ESTRUTURA DO PROTÓTIPO DO SISTEMA INTELIGENTE DE
SIMULAÇÃO
No capítulo anterior, os vários elementos associados ao
planejamento
e controle operacional de SFM, e suas combinações, foram estudados
e testados. Uma série de conclusões sobre seus efeitos foram
delineadas. A partir destes estudos, testes e conclusões, um conjunto
organizado de conhecimentos foi adquirido. Tais conhecimentos são
parte integrante de um agregado maior de informações, regras
e procedimentos que. aliados ao bom senso, são utilizados pelos analistas
na busca do melhor desempenho operacional possível em SFM.
Neste capitulo, apresentamos a estrutura do protótipo de um sistema
inteligente de simulação que constitui-se da integração
entre o modelo de simulação com alocação
dinâmica
de recursos, desenvolvido no capítulo III, e um sistema
especialista.
O sistema especialista procura reunir o conhecimento por nós
adquirido quando da aplicação do modelo aos vários
problemas apresentados no capítulo IV além, de outras
informações,
regras e procedimentos gerais, tomados da literatura e do contato com
profissionais
da área.
5.1 Objetivo do Protótipo
O protótipo desenvolvido, tem por objetivo auxiliar o
usuário/decisor
a buscar um desempenho operacional satisfatório para o SFM sob
análise,
considerando os seus inúmeros parâmetros e restrições
operacionais.
O uso de um modelo de simulação, ou mesmo de outras ferramentas
utilizadas na busca de soluções que satisfaçam os objetivos,
as metas e as várias restrições, é urna tarefa
com um alto grau de dificuldade imposta a qualquer decisor.
Pelo uso do protótipo, o usuário poderá desenvolver
uma série de exercícios interativos/investigativos que busquem
alcançar o equilíbrio operacional do SFM sobre o qual ele
está trabalhando.
5.2 Estrutura do Protótipo
O protótipo é constituído de uma estrutura modular,
visando facilitar seu uso. Os módulos, que possuem diferentes
características
e funções, são acossados por meio de wna interface
gráfica, pela ação direta do usuário. A figura
5.1, apresenta a estrutura geral do protótipo. Nela, observamos seus
três principais elementos: o Módulo de lnterface Gráfica
Usuário/Sistema (GUI), o Módulo de Simulação
(MS) e o Módulo de Análise (MA). O primeiro é a interface
gráfica que permute ao usuário a interação entre
ele e o sistema, com pleno acesso aos dois outros módulos. A
ativação,
via GUI, do MS, torna possível ao usuário a execução
das tarefas associadas a modelagem e simulação de um SFM.
A ativação, também via GUI, do MA, permite ao usuário,
valendo-se do auxílio do sistema especialista, realizar a análise
dos resultados das simulações e a formulação
de novas estratégias gerenciais, afim de melhorar o desempenho operacional
do SFM.
5.2.1 lnterface Gráfica
Usuário-Sistema
(GUI)
O usuário tem no módulo de interface gráfica
(GUI), o principal meio de acesso aos dois módulos
executores de tarefas do protótipo, o MS e o NU. Além desta
função básica. é também via GUI, que
o usuário executa o processo interativo na busca de um melhor desempenho
operacional do SFM. Neste processo, são executadas trocas de
informações
entre o MS e o MA. A comunicação entre os dois módulos
operativos fica transparente ao usuário que, no entanto, permanece
no controle de todo o processo via interface gráfica.
A interface gráfica do usuário (GUI), é constituída
de um conjunto de objetos gráficos, tais como telas, janelas,
menus, botões, etc. através da qual o usuário controla
todas as ações executadas pelo protótipo. A tela inicial
da interface, apresentada na figura 5.2, permite ao usuário, por
meio dos botões, acessar tanto o MS quanto o MA, dando inicio
a trabalhos de simulação, análise ou a ambos de
forma interativa.
5.2.2 Módulo de
Simulação
O modelo de simulação desenvolvido neste trabalho,
faz uso do SIMAN [PENGDEN, 1990], uma linguagem de simulação
(programação) voltada para este tipo de
aplicação.
Linguagens de simulação, assim como algumas linguagens de
programação, permitem relativa flexibilidade na abordagem
ao problema mas, muitas vezes, são ineficientes na criação
de interfaces com o usuário. Esta ineficiência, geralmente
não causa grandes transtornos quando usuário e programador
são a mesma pessoa. No entanto, quando se trata de diferentes pessoas,
a necessidade de interfaces amigáveis é quase que uma
obrigação.
