REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Esta revisão bibliográfica aborda sete temas principais.
Primeiramente, discute-se o conceito de flexibilidade e sua importância
estratégica a nível de sistemas de produção.
Na seqüência discute-se os sistemas flexíveis de manufatura,
apresentando-se conceitos, definições e seus principais
componentes.
Uma vez que o modelo a ser desenvolvido neste trabalho envolve os problemas
e decisões afetas ao planejamento e controle operacional de SFM,
a terceira seção desta revisão é dedicada a
este assunto.
O quarto tema tratado é o da avaliação de SFM. Apresenta-se
uma revisão das diversas abordagens propostas para a avaliação
destes sistemas, bem como dos instrumentos utilizados nestas
avaliações.
O quinto assunto discutido trata de modelos de simulação de
SFM, técnica utilizada na metodologia desenvolvida para
avaliação
de desempenho de projetos destes sistemas. Tendo em vista suas
relações
com a metodologia e o modelo desenvolvido neste trabalho, o sexto tema abordado,
diz respeito a sistemas especialistas. São apresentadas algumas
deduções,
conceitos básicos, bem como, algumas das ferramentas e metodologias
existentes para seu desenvolvimento. Discute-se, na ultima seção,
algumas relações, similaridades e formas pelas quais podem
ser combinadas as técnicas de simulação e sistemas
especialistas, para auxiliar nos processos de decisão. Os resultados
destas combinações, são os chamados sistemas inteligentes
de simulação. Sua definição e uma discussão
de seu uso na avaliação de SFM, também são
tratados.
2.1 Flexibilidade e Sistemas de
Produção
Flexibilidade é, literalmente definida como, a capacidade de dobrar-se
sem quebrar, isto é, adaptar-se [GERWIN, 1982].
Com o advento das novas tecnologias baseadas em microprocessadores, o conceito
de flexibilidade reaparece como um elemento chave no projeto,
operação
e gerenciamento de sistemas de produção. Uma grande quantidade
de literatura sobre flexibilidade aplicada à produção
foi acumulada nos últimos dez anos, conforme levantamentos de Gupta
e Goyal [GUPTA, 1989] e de SETHI [1990]. A maior parte dela dedicada à
definição dos vários tipos de flexibilidade e à
identificação de sistemas que exibem ou não um ou mais
destes tipos. Alguns artigos dedicam-se também às formas de
medi-las. Fica claro da literatura levantada que flexibilidade é
um conceito complexo, multidimencional, e não muito fácil
de ser entendido.
Segundo SETHI [1990], pelo menos 50 diferentes termos para vários
tipos de flexibilidade podem ser encontrados na literatura sobre sistemas
de produção, muitas vezes referindo-se ao mesmo tipo de
flexibilidade.
Percebe-se também que pouco esforço tem sido feito, tanto
no sentido de um tratamento analítico, quanto na determinação
quantitativa destes conceitos. Como resultado, as formas de avaliação
propostas, são, na maioria das vezes simples e arbitrárias.
2.1.1 O Conceito e Importância da
Flexibilidade
na Manufatura
Flexibilidade de um sistema de produção, é sua capacidade
de adaptação a um grande número de mudanças
[GERWIN, 1982]. JAIKUMAR [1984], enfatiza o fato que a flexibilidade na
manufatura é sempre uma restrição dentro de um
domínio.
Este domínio pode ser definido em termos do portfólio de produtos,
processos e procedimentos, podendo ser bem compreendido por projetistas
de produtos, engenheiros de produção ou programadores. Este
domínio pode ser planejado, administrado e, se bem compreendido,
pode ser expandido [GERWIN, 1982; GOLDHAR, 1983].
Com respeito às incertezas ambientais, a flexibilidade na manufatura
é necessária para lidar com mudanças internas e forças
externas [BUZACOTT, 1985; GARRET, 1986]. Os distúrbios internos incluem
a quebra de equipamentos, variações nos tempos das tarefas,
esperas em filas, rejeitos e retrabalhos. Forças externas referem-se
usualmente as incertezas fundamentais do ambiente de competição.
Tais incertezas podem estar presentes na disponibilidade de recursos, no
mix e preço dos produtos ou no nível de demanda. Além
disso, podem significar mudanças no gosto de consumidores,
'inovações
tecnológicas, novas regulamentações, etc. [GARRET,
1986].
Parece clara portanto a importância da flexibilidade na manufatura
no que se refere às forças de uma empresa e seu papel na
estratégia
de competição destas. Hayes e Wheelwright [HAYES, 1984], consideram
flexibilidade como uma das dimensões da estratégia competitiva
de um negócio, além de um dos mais notáveis critérios
para avaliar-se um sistema de manufatura.
O gerenciamento da flexibilidade na manufatura, invariavelmente traz consigo
uma questão- qual o nível ótimo para os vários
tipos de flexibilidade? A resposta a esta questão requer que a
gerência
identifique e esteja apta a medir os vários tipos que a manufatura
deve possuir para que possa ganhar vantagem competitiva.
2.1.2. Tipos de Flexibilidades
São vários os tipos de flexibilidades que aparecem na literatura.
Muitos esforços foram e são despendidos para classificá-los,
quantificá-los e medi-los, sob diferentes aspectos como pode ser
verificado em BARAD [1988], BUZACOTT [1982], CHATTERJEE [1984], GUPTA [1989],
SETHI [1990] e SLACK [ 1987].
As definições apresentadas por Browne e outros [BROWNE, 1984],
tomaram-se clássicas, aparecendo na maioria dos trabalhos que tratam
do tema. Dentre os vários tipos de flexibilidades propostas por estes
autores, as quatro citadas abaixo são as mais importantes no que
se refere especificamente a sistemas de manufatura.
Flexibilidade de Máquinas: é a habilidade e facilidade
para executar as mudanças necessárias à produção
de um dado conjunto de tipos de peças, tais como repor ferramentas
desgastadas ou quebradas, trocar ferramentas e montar fixadores sem
interferência
ou longos períodos de tempo.
Flexibilidade de Processo: é a habilidade de variar
os passos necessários para completar uma tarefa. Isto permite que
diferentes tarefas sejam executadas pelo sistema usando-se uma variedade
de máquinas.
Flexibilidade na Variação das Rotas:
é a habilidade de variar a seqüência de
visitação
das máquinas (útil no caso de quebras, por exemplo) e continuar
produzindo o dado conjunto de peças. Isto só é
possível
porém, quando existe mais de uma rota viável para o processo
ou quando cada operação pode ser desempenhada por diferentes
máquinas.
Flexibilidade de Volume: é a habilidade de operar um
SFM, sob diferentes volumes de produção, com lucratividade,
considerando-se somente níveis viáveis de
produção.
Outros tipos, como por exemplo a flexibilidade operacional de uma peça,
a qual se refere a possibilidade de se produzir uma peça de diferentes
formas, é considerada uma propriedade da peça a ser produzida
e não do sistema que a produz. Existem ainda alguns tipos de flexibilidade
que são consideradas decorrentes das demais, isto é, só
existem se outras estiverem presentes no sistema. Como exemplo temos a
flexibilidade
de produção, cuja existência depende, praticamente,
de todas as outras, mais a flexibilidade operacional das peças.
2.2 Sistemas Flexíveis de
Manufatura
Os sistemas de manufatura, em geral, exibem muitas características
comuns, embora diferindo nos seus detalhes. De uma forma ampla, pode-se
afirmar que todos compreendem produtos e equipamentos usados para produzi-los,
tais como: matérias primas, máquinas, transportadores,
armazenadores,
ferramentas, operadores, etc.. Suas diferenças refletirão
os diferentes modos com que seus integrantes podem ser combinados para formar
um particular sistema.
Segundo CARRIE [l988], um sistema significa "um conjunto de coisas
ou partes conectadas ou interdependentes, de tal maneira que formem uma
unidade complexa".
Em geral, os sistemas de manufatura refletem perfeitamente esta
definição,
já que são compostos de muitos elementos diferentes, associados,
formando uma estrutura organizada e com um objetivo comum.
A literatura costuma apresentar as diferenças básicas entre
os diversos sistemas de manufatura, dividindo-os, em dois tipos clássicos:
as limas de produção (transfer lines) e as oficinas de
serviços
job shops) [GUPTA, 1989; HAYES, 1984 e HILL, 1985].
Gupta e Goyal [GUPTA, 1989] descrevem bem as diferenças entre os
dois grupos-.
... no primeiro, temos as típicas linhas de produção.
com máquinas delicadas, indicadas especialmente para a
produção
em massa de poucos produtos. Este tipo de processo permite um baixo custo
unitário de produção, devido à economia de escala,
mas em contra partida apresentam uma baixa flexibilidade.
No segundo grupo, encontram-se aqueles sistemas que usam um conjunto. não
integrado, de máquinas de propósito geral. especialmente
apropriadas
à produção, em pequenos lotes, de uma grande variedade
de produtos. Nestes. o custo por unidade produzida tende a ser alto, mas,
em compensação. a flexibilidade do processo pode acomodar.
com certa facilidade. mudanças de projeto. Autuações
de demanda e trocas no mix de produtos".
Mais recentemente, sistemas avançados de manufatura (máquinas
do tipo CN ou CNC) associadas a controles 'informatizados (CAE, CAD, CAM),
oferecem uma terceira opção com mais flexibilidade que a
produção
e menor custo unitário que os obtidos nas produções
com máquinas de propósito geral não integradas. A este
tipo de sistema de produção a literatura costuma referir-se
com o nome de Sistemas Flexíveis de Manufatura ou SFM.
Tais sistemas não possuem urna definição formal e
universalmente
aceita. GREENWOOD [1988], apresenta o que parece ser uma definição
mais geral:
"... é uma cuidadosa combinação de controles
computacionais.
comunicações, processos de manufatura e equipamentos relacionados,
que permitem ao setor produtivo de uma organização responder
rápida. economicamente e de maneira integrada às mudanças
significativas no seu ambiente operacional. Tais sistemas possuem. tipicamente,
equipamentos de processamento (máquinas-ferrarnentas, estações
de montagem, robôs, etc.), sistemas de manuseio e transporte de materiais
(robôs, esteiras, veículos auto-guiados, etc.), um sistema
de comunicações entre os equipamentos e um sofisticado sistema
de controle computacional".
Embora esta seja uma definição longa e genérica, ela
possui o mérito de não incluir nenhum tipo de máquina
ou equipamento específico, algo o comum em outras definições,
além de cobrir todos os aspectos dos SFM.
2.2.1 Componentes dos Sistemas Flexíveis
de Manufatura
Segundo CARRIE [l988] e TALAVAGE [l988], os principais componentes dos SFM
são:
· Centros de usinagem numericamente controlados;
· Sistemas automáticos de transporte e manuseio de materiais;
· Sistema computacional para controle em tempo real.
O arranjo físico e os componentes de um SFM típico são
mostrados na figura 2. 1.
