os trabalhadores da administração,
entre os funcionários, e entre a administração
e os funcionários. Na opinião deles, deve haver
maior integração dentro dos grupos e entre os grupos.
Uma melhor adequação entre a formação
do funcionário e o cargo por ele ocupado também
deve ser levado em conta, sob o ponto de vista dos funcionários.
Foi apontado o desejo da realização de paradas
de lazer durante uma jornada de trabalho, de haver menos acúmulo
de tarefas para um mesmo funcionário e que haja menos rodízio
de posto entre os funcionários. O item que também
foi considerado muito importante para os funcionários é
a questão do tratamento de erros. Os funcionários
bancários desejam que haja maior possibilidade de negociação
com relação aos erros cometidos, principalmente
nas atividades de caixa.
A partir dessa caracterização feita foram pesquisadas
outras três agências para se verificar a existências
de diferenças significativas com respeito à qualidade
de vida no trabalho. São apresentados no próximo
item, de forma detalhada a aplicação realizada.
5.3 Aplicação da Metodologia em Três
Agências
Bancárias
Será apresentado nesta parte a análise das condições
de trabalho realizada nas agências A, B e C do Banco do
Brasil. A aplicação foi realizada com o objetivo
de se validar a metodologia de avaliação a ser proposta
neste trabalho. Para cada uma das agências pesquisadas é
apresentada, primeiramente, a análise da demanda na forma
de um reconhecimento da agência. Segue a análise
das condições ambientais de trabalho, a análise
das condições organizacionais de trabalho, uma análise
dos postos de trabalho, terminando com as conclusões e
recomendações ergonômicas.
5.3.1 Agência A do Banco do Brasil
Reconhecimento da Agência
A agência A do Banco do Brasil está localizada na
região central da cidade. A agência ocupa cinco andares
do edifício.
O Novo Modelo Organizacional foi implantado na agência no
ano de 1992. Um dos aspectos que caracterizam o novo modelo é
a proposta de eliminar a especialidade dentro do Banco. A polivalência
decorrente dessa proposta exige que os funcionários exerçam
diferentes atividades como bancário. Uma Revitalização
do Novo Modelo Organizacional já está em estudo
e um plano piloto está sendo implantado em algumas agências.
Na agência em estudo já existem grupos de estudos
se preparando para a revitalização (equipe de auto
desenvolvimento, equipe de qualidade total).
A política de pessoal do órgão, com relação
ao recrutamento, seleção e admissão segue
os trâmites burocráticos do serviço público
federal. Além dos funcionários contratados através
de concursos, estagiários, menores aprendizes e menores
auxiliares de serviços de apoio, também trabalham
na agência funcionários de empresas prestadoras de
serviços, contratadas para a realização de
serviços de limpeza e segurança.
O tempo de serviço no banco dos funcionários entrevistados
varia de 5 a 27 anos. O tempo de serviço no posto de trabalho
varia de 1 mês a 20 ou até mesmo 27 anos (caso de
setores como o câmbio, por exemplo).
O absenteísmo dos funcionários ao serviço
é mínimo. Os funcionários contam com um serviço
médico na própria agência.
A agência conta com 91 funcionários comissionados,
96 posto-efetivo e 18 menores, totalizando 205 funcionários.
Dos funcionários amostrados, as idades se situam entre
23 e 49 anos, sendo que a distribuição dos sexos
é bem homogênea (32 do sexo feminino e 30 do sexo
masculino).
Funcionam no andar térreo o setor de atendimento ao cliente
ouro, pessoa jurídica e uma bateria de mais de 20 caixas
para os demais clientes. No segundo está situado o setor
internacional da agência, bem como o setor rural. No terceiro
andar ficam situados a sala ouro, o Serviço de Atendimento
Telefônico - SAT, a Gerência Geral, o Atendimento
a Órgãos Públicos, a Mesa de Negociação.
No quarto andar ficam o Atendimento a Funcionários, o Setor
de Administração Interna - SEAD com o telex e telefonistas
e o pessoal dos Postos Externos. Finalmente, no quinto andar,
se situam a sala de reuniões e a sala de atendimento médico.
Análise das Condições Ambientais de Trabalho
Serão abordados os aspectos ambientais que são determinantes
na execução das tarefas bancárias: o ambiente
arquitetônico (espaço e locais de trabalho), o ambiente
térmico (temperatura), o ambiente sonoro (ruído)
e o ambiente luminoso (iluminação). Posteriormente,
a nível de cada posto de trabalho, estes aspectos serão
analisados detalhadamente.
O Ambiente Arquitetônico
A distribuição dos diversos setores da agência,
nos quatro andares, parece atender as exigências do Novo
Modelo Organizacional adotado pelo banco, em termos de deslocamentos
dos funcionários e de movimentação dos clientes.
Contudo, algumas modificações ainda estão
sendo realizadas para uma melhor adaptação à
nova estrutura organizacional.
O lay-out em cada setor também é razoavelmente bem
distribuído, havendo pouco registro de descontentamento
por parte da maioria dos funcionários. Apenas 2% dos funcionários
amostrados consideram o espaço de trabalho insatisfatório.
O mobiliário utilizado pelos funcionários (mesas,
cadeiras, arquivos, armários, etc) são, em geral,
de boa qualidade, havendo poucos casos de cadeiras com defeitos
(encosto se soltando, etc). Contudo, 29% dos entrevistados não
têm a mesma opinião, pois não consideram que
os móveis estejam de acordo com a tarefa a ser executada.
