Capítulo I Teorias e Estudos em Simulação
Cognitiva.
A Engenharia Cognitiva.
A introdução do computador e da informática nas empresas
fez evoluir o trabalho de controle e de regulação de atividades.
Em efeito, estas mudanças foram visualizadas nos postos de trabalho
(por exemplo, rapidez na execução das tarefas,
eliminação de erros, etc.) e, nos métodos e meios colocados
para cumprir as tarefas (automatização de rotinas, por exemplo).
Neste sentido, a engenharia cognitiva nasceu como
conseqüência das modificações produzidas no
comportamento cognitivo de um operador numa situação de
trabalho.
No entanto, em postos de trabalho informatizados a compreensão do
comportamento cognitivo do operador não é possível com
a utilização dos métodos adicionais. Por outro lado,
neste tipo de situação a engenharia cognitiva
idealiza a metodologia de estudo e, desta forma, permite visualizar
a atividade cognitiva do operador como um conjunto de elementos complexos
e organizados. Porque, ela coloca o operador como o centro neste estudo de
concepção.
O objetivo da engenharia cognitiva é estudar a atividade
cognitiva do operador para explicar, seus modos de raciocino numa
situação de trabalho, formalizar de forma completa e coerente
os conhecimentos registrados, organizar estes de forma que representem algum
tipo de organização da memória humana, e finalmente,
construir ferramentas ou dispositivos de ajuda ao trabalho.
A Engenhara Cognitiva e a Simulação Cognitiva.
A simulação cognitiva é uma técnica que permite
simular as estruturas e os mecanismos de raciocínio utilizados pelos
operadores no cumprimento de suas atividades. Esta técnica complementa
a engenharia cognitiva no sentido de fazer confiáveis os sistemas
homem-máquina, porque ela analisa de forma muito ampla as técnicas
de apresentação de informação, a criação
de ambientes que facilitem o desenvolvimento de interfaces coerentes e facilmente
modificáveis, as ajudas inteligentes ao trabalho e o estudo da
gênese dos erros humanos (Wood & Roth, em "Cognitive Engeenering,
Ed. Handbook of Human Computer Interaction, 1988).
A simulação cognitiva está inspirada em conceitos
desenvolvidos na modelagem cognitiva e utiliza os formalismos de
representação de estruturas de domínio da Inteligência
Artificial (I.A). Esta técnica pode ter duas
aplicações:
Numa ótica pragmática. Aplicar as técnicas da engenharia cognitiva e as ferramentas propostas pela I.A (propor ferramentas de ajuda ao trabalho, por exemplo) e,
(2) Numa ótica teórica. Na pesquisa e na modelagem dos processos
de funcionamento cognitivo humano.
Um dos aspectos fundamentais da simulação cognitiva é
evidenciar a dinâmica que religa as diferentes etapas da tomada de
decisão em controle de processos (Rasmussen, 1991). Da mesma forma,
esta permite evidenciar as interseções de atividades, quando
do tratamento de incidentes em paralelo. Por exemplo, numa situação
determinada, um operador pode estar engajado numa fase de diagnóstico,
a propósito de um incidente, e ficar atento às
variações de certos parâmetros.
A simulação cognitiva se diferencia da abordagem cognitivista
clássica por seu aspecto ecológico. Isto é, o simulador
cognitivo deve funcionar num simulador de ambiente físico ou deve
ser conectado a um sistema em tempo real. Esta união é o que
permite ao simulador cognitivo predizer certos aspectos dinâmicos da
conduta dos operadores, tal como: a gestão das restrições
temporais, os efeitos da carga perceptiva e cognitiva, a relação
entre os operadores, a relações entre o diagnostico ou a
planificação e a evolução dinâmica das
variáveis, etc.
Em relação ao modo de simulação por sistemas especialistas, pode-se dizer que a simulação cognitiva introduz apenas novas condicionantes (são as regras que conduzem a evolução dos parâmetros) sobre o funcionamento do sistema homem-máquina.
Estas condicionantes são essencialmente de natureza psicológica. Elas caracterizam em particular:
* Os mecanismos de controle da atenção;
* O fato que o operador tem capacidade de tratamento da informação limitada,
* As estratégias heurísticas de diagnóstico;
* As estratégias de planificação;
* Os mecanismos de antecipação de estados futuros;
* As regras de comunicação e de troca de informação entre operadores;
* O metaconhecimento;
* Os modos de representação dos conhecimentos.
A diferença entre os modelos de vocação cognitivista clássica e os modelos psicológicos estáticos em relação aos modelos desenvolvidos pela simulação cognitiva é que os primeiros não podem gerar dinamicamente um gerenciamento de processos.
Muitas vezes, pode acontecer que um operador tenha que gerenciar -vários incidentes simultaneamente. Neste caso, ele coloca em funcionamento um certo número de etapas de tomada de decisão, fartamente descrito na literatura (Rasmussen, 1976) tais como: tomada de informação, formulação de hipóteses, etc.
Cada uma dessas etapas é colocada em funcionamento para cada incidente, mas não de forma linear: estas operações podem se sobrepor, ser abandonadas, ou ainda intercaladas.
Um modelo dinâmico de gerenciamento de processos deve poder gerenciar
dinamicamente uma tal seqüência de atividades ao longo do tempo.
Neste sentido, a simulação cognitiva utiliza o conceito de
controle de atenção (quando conste um processo físico)..
Sabendo que um operador tem recursos cognitivos limitados, ele deve
gerenciá-los de forma ótima" e para isto, ele deve permanentemente
alocar seus recursos cognitivos, seja à análise de dados
provenientes do ambiente (processo de diagnóstico), seja à
gestão das hipóteses, seja ainda para executar uma
ação.
