CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A FUTURAS PESQUISAS
Neste trabalho pesquisamos e buscamos novas alternativas para a
solução
de problemas associados ao planejamento e controle operacional de sistemas
flexíveis de manufatura.
Propusemos um modelo para o tratamento de alguns destes problemas, acompanhado
de um protótipo de sistema computacional, que combina duas ferramentas:
simulação e sistemas especialistas.
Ao longo do trabalho, urna série de experimentos foram desenvolvidos
e realizados, visando demonstrar a aplicação, utilidade e
eficiência do modelo e do protótipo, propostos, que procura
integrar parte da fase de planejamento à fase de controle operacional
dos SFM.
Este capítulo faz uma síntese de tudo o que foi explorado,
estudado e descoberto, apresentando os resultados obtidos e as
contribuições
consideradas relevantes. As limitações do trabalho também
são apresentadas, assim como algumas recomendações
a futuras pesquisas.
7.1 Resultados e Contribuições
da Pesquisa
Os SFM possuem um enorme potencial para o aumento da produtividade nos sistemas
de produção, em especial na produção seriada
por lotes.
Sua principal atração é a possibilidade de obter-se
alta produtividade mesmo com a produção de pequenos lotes.
Em contrapartida, estes sistemas exigem grandes investimentos de capital
e necessitam especial atenção em todas as suas fases de
implantação,
desde o projeto até a posta em marcha.
Mesmo em regime de produção, a tarefa de planejar e controlar
a operação de um SFM é mais complexa que nos sistemas
tradicionais. Decisões inconsistentes em seu planejamento e controle
operacional, podem levar, por exemplo, a uma baixa utilização
de seus centros de usinagem e/ou um uso ineficaz de seu sistema automatizado
de transporte, com conseqüentes congestionamentos no sistema, elevando,
por exemplo, o tempo necessário para a fabricação de
um lote de peças.
Resultados deste tipo são extremamente indesejados, uma vez que,
a decisão de implantar células de manufatura altamente
automatizadas,
como os SFM, objetivam, principalmente, aumentar a função
estratégica do setor produtivo, cuja principal contribuição,
neste caso, é a redução dos ciclos de produção
e o aumento da flexibilidade. Desta maneira, quando o objetivo é
aumentar a eficiência dos SFM, as decisões acerca de seu
planejamento
e controle operacional devem ser precisas e confiáveis.
Em nosso estudo, examinamos uma série de problemas associados ao
planejamento e controle operacional de SFM. Verificamos que urna das principais
causas destes problemas, constitui-se na desvinculação entre
o que é proposto pelo planejamento, e o que pode ser de fato realizado
no nível operacional.
Tradicionalmente, entre as propostas do planejamento, está um prévio
atrelamento entre máquinas e peças, em função
de suas seqüências operacionais. Estas, determinam, previamente,
onde cada operação deve ser realizada. Este tipo de atrelamento,
é típico dos processos convencionais, os quais pouco consideram
a capacidade multioperacional dos SFM e, portanto, sua alta flexibilidade,
principalmente de rotas operacionais.
Desta forma, na grande maioria das vezes, as propostas da fase de planejamento,
não são plenamente executáveis no nível operacional,
uma vez que, naquela fase, a dinâmica do sistema é
desconsiderada.
Uma das principais contribuições deste trabalho, foi desenvolver
um modelo de simulação, apresentado no capítulo III,
que permite considerar uma parte da fase de planejamento durante a própria
operação do sistema. Com isso, pretendemos que parte dos problemas
de compatibilidade entre as duas fases, seja tratada de forma mais realista,
uma vez que as decisões de alocação de máquinas
às peças passa a ser feita de forma dinâmica, considerando
parte do estado do sistema (carga de trabalho, filas, capacidade e
eficiência
das máquinas), momentos antes da decisão ser tomada.