2.2.1.1 Centros de Usinagem Numericamente
Controlados
Centros de usinagem numericamente controlados são
máquinas-ferramentas
multifuncionais, com controle numérico computadorizado (CNC) ou controle
numérico direto (DNC), capazes de produzir automaticamente uma grande
variedade de peças [WICK. 1987]. O controle numérico independente
de múltiplos eixos, geralmente de 4 a 6, fornece flexibilidade a
estes centros para executarem uma grande quantidade de
operações.
Estes centros de usinagem são, geralmente, equipados com módulos
para armazenagem de ferramentas com capacidades que variam entre 40 e 480
ferramentas [WICK, 1987], EM cada centro de usinagem, com armazenagem
própria
de ferramentas, encontra-se um extrator automático de ferramentas
(EAF), para que trocas rápidas possam ser programadas e efetuadas.
O EAF garante uma grande diminuição do tempo de
preparação
entre operações (setup), aumentando a flexibilidade destes
centros de usinagem, com a possibilidade de diferentes operações
simultaneamente.
2.2.1.2 Sistemas Automáticos de Transporte
e Manuseio de Materiais
Os sistemas de transporte e manuseio de materiais (STMM) são
responsáveis
pela completa lntegração dos SFM. fornecendo uma
ligação
física em tempo real entre seus diversos componentes. Os STMM
são necessários para um transporte rápido e seguro
de ferramentas, fixadores, peças, matéria-prima, etc., entre
as estações de trabalho e entre estas e os setores de armazenagem
e carregamento e descarregamento [RADHARAMANAN, 1989; STECKE, 1985]. Uma
grande variedade de equipamentos é utilizada pelos STMM, os quais
incluem robôs, veículos-auto-gulados (VAGs), esteiras, monotrilhos,
etc.[ ZISK, 1983].
A seleção de um ou mais destes equipamentos em
combinação
para a composição de um STMM para um SFM depende das necessidades
de manuseio de materiais do sistema. Robôs, por exemplo, são
mais usados em operações de carregamento/descarregamento de
peças e matérias-primas, enquanto esteiras são usadas
em transporte de peças e produtos
em processo ao longo de um caminho fixo no sistema. A flexibilidade do transporte
por meio das esteiras é muito limitada, por este motivo, quando existe
a necessidade de mais flexibilidade de rotas e planos de produção,
o uso dos veículos-auto-guiados (VAGS) contribui positivamente para
o alcance destes objetivos [CARRIE, 1988; TALAVAGE, 1988 e ZISK, 1983].
De todos os STMM disponíveis, os VAGs são aqueles que proporcionam
o mais alto grau de liberdade para a movimentação de peças
ou matérias-primas. Além disso, os VAGs possuem muitas outras
características desejáveis, tais como flexibilidade de
expansão,
boa acessibilidade às estações de trabalho,
independência
do arranjo físico do sistema e uma grande facilidade de 'interfaciamento
com outros recursos auxiliares, tais como, sistemas automáticos de
armazenamento ou de carregamento/descarregarnento. Por outro lado. algumas
das desvantagens são: um 'investimento de capital relativamente alto,
baixa capacidade de carregamento, baixa precisão de posicionamento
quando comparados com vagonetas ou monotrilhos.
2.2.1.3 Controle Computacional
A completa lntegração dos componentes de um SFM, é
efetuada de duas maneiras: a interligação física, via
STMM e a lnterligação lógica, efetuada entre computadores
e equipamentos. via uma rede local. Como delineado anteriormente, a
função
básica do STMM em um SFM é transportar peças acabadas
ou não em estrados, dos centros de usinagem, ao final de cada
operação.
Enquanto isso, o objetivo primário dos computadores é controlar
e sincronizar todas as funções e operações dos
componentes dos SFM. [GROOVER, 1980- TALAVAGE, 1985]
Os principais elementos do sistema de controle são:
· Um computador servidor, cuja tarefa é controlar as atividades
dos vários equipamentos dentro do sistema,
· Uma rede de comunicações, cuja tarefa é ligar
o servidor as estações de trabalho;
· Finalmente unidades de controle responsáveis pelo detalhamento
das atividades nas próprias estações de trabalho -
por exemplo, uma unidade de controle, um microcomputador ou um controlador
lógico programável em urna máquina ferramenta ou
robô.
Um diagrama de bloco das funções típicas de um controle
computacional em um SFM apresentado na tabela. 2. 1..
A estrutura de controle computacional é hierárquica, com
cada nível possuindo funções independentes supervisionadas
por computadores, que por sua vez estão submetidos às
decisões
tomadas nos níveis superiores. Na base desta pirâmide, equipamentos
individuais, tais como, centros de usinagem. STMM. sistemas de armazenamento
e trocas de ferramentas, etc., são controlados por micros industriais
ou controladores lógicos programáveis. Aí, decisões
sobre processamento, transporte e armazenagem de peças,
alocação
e transporte de ferramentas são passadas de um nível superior
aos controladores individuais que se encarregam então de executar
estas tarefas conforme uma programação previamente carregada.
Já no nível imediatamente superior, isto é, das
células,
são tomadas as decisões sobre a alocação dos
recursos, tamanho de lotes, despachos e sequenciamentos, envolvendo todos
os elementos da célula, conforme as ordens superiores, encaminhadas
pelo nível mais alto no controle hierárquico, com decisões
de curto e médio prazos que abrangem toda a área de
produção.
2.3 Planejamento e Controle Operacional
de SFM
O planejamento e o controle da operação de SFM tem
sido muito investigado nos últimos anos. Entre as inúmeras
abordagens, consideramos mais apropriado apresentar nesta revisão
aquelas que tratam de modelos de planejamento da produção,
especialmente os que se referem a alocação dos recursos, e
de modelos voltados ao tratamento de problemas da fase operacional dos SFM.
Consideramos, também, alguns trabalhos que tratam das
inter-relações
entre as duas fases.
2.3.1 Planejamento da
Operação
A operação de um SFM requer uma cuidadosa preparação
do sistema antes de sua operação. Vários problemas
relacionados a fase de planejamento devem ser equacionados para que se possa
obter uma utilização eficiente do sistema. Uma das mais
importantes tarefas do planejamento é, sem dúvida, a
designação
sobre onde, isto é, em qual máquina, será realizada
cada uma das operações necessárias a manufatura de
cada tipo de peça. Várias abordagens são utilizadas.
As mais comuns são a programação linear inteira e a
programação com múltiplos objetivos. Aparecem, também,
trabalhos envolvendo programação dinâmica e teoria dos
grafos.
STECKE [l986] propôs uma abordagem hierárquica. O problema
era dividido em dois níveis, agregado e desagregado. No primeiro,
uma solução ótima para as taxas de
produção
e grupamentos de máquinas era obtida. No segundo, modelos de
programação
linear inteira são utilizados para gerar a designação
de peças à máquinas.
Com o objetivo de minimizar os custos de processamento, KUSIAK [l985] modelou
o
problema como uma programação linear inteira do tipo
O-1. Os tempos de processamento são sempre considerados iguais e,
são desconsiderados, sobre o sistema, os impactos de congestionamentos
e da capacidade do sistema de transportes.
Leung e Tanchoco [LEUNG, 1987], desenvolveram um modelo de
programação
inteira para o planejamento, em um sistema voltado ao estudo de
reposição
de equipamentos em sistema integrados. Suas investigações
no ambiente de SFM, faz algumas considerações a capacidade
do sistema de transportes de peças e materiais
Leung e outros [LELTNG, 1990] desenvolveram outro modelo de planejamento
de SFM, usando programação linear inteira, considerando
explicitamente
as restrições impostas pelo sistema de transportes, o qual
aparece como responsável pela movimentação de peças
e materiais nas e entre as estações de trabalho e, entre estas
e uma estação de carregamento e descarregamento. Resultados
do modelo demonstram a significância da capacidade e do custo do sistema
de transporte sobre os resultados do planejamento da produção.
Num trabalho recente e bastante abrangente, EGBELU [1993], propõe
uma solução para o problema do planejamento de SFM, usando
duas abordagens: programação dinâmica e teoria dos grafos.
A chave de seu processo de otimização passa pela flexibilidade
de rotas daqueles sistemas. Sua abordagem propõe a integração
de duas funções básicas nos problemas da manufatura:
o planejamento do processo, especificamente no que trata do sequenciamento
das operações e no controle dos estoques intermediários,
de fundamental importância nos SFM com tamanhos limitados de buffers.
Custos de setup e processamento e tamanhos de lotes são considerados
na busca da minimização do custo total.
O planejamento dos processos em SFM requer o alcance de vários objetivos,
os quais são conflitantes por natureza. E comum, pois, a presença
na literatura de alguns trabalhos reportando a utilização
de técnicas que procurem balancear o compromisso entre os múltiplos
objetivos. Goal programming é uma das técnicas empregadas.
Utilizando-se desta técnica, O'Grady e Menon [O'GRADY, 1984] desenvolveram
um modelo de planejamento para SFM. A necessidade total de produção
das peças foi dividida em grupos de acordo com as datas de entrega,
sendo otimizadas sob este aspecto. A capacidade das máquinas e dos
magazines de ferramentas também foram consideradas.
Outro modelo de planejamento usando esta técnica foi apresentado
por Lee e Jung [LEE, 1989]. Os vários objetivos definidos são
o volume de produção de cada tipo de peça, o balanceamento
da carga das máquinas, a capacidade de fiadores e pallets e o tempo
de processamento. Entretanto, o trabalho não sugere nenhum procedimento
para determinar metas para cada um dos objetivos.
2.3.2 Controle da Operação
Ao nível do planejamento, vários dos aspectos operacionais
do sistema não são capturados. Entretanto, durante a fase
de execução, tais aspectos possuem significantes impactos
sobre o desempenho do sistema. Entre estas considerações,
algumas referem-se a decisões que devem ser tomadas em tempo real,
tais como o momento de liberar uma peça ao sistema, o tempo de iniciar
uma operação ou de transportar uma peça. Outras
decisões
precisam ser geradas em função de eventos inesperados, tais
como a falha de uma máquina e a quebra de uma ferramenta ou
transportador.
A modelagem matemática de problemas de controle operacional, envolvem
w-n grande número de variáveis inteiras, dificultando sua
solução. Mesmo problemas envolvendo sistemas com um único
centro de usinagem, como o proposto e tratado por Raman e outros [RAMAN.
1989], apresentam grandes dificuldades de solução, a menos
que uma série de restrições sejam previamente feitas.
Daí, a importância das decisões tomadas ao nível
do planejamento, antes do encaminhamento das decisões referentes
ao controle operacional.
Nas subseções a seguir, revisamos alguns dos problemas afetos
às decisões da fase operacional, tais como despacho de peças
e veículos, além de suas interações com alguns
dos principais parâmetros dos SFM, isto é, pallets, buffers,
etc..
