APLICAÇÃO DO MODELO PROPOSTO E COMPARAÇÃO
DOS RESULTADOS COM OS DOS MODELOS TRADICIONAIS
Neste capítulo apresentamos os resultados práticos da
aplicação
da abordagem proposta e do modelo de simulação dela derivado
a problemas de planejamento e controle operacional de SFM. Esta
aplicação
tem como objetivos, primeiro a validação do modelo desenvolvido
e, segundo, a demonstração de sua contribuição
a solução do problema em questão. Para tal, verificamos
seu comportamento em comparação com resultados obtidos por
outros pesquisadores que trataram o mesmo tipo de problema utilizando diferentes
abordagens.
Para a obtenção dos resultados práticos são
necessários um SFM e um conjunto de problemas exemplos que permitam
a validação desejada. Dois trabalhos obtidos na literatura
proporcionam estes elementos. O SFM utilizado, foi apresentado e modelado
por CARRIE [ 1988], e baseia-se em um sistema real (ver figura 4.1).
Dois motivos nos levaram à escolha deste sistema em particular. O
primeiro, é o fato de estar bem documentado na literatura, o que
possibilita a validação da modelagem por nós desenvolvida,
uma vez que se pode repetir os resultados obtidos por Carrie quando os mesmos
parâmetros de entrada são utilizados. O segundo motivo é
ter sido este sistema também utilizado por MAHESHWARI [1992] em um
importante trabalho de pesquisa, já anteriormente citado, e que trata
justamente do problema da compatibilização entre as
ações
de planejamento e operação em SFM.
Desta forma, este capítulo está dividido em seções
com dois propósitos distintos. Nas duas primeiras, 4.1 e 4.2, apresentamos
o SFM a ser modelado, e os testes de validação do modelo
desenvolvido.
Na seção seguinte, 4.3, tratamos da aplicação
da abordagem desenvolvida, em problemas de planejamento e controle da
produção
sobre o SFM descrito no item 4.2.. Mostramos os resultados obtidos e os
comparamos com aqueles apresentados por Maheshwari, que utilizou-se de urna
metodologia envolvendo Programação Linear e
Simulação.
4.1 Características do Sistema
Flexível
de Manufatura Modelado
O SFM que servirá como exemplo (ver layout na figura 4.1
abaixo), é o mesmo tratado e apresentado por CARRIE [1988]. O sistema
é constituído de quatro centros de usinagem,
não-idênticos,
e ferramentas instaladas em magazines com capacidade para 50 diferentes
tipos. Além das ferramentas, tais máquinas, diferenciam-se
em outros aspectos, tais como: o número de eixos do controle
automático,
o número de eixos de rotação, potência
disponível,
etc. As várias operações necessárias a manufatura
de peças pertencentes as diferentes famílias, podem ser efetuadas
em múltiplos centros de usinagem. No entanto, em função
de suas características próprias e das ferramentas neles
instaladas,
os centros possuem diferentes eficiências na execução
das mesmas operações.
Apesar destas diferenças nas eficiências, o sistema possui
grande flexibilidade, principalmente de rotas, considerada a mais importante
quando se trata do planejamento da produção no curto prazo.
Em função dos objetivos de flexibilidade desejados,
o sistema de transporte de materiais adotado é constituído
de Veículos Auto Guiados, VAGs, cujo número é considerado
variável e determinado de acordo com as avaliações
dos resultados das ações. Cada estação de trabalho
possui um buffer, cujo tamanho também é objeto das decisões
a serem tomadas quando da aplicação do modelo.
4.2 Validação do Sistema
Flexível
de Manufatura Modelado
O modelo de SFM apresentado no item 4.1, foi modelado utilizando-se
uma linguagem de simulação (SIMAN), diferente daquela originalmente
empregada por Carrie [1988] (ECSL). SIMAN e ECSL são linguagens
apropriadas
para duas diferentes formas de abordagem e modelagem de sistemas. A linguagem
ECSL empregada por Carne, é voltada para a abordagem por eventos,
empregando o método das três fases, típica da escola
inglesa. Já a linguagem SIMAN, é voltada, principalmente para
uma abordagem por processos (escola americana), embora permita também,
por meio de ligações com rotinas externas, a abordagem por
eventos, se necessário. Além das diferenças já
citadas, existe ainda o fato de que dois modelos de simulação,
criados por dois diferentes programadores, empregando a mesma linguagem,
raramente serão iguais em vista da parcela de arte envolvida em seu
desenvolvimento. Desta forma, uma vez que vamos utilizar o mesmo SFM para
demonstrar a metodologia desenvolvida, é necessário validar
o modelo desenvolvido em SIMAN.
Para avaliação do sistema modelado, simulamos o mesmo problema
resolvido por Carrie. utilizando os mesmos parâmetros e dados de entrada.
Repetimos a simulação com dez diferentes valores de sementes
geradoras de valores aleatórias e comparamos os valores médios
obtidos das simulações com aqueles gerados por Carrie. Um
teste de hipóteses para as médias dos tempos de ciclo de
produção
e dos tempos de passagem foi realizado e seus resultados mostraram a validade
do modelo programado em SIMAN. A seguir apresentamos o problema proposto,
os resultados das simulações e os resultados dos testes de
hipóteses.
4.2.1 Problema Utilizado na
Validação
O modelo de SFM apresentado por CARRIE [1988], propõe a
simulação
de uma semana de produção, com turnos de 8 horas, de cinco
diferentes tipos de peças, aqui tratadas como tipos 1, 2, 3, 4 e
5.
