A metodologia de avaliação proposta é composta
basicamente por duas partes. Primeiramente, uma agência
bancária pode obter o consenso de opiniões de seus
funcionários e clientes, com o objetivo de identificar
os pontos fortes da agência. Os pontos negativos, aqueles
mais problemáticos, bem como os pontos positivos no ambiente
de trabalho e no serviço prestado podem ser obtidos com
o auxílio das ferramentas matemáticas. Neste caso,
haverá necessidade da contratação do serviço
de um especialista, ou um bom treinamento de um grupo de funcionários,
para que a metodologia possa ser aplicada. A metodologia proposta
pode ser resumida nas seguintes etapas:
(1) Planejamento do processo de amostragem e reconhecimento da
agência (se a análise for realizada por um especialista);
(2) Aplicação dos instrumentos propostos, contidos
no Anexo F;
(3) Tratamento dos dados: tabulação, uso da lógica
difusa para a definição dos pesos, uso do BrainMaker
para o cálculo do consenso.
(4) Análise dos resultados obtidos no cálculo do
consenso.
A segunda parte da metodologia proposta pode ser utilizada independentemente
da primeira ter sido ou não aplicada. Esta parte não
depende de conhecimentos muito profundos de matemática,
apesar de que, em ambas as partes, é muito importante o
conhecimento de Estatística. A parte da Estatística
que trata da Amostragem deve ser de conhecimento do analista,
para que as amostras coletadas sejam representativas da população,
dificultando a ocorrência de desvios da realidade na obtenção
dos resultados.
A metodologia proposta visa a obtenção de um índice
que aponte o nível de qualidade da agência bancária.
Este índice indicará o nível de qualidade
percebida pelos funcionários no que diz respeito ao ambiente
de trabalho, assim como o nível de qualidade percebida
pelos clientes, no que se refere ao serviço prestado pela
agência bancária. Ainda, fornecerá um único
índice de qualidade que apontará o nível
de qualidade da agência analisada.
As etapas deste processo de análise podem ser resumidas
no seguinte:
(1) Planejamento do processo de amostragem e reconhecimento da
agência (se a análise for realizada por um especialista);
(2) Aplicação dos instrumentos propostos, contidos
no Anexo F;
(3) Tratamento dos dados: tabulação, construção
da árvore de categorização conforme exemplo
do Anexo L e/ou uso dos quadros auxiliares apresentados no Anexo
N;
(4) Análise dos resultados obtidos no cálculo dos
índices IQPT, IQPS e IQPA.
No que se refere a esta metodologia de avaliação
da qualidade, tem-se como conclusão de que realmente é
possível realizar a avaliação do serviço
bancário, no que diz respeito à qualidade percebida.
A metodologia aqui proposta é de fácil aplicação,
podendo ser utilizada por diferentes organizações
bancárias.
As maiores dificuldades encontradas são geralmente aquelas
que têm que ser enfrentadas para entrevistar os clientes.
De uma forma geral o cliente é um ser apressado, que não
pode se sujeitar a responder questionários. Existem, é
claro, aqueles que têm boa vontade, e foram estes que determinaram
os resultados da avaliação.
É bom salientar que, sempre que uma pesquisa de opinião
é realizada junto aos clientes, esta deve ser feita, preferencialmente,
por alguém de fora da organização ou da agência.
Os clientes podem se sentir inibidos ou até podem deixar
de revelar sua verdadeira percepção das coisas,
por recearem ser discriminados ou tratados com desprezo pelos
funcionários do banco. Por outro lado, existe uma tendência
de que os funcionários somente questionem aqueles clientes
que dão menos trabalho, têm saldos melhores, são
mais simpáticos, etc.
Ainda, a pesquisa junto aos funcionários nunca deve ser
realizada pelos seus superiores, pois isso pode gerar receios
(medo de ser perseguido, ser discriminado, etc). O ideal é
que sempre uma pessoa externa ao ambiente realize o trabalho.