Os recursos cognitivos podem ser alocados na tomada de informação
passiva (atividade cognitiva dirigida por dados) e/ou na tomada de
informação orientada (atividade controlada por conceitos).
A alocação de recursos é guiada por vários
princípios:
i) As informações mais importantes são adquiridas prioritariamente;
ii) As informações provenientes do ambiente são percebidas em função de sua "pregnância" (alarmes, indicadores principais, etc.);
iii) Quanto mais importante for a carga de trabalho, maiores são as
limitações de tomada de informação. A carga de
trabalho pode ser avaliada pelo número de hipóteses em cursos
de elaboração, o trabalho da lista das operações
em espera, etc.
Desta forma, a simulação cognitiva faz, de certa forma, uma
ligação entre:
i) Os modelos estáticos que tratam sobretudo da representação dos conhecimentos e dos modos de raciocínio;
li) E os modelos de tipo sistema especialista, que tratam os aspectos cognitivos,
apenas sob o ângulo da produção do comportamento.
2. A abordagem baseada na simulação cognitiva.
A ergonomia de concepção analisa a atividade real, como foi
explicado anteriormente. No entanto, ela não tem um dispositivo
cooperativo que lhe ajude a engendrar as modificações mais
importantes nos modos de funcionamento cognitivo do operador. A desenvolveu-se
aqui uma metodologia de análise específica que permitiu antecipar
certos modos de funcionamento dos operadores nas situações
futuras de trabalho. Esta metodologia esta baseada na noção
de simulação cognitiva Nesta concepção, os
conhecimentos e os mecanismos de regulação cognitiva empregados
pelos operadores são representados numa linguagem simbólica.
Estes são depois simulados de maneira a testar as
reações do sistema nos diferentes cenários. Variando
simbolicamente os recursos cognitivos dos operadores (por exemplo,
percepção dos dados, tratamento das hipóteses, etc.)
ou as características do ambiente (por exemplo, tipos de
organização do trabalho, diferentes dispositivos, etc.), a
simulação permitirá extrapolar os limites operacionais
do sistema.
A simulação cognitiva é uma técnica que se inspira
nos conceitos desenvolvidos na modelagem cognitiva e utiliza os recursos
de domínio da Inteligência Artificial (IA.) para formalizar
e representar os conhecimentos. Seu objetivo é ter um modelo
executável, que possa simular (sob a forma de um programa computacional),
as etapas de raciocínio, desenvolvidas por um operador humano, quando
da realização de uma determinada atividade. Neste sentido,
é necessário obter um certo isomorfismo entre a
organização, que subentende estes raciocínios e a
arquitetura informática.
Abordagens mais recentes na simulação cognitiva (Bersini, 1989; Wood & Roth & Pople, 1987A/B) mostram uma tentativa de resposta à questão: "como prever de forma preliminar os campos de funcionamento e disfuncionamento de sistemas homens-máquinas complexos, quando não é mais possível extrapolar o futuro, a partir do passado ou a partir dos métodos tradicionais de prototipagem?" (Pavard & Salembier & Benchekroun & de Medeiros, 1989). A resposta dada pela simulação cognitiva à questão é interessante porque certos princípios são bem adaptados à atividade de previsão:
(1) A simulação cogitava apoia-se nas representações e nas operações simbólicas, da mesma forma, nos mecanismos de base que dão início as atividades cogitavas do homem (por exemplo, planificação, diagnóstico, regulado, etc.). Assim, criar um modelo computacional para predizer os mecanismos cognitivos é muito importante, porque a ~ de simulações é possível explorar um grande número de cenários.
(2) A hipótese de base, é que o homem tem uma capacidade limitada de tratamento de informação. Assim sendo, ele deve então, a cada instante, alocar seus recursos cognitivos, nas atividades de tomada de informações, no tratamento destas informações, ou ainda, nas ações sobre o processo.
(3) A modelagem cognitiva que precede à simulação cognitiva
deve estar baseada sobre situações reais de trabalho e,
não em estudos de laboratório.
O papel da Simulação Cognitiva é reproduzir com inteira
fidelidade o funcionamento dos processos cognitivos do operador num ambiente
de trabalho complexo e dinâmico, para predizer de modo causal a
gênese da tomada de decisão. Esta teoria não só
deve capturar generalizações sobre os fatos, os comportamentos
ou os estados internos da mente. Ela deve gerar de uma maneira causal exemplos
de comportamento. No entanto, não é necessário inserir
o modelo cognitivo numa arquitetura computacional, o modelo pode ser puramente
conceitual. Este pode servir para guiar a análise cognitiva da tarefa
no objetivo de predizer as atividades cognitivas de um operador como
base de uma concepção.
A simulação cognitiva depende estritamente da
elaboração de uma modelo cognitivo formal e, por outro lado,
dos objetivos da modelagem. Assim, segundo estes objetivos, a
simulação pode ser utilizada como:
Teste de modelos cognitivos: A simulação cognitiva é
realizada para provar o modelo teórico e, assim transformá-lo
num modelo ideal (por exemplo, dispositivo automático). Nesta abordagem,
a simulação está mais dirigida a analisar os mecanismos
de regulação das atividades cognitivas do homem e, aos efeitos
das características próprias do ambiente de trabalho que tem
um papel complementar. As características da simulação
cognitiva dependem dos objetivos dos modelos construídos:
i) Abordar deforma ascendente, uma atividade particular bem definida.
Para tanto é necessária uma análise fina dos mecanismos
cognitivos do operador. Por exemplo, o modelo do piloto de combate desenvolvido
pelo CERMA (uma missão a baixa altitude e a grande velocidade
em vôos de combate). O modelo cognitivo é informatizado, em
vista de sua simulação (Almalberti & Valot, 1990; Almalberti,
1991 A/B).
ii) Abordar de forma descendente, uma atividade baseando-se nos
conhecimentos do processo cognitivo do operador, que são colocados
em evidência através de experiências num laboratório.
