MODELO DE SIMULAÇÃO COM ALOCAÇÃO DINÂMICA
DE MAQUINAS,
PARA O PLANEJAMENTO E CONTROLE OPERACIONAL DE SFM
3.1 Planejamento da Produção
Vs Controle Operacional em SFM
Conforme visto no item 2.3 da revisão bibliográfica, várias
são as abordagens já experimentadas e adotadas para a
solução
do problema planejamento Vs operação de SFM. Dentre os mais
promissores, estão os desenvolvidos por MAHESHWARI [1992] , GUPTA
[1992], EGBELU [1993], YIM [1993] e ZHUANG [1993].
Os trabalhos de Gupta e Goyal GUPTA [1992] e de Maheshwan' MAHESHWARI [1992],
são por nós especialmente considerados. O primeiro por
ser um trabalho de cunho investigativo bastante profundo, no qual os autores
testaram inúmeras alternativas de gerenciamento da produção
em SFM. Além do que, os testes foram realizados usando modelos de
simulação, ferramenta de avaliação também
por nós utilizada. O segundo trabalho não é apenas
'investigativo, como o de Gupta e Goyal. MAHESHWARI [1992] propõe,
assim como nós, um modo integrado de abordagem do problema, por meio
wn processo interativo, neste caso utilizando modelos de Programação
Linear (PL) para a fase de planejamento, acompanhado de um modelo de
simulação,
no qual várias combinações de políticas operacionais
são testadas, visando por em prática as soluções
de planejamento determinadas pela PL. Os bons resultados reportados por
estes trabalhos nos incentivou a investigar mais este tipo de abordagem.
Uma vez que os SFM tem suas operações quase que totalmente
controladas por sistemas computacionais, em seus vários níveis
hierárquicos, toma-se possível incorporar a estes sistemas
controladores, algoritmos, que permitam a tomada de decisões, em
tempo real, equivalentes àquelas provenientes dos processos de
planejamento
que adotem, por exemplo, modelos de PL.
Neste capítulo, propomos um novo modelo de simulação
para SFM. Este modelo incorpora procedimentos de decisão especialmente
voltados ao encaminhamento de soluções do problema de
sequenciamento
da produção de SFM. A união da simulação
com algoritmos matemáticos, forma um sistema híbrido que busca
soluções equivalentes àquelas tomadas em tempo real
pelos sistemas hierárquicos de controle dos SFM.
Os procedimentos de decisão, alimentam o sistema com
informações
sobre o sequenciamento, objetivando, sobretudo, o balanceamento da carga
das máquinas.
Vários dos elementos associados ao planejamento e controle operacional
de SFM são utilizados no modelo desenvolvido e, por isso, são
inicialmente revisados.
3.1.1 Elementos do Planejamento da
Produção
em SFM
Na figura 3.1 estão ilustrados os principais elementos envolvidos
no processo de planejamento da produção de SFM.
Em seu mais baixo nível de decisão, o planejamento
requer do decisor a definição da programação
de todas as peças pertencentes ao lote de produção
a ser manufaturado ao início de cada ciclo produtivo, que pode ser
um turno, um dia, urna semana, etc.
Esta decisão, envolve vários parâmetros de planejamento
tais como as necessidades de produção, por tipo de peça,
bem como, as capacidades produtiva e operacional de cada centro de usinagem
do sistema. Tais centros, embora com possibilidade de realizarem inúmeras
operações, devido aos tipos de ferramentas existentes em seus
carroceis de ferramentas, possuem capacidade limitada na execução
dos diferentes tipos de operações.
Nos SFM, é grande o número de combinações que
podem resultar em alternativas viáveis ao planejamento. Ao lado destas
variáveis, o decisor deve ainda considerar a capacidade do sistema
de transporte de materiais, elemento de fundamental importância nos
SFM.
Paralelamente às necessidades de produção e às
restrições do sistema, é necessário que o decisor
determine um objetivo a ser alcançado com o planejamento. Vários
objetivos diferentes são possíveis tais como:
· Minimização do custo operacional;
· Minimização da soma dos tempos de operação
e transporte;
· Balanceamento da carga de cada centro de usinagem, etc..
A solução destes problemas de planejamento da produção,
passa, em geral pela formulação de modelos de
programação
linear inteira, como os apresentados em STECKE [1986] e KUSIAK [1985]. A
grande dificuldade porém, não se encontra nesta fase e sim
quando da implementação operacional das soluções
obtidas.