O algoritmo embutido no modelo desenvolvido, simula a existência de
um controlador que, em um sistema real, verificaria o estado das máquinas,
peças e operações necessarias, designando então,
o destino de cada peça dentro do sistema de acordo com os resultados
destas análises. Um controlador deste tipo é perfeitamente
possível em um SFM, uma vez que todas, ou a grande maioria das
operações
nestes sistemas, são controladas por computadores.
No capítulo IV deste trabalho, realizamos uma série de experimentos
com diferentes propósitos. Com o objetivo de comprovarmos a
eficiência
e aplicabilidade do modelo desenvolvido, fez-se um trabalho comparativo,
no qual tratamos um determinado problema sob duas formas de abordagem: utilizando
o MPF, e outro, por nós classificado de tradicional, o qual faz uso
da programação linear para a fase de planejamento e da
simulação
para a fase operacional. O problema-teste, foi criado, tratado e documentado
em um recente trabalho de pesquisa [MAHESHWARI, 1992].
Os resultados obtidos, foram significativos, obtendo-se, em favor MPF, melhorias
no desempenho do SFM, que variaram de aproximadamente 6% a 22%, quando se
utilizou dos Tempos de Ciclo de Produção (TCP), como variável
de controle, e de 3% a 14%, quando a variável utilizada foi o Tempo
Médio de Fluxo (TMFluxo) das peças pelo sistema. Observamos,
que as maiores diferenças ocorreram quando o sistema, em
função
dos valores adotados para os inúmeros parâmetros operacionais,
encontrava-se mais congestionado. Cremos, que a principal causa destes ganhos
sobre a abordagem tradicional, está relacionada com a falta de
flexibilidade
desta, pela utilização da programação linear
na fase de planejamento, desconsiderando a dinâmica do sistema que,
como vimos, tem forte dependência dos valores atribuídos aos
recursos secundários do sistema.
Ainda no capítulo IV realizamos uma série de outros experimentos,
estudando o comportamento do sistema em função das diversas
combinações de parâmetros e políticas
operacionais.
Duas foram as razões destes novos experimentos. Primeiramente, procuramos
verificar a sensibilidade do modelo em traduzir o impacto destas
combinações
sobre o desempenho operacional do sistema. Como vimos na revisão
da literatura, alguns trabalhos reportam experimentos semelhantes, o que
nos permitiu, mais uma vez, comprovar a validade do modelo, uma vez que,
aplicando-se dados semelhantes obtivemos resultados que apontaram na mesma
direção.
Comprovou-se, por exemplo, que o controle sobre a ordem de liberação
das peças para o sistema, tem grande influência sobre as duas
variáveis de controle (TCP e TMFluxo). Quando se utiliza uma
política
(regra) que procura manter balanceado o mix de produção, os
resultados são superiores aqueles obtidos com outras regras. Outros
resultados que confirmam aqueles obtidos por outros pesquisadores foram
as influências exercidas pelo tamanho dos buffers e pelo número
de pallets, sobre as mesmas variáveis. O aumento dos buffers, por
exemplo, reduz o TCP e aumenta o TMFluxo. A decisão sobre este
parâmetro,
portanto, dependerá, fundamentalmente, dos objetivos definidos pelo
decisor.
A segunda razão para esta nova série de experimentos, foi
buscar uma maior compreensão dos fenômenos envolvidos no
comportamento
operacional destes complexos sistemas de produção, diante
das inúmeras possibilidades associadas ao seu controle, uma vez que,
um dos objetivos deste trabalho consistia na construção de
um sistema especialista que pudesse auxiliar os tomadores de decisão
na tarefa de planejar e controlar suas operações. Desta forma,
parte da experiência e do conhecimento necessários, foram adquiridos
nestes experimentos e, posteriormente, traduzidos e incorporados a um
módulo
inteligente de análise, na forma de regras de produção,
frames, métodos, etc.
Todo o processo de planejamento e controle da produção de
SFM, empregando ou não modelos matemáticos, não é
tarefa simples e não costuma ser executada em um só passo.