2.3.2.1 Despacho de Peças
O despacho de peças trata de dois problemas: o do gerenciamento
ou ordenação da entrada de peças no sistema e o da
ordenação ou priorização de peças que
encontram-se nos buffers das máquinas.
Os problemas relativos a ordem de entrada das peças no sistema foram
bem tratados em um estudo no qual Carrie e Petsopoulos [CARRIE, 1985]
utilizaram-se
de um modelo de simulação. Neste estudo, sete diferentes regras
de gerenciamento da entrada das peças foram testadas. Um experimento
foi projetado para analisar a significância destas regras para com
a performance do sistema. Os resultados, embora significativos, foram dependentes
dos tipos de peças urna vez que as regras utilizadas estavam baseadas
nas cargas de trabalho de cada tipo de peça.
Vários outros autores citam trabalhos de investigações
sobre a importância das regras para entrada das peças.[ARBEL,
1984; MONTAZERI, 1990]. Seguindo a mesma linha investigatória, MAHESHWARI
[1992] realizou um trabalho, o qual consideramos um dos mais importantes.
Em sua pesquisa, ele realizou exaustivos experimentos com varias regras
de despacho, de forma 'individual ou combinada com regras de sequenciamento
de peças em filas e de despacho de veículos e parâmetros
operacionais. Suas conclusões, demonstram a importância destas
regras sobre o desempenho operacional dos SFM.
Com relação ao segundo tipo de problema associado ao despacho
de peças, isto é, a ordenação ou
priorização
de peças que se encontrem em filas ou buffers de máquinas,
o número de trabalhos na literatura é bastante amplo. Alguns
destes trabalhos merecem atenção. Nof e outros [NOF, 1979]
reportam, em uma das primeiras pesquisas sobre este assunto voltada a
células
automatizadas de manufatura, a significância desta ordenação.
Quatro diferentes regras foram utilizadas: FIFO, Menor Tempo de Processamento
Restante (MTPR), Menor Tempo de Processamento (MTP) e Maior Tempo de
Processamento.
Os resultados apontaram para a significância das regras mas, ao mesmo
tempo, citam que esta depende do mix, do tamanho dos lotes e da
participação
relativa de cada tipo de peça.
Stecke e Solberg [STECKE, 1981] modelaram um SFM da Caterpillar em Peoria,
lllinois, EUA. O sistema composto de nove máquinas, tem um número
de pallets e fixadores restritos. Dezesseis regras de ordenação
em conjunto com seis políticas de carregamento foram testadas. A
combinação Menor Taxa de Produção (MTXP) para
carregamento e Tempo Total de Processamento obteve o melhor desempenho.
Os autores no entanto citam que este desempenho depende extraordinariamente
dos parâmetros do sistema.
Outro trabalho interessante foi realizado por Wilhelm e Shin em 1985 [WILHELM,
19851. Os autores desenvolveram uma ordenação heurística,
considerando um SFM com armazenagem centralizada de peças em processo.
A heurística considera rotas alternativas e pode designá-las
dinamicamente. A prioridade é determinada sobre peças que
se encontrem no buffer central. Eles reportam ganhos de desempenho do sistema
em relação a processamentos sem a heurística.
Com a hipótese de que uma combinação de regras obtém
melhores resultados em um SFM do que uma única regra, Wu e Wysk [WU.
1989] desenvolveram um modelo de simulação ficar qual
combinação
obteria os melhores resultados sobre um determinado sistema. O experimento
foi realizado considerando diversos períodos de tempo, aos quais
os autores denominaram "janelas de simulação". Ao
final de cada período, os resultados da simulação eram
examinados e a melhor regra, com base no estado do sistema. era então
escolhida para ser utilizada no período seguinte.
Em outro trabalho curas decisões são tomadas com base no estado
do sistema, ZEESTRATEM [l990], desenvolveu um procedimento para a
programação
de SFM. O estado do sistema é baseado em um banco de dados e é
constantemente atualizado. A convergência do procedimento não
é discutida. O autor compara seu procedimento com dez diferentes
regras de ordenação. Os resultados mostram que seu procedimento
obtém os melhores resultados. Além disso é bastante
consistente em termos da variância medida sobre o desempenho do
sistema.
No mesmo trabalho investigatório já anteriormente citado,
MAHESHWARI [l992]. desenvolveu uma extensa pesquisa que resultou na
elaboração
de um modelo envolvendo tanto a fase de planejamento (com programação
linear) como a fase de operação com simulação.
Na fase de operação, diferentes regras para o controle operacional
foram testadas, em combinação com quatro modelos de planejamento
e diferentes parâmetros operacionais. Os resultados apontam para diferentes
combinações proporcionando melhor desempenho do sistema. De
maneira geral, as combinações que obtiveram os melhores resultados
envolveram a regra MTP para o controle das filas, sendo esta considerada
a melhor regra quando se tratava de despacho de peças em filas.
2.3.2.2 Despacho de Veículos
Torna-se evidente das discussões sobre planejamento da
produção
de SFM que uma peça deve realizar uma seqüência de
visitações
aos diversos centros de usinagem, o que depende da ordem de suas
operações
e das capacidades operacionais destes centros além, é claro.
das restrições tecnológicas impostas. O transporte
destas peças entre os diversos centros, ao final de cada uma das
operações, é que gera o problema do despacho de
veículos.
As decisões tomadas sobre este problema, possuem considerável
impacto sobre o desempenho de sistemas integrados de manufatura, como pode
ser verificado nos trabalhos que citamos a seguir.
Em 1984, Egbelu e Tanchoco [EGBELU, 1984], classificaram as tarefas de despacho
de veículos em duas categorias. A primeira envolve a seleção
de um veículo vazio, por urna peça, quando esta termina uma
operação e necessita de transporte. A segunda categoria, envolve
a seleção de uma peça para transporte, entre as várias
que estejam esperando por transporte.
Em um procedimento sugerido por Rwnan e outros [RAMAN, 1989] o transporte
das peças era considerado como uma operação e o tempo
de transporte como o tempo de uma operação. Assim, as
decisões
de planejamento envolviam, simplificadamente apenas operações,
no seu sentido mais amplo. As prioridades eram estabelecidas de acordo com
algumas regras baseadas no cumprimento de prazos de entrega. Os resultados
apontam alguns conflitos no uso dos veículos.
Um trabalho importante foi elaborado por Bozer [1989]. Neste estudo foram
analisados regras e procedimentos existentes para o despacho de veículos.
Bozer ressalta a necessidade de um método consistente para a
avaliação
do desempenho do sistema para se poder verificar a significância de
cada uma das regras, 'individualmente ou combinadas. -Á maioria dos
testes foram realizados sob condições específicas,
não podendo. portanto serem generalizadas. Importante neste trabalho,
no entanto, foi esclarecer o fato de que regras para despacho de veículos
não devem ser testadas independentemente de outras decisões
relacionadas com o planejamento e controle de operações em
SFM. tais como despacho de peças, ordenamento de peças ou
alocação de máquinas.
MAHESHWARI [1992] também incluiu análises sobre a influência
das regras de despacho de veículos sobre o desempenho dos SFM. Suas
conclusões apontam para uma regra baseada no Mínima Carga
de Trabalho na Fila da Próxima Máquina (MCTPM). isto é,
da fila de peças esperando por transporte 'unto aos buffers de saída
das máquinas, é escolhida a peça, cuja máquina
que realizará sua operação seguinte, apresentar
a menor carga de trabalho.
Dois outros trabalhos retratam também a importância das regras
de despacho de veículos. L. Zhuang e Hindi [ZHUANG, 1993], avaliaram
um SFM adotando o lead time das peças como medida o desempenho. Usando
um modelo baseado em redes de filas, estudaram as lnter-relações
entre regras de despacho e flexibilidade de rotas dentro de SFM e seu impacto
sobre o desempenho operacional do sistema.
Outro trabalho a destacar foi o realizado por Yim e Linn [YIM., 1993]. Neste
estudo, os autores trataram várias regras de despacho de VAGs, além
de outros parâmetros, sobre SFM puxados e empurrados. O sistema foi
modelado e simulado usando redes de Petri para investigar os efeitos das
diversas regras e parâmetros investigativos sobre o modelo. Os autores
concluem, que não existem diferenças significantes sobre o
desempenho do sistema entre as regras de despacho de veículos. adotando
a política de puxar ou empurrar quando os SFM trabalham com uma alta
taxa de ocupação.
2.3.2.3 Impacto dos Parâmetros do
Sistema
No planejamento, é difícil formular restrições
impostas pelo sistema, com base nos recursos logísticos e demais
características tecnológicas do sistema. Estes recursos e
características podem incluir o número de VAGs, o número
de pallets, o layout do sistema ou o tamanho dos buffers. Outras
características
podem ser a relação entre o numero de pallets e buffers ou
pallets e número de máquinas. Estes parâmetros, possuem,
definitivamente impacto sobre as características operacionais dos
SFM.
Em um estudo sobre sistemas com tamanhos limitados de buffers, CO e JAW
[CO. 1988], não encontraram muitas evidências sobre a
importância
das regras de ordenação de peças quando os buffers
eram pequenos. Isto é. a utilização de diferentes regras
de ordenação não produzia impacto sobre a performance
do sistema quando o número de peças a serem ordenadas nos
buffers era limitado. No entanto, na medida em que crescem os tamanhos de
buffers, crescem os estoques intermediários e a 'importância
de seu gerenciamento sobre o desempenho dos sistemas. Este impacto foi verificado
pelos autores quando do aumento dos buffers e do número de pallets.
Outros trabalhos importantes foram os de Schriber e Stecke [SCHRIBER, 1988]
e o de MAHESHWARI [1992], demonstrando o impacto da variação
dos parâmetros secundários do sistema sobre a taxa de
utilização
das máquinas e transportadores e, principalmente sobre o desempenho
operacional do sistema. Os seus resultados demonstraram. por exemplo que
um aumento nos buffers ou no numero de VAGs nem sempre melhoram a performance.
Em alguns casos, esta até decai em função de
congestionamentos
no sistema.
2.4 Avaliação de Projetos de
Sistemas Flexíveis de Manufatura
Durante o ciclo de vida de um SFM são várias as fases que
exigem decisões sobre o sistema. Dentre estas pode-se citar: planejamento
do sistema, projeto inicial, projeto detalhado, instalação,
planejamento e programação da produção,
operação
e eventuais modificações e/ou melhorias efetuadas após
sua posta em marcha [SURI, 1985; TALAVAGE, 1988]. As decisões associadas
a cada uma destas fases exigem constantes avaliações do projeto,
as quais, para serem executadas, necessitam de medidas de desempenho e de
modelos de avaliação apropriados.
As medidas de desempenho são definidas de acordo com os objetivos
e metas do decisor e estabelecem os padrões de desempenho desejados.