Recomenda-se, que se tenha um certo cuidado, se a aplicação
for feita em termos amostrais, para que a amostra seja escolhida
de forma que represente bem a população, evitando,
assim, resultados enviezados.
8.2 Quanto ao Consenso
O cálculo para a obtenção do consenso é
um pouco trabalhoso e exige alguns conhecimentos específicos.
Porém, é possível de ser realizado por pessoas
devidamente treinadas.
Os altos valores encontrados para o consenso indicam uma boa consistência
dos dados coletados.
Houve um grande consenso entre os funcionários principalmente
nas questões que dizem respeito às Condições
Organizacionais. Nas três agências onde a metodologia
de avaliação foi aplicada, entre 15 questões
de maiores consenso, apenas 4 não diziam respeito a algum
aspecto organizacional.
A questão da integração apareceu nas três
agências entre os itens de maiores consenso. Pode-se então
dizer que os funcionários do Banco do Brasil são
da opinião de que a integração entre o pessoal
da administração, entre os funcionários entre
si e entre a administração e os funcionários
é um fator muito importante para a organização.
No que diz respeito ao consenso entre os clientes, entre 15 questões de maior consenso, 9 diziam respeito aos Recursos Humanos. Os clientes do Banco do Brasil apontam, portanto, a importância da qualidade do serviço prestado diretamente pelo funcionário. Esta qualidade influencia na percepção que o cliente possui de toda a organização.
8.3 Quanto ao Índice de Qualidade
Percebida
O cálculo do índice de qualidade percebida é
um pouco mais fácil do que o cálculo do valor do
consenso. Contudo, exige, igualmente algum treinamento.
No que diz respeito ao Índice de Qualidade de Vida no Trabalho
calculado, os resultados da pesquisa junto aos funcionários
apontaram para as Condições Organizacionais como
aquelas que possuem menores valores. Na percepção
dos funcionários do Banco do Brasil os aspectos organizacionais
estão influenciando negativamente na qualidade de vida
no trabalho. Os resultados ainda deixaram a impressão de
que em agências maiores a satisfação dos funcionários
com relação a tais recursos é menor do que
em agências menores. O índice apresentado pela agência
A do Banco do Brasil foi menor do que os índices das agências
B e C, que são agências menores.
Dentro dos fatores que compõem as Condições
Organizacionais, a comunicação dentro da organização
e a formação do funcionário foram os que
apresentaram índices piores nas agências A e B. Na
agência C, foram os fatores política salarial e a
comunicação dentro da organização.
Assim, a insatisfação no que diz respeito à
comunicação existente foi o ponto comum nas três
agências, podendo-se concluir que pode ser uma característica
de toda a organização.
Nos fatores que dizem respeito às Condições
Físicas, pode-se apontar o ambiente arquitetônico
como o ponto em comum de insatisfação dos funcionários
para as três agências. Este fato pode levar a concluir
que existe problema dentro da organização no que
diz respeito ao ambiente arquitetônico e que este problema
está interferindo na qualidade de vida de seus funcionários
dentro do trabalho.
O aspecto do tamanho da agência e de sua localização
também indicou alguma possível influência
sobre a questão da qualidade. Agências menores apresentam
características próprias no que diz respeito a alguns
fatores relativos à qualidade de vida no trabalho, tais
como a comunicação, a formação, os
métodos de trabalho.
Em agências menores a comunicação entre os
funcionários é facilitada e há um pouco menos
de exigência de capacitação dos funcionários,
conforme a percepção dos próprios funcionários.
Quanto aos métodos de trabalho, a maior diferenciação
diz respeito aos tratamentos dos erros cometidos pelos funcionários.
Quanto menor a agência, menor a preocupação
com relação a esta questão. O mesmo ocorre
no que se refere à jornada de trabalho, a menor agência
das três apresentou um maior índice de qualidade
no que diz respeito ao fator. O acúmulo de tarefas é
uma questão mais preocupante na agência maior.