3.1.1.1 Hipótese Associadas aos Modelos
de Planejamento de SFM
Na definição dos modelos de planejamento da produção
de SFM a partir dos elementos ilustrados na fig. 3.3, as seguintes
suposições
são formuladas:
· as necessidades de produção de cada tipo de peça
são conhecidas;
· é conhecido o plano de processo de cada tipo de peça,
Isto é, quais as operações e a ordem destas,
necessárias
a produção da peça ou componente;
· os tempos de processamento e de transporte são conhecidos
e determinísticos;
· todos os custos relevantes podem ser obtidos;
· não são consideradas falhas 'instantâneas nas
máquinas ou no sistema de transporte;
· o sistema se encontra vazio ao início de cada ciclo de
manufatura;
· os VAGs utilizados possuem características similares.
3.1.2 Elementos do Controle Operacional de
SFM
No item anterior apresentamos alguns dos principais elementos presentes
nas decisões relacionadas com o planejamento da produção
dos SFM. Entretanto, conforme visto nos capítulos anteriores, na
etapa de execução muitas outras decisões de controle
devem ser tomadas, as quais poderão afetar o planejamento e como
conseqüência o próprio desempenho do sistema.
No nível de planejamento os modelos utilizados não incorporam
muitas políticas operacionais com comprovada influência sobre
o desempenho do sistema. Dentre as decisões operacionais de controle
mais importantes temos:
· Políticas para a liberação de novas peças
ao sistema;
· Políticas para a priorisação de peças
no buffer das máquinas;
· Políticas para o despacho de veículos transportadores
Afora estas políticas operacionais, alguns recursos secundários
do sistema. tais corno o tamanho dos buffers e o número de pallets,
também não são incorporados aos modelos de planejamento
embora também possuam grande influência sobre o desempenho
operacional dos SFM [SCHRIBER, 1988; CO, 1988].
A figura 3.2 ilustra o controle operacional dos SFM e sua dependência
das políticas operacionais, dos recursos secundários do sistema
e das decisões tomadas na fase de planejamento.
Nos subitens que se seguem apresentamos uma descrição das
políticas ou regras operacionais citadas acima, bem como dos chamados
recursos secundários, buffers e pallets.
3.1.2.1 Regras para a Liberação
de Novas Peças ao Sistema
Estas políticas ou regras, determinam, dentre as peças que
estão aguardando para serem introduzidas no SFM, qual terá
a maior a prioridade. Dentro destes sistemas existe um número limitado
de peças circulando. Este número é controlado pelo
número de pallets em circulação, uma vez que a peça
se mantém num pallet enquanto no sistema. Um pallet toma-se
disponível
quando uma peça completa todas as suas operações e
sai do sistema. Neste momento uma nova peça pode então
ser introduzida no sistema. Uma regra de prioridade deve ser definida para
determinar qual dos diferentes tipos de peças que se encontram aguardando
deve ser a escolhida. A literatura reporta várias trabalhos que tratam
destas regras [NOF, 1979; CARRIE, 1985; WHITNEY, 1985; MONTAZERI, 1990;
GUPTA, 1992].
Tais regras são, em geral, dependentes de características
das peças, tais como, tempos de processamento, número de
operações,
tempo de chegada ou, do estado do sistema, que pode ser descrito, por exemplo,
pela situação em que se encontram as máquinas que uma
peça deve visitar ou pela taxa de produção do mix naquele
momento. As regras mais utilizadas são:
· Menor Taxa de Produção (MTxP): Esta regra depende
do estado do sistema. É executado um acompanhamento, constante, da
relação entre os tipos de peças já introduzidas
no sistema, e o mix de produção desejado. É introduzida
no sistema a peça com a menor relação. Esta regra procura
manter o mix de produção desejado ao longo de todo o ciclo
produtivo.
· Menor Número de Visitas (MNV): Esta regra libera peças
para o sistema, com base no número de visitas que uma peça
tem que realizar para completar todas as suas operações, em
uma ordem cíclica.
· Menor Tempo Total de processamento (MTTP): Esta regra libera
peças para o sistema, com base no tempo total de processamento
necessário
para que um peça realize todas as suas operações,
também
numa ordem cíclica.
