SEGUNDA PARTE - O QUADRO TEÓRlCO DO MODELO

Capítulo 2 O quadro teórico.

1. Introdução.

O quadro teórico do modelo repousa em grande parte na teoria da cognição desenvolvida por Schank (1982): uma teoria da lembrança e aprendizagem. O quadro teórico proposto por Schank é principalmente orientado à solução de problemas por meio de analogias usando problemas (histórias ou exemplos práticos transformados em casos) previamente resolvidos. Isto envolve organizar, armazenar e recuperar informação da memória para, posteriormente, por meio de regras estratégicas, reconstrui-las.

A similaridade (de objetivos, por exemplo) tem um papel importante nesta teoria de resolução de problemas humanos. Esta teoria resolve problemas reunindo as características específicas de experiências passadas. Assim, um problema chega a ter uma solução quando suas características são reconhecidas como similares às características de um problema conhecido, de forma que, uma nova solução é encontrada ou gerada.

O objetivo deste capítulo é apresentar e explicar alguns conceitos teóricos básicos, que posteriormente serão utilizados e que justificam o desenvolvimento do trabalho. Estes conceitos consideram a atividade cognitiva do operador numa situação complexa de trabalho. Eles são desenvolvidos segundo o que entendemos por atividade e mais precisamente, como atividade cognitiva, situação e complexidade de trabalho.

Segundo Falzon (l986), um esquema é a união organizada de objetivos ou variáveis que podem representar diferentes ações a realizar (estados a atingir). Dentro de um esquema são associados uma grande quantidade de informação que definem uma situação e, um conjunto de valores restringem as variáveis definidas. Estas restrições são especificadas para cada variável do esquema. Elas têm duas funções importantes:

(1) O estabelecimento das ligações entre as características de uma situação determinada, e assegurar que a aplicação do esquema armazenado na memória possa ser aplicado a uma determinada situação específica.

(2) A inferência dos dados ausentes quando as entradas não são especificadas. Assim, valores por "default" podem ser utilizados.

Também, podemos atribuir duas funções principais aos esquemas, a partir do tratamento da informação e da produção de inferências:

(1) Uma função cognitiva de ajuda a compreensão das situações.

(2) Uma função que guie uma ação a realizar.

Os esquemas, teoricamente, se desenrolam em duas etapas:

i) Pela invocação do esquema. O processo de ativação dos fatos armazenados num esquema pode ser realizado pelas características de uma situação determinada (dirigidos pelos fatos) ou pelos esquemas já evocados (dirigido pelos conceitos).

ii) Pela ativação instantânea de um esquema. Um esquema ativado permite efetuar uma pesquisa dirigida pelas características da situação. Assim, ele desenvolve um processo de casamento entre estas e os fatos do esquema para logo proceder a substituir estes últimos. Esta etapa é dirigida pelos esquemas evocados.

No curso de tratamento de uma situação, estas duas etapas podem ser renovadas várias vezes. Em efeito, depois de recolher as informações, os esquemas são evocados na base dos dados incompletos, permitindo desta forma, iniciar rapidamente o tratamento. Um esquema evocado não constitue uma hipótese de interpretação que pode ser aceita ou rejeitada, em função da qualidade de sua adequação aos dados.

Schank (1982) observou que os esquemas não são armazenados em memória como tais. Eles são reconstruídos a partir das estruturas mais gerais e esquemáticas: os módulos de organização da memória (MOPs). A formalização destes módulos, concernente as estruturas e os processos cognitivos é representado na Fig. 1. Esta rede hierárquica teria um conjunto de esquemas relacionados e agrupados segundo suas diferenças (informação detalhada em Vergara, 1990B).

Figura 1. A formalização das estruturas e dos processos cognitivos.

As transformações dos esquemas, por meio da experiência, se produz com o curso da repetição de uma atividade (processo de enriquecimento). Anderson (1983) descreve estes processos em três etapas:

(1) Uma etapa declarativa, que corresponde a aquisição dos fatos brutos (do domínio a tratar), sob a forma de conhecimentos declarativos;

(2) Uma etapa de compilação dos conhecimentos que compreende dois processos:

- a composição, que permite encadear (de forma seqüencial) vários tratamentos e,

- os procedimentos, que permitem utilizar as regras de tratamento, sem evocar os conhecimentos declarativos.

(3) e, uma etapa procedural, que permite a utilização acelerada das regras de tratamento.

A atividade em análise, o controle da distribuição e manutenção da rede de energia elétrica, se situa num ambiente complexo e corresponde às atividades de diagnóstico, planejamento e de supervisão de sistemas. No entanto, o que é um ambiente complexo ? e, o que os pesquisadores têm proposto para determinar as atividades cognitivas em situações de controle de sistemas?

2.5 As situações de controle de sistemas.

Para Wood (1988), a complexidade não existe em si. Ele propõe tratar a complexidade considerando as características próprias do sistema e as representações feitas pelo operador na realização de sua tarefa. Também, ele afirma que a presença de vários operadores é um fator de complexidade em uma situação de trabalho (ver Fig. 2).

Figura 2. Os fatores que contribuem para a complexidade e a dificuldade na resolução de problemas (Wood, 1988).

De Keyser (1988) considera que a complexidade, nos processos contínuos, encontra-se no ambiente onde o operador executa suas tarefas. Este é composto por:

- muitas variáveis em interação;

- uma dinâmica temporal;

- objetivos poucos claros e por sua vez conflitivos e,

- em certos casos, riscos elevados.

Para Leplat (1988), a complexidade encontra-se nas interações entre a tarefa e o operador. Ele afirma que a complexidade depende da tarefa (por exemplo, as instruções mais ou menos finas para a realização da tarefa, o tempo de aprendizagem da tarefa, etc.), e das características do operador (por exemplo, as habilidades, a pluralidade do sistema cognitivo, etc.).

Assim, em situações reais de trabalho necessitamos levar em conta o contexto no qual o operador se encontra e, localizar as ações e suas interações na resolução de problemas.


2.6 As situações de supervisão de sistemas.

Sheridan (1988) esquematizou todo um horizonte nas situações de controle de processo mais ou menos automatizadas.

A tarefa de controle da distribuição e manutenção da rede de energia elétrica e sua supervisão em relação ao esquema de Sheridan, não é realmente urna situação de controle de procedimentos, na medida em que não existe um produto a ser fabricado. No entanto, podemos pensar que esta será do mesmo tipo nas situações de controle de procedimentos.

Os modelos úteis da Engenharia Cognitiva são centrados nos processos de tratamento de informação elaborados pelo operador. O postulado subjacente esclarece que toda condução de um sistema de trabalho, em particular dos dispositivos de apresentação da informação, devem ser compatíveis com a estrutura da atividade cognitiva do operador e suas representações mentais, que eles têm usado para realizar sua tarefa (Pavard, 1991).

Os modelos de análise do desempenho humano, elaborados nesta corrente, estão baseados na análise dos processos de tomada de decisão. Isto é, uma situação de resolução de problemas. No problema a tratar, os operadores encontram-se nestas situações em todo momento. Estes são estados de solução na qual o operador representa a tarefa, sem dispor de um procedimento admissível para atingir um objetivo (Hoc, 1987). As características seguintes estão presentes nestes modelos:

(1) O comportamento do operador está representado por uma seqüência de tratamentos que são geralmente: a supervisão e tomada de informação sobre o estado do sistema, a interpretação destas informações, a planificação e execução das ações a tomar, e finalmente, a avaliação dos resultados destas ações.

(2) Em situação de resolução de problemas, o operador funciona num nível de conhecimento diferente do normal. Por exemplo, nesta situação, o operador utiliza conhecimentos sobre os princípios estruturais e funcionais na base do sistema (conhecimentos superficiais), e conhecimentos gerais (conhecimentos profundos).

O conhecimento superficial é de tipo declarativo e corresponde ao conhecimento de "saber fazer". Este conhecimento é adquirido pela experiência e não permite concluir (limitação) em casos complexos, porque seus coeficientes de plausibilidade utilizados, em casos de incerteza, são poucos interpretáveis. Por outro lado, o conhecimento profundo corresponde ao conhecimento do "saber", isto é, um conhecimento do tipo analítico, proveniente de teorias, princípios básicos e axiomas. Estes são precisos e permitem fazer boas conclusões em casos difíceis.

(3) São preditivos a erros humanos.

Conforme a situação, um operador dispõe ou não de um procedimento para tratar o problema. Rasmussen (1974, 1984, 1988) desenvolveu um modelo do processo de tomada de decisão. O modelo inclue uma análise cognitiva da tarefa de supervisão de uma atividade. Ele considera o nível de formação e de experiência do operador na construção do modelo (ver Fig. 3). Segundo este modelo a seqüência de tratamentos é a seguinte:

(1) A ativação do operador é provocada pela necessidade de adquirir informação antecipadamente do sistema;

(2) A ativação conduz o operador a observar e recolher a união dos fatos;

(3) Os fatos analisados identificam o estado do sistema;

(4) A partir desta identificação, as evoluções possíveis do sistema são avaliadas em referência com as suas exigências. Isto é, a avaliação será uma funçâo dos objetivos específicos e gerais do desempenho do sistema;

(5) Em função desta avaliação, o estado objetivo do sistema é escolhido;

(6) Para atender este estado objetivo, o operador define uma ou várias tarefas que devem cumprir em função dos recursos e meios que têm a sua disposição;

Os procedimentos necessários para a realização desta tarefa são determinados, planificados e executados.

Figura 3. O modelo ed funcionamento do operador (Rasmussen, 1974)

Seis etapas principais podem ser distinguidas neste modelo:

(1) Detecção: O operador toma conhecimento de uma anormalidade de um incidente, de um desvio em relação à situação "estabilizada", considerada normal.

(2) Discriminação: Fase de aquisição seletiva de informações. O operador focaliza sua atenção sobre os valores assumidos por certos parâmetros e sobre sua evolução.

(3) Diagnóstico: O operador tenta atribuir um significado aos dados da situação que ele julga pertinente e interpreta o estado do processo.

(4) Resolução de problemas: Quando o diagnóstico foi estabelecido, o operador examina, em função dos objetivos preestabelecidos e de um certo número de outros critérios (características da situação, avaliação do custo de alternativas, etc.) as estratégias a serem desenvolvidas.

(5) Tomada de decisão: O operador escolhe uma estratégia de ação e planifica sua atividade de maneira a atingir o objetivo que ele fixou.

(6) Ação: O operador executa seu plano de ação e controla o resultado de sua atividade.

Estas etapas podem ser realizadas simultaneamente. No entanto, todas elas não necessariamente são ativadas, elas dependem da experiência do operador.

Um ponto de vista avançado para diferenciar a natureza dos tratamentos elaborados pelo operador, em situações conhecidas ou problemáticas, são os tipos de conhecimentos evocados, quando uma situação é reconhecida como familiar. Desta forma as regras apropriadas são ativadas e executadas no tratamento desta situação . Em caso contrário, quando uma situação é desconhecida (pouco familiar), ou pouco estruturada (incerta), o operador constrói um procedimento de resolução de problema apropriado, ao problema apresentado, utilizando os conhecimentos gerais.

Do modelo seqüencial de tomada de decisão, Rasmussen (1984) derivou um segundo modelo, que leva em conta os processos de tratamento da informação do operador. Estes processos são hierarquizados em três níveis. Estes são: o comportamento baseado nas habilidades ("Skill-Based Behavior"), o comportamento baseado nas regras ("Rule-Based Behavior") e o comportamento baseado nos conhecimentos ("Knowledge-Based Behavior") (ver Fig. 4).

Figura 4. o processo de tratamento da informação elaborado em função dos níveis de comportamento (Rasmussen, 1984)

O nível de comportamento inferior está baseado nas habilidades dos processos sensório-motores altamente automatizados. Este é realizado (sem controle consciente) por um processo cognitivo de ordem superior. O operador atua da mesma forma que um sistema de controle contínuo sobre a união de várias variáveis ou sinais espaço-temporais. Isto é, o comportamento é totalmente automatizado, da observação à execução, sem nenhuma etapa intermediária, de interpretação e de planificação.

O nível intermediário, baseado em regras, leva em conta o comportamento do operador no reconhecimento de situações. Neste nível, são associados às regras dos especialistas ou às instruções prescritas pela organização do trabalho. Isto é, a pessoa tem um comportamento superficial. O conhecimento é feito por associações: "situação/ação". Assim, as informações tratadas são estereotipadas correspondendo aos estados, eventos, tarefas, etc. Quando as regras não podem ser utilizadas para tratar uma situação, o operador é conduzido a funcionar no nível superior a fim de formular um plano apropriado às características da situação.