A definição sobre os modelos é mais ampla e é
conseqüência, tanto das medidas de desempenho adotadas como do
tipo de avaliação desejada. A avaliação e, por
conseqüência, o modelo a ser adotado, deve considerar, principalmente,
a complexidade das decisões que serão tomadas.
A metodologia e a ferramenta desenvolvidas neste trabalho lidam, especialmente,
com problemas associados a fase de planejamento e controle operacional de
SFM. Sendo assim, são abordados neste item as medidas de desempenho,
os modelos e as ferramentas típicas para a avaliação
e o tratamento de problemas afetos a esta fase do ciclo de vida destes
sistemas.
2.4.1 Medidas de Desempenho
SURI [ 1985], abordando este assunto, discute as medidas de desempenho e
os modelos de avaliação utilizados no tratamento dos problemas
e decisões desta fase. Algumas das medidas de desempenho apontadas
por SURI [ 1985] são apresentadas na tabela 2.2.
2.4.2 Modelos para a Avaliação
de SFM
A literatura contém vários exemplos da aplicação
de modelos matemáticos, que foram apontados por SURI [l985], desenvolvidos
para analisar. avaliar e solucionar problemas associados ao desempenho de
SFM [BROWNE. 1984; BUZACOTT, 1986; CARRIE, 1985; MONTAZERI, 1990; SOLBERG,
1976; STECKE, 1981 e WHITNEY, 1985].
Do ponto de vista prático. pode-se diferencia-los entre modelos
matemáticos
de otimização (encontram um candidato ótimo dentre
um conjunto) e descritivos ou avaliativos (descrevem e permitem avaliar
o comportamento do conjunto de candidatos,)Programação
matemática
é um exemplo típico de modelos de otimização,
enquanto redes de filas, análise de perturbações, redes
de Petri e simulação, são exemplos típicos de
modelos matemáticos descritivos ou avaliativos. Em uma
comparação
da aplicação destes modelos a problemas em SFM alguns autores
descrevem como segue, o uso destas ferramentas.
Programação Matemática: CHENG [1985] descreve
que, essencialmente, os modelos de otimização são utilizados
para a solução de determinados tipos de problemas que, embora
complexos, exigem um nível de suposições simplificadoras,
as quais na melhor dashipóteses, os tomam aptos a tratar de sistemas
em estado de equilíbrio.
Modelos de Redes de Filas: Estes modelos consideram
a dinâmica, as 'interações e as incertezas no sistema,
mas de forma agregada e não consideram certas características
(detalhes ) do mesmo. Além disso, os resultados , são valores
médios os quais assumem um sistema em seu estado de equilíbrio.
Entretanto, os modelos tendem a apresentar estimativas razoáveis
do desempenho do sistema, requerendo pouca quantidade de dados de entrada,
bem como tempo de processamento computacional. Um modelo típico de
redes de filas costuma requerer 20 à 40 itens de dados de entrada
e tomam de 1 a 10 seg. de tempo de processamento em um microcomputador.
Modelos de Redes de Filas podem ser usados interativamente para chegar-se
a resultados preliminares. Modelos então mais refinados, podem ser
gerados para tomada de decisões.
O primeiro dos modelos de redes de filas para SFM. chamado CAN-Q, foi
desenvolvido
por SOLBERG [l980]. Mais recentemente, SURI e HILDEBRAND [SURJ, 1984] descrevem
o MVAQ, o qual pode modelar com mais detalhes que o CAN-Q sem perda de
eficiência.
Outra abordagem usando modelos de filas foi a realizada por ZHUANG [1993],
já anteriormente citada.
Uma discussão detalhada da aplicação de modelos de
Redes de Filas para SFM e sua comparação com simulação,
também pode ser encontrada na mesma referência.
Modelos de Análise de Perturbações: Esta
é uma técnica relativamente nova, com aplicações
potenciais na simulação e em operações em SFM
em tempo-real. A idéia básica aqui é observar
o comportamento detalhado do sistema - via simulação ou sistema
real - para um conjunto de parâmetros de decisão. Efetuando-se
alguns cálculos adicionais, enquanto o sistema está sendo
observado, os modelos de análise de perturbações podem
predizer o comportamento do sistema se estes parâmetros forem alterados.
O importante é que não existe a necessidade de observar o
sistema novamente (ou simular novamente), todas as predições
são obtidas de uma única observação. Claramente
isto pode evitar longos tempos de simulação ou ajudar o gerente
de produção a melhorar suas decisões sem a necessidade
de novos experimentos no próprio sistema.
A maior desvantagem destes modelos, fica por conta da falta de previsão
mais acurada quando de grandes modificações nas variáveis
de decisão. Sendo, no entanto extremamente válidos para
procedimentos
de "ajuste fino" em decisões relativas a projetos e ou
procedimentos operacionais de SFM. Uma revisão dos modelos de
análise
de perturbações é dada por HO [1985]. Já suas
aplicações em SFM podem ser vistos em Suri e Dille [SURI,
1985].
Redes de Petri: O atual estado da arte na aplicação
das redes de Petri a problemas em SFM, permite uma modelagem determinística
dinâmica dos sistemas. Enquanto no passado recente, esta teoria era
usada para responder questões qualitativas. avanços recentes
em redes de Petri temporais, permitem também respostas a questões
de ordem quantitativa relacionadas ao desempenho do sistema. Existe também
a possibilidade destas serem utilizadas para o controle de situações
em tempo real. Entretanto, permanecem algumas questões relacionadas
com a eficiência da aplicação desta técnica.
quando se exige um maior nível de detalhamento do sistema, tais como
várias máquinas com buffers finitos e políticas
de roteiros em tempo real. Além disso, os atuais modelos não
incorporam nenhuma incerteza. Uma visão geral de seu uso é
encontrado em DUBOIS[1983]. Já sua aplicação à
modelagem e análise de desempenho de SFM pode ser visto em YIM
[1993].
Simulação: Como modelo avaliativo, a simulação
tem sido a ferramenta mais utilizada na solução de problemas
vinculados a projetos de SFM. Tais modelos podem imitar detalhadamente a
operação destes sistemas por meio de um programa computacional.
Os modelos de simulação podem ser muito ou pouco detalhados,
dependendo do propósito de seu uso. O preço a ser pago por
um nível muito grande de detalhes fica por conta da complexidade
e tempo de modelagem e tempo de processamento. Os modelos de
simulação
são utilizados neste trabalho como meio de avaliar o desempenho
operacional
de SFM. Este motivo determina uma revisão da literatura sobre o tema
o qual é apresentado a seguir.
2.5 Simulação de Sistemas
Flexíveis
de Manufatura
Como técnica de modelagem. a simulação computacional
pode ser usada para analisar e ajudar a solucionar muitos problemas associados
com as várias fases do ciclo de vida de um SFM.
Em um artigo de Martin e Musselman [MARTIN, 1984], foram identificadas quatro
fases no ciclo de vida de todos os sistemas de manufatura. Estas fases em
ordem de ocorrência são: projeto, justificação,
implementação e operação. Os autores demonstram
através do uso de quatro estudos de casos ' que a simulação
computacional é versátil e eficiente em todas as várias
fases. Cada um dos quatro casos representam uma fase no ciclo de vida de
um SFM.
No primeiro caso, um projeto inicial de um sistema que produz uma variedade
de pistões é proposto. Um modelo de simulação
é então construído para avaliar o impacto de
modificações
no projeto (por exemplo. a colocação de pequenas áreas
de estoques entre máquinas e a divisão de uma operação
com grande carga de peças em mais operações com cargas
pequenas), sobre o tempo de processamento das peças ou sobre o total
de investimento de capital.
O segundo estudo mostra, através da simulação, como
uma proposta de modificação em um sistema existente pode ser
justificada. Nesta comparação, uma determinada operação
é substituída por dois processos automatizados. O desempenho
do sistema é então avaliado com base em três critérios:
inventárío de peças em processo, tempo de entrega das
peças e tempo total de processamento. Ao final do trabalho, a proposta
de modificação é aceita com base nos resultados da
simulação.
Um exemplo de como a simulação pode ser usada na fase de
implementação
de SFM é apresentado no terceiro estudo de caso, em que os autores
mostram como a experimentação com um modelo de
simulação,
pode ser usado para determinar a necessidade de estrados e fixadores,
variáveis
consideradas críticas em SFM.
O último caso, fornece um exemplo de como se pode avaliar, via
simulação.
a capacidade do sistema com vários mix de produtos e sob diferentes
condições operacionais (por exemplo no sequenciamento e
carregamento
de equipamentos).
Uma das vantagens da simulação sobre outros modelos
matemáticos,
é sua habilidade de modelar problemas dependentes do tempo, que,
analiticamente tomam-se intratáveis. Entretanto, é conveniente
lembrar que modelos de simulação podem tomar-se os mais
dispendiosos,
em relação a tempo e dinheiro se a linguagem e/ou a capacidade
de modelagem apropriada não estiver disponível.
Em urna revisão sobre o uso da simulação como modelo
matemático para analisar problemas em SFM, VIALI [1991], verificou
que até meados da década passada, os SFM eram modelados usando-se
linguagens de simulação de propósito geral, tais como
GASP IV, SLAN II, SIMSCRIPT ou GPSS. Ultimamente, no entanto, muitas linguagens
especialmente voltadas para a simulação de sistemas de manufatura
tem sido desenvolvidas e usadas para àquele propósito. Dentre
estas, pode-se citar MicroNet. SIMFACTORY II.5, SEE-WHY ou SIMAN IV.
O nível de detalhe a ser incorporado ao modelo, vai depender do
nível
de detalhe desejada na análise e, fundamentalmente, do seu
propósito.
CHENG [1985], identificou dois níveis de definição
do sistema para avaliar alternativas de SFM usando-se simulação
computacional. Num nível macro, um modelo mais grosseiro é
suficiente para avaliar características mais gerais do sistema, tais
como, utilizações de estações de trabalho. taxa
de produção ou tamanho de filas. Neste caso, o analista está
preocupado em avaliar diferentes alternativas do sistema em um estado de
equilíbrio, para, por exemplo. determinar um projeto inicial viável
que possa, posteriormente, ser examinado com mais detalhes. Já num
nível micro, um modelo de simulação mais detalhado
é desenvolvido para determinar, por exemplo, necessidades de equipamentos
ou problemas de gargalos de produção. Da mesma forma, problemas
operacionais, tais como, número de estrados ou fixadores, políticas
de carregamento ou regras para sequenciamento, devem ser também
investigadas
neste nível, uma vez que um projeto apropriado tenha sido definido
no nível macro.
2.5.1 Simulação Aplicada ao
Desenvolvimento de Projetos de SFM
A literatura apresenta vários exemplos da utilização
da simulação como ferramenta para o desenvolvimento de projetos
de SFM.