· Ordem Aleatória (OA): Neste caso todas as peças
aguardando possuem a mesma probabilidade de ser escolhida. Em geral este
tipo de regra é adotado como forma de comparação no
desempenho de outras regras
3.1.2.2 Regras para a Priorização
de Peças no Buffer das Máquinas
Estas regras tratam da priorização das peças que se
encontram nos buffers das máquinas aguardando para serem processadas.
A prioridade é designada a uma peça, quando mais de uma se
encontra aguardando. As regras mais citadas são:
· Menor tempo de Processamento (MTP): Esta regra prioriza aquela
peça que possui o menor tempo de processamento para a
realização
da(s) operação(ões) na máquina..
· Menor Tempo de Processamento Restante (MTPR): MTPR seleciona
para processamento, a peça cujo tempo de processamento restante seja
o menor.
· FIFO: (First in First out) : FIFO é utilizada como
forma de comparar os desempenhos de regras alternativas. A prioridade é
determinada de acordo com a ordem de chegada das peças nos buffers.
3.1.2.3 Políticas para o Despacho de
Veículos Transportadores
As regras de despacho de veículos transportadores (VAGs), são
necessárias quando uma peça precisa ser transportada de uma
para outra máquina ou para a estação de
carregamento/descarregamento.
A prioridade deve ser designada quando mais de uma peça encontrasse
aguardando por transporte no momento em que um veículo toma-se
disponível.
Estas regras podem ser dependentes das características das peças
ou do estado do sistema [BOZER, 1989;. LEUNG, 1990, GUPTA, 1992; MAHESHWARI,
1992; SABUNCUOGLU, 1992; YIM, 1993].
· Menor Carga de Trabalho na Fila de Destino (MCTFD): A prioridade
é dada à peça cuja fila de destino encontra-se com
a menor carga de trabalho. A carga é medida pela soma dos tempos
de processamento das peças que se encontram naquela fila. O objetivo
desta regra é reduzir o desbalanceamento na carga das
máquinas.
· Mínimo Número de Visitas Restantes (MNVR): Por
esta regra a prioridade é designada de acordo com o número
de visitas que restam a uma peça, para que esta complete seu
processamento.
Por esta regra, as peças com maior valor agregado (mais
operações
completadas), terão maior prioridade no transporte
Máximo Número de Peças Esperando para Sair (MNPS):
Esta regra determina que
a prioridade deva ser dada a peça que se encontrar numa máquina,
cuja fila de peças
esperando para serem transportadas a outra estação, seja a
maior.
FIFO: (First in First out) : FIFO é utilizada como forma de
comparar os desempenhos de regras alternativas. A prioridade é determinada
de acordo com a ordem de solicitação de transporte das
peças.
3.1.3 Parâmetros Secundários
do Sistema
Em conjunto com as estratégias de controle operacional do sistema,
existem alguns parâmetros operacionais tais como o tamanho dos buffers
e o número de pallets que possuem comprovado impacto sobre o desempenho
do sistema [CO, 1988; SCHRIBER, 1988; GUPTA, 1992; MAHESHWARI, 1992; SABUNCUOGLU,
1992]. Estes dois elementos são elementos fundamentais desta
investigação
sendo descritos com mais detalhes na apresentação do
modelo de simulação desenvolvido.
3.2 Modelo para o Planejamento e Controle
Operacional de SFM
No item 2.4.2 da revisão bibliográfica (Modelos para a
Avaliação
de SFM), discutimos sobre a utilidade de modelos analíticos no estudo
dos aspectos operacionais de SFM reais. Tais modelos tem pouca utilidade
neste aspecto, por não suportarem a incorporação dos
princípios que governam a dinâmica operacional destes sistemas
de manufatura. Por isso a adoção, neste trabalho, de um modelo
de simulação discreta. Os modelos de simulação
a capacidade de emular, com muita similaridade, modelos reais de SFM, embora,
ressalte-se, sejam modelos tipicamente avaliativos, não permitindo
otimizações. [SURI, 1985]. Em outras palavras, um modelo de
simulação requer que algumas decisões sejam tomadas
"a priori"', gerando alternativas que possam ser avaliadas num
ambiente dinâmico e detalhado como os fornecidos pelos modelos de
simulação.
O modelo de simulação foi desenvolvido usando-se a versão
estudantil da linguagem de simulação SIMAN 4.0 [PENGDEN, 1990].