O tratamento da informação no nível superior é "laborioso" e necessita de todas as etapas do processo de tomada de decisão. Cada etapa depende dos resultados de sua precedente. Segundo Rasmussen (1984), os operadores tratam neste nível, das informações na base de uma representação explícita (modelo mental), da estrutura e do funcionamento do sistema em controle.

Enfim este modelo mostra os diferentes níveis de comportamento do operador, quando ele é confrontado em uma situação conhecida (o operador seleciona certas regras pertinentes em relação ao problema), ou em uma situação desconhecida (o operador recorre a seus conhecimentos sobre os princípios estruturais e funcionais do sistema, ou sobre as leis da física).

3. O Ambiente humano.

O objetivo desta sub-unidade é descrever as principais características do ambiente que influenciam nas atividades do operador num posto de trabalho.

Em Psicologia do Trabalho e Ergonomia, existem numerosos estudos sobre a atividade humana em situação de trabalho. Estes estudos abordam múltiplos temas corno contabilidade humana, planificação temporal, resolução de problemas, etc. Há muito interesse nos aspectos da interface homem-máquina e da cooperação entre homem-sistema. No entanto, poucos estudos têm levado em consideração os diferentes aspectos na dimensão coletiva e Hoc (1990), observa que realmente existem poucos trabalhos sobre a cooperação homem-homem.

Para trabalhar na dimensão coletiva e necessário passar por uma análise granulométrica mais fina e, é necessário responder a perguntas como: quem ? (são as pessoas), porque fazem ? (tais tarefas) e a partir de que ? (qual é o princípio). Por outro lado, na concepção cognitiva é necessário responder: como os operadores adquirem o controle de suas habilidades ? Como os operadores podem detectar e diagnosticar? Que espécie de informação pode auxiliar ao operador ? etc.


3.1 A célula dinâmica do trabalho.


Para chegar a estes limites, podemos apresentar a noção que permite levar em conta as pessoas envolvidas nas tarefas que executam. Fala-se da Célula dinâmica do trabalho, cuja definição (Courtex, 1991) é a seguinte:

- ela se define a partir da missão M;

- ela agrupa um ou vários operadores;

- o número de elementos formando esta união é variável;

- os operadores que formam esta união têm funções próprias não necessariamente ligadas à M;

- elas participam na execução de uma missão M, em função das solicitações humanas e/ou materiais;

- as intervenções podem ser de natureza diferente: interpretação e transmissão de informação, ações da demanda, etc.

3.2 A intervenção.

Esta noção permite identificar as pessoas envolvidas e descrever suas relações funcionais (ação, informação, etc.). Ela não leva em conta os meios utilizados para realizar a missão. De outro lado, ela não permite a apreensão dos processos cognitivos ativados, nem faz referência à noção da missão. De fato, a missão depende dos diferentes tipos de tarefas.

3.3 Os tipos de tarefas.

Segundo Savoyant (1983), a atividade de um equipe pode (ou não) ser uma atividade coletiva. Assim, pode-se dividir as atividades da célula ca do trabalho em tarefas, de acordo com a necessidade (ou não) de uma atividade coletiva.

(1) As tarefas individuais que não necessitam da atividade coletiva podem ter origens diferentes (por exemplo, as tarefas suscetíveis de serem realizadas por um indivíduo ou as tarefas de especialistas).

(2) As tarefas coletivas que necessitam das atividades coletivas e podem ser de origens diversas exemplo, as tarefas que incluem vários campos de conhecimento. Isto exige especialistas de diferentes disciplinas e tarefas que necessitam coordenações espaço-temporais).

3.4 A coordenação e os conhecimentos.

Na coordenação pesquisa-se os processos cognitivos que são evidenciados numa equipe de trabalho na realização de uma tarefa.

Savoyant (1977) pesquisou como passar da atividade individual à coletiva. A noção central é a coordenação interindividual, porque a característica manifestada é a comunicação verbal e a não verbal (Daniellou, 1983; Pavard, 1991).

Coordenar é ligar uma ação de um sujeito a outra ação de outro sujeito. Esta é uma noção interessante do ponto de vista metodológico, porque nela se manifestam as idéias, os juízos e os conhecimentos do operador. Assim, para coordenar, são necessários os conhecimentos específicos. Em particular, os conhecimentos de um operador sobre os conhecimentos de outro.

Segundo Kreckel (1982), a partir desta interação pode-se construir um conjunto de conhecimentos. Ou seja, neste processo existe uma transformação dos conhecimentos individuais em conhecimentos compartilhados.

De fato, os conhecimentos compartilhados são relativos aos conhecimentos de fenômenos, processos, causalidade de fatos, etc. Estes correspondem aos conhecimentos teóricos. Por outro lado, a parte operativa é referida aos conhecimentos processuais ou modos operativos. Estes são considerados como conhecimentos práticos e funcionais.

4. A simulação por meio de casos.

4.1 Uma teoria integrada na resolução de problemas.

Um dos objetivos da I.A. é de proporcionar ferramentas formalizadas para registrar os conhecimentos e as heurísticas dos sistemas cognitivos. Isto é, sistemas ,computacionais que representem o modelo de funcionamento e que manifestem o comportamento do sistema cognitivo dos seres humanos na realização de uma determinada atividade. Por outro lado, a simulação deste sistema permitirá reproduzir o comportamento observado.

Muitos pesquisadores têm tentado construir o modelo do comportamento humano segundo a perspectiva behaviorista, por exemplo, decompondo todos os comportamentos do operador em uma seqüência de fatos elementares ou subtarefas e logo alocar a cada um destes, uma certa probabilidade de erro. Este tipo de abordagem eficiente em termos de quantificação, tem sido questionado por muitos autores (Reason, 1990, de Keyser, 1987; Rasmussen, 1984), principalmente na base das considerações Psicológicas. A perspectiva da modelagem cognitiva, considerada como um avanço no campo da cognição, trata o modelo do processo mental como o motor do comportamento do operador em uma maneira de determinística, combinando considerações psicológicas de lógica formal e as teorias de tomada de decisão (Rasmussen, 1988; Bersini & Cacciabue & Mancini, 1988; Wood & Roth & People, 1987A).

Por outro lado, Almalberti (l990, 1991A/B) declarou, em seus estudos com os pilotos de aviões de combate, que só uma mínima parte do raciocínio humano é feita de forma algorítmica. Ele mostra que no processo de resolução de problemas, o piloto não tem tempo para resolver seus problemas com regras de produção. Ele supõe que existem mecanismos adaptativos na preparação de um plano de ação e na estruturação mesma dos esquemas, que permitem para um grande número de situações, uma resposta pertinente e rápida. Da mesma forma, coincidem com esta hipótese, Gaillard (1989), em seus estudos do controlador do tráfego aéreo e, de Keyser (198 I) no estudo da contabilidade humana em processos contínuos de Centrais Termoeléctricas e Nucleares.

Mas, normalmente a solução de um problema depende da relativa significância dos fatores do contexto e, muitas vezes, os métodos estatísticos e analíticos não são os mais efetivos (Ashley, 1989A). Por exemplo, especialistas acreditam que uma certa característica pode ser mais importante que outra e, raramente, eles podem dar pesos numéricos ou probabilidades para expressar suas diferenças, mas eles estão sempre cientes da possibilidade que em algumas combinações de características, o oposto pode ser verdadeiro e a menor característica pode ser a mais significativa. Assim, um terceiro método, simbólico, pode tratar este problema citando ou recuperando casos precedentes (Ashley, 1991; Hammond, 1990; Riesbeck & Schank, 1989- Kolodner, 1989A/B).

Na realidade, seguindo a perspectiva da modelagem cognitiva, é mais exato pensar que muitas pessoas com exponencial ("especialistas"), a diferença dos novatos, resolvem seus problemas do dia a dia, envolvendo situações passadas similares (Elio & Scarf, 1990, Riesbeck & Schank, 1989; Gentner, 1989; Seifert, 1989- Kolodner, 1987A, 1983B). Assim, lembrar de experiências ajudam as pessoas, ou os operadores de um posto de trabalho, na solução de seus problemas, antecipando e evitando erros, e derivando métodos de raciocínio curtos.

Existem muitas evidências de que os especialistas confiam excessivamente em sua memória de casos passados, quando resolvem problemas em domínios, tais como em leis, em matemáticas, na física, na medicina, em desenho e em planejamento estratégico (Kolodner, 1991; Riesbeck & Skalak, 1991; Branting, 1991; Ashley, 1991; Hammond, 1990), e este processo de raciocínio é importante porque faz predições no entendimento (Schank, 1982) e na aprendizagem (Ross, 1982). Este fato é realmente o foco de um sistema usando CBR (Raciocínio Baseado em Casos) e, ele constitue o quinto maior paradigma da pesquisa em aprendizagem de máquinas. É a abordagem do raciocínio por analogia.

A abordagem do Raciocínio Baseado em Casos emerge rapidamente da tecnologia da I.A., que pode usar as experiências (casos ou histórias) para resolver problemas comuns. Usamos este tipo de raciocínio como testemunha, porque isto corresponde ao processo que usam os especialistas para resolver problemas amplamente e com eficiência (Barletta, 1991).

O processo de um sistema CBR consiste em usar os resultados de episódios passados (casos) para analisar ou resolver um problema novo. O sistema pode adaptar soluções passadas às novas demandas, usando suas experiências para explicar novas situações, para criticar novas soluções, para interpretar novas situações, ou ainda, para criar uma justa solução a um problema apresentado (Barletta, 1991 - Hammond, 1990; Kolodner, 1989A/B; Riesbeck & Schank, 1989).

Esta abordagem é útil quando o conhecimento é incompleto ou as evidências são difusas. Os sistemas lógicos têm problemas tratando com ambos, porque eles procuram suas respostas em fatos conhecidos e corretos. Os sistemas de I.A. usam fatores e métodos de raciocínio incertos para calcular estes problemas, que exigem considerável esforço de cálculo, e nada é visto de razoável (Kolodner, 1991). Os sistemas CBR têm um método, tratando o conhecimento incompleto. Isto é, o sistema CBR faz hipóteses para preencher o conhecimento incompleto, ou errado, baseado na sua experiência. Soluções geradas desta forma podem ser sempre ótimas ou precisamente justas (Ashley, 1991; Kolodner, 1983A, 1991 Lebowitz, 1986).

A analogia de casos manifesta que as regras, ou os princípios de uma determinada atividade, podem ser facilmente aplicados à outras situações similares. As experiências, em processos com incidentes, podem mostrar à pessoa que toma decisões traços de antecipação (alertas, "warning"), quando um curso de ação é implementado e, assim sugerir um plano de ação (Kolodner, 1991). Klein et al. (1988), demonstraram que os métodos baseados em casos são muito mais confiáveis que as predições não estruturadas com traços não conhecidos.

Os sistemas CBR utilizam o método de raciocínio baseado por analogia. Segundo pesquisas recentes, este é um meio de raciocínio que utiliza casos passados ou experiências em um esforço para resolver problemas, explicando situações anômalas ou interpretando situações. Na atualidade existem muitos programas que usam o raciocínio baseado em casos para resolver problemas ou interpretar situações. MEDIATOR (Simpsom, 1985; Kolodner & Simpsom, 1988) e PERSUADER (Sycara, 1987), por exemplo, usam casos para resolver disputas. JULIA (Kolodner, 1987; Hinrichs, 1988, 1989), CLAVIER (Barletta & Hennessy, 1989) e KRITIK (Goel, 1989- Goel & Chandrasekaram, 1989) usam o raciocínio baseado em casos, para desenho. CHEF (Hammond, 1986, 1989) e PLEXUS (Alterman, 1988) são planificadores baseado em casos. HIPO (Ashley, 1988; Ashley & Rissland, 1987) é um raciocinador baseado em leis. CASEY (Koton, 1988), PROTOS (Bareiss, 1989), CELIA (Redmond, 1989) e MEDIC (Turner, 1989) usam o raciocínio baseado em casos para realizar diagnósticos. (citado por Kolodner, 1991; Riesbeck & Schank, 1989).

Os principais critérios que afetam na construção destes sistemas são a estrutura da base de conhecimento e a forma de chegar as conclusões, exemplos, contraexemplos e recomendações, e de outro lado, aos fatores psicológicos do operador na realização de sua tarefa. Isto é, as diferentes formas de organizar o conhecimento e, os critérios psicológicos que representam os comportamentos do operador no processo de tratamento da informação.

Um pré-requisito para aprender e usar a experiência é a capacidade de recuperar experiências relevantes aplicáveis a uma situação nova. A estrutura da memória que se considera mais adaptada para este tipo trabalho está baseada na teoria dos MOPs (Kolodner, 1983 A/B; Schank, 1982). Nesta teoria, os MOPs ou episódios generalizados (Schank, 1982) têm um conjunto de conhecimentos que contem experiências individuais. As experiências individuais, também, são indexadas nesta estrutura segundo as características que as diferenciam.