O mix desejado para as peças é apresentado na tabela 4.1.
De acordo com seus respectivos planos de processo, as seqüências
de operações são designadas aos centros de usinagem
existentes no sistema. A tabela 4.2. apresenta, para cada tipo de peça
do mix, a sua sequência de operações, indicando
a máquina na qual a operação será realizada
e o respectivo tempo em minutos.
Por exemplo, a peça tipo 1, necessita passar por 6 diferentes
operações,
as quais deverão ser realizadas nas máquinas 4, 1, 2, 1, 3
e 1, respectivamente. Os tempos das operações em cada
máquina,
de acordo com a tabela serão de 19, 15, 14, 11, 8 e 4 min.
respectivamente.
4.2.2 Os Resultados Obtidos
O problema proposto foi simulado dez vezes, com diferentes sementes geradoras
dos valores aleatórios gerando dez experimentos. Os resultados, obtidos
pelo modelo programado em SIMAN, são apresentados na tabela 4.3.
Na tabela 4.3. as linhas numeradas de 1 a 10, apresentam os resultados
dos experimentos (simulações) realizadas. Cada experimento
simulou o equivalente a 7 dias com turnos de 8 horas cada, tendo a
duração
de 3360 min.
Duas variáveis de controle foram adotadas:
1. O número de unidades produzidas no sistema, individualmente, isto
é, por tipo de peça e agrupadas
2. Os tempos médios de fluxo para os cinco diferentes tipos de peças
e para o total de peças produzidas.
Esta última variável foi a principal medida de desempenho
adotada por Carrie.
Observando-se a tabela 4.3., verifica-se, por exemplo, que no teste ou
experimento
número 1, foram produzidas um total de 120 peças, divididas
em 34, 25, 19, 20 e 22 unidades para as peças tipo 1, 2, 3, 4 e 5
respectivamente. É possível também observar que os
tempos médios de fluxo (lead-time) das peças 1, 2, 3, 4 e
5 foram 239, 291, 202, 182 e 309 min., respectivamente, com um tempo médio
para as 120 unidades de 247 min.
Ao final da tabela 4.3, na linha rotulada como Médias,
apresentamos
os valorescorrespondentes as médias dos dez experimentos.
Na tabela 4.4 pode-se observar os resultados obtidos por Carrie para as
mesmas variáveis, com seu modelo programado em ECSL.
Aparentemente, as diferenças existentes entre os resultados obtidos,
com o modelo programado em SIMAN, e àqueles obtidos por Carne usando
a linguagem ECSL são semelhantes. No item que segue, faremos um teste
de hipóteses para a comparação entre as médias
obtidas pelos dois modelos.
4.2.3 Teste de Hipóteses para a
Comparação
das Médias Obtidas
Para comparar os resultados dos valores médios obtidos pelo modelo
em SIMAN e aquele desenvolvido por Carrie em ECSL, realizamos um teste t
de comparação das médias com
a
desconhecido.
As médias comparadas foram para os valores de produção
total e tempo médio de fluxo
total.
Para ambos os testes, as hipóteses H e
são:
·
:
Os valores médios obtidos pelo modelo
em SIMAN e em ECSL não são diferentes;
·
:
Os valores médios obtidos são
diferentes.
A tabela 4.5 resume os resultados dos testes:
Os resultados dos testes de hipóteses permite-nos afirmar que
os respostas apresentadas pelos dois modelos, para a solução
do problema proposto, utilizado-se os mesmos parâmetros de entrada,
são estatisticamente semelhantes. Podemos também afirmar,
com base nestes resultados, que os dois modelos são estatisticamente
equivalentes, sendo, portanto válido o modelo do SFM proposto e programado
em SIMAN.
4.3 Aplicação do Modelo Proposto
a Problemas de Planejamento e Controle Operacional do SFM
Uma vez validada a modelagem do SFM descrito no item 4.1, passamos agora
à aplicação da metodologia proposta, isto é,
do modelo de simulação incorporado do programa de
alocação
dinâmica de máquinas, em problemas envolvendo o planejamento
e controle da produção neste sistema. Passaremos a denominar
este modelo de Modelo de Planejamento Flexível (MPF).
A aplicação do MPF será feita sobre dois diferentes
conjuntos de problemas exemplos, com diferentes propósitos. O primeiro
conjunto de problemas, obtido junto ao trabalho de MAHESHWARI [l992], objetiva
reproduzir seus experimentos e comparar seus resultados com os nossos, afim
de testar o desempenho do MPF, em relação a abordagem por
ele proposta. Com relação ao segundo conjunto de problemas,
o propósito é explorar e demonstrar a sensibilidade do MPF,
quando diferentes combinações de parâmetros operacionais
são aplicados. Esta sensibilidade será poste mormente explorada,
quando da implementação da base de conhecimentos incorporada
ao protótipo do sistema inteligente de simulação
desenvolvido
no capítulo 5.
Ambos os conjuntos de problemas exemplos foram gerados numericamente. O
primeiro por Maheshwari, e o segundo por nós, usando uma
adaptação
de seu método.
Antes de passarmos à aplicação do modelo, apresentamos
uma descrição do método empregado para a geração
dos problemas exemplos, adaptado de MAHESHWA [1992].
4.3.1 Geração Numérica
de Problemas Exemplos
A necessidade de testarmos o modelo sob os mais diversos aspectos, determinou
a geração numérica de problemas exemplos. Evidentemente
que a validade das conclusões, baseadas nos exemplos assim gerados,
dependem da qualidade destes testes. Maheshwari, em seu trabalho pesquisa,
desenvolveu um gerador numérico de problemas aplicados ao planejamento
e controle operacional de SFM, no qual nos baseamos, com algumas
modificações,
especialmente nos dados relativos ao planejamento, para gerar diversos
testes.