Esta decisão deveu-se, em parte, a excepcional capacidade desta linguagem
em simular sistemas de produção, principalmente àqueles
com características especiais de sistemas de transportes de materiais,
como os SFM. O segundo motivo da adoção do SIMAN, foi sua
disponibilidade, à época, nos laboratórios da University
of South Florida (USF), onde os modelos foram, inicialmente, estudados e
desenvolvidos.
O modelo de simulação consiste na integração
de três grandes circuitos lógicos de controle: o controle das
máquinas, o controle dos veículos transportadores e o controle
do fluxo das peças. Pelo fato de não utilizarmos uma
estratégia
comum para o controle do fluxo das peças e por tratar-se de uma
versão
estudantil da linguagem de simulação, fomos obrigados a desenvolver
parte do modelo na linguagem de programação C, conectando-se
os módulos assim desenvolvidos ao modelo em SIMAN.
Um aspecto importante na modelagem voltada à simulação
é a verificação e validação dos modelos.
Os textos sobre simulação [BANKS, 1984; LAW, 1991; PENGDEN,
1990], definem verificação como sendo o processo de determinar
que o modelo funciona conforme o projetado, isto é, isento de erros
de programação. Já a validação, consiste
em determinar se o modelo é uma representação acurada
do sistema real sob estudo. Nesta pesquisa, não será possível
uma plena validação, uma vez que os modelos são
hipotéticos,
isto é, não são baseados em sistemas reais. No entanto,
os sistemas modelados foram baseados em sistemas já utilizados em
pesquisas anteriores [CARRIE, 1988; MAHESHWARI, 1992]. A validação,
neste caso consistiu na reprodução dos resultados daquelas
pesquisas, quando parâmetros de entrada semelhantes foram utilizados.
Quanto à verificação, ambos os programas, em SIMAN
e em C, foram exaustivamente testados afim de se tomarem isentos de erros
de programação. Sua lógica foi "rastreada",
usando-se as facilidades do "Trace Element" do SIMAN. Os fluxos
das entidades dentro do modelo foram acompanhados em inúmeros testes,
afim de assegurar sua lógica.
3.2.1 Parâmetros Utilizados no Modelo
Seleção de Peças: Uma vez instalado, o SFM
opera para produzir, simultaneamente, uma variedade de peças em pequenos
lotes. Esta variedade de peças se restringe ao mix para o qual o
sistema foi projetado.
Na literatura encontrasse a descrição de várias
técnicas
utilizadas para a seleção de peças. Técnicas
baseadas em tecnologia de grupo [BROWNE, 1984] ou em algoritmos baseados
em programação linear inteira [WHITNEY, 1985], são
dois exemplos. No entanto, para os propósitos desta pesquisa, é
suficiente reconhecer que os SFM podem produzir peças de acordo com
seus projetos, com base em algum tipo de atributo de manufatura. e que o
número de tipos de peças pode ser muito grande. Neste estudo,
é possível testar-se o modelo e o protótipo com uma
pequena parte desta grande família de peças. Na literatura
verificamos que o número médio de variedade de peças
produzidas é 20 [BROWNE, 1984; BUZACOTT, 1986a e 1986b]. Este número
será adotado neste trabalho.
Número de Operações: Cada peça necessita
um determinado número de operações para completar seu
processamento. Neste trabalho o nº de operações por peça
e assumido como sendo uniformemente distribuído, assumindo valores
discretos entre 3 e 10, com uma média de 6,5
operações/peça.
Tempo de Processamento: Não existe na bibliografia revisada,
relatos específicos a respeito de tempos de processamento nas peças
em SFM. Tais tempos são correspondentes àqueles decorridos
em processos semelhantes nos sistemas convencionais. Neste estudo, assumimos
que os tempos são determinísticos e podem variar de 2 min.
à 20 min. O tempo de processamento em máquinas alternativas,
isto é, naquelas com menor eficiência no processamento de
determinadas
operações, sofrerão acréscimos que variam de
20% à 100%, do tempo das máquinas principais.
Mix de Peças: Num determinado ciclo de produção,
somente um certo número de tipos de peças é selecionado
para ser produzido, obedecendo a uma determinada relação.