O Ambiente Térmico
A agência do Banco do Brasil possui instalação
de ar-condicionado, devidamente posicionado para atender a carga
térmica do ambiente, com níveis de temperatura próximos
do conforto térmico desejável. Contudo foi possível
observar certo desconforto no andar térreo. Na avaliação
realizada pelos funcionários, percebeu-se que um alto índice
de insatisfação (21%).
O Ambiente Sonoro
Houve algumas reclamações por parte dos funcionários,
com relação ao problema de ruídos. Os ruídos
externos parecem se constituir problema, mas não é
muito grave. Quanto aos ruídos internos, percebeu-se algumas
reclamações esporádicas no que diz respeito
aos ruídos advindos de equipamentos (máquinas de
extratos, telefones, ar-condicionado, conversas, etc), que não
chegam a causar grande incômodo, apesar de um grande percentual
dos funcionários (29%) afirmarem que chegam a prejudicar
a realização da tarefa.
O Ambiente Luminoso
A iluminação da agência é compatível
com as exigências visuais, para a realização
das tarefas bancárias. Apenas 5% dos funcionários
afirmaram que o ambiente luminoso causa transtorno na realização
das tarefas.
O Ambiente Tóxico
No que diz respeito ao ambiente tóxico, foi possível
verificar que 19% dos entrevistados se mostraram insatisfeitos
com o mesmo, alegando que percebem algum incômodo no ambiente,
tais como a fumaça de cigarros.
O Ambiente Bacteriológico
O ambiente bacteriológico (ar-condicionado) parece ser
um aspecto preocupante dos funcionários dessa agência
do Banco do Brasil, pois 44% dos funcionários entrevistados
afirmaram que o ambiente não está muito bom (36%)
ou que está péssimo (8%).
Análise das Condições Organizacionais
de Trabalho
Serão apresentados de uma forma sintética os aspectos
organizacionais que são determinantes na execução
das tarefas bancárias: a formação, o poder
de decisão, a jornada de trabalho, o tratamento de erros.
É bom salientar que os resultados são provenientes
de entrevistas realizadas junto aos funcionários dos diversos
setores da agência. E, ainda, que dados mais detalhados
podem ser encontrados nos gráficos que estão no
Anexo G, bem como reclamações e sugestões
fornecidas pelos funcionários entrevistados.
Formação
Ao serem indagados como encaram a adequação entre
a formação do funcionário e o cargo ocupado
por ele, os resultados foram os seguintes: 53% afirmaram que a
adequação deve ser total e 45% dos funcionários
disseram que deve haver adequação sempre que possível,
sendo que 2% se mostraram indiferentes.
Poder de Decisão
O percentual dos funcionários que afirmam ser pouco satisfatório
o poder de decisão dentro da agência foi de 42%,
enquanto que 49% o consideram satisfatório, 3% insatisfatório
e 3% consideram muito insatisfatório.
Integração
A integração entre o pessoal da administração,
entre os funcionários entre si e entre a administração
e os funcionários é um fator muito importante para
90% dos entrevistados.
Jornada de Trabalho
No que diz respeito à jornada de trabalho, 8% dos entrevistados
consideram muito satisfatória, 56% consideram apenas satisfatória,
19% afirmaram que a a jornada de trabalho é pouco satisfatória,
15% disseram ser insatisfatória e 2% opinaram por muito
insatisfatória. Donde se pode concluir que a opinião
dos funcionários está mais ou menos equilibrada
( 64% satisfeitos e 56% pouco satisfeitos ou insatisfeitos).
Acúmulo de Tarefas e Rodízio de Postos
A questão do acúmulo de tarefas é muito preocupante
para a maioria dos entrevistados (68%), sendo que apenas 29% afirmam
estarem um pouco preocupados com esta questão.
No que diz respeito ao rodízio de postos, 72% estão
no mínimo um pouco preocupados com a questão, enquanto
que 26% se mostraram indiferentes.
Tratamento de Erros
A forma como são tratados os erros cometidos pelos funcionários
(diferença de caixa, etc) é um fator muito preocupante
para 53% dos entrevistados, preocupa um pouco 32% dos demais e,
para os 15% restantes ou não preocupa ou se mostram indiferentes
à questão.
Documentação
Para 81% dos entrevistados é importante que o funcionário
tenha acesso aos documentos do banco para a realização
de pesquisas. Por outro lado, os funcionários não
concordam totalmente que os manuais do BB sejam suficientemente
atualizados, divulgados e estudados. E, da mesma forma, que as
instruções através de manuais, cartas circulares
e relatórios sejam claras, objetivas e concisas.
Atualização do Funcionário
O que mais dificulta a atualização dos funcionários
do Banco do Brasil, na opinião dos funcionários
entrevistados na agência centro de Londrina é o excesso
de instruções (46%), a falta de objetividade das
informações (22%), a falta de preparo da gerência
média (21%) e a falta de tempo (11%).
Informações e Comunicação
Os funcionários sentem necessidade de receber informações
sobre as atividades de outros setores do banco diferente daquele
onde se situa seu posto de trabalho. Apenas 3% deles responderam
não sentir essa necessidade.
Por outro lado, os funcionários, em sua maioria, consideram
saudáveis as comunicações existentes entre
eles para tirar dúvidas, por exemplo, ao estarem atendendo
aos clientes, o que alguns clientes consideram atrapalhar o atendimento
(será visto mais adiante).
Horários e Turnos de Trabalho
Quanto aos horários e turnos de trabalho, 59% dos entrevistados
afirmaram que estão apenas parcialmente compatíveis
com as suas necessidades e com seus interesses, enquanto que 32%
alegaram ser totalmente compatível, 3% afirmaram não
ser nada compatível e 6% se mostraram indiferentes.