O processo de geração de um problema é dividido em
duas etapas.
Na primeira etapa, um conjunto de dados básicos para os diversos
problemas são obtidos. Esta fase está subdividida em dois
processos paralelos: (a) a geração de dados das peças
que podem ser fabricadas e (b) a geração dos parâmetros
relativos ao sistema produtivo.
Nos procedimentos gerados em (a), os dados 'incluem informações
completas sobre os processos de fabricação associados as
peças
selecionadas, isto é:
· quantas e quais operações devem ser realizadas em cada
uma delas
· a ordem destas operações
· respectivos tempos
O número de operações é obtido por sorteio.
Os valores são discretos e uniformemente distribuídos entre
3 e 10. Os tipos de operações são designados entre
os 10 tipos possíveis, também por sorteio. Os dados básicos
sobre as peças completam-se pela atribuição de tempos
de processamento a cada uma das operações. Os valores são
obtidos de uma distribuição uniforme discreta, com valor
mínimo
de 2 e máximo de 20 min.
Nos procedimentos gerados em (b), ainda na primeira etapa, o gerador define
os parâmetros relativos às máquinas. São
determinadas:
· as operações que cada uma delas pode realizar
· os índices de eficiência para cada par
máquina:operação.
Na definição dos conjuntos Operação:Máquina,
optamos pela possibilidade de cada operação ser executada
em duas máquinas. Numa delas (principal) a eficiência será
de 100%. Na máquina alternativa esta eficiência será
de 75%. A atribuição dos índices de eficiência
é também definido por sorteio entre as duas máquinas
escolhidas para cada operação.
Com base nos dados gerados na primeira etapa, considerados comuns aos problemas
exemplos, a geração de um novo problema inicia-se pela
execução
da segunda etapa. Nesta etapa três passos são executados.
· Definição do número de peças que serão
manufaturadas durante um ciclo produtivo. A definição é
feita por meio de um sorteio para valores discretos e uniformemente
distribuídos
entre 3 e 8.
· Seleção do mix entre os vinte diferentes tipos de
peças
possíveis de serem fabricadas. A seleção do mix é
feita por meio de novo sorteio
· último passo trata da determinação da quantidade
total de peças a serem produzidas, da participação
relativa de cada um dos tipos selecionados.
Para melhor visualizar todos os procedimentos, a figura 4.2 apresenta, de
forma esquemática, as duas etapas do processo de geração
de problemas. As tabelas 4.6, 4.7 e 4.8 apresentam um resultado numérico
da aplicação dos procedimentos.
A tabela 4.6 apresenta as informações relativas as peças,
geradas durante a execução da primeira etapa do processo.
Para os 20 diferentes tipos de peças passíveis de
fabricação,
observa-se na tabela: o número de operações, os tipos
de operações e o tempo de cada uma delas. A peça Tipo
1, por exemplo, necessita de 7 operações para ser manufaturada.
Operações 5, 10, 9, 4, 8, 6 e 7, nesta ordem. Os tempos de
processamento de cada uma delas são: 3, 9, 7, 11, 12, 12 e 11 minutos
respectivamente. As peças tipo 8 e 11, são manufaturadas com
apenas 3 operações, enquanto que as de tipo 10 e 20 requerem
8 operações.
A tabela 4.7 apresenta informações das eficiências
atribuídas a cada uma das máquinas do SFM, quando da
execução
de cada uma das 10 operações. Tais informações
também são geradas durante a primeira etapa do processo de
criação de problemas exemplos. Observa-se, por exemplo, que
a máquina 1 pode executar as operações de número
2, 4, 5, 6, 8 e 10. Para as operações de números 6,
8 e 10, esta máquina opera com máxima eficiência. Para
as demais, é considerada uma máquina alternativa.
Também verifica-se que cada operação pode ser executada
em duas máquinas, urna principal e outra alternativa. As máquinas
alternativas possuem uma eficiência 25% menor que àquelas
consideradas
principais na execução de cada operação.
A tabela 4.8 apresenta os dados relativos a dez problemas exemplos obtidos
pela execução da segunda etapa do processo gerador.
Para cada um deles, foram sorteados valores entre 3 e 8 para a
determinação
do número de diferentes peças que comporão o mix. O
problema 1 requer do SFM a fabricação de um mix com as peças
do tipo 5, 14 e 18. Já o problema 2, requer a fabricação
de um lote contendo 8 diferentes tipos de peças no seu mix: 1, 4,
6, 8, 9, 11, 15 e 18 respectivamente.
Ainda nesta etapa, são definidos o tamanho total do lote de peças
a ser manufaturado, bem como, a participação relativa de cada
tipo de peça do mix selecionado.
Parte dos dados deste problema foi obtido do trabalho de Maheshwari [l992]
e servirá como base para um trabalho de comparação
entre os modelos e abordagens.
Uma característica importante dos dados descritos nas tabelas acima
é que diferentemente daqueles gerados originalmente por MAHESHWARI
[l992], aqui não são estabelecidas ligações
entre peça/operações/máquinas, da maneira
tradicional.
O modelo de Maheshwari identifica, para cada par peça/operação,
qual máquina, ou máquinas, considerando-se as alternativas,
deve executar a operação. Este processo de programação
das máquinas, realizado na fase de planejamento é feito a
partir de um modelo de programação linear.