As características dos eventos usados para indexação não são explicitamente preditivas pelo episódio generalizado. Quando duas experiências deferem de um episódio generalizado na mesma forma, uma lembrança acontece (Kolodner, 1983 A/B- Schank, 1982). A analogia ocorre quando as predições baseadas num primeiro episódio são utilizadas para analisar um novo fato. Generalização ocorre quando dois episódios similares são compilados para formar um novo esquema na memória.

A lembrança acontece por meio de um procedimento transversal. Isto é, quando uma nova experiência e encontrada, apropriados episódios generalizados são escolhidos. Desta forma, as características que se diferenciam dos outros, no mesmo episódio generalizado, são extraídos e os índices associados com estas características são comparados. Neste processo, o caso novo direciona-se aos casos passados já indexados na memória, de forma que, estes casos, estão agora disponíveis para uma melhor avaliação.

Na estrutura da memória e no processo de resolução de problemas, a aprendizagem ocorre de três maneiras. O primeiro tipo de aprendizagem, é quando adicionamos novas experiências na memória. Como foi explicado anteriormente, quando um caso é encontrado, este é indexado numa estrutura apropriada da memória, por suas características que as (diferenciam de outros casos na mesma estrutura da memória. Assim casos passados são avaliados e indexados na memória por suas diferenças. Neste processo existe uma colisão de episódios ou uma lembrança de casos passados. Estes casos na memória são reutilizados por meio da lembrança no raciocínio analógico. Um caso passado reutilizado durante o processo de resolução de problemas pode sugerir uma solução para um problema comum, sem a necessidade de raciocinar do princípio (Kolodner, 1989A/B). Desta forma, aprender um caso resulta da habilidade de resolver um problema similar posteriormente. Quando um número grande de casos resolvem um problema, depois de uma série de falhas, uma solução é encontrada. Então, esta boa solução pode ser aplicada a um caso novo similar. O registro na memória e o uso deles no processo de resolução de problemas pode ajudar a evitar posteriores falhas. Outros dois processos surgem do processo da aprendizagem, estes resultam do refinamento e da modificação de um domínio específico e do conhecimento estratégico já na memória: a generalização por similaridade e a explicação por falhas. Ambos processos ocorrem numa estrutura de resolução de problemas.

Generalização por similaridade (Kolodner, 1983A) ocorre quando vários casos, aplicados ao mesmo episódio, casam características não encontradas nesta classificação. Nesta situação um conceito novo é criado pelo casamento de características. Estes conceitos são uma generalização das características do caso e uma especialização da classificação original. Assim, quando um conjunto de pacientes diagnosticados de depressivos e, também, com problemas no coração, respondem ao mesmo tratamento, uma generalização pode ser feita. A medicação aplicada é um bom tratamento para ambos problemas. Estas generalizações de episódios são indexadas na memória para seu posterior uso. Isto é, estes episódios são indexados pela nova generalização e pelas novas características que as diferenciam.

Claro, o processo de fazer generalizações é muito difícil, porque e necessário escolher as características comuns de um conjunto de casos.

Em particular, algumas características importantes podem ser deixadas de serem usadas, porque alguns atributos são muito específicos ou generalizados. Tais generalizações devem ser seguidas e refinadas quando casos similares posteriores são encontrados.

Num sistema, a aprendizagem ocorre como resultado dos eitos incorridos e, avisos são necessários para explicá-los (Schank, 1982). Quando uma hipótese ou um conhecimento é violado (uma regra, por exemplo), os erros trabalham como são esperados. Assim, uma explicação para este erro é encontrado e uma porção de conhecimento deste é modificado. Quando um erro é encontrado e explicado na memória é necessário ponderar todos os dados que se encontram na mesma. Assim, quando uma segundo erro ocorre numa situação similar, o índice serve como gula para encontrar o episódio falho. Neste caso, um procedimento a ser evitado é encontrado.

A combinação destes dois métodos de aprendizagem e a exigência para casos passados similares obrigam a indexar os casos por dois tipos de características:

(1) Estas que descrevem o caso passado tentando resolver o problema, e

(2) Estas que descrevem um caso de resolução de problemas.

As características que descrevem um caso passado incluem planos de ação que foram testados e, os resultados do exame (uma descrição completa do resultado do ambiente, por exemplo), no caso de uma falha ou uma explicação do por que uma solução original não trabalhou é editada.

O processo de aprendizagem descrito, prevê um conhecimento generalizado e casos passados são usados para avaliar o caso apresentado. O processo pelo qual um conhecimento é transferido de um caso passado para um corrente, é chamado de raciocínio analógico por similaridade.

Para entender algo, o primeiro a fazer é pesquisas em nossa estrutura de memória um conhecimento (um cenário, por exemplo), que interprete esta situação. Os melhores cenários na memória são os mais específicos com respeito ao problema que estamos examinando para entendê-lo. Para encontrá-los é necessário primeiro escolher uma estrutura de conhecimento aplicável à situação (um episódio generalizado, por exemplo). Desta forma, este episódio generalizado é colocado nesta estrutura hierárquica, usando as suas características como índices. Neste processo, casos passados similares e episódios generalizados aplicáveis na hierarquia são encontrados.

Devemos imaginar, contudo, que a integração de uma e de memória e o processo da lembrança caminham juntos no processo de resolução de problemas. O processo de pesquisar informações numa memória produz o encontro de relevantes estruturas de conhecimento ou casos passados, tomando-se disponíveis para seu processamento.

Em geral, a analogia de casos passados serve para muitos propósitos no processo de resolução de problemas. Uma experiência trazida a mente, por um problema comum, pode ser útil em algumas das seguintes tarefas na solução de um problema:

(1) Este pode ajudar num problema de classificação produzindo características adicionais a serem investigadas ou apontando alternativas de classificação (problema de diagnóstico).

(2) Este pode ajudar no planejamento, sugerindo procedimentos ou cursos de ação a serem seguidos ou evitados.

(3) Este pode sugerir uma explicação, ou detectar uma falha.

Raciocínio baseado na classificação de casos.

Classificar situações é uma forma de entender. Em raciocínios médicos, isto significa determinar uma categoria de conhecimento na qual um paciente se encontra. Em geral, classificar situações significa encontrar os esquemas mais aplicáveis na memória do conhecimento, que está sendo compreendida. Esquemas escolhidos durante o processo de entendimento providenciam predições para utilizá-los neste processo (Schank, 1982). Escolher uma categoria de diagnóstico, por exemplo, mostra um tratamento apropriado a ser seguido em medicina. Na solução de um problema, esquemas adaptados (esquemas generalizados, por exemplo) fazem predições acerca de possíveis estratégias de resolução de problemas.

Para resolver um problema é necessário entendê-lo. Em um sistema computadorizado os detalhes não apresentados, de um problema, devem ser preenchidos através de um processo de ingerência ou de um conjunto de perguntas formuladas por este. Assim, desde que uma classificação é escolhida, as características não encontradas para o caso corrente são utilizadas para atravessar a estrutura episódica da memória. Desta forma, esquemas específicos e casos particulares são encontrados. A analogia de um caso passado tem duas funções na classificação ou no processo de entendimento:

- sugerindo características adicionais a serem investigadas;

- sugerindo uma alternativa ou uma classificação adicional.

O primeiro passo para entender um problema é fazer hipóteses que possam descrevê-lo. Um médico, por exemplo, pode elaborar hipóteses a respeito das perturbações de um paciente por seus sintomas apresentados. Isto é, num sistema onde estão representadas as hipóteses de um problema, a máquina de inferência baseada em casos pode ajudar a verificá-las e diagnosticar seu estado. A idéia é integrar um caso comum, com hipóteses de episódios generalizados, causando desta forma, as lembranças (recuperação dos casos passados). Assim quando um caso não tem os detalhes necessários, para verificar um esquema hipotético e, um caso recuperado inclue estes detalhes, a idéia é transferir estes detalhes ao caso apresentado.

Neste tipo de raciocínio, os casos "precedentes", são usados para encontrar uma nova solução (em uma análise de interpretação, os resultados podem ser a favor ou contra e, é possível apresentar um resumo da sensibilidade de alguns de seus fatores) e, justificar e explicar a racionalidade do processo.

Em geral, este estilo de raciocínio é útil para uma situação de classificação; avaliação de uma solução; argumentação; justificação de uma solução, interpretação de um plano de ação; e a projeção dos efeitos da tomada de decisão.

Este raciocínio usa casos para justificar soluções, mostrando sua avaliação, quando os métodos usados e a interpretação das situações não são claras, quando as definições da situação são difusas ou incertas. Também, este estilo é útil quando não existem métodos computacionais disponíveis, para avaliar uma solução ou uma posição (Kolodner, 1991).

Raciocínio baseado em casos selecionando um plano de ação.

Quando um problema é entendido, um plano de ação deve ser formulado. Isto envolve um número de passos: selecionar um conjunto de planos de ação, avaliar e escolher as melhores alternativas e implementar o plano. Assim, a experiência pode ser útil durante alguns destes passos.

A experiência é útil quando sugere um plano de ação para aplicá-lo a uma determinada situação. Por exemplo, o tratamento de um paciente com bons resultados pode ser aplicado a outro com os mesmos sintomas.

O raciocínio por analogia é útil na avaliação da utilidade de aplicar um plano de ação a uma situação, com o objetivo de escolher entre um conjunto de alternativas. A avaliação de planos de ação envolve simular e avaliar os resultados das alternativas dos cursos de ação em relação as experiências passadas. O sucesso ou o fracasso de uma situação apresentada consiste em implementar um plano de ação em condições lares, usando uma métrica de avaliação deste potencial curso de ação. Experiências servem como exemplos na avaliação de uma alternativa.

Para sumarizar, as experiências podem ajudar no planejamento nas seguintes formas:

- sugestão de procedimentos a serem seguidos;

- sugestão de procedimentos a serem evitados;

- seleção dos meios para implementar um plano de ação e,

- predição dos resultados de um plano selecionado.

O plano de avaliação procura simular os resultados dos cursos alternativos de ação e sua respectiva avaliação. Esta avaliação é feita usando as experiências acontecidas. Assim, a simulação dos resultados de usar um plano de ação manifesta uma hipotética situação que pode ser similar a uma real.

Raciocínio baseado em casos no restabelecimento de erros.

A experiência também ajuda na explicação e no restabelecimento de erros. Planos de ação falhos podem acontecer por diferentes motivos. Em geral, seguir a pista para encontrar uma falha é difícil. Assim, quando uma experiência contém um conhecimento errado similar a do caso apresentado, este pode prover uma pista para esclarecer o erro no novo caso.

A solução de problemas errados ou com objetivos pouco claros, normalmente, aparecem como casos (ou planos) falhos, mas eles podem resultar das más interpretações iniciais, da fraca implementação de um plano de ação, das incorretas predições dos resultados, das novas ocorrências inesperadas ou da seleção de um mal plano de ação. Assim casos passados são importantes na interpretação e no planejamento (Kolodner & Simpson & Sycara-Cyranski, 1985).

O procedimento pelo qual uma falha permite o redirecionamento de uma pista ficar um erro em um caso comum se dá como segue: reconhecida a falha, a máquina de ingerência chama um erro similar passado. Logo, os índices correspondentes as características do caso, a escolha dos planos e as falhas são cruzados. Quando uma falha similar tem ocorrido previamente, a explicação desta atua como um guia para construir as hipóteses para explicar a falha comum. A lembrança de casos passados podem sugerir planos de ação para recuperar estes erros. Isto é, os planos de ação podem sugerir o objetivo real de um caso.

Podemos resumir que as experiências podem atuar no restabelecimento de erros, como segue:

- sugestão de uma explicação para uma falha;

- sugestão de uma nova razoável interpretação de um erro ou de uma falha, e

- sugestão de um plano de ação para restabelecer o objetivo real de um caso.

Por quê este tipo de raciocínio? O raciocínio baseado em casos é útil quando as pessoas conhecem uma porção de uma tarefa ou de um domínio e, porque proporciona a eles uma maneira de voltar a usar um forte raciocínio que eles fizeram no passado. Por outro lado, considerando um sistema baseado em regras que resolvem problemas, tomando uma informação de entrada (ou através de um diálogo, de perguntas e respostas, com o usuário), o sistema posteriormente encadeará um conjunto de regras, das regras bases, para chegar a uma determinada solução (ver Fig. 5). Assim, dada a mesma situação problema, o sistema faz a mesma quantidade de trabalho para chegar a mesma solução. Em outras palavras, os sistemas baseados em regras não são inerentes à apreender. Estes sistemas consomem muito tempo para serem construídos e poderem realizar sua manutenção. A extração dos conhecimentos dos especialistas é uma trabalho constante e estas são dependentes de um conjunto de regras.