Qualificação
No que diz respeito à qualificação e competência
dos funcionários, apenas 10% dos funcionários afirmaram
que estão dentro do desejado, 67% disseram estar parcialmente
e um razoável percentual (23%) afirmaram não estar
dentro do desejado.
Equipamentos
Apenas 6% dos entrevistados concordam que os equipamentos estão
totalmente dentro do desejado, enquanto que a maioria (60%) afirma
estar apenas parcialmente de acordo com suas necessidades no que
diz respeito à qualidade, modernidade, amigável.
Um percentual de 34% afirmam que os equipamentos não estão
nada dentro do esperado.
Política Salarial
Numa época de recessão, este fator não poderia
deixar de ser preocupante aos funcionários. Contudo, 54%
dos funcionários entrevistados concordam que a política
salarial do banco é satisfatória, enquanto que 3%
a consideram muito satisfatória, 31% pouco satisfatória,
10% insatisfatória, 2% muito insatisfatória.
Análise Ergonômica dos Postos de Trabalho
Posto de Trabalho Caixa
A bateria de caixas do andar térreo apresenta certo conforto
ao funcionário. As banquetas possuem encosto, há
apoio para os pés.
Nas mesas individuais foi possível observar funcionários
utilizando terminais de computadores sem se sentar, ocasionando
inclinação nada saudável para a sua coluna.
Numa observação marcou-se o tempo em que um funcionário
ficou nesta posição, o tempo foi de um minuto e
meio na posição inclinada. Este fato foi observado
também em outros setores (no SAT, por exemplo), de onde
se pode concluir que é um costume dos funcionários
realizar consultas em terminais sem utilizar a cadeira que se
encontra disponível.
Posto de Trabalho Setor de Câmbio e Rural
Nestes setores as impressoras se apresentam com protetores contra
ruídos, o que favorece muito o ambiente de trabalho no
que diz respeito ao aspecto sonoro. Existem ruídos externos,
provenientes de construções próximas, mas
estes não apresentam grande incômodo.
Os postos de trabalho se apresentam na forma de ilhas de trabalho,
onde são colocados em uso comum diversos equipamentos e
aparelhos telefônico. Estas ilhas de trabalho favorecem
bastante a realização das tarefas, na opinião
dos funcionários, pois elas facilitam a comunicação,
a disponibilidade das ferramentas de trabalho e evitam o deslocamento
contínuo do funcionário, o que acarreta perda de
tempo e algum desgaste físico. No setor existe as ilhas
de trabalho: importação, exportação,
etc.
Foi observada a presença no ambiente de diversas pilhas
de caixas vazias, distribuídas pelos cantos. As caixas
vazias estavam presentes durante todo o período de observação
no posto, o que leva a concluir que é um costume na agência.
Este fato também foi observado em outros ambientes de trabalho
da agência, onde não existe a presença de
clientes.
Pela manhã, pode-se observar que as mesas de trabalho se
apresentam bastante arrumadas e não existe sobre elas pastas
e pilhas de papéis, o que não ocorre durante a jornada
de trabalho. Nesse período as mesas ficam muitas vezes
abarrotadas de pastas e de pilhas de papéis, que os funcionários
manuseam durante sua jornada de trabalho. Contudo, a arrumação
é feita a cada dia. Esta observação também
é válida para as demais ilhas de trabalho da agência.
Observou-se que o carpete deste ambiente de trabalho apresenta
alguns pontos defeituosos (rasgões) fazendo com que se
corra riscos de tropeços. Por outro lado, se encontra instalado
no chão, em lugar de passagem de funcionários uma
caixa de aproximadamente dez centímetros de altura por
vinte de largura e vinte de lado, que deve fazer parte dos equipamentos
de computação ou de telefonia. Esta instalação
é um verdadeiro obstáculo para a passagem do funcionário.
A solução encontrada pelos funcionários,
para evitar acidentes de percurso, foi a colocação
de uma caixa de papelão, maior que a caixa instalada no
chão, em cima daquela, para que todos enxerguem o obstáculo
e evitem-no e se desviem do mesmo.
Posto de Trabalho Sat e Mesa de Negociação
Neste setor as mesas de trabalho também se encontram na
forma de ilhas de trabalho, ficando os equipamentos e aparelhos
telefônicos em uso comum. Os funcionários afirmam
que este arranjo traz a vantagem de ganho de tempo. As cadeiras
se apresentam com rodinhas neste setor e em todos os outros setores
da agência.
Existe a presença de ruídos esporádicos e
suaves, provenientes de terminais de extratos, telefones, etc.
Foi observado o uso de terminais, pelos funcionários, em
pé, na posição inclinada da coluna.
Postos do Telex, Telefonia e Atendimento ao Funcionário
Telex
No posto de trabalho do Telex observou-se a presença de
ruídos externos e ruídos internos não muito
intensos provenientes do equipamento de telex.
As cadeiras do posto se apresentam convenientemente. Contudo,
foi observado que um funcionário do setor não consegue
alcançar o chão ao se sentar na cadeira - os pés
ficam sem apoio.
Foi constatada a presença de papéis picados e caixas
vazias empilhadas pelos cantos em todos os dias de observação.
Telefonia
Neste posto de trabalho os funcionários ficam de frente
para uma divisória de vidro que pode apresentar ofuscamento
da luz solar em determinados horários do dia. Porém,
ao serem indagados, os funcionários afirmaram não
se sentirem incomodados com o fato.
Foi constatada a presença de sobras de materiais de
construções
(restos de carpetes, etc) espalhados pelo chão neste setor.
Um ruído descontínuo proveniente da sala ao lado, sala da bateria do sistema on-line é intenso.
Conforme informação o posto de trabalho está
em estudos e deve se alterar brevemente.