Por exemplo, os processos de "SIMILARITY MATCHING" e de "FREQUENCY GLAMBLING",
definidos por Reason em 1980, e retomados no simulador ISPRA. (Cacciabue
& Decortis & Drozdowicz & Masson & Nordvik , 1991). Para
tanto a priori uma arquitetura cognitiva é definida.
iii) Abordar de forma Mista ou seja, um modelo cognitivo é
construído em função de uma teoria (por exemplo, a estrutura
da base de conhecimento é de tipo blackboard) e de uma
situação real. Por exemplo, o modelo WESTINGHOUSE que
simula o comportamento dos operadores que controlam um processo nuclear (Wood
& Roth, 1988; Wood & Roth & Pople, 1897 A/B). Este modelo tem
uma arquitetura cognitiva adaptada ao tratamento das informações
no tempo. Ele foi elaborado a partir de um ambiente computacional complexo
(máquinas Lips), que toma difícil as possibilidades de
transferências dos conhecimentos e suas possibilidades de
modificação.
As abordagens descendentes e ascendentes apresentam vantagens e inconvenientes
que lhes são próprias.
* A abordagem ascendente conduz a tratar conjuntamente, o problema do
conteúdo semântico dos conhecimentos específicos do campo
tratado, e aquele da arquitetura cognitiva (os diferentes tipos de conhecimentos
utilizados: conhecimentos profundos, de superfície, prototípicos
e, os processos de ativação e de funcionamento desses
conhecimentos).
As escolhas que são realizadas, a propósito da estrutura do
modelo, são oportunamente determinadas pela especificidade da
situação. Neste caso, a eficácia do modelo cresce para
uma determinada situação, mas restringe suas capacidades de
generalização para outros tipos de atividades.
Por exemplo, definindo-se uma arquitetura cognitiva, a partir do estudo da
atividade de condução de um automóvel, deve-se dar um
lugar importante (senão predominante no caso de um condutor experimentado,
em situação real) à componente sensorial-motora e aos
aspectos da atividade cognitiva fortemente automatizada. Esta arquitetura
somente será transponível para situações que
apresentam as mesmas características, em termos da natureza dos
níveis de tratamento cognitivo e dos tipos de conhecimentos desenvolvidos.
A adoção de uma abordagem puramente ascendente conduz, então,
a desenvolver um modelo específico de uma atividade cognitiva particular,
que é dificilmente adaptável, quando a situação
muda.
* A abordagem descendente permite, teoricamente, evitar este problema, na
medida em que ela postula desde o início, a dependência de uma
arquitetura cognitiva, em relação às situações
consideradas. Neste sentido, ela trabalha aos níveis dos mecanismos
de tratamento e de estocagem da informação do operador humano.
Ver modelo ACT, desenvolvido por Anderson (Vergara, 1990B).
Os dados empíricos de base, que alimentam o desenvolvimento de um
tal simulador, são provenientes de resultados experimentais obtidos
em tarefas de laboratório, que são uma redução
de uma situação real de trabalho. Este tipo de abordagem é
característico da pesquisa fundamental em psicologia, que visa colocar
em evidência resultados gerais, sobre o funcionamento cognitivo humano,
independentemente da situação de trabalho.
Fixando-se como objetivo o desenvolvimento de um simulador, para um determinado tipo de atividade (controle de processo, por exemplo), esta abordagem é pouco pertinente. De fato, a fim de especificar, por exemplo, os tipos de conhecimentos que serão integrados na arquitetura cognitiva, e necessário dispor de dados sobre a atividade real dos operadores na situação alvo escolhida: por que então, postular a existência de um estrato de representação dos conhecimentos profundos, por exemplo, se a quase totalidade da atividade utiliza os conhecimentos de superfície ?
Assim sendo, é a especificidade da situação a ser analisada que, além do conteúdo semântico dos conhecimentos, vai orientar a importância relativa a ser dada às diversas componentes da arquitetura cognitiva. Todavia, pode-se cair nas limitações puramente ascendente, isto é a limitação das capacidades de generalizações e limitação das possibilidades de extensão da arquitetura cognitiva.
Isto toma-se mais problemático, quando se trata de situações complexas, porque colocam em jogo diferentes tipos de atividades. No caso de controle de processo, por exemplo, é claro que a atividade cognitiva dos operadores será diferente, dependendo se eles se encontram numa situação de condução normal, de recuperação de incidentes utilizando procedimentos preestabelecidos ou ainda, de diagnóstico sem procedimentos preestabelecidos, que exigem uma atividade de resolução de problemas.
Outros fatores a serem levados em consideração e que vão determinar o tipo de atividade cognitiva desenvolvida, são:
* As características do dispositivo técnico através do qual os operadores vão intervir sobre o processo (configuração do sistema de controle/comando).
* O tipo dos procedimentos de condução (condução
por estados, por exemplo).
* O nível de formação dos operadores.
Neste sentido, parece então, mais razoável definir um tipo de atividade (tarefa), particular, sobre a qual se centrará a fase inicial da análise. Esta escolha, deverá ser realizada a partir das necessidades, identificadas pelos futuros usuários, sob reserva das possibilidades de acesso a situação real de trabalho.
Por outro lado, é importante, desde o início, refletir sobre às condições de extensão do simulador cognitivo à outras situações. Isto necessita, então, de uma reflexão a respeito da arquitetura cognitiva a ser desenvolvida e sobre sua realização informática. O objetivo é chegar a definir, rapidamente, as bases de uma arquitetura, suficientemente flexível, para tratar novas situações. Esta fase do projeto será realizada, a partir da análise dos estudos que já foram desenvolvidos, em situações de controle de processo (estudo bibliográfico), a partir da análise crítica dos simuladores e, a partir de um trabalho de maquetagem visando testar as opções arquiteturais, ao nível das capacidades funcionais e de interação de novos módulos (raciocínio sobre dados Qualitativos, raciocínio temporal, planificação, etc.).