Figura 5. O funcionamento de um sistema de raciocínio baseado em regras.

Por outro lado, os sistemas CBR operam de uma forma muito diferente dos sistemas convencionais (ver Fig. 6). Por exemplo, dada uma determinada especificação, um sistema baseado em casos pesquisa na sua memória a existência de um caso semelhante as características do problema. Assim o sistema vai procurar (a incerteza ou a Variabilidade dos objetivos decrescem quando são adicionados casos novos ao sistema) o melhor, caso ou um conjunto de casos, para poder dar uma solução ou recomendação ao problema.

Figura 6. O funcionamento de um sistema de rciocínio basead em casos.

Os sistemas baseados em casos devem encontrar e modificar pequenas porções de casos recuperados que não se encaixam nas especificações de entrada. Isto é chamado de adaptação de um caso. O resultado de adaptar um caso é a completa solução ao problema. Assim, este processo gera um caso novo que pode ser automaticamente adicionado à memória do sistema para seu posterior uso (a aprendizagem é uma paste básica da arquitetura do sistema CBR).

A idéia de utilizar sistemas CBR tomando decisões, baseadas em casos, consiste em elaborar sistemas computadorizados que ampliem as memórias das pessoas, provindo com casos ou histórias (análogas), para que estas possam ser utilizadas na solução de um problema.

Em geral, os sistemas baseados em casos são difíceis de serem construídos, porque a tarefa da engenharia de conhecimento consiste em simplificar os problemas, definindo termos e agrupando casos, pré-classificados pelo especialista (formalização das estruturas conceituais e informáticas) e, por outro lado, a tarefa de manutenção de adicionar um novo conhecimento é um pouco mais fácil quando os problemas se encontram em domínios específicos (Barletta, 1991 Kolodner, 1989A/B).


4.2 O domínio da abordagem de raciocínio baseado em casos.

Aprender de experiências é uma forma de assimilar conceitos (inteligência). Muitas pessoas que tomam decisões, frente a novos problemas, se beneficiam da experiência ao resolver um problema com soluções adequadas de casos ou de problemas passados.

A idéia do CBR depende da habilidade do sistema para comunicar e explorar a similaridade entre urna situação nova e algum caso ou história previamente representado na memória do sistema. A função da memória em tais sistemas é manter uma biblioteca de casos, representados e organizados, de tal forma que para um problema apresentado, um caso apropriado pode ser recuperado e seu raciocínio a ele aplicado.

As pesquisas realizadas em Psicologia sobre o processo de resolução de problemas por analogia, realizadas pelas pessoas, são estimuladas pelos sistemas CBR, na medida em que as pessoas tendem a lembrar situações que são de forte sentido explanatório ou de estruturas causais (Almalberti, 1990; Gentner, 1989; de Keyser, 1981). A questão é, do acesso à memória de longo termo, via emparelhamento das estruturas relacionais de alta ordem, ocorre pelos esquemas causais ou por planejamento de estruturas" (Schank, 1982).

Pesquisas em psicologia demonstram que existem quatro fatores fundamentais que podem promover um acesso analógico (Gentner, 1989):

(1) O contexto do objetivo. A suposição é que as pessoas têm um modo de memorização não natural. Ross (1982, 1989) evidenciou que as pessoas freqüentemente lembram problemas passados e, estas lembranças são freqüentemente baseadas em similaridades superficiais (por exemplo, entre os objetivos e as características de uma história), ao invés de similaridades estruturais;

(2) A recuperação intencional. Teorias psicológicas afirmam que no processo de resolução de problemas por analogia as pessoas usam mais a lembrança de fatos superficiais que estruturais;

(3) A codificação. Existe uma recuperação analógica quando a informação inicial a codificar é profunda. Faries e Reiser em 1987 observaram que sujeitos bem treinados ficaram aptos a fazer uma lembrança estrutural, apesar da presença de outros blocos de conhecimentos superficiais;

(4) A experiência. Um conjunto de pesquisas demonstram que especialistas podem ter lembranças estruturais.

Uma observação a estes fatores é que os pontos (3) e (4) conduzem a suspeitar que a recuperação de uma experiência baseada em similaridades por via estrutural, pode mostrar a forma como é codificado o problema original (Ross, 1989- Elio & Scharf, 1990). Assim, as três principais exigências propostas para que as partes de dois casos análogos tomem correspondência são (Thagard & Holyoak, 1989A/B):

- por similaridade semântica;

- por consistência estrutural e,

- por centralidade pragmática.

i) Similaridade Semântica. Numerosas experiências psicológicas demonstram que a recuperação de casos passados, realizados pelas pessoas, por analogia, são sensitivos ao grau de cobertura semântica entre os conceitos usados para representá-los na memória. Outras pesquisas, no processo de resolução de problemas por analogia, indicam que as pessoas são freqüentemente incapazes de lembrar situações semelhantes.

"A avaliação de fatos por similaridade é um fator central na solução de problemas inteligentes. Este processo abrange todos os aspectos do raciocínio baseado em casos na recuperação, na avaliação, na adaptação de uma solução e na aprendizagem".

O julgamento por similaridade semântica entre dois casos análogos deve ser realizado por suas riquezas semânticas e para identificar conceitos similares e não por ligação de predicados.

Fundamentalmente, a similaridade semântica de conceitos em analogia depende da:

* Representação dos conceitos pelo mesmo predicado e,

* Representação dos predicados que são similares em significado, em virtude de espécies super-ordinadas e subordinadas, relações, relações parte/todo, sinônimos ou outras relações semânticas.

A similaridade semântica usada pela memória humana, no processo de recuperação de experiências, é um caso especial. As ligações semânticas mostram o curso fundamental de uma informação. Entretanto, as similaridades entre os elementos de duas experiências análogas é uma pré-condição necessária, mais não suficiente, para o processo de recuperação.

Consistência Estrutural. A principal exigência da consistência estrutural é que os casos tenham urna ligação de um a um nos nós conceitos. Em segundo lugar, os casos devem ser ligados por meio de estruturas isomórfica. O isomorfismo depende da consistência da ligação de proposições, predicados ou argumentos. Isto é, dois casos são análogos, quando suas estruturas são semelhantes e podem dar soluções de formas diferentes.

A consistência estruturada pode ser igualada ao critério de unas dois casos.

SE duas proposições são comparadas.

ENTAO seus predicados e argumentos também devem ser comparados.

iii) Centralidade Pragmática. A analogia tem vários propósitos. Por exemplo, na resolução de problemas serve para ajudar a interpretar e acionar os objetivos de um problema.

Pesquisadores em I.A. têm argumentado que a relevância causal, para atingir o objetivo de um problema, influe na recuperação de um caso. Muitas destas propostas determinam que a indexação causal é a melhor forma pela qual as analogias são armazenadas e recuperadas na memória. A maior hipótese é que, as características dos objetivos obtidos devem ser generalizados. Neste sentido, a centralidade pragmática atua como uma pressão adicional para a similaridade semântica e a consistência estrutural. Por exemplo, no modelo de ligação de predicados ACME (Thagard & Holyoak, 1989A/B).

A teoria do CBR proporciona uma metodologia para construir sistemas e, formalizar um modelo cognitivo pessoas, coerente com as teorias psicológicas que têm observado como as pessoas realizam seu processo de resolução de problema. Assim, nota-se que em situações que mudam dinamicamente, ou desconhecidas, ou ainda com soluções pouco claras, este método de raciocínio é o preferido pelas pessoas (Klein & Calderwood, 1988).

Por outro lado, psicólogos têm observado que as pessoas têm várias dificuldades em realizar raciocínio analógico ou em utilizar o raciocínio baseado em casos. Ainda que, as pessoas sejam competentes usando analogias para resolver novos problemas, elas nem sempre são competentes para lembrar os casos mais precisos ou os mais exigidos (Kolodner, 1991; Gentner, 1989).

Pesquisas experimentais em psicologia demonstram que os seres humanos usam o raciocínio analógico, baseados em casos, em uma variedade de circunstâncias. Ross (1989), por exemplo, demonstrou que as pessoas aprendem novos conhecimentos ou habilidades quando, freqüentemente, se referem a problemas passados para "refrescar" a memória de como fazer uma tarefa. Outras pesquisas de laboratório demonstraram que médicos usam, de forma intensiva, casos passados para estabelecer um diagnóstico em um paciente, o que lhe permite selecionar as terapias quando várias opções são disponíveis e não estão bem entendidas. Pesquisadores também têm observado que arquitetos e projetistas chamam, fusionam e adaptam velhos planos de projetos para criar outros (Barletta & Hennessy, 1989- Branting, 1989- Kolodner, 1988, 1989A, 1991; Deugo & Oppacher, 1989; Seifert, 1989).

Na abordagem CBR, a memória contém um conjunto de casos individuais, a diferença das abordagens de "memória intensiva", que usam mais métodos numéricos ou estatísticos. O sistema CBR tem um conjunto de métodos próprios manipulando estas tarefas e um conjunto de resultados surgem da implementação destes métodos. Examinemos alguns destes métodos e suas utilidades.

4.3 Os fundamentos do raciocínio baseado em casos.

A utilização dos sistemas CBR envolve várias operações básicas. Assim, aceitando um caso, o sistema CBR procede da seguinte maneira:

(1) Recuperação dos casos relevantes da biblioteca da memória.

O objetivo deste passo é recuperar os "melhores" casos, que possam auxiliar o raciocínio que se produz nos passos seguintes. A recuperação é feita usando as características (índices) do novo caso que são relevantes na solução de um problema. Os casos recuperados da memória podem ser reais ou hipotéticos. Estes podem ser compostos por vários casos, elementos estereotipados ou específicos. As técnicas, neste passo inicial, são críticas e dependem da estrutura do caso na memória (a informação armazenada, os índices considerados, as noções de similaridades e relevância, e como será usado o caso quando ele é disponível num domínio). Existem diferentes métodos para estruturar e manipular uma memória "dinâmica". Por exemplo, por abstrações de níveis chamados TOPs ("Thematic Organization Packets", Schank, 1982), que conectam objetivos a casos soluções e pelo conceito da memória hierárquica ao estilo MOPs (Kolodner, 1983A/B) ou memória plana ("flat"): computando índices (por exemplo, usando os sucessos ou erros passados, os agrupamentos baseados em caraterísticas derivadas e os fatores estatísticos na solução de um problema).

Praticamente a noção mais avançada na representação de um caso, para registrar as descrições ocorridas casualmente dos processos de raciocínio ou da experiência episódica, é a teoria de Kolodner (1983B). Ela sugere que um caso é simplesmente uma porção de memória enriquecida e interconectada, mostrando uma aplicação de múltiplos episódios ou histórias para um problema simples (Alterman, 1989).

(2) Seleção do cavo ou dos casos mais promissores da coleção de casos recuperados no passo 1.

O objetivo deste passo é examinar um conjunto de casos relevantes na interpretação ou na solução a ser gerada no passo seguinte. A similaridade de casos depende de como os índices são ligados em cada dimensão e, da importância de cada dimensão. Por exemplo, o programa JUDGE (Bain, 1986) trabalha no domínio de sentença e criminal e determina como são duas disputas similares. A dimensão tempo, por exemplo, quando a disputa ocorre, não é importante, mais sim a justificativa dos autores. Na avaliação, o sistema CBR usa esquemas métricos ou rankeados, por exemplo, cobrindo as características preditivas ou declarando a importância destas, na orientação do raciocínio objetivo. A importância da interpretação de casos precedentes pelo sistema CBR é um trabalho com um selecionado grupo de casos mais relevantes. Pode existir um caso ganhador ou provavelmente não. Assim em cada uma destas linhas de análise é necessário aplicar uma determinar a estratégia.

(3) Construção de uma solução ou de uma interpretação para um novo caso.

Este passo produz uma solução, uma interpretação ou uma avaliação do novo caso, com uma justificativa e/ou apoio de argumentos. Durante este passo, uma solução é construída para o novo caso pela adaptação de soluções de casos passados. Este processo consiste de duas partes: primeiro, determinar quais são as diferenças entre o caso apresentado e o caso recuperado e, logo, modificar a solução armazenada no caso recuperado levando-se em conta estas diferenças. As regras utilizadas neste processo são complexas e, de uma maneira geral, difíceis de serem caracterizadas (Kolodner, 1991; Hammond, 1990). Casos passados são usados neste passo para advertir erros potenciais. Assim a máquina de inferência de um sistema pode antecipar e evitar problemas quando estes são encontrados. No sistema CBR, baseado na interpretação e precedência, os casos selecionados neste passo são usados para construir argumentos a favor ou contra uma determinada Interpretação. Isto é, o processo procura obter analogias "positivas", ligando fatos similares relevantes, em apoio do caso e, interrompendo anal 'as "negativas" incompatíveis.