O aspecto da localização da agência pode influenciar
em diversos aspectos. Além dos aspectos organizacionais,
interfere nos ambientais, principalmente no ambiente sonoro. Agências
localizadas em cidades menores podem apresentar maior satisfação
no que se refere ao ambiente sonoro, dependendo, é claro,
do ambiente arquitetônico da mesma. Enfim, a localização
de uma agência pode influenciar o nível de qualidade
da mesma.
Da mesma forma que o Índice de Qualidade Percebida no trabalho
apresentou menor valor na agência A, também o Índice
de Qualidade Percebida no Serviço foi o menor nesta agência.
Tira-se daí a influência da qualidade de vida no
trabalho sobre a qualidade do serviço prestado. Nas três
agências analisadas, aquelas que apresentaram menores valores
para o índice de qualidade percebida - IQPT, também
apresentaram menores valores para o IQPS. Conclui-se, então
que existe influência significativa da qualidade de vida
no trabalho sobre a qualidade do serviço prestado.
Segundo a percepção dos clientes, os Recursos Organizacionais
também são os que apresentam menor satisfação.
Nas três agências analisadas estes recursos apresentaram
os menores índices. E, da mesma maneira que s funcionários,
os clientes da agência A são os que estão
menos satisfeitos. O índice referente aos Recursos Organizacionais
se apresentou menor na agência A do que nas agências
B e C. Este dado leva a concluir que existe uma interdependência
entre a qualidade das condições referentes ao trabalho
e ao serviço prestado.
Todos os outros aspectos analisados, Recursos Humanos e Recursos
Materiais, também apresentaram menores índices na
agência A.
8.4 Quanto à Correlação entre o IQPT
e
o IQPS
O cálculo do grau de correlação entre o Índice
de Qualidade Percebida no Trabalho e o Índice de Qualidade
Percebida no Serviço prestado confirmou as conclusões
tiradas anteriormente. Realmente existe uma forte correlação
linear positiva entre a qualidade de vida no trabalho e a qualidade
no serviço prestado. Estes dois índices são,
pois, diretamente proporcionais. Agências que apresentam
funcionários satisfeitos com a qualidade de vida que experienciam
em seu ambiente de trabalho, terão clientes satisfeitos
com os serviços que lhes são fornecidos pela agência.
Quanto mais satisfeitos estiverem os funcionários, mais
satisfeitos estarão os clientes.
Conclui-se, então que, se um banco estiver interessado
em melhorar a qualidade de seus serviços, primeiramente
ele deverá melhorar a qualidade de vida de seus funcionários
no trabalho. Somente assim ele proporcionará serviços
com qualidade.
8.5 Considerações Finais
Este trabalho procurou apresentar uma metodologia de avaliação
para ser aplicada no serviço bancário. Esta metodologia
foi desenvolvida tendo como base os fundamentos da ergonomia e
da qualidade. A característica principal desta proposta
é a consideração da percepção
do indivíduo, que deve ser levada em conta durante todo
o processo de avaliação.
Trabalhos futuros poderão ser realizados, a partir deste,
com o objetivo de comprovar se realmente a localidade onde está
inserida a agência bancária está diretamente
ligada à qualidade percebida.
Oferece-se, ainda como sugestão que sejam feitos estudos
aprofundados dos aspectos organizacionais das agências bancárias,
pois este estudo não fazia parte dos objetivos do presente
trabalho.
Todos os resultados encontrados neste trabalho, usados para refutar
ou aceitar as hipóteses levantadas, podem ser utilizados
para embasar estudos no sentido de melhorar os processos de qualquer
agência bancária.
Recomenda-se esta mesma metodologia para a avaliação da qualidade de qualquer empresa prestadora de serviços. Contudo, deve-se tomar cuidado para que todas as suas etapas sejam respeitadas.