Atendimento aos funcionários
Neste posto não foi constatada a presença de ruídos
externos e os ruídos internos não chegam a se constituir
incômodo ao funcionário.
Observou-se a presença de fumantes neste setor, bem como
em outros ambientes fechados da agência.
Posto de Trabalho SEAD
Este posto de trabalho também se apresenta em forma de
ilha de trabalho. As mesas se encontram sempre cheias de pastas
e papéis, de forma desorganizada, durante a jornada de
trabalho.
Constatou-se a presença de ruído intenso proveniente
do equipamento de ar-condicionado do prédio ao lado. A
solução encontrada pelos funcionários, para
sanar este problema, foi fechar todas as janelas da sala e ligar
o ar-condicionado. Verificou-se a presença de fumantes
no ambiente com janelas fechadas e ar condicionado ligado.
Também neste posto de trabalho foi observada a existência
de caixas de papelão de computadores e impressoras vazias
(ou cheias?) pelos cantos.
Estes foram os postos de trabalho observados. Não foi possível
realizar trabalho na tesouraria da agência. Se algum outro
posto de trabalho ficou faltando é porque não apresentou
nenhum problema significativo.
Conclusão e Recomendações sobre a Análise
das Condições de Trabalho na Agência A
A seguir é apresentada uma síntese das principais
recomendações propostas a partir das análises
realizadas nos diversos postos de trabalho da agência A
do Banco do Brasil.
* Oferecer palestras aos funcionários sobre os problemas
de colunas decorrentes de más posturas e mau uso dos terminais
(uso em pé), para esclarecer e evitar futuros problemas
de saúde e de absenteísmo.
* Oferecer, da mesma forma, palestras sobre o mal causado pelo
cigarro à saúde de quem é fumante e de quem
se encontra no mesmo ambiente do fumante.
* Utilizar protetores de ruídos em todas as impressoras
da agência.
* Realizar campanha de organização e limpeza de
todos os ambientes de trabalho, retirando caixas vazias e evitando
jogar papéis pelo chão, para proporcionar um ambiente
de trabalho mais saudável e agradável.
* Consertar pontos estragados da forração do chão
(carpetes) para evitar acidentes.
* Alterar a disposição das mesas de trabalho para
que as caixas do sistema on-line ou da telefonia, que ficam pelo
caminho, fiquem posicionadas em lugares onde não existe
passagem de funcionários.
* Oferecer ao funcionário do telex um apoio para os pés
em seu posto de trabalho.
* Agilizar a mudança do posto de telefonia para que seja
oferecido um ambiente de trabalho mais saudável para os
funcionários do posto.
* Realizar estudo sobre as reclamações e sugestões
dos funcionários entrevistados, que se encontram em anexo,
objetivando uma melhoria da qualidade de vida no trabalho.
5.3.2 Agência B do Banco do Brasil
Reconhecimento da Agência
A agência B do Banco do Brasil está localizada na
região central da cidade. A agência ocupa um edifício
de dois pavimentos.
A política de pessoal do órgão, com relação
ao recrutamento, seleção e admissão segue
os trâmites burocráticos do serviço público
federal. Além dos funcionários contratados através
de concursos e menores aprendizes, também trabalham na
agência funcionários de empresas prestadoras de serviços,
contratadas para a realização de serviços
de limpeza e segurança.
O tempo de serviço no banco dos funcionários entrevistados
varia de 7 a 12 anos. O tempo de serviço no posto de trabalho
varia de 1 mês a 20 anos .
A agência conta com 47 funcionários. Dos funcionários
amostrados, as idades se situam entre 29 e 48 anos, sendo que
foram entrevistados 7 funcionários do sexo feminino e 10
do sexo masculino.
Funcionam no andar térreo o setor de atendimento às
pessoas físicas, e uma bateria de caixas. No segundo pavimento
está situado o setor de gerência, a telefonia, o
setor de atendimento a profissionais liberais, o setor rural,
o sistema gerencial de vendas - SGV, e o setor que oferece atendimento
às empresas/empresários.
Análise das Condições Ambientais de Trabalho
O Ambiente Arquitetônico
A distribuição dos diversos setores da agência,
nos dois pavimentos, parece atender as exigências do Novo
Modelo Organizacional adotado pelo banco, em termos de deslocamentos
dos funcionários e de movimentação dos clientes.
Contudo, algumas modificações ainda estão
sendo estudadas pelo pessoal de consultoria do CEDIP para uma
melhor adaptação à nova estrutura organizacional.
O lay-out em cada setor também é razoavelmente bem
distribuído, havendo pouco registro de descontentamento
por parte da maioria dos funcionários. Apenas 4% dos funcionários
amostrados consideram o espaço de trabalho insatisfatório.
Contudo, foi observado um defeito na construção
térrea. Existe um degrau que leva até uma plataforma,
onde são atendidas as pessoas físicas, que apresentam
quinas bem salientes, evidenciando de forma clara riscos permanentes
de acidentes.
O mobiliário utilizado pelos funcionários (mesas,
cadeiras, arquivos, armários, etc) são, em geral,
de boa qualidade, havendo poucos casos de cadeiras com defeitos.
Contudo, 46% dos entrevistados não têm a mesma opinião,
pois não consideram que os móveis estejam de acordo
com a tarefa a ser executada.
O Ambiente Térmico
A agência do Banco do Brasil possui instalação
de ar-condicionado, porém o mesmo não se encontrou
em funcionamento em nenhum dia em que as análises foram
realizadas, levando a crer que é utilizado apenas em dias
realmente muito quentes. Contudo foi possível observar
certo desconforto no segundo pavimento. Na avaliação
realizada pelos funcionários, percebeu-se que um alto índice
de insatisfação (24% alegaram ser ou insatisfatório
ou pouco satisfatório).