A metodologia que nós adotamos visa, então, manter um certo equilíbrio entre a "eficácia" do simulador (adequação a situação inicial tratada) e capacidade de extensão (aplicação à outras situações de controle de processo). Assim é necessário trabalhar tanto numa ótica ascendente (análise das atividades dos operadores em situação real do trabalho ou recriada, a partir de diversos suportes: gravação em fitas de vídeo, fichas de incidentes, observações + entrevistas, como descendentes (trabalho sobre a arquitetura cognitiva e sua implementação).
2) Uma ferramenta analítica. A simulação cognitiva é utilizada como uma ferramenta metodológica de apoio à concepção de DCAT (concepção de ferramentas cooperativas de ajuda ao trabalho). Por exemplo, as aplicações do grupo de engenharia cognitiva (Pavard & Salembier & Benchekroun & de Medeiros, 1989; Pavard & Benchekroun & Salembier, 1991) neste tipo de concepção. O fundamento desta concepção é a relação existente entre as características do ambiente de trabalho (por exemplo, as interfaces, as comunicações, etc.) e os mecanismos de regulação das atividades cognitivas.
A metodologia (Pavard & Salembier, 1990) desenvolvida permite identificar a partir da análise das atividades, os elementos funcionais do ambiente de trabalho que são considerados nos diferentes níveis da carga de trabalho. Este primeiro nível de análise mostra as relações de causalidade entre as diferentes estratégias cognitivas, carga de trabalho e as propriedades funcionais da ferramenta. Numa segunda etapa, um modelo dinâmico é desenvolvido e testado, centrado nas relações de causalidade, a partir de cenários reais.
Finalmente, o modelo é configurado em função do novo posto de trabalho. Esta última etapa permite analisar formalmente o impacto de um novo ambiente de trabalho sobre a atividade dos operadores.
Esta metodologia foi utilizada no desenvolvimento de uma ferramenta de comunicação num centro de tratamento de chamadas de urgência medicais SAMU (Benchekroun & Pavard, 1991).
Esta metodologia comparada com outras de concepção clássica concede uma maior precisão na concepção de sistemas, porque:
i) Nos métodos tradicionais de "maquetagem/prototipagem", as situações podem ser racionalmente testadas com a ajuda de simuladores. Mas, estes testes só abrangem uma ínfima parte da união dos casos possíveis no sistema. As causas podem ser atribuídas à duração dos testes ou ao custo de mobilização dos operadores especialistas.
ii) No caso da análise de uma situação futura provável (Daniellou & Garrigou, 1990) este método tem demonstrado sua capacidade para orientar as decisões de concepção e suas possibilidades de integração em um projeto industrial. No entanto, seu poder preditivo ainda resulta limitado, porque esta metodologia requer uma situação de referência real num outro domínio que seja próxima à situação futura no domínio de estudo.
iii) No caso dos métodos de simulação das interações entre os operadores e um dispositivo inteligente (Carrol & Aaronson, 1988; Claes & Salembier, 1991 - Cahour, 1989) estes métodos constituem um aporte importante na concepção de uma certa categoria de sistemas (por exemplo, sistemas de ajuda, interfaces em linguagem natural, tutores inteligentes). No entanto, eles só podem ser aplicados a situações muito particulares.
Nesta década, a união de várias correntes de conhecimentos acadêmicas têm provocado mudanças impressionantes na forma de pensar, mecânica e matemática, do funcionamento e da organização da memória humana, que partem de concepções metafísicas do início do Renascimento. Esta congruência de correntes ainda não está bem solidificada como ciência. No entanto, ela têm um interesse principal que é a gênese, a estrutura e as regras de utilização dos conhecimentos. No centro desta ''união de disciplinas" encontra-se a Ciência da Cognição.
O objetivo da Ciência da Cognição é essencialmente o conhecimento virtual. Isto é, a união das condições estruturais e funcionais mínimas que permitam perceber, representas, recuperar e utilizar a informação. Esta é uma ciência da competência cognitiva, porque forma e produz conhecimento que manifestam variações materiais de um determinado sistema (Tiberghien, 1989). Em outros termos, a ciência da cognição e a ciência da organização, da manipulação e da transferência da informação simbólica ou analógica. As ciências e as disciplinas que conformam esta ciência ainda estão muito longe de serem unificadas atualmente, mas eles se manifestam de modo polimorfo sob diferentes nomes (por exemplo, Sistemática, Ciências dos Sistemas, "Computer Science", etc.). A união destes deve-se, à diversidade de sistemas (naturais, biológicos, psicológicos, sociológicos ou econômicos), de diferentes desempenhos cognitivos, e aos sistemas construídos pelo homem que brotam de urna mesma estrutura cognitiva. Isto é, de um verdadeiro conhecimento virtual. Todos estes sistemas naturais têm características comuns, com diversos graus, que eles devem perceber, compreender, resolver problemas e agir (Anderson, 1984- Harris & Helander, 1984 Hoc, 1987; Richard, 1990; Dubois, 1991). Assim, a Ciência da Cognição é relacionada com a organização da informação e as funções que permitem tais atos de conhecimento. Uma ciência da comunicação entre diferentes sistemas de conhecimento. Uma ciência que examina os problemas de linguagem, memória e cognição.
A Ciência da Cognição é uma conseqüência de uma tríplice revolução epistemológica que tem afetado respectivamente a Psicologia, a lingüística e a Informática.