A partir desta constatação, desenvolvemos uma interface
gráfica
voltada ao MS, para que o usuário possa navegar e fazer uso deste
com certa facilidade.
O módulo de simulação (MS) deve ser ativado pelo
usuário
sempre que este desejar executar a simulação de um modelo
de SFM ou outras tarefas associadas a uma simulação, como
por exemplo, visualizar e/ou trocar parâmetros de todos os elementos
constituintes de um SFM, visualizar e/ou trocar parâmetros relativos
as regras ou políticas operacionais, visualizar e/ou trocar
parâmetros
relativos ao cenário sob o qual deseja testar/simular o sistema,
salvar os parâmetros em arquivos para utilização futura
e, executar a simulação.
Uma vez que o usuário tenha ativado o MS, duas alternativas de
ações
básicas, como pode ser visto na figura 5.3, podem ser ativadas: a
execução da simulação ou a definição
de parâmetros, para a posterior execução de uma
simulação.
A opção Executar Simulação permite que o
usuário
execute diretamente do protótipo uma simulação de um
modelo de SFM cujos parârnetros tenham sido previamente definidos
e salvos em arquivo.
Já a opção Definir Parâmetros da
Simulação,
leva o usuário as alternativas Mostrar/Alterar Parâmetros ou
Salvar Parâmetros. A primeira alternativa, permite que sejam verificados
ou alterados os parâmetros relativos aos principais elementos de um
modelo de SFM tais como:
· As peças a serem produzidas e todas as suas características,
isto é, suas seqüências de operações e
respectivos
tempos;
· As máquinas do SFM (número de máquinas,
operações
executáveis, índices de eficiência, os tamanhos de buffer,
etc.);
· Os equipamentos de transporte, VAGs e Pallets (números
disponíveis,
velocidade dos VAGs, etc.);
· As políticas operacionais desejadas ao despacho das peças,
dos veículos, etc;
· O cenário sob o qual a fabricação será
simulada, caracterizado pelos tipos de peças a serem produzidas,
o tamanho do lote e seu mix.
Ao terminar a verificação ou alteração dos
parâmetros,
o usuário poderá passar a execução direta do
modelo ou salvar as alterações em arquivos para posterior
utilização.
A figura 5.4 apresenta uma visão geral das possibilidades
oferecidas ao usuário/decisor quando este ativa o MS.
5.2.3 Módulo de Análise
A partir da tela inicial do protótipo (ver figura 5.2), o usuário
poderá ativar o Módulo de Análise dos Resultados da
Simulação (MA). Este módulo, permite três
opções
básicas, como se pode observar na figura 5.5 que apresenta a tela
inicial do NU.
Uma vez nesta janela, a escolha da primeira opção (Atualiza
Resultados da Simulação) permite ao usuário atualizar
os arquivos com os resultados da última simulação.
Desta forma, após uma rodada de simulação, o usuário
deve primeiramente atualizar os resultados pois, de outra forma, se optar
diretamente pela sua visualização (segunda opção),
estará observando os resultados da simulação anterior.
Por opção do usuário, esta atualização
poderá ser automática após cada simulação.
A escolha da segunda opção (Mostra Resultados da
Simulação)
permite ao usuário visualizar os resultados de uma simulação.
Por exemplo, nos resultados relativos as peças manufaturadas, o analista
poderá verificar quantas peças de cada tipo foram produzidas,
se as metas de produção foram alcançadas, qual o tempo
médio de fluxo destas pelo sistema ou ainda um diagnóstico
deste tempo médio, estabelecido de acordo com parâmetros
anteriormente
definidos. A figura 5.6 ilustra estes resultados.
A terceira opção (Análise dos Resultados da
Simulação),
conduz o usuário ao principal objetivo do NU, isto é, inicializar
o processo de análise dos resultados. Esta opção ativa
o SE e toda a estrutura de decisão (ver detalhes no item 5.3),
possibilitando
ao usuário contar com um auxiliar para a elaboração
de análises relativas ao desempenho operacional do SFM.
A figura 5.7 mostra a estrutura geral do módulo de análise
e as possibilidades oferecidas
ao analista quando este o ativa.