O Ambiente Sonoro
Houve algumas reclamações por parte dos funcionários,
com relação ao problema de ruídos. Os ruídos
externos praticamente não existem, devido ao tamanho da
cidade. Quanto aos ruídos internos, percebeu-se algumas
reclamações esporádicas no que diz respeito
aos ruídos advindos de equipamentos (máquinas de
extratos, telefones, ar-condicionado, conversas, etc), que não
chegam a causar grande incômodo, pois apenas um pequeno
percentual dos funcionários (18%) afirmaram prejudicam
um pouco a realização da tarefa.
O Ambiente Luminoso
A iluminação da agência parece ser compatível
com as exigências visuais, para a realização
das tarefas bancárias. Porém 30% dos funcionários
entrevistados afirmaram que o ambiente luminoso causa um pouco
de transtorno na realização das tarefas.
O Ambiente Tóxico
No que diz respeito ao ambiente tóxico, foi possível
verificar que 6% dos entrevistados se mostraram insatisfeitos
com o mesmo, alegando que percebem muito incômodo no ambiente,
enquanto que 12% deles alegaram que é pouco o incômodo
percebido, tais como a fumaça de cigarros.
O Ambiente Bacteriológico
O ambiente bacteriológico (ar-condicionado) parece ser
um aspecto preocupante dos funcionários dessa agência
do Banco do Brasil, pois 29% dos funcionários entrevistados
afirmaram que o ambiente não está muito bom.
Análise das Condições Organizacionais
de Trabalho
Formação
Ao serem indagados como encaram a adequação entre
a formação do funcionário e o cargo ocupado
por ele, os resultados foram os seguintes: 29% afirmaram que a
adequação deve ser total e 71% dos funcionários
disseram que deve haver adequação sempre que possível.
Poder de Decisão
O percentual dos funcionários que afirmam ser pouco satisfatório
o poder de decisão dentro da agência foi de 18%,
enquanto que 59% o consideram satisfatório, e 23% afirmaram
ser muito satisfatório.
Integração
A integração entre o pessoal da administração,
entre os funcionários entre si e entre a administração
e os funcionários é um fator muito importante para
100% dos entrevistados.
Jornada de Trabalho
No que diz respeito à jornada de trabalho, 6% dos entrevistados
consideram muito satisfatória, 47% consideram apenas satisfatória,
23% afirmaram que a a jornada de trabalho é pouco satisfatória,
18% disseram ser insatisfatória e 6% opinaram por muito
insatisfatória. Donde se pode concluir que a opinião
dos funcionários está mais ou menos equilibrada
( 53% satisfeitos e 47% pouco satisfeitos ou insatisfeitos).
Acúmulo de Tarefas e Rodízio de Postos
A questão do acúmulo de tarefas é muito preocupante
para a maioria dos entrevistados (53%), sendo que apenas 47% afirmam
estarem um pouco preocupados com esta questão.
No que diz respeito ao rodízio de postos, 41% estão
no mínimo um pouco preocupados com a questão, enquanto
que 59% se mostraram despreocupados com relação
à questão.
Tratamento de Erros
A forma como são tratados os erros cometidos pelos funcionários
(diferença de caixa, etc) é um fator muito preocupante
para 35% dos entrevistados, preocupa um pouco 53% dos demais e,
para os 12% restantes ou não os preocupa ou se mostram
indiferentes à questão.
Documentação
Para 88% dos entrevistados é importante que o funcionário
tenha acesso aos documentos do banco para a realização
de pesquisas. Por outro lado, 29% dos funcionários entrevistados
não concordam que os manuais do BB sejam suficientemente
atualizados, divulgados e estudados. E, da mesma forma, 24% discordam
que as instruções através de manuais, cartas
circulares e relatórios sejam claras, objetivas e concisas.
Atualização do Funcionário
O que mais dificulta a atualização dos funcionários
do Banco do Brasil, na opinião dos funcionários
entrevistados na agência de Arapongas é o excesso
de instruções (68%), a falta de objetividade das
informações (16%) e a falta de tempo (16%).
Informações e Comunicação
Os funcionários sentem necessidade de receber informações
sobre as atividades de outros setores do banco diferente daquele
onde se situa seu posto de trabalho. Apenas 6% deles responderam
não sentir essa necessidade.
Por outro lado, os funcionários, em sua maioria, consideram
saudáveis as comunicações existentes entre
eles para tirar dúvidas, por exemplo, ao estarem atendendo
aos clientes.
Horários e Turnos de Trabalho
Quanto aos horários e turnos de trabalho, 47% dos entrevistados
afirmaram que estão apenas parcialmente compatíveis
com as suas necessidades e com seus interesses, enquanto que 29%
alegaram ser totalmente compatível e 24% afirmaram não
ser nada compatível.
Qualificação
No que diz respeito à qualificação e competência
dos funcionários, apenas 12% dos funcionários afirmaram
que estão totalmente dentro do desejado, 76% disseram estar
parcialmente e um razoável percentual (12%) afirmaram não
estar dentro do desejado.
Equipamentos
A maioria dos funcionários entrevistados (88%) afirmam
que os equipamentos estão apenas parcialmente de acordo
com suas necessidades no que diz respeito à qualidade,
modernidade, amigável. Um percentual de 12% afirmam que
os equipamentos não estão nada dentro do esperado.
Política Salarial
Numa época de recessão, este fator não poderia
deixar de ser preocupante aos funcionários. Contudo, 53%
dos funcionários entrevistados concordam que a política
salarial do banco é satisfatória, 35% pouco satisfatória
e 12% a consideram insatisfatória.