Assumimos que os tipos de peças variam entre um mínimo de
3 e um máximo de 8, num ciclo. Cada peça selecionada, terá
uma participação relativa de 1, 1.5, 2.0, 2.5 ou 3.0. Desta
forma, se um tipo de peça recebe peso 1 e outra peso 1.5, a segunda
terá uma participação 50% maior que a primeira no mix
de produção. A seleção dos pesos será
baseada na distribuição uniforme discreta.
Número e Velocidade de VAGs: A decisão sobre o número
de Veículos Auto Guiados a serem utilizados em um SFM, objetivando
assegurar uma particular taxa de produção, depende, dentre
outras variáveis, do arranjo físico do sistema e de sua
programação.
Esta decisão é típica da fase de detalhamento do projeto,
na qual um nº razoável de alternativas de programação
da produção devem ser testadas (simuladas) em relação
a um determinado arranjo físico, para que se possa concluir algo,
a pulá de ingerências sobre os resultados do modelo testado.
Na literatura [EGBELU, 1984; RAMAN, 1989; SABUNCUOGLU, 1992; YIM, 1993],
verificamos que um número típico de VAGs, situa-se entre I
e 4 veículos, dependendo do sistema. Trabalhamos, neste estudo com
estes números. Quanto a velocidade, o mais comum são velocidades
nominais médias da ordem de 30 m/s à 50 m/s. Ambas as
variáveis,
número e velocidade, podem ser facilmente alteradas pelo analista
durante os procedimentos de avaliação do desempenho dos
sistemas.
Número de Pallets e Tamanho dos Buffers: Pallets são
considerados peças chaves no desempenho operacional de SFM e, a
decisão
sobre que número de pallets utilizar, depende, basicamente, da
disponibilidade
de espaço nos buffers das máquinas. O número de pallets
no sistema, obviamente não pode ser maior que o tamanho dos buffers,
que nos SFM são bastante restritos, resumindo-se à pequenos
espaços em frente as máquinas e no próprio sistema
de transporte. No caso de um controle falho, a ocorrência de uma
situação
como essa, levaria ao bloqueio do sistema.
Com base nos trabalhos de Schriber e Stecke [SCHRIBER, 1988], MAHESHWARI
[1992]; SABUNCUOGLU [1992] e YIM [1993] assumimos o mesmo tamanho de buffer
em cada máquina. cinco diferentes capacidades, 2, 3, 4, 5 ou 6, são
adotadas.
Por outro lado, o número de pallets não deve ser menor que
o número de máquinas, o que
causaria na uma baixa utilização do sistema, pois nesse caso,
em qualquer momento alguma máquina pode estar em desuso por falta
de pallets. Usualmente, o número de pallets e o número de
máquinas, relacionam-se com índices de 1.5, 2.0, 2.5, 3 ou
4 vezes, Isto é, num sistema com 4 máquinas pode-se adotar
6, 8, 10, 12 ou 16 pallets.
3.2.2 Modelo de Simulação
Proposto
Os parâmetros básicos de entrada do modelo são os defmidos
no item anterior. Para que o sistema possa funcionar é preciso, no
entanto, que para cada tipo de peça a ser processada exista uma
seqüência
de operações previamente determinada, a qual está,
normalmente, atrelada a uma seqüência de visitação
de máquinas, de tal forma que, no momento de sua entrada no sistema,
seja possível determinar seu destino.
No modelo proposto, a determinação da seqüência
de visitação das máquinas funciona de maneira diferente,
das propostas nos modelos que classificamos como tradicionais. Nestes, a
sequência é estabelecida a priori, com auxílio
ou não de modelos matemáticos.
Adotamos aqui urna seqüência de visitações
flexível,
isto é, com a possibilidade de mais de uma máquina poder realizar
uma mesma operação, embora com diferentes eficiências,
sobre uma peça. Será o estado do sistema que determinará
qual máquina, naquele momento, deverá ser alocada para a
execução
do trabalho.
Para que isto seja possível, um algoritmo programado em C e conectado
ao modelo em SIMAN, é executado sempre que exista a necessidade de
execução de uma nova operação em uma peça,
urna vez que, neste momento, uma decisão sobre qual máquina
realizará a operação deve ser tomada. A lógica
deste controle é apresentada no item 3.2.2.1.
A simulação será iniciada com o sistema vazio e todos
os equipamentos disponíveis. Inicialmente, o número de peças
liberadas ao sistema é igual ao número de pallets.