As diferenças entre as duas formas de abordar o problema serão
melhor estabelecidas quando da apresentação dos resultados,
obtidos pelo MPF, quando comparados com aqueles obtidos no trabalho de
Maheshwari.
4.3.2 Comparação de
Resultados
Como colocamos anteriormente, em sua pesquisa sobre o impacto das políticas
operacionais no planejamento da produção em SFM, MAHESHWARI
[1992] realizou um extenso trabalho, envolvendo inúmeras variáveis
de controle, para concluir quais destas e, em que nível, tinham mais
importância no tratamento dos problemas daí provenientes (ver
itens 3.1 e 3.2 do capítulo III).
Para a realização daquele trabalho, ele utilizou uma abordagem
considerada tradicional, no sentido em que os problemas das fases de planejamento
e operação são resolvidos em separado e em momentos
distintos. Na fase de planejamento, empregou modelos de PL e na fase de
testes operacionais, um modelo de simulação.
O SFM sobre o qual os testes foram realizados, foi o mesmo por nós
modelado e validado no item 4.2 deste capítulo, tendo sido programado
também na linguagem SIMAN. Este fato nos possibilita, a menos das
diferenças de abordagens para a alocação dos recursos
(programação linear x alocação dinâmica
em tempo real), a comparação direta dos resultados quando
os mesmos parâmetros operacionais são utilizados.
Para que sejam possíveis as comparações entre as duas
abordagens, é preciso, no entanto, adaptar os exemplos por ele gerados
para que possam ser tratados pela nova abordagem. Suas diferenças
fundamentais ocorrem principalmente, no que se refere aos parâmetros
de entrada dos problemas exemplos.
A abordagem usada por Maheshwari, divide-se em duas fases distintas: planejamento
e operação. Na fase de planejamento, são definidos
os tipos de peças que serão produzidas e em que quantidades,
além de todo o sequenciamento, com a designação prévia
de quais máquinas devem realizar as operações
necessárias
em cada peça a ser processada em um determinado ciclo. Estas
designações
são efetuadas por meio de modelos de programação linear,
com diferentes funões objetivos (minimização de tempos,
balanceamento das cargas de máquinas, etc.). Na fase de
operação,
o planejamento elaborado anteriormente, é simulado e testado diante
de diferentes políticas operacionais.
Na abordagem por nós utilizada, a fase de planejamento se resume
a determinação de que peças serão produzidas
e em quais quantidades. O sequenciamento, isto é, o planejamento
das operações, com conseqüente alocação
das máquinas, como vimos no capítulo anterior, é executado
durante a própria fase operacional, sendo determinado, com base no
estado e nas restrições do sistema.
A figura 4.3 apresenta de forma resumida as diferenças entre as duas
abordagens.
4.3.2.1 Experimentos
Realizados
Com o objetivo de comparação dos resultados de nossos experimentos
com aqueles realizados por MAHESHWARI [1992], apresentamos nesta
seção
um exemplo completo de aplicação das duas abordagens. O motivo
da escolha deste exemplo é ter sido este o único problema
exemplo, apresentado pelo autor, documentado em toda as suas fases.
4.3.2.2 Problema Exemplo Utilizado na
Comparação
de Resultados
O problema exemplo a ser aqui apresentado é o de número 10
da tabela 4.8. Ele estabelece a fabricação de um lote com
um mix constituído pelas peças de número 2, 4, 13,
17 e 18. As operações necessárias a sua manufatura
e os tempos destas, podem ser observados na tabela 4.6. A quantidade total
a ser produzida é de 108 peças. A participação
relativa de cada um dos tipos deve ser de 22%, 17%, 11%, 22% e 28%
respectivamente.
Os dados sobre o mix e participação relativa foram gerados
pela 2ª etapa do processo de geração de problemas
exemplos.
Para simularmos o ciclo de produção deste lote, usando nossa
abordagem e modelo, necessitamos ainda dos elementos da tabela 4.7,
eficiências
das máquinas, juntamente com uma definição das
políticas
operacionais para o despacho de peças e veículos além
dos números relativos aos buffers e pallets.
Já a simulação deste problema usando a abordagem de
MAHESHWARI [1992], necessita a geração prévia do
planejamento
da carga das máquinas.
Uma vez que nosso modelo procura equilibrar, durante a simulação,
o balanceamento da carga das máquinas, a comparação
entre resultados operacionais será feita com aqueles obtidos por
MAHESHWARI [1992], nos quais ele aplica o mesmo tipo de função
objetivo ao modelo de PL para a geração do planejamento da
carga das máquinas, o qual também considera a possibilidade
de máquinas alternativas.
4.3.2.3 Medidas de Desempenho Adotadas na
Comparação dos Resultados
Conforme visto no item 3.3 do capítulo anterior, são várias
as medidas de desempenho possíveis de serem adotadas para a
avaliação
operacional dos SFM. De acordo com a literatura [LEUNG, 1990; GUPTA, 1992],
as duas principais medidas são o tempo médio de passagem ou
de fluxo das peças pelo sistema e o tempo total do ciclo produtivo,
isto é, o tempo total necessário ao sistema para produzir
o lote de peças. LEUNG [1990] mostra em seu trabalho que adotar o
tempo total do ciclo produtivo como medida de desempenho em SFM que produzem
um número finito de peças em um dado ciclo, é equivalente
a medir-se a utilização total do sistema ou sua taxa de
produção.
Segundo ele, a minimização do tempo do ciclo de
produção
eqüivale à maximização da taxa de
utilização
do sistema. Com base nestes argumentos, estas foram as duas principais medidas
de desempenho adotadas por MAHESHWARI [1992] e que faremos uso na
comparação
dos resultados.