O sistema recebe as informações de entrada, encontra uma solução passada relevante e adapta esta ao caso proposto.

(4) Teste e revisão do resultado do passo 3.

Em certos domínios no mundo real, como leis e política estrangeira, onde é impossível predizer todas as conseqüências de um plano de ação, diferentes soluções propostas devem ser testadas e criticadas. Uma maneira de realizar esta operação é mostrando "hipóteses" e "contra-exemplos", para testar a contabilidade de uma interpretação. Por exemplo, podemos construir um banco evasivo de argumentos (casos) que indiquem que a linha de divisão, entre as interpretações, é uma ilusão real e que as interpretações nos extremos podem ser mais claras que as encontradas no meio. Outra forma é usar a solução do caso proposto, para provar a memória quando os exemplos são conhecidos da solução proposta, ou quando alguma solução está errada. Uma última maneira, seria simular a solução e, posteriormente, verificar os resultados da simulação contra os resultados esperados. Esta fase é de grande importância, porque os resultados são decisões táticas. Isto é, ações úteis, robustas ou fracas na tomada de decisão.

(5) Avaliação dos resultados,

Neste passo, os resultados do processo de resolução de problema, são examinados no mundo real. Os fatos ou eventos acontecidos na realidade e as soluções da aplicação do sistema CBR são analisados. Assim, quando os resultados esperados são diferentes, é necessário realizar uma explicação destas anomalias. Este passo, requer de toda um conjunto de conhecimentos dignos de confiança e, uma atribuição de responsabilidades nos métodos de aprendizagem a partir de erros. Isto é, o sistema CBR fornece um método simples, explicando erros quando estes são encontrados. Desta forma, chamando um erro e sua explicação, é possível às vezes explicar novos erros. Este passo é um dos mais importantes para este tipo de sistema, porque proporciona à pessoa que resolve problemas, uma maneira de avaliar suas decisões no mundo real, e um meio de antecipação para evitar erros. Quando uma explicação não é possível, a máquina de inferência de um sistema baseado em casos mostra habilmente um aviso ou urna advertência ("warning").

(6) Atualização da memória por armazenamento de novos casos.

Neste passo, o novo caso é armazenado na memória para ser utilizado posteriormente. O processo mais importante que acontece neste tempo é a escolha das formas de indexar um novo caso na memória. Os índices devem ser escolhidos de tal forma, que o caso possa ser chamado, mais tarde, durante a análise de um outro caso no processo de resolução de problemas. Um processamento adicional será necessário para produzir um ajustamento na estrutura da memória em relação a "índices/organização".

Neste passo, o processo de aquisição de conhecimento é produto do processo de aprendizagem. Assim, quando um caso é adaptado a uma nova configuração, ou quando o resultado chega de uma combinação de soluções de casos passados, os passos exigidos para resolver outro problema não serão repetidos.

As etapas precedentes descrevem como é o ciclo básico da máquina de ingerência de um sistema baseado em casos (ver Fig. 7).

Figura 7. Diagrama de fluxo de um sistema CBR (segundo Riesbeck & Schank, 1989).

O sistema de aprendizagem a idealizar irá trabalhar com a seguinte premissa:

O sistema adaptará pequenas porções de soluções de casos ou histórias recuperadas às especificações de entrada ou ao problema proposto, gerando desta forma um caso novo que poderá ser adicionado na memória.

Esta premissa é semelhante a algumas considerações teóricas das Ciências Cognitivas, que evidenciam que os seres humanos agem automaticamente.

4.4 As características básicas na utilização destes sistemas.


As principais caraterísticas de um sistema CBR são: a seleção, a recuperação, a adaptação, a interpretação e a avaliação. As duas primeiras são as mais importantes e o resto são eficazes na medida em que as experiências ou os casos passados fazem seu trabalho. Assim, para resolver estes dois problemas é necessário que:

(1) Os casos sejam indexados na memória, de forma que eles possam ser recuperados com as características mais apropriadas do problema apresentado;

(2) O algoritmo de pesquisa deve usar eficientemente os traços do problema

proposto, porque estes são comparados com os traços do(s) caso(s) na memória; (3) De uma quantidade de casos recuperados da memória deve ser escolhido o(s) melhor(es) caso(s). Estes dois passos compreendem o processo de recuperação;

(4) A estrutura da memória deve ser organizada de tal forma que o algoritmo de pesquisa realize um bom trabalho.

4.4.1 A indexação.

A recuperação de um caso na memória é essencialmente um problema de pesquisa e esta situação obriga que os casos sejam indexados. A estrutura de um caso é uma função do domínio do problema (por exemplo, nas matemáticas, na física, etc.). Fundamentalmente, a indexação consiste em selecionar rótulos apropriados das caraterísticas de um caso. Desta forma, eles são guardados e recuperados da memória. Quando um caso é apresentado a um sistema e, nenhum dos casos armazenados têm uma similaridade exata, a máquina de ingerência do CBR faz uma ligação parcial com alguns dos casos na memória. Desta forma, o problema a ser resolvido é não polinomial. Realmente, a recuperação de um caso similar torna-se um problema crucial.

Um índice é um registro de entrada de alguma coisa e serve como uma guia para encontrar uma referência. A máquina de ingerência de um sistema CBR necessita estar apta a encontrar um índice de entrada e como aplicá-lo para alcançar um objetivo desejado. Por exemplo, os índices de entrada para as definições de palavras em um dicionário são palavras ordenadas alfabeticamente por facilidade de localização. Desta forma, na construção de um dicionário é assumido que o usuário, ao encontrar uma palavra, sabe como aplicar uma definição para seus propósitos.

Um índice para um sistema baseado em casos é um bom distintivo mas não e único.

O processo de indexação é central nos sistemas baseados em casos, porque este oferece a esperança de minimizar o espaço de pesquisa. Normalmente, nestes sistemas, um índice de entrada usualmente aponta um caso passado. Assim, a indexação apropriada da memória permite executar a tarefa dos sistemas de raciocínio baseado em casos ao observar situações passadas relevantes que levam a um resultado do problema.

Pesquisas no campo da cognição demonstram que a recuperação de um caso é influenciada pelo processamento da tarefa e o tempo de armazenagem. Casos passados são difíceis de serem recuperados quando os objetivos do armazenamento e o tempo de recuperação são diferentes (Pazzani, 1989). Esta situação, em modelos informáticos, implica que, para recuperar um caso com diversos propósitos é necessário indexá-los de várias maneiras e incluir uma descrição do contexto na codificação do índice. Assim, a criação de índices por técnicas baseadas em explicações mostram mais de um aspecto em um caso. Por exemplo, motivo_para_uma_invasão. Diferentes objetivos podem relatar o processo de aprendizagem explicando diferentes partes de um episódio. Por exemplo, para predizer o resultado de futuros acidentes é necessário explicar, por que acidentes passados ocorreram ou sucederam ? Assim, um evento indexado na memória serve como um precedente para realizar mais de uma tarefa.

Um caso é usualmente descrito usando traços intrínsecos ou prontamente perceptíveis. Tais características são chamadas de "superficiais". Uma característica intrínseca em um caso é uma referência definida exteriormente para o caso em contexto. Por exemplo, uma cadeira de aula será descrita, declarando traços intrínsecos, como um arranjamento de partes estruturais (gavetas, pernas, cabeceira), com propriedades físicas (peso, tamanho, solides), como um arranjamento de partes funcionais (superfície de trabalho, áreas de armazenagens) e com propriedades de uso (ampla, ergonâmica, fácil de sentar). Assim, as características que não são superficiais serão chamadas de "abstratas".

Abordagens computacionais, às vezes, são necessárias para determinar a similaridade de dois casos quando existem suficientes características relevantes. Por exemplo, em um domínio simulado, as caraterísticas superficiais como forma, tamanho, cor e posição relativa são suficientes para determinar que dois objetos são similares. Por outro lado, em outros domínios, isto não é suficiente e traços funcionais são exigidos para determinar a similaridade.

Em resumo, a similaridade de dois casos pode ser computada quando as descrições da linguagem deles são similares. Isto ocorre quando os casos são descritos com características superficiais ou quando o conhecimento dá pessoa descreve os casos com características abstratas. Contudo, a recuperação de casos por similaridades é útil quando computamos que (Porter, 1989):

- a similaridade não é superficial,

- o programa pode infrir úteis abstrações e,

- o domínio da teoria é imperfeito.

A representação de um caso por similaridade é explorado no programa PROTOS que representa um caso como um vetor de características e onde uma explicação é uma inferência heurística relatando traços tipicamente através de abstrações comuns (Porter, 1989). Mas esta representação não é apropriada. Um caso é uma rede complexa que codifica uma história e compilar isto em um vetor característico não é possível. De qualquer maneira, uma explicação por similaridade requer complexidade, justificativas não lineares e virtualmente quantidades ilimitadas de conhecimento de um domínio, porque a complexidade de uma explicação consiste em voltar a usar esta explicação em outros casos (similaridade).

Pesquisas em análise das lembranças coletadas de algumas pessoas têm levado à comunidade de pesquisadores de sistemas CBR a propor várias formas de rotular os casos (Kolodner, 1991):

(1) índices preditivos ou explicativos;

(2) índices bastantes abstratos para fazer um caso útil em uma variedade de situações futuras,

(3) índices bastantes concretos a ser reconhecidos para futuros casos e,

(4) Predições feitas são úteis para posteriores usos.

Características preditivas. Um caso é uma descrição de um problema. Muitas combinações com as características de um problema são levados em conta como responsáveis pelas diferentes escolhas para atingir uma solução. As combinações

do problema, as soluções das características e os fatos do domínio são responsáveis para atingir um resultado no domínio do problema. A combinação das características responsáveis por alguma parte da solução do problema ou, do resultado do domínio é chamado "preditivo" da parte da solução ou, do resultado que está influenciando. Por outro lado, quando esta combinação é responsável por achar um esquema que descreve a causa ("explicação") de um evento determinado, o índice será "explicativo".

O conteúdo de um problema pode ser decomposto para providenciar mais detalhes ou para ser condensado em princípios genéricos. A colocação de detalhes (descrição de informação extra) em um índice, tem por finalidade recuperar um caso que normalmente tem falhado. Por exemplo, quando projetamos uma cadeira de escritório que mostre a parte posterior do apoio, usamos os índices "cadeira_de_escritório" e "parte_posterior_do_apoio". Quando o índice "parte_posterior_do_apoio" não é conhecido, casos na memória não poderão ser recuperados. Assim, uma nova elaboração de índices para "parte_posterior_do_apoio" será "movimento-circular", "arco_pequeno" e "eixo_horizontal". Estas elaborações com o índice "cadeira" recuperaram potencialmente uma "cadeira-de-balanço".

Ilustremos dois exemplos: primeiro, considerando-se uma refeição que não foi aceita, porque nosso hóspede, um vegetariano, não pode comer o prato principal, porque tem carne. A combinação dos descritores, "hóspede é vegetariano" e "carne é um ingrediente no prato principal", é responsável pela aceitação. Assim, quando observamos esta combinação outra vez em uma refeição de nosso cardápio, podemos predizer a mesma falha ("o vegetariano não está apto a comer o prato principal"). Estes descritores são preditivos de um caso particular. Segundo, considerando-se um médico que tem um paciente com um conjunto de sintomas. Ele faz diferentes diagnósticos para analisar a saúde do paciente. Desta forma, lembra vários tratamentos efetivos que já foram aplicados em outras situações similares com bons resultados. A combinação dos sintomas responsáveis pela dificuldade no raciocino, a predição do diagnóstico e do tratamento do caso serão bons índices.

(2) Abstrações de índices. Às vezes, os casos são específicos e, a estruturação dos índices para eles, necessitam ser escolhidos de tal forma que estes possam ser usados em uma variedade de situações apropriadas. Esta abordagem indica que os índices devem ser mais abstratos que os detalhes de um caso particular. índices abstratos são usados para generalizar conceitos e, desta forma, casos podem ser recuperados. Eles representam urna ampla cobertura do caso na base de conhecimento. Por exemplo, no programa CHEF (Hammond, 1989) para criar uma receita de carne de vaca e brócolis (um prato frito e misturado). Ele cria primeiro a receita, por comparação com outro caso, e encontra que o brócolis é obtido úmido. Logo, examina a receita, determina a seqüência de passos e declara que os brócolis ficaram frescos. Assim, este caso pode ser indexado de várias maneiras:

- o prato preparado é frito e misturado, o prato inclue carne e o prato inclue brócolis.