A Psicologia Cognitiva afirma que os conhecimentos e os estímulos provocados são associados e, os comportamentos devem ser um ponto de partida para atender as realidades inobserváveis e hipotéticas que têm por nome: representação, conhecimento, intencionalidade, etc. De fato, estas são características da consciência. A revolução epistemológica na Psicologia resulta da transferência teórica do conceito de comportamento ao conceito de conhecimento.
A Lingüística é inicialmente preocupada pela estrutura sintática do discurso. A linguagem é, às vezes, considerada como uma das propriedades especificas da experiência humana. Além das produções da língua observáveis e das estruturas de superfície encontram-se sem dúvida as estruturas mais fundamentais, as estruturas profundas que a determinam. Assim existe uma relação entre a distinção de "desempenho e competência". A revolução Lingüística foi uma revolução formalista, postulando que o real pode ser descritivo para a aplicação das regras de escritura, (Tiberghien, 1989).
A Informática tem toda uma tecnologia de manipulação de informação na forma simbólica. Uma ciência se define por seu objetivo e por seu método. A Informática dispõe de um método (lógica formal) mais seu objetivo é informatizar-se. Isto é, o cálculo dele mesmo.(Tiberghien, 1989).
A revolução epistemológica da Informática consistiu em encontrar um objeto diferente de uma informação multiforme. Isto é, o objeto será o conhecimento dele mesmo e não tal formalização lógica matemática de conhecimentos. O desenvolvimento rápido da I.A. trouxe como conseqüência uma mudança radical deste ponto de vista.
A Informática teórica tradicional define um programa como a
aplicação de um algoritmo a certos fatos e, a I.A. vai
definir um sistema inteligente como resultado da aplicação
dos mecanismos de inferência dos conhecimentos. Isto é, fatos
estruturados. O objetivo da I.A. em um projeto é pois construir
modelos informáticos do conhecimento. Neste caso, i ente, o conhecimento
é o motor da revolução Informática como é
no caso da Psicologia e da Lingüística.
Assim a convergência destas três revoluções
espistemológicas têm provocado importantes
transformações na interação das diversas disciplinas,
porque elas têm em comum interrogações teóricas
e experimentais do conceito do conhecimento. Elas têm por objetivo
elaborar uma teoria geral do conhecimento, quais sejam suas formas de
realização. Elas consideram que o estudo das estruturas e das
propriedades funcionais da inteligência pode servir para a
construção de artifícios susceptíveis à
simulação. Eles .. I esperam que a engenharia destes sistemas
artificiais do conhecimento permitirá compreender nossa
inteligência.
Esta é a ambição destas ciências e as tecnologia do conhecimento colaboram ente na obtenção deste objetivo.
A Tecnologia do Conhecimento ou a Engenharia do Conhecimento é uma associação ínfima entre a Teoria do Conhecimento e as Ciências da Ação. Isto é, a união de "pesquisa e desenvolvimento" (Reason, 1986; Hoc, 1989A; Rasmussen & Goodstein, 1988). Assim, o objetivo dela é construir sistemas a base de conhecimentos susceptíveis de prolongar e ampliar as capacidades humanas de percepção, de aprendizagem de compreensão, de resolução de problemas e de ação. O objetivo social é construir máquinas "pensantes" (Tiberghien, 1989; Kolodner, 1991).
3. Os aportes da simulação cognitiva à
concepção de sistemas.
3.1 A Simulação Cognitiva: ferramenta
de análise em situações
complexas.
Um simulador cognitivo deve ter armazenado na sua base de conhecimento as
características e os diferentes cenários de um sistema complexo
e, por outro lado, os conhecimentos sobre os comportamentos cognitivos dos
operadores. Estes conhecimentos são muito importantes e, muitas vezes,
os engenheiros são conduzidos a definir as funcionalidades de um sistema
técnico antes de conhecer as propriedades exatas destes ou as
múltiplas interações entre os componentes do sistema
e do operador humano. Sendo assim, na prática, o simulador cognitivo,
interage dinamicamente com seu ambiente. Uma decisão planifica o progresso
do sistema (por exemplo, a tomada de informação sobre o modelo
físico) ou pode ser interrompida por um evento exterior, se ele a
julga corno importante. Inversamente, uma informação não
atendida mais importante pode ser ignorada se o simulador está
comprometido em uma atividade que utiliza seus recursos.
Esta ferramenta (simulação cognitiva) tem como princípio
simular a dinâmica do raciocínio humano, realizando uma tarefa,
caracterizando-se fundamentalmente pela consideração da causalidade
no encadeamento dos processos cognitivos (em situações normais
ou incidentais) na realização de uma atividade.
Assim, em função das estratégias de alocação
dos recursos cognitivos, que variam de uma pessoa para outra, em
função dos conhecimentos que a pessoa têm sobre um
determinado sistema físico ou processo e de sua dinâmica o modelo
vai poder, de forma causal, gerar a formação das
intenções e as ações do indivíduo.
Esta escolha de alocação de recursos é guiada por
vários principias:
(1) As informações mais importantes são adquiridas prioritariamente;
(2) As informações provenientes do ambiente são percebidos em função de sua "importância" (alarmes, indicadores principais, etc.);
(3) A carga de trabalho é importante, mais as possibilidades de tomada
de informação são limitadas. Assim, esta carga pode
ser avaliada pelo número de hipóteses em curso de
elaboração, o comprimento da lista de operações
em espera, etc.
3.2 A utilização do simulador
cognitivo.
3.2.1 Consulta-Ensino-Aprendizagem.
De todos os simuladores concebidos, os simuladores "pedagógicos" são
os mais numerosos e os mais empregados. Estes, informatizados, podem ensinar
e capacitar os operadores que realizam uma determinada atividade, na medida
em que o modelo está baseado no estudo cognitivo desses operadores,
reproduzindo de forma aproximada, o conhecimento e o raciocínio utilizado
no diagnóstico ou na planificação de um problema.