4.3.2.4 Resultados Obtidos nas
Comparações
A tabela 4.9 apresenta resultados comparativos do desempenho operacional
do SFM, para várias combinações de políticas
operacionais, tamanho de buffers e número de pallets, para o problema
exemplo, quando da aplicação das duas abordagens.
Nos experimentos originalmente apresentados por MAHESHWARI [l992], as
várias combinações entre as variáveis operacionais
seguem um projeto de experimentos gerados pelo método de TAGUCHI
[1987]. No entanto, nem todos os experimentos apresentados nos interessam,
uma vez que muitas das experimentações por ele realizadas
tornam-se irrelevantes para fins de comparação, por força
do modelo por nós idealizado. Desta forma, a tabela mostra somente
aqueles experimentos cuja função objetivo utilizada (Balanceamento
da Carga de Máquinas), regras de liberação das peças
e regras de despacho de veículos, possuem equivalentes em nosso modelo.
Os demais experimentos por nós realizados são apresentados
na seção 4.3.3 (Análise de Sensibilidade do Modelo).
A propósito, tanto os resultados devidos a MAHESHWARI [l992], quanto
aqueles resultantes da aplicação do MPF, são valores
médios de simulações, com pelo menos 10
repetições
do mesmo experimento, mas com diferentes sementes associadas aos algoritmos
geradores de números aleatórios.
4.3.2.5 Observações sobre os
Resultados Obtidos
Na tabela 4.9 podemos observar que, tanto os valores associados aos tempos
do ciclo produtivo (TCP) quanto aqueles associados aos tempos médios
de fluxo (TFluxo), são menores quando se emprega a abordagem proposta
neste trabalho.
As reduções nos tempos de ciclo e de fluxo, em termos percentuais,
encontram-se sob as colunas referidas com o símbolo
. Embora estas reduções tenham ocorrido
em 100% dos exemplos
tratados, os ganhos obtidos não são homogêneos, tendo
variado de 5,8% a 21,4% nos tempos dos ciclos de produção
e de 2,8% a 13,8% nos tempos médios de fluxo, dependendo dos
parâmetros
operacionais aplicados.
Observamos que as diferenças a favor da nova abordagem são
mais acentuadas quando o sistema se apresenta mais congestionado, isto é,
quando são maiores os tamanhos dos buffers e o número de palites
no sistema. A causa destes ganhos pode estar relacionada com a falta de
flexibilidade do modelo adotado por MAHESHWARI [1992], uma vez que nele
a decisão relativa à alocação de máquinas
é feita "a priori", via programação
linear, desconsiderando a dinâmica operacional do sistema, a qual
tem forte dependência dos valores atribuídos aos recursos
secundários
do sistema.
Por outro lado, por realizar dinamicamente a alocação dos
recursos, o modelo proposto é mais sensível à potencial
flexibilidade dos SFM, especialmente à flexibilidade de rotas e,
portanto, mais adaptável aos eventuais congestionamentos causados
pelo maior número de peças no sistema.
Nos casos em que maiores restrições ao número de peças
no sistema foram impostos, com menores chances de congestionamentos, os
ganhos nos tempos de ciclo de produção foram menores uma vez
que, tanto a programação linear quanto o modelo dinâmico,
chegam a resultados semelhantes para a alocação de
máquinas.
O gráfico 4.1 apresenta os dados relativos aos ganhos obtidos. Observa-se
a não existência de paralelos entre os ganhos obtidos nos tempos
do ciclo e nos tempos de fluxo. Tais tempos dependem, sobretudo dos valores
designados aos buffers e pallets e, muitas vezes são objetivos
antagônicos,
como será mostrado na seção 4.3.3.
4.3.2.6 Testes de Hipóteses para
Comparação das Médias obtidas nos Experimentos
Com o objetivo de validar estatisticamente os resultados obtidos nos experimentos
apresentados na tabela 4.9, realizamos testes de hipóteses para
comparação
das medias das duas medidas de desempenho, quando da aplicação
das duas abordagens.
No primeiro teste, as hipóteses
e
referem-se as
médias dos tempos de ciclo de produção.
:
Os tempos médios do ciclo de produção obtidos
nas abordagens AT e NA são iguais.
:
O tempo médio do ciclo de produção obtido na
abordagem AT é maior que tempo médio do ciclo de
produção
obtido na abordagem NA.
Calculando-se o valor de t para as diferenças entre os valores
de TCP referentes a AT e NA obtemos: t = 8,38.
Repetimos o mesmo teste para os tempos médios de fluxo obtidos pelas
duas abordagens. As duas hipóteses são semelhantes, a menos
da medida de desempenho avaliada.
:
Os tempos médios de fluxo das peças obtidos nas
abordagens AT e NA são iguais.
:
O tempo médio de fluxo das peças obtido
na abordagem AT é maior que o tempo médio de fluxo
das peças obtido na abordagem NA.
Calculando-se o valor de t para as diferenças entre os valores de
TCP referentes a AT e NA obtemos: t = 6,79.
Na tabela 4.10 abaixo apresentamos um resumo dos resultados e conclusões
dos testes.
Pelos resultados obtidos para os valores de t, não é
possível comprovar HO em nenhum dos dois testes realizados. Podemos
então afirmar que, estatisticamente, os tempos obtidos pela
aplicação
da nova abordagem são menores que aqueles obtidos por MAHESHWARI
[1992] em sua abordagem tradicional.