Kiran e outros [KIRAM, 1989], relatam a aplicação de modelos
de simulação num processo de escolha de um entre três
diferentes projetos de SFM para a fabricação de 37 diferentes
tipos de componentes agrupados em 8 famílias, para uma indústria
aeronáutica. A simulação é usada na fase final
do processo de decisão. Para a triagem inicial foram utilizados modelos
de redes de filas. Os critérios para avaliar o desempenho das diferentes
configurações foram: tempo médio das peças no
sistema, número médio de peças nas filas e
utilização
das máquinas. Os resultados foram também significantes para
a avaliação do desempenho e capacidade individual de certos
componentes dos sistemas. Ao final do processo de simulação
técnicas estatísticas foram utilizadas para a análise
e validação dos resultados.
Em um dos trabalhos mais citados na literatura, Allan Carrie [CARRIE, 1986],
discute o papel da simulação no auxílio ao tratamento
de problemas nas fases de projeto, planejamento e operação
de SFM. Em se tratando de projeto, ele descreve todas as etapas de seu
desenvolvimento,
desde as propostas preliminares até o detalhamento do projeto escolhido,
deixando claro a utilidade da simulação como ferramenta de
avaliação pela possibilidade incremental de seu uso. Em um
exemplo baseado numa aplicação real, são avaliadas
propostas iniciais de projetos de SFM, defmido o melhor projeto e detalhado
o seu planejamento e controle da produção, com modelos de
simulação que vão se sofisticando na medida das
necessidades.
Outro trabalho que consideramos importante foi o realizado por WAHAB [l986]
O autor em sua pesquisa de doutoramento, apresentou uma metodologia para
refinamento de projetos de SFM a qual, a partir de um projeto inicial, de
uma lista de equipamentos substitutos e de algumas regras disponíveis
em um sistemas especialista para a detecção de gargalos, realiza
analises, melhorando, na medida do possível, o projeto inicial, pela
substituição de equipamentos. A proposta não considera,
no entanto, alternativas de diferentes estratégias de manufatura.
O processo é interativo e continua até que algumas metas de
produção tenham sido alcançadas ou que os equipamentos,
ainda disponíveis na lista não possam mais melhorar
o desempenho do sistema. Este trabalho foi importante, na medida que se
constitui uma das primeiras tentativas de empregar simulação
e sistemas especialistas, em con unto, para a solução
de problemas em projetos de SFM.
2.5.2 Simulação Aplicada ao
Planejamento e Controle da Produção de SFM
Muitas outras aplicações de simulação de SFM
podem ser encontradas na literatura, especialmente àquelas voltadas
para a solução de problemas afetos ao planejamento e ao controle
de suas operações.
Um exemplo deste tipo de aplicação pode ser vista em CARLIER
[1988]. Neste trabalho o autor apresenta a utilização de um
modelo de simulação, para testar várias estratégias
associadas ao planejamento da produção de um SFM real, objetivando
a fabricação de peças para seis diferentes tipos de
compressores. A grande variedade de peças, tempos de processamento
e rotas de processamento, além de restrições no número
de diferentes estiados e fixadores e, o compartilhamento de ferramentas,
toma extremamente complexa a tarefa de determinar a seqüência
de entrada das peças no sistema e a designação de
prioridades.
Com esta ferramenta de avaliação disponível, os operadores
podem testar várias alternativas de cenários, antes de iniciar
um ciclo de produção, o qual pode durar de algumas horas a
alguns dias.
Outro exemplo do uso de modelos de simulação com este
propósito
é o trabalho de WANG [1986] onde a autora analisa o desempenho de
um SFM com três diferentes configurações. O objetivo
é verificar o impacto de várias alternativas no planejamento
das operações considerando, o número de pallets, o
grupamento de máquinas, o número de veículos transportadores
e variações na demanda. Após simular um grande número
de experimentos com várias combinações entre as
variáveis
e realizar análises estatísticas (análise de variância
para médias e regressões múltiplas) Wang conclui que
o grupamento de máquinas possui um grande impacto sobre o desempenho
do sistema. A combinação número de
transportes/pallets/política
de prioridades também exerce grande influência. A
variação
na demanda parece, segundo suas conclusões, não alterar
significativamente
o desempenho do sistema, de acordo com os critérios adotados.
São comuns também a utilização da
simulação
em estudos de avaliação de diferentes políticas operacionais
a SFM. Mishra e outros. [MISHRA, 1988]. avaliam o desempenho do sistema
através dos seguintes critérios (medidas de desempenho):
número
de peças em atraso, número de peças completadas,
número
de peças em processamento e taxa de utilização das
máquinas. Os resultados das simulações efetuadas, demonstram
a utilidade de algumas das políticas de programação
aplicadas bem como a necessidade de um sistema de transporte mais rápido.
Foi testado também a influência da quebra de equipamentos no
desempenho do sistema.
Importante citar também o trabalho de MAHESHWARI [1992], que usando
modelos de simulação, testa um conjunto de ações
integradas para o planejamento e controle da produção de SFM,
contribuindo para uma melhor compreensão das influências exercidas
por algumas variáveis (número e tipos de pallets, tamanho
dos buffers nos centros de imagem, sequenciamento, prioridades,
localização
de ferramentas, etc) no desempenho operacional destes sistemas.
Em um trabalho bastante abrangente, Gupta e Goyal [GUPTA, 1992] apresentaram
um estudo empírico sobre características físicas
[composição
e layout de SFM, combinadas com diversas regras de gerenciamento da
produção
(planejamento e operação). O objetivo do trabalho é
a avaliação do impacto dos diversos tipos e graus de
flexibilidades.
associadas aos SFM, sobre sua performance. Os autores. concordando com Hayes
e Wheelwrigh [HAYES, 1984], acham que os SFM oferecem grande vantagem competitiva
às empresas, operando com diversificação e baixo volume
sobre produtos com pequeno ciclo de vida. No entanto, ressaltam que o nível
de flexibilidade imposto ao sistema deve ser gerenciado desde o projeto
ate a operação destes sistemas, uma vez que muitas das
flexibilidades
são consideradas antagônicas, tomado imperativo à
gerência
reconhecer quais são críticas à estratégia de
manufatura da empresa. Em sua pesquisa várias configurações
de SFM foram simuladas sobre a influência de uma grande
combinação
de estratégias de carregamento e despacho. Os resultados mostraram
que é possível encontrar um meio-termo entre os vamos tipos
de flexibilidades sobre várias circunstâncias. Alguns cenários
ilustram que uma combinação apropriada de variáveis,
tais como, programação, variedade de produtos e
configuração
do sistema podem ser muito mais efetivas que outras ao conter as flexibilidades
impostas. Foi mostrado também que os SFM podem conter com êxito
medido, vários tipos de flexibilidade simultaneamente.
2.5.3 Avanços no Uso da
Simulação
na Modelagem de SFM
Muitos esforços têm sido feitos para desenvolver modelos de
simulação de propósito geral capazes de auxiliar no
projeto e análise de SFM. O produto final de tais esforços
é, usualmente, um pacote computacional amigável, que permite
ao usuário, com pouco conhecimento de simulação
computacional,
especificar o sistema sob investigação e obter medidas de
desempenho pertinentes com relativa facilidade.
Elmaraghi e Ho [ELMARAGHY, 1982] desenvolveram um simulador de SFM - FMSSIM,
que orientado pelo usuário pode ser usado para testar projetos, estudar
efeitos de estratégias de controle, regras e prioridades no sequenciamento
e/ou na programação, além de arranjo físico.
Este pacote executa a simulação, via construção
de um modelo apropriado, a partir de uma biblioteca de subrotinas especialmente
construídas. Os resultados da simulação podem ser
apresentados
na forma de relatórios convencionais ou animação
gráfica
pós-processamento, isto é apresenta o movimento das peças
sendo
processadas, após o término da rodada de simulação.
Este tipo de saída é muito interessante pois auxilia
tanto na validação do modelo, isto é , testar se o
mesmo opera de acordo com o que foi proposto, como na avaliação
visual do desempenho do sistema que se está simulando. Um exemplo
típico de seu uso está na detecção de gargalos
na produção ou como forma de estímulo na justificativa
de novos projetos.
Devido ao pouco desenvolvimento de sistemas de computação
gráfica naquela época, a animação desenvolvida
era ainda muito rudimentar.
Medeiros e Sadowski [MEDEIROS, 1983] apresentaram um pacote de modelagem
para análise de projetos de células de manufatura controladas
por computador. A abordagem é semelhante à feita por Elmaraghi
e Ho. Neste caso, o sistema baseia-se na linguagem de I simulação
Q-GERT e apresenta opções entre rotinas já disponíveis
ou aquelas desenvolvidas pelo próprio usuário. O pacote é
limitado, uma vez que a linguagem na qual foi baseada é mais voltada
para teoria das filas do que simulação e portanto, não
permite níveis mais profundos de detalhamento.
Com a evolução dos equipamentos de informática,
especialmente
dos micro computadores, muitos projetos desenvolvidos para equipamentos
de grande porte, possuem agora versões adaptadas a equipamentos pessoais,
tomando-se grande seu uso e divulgação. Revisões mais
recentes, de softwares disponíveis para simulação de
sistemas de manufatura podem ser vistas em CARRIE [1988]; GREENWOOD [1988]
e VIALI [1991]. Nomes como SIMAN/CINEMA, AUTOGRAN, PCMODEL, SEE-WHY, SYMFACTORY
e outros, são motivos de palestras, cursos, congressos e
publicações,
tratando de suas virtudes, possibilidades e aplicações. Na
sua grande maioria possuem versões poderosas também para
computadores
pessoais e se utilizam de interfaces gráficas na comunicação
com os usuários nas fases de modelagem, execução e
apresentação de resultados.
Além dos avanços das linguagens de simulação
voltadas especialmente a simulação de sistemas de manufatura,
incluindo-se os SFM, observa-se alguns esforços para a
integração
com outras áreas do conhecimento no sentido de facilitar o uso de
modelos de simulação. Dentre estas tecnologias, cita-se,
principalmente,
os sistemas especialistas. A literatura sobre sistemas de apoio a decisão,
envolvendo estas duas áreas, os chamados sistemas inteligentes de
simulação, é tratada no último tópico
desta revisão.
2.6 Sistemas Especialistas
2.6.1
Definição
Harmon e King [HARMON, 1988] apresentam a seguinte definição
de um sistema especialista:
"...é um programa inteligente de computação, que
usa conhecimentos e procedimentos de ingerência, para resolver problemas
que requerem o conhecimento e a experiência humana na sua
solução.
O conhecimento necessário mais os procedimentos de ingerência
fazem-no atuar como os melhores praticantes no campo de conhecimento
associado".
O que Harmon e King apresentam como "conhecimento" pode ser definido
como uni conjunto de fatos e heurísticas incorporados ao sistema.
Os fatos são constituídos de um corpo de informações
que pode ser amplamente compartilhado, isto é, de domínio
público e, geralmente aceito por especialistas do ramo. Com
relação
as heurísticas, estas são geralmente privadas, isto é,
constituem-se de regras de raciocínio plausível ou de bom
senso pouco discutidas. Estas regras caracterizam o nível de especialista
nas tomadas de decisão. Segundo os autores, o nível de desempenho
de um sistema especialista depende do tamanho e da qualidade da base de
conhecimentos.