5.3 O Sistema de
Decisão
Nos itens anteriores detalhamos a estrutura do protótipo, descrevendo
seus três principais módulos, em especial o ambiente gráfico
pelo qual o usuário interage com o sistema.
O objetivo dos tópicos seguintes é descrever os detalhes internos
do protótipo, Isto é, os processos que se desencadeiam quando
o usuário inicia e dá continuidade a todo um procedimento
interativo na busca de um desempenho operacional satisfatório para
o SFM sob análise.
Iniciamos detalhando o processo de comunicação entre o MS
e o MA, parte integrante do procedimento interativo/investigativo, e
concluímos
com uma descrição da estrutura de decisão, em especial
do sistema especialista.
5.3.1 Comunicação entre o
Módulo
de Simulação e o Módulo de Análise
Como pode ser visto na figura 5.8, os dois principais módulos
do protótipo, o MS e o MA, comunicam-se entre si, tomando possível
ao analista a execução automática das simulações
e análises, sem precisar estar Saindo ou entrando em diferentes programas
computacionais.
Toda a comunicação entre os dois módulos é
feita por meio de funções que criam, exportam e importam arquivos,
coordenando a troca de dados entre os módulos. Para poder executar
uma simulação, o MS deve ser alimentado com todos os
parâmetros
operacionais necessários.
Uma vez que o modelo de simulação está totalmente
parametrizado,
ao dar inicio a uma
Simulação, um programa conectado ao modelo busca um arquivo
contendo todos os parâmetros. Este arquivo foi previamente
construído pelo analista, fazendo uso da interface gráfica
do usuário (GUI), e exportado ao MS.
Após o término da simulação, o MS inicia um
processo no sentido inverso, isto é, cria outro arquivo de dados,
contendo todos os elementos necessários à análise dos
resultados, e o envia de volta ao MA. O analista pode então dar
início
aos processos de análise.
Na figura 5.9, observa-se com mais detalhes, os elementos das duas
estruturas.
O desenvolvimento deste tipo protótipo, em especial a
construção
de interfaces entre seus vários elementos é, geralmente, facilitado
pelo uso de técnicas de Programação Orientada a Objeto
(POO).
Com este propósito, fizemos uso de uma ferramenta especialmente voltada
ao desenvolvimento de sistemas inteligentes com orientação
a objeto, o KAPPA PC Development Applications System [INTELLICORP, 1992],
para a construção do protótipo.
O KAPPA é uma ferramenta híbrida que permite a
representação
do conhecimento sob diferentes formas e, vários mecanismos de controle
na máquina de ingerência. Além disso, por rodar sob
o ambiente operacional Windows 3.1, oferece as mesmas possibilidades de
criação de interfaces gráficas com o usuário
daquele ambiente. Suas características são apresentadas a
seguir, em conjunto com os principais elementos constituintes do sistema
de decisão, com suas regras de produção, frames,
métodos
e funções
5.3.2 A Estrutura de Decisão
A estrutura de decisão do protótipo foi montada de acordo
com os elementos, próprios para o desenvolvimento de
aplicações,
disponíveis no KAPPA. Fizemos intenso uso de estruturas voltadas
ao desenvolvimento de sistemas especialistas, conceituadas no capítulo
2, tais como classes, objetos, frames, regras de produção,
etc. (ver item 2.6.3. daquele capítulo), as quais são agora
revistas, mostrando-se seu emprego.
5.3.2.1 Classes, Objetos, Frames, Slots e
Métodos
No KAPPA, à semelhança de outras linguagens de POO (como C++,
SmallTalk, ADA, etc.), o sistema é estruturado por meio de classes
e objetos, o que permite o uso do conceito de hierarquia, isto é,
os atributos pertencentes a um objeto, são herdados pelos seus
descendentes
(subclasses, instâncias, etc.).
No presente estudo, objetos como máquinas, transportadores, peças,
operações, etc., são representados em classes. Cada
uma possui um conjunto de atributos paradescrevê-los e qualquer dos
seus herdeiros (subclasses ou instâncias), tais como Máq. l,
Máq. 2, VAGs, Peça l, etc., também os possuirão.
Além disso, alguns destes herdeiros possuem características
próprias, que os diferenciam uns dos outros.
A figura 5.10 ilustra parte da estrutura do protótipo, apresentando
alguns dos seus objetos na forma de classes e instâncias. Podemos
observar, por exemplo, a classe Máquinas e seus descendentes Máq
l, Máq 2, Máq 3 e Máq 4. Os últimos são
chamados de instâncias, por se encontrarem no último
nível desta classe.
