INTRODUÇÃO

A presente monografia tem como título "A Natureza do Trabalho do Executivo"; ao enfatizar a natureza do trabalho, busca-se compreender as características fundamentais e inerentes ao trabalho do executivo. Desta forma, pretende-se ir além da descrição das atividades visíveis de comportamento; o propósito é captar o sentido empregado pelo executivo às suas ações em situações profissionais.

A denominação executivo é utilizada nesta monografia como a literatura da Teoria das Organizações emprega o termo administrador. Administrador não é aquele que frequentou uma Faculdade de Administração, mas a pessoa, qualquer que seja sua atividade técnica, responsável em conduzir uma equipe à consecução de metas pré-estabelecidas.

O sub-título ajuda compreender melhor o propósito do pesquisador: "uma investigação sobre as atividades racionalizadoras do responsável pelo processo produtivo em empresas de médio porte". Ao destacar as atividades racionalizadoras do executivo, o pesquisador não está recomendando que o trabalho do executivo deve ser desta maneira e, também, não está valorando-o como bom, do ponto de vista ético e social. Ao contrário, a racionalidade funcional (própria da organização burocrática e do sistema de mercado) está concebida, na presente monografia, em confronto (muitas vezes, destruidor) da convicção humana.

Nesta monografia, o executivo investigado é aquele responsável por toda área produtiva da empresa. As denominações encontradas para essa posição hierárquica foram de Superintendente-Industrial (Empresas 1 e 3) e Diretor-Industrial (Empresa 2). O recorte de pesquisa contemplou as relações do executivo com seus subordinados; consequentemente, pode-se adiantar, houve uma perda de compreensão em deixar de fora as relações do executivo com seus superiores e com seus pares. Esta perda foi calculada; era desejo que a pesquisa aprofundasse nas relações de mando do executivo.

A pesquisa parte do fato da Teoria Administrativa ter sido desenvolvida em mega-empresas para, em seguida, estabelecer a hipótese de que há inadequações na transferência intacta e acrítica para empresas de médio porte no Brasil.

Assim, o objetivo geral da pesquisa é verificar a adequação dos temas organizacionais (tecnologia, comportamento, decisão, estrutura e estratégia), de fundamentação funcionalista, em interpretar a natureza do trabalho do executivo fundamentada em um quadro teórico compreensivo, de acordo com a realidade da pequena e média empresa.

As conceituações de funcionalismo e compreensão são aquelas firmadas por Burrell e Morgan em "Paradigmas Sociológicos e Análise Organizacional" (1979). Apenas adiantando, o funcionalismo enfatiza a estrutura, a objetividade do fenômeno pesquisado e apresenta o homem determinado processo social; a compreensão enfatiza a ação, a subjetividade e o homem determinante do processo social.

O capítulo primeiro tem o propósito de rever a bibliografia da Administração com relação ao assunto "trabalho do executivo". A revisão revela duas explicações consolidadas: a "Abordagem do Processo", com origem na obra de Fayol, e a "Abordagem dos Papéis", cujo principal autor é Mintzberg. Ainda com relação ao assunto "o trabalho do executivo", o capítulo faz uma breve revisão na literatura da Engenharia de Produção e das principais pesquisas empíricas realizadas no Brasil.

O segundo capítulo apresenta uma crítica às abordagens explicativas sobre o trabalho do executivo identificadas no capítulo anterior e encaminhada uma proposta alternativa. Uma primeira análise revela deficiências nos modelos subjacentes às abordagens. Caso os problemas de explicação se limitassem aos modelos, a adoção do modelo sistêmico, conforme sugerido por alguns autores, seria uma boa solução. No entanto, uma análise com maior atenção indica a origem das deficiências no fundamento funcionalista das abordagens. Para superar tal obstáculo, é proposto o fundamento compreensivo como quadro teórico para análise do trabalho do executivo.

O terceiro capítulo é constituído tendo como pressuposto o fato do fundamento funcionalista ser deficiente, porém não estéril, em explicar o trabalho do executivo. Assim, é reconhecido que na Teoria Administrativa, de viés funcionalista, existe um corpo de conhecimento sistematizado sobre questões organizacionais. O capítulo inicia fazendo uma transformação sintetizadora das numerosas teorias em cinco questões básicas. A superação da deficiência do fundamento funcionalista é possível pela adoção do quadro compreensivo, isto é, pela introdução de uma perspectiva que considere o sentido empregado pelo executivo a suas ações. A última parte do capítulo apresenta a preparação do trabalho de campo.

O quarto capítulo trata da descrição do trabalho de campo. Foram investigadas três empresas de médio porte do ramo metal-mecânico de Joinville - SC, no período de março de 1993 a fevereiro de 1994. A descrição das empresas é realizada através dos tópicos: histórico, organograma superior, área administrativa, área industrial e fábrica.

Os três primeiros capítulos prepararam o mapa para o pesquisador abordar o fenômeno de sua investigação. O trabalho de campo, descrito no quarto capítulo, propiciou a experiência pessoal e singular de estar lá em contato com o fenômeno. O propósito do quinto capítulo é apresentar a amálgama entre mapa e experiência. O capítulo explora a experiência do pesquisador em ter estado lá com tal mapa, em percorrer estudando o fenômeno do trabalho do executivo. A exploração do material empírico mostra as seguintes orientações coletivas: "Empresa 1" - aqui há a filosofia do sempre foi feito assim; "Empresa 2"- primeiro quero ter o controle da fábrica; "Empresa 3" - as regras, as normas, os métodos, tudo é questionável.

A proposta do sexto capítulo é interpretar o amálgama mapa-experiência apresentado no capítulo anterior. Em Administração, grande parte das pesquisas empíricas tomam o modelo teórico como certo, como a própria representação da realidade, e todo desvio encontrado é julgado como ignorâncias dos atores sociais. A interpretação realizada neste capítulo procura discenir um pouco melhor as variações entre as três empresas estudadas e o mapa. Compreender cada caso e suas peculiaridades é o propósito do capítulo. O resultado alcançado é que na "Empresa 1" há predomínio da gestão tradicional; a "Empresa 2" está implantando a gestão burocrática; a "Empresa 3" procura superar a gestão burocrática.

O sétimo capítulo caracteriza a natureza do trabalho do executivo como sendo, necessariamente, de construtor e intérprete do sentido subjetivamente compartilhado pelas pessoas com relação ao sistema de gestão empregado na empresa. Além disso, o trabalho do executivo tem tal natureza pela posição social privilegiada que ocupa na hierarquia empresarial. O capítulo termina com um balanço entre perguntas e resultados de pesquisa.