4.3.3 Análise de Sensibilidade do
Modelo
Na seção 4.2, vimos que são promissores os resultados
obtidos pelo modelo de simulação associado com o programa
de alocação dinâmica de recursos. É necessário,
no entanto complementarmos aqueles testes, para verificarmos sua sensibilidade
com relação as diversas combinações de
parâmetros
e políticas operacionais, determinando quais delas resultam em um
melhor desempenho do sistema.
Com a realização destes testes, será possível,
também, verificarmos se o impacto das políticas operacionais
sobre o desempenho do SFM, observados nos trabalhos de MAHESHWARI [l992]
e GUPTA [l992], coincidem com aqueles por nós observados, quando
da aplicação de nosso modelo.
Para a realização destas análises, um total de 576
simulações foram efetuadas, sobre três dos diferentes
problemas exemplos gerados. Testamos as possíveis combinações
(4 x 3 x 4 x 4 ) entre as políticas e parâmetros operacionais,
isto é as regras de liberação de peças para
o sistema (4), as regras para despacho de veículos (3), tamanho dos
buffers (4) e do número de pallets (4).
Os experimentos realizados são semelhantes àqueles efetuados
por e GUPTA [l992]. MAHESHWARI [l992]. As diferenças ficam por conta
de um fator extra utilizado naqueles trabalhos, as funções
objetivo, os quais possuem dois e quatro diferentes níveis
respectivamente.
Como foi dito anteriormente, o modelo proposto objetiva primordialmente
balancear as cargas das máquinas.
Algumas das combinações entre políticas operacionais
testadas por eles também não foram explicitamente verificadas
por estarem embutidas dentro do programa de alocação de recursos
ou do próprio modelo de simulação, como por exemplo
aquelas envolvendo as políticas de priorização de
peças
nos buffers.
4.3.3.1 Observações sobre os
Resultados das Simulações
Dois conjuntos de regras operacionais e dois recursos secundários
dos SFM foram tratados e analisados, individualmente, para verificar suas
influências sobre o desempenho dos SFM.
Os gráficos 4.2 a 4.5, apresentam os resultados dos valores médios
dos tempos do ciclo de produção (A) e dos tempos de fluxo
(B), obtidos nas simulações realizadas. Nestes, é
possível
verificar a influência, individual, dos principais fatores (políticas
e parâmetros operacionais), sobre estas medidas de desempenho. Os
três pontos apresentados em cada segmento dos gráficos, representam
os valores mínimo, médio e máximo, respectivamente.
As observações sobre os efeitos dos quatro fatores sobre
as medidas de desempenho adotadas, são comentadas abaixo.
Efeito das Regras de Liberação de Peças:
O efeito destas regras é apresentado no gráfico 4.2 (A e B).
A regra que propicia os melhores resultados em ambos os casos (TCP
e TFluxo), é a MTXP (Menor Taxa de Produção), pela
qual as peças são introduzidas no sistema de tal forma a manter
sempre em equilíbrio o mix desejado. Duas outras regras, MNV (Menor
Número de Visitas) e MTTP (Menor Tempo Total de Processamento), obtiveram
resultados estatisticamente semelhantes, uma vez que as duas regras mantém
uma ordem cíclica e só diferem a ordem no início das
liberações das peças ao sistema. O pior desempenho
é a ordem aleatória (OA). Este desempenho da OA, serve para
confirmar que o controle da liberação de peças,
principalmente
em SFM fechados, pode melhorar o desempenho operacional do sistema.
O melhor desempenho da regra MTXP, deve-se ao fato dela manter o balanço
do mix de peças o que permite manter balanceada carga relativa dos
centros de usinagem.
Efeito das Regras para Despacho de Veículos:
O efeito das regras de despacho sobre o desempenho do sistema é
apresentado
no gráfico 4.3 (A e B). Para estes testes, não utilizamos
todas as regras listadas no item 3.1.2.3 do capítulo III (Políticas
para o Despacho de Veículos Transportadores). A aplicação
da regra MCTFD (Menor Carga de Trabalho na Fila de Destino) produz, na
prática,
efeito equivalente ao que o próprio modelo de simulação
desenvolvido produz. Interessante notar que em seu trabalho, Maheshwari
relata que esta foi também a regra que melhor resultados produziu
sobre o desempenho do SFM. Isto reforça que os resultados obtidos
pelo MPF são melhores quando comparados com aqueles por ele obtidos.
Entre as regras por nós testadas, FIFO e MNVR (Menor Número
de Visitas Restantes) obtiveram resultados estatisticamente semelhantes.
Ambos tiveram desempenho bem superior a regra MNPS (Máximo Número
de Peças na Saída). MNPS, é uma regra que procura evitar
o acumulo de peças aguardando por transporte na máquina, e
com isso evitar o bloqueio do sistema. Como o bloqueio depende substancialmente
do número de pallets e tamanho dos buffers, um controle sobre estas
variáveis evita a ocorrência dos bloqueios, tomado a regra
desnecessária.
Impacto do Tamanho dos Buffers:
Os efeitos dos tamanhos dos buffers são apresentados no gráfico
4.4 (A e B). Sua influência é significante sobre as duas medidas
de desempenho. O aumento do tamanho dos buffers, reduz o tempo do ciclo
de produção, o que é equivalente a um aumento na taxa
de produção do sistema. Por outro lado, o aumento dos buffers,
aumenta o tempo de fluxo das peças pelo sistema. Esta é uma
decisão que depende, portanto, do tipo de objetivo do decisor. Nos
sistemas do tipo puxados, deseja-se, geralmente, pequenos espaços
nos buffers, propiciando uma rápida passagem das peças pelo
sistema. Já para os sistemas do tipo empurrados, a falta de
espaço nos buffers pode resultar em um bloqueio do sistema, uma vez
que se não houver espaço na máquina destino o deslocamento
das peças não pode ocorrer.