- o prato preparado é frito e misturado, o prato inclue carne e o prato inclue vegetal fresco.

O primeiro conjunto de índices neste caso pode ser chamado "carne de vaca e brócolis são fritos e misturados conjuntamente". Desta forma, estes índices não permitiram chamar outro caso. Por exemplo, quando frango e couve-flor são fritados e misturados. De qualquer maneira, os passos provavelmente são os mesmos da receita carne de vaca e brócolis. Mas, couve-flor é um vegetal encrespado que ficará fresco depois de preparado. Assim, o segundo conjunto de descritores faz este caso mais aplicável.

Uma determinada situação pode ser caracterizada de diferentes formas e cada uma delas num sentido correto em algum sentido. Mas, cada um destes traços conduz a diferentes casos lembrados. Por isso, é necessário que os índices sejam bem declarados. As principais restrições que eles devem satisfazer são:

- eles devem obter com facilidade as descrições de baixo nível de uma situação;

- eles devem ser úteis na pesquisa de um objetivo e na recuperação de alguma extremidade do espaço de estados de soluções possíveis;

- eles devem caracterizar os casos da memória ao longo de alguma dimensão. Assim, os casos similares são relatados de forma funcional. Por exemplo, quando em um sistema existem muitos casos, declarando planos falhos e diferentes estratégias na recuperação destes, os índices de ligação devem ser comuns entre eles.

(3) Índices concretos. O perigo de um índice abstrato se dá quando a máquina de inferência de um sistema CBR não compreende que uma nova situação tem estes descritores, salvo através de uma extensiva inferência. Por isso, os índices necessitam ser bastante concretos de maneira que eles possam ser reconhecidos por urna pequena inferência. Por exemplo, quando o programa CREF necessita criar um recipiente de "souffle" de morango. Ele cria este prato por adaptação de uma receita de "souffle" de baunilha. Para fazer o "souffle", CHEF calcula e declara que a quantidade de liquido e de fermento não está balanceada (existe muito líquido para uma determinada quantidade de fermento no recipiente). Ele também calcula que o liquido extra foi por causa do suco no morango. Ele resolve o problema incrementando fermento afim de balancear os efeitos do líquido na receita. Assim, este caso pode ser indexado de várias maneiras:

(1) Prato é do tipo "souffle", líquidos e fermentos não são balanceados;

(2) Prato é do tipo "souffle", prato inclue morango;

(3) Prato é do tipo "souffle", prato inclue frutas e,

(4) Prato é do tipo "souffle", prato não tem quantidade de liquido.

Dos índices declarados, podemos observar que, os três últimos são melhores que o primeiro, porque suas características são reconhecidas dentro da inferência. Os índices (2) e (3) são concretos e reconhecíveis, e são mais aplicáveis.

(4) Por sua utilidade. Uma consideração final na indexação é o critério pela qual os índices são escolhidos para fazer predições úteis no raciocínio. Em geral, quando algum resultado resolve um problema, este transforma-se em outro problema.

Casos estruturados descritos por suas características e que são recuperados de falhas são úteis para a solução de um grande número de tarefas. Por exemplo, a antecipação de um problema, a explicação de uma falha e, o restabelecimento de erros e falhas.


4.4.2 A organização da memória.

Indexar casos não é suficiente para sua recuperação. Também, é necessário organizar a memória em uma estrutura funcional. Uma abordagem de organização de memória existe quando discriminamos redes, mas a recuperação de um caso depende das características propostas (Felgenbaun, 1963; citado em DARPA, 1989). Esta abordagem é frágil em domínios onde as características se perdem na discriminação. Mas, esta abordagem pode ser estendida com apoio da indexação (Kolodner, 1983A/B). Desta forma, podemos armazenar descrições de resumos abstratos em nós internos dentro de uma rede, generalizando casos individuais. Esta abordagem organiza a memória, de tal forma, que vários casos com diferentes detalhes podem ser tratados no processo de recuperação. Por outro lado, só o caso mais típico ou relevante de um conjunto de casos será recuperado sob certas circunstâncias e, o componente da memória (raciocínio baseado em casos) mostrará uma forma de incrementar o conjunto de conceitos (processo de aprendizagem).

Nestes sistemas, os casos passados são representados e indexados na memória e, desta forma, eles podem ser organizados em uma estrutura eficiente para sua recuperação. As estruturas da memória podem ser associativas ou hierarquizadas. Normalmente, alguns ou todos os traços de um caso são 'indexados, independentemente dos outros traços em uma hierarquia e, estes são organizados em um estrutura conceitual que vão do conceito geral ao particular.

O tipo de organização da memória depende da quantidade de conhecimento disponível e, do domínio a tratar para indexar e recuperar a informação necessitada. A abordagem associativa é freqüentemente usada, na biblioteca de casos, para dar uma maior flexibilidade ao sistema na realização de sua tarefa e, a abordagem hierárquica é a mais apropriada quando as tarefas são bem definidas.

Outro problema na organização da memória é como devem ser estruturados os casos. Alguns sistemas CBR armazenam os casos de forma integral em um lugar da memória. Por exemplo, CASEY (Koton, 1988), CHEF (Hammond, 1990), HIPO (Ashley, 1991). A vantagem desta abordagem é que o caso pode dar uma completa solução ao novo problema e, a desvantagem é que pode ser difícil voltar a usar as características de um caso passado para resolver um novo caso. Uma solução para este problema, é partir o caso em características elementares e armazená-las individualmente em um conjunto de apontadores que posteriormente poderiam ser usados para reconstruir o caso completo, como no programa JULIA (Kolodner, 1987A/B). Esta concepção permite utilizar as características de um caso passado para resolver as partes de um caso proposto, mostrando que o problema complexo a ser resolvido é uma combinação de soluções parciais de vários outros problemas.

A biblioteca de casos é composta de casos envolvendo eventos ou episódios e, para entendê-los é necessário utilizar o conceito de espaço de estados como base para descrever os vários episódios incluídos na biblioteca de casos.

A representação de um caso envolve caracterizar os objetivos, os eventos ou episódios que identificam urna situação e, sua estrutura representa o conceito do espaço de estados que pode ser usado como base na descrição de vários episódios. Existem várias formas de representação. As redes ECC (Alterman, 1989) são grafos direcionados e cada nó é um conceito evento/estado. Cada nó está associado a um conjunto de casos. Outra forma de organizar os conhecimentos é na forma de MOPs (Kolodner, 1983A/B- Schank, 1982). Esta técnica envolve as noções padrões da I.A., tais como frames, abstrações, herança, etc., mas aplicado para bases de conhecimento que mudam dinamicamente. Por exemplo, sistemas que apreendem novo conhecimento em processos de entendimento e de resolução de problemas. A representação das tarefas em uma rede hierarquizada, como no sistema PRIAR (Kambhampati, 1989A/B), ou em uma cadeia de relações causais como no sistema CHEF (Hammond, 1989).

Segundo Kolodner (l991) a representação de um caso pode ser realizada usando uma representação de predicados, uma representação em frames ou uma representação das características similares. As principais partes de um caso são:

(1) A descrição da situação do problema (estado do domínio, o tempo e o acontecimento do caso, e os problemas que necessitam ser resolvidos antes de sua aplicação);

(2) A solução (solução derivada para um caso específico na descrição do problema) e,

(3) O resultado (estado resultado do domínio quando a solução foi encontrada).

Assim, um CASO é uma lista de objetivos, estados e suas explicações, e as características conduzem a um resultado particular de uma situação determinada. Em formas mais complexas, um caso é conectado a um conjunto de subcasos que integrados formam a estrutura do espaço de resolução de problemas. Por exemplo, o desenho de um avião (ou circuito) é feito de sub-desenhos dos componentes que compreendem o todo e que cada um deles pode ser considerado como um caso.

Dependendo das características de um caso, estes podem ser usados para vários propósitos. Por exemplo, os casos que incluem um conjunto soluções ou recomendações de uma determinada situação, podem ser usados para derivar soluções aos problemas apresentados. Os casos, como as descrições e os resultados, podem ser usados na avaliação de novas situações. Por último, quando um caso tem uma solução específica, este pode ser usado na avaliação de soluções e na antecipação de problemas potenciais antes que eles ocorram (Kolodner, 1991).

Desta forma, quando a solução de uma parte de um caso determinado é única, esta pode ser usada na solução de um caso novo. Quando a solução de um caso inclue um armazém de fatos de como esta foi derivada, os métodos de solução do caso passado podem ser usados em casos onde a solução passada é inaplicável.

4.4.3 Os algoritmos de recuperação.

A recuperação de um caso da memória é um problema de pesquisa, Este processo é difícil, porque a pesquisa a realizar é por ligação parcial de fatos e não tomando um caso completo. Existem duas abordagem para resolver este problema: os métodos de pesquisa refinando conceitos e os métodos de recuperação paralela.

a) Os métodos de pesquisa refinando conceitos. Estes métodos dependem de como é organizada a memória, em aspectos de generalização e da especialização de hierarquias. A pesquisa começa em um nó geral de uma hierarquia e vai descendo até que uma ligação seja possível, em caso contrário, ela para. Desta forma, os casos específicos na memória são recuperados quando seus traços em um hierarquia se ligam com os traços do caso a resolver. Neste tipo de pesquisa é necessário a indexação da memória na qual índices e nós intermédios são bem definidos.

Este método foi implementado inicialmente ao organizar as memórias em uma rede discriminada redundante (Elio & Scharf, 1990- Kolodner 1983A/B; Lebowitz, 1983) e, mais tarde, em memórias com representações distribuídas. Isto é, os casos são armazenados como peças de um caso geral, como no programa HIPO (Ashley, 199 I).

Um exemplo de problema de pesquisa, é quando pesquisamos uma informação na memória. Neste armazém, o estado inicial é um lugar (nó), ou conjunto de pontos mostrando alguma coisa e, a descrição do objetivo é a descrição de uma informação. Assim, a pesquisa toma lugar em uma memória estruturada, em um domínio determinado. Por exemplo, quando um caso ocorre inesperadamente podemos pesquisar, na memória, algum caso passado, com características semelhantes, que já tenha acontecido (Schank, 1982).

Os métodos de recuperação paralela. Estes são aplicados em computadores de configuração paralela. Nestes métodos, toda a memória é utilizada e uma característica de uma solução é um ponto sensível. Estes métodos utilizam muitos processadores disponíveis, de maneira que o emparelhamento entre o caso proposto e todos os casos armazenados na memória podem ser ligados ao mesmo tempo, e a ligação parcial é feita aplicando uma função de avaliação que liga cada item do caso base. Desta forma, os itens são recuperados. O maior problema destes métodos é escolher uma boa função de avaliação.


4.4.4 A escolha dos melhores casos.

Em uma memória episódica, enriquecida e indexada, muitas das lembranças podem acontecer durante o processo de resolução de problemas. A estrutura da memória é desenhada de tal forma que casos passados relevantes possam ser escolhidos de um conjunto de lembranças. Existem dois métodos para realizar isto (Kolodner & Simpson & Sycara-Cyranskl, 1985):

O melhor caso é escolhido de um conjunto de lembranças através de um procedimento de avaliação "a priori ".

A escolha do melhor caso requer habilidade do sistema quando recupera (em função das características iniciais da situação) um ou vários casos e, ao mesmo tempo gera uma correspondência entre suas partes.

Este método é baseado em um conjunto de testes. Por exemplo, os seguintes testes foram utilizados no desenvolvimento do sistema MEDIATOR (Kolodner & Simpsom, 1988):

a) Eliminar os casos passados que mostrem diferenças nos objetivos com caso proposto;

b) Eliminar os casos passados que têm uma derivação do relacionamento objetivo diferente do caso proposto e,

c) Ordenar os casos passados de acordo ao seguinte critério ou ranking:

- argumentos disputantes similares >>

- disputas similares >>

- objetos disputantes similares

Considere o seguinte exemplo:

"As nações do Terceiro Mundo e os Países Industrializados procuram obter certos direitos sobre os minerais no fundo dos oceanos. Esta situação é discutida e se pensa que eles serão divididos. Ambos lados não confiam que outros dividam seus recursos naturais" (Kolodner & Simpson & Sycara-Cyranski, 1985).

Suponha que nosso sistema recupera três casos:

(1) Duas crianças lutam em um bar, a solução é "interromper as outras escolhas";

(2) A disputa entre Israel e Egito no Sinai, e

(3) A disputa entre os E.E.U.U. e a Rússia sobre a pesca nas costas dos E.E.U.U.

