Meu interesse pela Teoria das Organizações vem desde o tempo de graduação. Fiz a graduação em Administração de Empresas em complemento ao de Engenharia. Já nesse período, era mais ligado às questões administrativas que os colegas engenheirandos.
No primeiro semestre de 1980, tive a oportunidade de ministrar a disciplina Teoria Geral da Administração (TGA) pela primeira vez. Tornei-me assistente de meu ex-professor Miguel Fiod Neto, na Faculdade Asser de São Carlos.
Em agosto de 1981, fui contratado pela Escola de Engenharia de São Carlos - USP, sendo que a partir do semestre seguinte passei a ministrar disciplinas relacionadas à Teoria Geral da Administração. É neste estabelecimento de ensino e pesquisa onde exerço minhas atividades profissionais até o presente momento.
Sob a orientação do Prof. Maurício Tragtenberg, defendi em dezembro de 1987 meu mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo abordando temas da administração japonesa.
Ao iniciar o curso de doutorado em setembro de 1989 na UFSC em Florianópolis, levei comigo a preocupação com o fato da Teoria das Organizações apresentar-se de forma fragmentada e especializada. Estava inconformado com a parcialidade, o formalismo e irrealismo dos modelos.
Enquanto cursava as disciplinas do doutorado tive a felicidade de encontrar dois professores que muito colaboraram para as minhas reflexões. Ao Prof. Cristiano devo a preocupação com a sistematização do conhecimento, com a revisão bibliográfica, com a validade metodológica, enfim, os cuidados da produção intelectual observando as exigências científicas.
Ao Prof. Salm devo a preocupação com o atravessar fronteiras do conhecimento, com os "insights" pinçados ali e acolá, com a filosofia e a ética da administração, enfim, a necessidade de instigar a curiosidade e a imaginação.
Mais gratificante do que encontrá-los na caminhada foi tê-los como orientadores. A síntese advinda da Engenharia e da Administração, do Prof. Cristiano e do Prof. Salm, do cuidado com o método científico e do estímulo em enfrentar o novo, revestiu-me de uma visão singular.
É evidente que as características delineadas são tipificadoras, nem um nem outro dos orientadores estão nos extremos do contínuo. Porém, a ambos sou imensamente grato pela dedicação ao meu problema de pesquisa. E pela influência positiva em meu conhecimento da Teoria das Organizações.
É importante registrar que, em função da liberdade e autonomia manifestada durante toda a orientação, os erros aqui cometidos não podem ser associados ao pensamento do Prof. Cristiano ou do Prof. Salm.
Para realizar a coleta de dados nas empresas estive no início de outubro de 1992 na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) em sua sede de Florianópolis. Após vários encontros, os quais foram úteis na identificação das empresas com as características desejadas, foi acionado o SENAI, unidade Norte, de Joinville.
O SENAI colaborou nos contatos com as empresas e tomou a providência
de agendar visitas às mesmas. No dia 04 de fevereiro de
1993 estive pela primeira vez em Joinville para negociar a realização
do trabalho nas empresas.
Graças ao espírito aberto
às questões
Universidade-Empresa, tive consentimento e acolhida do Diretor
de Recursos Humanos, Sr. Eliseo Cegalla, e do Superintendente
da Qualidade, Sr. Paulo Santana, para investigar o trabalho do
executivo nas "Empresas 1 e 3".
As atividades de campo, como parte da pesquisa, tiveram início na "Empresa 1", no dia 22 de março e estenderam-se até 11 de agosto. No período de 12 de agosto a 07 de novembro exerci atividades na "Empresa 3", com a permissão e colaboração do Superintendente-Industrial Sr. David Soncini.
Por último, com a intermediação entusiástica do Sr. Hans Neubrand e da gentileza do Sr. Geraldo Schoene, Diretor Industrial da "Empresa 2", pude permanecer nessa empresa entre 8 de novembro de 1993 a 2 de fevereiro de 1994.
Devo registrar minha mudança de domicílio em 15 de maio de 1993 de Florianópolis para Joinville. Isto possibilitou dedicação integral às atividades de coleta de dados já que eliminaram as viagens e despesas. Houve um sacrifício da família, em especial das crianças na perda dos amigos e na readaptação escolar.
Em Joinville, estive conhecendo outras empresas, selecionadas em conversas com funcionários das empresas estagiadas. Foram visitadas: CISER - Schneider Parafusos; Wetzel Fundição de Ferro; Metalúrgica Duque; DOCOL - Metais Sanitários; WEG Motores; EMBRACO.
Ainda na Cidade dos Príncipes, Joinville, estive na busca de informações nas seguintes entidades:
- com o chefe da agência da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE;
- com a Encarregada do Arquivo Histórico Municipal;
- com o Assessor Especial do Secretário Municipal de Planejamento e Coordenação;
- com o Diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento e Coordenação de Joinville - IPPUJ;
- com o Diretor de Ensino e com o Coordenador de Estágios da Faculdade de Engenharia de Joinville - FEJ da UDESC;
- na biblioteca da Fundação Universitária da Região de Joinville - FURJ;
- com o Presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Joinville - AEAJ;
- com o Diretor da Escola Técnica Tupy;
- com o Diretor Executivo da Associação Comercial e Industrial de Joinville.
Contei com a boa vontade em conceder entrevistas de ex-membros das empresas pesquisadas, como o Sr. Mário Schmidt e do Sr. Siegfried Schlachter.
Além disso, tive a oportunidade de assistir os seguintes vídeos:
- gravado pela "Empresa 3" em três datas diferentes do seu processo de reestruturação, com 80 minutos de duração;
- gravado pela "Empresa 3", com duração de 25 minutos, sobre um treinamento em "Técnicas de Competitividade" realizado pela Consultoria Viveiros;
- gravado pela Associação dos Engenheiros como atividade do Projeto Memória. Foram quatro vídeos com personalidades ligadas ao desenvolvimento da Engenharia em Joinville com duração de 7 horas e 10 minutos.
Nesses meses em Joinville estive informado pelos seguintes jornais:
- A NOTÍCIA, jornal publicado em Joinville com circulação em Santa Catarina;
- jornal interno do grupo das "Empresas 1 e 3";
- jornal interno da "Empresa 2";
- Revista Expressão, periódico publicado em Florianópolis com notícias empresariais de Santa Catarina.
Examinando as atividades realizadas com o objetivo de estudar a "Natureza do Trabalho do Executivo" verifiquei que esforcei-me em incorporar conhecimentos em três níveis distintos:
- em nível teórico-científico, através das disciplinas cursadas e estudos da bibliografia pertinente ao tema durante três anos e cinco meses;
- em nível empírico, através da prática como Diretor Administrativo da Prefeitura do Campus da USP de São Carlos durante três anos e quatro meses;
- em nível de pesquisa científica, através da vivência durante dez meses como observador inserido diretamente no ambiente do dia-a-dia dos executivos.
E por fim, posso afirmar com segurança que meu trabalho só foi possível pela compreensão de minha esposa e filhos, do calor humano dos catarinenses, por nascimento ou por opção, e do apoio dos que ficaram em São Carlos.