Análise Ergonômica dos Postos de Trabalho
Posto de Trabalho Caixa
A bateria de caixas do andar térreo apresenta certo conforto
ao funcionário. As banquetas são novas, bem seguras,
possuem encosto e há apoio para os pés.
No pavimento superior, existe risco de acidente no setor de bateria
de caixas. Há um buraco no chão, perto de um dos
postos de trabalho, que é propício para que um pé
da banqueta entre e ocasione acidente ao funcionário. Por
outro lado, existe também uma caixa no caminho onde os
funcionários se movimentam neste setor, que faz parte do
sistema on-line, que pode acarretar risco de acidentes, pois os
funcionários podem tropeçar nela. Este tipo de caixa
também foi observada em outros setores da agência
e, em alguns casos, foram colocados vasos de folhagens perto delas,
justamente para evitar tais riscos.
Posto de Trabalho Setor Rural
Neste setor, e nos demais setores da agência, as impressoras
se apresentam sem protetores contra ruídos, o que desfavorece
muito o ambiente de trabalho no que diz respeito ao aspecto sonoro.
Os ruídos externos não apresentam incômodo.
Observou-se a falta de um lugar conveniente para que as capas
dos equipamentos sejam guardadas, pois elas ficam jogadas num
canto do ambiente, de forma desorganizada.
Foi constatada a presença de cadeiras com braços
estofados rasgados, o que pode fornecer uma má impressão
ao cliente.
No meio do caminho entre este setor e o setor empresas/empresários
existe um vaso com folhagens e, perto dele uma mesinha sem utilidade
aparente, que foram assim arranjados para evitar acidentes com
a caixa do equipamento on-line presente no chão. Assim,
tanto clientes como funcionários, obrigatoriamente devem
se desviar, fugindo do risco de se acidentar.
Observou-se a presença de fumantes neste setor, bem como
em outros ambientes fechados da agência.
Posto Telefonia
No posto de trabalho de telefonia observou-se a presença
de ruídos internos não muito intensos provenientes
de diversos equipamentos de comunicação, como o
telefone por exemplo.
As cadeiras do posto se apresentam convenientemente. E o espaço
de trabalho é amplo e arejado.
Posto Empresa/Empresários
Constatou-se a presença de ruídos de vozes e de
equipamentos neste setor, mas nada muito grave.
Foi observada a presença no ambiente de pilhas de caixas
vazias, distribuídas pelos cantos. As caixas vazias estavam
presentes durante todo o período de observação
no posto, o que leva a concluir que é um costume na agência.
Este fato também foi observado em outros ambientes de trabalho
da agência, onde não existe a presença de
clientes.
Posto Profissionais Liberais
Foi constatada a presença de fumantes (funcionários
e clientes) no local, cuja ventilação não
existe, ocasionando grande incômodo aos que não têm
este hábito. Esta constatação também
foi feita em outros setores da agência.
Existem, por outro lado, fios colocados no meio do caminho, podendo
ocorrer acidentes.
O ambiente é um pouco apertado para a quantidade de atividades
desenvolvidas no mesmo, bem como para a quantidade de pessoas
que ali desenvolvem o seu trabalho.
Pessoas Físicas
O maior problema observado neste posto de trabalho é o degrau que leva até o mesmo. O risco de ocorrência de acidentes devido a tropeços é enorme, pois existem quinas que muitas vezes não são possíveis de serem percebidas visualmente. Foi também observada a dificuldade que alguns idosos enfrentaram para subirem até este posto.
Observou-se, finalmente, que nem todos os funcionários
fazem uso do crachá, dificultando a comunicação
entre eles e os clientes que ainda não os conhecem pelos
nomes.
Conclusão e Recomendações sobre a Análise
das Condições de Trabalho na Agência B
* Oferecer palestras aos funcionários sobre os problemas
de colunas decorrentes de más posturas e mal uso dos terminais
(uso em pé), para esclarecer e evitar futuros problemas
de saúde e de absenteísmo.
* Oferecer, da mesma forma, palestras sobre o mal causado pelo
cigarro à saúde de quem é fumante e de quem
se encontra no mesmo ambiente do fumante.
* Realizar a colocação de protetores de ruídos
em todas as impressoras da agência.
* Realizar campanha de organização e limpeza de
todos os ambientes de trabalho, retirando caixas vazias e evitando
jogar papéis pelo chão, para proporcionar um ambiente
de trabalho mais saudável e agradável.
* Alterar a disposição das mesas de trabalho para
que as caixas do sistema on-line ou da telefonia, que ficam pelo
caminho, fiquem posicionadas em lugares onde não existe
passagem de funcionários. Ou, melhor ainda, readequar as
caixas de forma que não sejam causas de acidentes (colocando-as
abaixo do nível do piso, se for possível). O melhor
seria que uma análise técnica fosse feita para que
as alterações sejam as melhores possíveis.
* Realizar análise técnica do primeiro pavimento
objetivando a retirada do degrau através de uma reforma.
5.3.3 Agência C do Banco do Brasil
Reconhecimento da Agência
A agência C do Banco do Brasil está localizada na região central da cidade, perto da igreja. A pequena cidade fica numa região que sobrevive da agricultura, ao norte do Paraná. A agência ocupa um edifício de apenas um pavimento.
A política de pessoal do órgão, com relação
ao recrutamento, seleção e admissão segue
os trâmites burocráticos do serviço público
federal. Além dos funcionários contratados através
de concursos e menores aprendizes, também trabalham na
agência funcionários de empresas prestadoras de serviços,
contratadas para a realização de serviços
de limpeza e segurança.
O tempo de serviço no banco dos funcionários entrevistados
varia de 1 a 16 anos. O tempo de serviço no posto de trabalho
varia de 1 a 12 anos .