Impacto do Número de Pallets:
O efeito do número de pallets é mostrado no gráfico
4.5 (A e B). Assim como o tamanho dos buffers, também o impacto desta
variável é significante para ambas as medidas de desempenho.
O tempo do ciclo de produção se reduz com o aumento do número
de pallets, enquanto que o tempo de fluxo se amplia. Estes resultados se
explicam por si só. O aumento dos pallets, reduz o tempo de ociosidade
das máquinas, aumentando sua taxa de utilização e,
simultaneamente, o tempo em que as peças devem esperar em filas.
Resumo das Observações Realizadas:
Considerando todos os efeitos medidos com os vários fatores sobre
as medidas de desempenho operacional do SFM, verificou-se que:
· MTxP é a regra de liberação de peças
dominante para as duas medidas;
· Considerando as duas medidas, FIFO pode ser bem empregada como regra
para o despacho de veículos, uma vez que, internamente, o modelo
já realiza a busca das máquinas com menor carga de trabalho;
· O tamanho dos buffers e número de pallets vão depender
dos objetivos dos decisores.
As tendências verificadas acima, são similares aquelas observadas
por MAHESHWARI [1992] em seu trabalho de pesquisa. As únicas
diferenças
encontradas são com relação aos tempos médios
de ciclo e fluxo. De maneira geral, nosso modelo resultou em números
médios 14% menores para os tempos de ciclo produtivo e cerca de 6%
para os tempos de fluxo, quando o sistema utilizou dois VAGs para o transporte.
Maheshwari não apresentou resultados para outros números de
VAGs.
4.3.4 Busca das Melhores Combinações
entre os Elementos Operacionais
Uma vez que temos conhecimento de quais os principais fatores que influem
no desempenho do SFM, toma-se interessante buscar aquela combinação
de elementos que apresente os melhores resultados operacionais.
Com este propósito, realizamos uma série de novos experimentos,
utilizando MTP como regra para a liberação de peças
e FIFO para o despacho de veículos. Fixadas estas regras, o tamanho
dos buffers, o número de pallets e o número de veículos
transportadores, foram combinados, de todas as formas possíveis dentro
de determinados limites. O mesmo sistema flexível de manufatura foi
utilizado e os testes consideraram o problema descrito em 4.3.2.2. Os resultados
destes experimentos foram obtidos com a realização de
aproximadamente
190 diferentes combinações de fatores. Cada combinação
foi simulada com dez diferentes sementes geradoras de números
aleatórios.
Os resultados foram tomados pela média destes valores. Abaixo apresentamos
os resultados e comentamos sobre os novos experimentos realizados.
4.3.4.1 Resultados e comentários sobre
os novos experimentos realizados
Os gráficos 4.6 a 4.17, apresentam os resultados dos valores médios
de quatro diferentes medidas de desempenho: Tempo Médio do Ciclo
de Produção (TCP), Tempo Médio de Fluxo das Peças
(TMFluxo), Taxa Média de Utilização das Máquinas
(TxMUtilMaq) e Taxa Média de Utilização dos VAGs
(TxMUtilVAGs).
Os resultados, obtidos nas simulações realizadas, mostram,
a influência das combinações dos principais fatores
(políticas e parâmetros operacionais), sobre o desempenho
operacional
do sistema.
Relação entre Tamanho dos Buffers, Número de Pallets
e Tempo do Ciclo de Produção, quando 2, 3 e 4 VAGs são
utilizados.
Nos gráficos 4.6, 4.7 e 4.8, observamos o efeito da variação
dos tamanhos dos buffers e do número de pallets sobre o tempo médio
do ciclo de produção (TCP), quando são utilizados 2,
3 e 4 VAGS, respectivamente. O comportamento da medida de desempenho é
semelhante nos três gráficos. Verificamos que para cada valor
de tamanho de buffer, na medida em que aumentamos o número de pallets,
há uma redução no tempo do ciclo deprodução.
Contudo, observamos que esta redução não é
contínua.
existindo um ponto de inflexão na curva.
O ponto de inflexão corresponde a um estado de saturação
do sistema, resultando em congestionamentos e aumento do tempo médio
do ciclo de produção. De maneira geral. o aumento dos valores
da combinação tamanho dos buffers x número de pallets,
leva a uma redução do TCP, até o ponto de
saturação.
Outra observação importante é revelada quando olhamos
para os três gráficos em conjunto. Nestes gráficos,
a principal variável é o número de VAGS. Verificamos
que na medida em que crescem os valores da combinação buffers
x pallets x VAGs, obtém-se melhores resultados para o TCP. Tais
resultados,
porém. tem um custo associado. Como se verá em outras
análises.
as taxas de utilização dos veículos transportadores
e dos centros de usinagem, sobem para valores inaceitáveis. Embora
não tenhamos pesquisado os custos associados a implantação
de um maior numero de VAGs, verificou-se que. embora existam ganhos no TCP.
os valores encontrados não são substanciais e. provavelmente,
não justificariam um aumento crescente do número de
VAGs, como pode ser visto no gráfico 4.8.
Relação entre Tamanho dos Buffers, Número de
Pallets e Tempo Médio de Fluxo
quando, 2, 3 e 4 VAGs são utilizados.