Aliado ao conceito de classes, está o conceito de frames (ver
item 2.6.3.1, do capítulo 2), elemento típico de sistemas
inteligentes orientados a objeto. Os frames são as estruturas nas
quais estão definidos os objetos do sistema, bem como a forma e os
meios pelos quais eles interagem entre si e com o mundo exterior, por meio
do envio de mensagens.
Um frame constitui-se de dois tipos básicos de informações:
um conjunto de atributos, também conhecidos como slots, e
um conjunto de métodos. Portanto, cada objeto definido no sistema
(classes, subclasses e instâncias), possui associado si, dentro de
um frame, um conjunto de atributos e um conjunto de métodos associados
a estes atributos.
Os atributos são tipicamente um conjunto de características,
ou qualidades de cada objeto, através dos quais podemos distingui-los
uns dos outros. Já os métodos, são semelhantes a
funções
ou rotinas, designados a executar ou desencadear uma ação.
Estão associados a um ou mais atributos, sendo automaticamente ativados
quando ocorre a alteração dos valores destes atributos. Estes
dois conjuntos de informações contidas nos frames, caracterizam,
de maneira completa, cada objeto do sistema.
Na figura 5.11 podemos observar a classe Máquinas com a lista parcial
de seus atributos (slots) e dois métodos pertencentes a esta classe
e a seus descendentes.
Nos sistemas desenvolvidos com o KAPPA, os métodos podem ser ativados
de três diferentes maneiras:
· por meio de mensagens enviadas por outros método, pertencentes
a outros objetos;
· através da alteração do valor de um slot ou
atributo ao qual o método esteja atrelado;
· via funções, que também podem enviar mensagens
para ativar os métodos.
Uma vez que a metodologia proposta pressupõe um processo interativo,
com base na comunicação entre o módulo de
simulação
e o módulo de análise, a possibilidade do uso de
métodos,
associados aos atributos dos objetos do sistema, permite automatizar,
sobremaneira,
este processo de comunicação.
A automatização deste processo, traz consigo urna série
de facilidades para o usuário uma vez que inúmeros procedimentos
tais como: criação, leitura e atualização de
arquivos, análise de resultados, atualização de
parâmetros
para novas rodadas de simulação, etc., são repetitivos
e constantemente realizados.
Um exemplo típico da aplicação de métodos para
a automatização de procedimentos, ocorre ao término
das rodadas de simulação, durante as interações.
Naquele momento, inúmeras variáveis devem ter seus resultados
atualizados e avaliados. Dentre estas podemos citar, por exemplo, a taxa
média de utilização das máquinas.
O valor final destas taxas é calculado no programa de
simulação,
atribuído as variáveis correspondentes a cada máquina
e transferido ao arquivo de resultados, que será lido pelo modulo
de análise. No módulo de análise, a leitura do arquivo
de resultados da simulação, atualiza os valores de vários
atributos de objetos do sistema.
Por exemplo, a classe Máquinas, que é constituída de
quatro instâncias, Maq l, Maq 2, Maq 3 e Maq 4 (ver figura 5.1O),
possui um atributo denominado UtilMedMaq. Por força do conceito de
hereditariedade, suas quatro instâncias herdam, automaticamente, este
atributo. Desta forma, quando ocorre a leitura do arquivo de resultados,
os valores do atributo UtilMedMaq, nas quatro instâncias da classe
Máquinas, são atualizados, recebendo os valores da taxa média
de utilização de cada uma das máquinas do SFM
simulado.
Conforme citamos, a alteração ou atualização
do valor de um slot ou atributo, pode ativar um ou mais métodos que
estejam a ele associados. Na classe das Máquinas e, consequentemente,
nos seus decendentes (instâncias), o atributo UtilMedMaq está
associado ao método Diag_Util_ Máq. Desta forma, sempre que
o Módulo de Análise executa a leitura do arquivo de resultados,
com a imediata atualização do atributo UtilMedMaq, uma mensagem
é, internamente, disparada, ativando o método
Diag_Util-Máq.
Na figura 5.12 observamos o método Diag_Util_Máq que é
ativado pela atualização dos valores do atributo UtilMedMaq.
Na janela intermediária, é possível ver o atributo
Diag_Util_Máq que recebe o resultado da execução do
método.