A pesquisa e o desenvolvimento de sistemas especialistas é um dos
principais ramos da inteligência artificial. Outros são as
áreas de processamento da linguagem natural. robótica e sistemas
visuais, redes neuronais. etc.. As pesquisas em inteligência artificial
preocupam-se, principalmente, com idéias e modos de tornar os computadores
inteligentes [WINSTON, 1984]. Já as pesquisas em sistemas especialistas.
concentram-se no desenvolvimento de programas computacionais de alto desempenho,
em campos profissionais especializadas, que imitam o comportamento de
especialistas
humanos em seus procedimentos na solução de problemas
específicos
[HAYES, 1983].
Alguns sistemas especialistas possuem desempenho igual ou melhor do que
os próprios especialistas, em algumas áreas de conhecimento.
Outros, no entanto não alcançaram este nível de desempenho.
Segundo WATERMAN [1986]. apesar dos sistemas especialistas apresentarem,
cada vez mais, melhores desempenhos. em algumas áreas a mente humana
é claramente superior. No entanto, segue afirmando, isto não
reflete uma deficiência ou limitação da 'inteligência
artificial. mas apenas um estado da arte. Atualmente as pesquisas na
direção
das redes neuronais, parecem confirmar as palavras do Prof Waterman.
2.6.2 Diferenças entre Sistemas
Especialistas
e a Programação Convencional
As aplicações da inteligência artificial envolvem muitos
fatores que a distingue da programação convencional, tais
como a representação simbólica e a pesquisa
heurística.
Os sistemas especialistas, como uma área da inteligência artificial,
apresentam diferenças adicionais. HARMON [1988], SCOTT [1991] e CHORAFAS
[1990] citam algumas diferenças das quais apresentamos uma
compilação:
1. Os sistemas especialistas desempenham tarefas antes desempenhadas por
especialistas humanos.
2. Os sistemas especialistas são mantidos por especialistas do campo
de conhecimento associado e por engenheiros de conhecimento, enquanto que
os programas convencionais são mantidos por programadores e
analistas;
3. A base de conhecimentos de um sistema especialista encontra-se em urna
forma compreensível e pode ser modificada facilmente;
4. A programação convencional usa algorítmos em sua
estrutura, enquanto os sistemas especialistas fazem uso de heurísticas
e máquinas de ingerência.
Os novos conceitos envolvidos na pesquisa de sistemas especialistas, enfatizam
os aspectos cognitivos do pensamento humano relacionados ao ato de decidir,
isto é, o foco principal dos sistemas é imitar a experiência
e o conhecimento do decisor humano.
2.6.3 Estrutura de um Sistema
Especialista
Nesta seção são revistos alguns textos que descrevem
a estrutura de um S.E., isto é: a base de conhecimentos e a máquina
de ingerência. A base de conhecimentos contém a
representação
do domínio do conhecimento que, no protótipo está associado
à análise e a avaliação de SFM. Este conhecimento
é transcrito para o sistema pelo uso de duas técnicas de
representação:
frames e regras de produção. A máquina de ingerência,
por sua vez, contém o conhecimento geral que direciona e controla
o raciocínio do sistema.
2.6.3.1 A Base de Conhecimentos
A discussão que segue sobre a base de conhecimentos, estará
focando os dois métodos citados para a representação
do conhecimento.
1 Representação do conhecimento sob a forma de Regras de
Produção:
A representação de conhecimentos sob a forma de regras de
produção é, no momento a forma mais utilizada dentro
de S.E.. Em geral urna regra de produção é representada
por um conjunto de condições, conclusões e
ações.
Se as condições são verdadeiras. a regra é disparada
e as ações são desencadeadas [HARMON, 1988; SCOTT,
1991].
Regras de produção são, em geral, facilmente entendidas
e implementadas por especialistas no domínio do conhecimento e possuem
um poder de expressão suficiente para representarem este domínio.
Por si próprias, no entanto, as regras de produção
não são um meio efetivo de representação para
a maioria dos sistemas baseados em conhecimentos. Em particular, seu poder
de expressão é 'inadequado para a definição
de termos e para descrição de objetos e suas relações.
As áreas onde as regras de produção são mais
inadequadas, são justamente àquelas melhor cobertas pelos
frames [HAYES, 1983 e WALTERMAN, 1986].
2 Representação do conhecimento sob forma de Frades:
O conceito de frame foi primeiramente apresentado por Marvin
Minsky, conforme citado por Fikes e Kehler [FIKES, 19851. Os frames são
estruturas usadas para representar objetos ou conceitos, através
de seu conjunto de atributos e métodos. Genericamente, um frame é
constituído de um nome, um conjunto de slots (atributos),
com os respectivos valores que caracterizam o conceito e, finalmente, um
conjunto de métodos para a utilização do conceito
representado
e para sua atuação e comunicação. A
representação
de conhecimentos através de frames, tal como na programação
orientada à objetos (POO), assenta-se na noção de conceitos
e hierarquia de conceitos.
Os frames proporcionam uma rica estrutura na qual se podem definir objetos
ou mais especificamente seu atributos que mais tarde serão tratados
dentro das regras de produção. Estas estruturas podem também
serem usadas para um particionamento ou para a formação de
um índice das regras de produção do sistema. Esta capacidade
facilita ao especialista, o entendimento e a construção de
regras e ao projetista controlar quando e com que propósito uma
coleção
particular de regras são usadas pelo sistema.
Algumas vezes, a semelhança da POO, os frames são referidos
como classes. Assim, objetos são definidos por meio de classes e
instâncias, nos quais um conjunto de atributos (slots) e métodos
associados à estes atributos estruturam toda a informação
relativa aos objetos definidos, bem como toda a comunicação
destes com outros objetos do sistema, por meio de mensagens.
Produção, como o fazem, no nível operacional. Fazendo-se
uma comparação, os métodos desempenham um papel parecido
com o de subrotinas em programas convencionais e podem alocar os resultados
de suas avaliações aos atributos de outras classes.
2.6.3.2 A Máquina de
Inferência
A máquina de ingerência contém o conhecimento geral
que direciona e controla o raciocínio do sistema. O mecanismo de
ingerência, executa duas tarefas da maior importância. Primeiro
examina os fatos e regras existentes na base de dados, acrescentando novos
fatos sempre que possível, na medida das interpretações
e conclusões que executa. Segundo, decide a ordem com que tais
ingerências
são tiradas, por meio de seu mecanismo de controle [FISCHLER, 1987,
HARMON, 1988, INTELLICORP, 1992].
Os sistemas especialistas usam em seus mecanismos de ingerência dois
tipos de estratégias de controle: o encadeamento ou busca para
frente e o encadeamento ou busca para trás. Ambos podem
ser usados sobre a mesma base de conhecimentos e a opção por
uma ou outra estratégia, dependerá, basicamente, da
existência
desta possibilidade na ferramenta em que o sistema foi desenvolvido e,
principalmente,
do tipo de objetivo buscado.
Encadeamento para Frente
Este procedimento, em geral, procura descobrir as conseqüências
de uma nova informação ou dado pela comparação
da parte SE, de uma regra ao fato novo. Se o este fato coincidir (casar)
com o padrão de uma das premissas da parte SE e se todas as outras
expressões da parte SE desta regra forem verificadas, então
a regra pode ser aplicada. Isto significa que as ações
representadas
por expressões na parte ENTÃO da regra são executadas.
Normalmente, estas ações adicionam novas informações
ao sistema. Toda vez que uma regra é aplicada durante um encadeamento
ou busca para frente, o fato ou informação
altera o valor de um ou mais atributos ou slots do sistema. Este novo valor,
por sua vez, toma-se um fato novo iniciando um processo de busca mais profundo.
Este ciclo repete-se até que certas condições sejam
encontradas ou que mais nenhuma regra possa ser ativada.
Parte SE desta regra forem verificadas, então a regra pode ser aplicada.
Isto significa que as ações representadas por expressões
na parte ENTÃO da regra são executadas. Normalmente, estas
ações adicionam novas informações ao sistema.
Toda vez que urna regra é aplicada durante um encadeamento ou
busca para frente, o fato ou informação altera o valor
de um ou mais atributos ou slots do sistema. Este novo valor, por sua vez,
toma-se um fato novo iniciando um processo de busca mais profundo. Este
ciclo repete-se até que certas condições sejam encontradas
ou que mais nenhuma regra possa ser ativada.
No encadeamento ou busca para frente, quatro estruturas de dados
desempenham um importante papel:
Agenda: - A agenda é representada por uma fila de pares
objeto:atributo, processados pela máquina de ingerência. Sempre
que o valor de um atributo é alterado (fato novo) pela
aplicação
de uma regra, este é colocado automaticamente na agenda. Uma forma
de interrupção do processo de busca é não existir
nenhum par de objeto:atributo na agenda ou no conjunto de regras.
Conjunto de Regras: - É formado pelo grupo de regras
que podem ser usadas no encadeamento para frente. Usualmente,
todas as regras fazem parte deste conjunto, no entanto, isto pode ser
restringido.
De acordo com os objetivos da busca, pode-se permitir que apenas uma parte
do universo de regras sejam utilizadas.
Lista de Regras Ativas - É a lista de todas as regras,
pertencentes ao Conjunto de Regras, mi que possuem uma premissa
coincidindo com um item da agenda. A prioridade no exame das regras desta
lista é dada, tanto pelas prioridades individuais de cada uma delas,
como por uma estratégia geral resolução de conflitos
que pode ser determinada para definir a forma de ação da
máquina
de ingerência.
Objetivo: - O objetivo, que pode ser opcional, é em geral,
formado por Lima expressão, uma espécie de teste de parada.
Sempre que este for verificado, a busca é interrompida, não
importando o estado da agenda.
A busca para frente é um processo cíclico com os seguintes
passos básicos:
1. O primeiro par objeto:atributo, da Agenda é comparado com
todas as regras do Conjunto de Regras verificando-se coincidências
(casamentos) nas premissas;
2. Qualquer regra coincidente é ordenada, de acordo com as prioridades
e adicionada à Lista de Regras Ativas;
3. Testa-se a primeira regra da Lista de Regras Ativas ou avalia-se
o primeiro item da Agenda (como no passo 1), dependendo do tipo de
estratégia de avaliação adotado e do estado de cada
fila:
a) Se a Agenda está vazia, testa-se a primeira regra
na Lista de Regras Ativas;
h) Se a Lista de Regras Ativas está vazia, avalia-se o primeiro
item da Agenda;
c) Se existirem itens em ambas as filas, utilize a estratégia de
avaliação adotada para decidir;
4) Se todas as expressões na parte SE da regra são verdadeiras,
executa-se as ações especificadas na parte ENTÃO da
regra.