Nos gráficos 4.9, 4.10 e 4.11, observamos o efeito da variação
dos tamanhos dos buffers, do número de pallets sobre o tempo médio
de fluxo das peças quando são utilizados 2, 3 e 4 VAGS,
respectivamente.
O comportamento da medida de desempenho é semelhante nos três
gráficos. Verificamos que, para cada valor de tamanho dos buffers,
na medida em que aumentamos o número de pallets, há um aumento
do tempo de fluxo das peças no sistema.
De maneira geral, o aumento dos valores da combinação tamanho
dos buffers x número de pallets x número de VAGs, leva a um
crescimento do tempo médio de fluxo das peças, embora esta
sensibilidade seja pequena. Estes resultados já haviam sido verificados
por MAHESHWARI [1992], por GUPTA[1992] e, por nós mesmos quando da
realização dos testes comparativos e das análises sobre
as influências individuais de cada um dos fatores (ver gráficos
4.4 e 4.5).
Relação entre Tamanho dos Buffers, Número de
Pallets e Taxa Média de Utilização das Máquinas,
quando 2, 3 e 4 VAGs são utilizados.
Os gráficos 4.12, 4.13 e 4.14, apresentam os resultados da medida
de desempenho, Taxa Média de Utilização das Máquinas,
para as diversas combinações dos tamanhos dos Buffers, número
de Pallets e número de VAGs.
Como podemos observar, para cada combinação tamanho dos buffers
x número de pallets, obtemos curvas com pontos de inflexão.
Comparando estas curvas com àquelas obtidas nos gráficos 4.6,
4.7 e 4.8, sobre os tempos médios dos ciclos de produção
(TCP), verificamos uma coincidência nos valores das duas variáveis
para tais pontos.
A razão destas inflexões, é a mesma encontrada
anteriormente,
isto é, na medida da ocorrência de congestionamentos no sistema,
um maior número de peças encontram-se nos buffers das
máquinas.
Uma vez que a capacidade do sistema não se altera, o tempo
necessário
às máquinas para a realização de todas as
operações
nas peças, continua o mesmo. No entanto, em função
do congestionamento, o tempo do ciclo de produção cresce,
e a taxa de utilização das máquinas, dada pela
relação
entre o tempo de uso efetivo das máquinas e o tempo total do ciclo
de produção, diminui.
Podemos também observar que na medida em que aumenta o número
de VAGs, cresce a taxa média de utilização das
máquinas,
chegando, muitas vezes a valores acima dos 95%.
Esta alta taxa média de utilização das máquinas,
associada aos congestionamentos no sistema, pode ser apontada como uma das
limitações à utilização de grandes
números
nas combinações entre número de pallets, tamanho de
buffers e número de veículos transportadores.
Relação entre Tamanho dos Buffers, Número de
Pallets e Taxa Média de Utilização dos VAGs, quando
2, 3 e 4 VAGs são utilizados.
Os gráficos 4.15, 4.16 e 4.17. apresentam os resultados da medida
de desempenho- Taxa Média de Utilização dos VAGs, para
as diversas combinações dos tamanhos dos Buffers, número
de Pallets e número de VAGs.
De maneira geral observamos em todos os gráficos uma tendência
a uma alta taxa de utilização dos VAGs, na medida do crescimento
do numero de pallets e do tamanho dos buffers. Isto se explica porque os
aumentos nestes dois fatores propiciam a entrada de mais
peças
no sistema para serem transportadas. Notamos, no entanto, que a forma das
curvas não são as mesmas para os três gráficos.
No primeiro. 4.15. que apresenta resultados para 2 VAGs. as taxas de
utilização
dos VAGs crescem aos saltos quando aumentamos o numero de pallets de 6 para
8 e de 8 para 10. Os demais valores já não apresentam
diferenças
de taxas tão expressivas. O motivo destes resultados, é que
com apenas 2 veículos e um crescimento grande do número de
peças no sistema devido ao número de pallets e ao tamanho
dos buffers, é eliminada a ociosidade do sistema de transporte,
com as taxas de utilização chegando perto dos 100%.
Nos gráficos 4.16 e 4.17, percebemos que o salto para a
saturação
do sistema de transportes ocorre em pontos além dos 10 ou 12 pallets
no sistema. No caso de 4 VAGs, com tamanhos de buffers iguais a 6, o salto
só ocorre acima dos 16 pallets.
4.4 Sumário
Neste capítulo apresentamos e analisamos os resultados de mais de
500 experimentos de simulações e testes, envolvendo o modelo
de simulação desenvolvido no capítulo III. O propósito
destes testes foi assegurar a validade do modelo, demonstrar sua
contribuição
para a obtenção de resultados promissores no encaminhamento
do problema de planejamento e operação de SFM e, permitir-nos
um maior conhecimento dos efeitos causados pelos diversos fatores analisados,
sobre o desempenho operacional destes sistemas de manufatura.
Os resultados e conhecimentos obtidos, principalmente sobre as influências
que as políticas de gerenciamento operacional (regras de despacho
de peças e veículos) exercem sobre o desempenho do sistema,
bem como suas combinações com outras variáveis e
parâmetros
dos SFM (tamanho dos buffers, número de pallets e número de
VAGS) nos levam a ampliar o modelo de simulação desenvolvido.
Para tal, propomos a incorporação de um sistema especialista
(SE) àquele modelo. Este sistema especialista, utilizando-se dos
conhecimentos adquiridos nas simulações realizadas, deverá
buscar, de forma interativa, urna combinação entre as diversas
variáveis operacionais analisadas e os objetivos de produção
desejados, considerando pnontanamente um desempenho aceitável do
SFM.