A agência conta com 24 funcionários. Dos funcionários
amostrados, as idades se situam entre 23 e 43 anos, sendo que
foram entrevistados 2 funcionários do sexo feminino e 8
do sexo masculino.
Funcionam num mesmo ambiente a bateria de caixas, o setor de atendimento
a empréstimos rurais, o setor de conta corrente e a gerência
geral. A construção ainda possui uma cozinha pequena,
dois banheiros, uma sala pequena onde fica o equipamento do sistema
on-line, uma saleta onde ficam o telex, a máquina de xerox,
etc, uma pequenina saleta onde estão alojadas as baterias
do sistema e um corredor que serve de sala de arquivamento.
Em 1984 a agência ainda era subordinada à cidade
de Assaí. A partir de 1985 é que ela se tornou autônoma
e, em março deste ano - 1994 - foi instalado o sistema
on-line.
A agência possui um gerente geral e dois gerentes de expediente,
um dele é responsável pelo setor de conta corrente
e a bateria de caixas e, o outro, gerência o atendimento
a empréstimos rurais.
Análise das Condições Ambientais de Trabalho
O Ambiente Arquitetônico
A distribuição dos diversos setores da agência
parece atender às exigências do Novo Modelo Organizacional
adotado pelo banco, em termos de deslocamentos dos funcionários
e de movimentação dos clientes.
O lay-out é bem distribuído, na medida do possível,
visto que a agência é constituída por praticamente
apenas um ambiente. Apesar disso, os funcionários não
consideram insatisfatório o espaço de trabalho.
O percentual registrado foi de 50% que opinaram que o espaço
de trabalho é pouco satisfatório, contra também
50% que afirmaram ser satisfatório.
O mobiliário utilizado pelos funcionários (mesas,
cadeiras, arquivos, armários, etc) são, em geral,
de boa qualidade, havendo poucos casos de cadeiras com defeitos.
Com efeito, 90% dos entrevistados concordam que os móveis
dos postos de trabalho estão de acordo com a tarefa a ser
executada, bem como com o funcionário que a executa.
O Ambiente Térmico
A agência do Banco do Brasil possui 5 aparelhos de ar-condicionado,
porém o mesmo não se encontraram em funcionamento
em nenhum dia em que a análise foi realizada, levando a
crer que é utilizado apenas em dias realmente muito quentes.
Na avaliação realizada pelos funcionários,
percebeu-se um alto índice de satisfação
(80% alegaram ser satisfatório ambiente térmico).
O Ambiente Sonoro
Praticamente não houve reclamações por parte
dos funcionários, com relação ao problema
de ruídos. Os ruídos externos pode-se dizer que
não existem, devido ao tamanho da cidade. Quanto aos ruídos
internos, percebeu-se algumas reclamações esporádicas
no que diz respeito aos ruídos advindos de equipamentos
(máquinas de extratos, telefones, ar-condicionado, conversas,
etc), que não devem chegam a causar grande incômodo,
apesar de um razoável percentual dos funcionários
(40%) afirmarem prejudicam um pouco a realização
da tarefa.
O Ambiente Luminoso
A iluminação da agência parece ser compatível
com as exigências visuais, para a realização
das tarefas bancárias. Porém 10% dos funcionários
entrevistados afirmaram que o ambiente luminoso causa um pouco
de transtorno na realização das tarefas.
O Ambiente Tóxico
No que diz respeito ao ambiente tóxico, foi possível
verificar que 20% dos entrevistados se mostraram insatisfeitos
com o mesmo, registrando a existência de algum tipo de incômodo
no ambiente, tais como a fumaça de cigarros.
O Ambiente Bacteriológico
O ambiente bacteriológico (ar-condicionado) parece ser
um aspecto não muito preocupante dos funcionários
dessa agência do Banco do Brasil, pois apenas 10% dos funcionários
entrevistados afirmaram que o ambiente não está
muito bom.
Análise das Condições Organizacionais
de Trabalho
Formação
Ao serem indagados como encaram a adequação entre
a formação do funcionário e o cargo ocupado
por ele, os resultados foram os seguintes: 40% afirmaram que a
adequação deve ser total e 60% dos funcionários
disseram que deve haver adequação sempre que possível.
Poder de Decisão
O percentual dos funcionários que afirmam ser pouco satisfatório
o poder de decisão dentro da agência foi de 30%,
enquanto que 70% o consideram satisfatório
Integração
A integração entre o pessoal da administração,
entre os funcionários entre si e entre a administração
e os funcionários é um fator muito importante para
90% dos entrevistados.
Jornada de Trabalho
No que diz respeito à jornada de trabalho, 80% consideram
apenas satisfatória, enquanto 20% afirmaram que a a jornada
de trabalho é pouco satisfatória.
Acúmulo de Tarefas e Rodízio de Postos
A questão do acúmulo de tarefas é muito preocupante
para a maioria dos entrevistados (60%), sendo que apenas 40% afirmam
estarem um pouco preocupados com esta questão.
No que diz respeito ao rodízio de postos, 40% estão
no mínimo um pouco preocupados com a questão, enquanto
que 50% se mostraram despreocupados com relação
à questão.
Tratamento de Erros
A forma como são tratados os erros cometidos pelos funcionários
(diferença de caixa, etc) é um fator muito preocupante
para 50% dos entrevistados, preocupa um pouco 30% dos demais e,
para os 20% restantes não é preocupante.
Documentação
Para 70% dos entrevistados é importante que o funcionário
tenha acesso aos documentos do banco para a realização
de pesquisas. Por outro lado, apenas 30% dos funcionários
entrevistados concordam totalmente que os manuais do Banco do
Brasil sejam suficientemente atualizados, divulgados e estudados.