Encadeamento para Trás
No encadeamento ou busca para trás, também conhecido
como raciocínio dirigido por objetivo, a máquina de
ingerência procura alcançar um determinado Objetivo,
buscando regras que possam provar o fato e depois tentando provar suas premissas.
Estas premissas, por seu turno, tomam-se novos fatos a serem verificados
por novas regras e assim por diante. Nesta forma de raciocínio,
o mecanismo de inferência tenta verificar uma hipótese
pela comparação a parte ENTÃO de uma regra com o
Objetivo
que, neste caso, funciona como um disparador de todo o processo.
Se o Objetivo casa com uma das expressões na parte ENTÃO
de uma regra e se todas as expressões na parte SE da regra são
verificáveis, então esta pode ser aplicada. Toda vez que uma
premissa de uma regra não puder ser imediatamente verificada, a
própria
premissa passa a ser um novo Objetivo a ser resolvido. Este ciclo
é repetindo até que todos os objetivos sejam resolvidos, criando-se
neste processo uma cadela cujo início é um objetivo e cujo
comprimento depende do número de fatos adicionais inferidos pelas
regras. No encadeamento ou busca para trás, tem-se também
algumas estruturas de dados jogando um importante papel:
· Conjunto de Regras e Lista de Regras Ativas-
Semelhantes ao usado no encadeamento para frente.
· Objetivo - Uma expressão representando uma hipótese
a ser verificada. Sempre que este puder ser provado, o processo é
considerado um sucesso.
· Pilha de Objetivos - Um conjunto de pares Objeto:Atributo
a serem verificados. Atributos cujos valores não podem ser imediatamente
verificados olhando-se a base de conhecimentos, são adicionados à
pilha como novos objetivos.
O processo de Encadeamento ou busca para trás, inicia questionando
a existência de um objetivo. Não existindo um, o processo termina
sem iniciar uma busca. Existindo um objetivo, o mesmo é avaliado.
Se todos os atributos necessários à avaliação
são conhecidos, o processo retoma um valor, VERDADE OU FALSO.
A existência de atributos desconhecidos para a avaliação,
toma os novos objetos passíveis de avaliação, sendo
estes colocados na pilha de objetivos. Após este passo inicial, inicia-se
o Ciclo de Expansão. Neste ciclo, são verificadas as
conclusões
de todas as regras permitidas pelo Conjunto de Regras , que casem
com os pares objeto:atributo da pilha de objetivos. Para cada regra verificada,
os pares objeto:atributo de suas premissas, são verificados e todos
os desconhecidos são também colocados na pilha de objetivos.
Ao final deste ciclo, tem-se um conjunto de regras ativas e um conjunto
de objetivos para serem testados. Durante este processo de expansão,
novas informações são constantemente coletadas e muitos
pares objeto:atributo, antes sem valor, podem agora ter respostas. Se, após
este processo de varredura sobre todas as regras da Lista de Regras
Ativas,
em que novas informações são coletadas, permitindo
a retirada de pares objeto:atributo da pilha de objetivos, ainda restarem
pares sem possibilidade de avaliação, o processo prossegue
para - o Ciclo de lnquisição. Neste ciclo, todos os pares
objeto:atributo desconhecidos restantes na pilha de objetivos são
processados por meio de um questionamento ao usuário. Nesta última
tentativa de concluir a busca, o usuário poderá responder
trazendo fatos novos a base de conhecimentos ou simplesmente responder que
desconhece os valores perguntados. Finalmente, com base nas respostas do
usuário, será possível concluir a busca. O retomo será
uma avaliação do objetivo inicial, cuja resposta será
VERDADE ou FALSO.
2.6.4 Ferramentas para o Desenvolvimento de
Sistemas Especialistas
Um levantamento feito por Harmon e King [HARMON, 1988] e Waterman [l986],
aponta, de maneira geral, para uma divisão em três categorias
distintas, das ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de
sistemas especialistas:
1. Ferramentas para a construção de pequenos sistemas, com
até 50 regras, as quais podem ser usadas em computadores pessoais:
Expert-Ease e ES/P ADVISOR, são exemplos típicos;
2. Ferramentas para a construção de sistemas restritos, de
médio e grande porte, com mais de 500 regras. Estes sistemas requerem
equipamentos tipo supermicros ou estações de trabalho e costumam
estar restritos a consultas de um tipo de paradigma, tais como planejamento,
projeto ou diagnóstico. EXPERT, KESS e OPS 5, são exemplos
desta categoria de ferramentas para o desenvolvimento destes sistemas.
3. Ferramentas para o desenvolvimento de grandes sistemas híbridos.
Os requerimentos básicos, são os mesmos da categoria anterior.
A diferença fica por conta das características de consultas
aqui permitidas, não mais restritas a um único paradigma.
Exemplos de ferramentas disponíveis nesta categoria são o
ART e o KEE.
Além destas ferramentas, existem algumas linguagens especialmente
voltadas para a construção de sistemas especialistas, tais
como o LISP e o PROLOG. Muitas dessas ferramentas geram seus códigos
numa destas linguagens. Um exemplo é o KEE (Knowledge Engineering
Environment) [INTELLICORP, 1985], que gera um código em LISP. A
definição
sobre o que utilizar para o desenvolvimento de um sistema especialista segue
basicamente as regras gerais da programação de computadores,
isto é, a facilidade de adaptação do usuário
e a inter-relação, entre a ferramenta ou a linguagem e o
propósito
do sistema a ser gerado.
Um grande sucesso tem sido alcançado, também, por ferramentas
que permitem integrar frames e regras de produção para formar
sistemas híbridos, que combinam as vantagens das duas técnicas
de representação do conhecimento. Seu maior representante
é o KEE voltado para sistemas de grande porte implantados especialmente
em estações de trabalho e mais recentemente o Kappa-PC
[INTELLICORP,
1992], voltado ao segmento dos computadores pessoais.
A novidade destes ambientes de desenvolvimento de sistemas, principalmente
daqueles voltados ao segmento dos computadores pessoais, é sua extrema
facilidade de uso, versatilidade e portabilidade, devido principalmente
ao ambiente operacional ao qual está integrado (Windows). O KAPPA,
faz uso de muitas facilidades gráficas herdadas do KEE. Na verdade
o KAPPA é descrito como uma ferramenta gráfica orientada a
objetos para o desenvolvimento de sistemas especialistas.
Pela suas características e facilidades, o KAPPA, já agora
na sua versão 2.0, foi a software básico escolhido para o
desenvolvimento, tanto do sistema especialista quanto da interface gráfica
com o usuário, embutidos na ferramenta proposta neste trabalho.
2.7 Sistemas Inteligentes de Simulação
(SIS)
A integração de sistemas especialistas com técnicas
de simulação tem permitido a aceitação e o uso
dos SIS como uma potente ferramenta para o planejamento, o projeto e o controle
de complexos sistemas de produção [FREITAS, 1990]].
De fato, nos últimos anos, a simulação deixou de ser
uma ferramenta tida como "último recurso", para tomar-se
um instrumento de inestimável valor no auxílio à
solução
de problemas relacionados com a engenharia, projeto e gerenciamento da
produção.
O fato de ter sido, até recentemente, rechaçada como recurso
auxiliar à tomada de decisões, deveu-se, principalmente, a
necessidade de:
a) recursos humanos especializadas;
b) razoável suporte computacional e
c) uma grande disponibilidade de tempo, principalmente na fase de
modelagem.
Desta forma, o emprego de novos recursos na pesquisa e desenvolvimento das
linguagens de simulação tem levado ao rápido crescimento,
tanto de suas capacidades, quanto de seus usos.
Segundo SHANNOM [1988], os objetivos destas pesquisas são
três:
a) redução do tempo de modelagem;
b) melhoramento da precisão dos resultados e
c) melhoramento da comunicação usuário/sistema.
Tais objetivos têm sido parcialmente obtidos, devido à criatividade
dos pesquisadores no desenvolvimento de linguagens e pacotes de
simulação,
que fazem uso de recursos gráficos e de sistemas especialistas, e
de razoáveis recursos computacionais.
2.7.1 As Similaridades entre Sistemas Especialistas
e Simulação
As técnicas de simulação e os sistemas especialistas
apresentam certas similaridades. Gaines e Shaw [GAINES, 1985], por exemplo
sugerem que os S.E. atuam como se fossem simuladores de pessoas. Já
O'Keefe [1986], aponta para as similaridades técnicas
(representação
modular e mecanismos de inferência) e funcional (função
auxiliar aos processos decisórios).
Com base nestas similaridades entre simulação e sistemas
especialistas,
O'Keefe [1986] desenvolve e discute as maneiras pelas quais podem ser combinadas
as duas técnicas. Ele apoia esta descrição em muitos
exemplos. Suas sugestões são as seguintes:
1. Embutido: O sistema especialista está embutido no sistema
de simulação ou vice-versa. Muitos sistemas de
simulação
usam conhecimentos ao invés de dados. Por exemplo, as regras de
prioridades
em uma fila podem ser
consideradas conhecimentos, sendo talvez mais interessante embuti-las em
uma base de conhecimentos do que em um código de simulação.
Por outro lado, um sistema especialista pode necessitar de uma
simulação
para atualizar uma variável dependente do tempo (elementos de
difícil
tratamento ao nível de sistemas especialistas).
2. Paralelo: Um modelo de simulação e um sistema
especialista
que tenham sido projetados, desenvolvidos e implementados separadamente,
podem interagir, um interrogando o outro. Segundo O'Keefe, esta é
uma área de crescente interesse entre os engenheiros de conhecimento,
tendo em vista a disponibilidade de software em ambos os segmentos.
3. Cooperativo: Neste modo, o sistema especialista e o modelo de
simulação podem, ambos, fazem parte de um grande sistema de
apoio à decisão.
4. Entrada e Saída Inteligente: Neste caso, o sistema especialista
conduz um diálogo com o usuário, de modo a gerar um código
ou conjunto de instruções para serem usados por um pacote
ou linguagem de simulação, diminuindo com isso o tempo de
modelagem, a obtenção de resultados relevantes ou permitindo
uma melhor interpretação e compreensão dos resultados.
Segundo outros autores [FREITAS, 1990; SABUNCUOGLU, 1988 e SHANNON, 1988],
esta forma de interação é atualmente uma área
de muita dedicação por parte de alguns centros de pesquisas.