Subseqüentemente,
as peças entram no sistema à medida em que os pallets vão
ficando disponíveis. As peças são liberadas em acordo
com a política de liberação adotada. Após completar
todo seu processamento, as peças são transportadas de volta
a estação de Carregamento/Descarregamento e o respectivo pallet
fica disponível.
O tempo de execução de uma simulação depende,
usualmente, dos objetivos do analista. Na grande maioria dos processamentos
ligados a projetos de manufatura, este tempo está associado ao ciclo
de produção de um determinado conjunto de peças. Outras
vezes, este tempo relaciona-se com os turnos de produção do
próprio sistema, como, por exemplo, quando se deseja saber qual seria
a produção alcançada, no período de uma semana,
com turnos diários de 8 horas.
Nos exemplos que serão aqui apresentados, a execução
das simulações se encerrarão no momento em que todas
as peças requeridas em um determinado ciclo produtivo forem manufaturadas.
Isto só não ocorrerá, quando do acontecimento de um
evento extraordinário, evitando a concretização de
um ciclo.
Um exemplo de evento extraordinário, poderia ser o bloqueio do sistema
devido a falhas no projeto ou no planejamento e controle da produção.
Portanto, o período de execução de urna
simulação
é uma variável e é igual ao Tempo de um
Ciclo
de Produção. Esta variável é importante
quando se deseja comparar sistemas produtivos diferentes ou mesmo diferentes
estratégias de produção sobre um mesmo sistema
3.2.2.1 Controle Lógico da
Seqüência
de Visitações de Máquinas
Conforme comentamos no item anterior , no modelo de simulação
desenvolvido, não adotamos uma seqüência pre-programada
de visitação de máquinas pelas peças. Em
substituição
a este procedimento, geralmente voltado ao emprego de modelos analíticos,
como a programação linear, introduzimos a idéia de
definir as rotas das peças que se encontrem no sistema, no momento
exato em que esta decisão deva ser tomada e não previamente.
Tal idéia procura buscar uma solução que permita utilizar
as características de flexibilidade dos SFM ditadas, principalmente,
pela multiplicidade operacional de seus centros de usinagem e, ao mesmo
tempo, evitar o descompasso entre o planejamento e a operação
devido as dificuldades dos modelos matemáticos em incorporarem o
dinamismo operacional destes sistemas.
A lógica por traz desta idéia é simples. Sempre que
houver a necessidade de executar uma nova operação em uma
peça, o programa executa uma pesquisa sobre os centros de usinagem
ou máquinas, de tal forma que obtenha como resposta, qual máquina
deverá efetuar a operação. Nesta busca, são
considerados os seguintes elementos:
· máquinas que possuem a capacidade de executar a
operação
desejada;
· eficiência na execução da operação;
· carga de trabalho associada às máquinas candidatas.
Os dois primeiros elementos são parâmetros das máquinas
do sistema, enquanto que o terceiro é determinado pelo estado do
sistema no momento da decisão.
Na figura 3.3., a seguir, apresenta-se um fluxograma do algoritmo proposto.
No Anexo 01 apresenta-se seu código.
Abaixo, apresenta-se passo-a-passo os procedimentos efetuados pelo
programa.
Passo 1. lnicialização
lnicializa todas as variáveis do processo.
Passo 2. Atualização do Tempo Disponível das
Máquinas
Verifica, para todas as máquinas, o valor de TDispo, isto é,
o tempo em que a máquina estará disponível após
realizar toda a carga de trabalho a ela designada. Se a máquina estiver
liberada, TDispo será menor ou igual ao atual tempo de
simulação
TNOW. Neste caso, faz TDispo = TNOW.
Passo 3. Verificação do Tipo de Operação
Verifica o tipo de operação a ser realizada. Se TipOper =
- 1, todas as operações já foram realizadas sobre a
peça. Neste caso encaminha a peça a estação
de Carregamento/Descarregamento e retoma ao programa de simulação.
Caso contrário segue para o passo 4.
Passo 4. lnicialização do Processo de Busca da Melhor
Máquina
Busca a primeira máquina com capacidade de realizar a operação
desejada, isto é, Efic [Maq] [TlpOperl> 0. Faz MaqEsc = Maq.
Passo 5. Cálculo da Carga Adicional e Inicialização
do Melhor Tempo Disponível
Calcula a carga adicional à carga da máquina escolhida MaqEsc.