O objetivo deste método, em particular, é diagnosticar
a forma de utilização das máquinas, isto é,
determinar, segundo critérios preestabelecidos associados aos atributos
MínUtilMaq e MaxUtilMaq, se as máquinas estão sendo
sub, sobre ou normalmente utilizadas. Os três possíveis resultados
para o atributo Diag_Util_Maq podem ser Baixa, Alta e Normal,
respectivamente.
Dependendo do resultado deste diagnóstico, outras mensagens, dirigidas
a outros
métodos, podem ser enviadas, dando inicio a um processo em
cadela, o qual é automático e transparente ao usuário,
mas que deixa o sistema sempre atualizado ao fim de cada
interação.
A estrutura completa das classes, com seus slots e métodos desenvolvidos
no protótipo pode ser vista no Anexo 2, Objetos do Sistema.
5.3.2.2 Regras de Produção
O segundo conjunto de elementos utilizados no desenvolvimento do
módulo de análise, é constituído por regras
de produção. No KAPPA, existe um ambiente com ferramental
completo para o desenvolvimento e emprego de regras de produção.
No protótipo utilizamos esta estrutura para desenvolver dois diferentes
grupos de regras: o GRDLME (Grupo de Regras para Diagnóstico Local
de Máquinas e Equipamentos) e o GRDGME (Grupo de Regras para
Diagnóstico
Geral de Máquinas e Equipamentos).
No primeiro grupo de regras, incluímos aquelas cujo objetivo principal
é o diagnóstico local dos vários grupos de elementos
do sistema, tais como, as máquinas, os transportadores, etc.. Assim,
se for seu desejo, o analista poderá valer-se destas regras que,
em conjunto com alguns métodos, permitem, rapidamente, o diagnóstico
do comportamento destes grupos de elementos.
Por exemplo, após cada rodada de simulação, os resultados
são automaticamente transferidos ao, alimentando e atualizando, os
vários pares de objetos:atributos do sistema. Como vimos anteriormente,
tais atualizações geram um conjunto de mensagens endereçadas
a vários métodos. Estes, uma vez ativados, realizam alguns
cálculos e pequenos diagnósticos 'individuais, isto é,
ao nível de cada equipamento. máquina, transportador, tipo
de peça fabricada, etc.
Este conjunto de novos fatos, decorrentes de cada nova rodada de
simulação,
pode então ser confrontado com a base de conhecimentos do sistema
especialista, mais precisamente com suas regras de produção
e, por meio da máquina de ingerência do sistema, gerar
diagnósticos
de maior amplitude. Tais diagnósticos podem indicar, por exemplo,
gargalos no sistema produtivo e, a partir daí, sugerir
ações
para evita-los.
No segundo grupo de regras, incluem-se aquelas que tratam da análise
global do desempenho do SFM. Esta análise, objetiva o seu balanceamento
operacional.
Após definir claramente para o sistema suas preferências em
termos dos parâmetros e regras operacionais, o analista pode dar inicio
ao processo interativo de simulação e análise. A cada
simulação executada, o sistema realiza automaticamente os
diagnósticos individuais, utilizando os métodos e algumas
das regras do primeiro grupo. Nesta primeira fase não há
interferência
do usuário. A partir deste ponto porém, por meio deste segundo
grupo de regras, o usuário, se assim o desejar, poderá ser
auxiliado na análise do comportamento operacional do sistema. O resultado
de cada análise, é uma indicação por parte do
MA, do tipo de ação que deve ser efetuada para uma melhoria
contínua do desempenho do SFM. O SE contido no MA procura levar a
convergência do processo.
O encerramento das análises ocorre quando o XU considera que, dentro
dos limites e restrições impostas pelas preferências
do usuário, não haverá mais possibilidades de melhorias
no desempenho do SFM. No capítulo VI, faz-se uma aplicação
do protótipo a um dos problemas vistos no capítulo IV, demonstrando
sua maneira de operar, utilizando os dois grupos de regras.