Partindo das formas sugeridas por O'Keefe, para a combinação
entre sistemas especialistas e sistemas de simulação, SHANNON
[1985 e 1988], SABUNCUOGLU [l988] e o próprio O'KEEFE [l986],
propõem
modelos ideais de SIS, os quais se combinados, resultariam em um sistema
com as seguintes características:
a) habilidade de construir modelos de simulação sobre estudos
e esforços de modelos passados, isto é, o sistema preservaria
conhecimentos, aprendendo a cada estudo realizado;
b) uma base de conhecimentos, consistindo de uma biblioteca de modelos com
diferentes níveis de abstração;
c) independência entre a estrutura geral de modelos e o detalhamento
de dados necessários para descrever um modelo específico,
isto é, 'inexistiriam formas padronizadas, o próprio sistema
se encarregaria de encontrar o modelo;
d) programação declarativa ao invés de processual;
e) capacidade de autodirecionamento na busca de um objetivo especificado
pelo usuário;
f) capacidade de explicar as razões do não alcance de uma
meta e/ou porque determinada solução é a mais
recomendada;
g) uma interface amigável de interação com o usuário,
usando recursos gráficos, animação, diálogos
em linguagem natural, etc..
Embora muitas das características citadas sejam passíveis
de implementação, não conhecemos, ainda, uma ferramenta
disponível no mercado, com tais capacidades.
Conforme citado por SHANNON [l988], os estudos em simulação,
são dirigidos por metas ou objetivos, isto é, ninguém
constrói um modelo pelo simples motivo de construí-lo. Tais
objetivos ou metas, provém da necessidade dos decisores em analisar
e entender problemas e/ou avaliar resultados decorrentes de determinadas
intervenções. Um problema é criado pela
percepção
da necessidade de levar um sistema a um estado mais desejável. Uma
intervenção pode ser uma mudança física,
modificações
nas ações de controle ou novas políticas e
procedimentos.
Sendo portanto, os objetivos e metas que determinam o modelo, o tipo de
experimento e a análise a ser feita, são eles que especificam
que elementos do sistema real devem ser envolvidos, o propósito da
análise, as variáveis de interesse e o grau de precisão
dos resultados necessários.
Idealmente, o sistema deverá interpretar e entender as
solicitações
do usuário, por meio de linguagem natural ou outro meio, determinando
então suas necessidades em termos de dados de entrada, técnicas
de processamento da informação e formas de apresentação
de resultados.
Neste sentido, existem algumas pesquisas no uso da linguagem natural, mas
que, em parte, devido a suas atuais limitações, têm
levado à popularização de interfaces gráficas
para a "tradução" das entradas do sistema desejadas
pelo usuário. Desta forma escolhendo e colocando ícones
pré-definidos
e respondendo a algumas questões colocadas pelos programas, o
usuário
pode definir rapidamente um modelo de sistema para ser executado. Alguns
destes programas, voltados para a simulação da manufatura,
tais como o SIMFACTORY e o SEE-WHY, tem demonstrado que já é
possível construir sistemas razoavelmente complexos sem escrever
sequer uma linha de programação.
O impecílio ainda existente é a falta de flexibilidade nestes
pacotes. Por exemplo no SIMFACTORY, não se pode criar um modelo de
SFM, em que e sequenciamento no plano de produção de um tipo
de peça não esteja previamente estabelecido. Desta foi-ma,
todas as peças seguem um determinado padrão, o qual não
pode ser alterado de acordo, por exemplo com um determinado estado do
sistema.
Algumas pesquisas tem procurado reunir as facilidades da modelagem visual
com sistemas de IA. Este é o caso do trabalho de HURRION [1991].
Neste trabalho, o autor propõe um modelo de simulação
visual interativa, o qual, com o auxílio de um módulo inteligente,
isto é um sistema especialista, procura conduzir ou auxiliar o modelador
nas tarefas de construção e/ou modificação de
modelos. Nenhuma linguagem específica de simulação
foi utilizada. O modelo de simulação foi desenvolvido em FORTRAN
e o SE em PROLOG. Cada um dos programas roda em um microcomputador separado
e são interligados por urna interface serial. Cada decisão
necessária à simulação, é transcenda
ao sistema especialista no outro micro o qual devolve a solução
por meio de um protocolo de transferência de dados, na forma de texto
e valores numéricos. Desta forma, por meio de trocas de parâmetros,
o sistema especialista orienta o usuário na condução
das modificações no modelo e nos experimentos. A
separação
dos dois modelos foi feita objetivando facilitar as alterações
ou inclusões de regras em função dos experimentos.
2.7.2 O Uso de Sistemas Inteligentes de
Simulação
em SFM
Como qualquer outro sistema de produção, os SFM, também
apresentam problemas relacionados a projeto, planejamento,
programação
ou controle, que a um nível mais geral, podem ser classificados como
de cunho estratégico, tático ou operacional.
Muitos deles não são novos e aparecem também,
freqüentemente
na manufatura convencional. A novidade neste caso, relaciona-se aos riscos
envolvidos em SFM tendo em vista a quantidade de capital envolvido e o longo
tempo de implementação. Além disso, como sugere SUBUNCUOGLU
[1988]:
"... qualquer problema com SFM é amplificado, tendo em vista
suas necessidades básicas de grande flexibilidade e de sua natureza
dinâmica."
Num contexto como este, os SIS aparecem como potentes ferramentas para lidar
com inúmeros problemas afetos a complexos sistemas de manufatura.
De fato, os SFM, em particular e a manufatura integrada por computador (CIM),
em geral, têm muito a se beneficiar com as possibilidades atuais e
futuras dos SIS. Tal uso, permitirá ao analista dedicar-se mais ao
problema ao invés de preocupar-se e diluir suas energias com
as complexidades do modelo que o está auxiliando.
Muito embora tais perspectivas, o estado atual das tecnologias da
inteligência
artificial, em especial dos sistemas especialistas, aplicados à
simulação
ainda é incipiente e somente dois tipos de abordagens tem sido notadas.
Na primeira, encontram-se os sistemas híbridos, que adotam entradas
e saídas inteligentes sobre urna linguagem de simulação
já existente. Já no segundo caso, encontram-se as pesquisas
sobre novos sistemas, as quais adotam mudanças no paradigma da modelagem
em simulação.
Com relação a primeira abordagem a idéia é
desenvolver
interfaces inteligentes de comunicação com o usuário,
que permite a programação automática do sistema numa
linguagem de simulação existente.
Tais sistemas, geralmente possuem um domínio fixo de atuação,
tais como redes de computadores, montagens de circuitos eletrônicos,
etc..
Alguma atenção tem sido dada também ao desenvolvimento
de saídas inteligentes para os atuais sistemas e linguagens de
simulação,
auxiliando o usuário na análise dos resultados e sugerindo
modificações. Nestes sistemas um objetivo é traçado
e o modelo executado.
Se o resultado desejado não for alcançado, os sintomas relativos
ao problema ocorrido são percebidos pelo sistema, que dispara, então
uma série de sugestões ao usuário no sentido de corrigir
o modelo, para que as distorções possam ser minimizadas.
Usualmente,
estas rotinas auxiliares são constituídas de uma série
de regras do tipo SE este sintoma ou condição
ENTÃO
sugiro esta ação ou procedimento.
A vantagem dos sistemas híbridos é que eles não são
tão difíceis deseremdesenvolvidos e modelo final apresenta,
se bem desenvolvido, um bom desempenhocomputacional.
Com relação à segunda forma de abordagem, algumas tentativas
bem sucedidas, levadas a efeito em renomados centros de pesquisa, tem ocorrido
nos últimos dez anos, a partir do surgimento na década de
70 das linguagens de programação não procedurais. Um
exemplo é o ROSS (Rule Oriented Simulation System) [KLAHR, 1980],
desenvolvido pela Rand Corporation. O ROSS é um sistema interativo
de. simulação desenvolvido em LISP, considerando idéias
que envolvem programação orientada a objeto (POO). Seu
propósito
é a simulação de jogos de guerra. Foi considerado um
pioneiro no tratamento da realidade na forma de objetos.
Nesta forma de modelagem, a umidade de informação e de
organização
do sistema passam a ser objetos. O conjunto destas informações
pode incluir fatos a respeito dos objetos e de como ele deve se comportar
diante de certos estímulos e/ou com quem deve interagir. SHANNON
[1985], afirma que o uso da POO nos SIS, é que permitirá levar
um modelo e um experimento a um mais alto nível de abstração
e a uma forma mais natural de representação. Segundo ele,
os sistemas do mundo real são modelados como objetos. Mensagens são
passadas entre eles, descrevendo ações a serem realizadas,
enquanto que regras do tipo SE-ENTÃO, descrevem o comportamento que
os objetos devam assumir .
Após o ROSS, outros sistemas incorporando idéias semelhantes
tem aparecido. Dentre eles podemos citar o artigo de BENJAAFAR [1992]. Este
trabalho relata alguns estudos e pesquisas para o desenvolvimento de um
ambiente integrado de simulação com IA. A nova arquitetura
proposta, esta baseada numa representação estruturada de objetos.
O autor procura mostrar que a adoção desta técnica
de construção de sistemas inteligentes de simulação
trará, futuramente resultados mais efetivos e facilidades na
integração
entre modelagem, simulação e as funções de
inteligência.
Outros trabalhos também podem ser citados: o SIMULATION CRAFT, da
Universidade de Carnegie Mellon, o SIMKIT da lntellicorp e o LASER/SIM da
lntellisys [TALAVAGE, 1987]. Estes sistemas incorporam estruturas de
representação
do conhecimento e modernas técnicas de POO.
2.8 Sumário
Neste capítulo abordamos a literatura relevante aos propósitos
de nossa pesquisa. Enfatizamos, primeiramente, o conceito de flexibilidade
e suas extensões aos sistemas de produção. Oportunamente,
revisamos a literatura sobre os chamados SFM, definindo-os e discutindo
seus principais elementos.
Uma vez que esta pesquisa pretende desenvolver um modelo para o tratamento
de problemas de planejamento e controle da produção de SFM,
procuramos revisar, de forma mais profunda, a literatura que trata destes
problemas, subdividindo-os em seus principais segmentos afim de melhor
compreende-los
e apresenta-los.
Antes de revisarmos a literatura que trata da aplicação de
modelos de simulação ao planejamento e controle operacional
de SFM, apresentamos e discutimos a avaliação de projetos
de SFM, destacando os tipos de medidas e modelos utilizados.
Dentre os modelos focalizados no item anterior, a simulação
tem se mostrado a ferramenta mais promissora para os fins a que nos propusemos.
Desta forma, reservamos uma boa parte desta revisão à
discussão
da simulação aplicada à modelagem de SFM.
Encerramos a seção introduzindo algumas idéias recentes
sobre a lntegração de ferramentas computacionais. Neste sentido
os dois últimos temas revisados apontam para o uso e desenvolvimento
dos chamados Sistemas Inteligentes de Simulação. Tais sistemas
foram discutidos na última seção. Ressaltamos a
significância
e importância deste tipo de ferramenta, que combina as potencialidades
da simulação e da inteligência artificial, no caso por
meio dos Sistemas Especialistas. A propósito destes sistemas, antecedendo
a discussão sobre os SIS, dedicamos uma seção inteira
aos SE, definindo-os, discutindo sobre sua estrutura formal e sobre o uso
de novas ferramentas para a sua construção.