Neste cálculo considera o tipo da peça, a operação
a ser realizada e a eficiência da máquina MaqEsc. Em
função
da carga adicional, calcula o novo tempo disponível para a máquina
MaqEsc. Faz NovaCarga = TDispo[Maq] + CargaAdicional
Passo 6. Busca do Melhor Tempo e Melhor Máquina
Busca a próxima máquina que possa realizar a operação
desejada, isto é, àquela com eficiência positiva
para a referida operação. Calcula a sua carga adicional
e seu novo tempo disponível. Atribui o resultado a CargaTeste
Passo 7. Definição da Melhor Máquina
Testa se CargaTeste calculado é menor que NovaCarga. Se verdade,
faz NovaCarga = CargaTeste e MaqEsc = Maq.
Passo 8. Teste de Parada..
Se todas as máquinas com eficiência positiva relativas a
operação
desejada já foram testadas, segue para o passo 9. Senão volta
ao passo 6
Passo 9. Final de Procedimento.
Faz TDispo [MaqEsc] = NovaCarga. Faz a compatibilização entre
as variáveis do programa em C e do programa de simulação
em SIM-AN. Retoma ao programa de simulação
3.2.2.2 Hipóteses Associadas ao
Modelo
Os modelos de simulação, em geral, não requerem tantas
hipóteses quanto os modelos analíticos. No entanto, o
desenvolvimento
de qualquer tipo de modelo, necessita um claro delineamento de suas fronteiras.
Além disso, pode não ser apropriado, nem mesmo viável,
incorporar todo o tipo de detalhamento ao modelo de simulação.
Assim, para manter o esforço de modelagem sobre controle é
necessário fazermos algumas hipóteses razoáveis sobre
o sistema. No modelo desenvolvido, as seguintes hipóteses foram
feitas:
· Todos os pallets encontram-se, inicialmente, na estação
de Carregamento.
· Todos os VAGs, encontram-se, inicialmente, na estação
de VAGs.
· O número de pallets disponível é fixo para um
determinado ciclo de produção.
· Todas as matérias primas das peças a serem produzidas
num dado ciclo encontram-se, inicialmente na estação de
Carregamento.
· As estratégias de controle operacional são
pré-definidas
e não mudam durante o ciclo de produção.
· Os VAGs retomam a sua estação se a fila de
requisição
de transporte estiver vazia.
· Uma peça só é movida para outra estação
se houver espaço disponível para seu pallet.
· O controle de decisões sobre os VAGs só é efetuado
'unto as máquinas, estação de VAGs e estação
de Carregamento/Descarregamento.
· O controle de destino de uma peça só é efetuado
junto às máquinas ou estação de
Carregamento/Descarregamento.
3.2.2.3 Controle Lógico do Fluxo de
Peças
O fluxo lógico de peças e pallets é o mesmo. Uma peça
só é liberada para ser processada quando um pallet está
disponível. Logo, os fluxos de peças e pallets são
análogos no modelo de simulação. O número
simultâneo
de peças nos sistema é limitado pelo número de pallets.
A liberação de peça ao sistema é feita de acordo
com as regras de liberação de peças. O controle
do fluxo das peças no sistema, é feito pela seqüência
de operações, sem contudo estar associado, especificamente,
às máquinas, existindo, portanto, uma flexibilidade de rotas.
Uma peça pode encontrar-se em qualquer uma das quatro seguintes
condições
no sistema modelado:
· sendo processada em uma máquina,
· esperando por processamento em uma área de armazenagem junto
as máquinas,
· aguardando por transporte ou
· em transito para seu próximo destino.
Para minimizar a possibilidade de bloqueio do sistema, uma peça só
é transportada para uma próxima máquina se houver
espaço
em sua área de armazenagem.
A figura 3.4 ilustra o controle de fluxo de peças.
3.2.2.4 Controle Lógico das
Máquinas
O controle lógico das máquinas, está totalmente
associado às peças que podem estar sendo processadas ou aguardando,
para serem processadas ou transportadas. Se mais de uma peça aguarda
por processamento, então a regra de prioridade de sequenciamento
é aplicada para selecionar uma peça. Empates são decididos
com base no tempo de espera na fila. A fig. 3.5 ilustra esta
lógica.