E, da mesma forma, 30% concordam totalmente que as instruções
através de manuais, cartas circulares e relatórios
sejam claras, objetivas e concisas.
Atualização do Funcionário
O que mais dificulta a atualização dos funcionários
do Banco do Brasil, na opinião dos funcionários
entrevistados na agência C é o excesso de instruções
(62%), a falta de objetividade das informações (13%),
a falta de tempo para estudo (13%) e a falta de preparo da gerência
média (12%).
Informações e Comunicação
Os funcionários sentem necessidade de receber informações
sobre as atividades de outros setores do banco diferente daquele
onde se situa seu posto de trabalho. Apenas 10% deles responderam
que se sentem indiferentes com relação a esta questão.
Por outro lado, os funcionários, em sua maioria, consideram
saudáveis as comunicações existentes entre
eles para tirar dúvidas, por exemplo, ao estarem atendendo
aos clientes.
Horários e Turnos de Trabalho
Quanto aos horários e turnos de trabalho, 60% dos entrevistados
afirmaram que estão apenas parcialmente compatíveis
com as suas necessidades e com seus interesses, enquanto que 30%
alegaram ser totalmente compatível e 10% se mostraram indiferentes.
Qualificação
No que diz respeito à qualificação e competência
dos funcionários, apenas 20% dos funcionários afirmaram
que estão totalmente dentro do desejado, 50% disseram estar
parcialmente e um razoável percentual (20%) afirmaram não
estar dentro do desejado.
Equipamentos
A maioria dos funcionários entrevistados (70%) afirmam
que os equipamentos estão apenas parcialmente de acordo
com suas necessidades no que diz respeito à qualidade,
modernidade, amigável, enquanto 20% afirmam que estão
totalmente de acordo. Um percentual de 10% afirmam que os equipamentos
não estão nada dentro do esperado.
Política Salarial
Numa época de recessão, este fator não poderia
deixar de ser preocupante aos funcionários. Contudo, 10%
dos funcionários entrevistados concordam que a política
salarial do banco é satisfatória, 70% pouco satisfatória,
10% a consideram insatisfatória e 10% a consideram muito
insatisfatória.
Análise Ergonômica dos Postos de Trabalho
Posto de Trabalho Caixa
A bateria de caixas apresenta certo conforto ao funcionário.
As banquetas são novas, bem seguras, possuem encosto e
há apoio para os pés. Funcionam apenas de 2 a 3
dos caixas, pois não há demanda, conforme explicação
do gerente geral.
Os ruídos de equipamentos do sistema on-line (terminais
de extrato) foram os ruídos mais incômodos observados.
O barulho provocado pelo uso de alguns carimbos também
foram observados, porém nada de muito preocupante.
Posto de Trabalho Conta Corrente
Foi observado neste setor a presença de fumantes. As mesas que compõem o setor se apresentam razoavelmente bem distribuídas, contudo o espaço de trabalho é um pouco apertado.
Foi constatada a presença de ar-condicionado sem a tampa,
na parede do fundo do setor, perto da mesa da gerência geral,
o que pode ocasionar uma má impressão ao cliente.
Posto Empréstimo Rural
Constatou-se a presença de ruído de vozes e de equipamentos
neste setor, mas nada muito grave. Foi também observada
a presença de uma impressora sem protetor contra ruídos.
Foi observada, neste posto de trabalho, a presença de caixas
de papelão pelos cantos, bem como perto da impressora.
As caixas estavam presentes durante todo o período de
observação
no posto, o que leva a concluir que é um costume na agência,
pois ela não possui local adequado para colocação
das mesmas.
Constatou-se a presença de fiação colada
no chão com fita adesiva, podendo se tornar um risco de
acidente. Bem como a presença de um buraco numa tomada
existente no chão deste setor, que também pode ocasionar
acidente.
O ambiente é um pouco apertado para a quantidade de tarefas
desenvolvidas no mesmo, como para a quantidade de pessoas que
ali desenvolvem o seu trabalho e pela quantidade de mobiliário
existente.
Observou-se que os funcionários não fazem uso do
crachá, podendo dificultar a comunicação
entre eles e possíveis clientes novos que ainda não
os conhecem pelos nomes.
Conclusão e Recomendações sobre a Análise
das Condições de Trabalho na Agência C
* Solicitar a colocação de protetor de ruídos
na impressora da agência.
* Oferecer palestras aos funcionários sobre o mal causado
pelo cigarro à saúde de quem é fumante e
de quem se encontra no mesmo ambiente do fumante.
* Realizar campanha de organização e limpeza de
todos os ambientes de trabalho, retirando caixas vazias e evitando
jogar papéis pelo chão, para proporcionar um ambiente
de trabalho mais saudável e agradável.
* Providenciar o conserto de tomadas que se encontram estragadas
para evitar acidentes
* Realizar uma redistribuição das mesas do setor
de atendimento a empréstimos rurais, de forma que não
fiquem fios sobrando pelo caminho, colados com fitas aderentes,
para evitar acidentes.
* providenciar que seja colocada a tampa que se encontra faltando
em um dos ar-condicionados.
* Solicitar junto à administração superior
uma solução para a falta de espaço físico,
principalmente para a colocação dos arquivos, que
se encontram no corredor da agência, assim como para alojar
o telex, a máquina de xerox, etc, que se encontram numa
pequena saleta.
Analogamente, foi realizada uma pesquisa na agência, com o objetivo de colher subsídios para a caracterização da qualidade no serviço bancário, segundo a percepção dos clientes. O próximo capítulo apresenta a análise, bem como a sua validação.