5.3.3 O processo de Análise Executado
pelo MA
Internamente ao NU, o processo de análise se inicia com uma varredura
sobre os resultados da simulação, gerando uma série
de diagnósticos que sintetizam o desempenho dos principais elementos
do sistema. Estes diagnósticos são realizados automaticamente
pelos diversos métodos. Dentre os vários diagnósticos
preliminarmente realizados, os principais são:
· Diagnóstico de Utilização das Máquinas;
· Diagnóstico de Utilização dos VAGs;
· Diagnóstico do Tempo Médio do Ciclo de
Produção;
· Diagnóstico dos Tempos Médios de Fluxo das
Peças;
· Diagnóstico das Filas das Máquinas;
· Diagnóstico de Confiabilidade de Máquinas e
Transportadores;
· Diagnóstico de Utilização Relativa das
Máquinas,
etc..
Os resultados de todos estes diagnósticos, a nível local,
individuais para cada uma das máquinas e equipamentos, são
então examinados, em conjunto, pelos dois grupos de regras anteriormente
citados.
Desta forma, para apontar, por exemplo o Diagnóstico Operacional
Global das Máquinas, o MA aciona o GRDLME, combinando os resultados
do Diagnóstico de Utilização das máquinas com
o Diagnóstico de Filas, gerando o Diagnóstico Operacional
Global das máquinas.
Num segundo passo, combina, usando as regras do GRDGME, este Diagnóstico
Operacional, com os de Confiabilidade , Utilização Relafiva
das Máquinas e o de Tempo de Carga e Descarga, gerando o Diagnóstico
Operacional Global das Máquinas. A figura 5.13 sintetiza o caminho
percorrido pelo sistema para a obtenção deste diagnóstico
global
De maneira semelhante, outros métodos e os conjuntos de regras
concluem diagnósticos para os VAGs, Pallets, Peças, etc..
Conforme colocamos anteriormente, muitos destes métodos e regras,
são ativados e atuam de forma transparente para o analista, de tal
maneira que, no momento que este decidir buscar auxílio do MA para
a tarefa final de análise de desempenho do sistema, estes
diagnósticos
preliminares já foram determinados, estando o sistema pronto para
ativar outros conjuntos de regras e métodos.
O principal conjunto de regras associado a esta fase fmal das análises,
é denominado de ROTMS (Regras de Otimização do Sistema).
São elas que, baseando-se em todos os diagnósticos preliminares
e, nas rodadas de simulação já realizadas, determinam
se o sistema, operacionalmente, está melhorando ou não, sugerindo
modificações após cada análise, na busca da
obtenção de melhores resultados numa próxima rodada
de simulação. A figura 5.14 apresenta um exemplo deste tipo
de regra.
Esta regra, por exemplo, verifica-se se as seguintes afinações
são verdadeiras: não existe nenhuma máquina sobre utilizada;
a utilização média dos VAGs não excedeu o limite
máximo estabelecido; houve melhorias sobre o tempo do ciclo de
produção
anteriormente obtido; o tamanho dos buffers e o número de pallets
utilizados, relacionados com o número de VAGs não ultrapassou
a relação ótima calculada.
Uma vez que sejam verdades todas as afinações, a regra diagnostica
o sistema e sugere ao usuário uma ação. No caso
específico,
o Diagnóstico/Ação é :
"Os resultados da simulação mostraram melhoras no desempenho
do sistema.
O número de Pallets ainda se encontra abaixo de seu limite máximo
em relação ao tamanho dos Buffers e VAGS.
O MA sugere que se volte a simular com um incremento no número de
Pallets"
Com base nestes resultados, o usuário pode aceitar a sugestão
do sistema e voltar a simular com um incremento do número de pallets
ou, realizar outro tipo de modificação de acordo com seu
próprio
sentimento em relação ao comportamento operacional do
sistema.
O conjunto completo das regras utilizadas no protótipo pode ser encontrado
no Anexo 3.
5.4 Sumário
Neste capítulo apresentamos a estrutura de um protótipo de
sistema computacional voltado para a simulação e análise
de SFM. O objetivo deste protótipo é a integração
do modelo de simulação desenvolvido no capítulo III
e de um módulo inteligente de análise, composto de uma estrutura
híbrida, formada por um sistema especialista, com suas regras de
produção e por frames, com suas classes, objetos, instâncias
e métodos.
Apresentamos, também, a interface gráfica com o usuário
(GUI). Esta interface é o meio que permite, tanto a integração
de todos os módulos do protótipo, como a facilidade de seu
uso pelo usuário.
No capítulo que se segue, apresentaremos um exemplo de
utilização
prática do protótipo, demonstrando sua utilidade, flexibilidade
e facilidade de uso.