Michaut (1970) indicou alguns parâmetros para a concepção
dos simuladores pedagógicos e sublinhou que todo ensino deve repousar
na análise da atividade da conduta cognitiva do operador. Desta forma,
o simulador cognitivo deve integrar um programa de formação
que compreenda a análise da situação, o processo de
raciocínio do operador, as considerações do porque uma
decisão, etc.
No curso da aprendizagem, o aluno deve assimilar esquemas de respostas ou
conselhos para a tomada de decisão. Esta situação
permitir-lhe-á adquirir certos conhecimentos sobre diversas atividades
que ele poderá encontrar no posto de trabalho.
No entanto, o processo de aprendizagem do operador será estruturado
em condições que permitam o desenrolar da atividade real. Isto
é, os deslocamentos dos quadros de ensino terão uma verdadeira
ligação entre as ações e as respostas da
atividade.
Em definitivo, pode-se supor que o simulador poderá intervir em dois momentos diferentes na formação do operador:
(1) No início, no reconhecimento das situações e,
(2) No fim, na aquisição de esquemas de conhecimento. Ele
será manifestado em um repertório de explicações
e planos de ação (estratégias cognitivas) de casos
passados.
As principais justificativas para o emprego da simulação cognitiva
são:
(1) Melhorar o desenho de sistemas levando em conta a execução dos procedimentos escritos, as possibilidades de falha do operador, etc.
(2) Analisar os casos hipotéticos de um sistema (por razões de segurança);
(3) Examinar várias populações de operadores e suas implicadas conseqüências
(Salembier & Pavard & Benchekroun & de Medeiros, 1990). Isto é, testar certas características dos operadores (principiantes ou especialistas) e suas adequações às situações em uma perspectiva de formação;
(4) Pesquisar as causalidades dos eventos, tecnologicamente, muitas vezes difíceis de realizar no campo do ensaio. Isto é, os parâmetros estudados de uma determinada situação podem ser variados e testados de uma forma dinâmica (modelo da atividade);
(5) Fornecer uma ajuda na interpretação (por meio das
hipóteses ou intenções) das atividades realizadas do
operador na realização de sua tarefa (tomada de decisão).
Estas ações permitem um avanço na compreensão
do conhecimento e na modelagem das atividades cognitivas.
A pesquisa sobre um simulador resulta interessante, porque as ações, as vezes, são difíceis de serem testadas, sobre o lugar dos acontecimentos e, a validade da Simulação é urna dinâmica para as alternativas testadas.
4. A modelagem da atividade cognitiva.
O termo modelo cognitivo nos estudos das interações
homem-máquina tem uma significação específica,
"representar numa arquitetura integrada, as atividades cognitivas dos operadores
interagindo com um sistema físico complexo".
O modelo cognitivo do operador não deve ser uma cópia fiel
do comportamento de um operador ideal. Por uma parte, como todo modelo, ele
não deve pretender explicar todas as uniões dos fenômenos
relativos aos problemas passados mas, deve descrever e talvez explicar certos
aspectos cognitivos essenciais do operador. Por outro lado, sob uma ótica
da engenharia, a concepção deste tipo de modelo é, às
vezes, considerado como um ambiente próprio para a simulação
de um sistema complexo. Desta forma, ele pode ser ajustado (de uma
situação atual) a uma situação futura (Decortis
& Cacciabue, 1991).
O objetivo da modelagem cognitiva é importante, porque ela unifica
as diversas disciplinas que influenciam sua estruturação. Por
exemplo, a I.A. na formalização dos conhecimentos. No
entanto, podemos distinguir duas perspectivas nesta disciplina: a unitária
e a dualista.
Na teoria unitária existe uma identidade entre a I.A. e a psicologia.
O homem é considerado como um Sistema de Tratamento de
Informação (S.T.I., Newell & Simon, 1971). Os conceitos
da teoria têm uma justificativa psicológica através de
dados experimental s e uma justificativa informática através
de um programa. A validação é tratada pela
simulação dos resultados experimentais num programa. Isto é,
a comparação das etapas de raciocínio verbalizados pelo
operador e as etapas lógicas do programa.
Na perspectiva dualista separa-se estas duas abordagens. A I.A. oferece
ferramentas que podem ser utilizadas por uma teoria psicológica. A
afirmação que o homem é um S.T.I. não é
mais que uma metáfora que permite propor novos conceitos
psicológicos. A I.A. fornece ferramentas de
formalização dos conhecimentos tal como as redes semânticas,
os esquemas, as regras de produção, etc., que permitem o
desenvolvimento de modelos cognitivos e de uma teoria psicológica
(ver Vergara, 1990B).
O modelo idealizado não deve, necessariamente, ser implementado numa
arquitetura computacional, mas ele deve traduzir os conceitos psicológicos
da teoria. Nesta perspectiva, a teoria psicológica é fundamental,
porque o modelo e o programa na sua construção devem descrever
esta teoria.
A abordagem que é defendida aqui responde à perspectiva dualista.
Os formalismos da I.A. e as teorias da psicologia cognitiva são
utilizados para o desenvolvimento de um modelo da atividade cognitiva de
diagnóstico.
Existem diferentes etapas na modelagem cognitiva que podem ser resumidas
nos três pontos seguintes:
(1) A formalização da caixa preta do modelo, os mecanismos cognitivos, os conhecimentos, as estratégias e os raciocínios, e a organização dos conhecimentos.
(2) A coleta das "entradas" do modelo na medida de seu desenvolvimento.
(3) A validação do modelo. O modelo representa a realidade de uma situação de
trabalho ?
Os dados obtidos do mundo real permitem conceber o modelo e sua fidelidade.