Usando a regra I, o caso 2 é eliminado, porque este caso envolve um forte relacionamento dos objetivos de ambas partes e não uma relação competitiva. A regra 2 elimina o caso 3, porque os objetivos dos disputantes são derivados diferencialmente. No caso comum, o objetivo é derivado dos disputantes desejando o controle e o uso de um recurso consumível. Enquanto o caso 3, seu objetivo deriva de uma intenção de controlar um recurso não renovável. Assim o caso I é escolhido como o mais aplicável e, uma analogia baseada em similaridades entre o caso comum e o caso 3 é eliminada.

(2) A escolha é feita por algum procedimento de avaliação. Este método é aceitável quando falhas não são expansivas ou irrecuperáveis.

Neste método, um procedimento de avaliação é usado para "ranckear" os casos e o conjunto índices altos são escolhidos. Sugestões para cada um dos casos selecionados são considerados, um plano de ação é gerado baseado em cada um deles e, estes são avaliados e o melhor é escolhido. Por exemplo, em um programa planejando Batalhas (Goodman, 1989), pesos foram colocados em todos os campos de informação e, foram usados para ligar outras características de outros casos em memória e, as redes hierárquicas simbólicas para determinar a distância entre os valores dos campos simbólicos. O programa CORA-L (Martin, 1989A/B) usa a probabilidade condicional e, predições são recuperadas da memória usando a probabilidade teórica para achar o valor mais provável não observado de um atributo particular. Especificamente, ele armazena as probabilidades condicionais entre os valores do atributo objetivo. Estes são comparados com a probabilidade teórica dos dados e, a mais ampla predição é realizada.

Também, neste processo, os métodos de indexação, a organização da memória e os algoritmos de recuperação de um caso podem chamar um conjunto de casos parcialmente ligados para ser usados posteriormente pelo sistema CBR. Assim, um problema a ser considerado é a escolha da melhor ligação entre os casos mais relevantes.

Os métodos propostos como complementares para realizar esta tarefa são:

- o método das preferências heurísticas (Kolodner, 1989);

- o método da análise dimensional (Rissland & Ashley, 1989) e,

- o método das funções de avaliação por mudança dos pesos dinamicamente de Stanfill (I 987) (DARPA, 1989).

Todos estes métodos são diferentes mas têm um aspecto em comum. O conjunto de índices recuperados, pelo algoritmo de recuperação, contribuem para conhecer a importância na solução do caso proposto. Desta maneira,os casos selecionados podem dar uma determinada explicação; por quê esta ligação ?

4.4.5 A adaptação de uma caso.

A última tarefa de um sistema CBR é adaptar a solução armazenada, de um caso recuperado, às necessidades de um caso proposto. Normalmente, a ligação entre dois casos não será perfeito, como conseqüência das diferenças entre eles. Assim, o processo de adaptação recuperará os traços mais importantes e aplicará um conjunto de regras que as levam em conta.

Uma boa explicação deve reunir três características: relevância no problema, confiabilidade e ser adequadamente detalhada para dar a necessária informação ao sistema para atingir seus objetivos.

A adaptação de regras são essencialmente estratégias que orientam a solução de míni problemas. No planejamento, eles devem ser especialistas afim de registrar précondições para achar planos de ação. Na tarefa de diagnóstico, eles devem ser hábeis para encontrar lacunas em uma explicação e completar os traços ou características que faltam. Por exemplo, no programa CHEF, o usuário pode perguntar por um grande prato contendo frango e feijão, mas a receita recuperada pode ser carne de vaca e brócolis. Nesta situação observamos duas diferenças salientes: o maior alimento na nova receita é frango, e não carne de vaca, e o maior vegetal é feijão, e não brócolis. Para adaptar as características da receita recuperada à nova receita, o programa CREF deve responder a estas diferenças (Riesbeck & Schank, 1989).

Primeiro, CREF seleciona as receitas velhas, substituindo os correspondentes itens em cada passo que envolvem carne de vaca (pedaços, partes fritas etc.). Logo procura frango e, as referências de brócolis transformando-se em referências de feijão. Assim, CREF verifica cada passo para ver se isto pode ser omitido ou se este passo necessita mudanças para esta nova aplicação.

No exemplo do programa CHEF, mostramos como as regras operam domínios e em tarefas específicas. Estas regras específicas (complexas) têm como função substituir ingredientes na receita. Por exemplo, normalmente os passos de uma espécie similar são agrupados (conjunto de todos os passos antes de fritar). Às vezes, os passos podem ser fusionados (fatias de ostras e alho conjuntamente) e, às vezes, não (quando a temperatura para cozinhar um alimento têm-se incrementado e é necessário modificar os passos para assegurar que algum item que está sendo cozido com o alimento não seja super-cozido). Isto é, o programa CHEF pode adicionar e apagar passos, mas ele não faz mudanças globais à receita integral. Assim, o básico ordenamento de passos na receita original é mantido ao longo do processo com algumas otimizações que não são explicitamente mudadas por alguns ingredientes críticos.

A analogia seguinte demonstra como uma grande livraria de casos pode mostrar o uso da adaptação de regras e ainda dar resultados eficazes. Considere o processo pelo qual devemos ensinar a um grupo de alunos a encontrar o logaritmo (base 10) de um número (50) em uma tabela. Assim, primeiro calculamos o logaritmo do número observando o correspondente valor (1.69897) na tabela. Quando o número não se encontra registrado, tomamos os dois números mais próximos a ele (acima e abaixo) e realizamos uma regra simples para aproximar logaritmo do número. A tabela de logaritmos é análogo à biblioteca de casos. Observando os números mais próximos a ele o caso é recuperado e, interpelando as respostas usando rateios acontece a adaptação da regra.

Segundo a literatura descrita nos sistemas CBR, existem dois tipos de adaptação generalizados:

(a) A Adaptação Estrutural. Neste processo a adaptação de regras é aplicada diretamente à solução armazenada no caso. Por exemplo, o programa CHEF modifica receitas particulares e o SUDGE modifica as piores sentenças criminais,

(b) A adaptação Derivacional. Neste processo as regras geradas para a solução original são rodadas novamente para gerar uma solução nova. A idéia aqui é armazenar uma nova solução para um caso e uma seqüência de planos de ação que constroem esta solução. Assim, quando um caso é recuperado, o sistema verifica se as diferenças entre o caso proposto e o caso passado afetam algumas decisões básicas à solução armazenada no caso. Quando isto é verdadeiro, estas decisões são avaliadas novamente usando valores existentes na situação de entrada. Em outras palavras, a solução armazenada é adaptada pela re-execução das partes do processo da solução original e não mudando esta diretamente. Este tipo de adaptação foi usado no MEDIATOR (Kolodner & Simpson, 1988).

Por exemplo, no programa MEDIATOR um plano foi colocado na disputa de duas crianças sobre o consumo de uma laranja. O primeiro plano examinado, dividindo a laranja, falhou porque nenhuma criança quer a metade de uma laranja. O plano correto seria dar a cada criança a parte da laranja que ela deseja. MEDIATOR aplica este plano (determina a presença dos objetivos e satisfaz cada um deles), para gerar uma possível solução à disputa entre Egito e Israel sobre o Sinal. O resultado foi dar a Israel o controle militar e a Egito o controle político-econômico.

A principal vantagem da adaptação derivacional é adaptar o conhecimento (solução) de um caso a problemas dentro de seu domínio e também poder transferir este a outros domínios. O exemplo acima mostrado é um bom exemplo de raciocínio analógico e, isto só é possível usando adaptação derivacional. Esta adaptação depende do planejamento das estruturas armazenando soluções e não de todas as soluções que eles têm (Riesbeck & Schank, 1989).

Assim, o sistema CBR tem um conjunto de regras de adaptação estrutural para fixar as soluções não analisadas e os mecanismos derivacionais para fixar os casos que são bem entendidos pelo sistema. As soluções geradas pelo sistema estarão numa lista de candidatos por adaptação derivacional.

4.5 As técnicas de adaptação de um caso.

Diferentes técnicas, desde as mais simples até as mais complexas, têm sido aplicadas a sistemas de raciocínio baseados em casos.

4.5.1 Por adaptação nula (estrutural).

Esta técnica é para não fazer nada e simplesmente aplicar a solução de um caso recuperado à nova situação. Como explica Riesbeck e Schank (l986), as pessoas freqüentemente fazem pequenas adaptações. Por exemplo, se a situação no Haiti lembra algo da situação do Zaire então o sujeito freqüentemente adapta os resultados desta experiência ao Haiti.

Esta técnica pode ser aplicada quando o raciocínio para uma solução é complexa, mas a solução é simples. Por exemplo, muitos fatores podem ser considerados quando fazemos avaliações na aplicação de um empréstimo, mas a resposta final pode ser aceitada ou rejeitada. Assim quando um caso proposto liga casos com empréstimos que foram rejeitados, o caso será rejeitado e, quando liga casos com empréstimos que foram aceitos este será aceito. Em cada caso, a solução passada é aplicada diretamente. Em um programa de diagnóstico de falhas de equipamentos sugerindo falhas dos componentes, o trabalho será desenvolvido igualmente. Desta forma, quando uma certa parte do sistema tem causado falhas similares no passado, o sistema sugerira que a mesma parte poderá falhar outra vez.

O resultado da aplicação desta técnica é a obtenção de soluções simples (por Ex., aceito, rejeitado, parte 26, arame I, etc.), o que leva a encontrar poucas partes a serem adaptadas. Na prática, nesta técnica, encontramos duas lacunas. Primeiro, para procurar uma resposta simples podemos utilizar outras técnicas que trabalham bem (por exemplo, os métodos de classificação estatísticas, freqüentemente melhor e com mais precisão que o raciocínio matemático das pessoas. Segundo, é raro procurar uma resposta simples. Normalmente, as pessoas pesquisam outras respostas possíveis. Em outras palavras, a solução real armazenada nos casos que os usuários procuram está em uma cadeia de raciocínios que os orienta à resposta desejada.

4.5.2 Por soluções parametrizadas.

Provavelmente esta é a melhor técnica estrutural entendida. O princípio é o seguinte: "quando um caso é recuperado para aplicá-lo a uma situação determinada, as descrições dos problemas, passado e novo, são comparados por parâmetros específicos e as diferenças são usadas para modificar as soluções dos parâmetros na solução apropriada ". Por exemplo, no programa JUDGE, um crime tem parâmetros como "horrível", "seriedade do motivo" e "arrependimento". Do mesmo modo, existem parâmetros envolvidos na solução. Da mesma forma, uma sentença criminal tem parâmetros para tempo de prisão, avaliação de liberdade de palavra, multas, etc.. Cada problema parâmetro é associado com uma ou mais soluções dos parâmetros: o mais horrível crime, a mais severa sentença, o maior arrependimento, a mais boa vontade de ficar em liberdade sob palavra de honra. As ' quando o programa JUDGE encontra que um crime é menos horrível que o crime recuperado da memória ,ele faz uma sentença moderada que as encontradas nos crimes passados.

Uma observação importante, é que no uso de soluções parametrizadas não implica em que exista uma fórmula que coloque um conjunto de problemas parâmetros na solução de um problema. Em JUDGE não existe uma fórmula para gerar uma sentença de prisão dado um crime cometido. As soluções parametrizadas são de valor, porque modificam uma solução existente, não criando uma nova solução única. A solução parametrizada é uma técnica que utiliza a interpelação, similar ao método usado em logaritmos, numa tabela usando só bases aritméticas.


4.5.3 Por abstração e sobre especialização.


Esta é uma técnica estrutural que pode ser usada para realizar simples adaptações, de uma forma complexa e, gerar novas e criativas soluções. A idéia é, quando um traço de uma solução não pode ser aplicada a um problema, o sistema deve procurar abstrações deste traço na solução que não tem a mesma dificuldade. Desta forma, ele se especializa. Isto é, o sistema aplica outras especializações abstratas para uma situação comum.

Por exemplo, o sistema PERSUADER trabalha em disputas de arbitragem de administração. Em particular, ele gera soluções de contratos modificando os melhores exemplos das negociações passadas armazenadas. Assim a linha de pesquisa de uma solução é observar contratos de competidores ligados à companhia envolvida (por exemplo, companhias operando na mesma área). Depois, observa os contratos de companhias que usaram estes competidores. Finalmente, observa contratos de outras companhias do mesmo tipo (ver Fig. 8).

Figura 8. Abstração e sobre especialização em PERSUADER (segundo Riesbeck & Schank, 1989).

4.5.4 Por reinstalação.

Esta técnica é um método de adaptação derivacional. Esta não opera na solução original, mas sim nos métodos que foram usados para gerar uma solução. Os meios da reinstalação substituem um passo em uma solução, selecionando e aplicando um plano de ação que gera este passo no contexto de uma situação comum.