3.2.2.5 Controle Lógico do Fluxo
dos VAGs
Dentro do modelo de SFM, o transporte é executado por Veículos
Auto Guiados que merecem um controle especial sobre seus movimentos. Estes
veículos, podem se movimentar sobre um caminho predeterminado para
alcançarem qualquer uma das máquinas, sua própria
estação
de permanência ou a estação de
Carregamento/Descarregamento.
O caminho sobre o qual os veículos se movimentam, foi dividido em
pequenos segmentos, os quais são controlados pelos veículos
na medida de suas movimentações. Cada segmento é assumido
como se fora um recurso, que é tomado e liberado pelo veículo
quando de sua passagem sobre ele. Sendo assim, dois veículos não
podem compartilhar o mesmo recurso e portanto não podem estar no
mesmo lugar ao mesmo tempo. Da mesma forma, somente um veículo pode
encontrar-se junto a área de armazenagem das máquinas. Com
exceção da estação de Carregamento/Descarregamento,
área das máquinas e estação dos VAGs, que são
caminhos bi-direcionais, todos os outros são unidirecionais.
A velocidade é assumida como constante durante a execução
de uma simulação e, e cerca de 30% menor nos segmentos
bi-direcionais
e curvas.
Todas as prioridades sobre o transporte das peças são determinadas
pelas regras de despacho e de acordo com as hipóteses gerais associadas
ao modelo.
A lógica do fluxo dos veículos é apresentada na figura
3.6.
3.3. Medidas de Desempenho
As medidas de desempenho operacional para a avaliação simulada
de sistemas de produção podem ser as mais diversas. As principais
medidas de desempenho operacional utilizadas neste estudo são:
· o tempo de passagem;
· o tempo do ciclo produtivo;
· a taxa de utilização das máquinas;
· a taxa de utilização dos VAGS;
· o tamanho das filas nas máquinas
O tempo de passagem é definido como o tempo que uma peça permanece
no sistema, iniciando-se sua contagem no momento em que esta é liberada
para o sistema na estação de Carregamento/Descarregamento,
mais precisamente, quando a peça é carregada em um pallet.
A contagem deste tempo encerra-se no exato momento em que a peça
é descarregada do pallet, na estação de
Carregamento/Descarregamento,
saindo do sistema.
O tempo do ciclo de produção, é definido pelo tempo
total para a manufatura de todas as peças requeridas. Nos ambientes
produtivos sob investigação, somente um número finito
de peças é produzido em cada ciclo. Da literatura [MAHESHWARI,
1992], fica comprovado que medir o tempo do ciclo produtivo, em um SFM,
é análogo a medir-se a utilização do sistema
como um todo ou sua taxa de produção. Portanto, as duas
últimas
medidas não são usadas neste trabalho.
A taxa de utilização das máquinas é determinada
pela relação entre o tempo que cada máquina passa
efetivamente
processando peças e o tempo total do ciclo produtivo.
A taxa de utilização dos VAGs é determinada pela
relação
entre o tempo que cada VAG passa movimentando-se, carregado ou vazio e o
tempo total do ciclo produtivo. Outra taxa que pode ser utilizada é
a de utilização efetiva dos VAGS, na qual somente o tempo
de uso com carga é computado.
O tamanho das filas das máquinas é fornecido como resultado
de uma média ponderada pelo tempo, do número de elementos
que se encontrem, ao longo da simulação, naquelas filas. Embora
com capacidade limitada pelo tamanho dos buffers, é uma importante
medida, diretamente relacionada com detecção de gargalos.
3.4 Sumário
Neste capítulo apresentamos os principais elementos envolvidos no
problema do planejamento e controle operacional dos SFM. Apresentamos,
também,
um modelo de simulação desenvolvido para tratar estes problemas.
Neste modelo, uma atenção especial foi dada a fase de planejamento,
pela integração de um algoritmo para executar o controle sobre
a seqüência de visitação de máquinas. Este
algoritmo, torna desnecessária a alocação prévia
de recursos, usualmente executada por modelos de programação
linear inteira ou modelos de programação por múltiplos
objetivos e, cujos resultados costumam causar problemas na fase
operacional.
No capítulo que segue, trataremos da aplicação do modelo
aqui desenvolvido a uma série de problemas testes. Será feito,
também, um teste comparativo com uma aplicação que
faz uso de um modelo de programação linear para a fase de
planejamento.