Em retomo, o modelo e as questões que ele possui permitem formular
novas hipóteses sobre uma situação real de trabalho.
A modelagem e a implementação impõem uma
explicação detalhada das hipótese psicológicas,
dos elementos do modelo e seus critérios de utilização,
e uma definição precisa de sua articulação.
Estas análises conduzem a novas questões, novas hipóteses
que não tinham sido formuladas no início. O processo de modelagem
tem, também, um valor heurístico pelas hipóteses de
pesquisa empírica.
O interesse do modelo cognitivo é a procura das primitivas do conhecimento
e dos mecanismos cognitivos. Por exemplo, os aspectos cognitivos que respondam
a, como o operador tal ou qual coisa?
Nossa pesquisa de modelagem cognitiva do operador toma um caso particular
do processo de resolução de problemas: o raciocínio
analógico utilizado pelos operadores na tarefa de controle da
distribuição manutenção da rede de energia
elétrica.
Os processos de raciocínio por analogia são, às vezes, complexos de entender e explicar como será visto posteriormente.
4.1 Os modelos psicológicos da atividade cognitiva.
O papel dos modelos em psicologia é de propor explicações
que permitam coordenar os fatos e mostrar uma visão sintética,
econômica e heurística de uma determinada situação
cognitiva. Em geral, os modelos de atividade dispõem de uma linguagem
de expressão e de formalização. Por exemplo, o modelo
de Anderson (1983) fornece um quadro geral para a simulação
de diversos tipos de atividades cognitivas (mais informação
ver anexo I, Vergara, 1990B).
Tiberghien distingue três tipos de modelos:
(1) Os modelos funcionais,
(2) Os modelos estruturais e,
(3) Os modelos mistos.
Os modelos funcionais aparecem, freqüentemente, sob a forma de uma seqüência de expressões matemáticas que resumem uma relação entre dois conjuntos de variáveis. Isto é, eles são basicamente estruturados de expressões matemáticas e estas manifestam uma relação entre a união das variáveis. O objetivo não é de minimizar o processo estudado, mas de exprimir uma relação observada.
Os modelos estruturais são estáticos e expressam a organização das relações entre os conhecimentos. Normalmente, este tipo de modelo é utilizado na representação das atividades de diagnóstico e, a representação dos conhecimentos é feita em redes semânticas.
Os modelos mistos interagem os diversos aspectos dos modelos e ais e funcionais.
4.2 O aporte da ergonomia no processo da modelagem
cognitiva.
A contribuição da ergonomia na modelagem cognitiva se situa
essencialmente ao nível metodológico. De fato, pode-se observar
que as abordagens utilizadas em I.A. e em Psicologia Cognitiva apresentam
certas limitações que a análise ergonômica do
trabalho é suscetível de ultrapassar.
A modelagem cognitiva, com simulação em computador, foi abordada
de dois pontos de vista, metodologicamente distintos:
(1) A abordagem tirada da Psicologia Cognitiva se desenvolve segundo as seguintes etapas: levantamento de dados experimentais, elaboração de uma teoria explicando os resultados, elaboração de um programa computacional e sua simulação com os dados experimentais.
(2) A parte "cognitiva" da I.A. adota uma abordagem indutiva. As
decisões tomadas baseiam-se essencialmente sobre critérios
de "necessidade indutiva" e de coerência interna do sistema. A fase
da simulação vem a confirmar ou refutar estas escolhas.
A Psicologia Cognitiva, seja aplicando uma abordagem experimental clássica
com validação estatística dos resultados, seja utilizando
a simulação por computador para testar seus modelos, geralmente
se interessa por situações simplificadas, "controláveis",
e tenta, posteriormente, generalizar os resultados obtidos em laboratório,
a situações reais. No entanto, a Inteligência Artificial
baseia, geralmente, suas escolhas concertas, na intuição do
pesquisador, fora de qualquer fonte de dados.
A partir dos métodos de análise da atividade, em
situação real de trabalho, que a ergonomia desenvolveu, pode-se
oferecer uma alternativa apreciável às duas abordagens de
concepção, levantadas anteriormente. Ela deve, notadamente,
permitir propor uma resposta ao problema de subdeteminação
pelos dados, que caracteriza certos simuladores cognitivos. Nota-se que a
abordagem da análise ergonômica do trabalho é,
particularmente, bem adaptada a problemática da simulação
cognitiva.
Outra contribuição chave da ergonomia cognitiva nas pesquisas
do comportamento humano é o desenvolvimento de simulações
e paradigmas na modelagem cognitiva. Estes são necessários
no desenvolvimento de Sistemas de Apoio à Decisão (S.A.D.)
e em sistemas interativos para treinamento e reciclagem do pessoal.
Nestes dois campos, as técnicas computacionais avançadas (lógica difusa algoritmos genéticos, programação orientada por objetos, etc.) e as simulações de ambientes de trabalho têm permitido um avanço considerável. Desta forma, o modelo comportamental do operador permite uma abordagem para melhorar o desenvolvimento das ferramentas de apoio à decisão e o desenvolvimento de programas de treinamento aos operadores que gerenciam plantas complexas. O problema no campo dos S.A.D. surge quando nenhum operador ou sistema é confiável para realizar a detecção ou o diagnóstico de uma situação com absoluta certeza. Nestes casos, uma participação ativa, de um sistema cognitivo de um operador humano, pode levar a soluções úteis e rápidas, no processo de resolução de problemas pelo operador humano, controlando o sistema e do dispositivo artificial instalado no sistema da máquina. Desta forma, o sistema lida e tenta controlar a situação em condições incertas, reconhece os passos improdutivos baseados em Julgamentos limitados e aplica métodos curtos de raciocínio (baseados na cognição humana). Assim, o sistema alerta ao operador as considerações à tomar numa situação de acidente e os prejuízos que eles provocam. Logo, o sistema dialoga com o operador para engrandecer sua força cogitava e sua capacidade de resolução de problemas analógicos, raciocínio temporal e análise dedutiva.