O programa MEDIATOR usa esta técnica para gerar soluções entre dois competidores. Por exemplo, ele tenta resolver a disputa entre Egito e Israel sobre o controle do Sinai usando uma solução obtida quando os E.E.U.U. e Panamá estavam em conflito sobre o controle do Canal do Panamá. O plano usado foi "dividido em diferentes partes" separando o controle do canal em linhas políticas e militares. Na situação corrente, uma solução similar é para dar um controle militar a Israel para sua segurança nacional, e o controle político a Egito para manter sua integridade nacional.



5. O aprendizado do sistema, as explicações e as correções.

Um sistema para apreender deve ser hábil para identificar que necessita conhecer, para logo processar esta informação quando esta se toma disponível. O processo de aprendizagem deve tomar explícito o conhecimento desejado e realizar um conjunto de operações ou ações que incrementem as oportunidades de encontrar este conhecimento. Uma representação explícita do conhecimento desejado é o "objetivo" dele e, o conjunto de ações que tomam lugar para incrementar a probabilidade de encontrar este conhecimento é o "plano" de aquisição do conhecimento (Hunter, 1989).

Casos passados conduzem um sistema CBR a tomar decisões e a apreender de suas experiências, principalmente de três maneiras:

(1) Generalização e especialização,

(2) Pesquisa restringida e,

(3) Avaliação comparativa.

Estas decisões são o resultado de processar e pesquisar numa estrutura de conhecimento. O raciocínio é orientado por algoritmos que permitem ao sistema encontrar soluções ao problema apresentado, e modificar suas estruturas de conhecimento armazenadas na memória.

As experiências no mundo real, às vezes, apóiam na generalização de um caso que pode ser aplicado na solução de um problema e, por sua vez, na especialização da base de conhecimento. Estes dois processos são inversos e são uma forma de aprendizagem do sistema. A generalização é uma regra aplicada dedutivamente, para resolver ou classificar novos problemas, ou este pode ser uma explicação causal como resultado de fazer uma analogia. As generalizações identificam as partes de um problema que são importantes e tem um procedimento na pesquisa de uma solução (Ashley, 1991). Desta forma, um caso passado é um elemento que serve para inferir ou derivar uma generalização (ver Fig. 9). Uma generalização pode ser imposta em um domínio como no programa CABARET (Rissland & Skalak, 1991) ou, pode ser derivada de uma simples explicação de um exemplo como no programa CASEY (Koton, 1988) ou, alternativamente, de uma coleção de casos positivos ou negativos como no programa GREVE (Branting, 1991).

Um caso passado pode facilitar na pesquisa de uma solução. Esta pesquisa é fácil, pelo menos teoricamente, porque casos passados são indexados. O sistema CBR simplesmente mostra um índice de entrada para uma solução passada relevante e, desta forma, aplica e adapta estes passos de solução para um problema comum. Em efeito, um caso passado é uma solução compilada e, este é uma estratégia de pesquisa, porque mostra os traços errados passados solucionados (processo de aprendizagem por indexação de casos). O programa PRODIGY é um exemplo desta abordagem (Ashley, 1991). Ele completa as histórias (melhorando a adaptabilidade do caso passado a expensas de um complicado processo de pesquisa, modificação e adaptação à situação apresentada), no processo de resolução de problemas para que ele seja armazenado.

Figura 9. Relacionamento entre as partes de um esquema induzido.

Finalmente, os casos passados podem providenciar um meio de avaliação. Um problema comum pode ser avaliado por comparação e contrastando suas características com os casos passados avaliados. Por exemplo, um sistema CBR pode obter um valor, tal como uma quantidade em dólares, extrapolando dois casos passados similares de valores conhecidos. As avaliações não necessitam ser em dólares, elas podem ser feitas por classificações simbólicas. Um bom exemplo de avaliação simbólica é o programa HYPO (Ashley, 1991).

Neste contexto, este processo de resolução de problemas gera a aprendizagem do sistema (aprendizagem por indução). Ele é o resultado de processar um conjunto de objetivos,sub-objetivos, justificativas, hipóteses, ações, etc., que identificam um caso ou um conjunto de casos. As características de um caso podem ser agrupadas em situações e ações, e em um conjunto de características (participantes, falhas, recomendações, etc.) que os complementem.

As "ações" são traços abertos ou ações internas, ou igualmente um processo de inferência (metaconhecimentos estratégicos, definidos como aqueles conhecimentos que permitem acesso aos conhecimentos específicos) ao realizar uma determinada operação.

A aprendizagem indutiva pode ser esquematizada como mostrada na Fig. 10. Nesta figura observamos uma base de conhecimento com casos passados representados em MOPs. Eles contém um conjunto de cenários e scripts que vão caracterizá-los. Assim, a máquina de inferência de um sistema CBR no processo de aprendizagem vai criar um novo caso, dos traços passados, e induzir outros traços que não foram considerados nos casos iniciais. Os casos passados não são tocados, porque eles ainda representam soluções para outros problemas. Desta forma, teremos um caso novo (real ou hipotético) com novas características e propriedades, e com resultados possivelmente diferentes aos casos iniciais.

Figura 10. Um processo de interferência indutiva abstrata.

Todos os sistemas CBR envolvem alguma combinação destes três métodos. Por exemplo, quase todos os sistemas CBR utilizam casos índices. Geralmente, os índices são conceituais e os casos são indexados por conceitos abstratos que representam uma característica de uma situação. Assim, quantidades de generalizações são inevitáveis na construção dos índices.

Por outro lado, quando um sistema baseado em casos falha, este tem por objetivo explicar a falha e consertá-la. Em alguns campos, primeiro vem a explicação e, logo, o conserto é baseado nesta explicação. Por exemplo, quando um plano falha, a causa é explicada primeiro e as explicações guiam o conserto. Em outros campos, ao contrário, o conserto vem primeiro. Por exemplo, suponhamos um sistema de diagnóstico de falhas em equipamentos eletrônicos. Ele pode dizer que uma falha é de alguma parte do sistema e que a parte examinada está trabalhando, até que o sistema gere um diagnóstico correto, ele pode explicar o que está fazendo.

A geração de planos de ação produz dois tipos de falhas:

(1) Os objetivos especificados na entrada do sistema não estão registrados na sua memória (por exemplo, um plano de ação não faz o que é admitido fazer) e,

(2) Os objetivos implícitos, não especificados na entrada, são infringidos (por exemplo, um plano de ação alcança um objetivo mas, o custo é alto).

Os objetivos implícitos existem e quando estes são infringidos, o primeiro a realizar é fazê-lo explícito em uma determinada situação (apresentação do problema). Por exemplo, no programa CREF uma entrada diz "dê-me um prato grande de especiarias com carne de vaca e brócolis". Quando a receita é gerada produz um brócoli velho, infringindo o objetivo implícito de brócoli fresco. Assim, CHEF adiciona 99 guardar brócoli fresco" como um objetivo implícito para a receita. Desta forma, quando no futuro esta receita é recuperada, o objetivo "guardar brócoli fresco" será por adaptação desta regra.

A tarefa de explicar um processo é para gerar um domínio específico de explicação; "por que uma solução proposta está falha?" No programa CHEF, a explicação é uma cadela causal alocada dentro de um plano de ação, e eles são orientados pela transgressão de um objetivo.

No domínio do diagnóstico de componentes de falhas, a explicação é uma cadela causal. A falha de um componente é interceptada por outra, já diagnosticada, pelos sintomas observados. Esta abordagem é importante, porque existem muitas explicações para eventos anômalos que necessitamos conhecer para restringir a pesquisa e saber suas diferentes explicações.

5.1 Os consertos.

Conserto é um processo similar à adaptação. Neste processo a solução é modificada para adaptá-la a uma situação. A diferença está no fato de que a adaptação começa com uma velha solução e o caso apresentado, e os consertos são feitos à solução do novo caso.

Por outro lado, o conserto começa com uma solução (um relatório de falha) e, talvez, uma explicação. Logo, modifica a solução para afastar a falha. Quando uma explicação precede a uma falha, em certos domínios, a explicação da falha usualmente manifesta indícios para o concerto necessitado. Por exemplo, no programa CHEF, as explicações são ligadas a grupos de falhas, organizados em heurísticas (via abstração), que consertam o problema em uma variedade de classes. O fato de cozinhar carne de vaca e brócolis conjuntamente faz um brócoli consistente. Nesta situação um caso particular tenta alcançar dois objetivos com uma ação e uma lnteração inesperada acontece. Assim, uma espécie de conserto será usar ações separadas para obter dois objetivos e, outros consertos, para impedir as más interações. Por exemplo, CHEF lembra planos passados de sua memória, para modificar e satisfazer algum objetivo não alcançado. Para fazer isto, CHEF (Converse & Hammond & Mark, 1989) usa uma tabela padrão de modificações que menciona como adicionar novos objetivos para planos existentes. Estas modificações tomam a forma de "Substituition", "detetion", "Catenation e Merging of acfions" e "Props" em um plano.

Em CHEF, quando uma característica particular de um objetivo é identificada, participando em uma falha, um teste é construído para ela e, ele é associado com o mais específico objetivo de uso geral. Desta forma, quando todos os membros de uma classe de itens são associados com uma falha, uma ligação é feita diretamente destas classes para a memória da falha.

Quando uma informação está disponível e a solução proposta não é utilizada, uma estratégia de conserto será adicionar a esta um relatório de falhas. Por exemplo, um dispositivo particular de um equipamento está trabalhando e uma pesquisa é feita, outra vez, na memória para fazer a melhor ligação de fatos. Quando uma informação adicional causa a recuperação de um caso diferente, esta será adaptada como uma outra solução. Quando o mesmo caso é recuperado como antes, uma estratégia de conserto será examinar a adaptação da melhor união.

Sempre que soluções falham e são consertadas, uma coisa importante a fazer é armazenar uma ligação entre a solução que não resultou e a que finalmente operou. Isto tem o seguinte propósito. Suponhamos o mesmo caso com falhas para ser aplicado outra vez, em outra solução. Quando isto acontece o sistema pode observar alguma outra falha associada com este caso e generalizar as coisas em comum, simultaneamente, quando este caso tem falhado no trabalho. Técnicas baseadas em similaridades e generalizações baseadas em explicações, são aplicáveis. O objetivo é encontrar alguma caracterização de situações que podem falhar. Desta forma, o sistema pode ser hábil a fixar e examinar classes de falhas no futuro. Por último, o sistema será hábil a reconhecer as situações onde antes existiram falhas.

6. Conclusões.

Neste capítulo descrevemos alguns conceitos teóricos necessários para compreender os paradigmas subjacentes no desenvolvimento do modelo cognitivo do operador. As bases teóricas narradas para formalizar o modelo, repousam sobre uma ampla teoria cognitiva: o processo de lembrar, como fenômeno na resolução de problemas. Também, foram descritos os elementos mais importantes na análise e tratamento de urna atividade complexa num posto de trabalho e, finalmente, algumas Normalizações no tratamento dos conhecimentos.

Esta teoria cognitiva, baseada na resolução de problemas por meio de casos foi desenvolvida por- Schank em 1982. Ela foi inspirada nos principais resultados da pesquisa de como organizar uma memória dinâmica e qual é a influência da lembrança no processo de entendimento. Hoje os modelo cognitivos são orientados a descrever os processos cognitivos ou, mais exatamente, as heurísticas que permitem a um sujeito caminhar no espaço de problemas para encontrar uma solução satisfatória a um problema (Newell & Simon, 1972). A simulação do modelo é utilizada antes de tudo como unia Ferramenta de validação e, neste contexto, encontramos dois objetivos: provar um modelo "teórico" e evoluir para um modelo "Ideal".

Um modelo de operador que influência fortemente a pesquisa em ergonomia cognitiva foi apresentado. É o modelo de Rasmussen (l986). Este modelo descreve várias atividades de tratamento de informação como ativação, observação, identificação de um estado atual, avaliação das conseqüências de um problema, a definição de uma tarefa, a formulação de um procedimento, e enfim, a execução de uma ou várias ações.

Finalmente, são explicadas as ramificações dos sistemas de raciocínio baseados em casos e, do trabalho de sua máquina de ingerência. Isto é, no funcionamento ela conta com uma biblioteca de casos, um método de armazenamento de casos novos que são mostrados quando necessitados; um esquema de índices que manifestam o processamento de um caso; um método de "matching" (ligar fatos) parcial que mostra os casos novos a serem considerados em termos de outros similares e, um método de adaptação que mostra a informação acumulada de um caso a ser aplicado a uma situação. Segundo Schank (l982), os especialistas têm todas estas habilidades ocultas sob a noção da lembrança. Neste sentido, para fazer computadores inteligentes, devemos construir sistemas que lembrem situações.