Ao contrário, este processo costuma ser longo e repetitivo,
constituindo-se,
na verdade, de uma série de experimentos efetuados pelo decisor,
em que uma série de alternativas são testadas antes de sua
real implementação. Evidentemente, dependendo do grau de
conhecimento,
experiência e ferramentas auxiliares utilizadas pelo decisor, este
processo poderá ser simplificado e abreviado.
Diante desta realidade, propusemos e concretizamos o desenvolvimento do
protótipo de um sistema computacional que combina o modelo de
simulação
anteriormente apresentado, com um sistema especialista. Além disso,
com o intuito facilitar, tanto seu uso como todo o processo decisório,
dotamos o protótipo de uma interface gráfica voltada ao
usuário.
Consideramos este protótipo a segunda maior contribuição
deste trabalho uma vez que, através dele, procuramos encaminhar uma
solução para o problema, sempre presente, das dificuldades
associadas ao uso de modelos, particularmente os modelos de
simulação.
A interface possibilita, com facilidade, a execução de
experimentos.
A combinação do SE com o modelo de simulação,
permite que o usuário, na medida em que vai acumulando experiência,
possa guardar, ao menos parte desta, sob a forma de regras de
produção
ou mesmo métodos, os quais, uma vez implantados na base de conhecimentos,
podem vir a auxiliá-lo em experimentos futuros.
Neste protótipo, as duas metodologias interagem de forma paralela,
uma vez que duas diferentes ferramentas (uma linguagem de simulação
e um ambiente de desenvolvimento de sistemas inteligentes) foram utilizados
na sua construção. Os resultados de uma influem no desempenho
da outra.
7.2 Limitações do Trabalho
Como qualquer trabalho de pesquisa, a abrangência deste estudo é
também limitada. Seus limites foram definidos e apresentados ao longo
das várias etapas desenvolvidas. Todos os resultados numéricos
foram obtidos sobre um sistema fictício, embora sua modelagem tenha
sido, originalmente, baseada num sistema real. Desta forma, no seu sentido
mais estrito, todas as conclusões derivadas dos experimentos são
válidas apenas para aquele sistema, somente.
No que diz respeito ao modelo e ao sistema computacional desenvolvidos,
estes são mais genéricos por sua natureza, aplicando-se a
outros sistemas semelhantes, podendo, no entanto, ser ampliados melhorados,
explorando outros aspectos do problema ao qual se propõem tratar.
Os experimentos realizados, consideraram apenas algumas poucas estratégias
de controle operacional. Existem muitas outras que podem ser exploradas
sobre o SFM tratado ou sobre outros sistemas de manufatura semelhantes.
7.3 Recomendações para Futuras
Pesquisas
As pesquisas realizadas neste trabalho, sugerem algumas áreas relevantes
para o desenvolvimento outros estudos. Nesta seção apontamos
para algumas destas e recomendamos futuros trabalhos de pesquisa. Os itens
abordados não seguem nenhuma ordem de prioridade.
7.3.1 Extensão da Capacidade do Módulo
de Análise
Uma das áreas mais promissoras ao desenvolvimento de futuros trabalhos
de pesquisa, seguramente é o desenvolvimento da capacidade de
diagnóstico,
análise e tomada de decisão do Módulo de Análise
(MA), incorporado ao protótipo. Em seu atual estágio, este
módulo suporta sistemas flexíveis de manufatura com
características
semelhantes ao sistema tratado. Serão valiosas, contribuições
que permitam ao MA suportar diferentes características físicas
associadas aos SFM, como por exemplo, um sistema de transporte de materiais
caracterizado por esteiras no lugar de ou, em conjunto com, os VAGS.
Para que o sistema especialista possa suportar outras características
físicas, sugerimos que sejam implementados conjuntos de módulos
de análise, semelhantes ao já desenvolvido, específicos
para diferentes características físicas de SFM. Uma vez
disponíveis,
antes de iniciar qualquer processo, o decisor poderia compor seu MA, incorporando
este ou aquele módulo necessário aos diagnósticos ou
análises do sistema de produção com o qual estivesse
lidando.