O cenário, requer a eficácia de um modelo sólido e robusto
de cognição, que inclua um processo de raciocínio efetivo
para uma tomada de decisão eficaz. Estes elementos são fortemente
ligados aos mecanismos que buscam informação armazenada na
memória, assim como a estrutura da memória para armazenar os
fatos e eventos. Estes fenômenos, inseridos numa arquitetura cognitiva,
representam uma condição "limite" para o desenvolvimento de
um bom modelo de cognição. Neste sentido, o papel da psicologia
cognitiva é crucial para a geração de premissas
teóricas. Por outro lado, a representação dos processos
cognitivos, as considerações sobre a carga de trabalho e as
representações das estratégias utilizadas pelo operador,
na resolução de problemas e nas interações
homem-máquina, são as partes mais importantes que a ergonomia
cognitiva desenvolve na formulação de modelos cognitivos.
No gerenciamento de projetos de plantas e processos de controle, os aspectos da multi-disciplinaridade caracterizam à E.C. como uma disciplina formal e estável para aplicações práticas e benéficas em engenharia (por exemplo, as informações obtidas sobre os mecanismos detalhados envolvidos em funções humanas normais, e sobre os requisitos mentais e físicos necessários para poder desempenhar uma função).
4.3 A validação da simulação cognitiva.
Existem vários níveis de validação de uma ferramenta
de Simulação Cognitiva, critérios da engenharia, ou
a adequação descritiva e explicativa entre simulação
e dados empíricos sobre a atividade dos operadores.
A coerência e a capacidade de extensão do simulador está na invariância do modelo (primeiro nível). Isto quer dizer, se uma arquitetura cognitiva é corretamente definida no início do processo, ela deve poder receber novos módulos, sem que uma coerência global seja modificada.
Da mesma forma, sua utilização deve poder ser estendida a novas situações, sem que haja modificação fundamental de sua estrutura, implicando em definições a nível de base na escolha da arquitetura cognitiva e das modalidades de sua implementação.
A ferramenta deve levar em consideração os dados disponíveis sobre o funcionamento cognitivo humano, nas situações de controle de processo e, eventualmente, em outras situações. Ela deve levar em consideração o corpo de conhecimentos disponíveis (ao menos aqueles que estão solidamente estabelecidos) sobre a atividade cognitiva do operador humano. Estes conhecimentos não serão, forçosamente, limitados às situações específicas de controle de processos. Todavia, em outras situações, esses conhecimentos deverão ser considerados com certa prudência (segundo nível).
Esta ferramenta cognitiva terá a capacidade de poder predizer si es novas em função de suas experiências. Numa mesma situação, deve existir identidade entre o comportamento do simulador e o comportamento de um operador ou de um grupo de operadores. Esta identidade pode ser mais ou menos estreita: pode-se contentar em comparar os comportamentos manifestos (as ações observáveis) do operador e aqueles gerados pela ferramenta da simulação. Encontra-se aqui, um critério de eficácia privilegia para a avaliação de sistemas especialistas, onde enfoca-se, essencialmente, a capacidade do sistema em uma boa resposta a um certo problema, sem a necessidade de mostrar a forma como esta resposta foi fornecida.
A validação da simulação cognitiva é visualizada na simulação dos resultados experimentais. Isto é, na adequação descritiva e explicativa entre a simulação, e os dados empíricos da atividade dos operadores. A coerência e a capacidade de extensão do modelo representam um dos critérios de julgamento de sua justeza. A funcionalidade da arquitetura cognitiva é visualizada na simulação, porque nela é permitido variar os parâmetros de uma determinada situação de trabalho (por exemplo, as características da informação, a natureza dos procedimentos, a disponibilidade da informação, etc.) e testar de uma forma dinâmica o modelo da atividade (Salembier & Pavard & Benchekroun & de Medeiros, 1990). Esta possibilidade é teoricamente possível ao declarar os objetivos e as funções específicas da simulação (por exemplo, no tratamento da informação, na elaboração e avaliação de uma estratégia, na tomada de decisão de um problema, etc.).
Outro critério de validação é a
comparação das etapas de raciocínio verbalizadas pelo
operador (funcionamento cognitivo humano), numa situação de
trabalho com as diferentes partes representadas numa arquitetura computacional.
Estes conhecimentos, armazenados na memória do simulador, não
são fortemente limitados a certas situações
específicas (resolução de problemas, por exemplo), eles
declaram e examinam as hipóteses do sistema e testam a validade dos
comportamentos registrados observados.
Pode-se dizer que a simulação cognitiva é um paradigma
nas ciências cognitivas. Ela é motivada pela necessidade de
engrandecer o domínio de aplicação da psicologia cognitiva
às situações reais. Nesta perspectiva, ela integra
vários campos de pesquisa tais como: a psicologia (análise
dos raciocínios), a ergonomia (a aplicação dos métodos
de análise do trabalho) e a Inteligência Artificial (por exemplo,
os formalismos na representação dos conhecimentos).
Por outro lado, foi mostrado também, os diferentes modelos cognitivos
construídos com a finalidade de evidenciar e simular o comportamento
humano na realização de uma tarefa. Neste sentido, observa-se
que os modelos mais influentes da psicologia cognitiva, utilizam um formalismo
oriundo da matemática (modelos estocásticos), da lógica
(lógica proporcional, lógica difusa, etc.) e sobretudo da
informática (Inteligência Artificial).
Enfim, foram apresentadas as diferentes considerações na modelagem
do comportamento humano, a utilização do simulador cognitivo
e como esta pode ser validada nos estudos de contabilidade.