Outro importante campo de pesquisas, é da incorporação
novas regras ao sistema especialista que possam auxiliar o decisor na fase
de planejamento da produção. Alguns elementos que podem ser
implementados dizem respeito, por exemplo, a definição do
mix e do volume de produção das peças (tal decisão
pode estar atrelada, por exemplo, as datas de entrega dos lotes de produzidos),
a definição dos fatores de utilização dos recursos,
a capacidade do sistema de transporte, etc.
Outra área de pesquisa desejável, ainda sobre o módulo
inteligente, diz respeito a forma e facilidade de incorporação
do conhecimento ao sistema especialista, via novas regras. E desejável
que se possa automatizar estes procedimento. Ao mesmo tempo, é
desejável
que se criem procedimentos, tais como metaregras, que procurem manter a
consistência global da base de conhecimentos e da máquina de
ingerência.
7.3.2 Extensão da Capacidade do Módulo
de Simulação
Outra grande área atuação para o desenvolvimento de
novos estudos relacionados a este trabalho, diz respeito a capacidade do
Módulo de Simulação (MS). Quando construímos
este módulo, tínhamos em mente aproveitar ao máximo
a capacidade da linguagem de simulação (SIMAN) na qual modelamos
o SFM exemplo. De fato, cremos ter alcançado este objetivo. Contudo,
com o aumento da capacidade e potencialidade das linguagens de
simulação,
será possível, muito em breve, incorporar outras
características
ao MS.
Na medida em que disponhamos de um ambiente de simulação orientado
a objeto, e que seja executável na mesma plataforma do protótipo
(Windows), será potencialmente possível ampliar sobremaneira
e, implementar dentro do MS, a capacidade de modelar ou modificar integralmente
modelos de sistemas de produção. No atual estágio do
MS, tal capacidade está restringida a alteração de
parâmetros e valores de variáveis ou atributos do modelo
desenvolvido.
Outra capacidade que pode ser incorporada ao MS, é a animação
dos modelos simulados. Ao tempo do desenvolvimento do trabalho, não
tínhamos a disposição as ferramentas de . ração
para a versão da linguagem SIMAN com a qual trabalhamos. Hoje estas
ferramentas já foram adquiridas, e podem vir a incorporar os modelos
de simulação desenvolvidos para o MS.
7.3.3 Integração do Fluxo de
Ferramentas ao Modelo.
No modelo de simulação desenvolvido, consideramos que os diversos
centros de usinagem possuem, ao início de cada ciclo de
produção,
um determinado conjunto de ferramentas em seu magazine, necessários
a execução de determinadas operações. É
possível, no entanto, considerar a existência em SFM, de
transportadores
e manuseadores automáticos de ferramentas, os quais poderiam
movimentá-Ias
entre os centros, proporcionando urna maior flexibilidade ao sistema. Desta
forma, se considerarmos esta possibilidade, as restrições
sobre que operações os centros de usinagem podem realizar,
poderão ser menos limitadas, aumentando a potencial flexibilidade
do sistema.
7.3.4 Outras Extensões
Algumas outras idéias associadas a futuras pesquisas, são
listadas abaixo:
· Implementação de regras que analisem o impacto de diferentes
layouts do sistema.
· Implementação de outros algoritmos, junto ao modelo
de simulação, que busquem outros objetivos, tais como,
minimização
de custos operacionais, minimização da soma dos tempos de
processamento e transporte, etc
· Implementação de um módulo para análise
de um índice de flexibilidade alcançado pelo sistema, em
função
de sua flexibilidade potencial e utilizada. Um módulo deste tipo,
pode ser extremamente útil quando da necessidade de comparar-se distintos
sistemas para fins, por exemplo, de decisões estratégicas.
