O projeto hiperNet delimita a fronteira de experimentação desse trabalho de pesquisa, uma vez que incorpora como princípios norteadores todas as hipóteses já levantadas sobre o aprendizado autônomo tanto a nível da componente pedagógica quanto técnica. O mesmo começou a ser pensado já no final da década de oitenta (Melgarejo, 1991; Melgarejo, 1991a), e vem sendo desenvolvido por uma equipe coordenada pelo professor Luiz Fernando Bier Melgarejo no Laboratório de software Educacional -EDUGRAF, da Universidade Federal de Santa Catarina.
Os seus objetivos terminais são:
a)Estudar, implantar e testar modelos de uso pedagógico efetivo de recursos de rede, que possam contribuir para transformações radicais na atual realidade educacional.
b)Desenvolver ambientes computacionais distribuídos, adequados à nossa cultura, e que favoreçam a criatividade pessoal, assim como estimulem a colaboração entre os participantes da rede (groupwares).
Como pode ser notado o projeto hiperNet contempla um modelo pedagógico para o uso educacional dos recursos de rede de computadores e, ainda , um modelo computacional, que deve ser capaz suportar tecnicamente a concepção pedagógica adotada. Ambos os modelos serão descritos nesta seção. As descrições não serão feitas isoladamente, isto é impossível pois o modelo computacional está totalmente centrado na atividade do seu usuário final, donde a descrição técnica exige referências constantes ao modelo pedagógico que a orienta.
"Numa abordagem tradicional de redes locais, a conexão entre os equipamentos tem como objetivo básico o compartilhamento de equipamentos (discos rígidos, impressoras, etc.), considerados os recursos escassos do sistema. Nessa abordagem, a intercomunicação possível entre os usuários é uma decorrência (já que o hardware está conectado). A abordagem que estamos pesquisando é orientada-ao-usuário, no sentido de vê-lo como o elemento mais importante do sistema, e objetiva favorecer o compartilhamento dos mais nobres recursos circulantes na rede: as idéias." (Melgarejo, 1991:3)
Após a idealização do projeto em finais dos anos oitenta, ocorreu uma explosão no desenvolvimento tecnológico na área de telemática. Os resultados desse desenvolvimento vem sendo aproveitados, pela coordenação do projeto, fazendo com que o mesmo esteja em contínua evolução. Este texto procurará descrever, em linhas gerais esta evolução, apresentando desde os modelos inicialmente idealizados até a situação do projeto na data em que este texto estava sendo escrito.
O projeto hiperNet tem a preocupação de promover uma ação cultural transformadora, conforme perspectiva da pedagogia libertadora de Paulo Freire. Ele parte da constatação que o modelo educacional tradicional é opressor e tem servido apenas para manter e reforçar a situação de desigualdades sociais vigente. Neste sentido não houve na concepção do projeto nenhuma preocupação de otimizar aspectos desse modelo, como o que ocorre em muitas propostas de uso da telemática no processo educativo.
O princípio básico que orientou a sua formulação e evolução é o de que o uso do computador na educação só se justifica se puder apoiar decididamente a reformulação da situação atual.
"Por isso estudamos e buscamos desenvolver e aplicar técnicas que possam manter fidelidade a esse princípio. Pensamos que um bom exemplo é o sistema hiperNet: um suporte computacional para a atividade cooperativa, tecnicamente sofisticado mas fazendo uso de modelos simples para estimular a comunicação entre as pessoas e o trabalho em conjunto." (Melgarejo, 1995)
A modelagem inicial do sistema hiperNet, que será agora descrita, já incorporava, como poderá ser notado, todos os componentes para a geração de ambientes de aprendizagem, que seriam capazes de suportar a perspectiva de educação à distância alternativa conforme a argumentação de Gutierrez e Prieto (1994). .
De maneira geral o projeto inicial do Sistema hiperNet, pode ser descrito como um sistema de suporte ao trabalho cooperativo, baseado em rede local de microcomputadores. O sistema propunha o uso extensivo das técnicas de hipertexto/hipermídia, para manipulação de documentos estruturados organizados numa base de dados distribuída. O uso de redes locais (LANs- local area networks) foi proposto, pois na época, não estava ainda disponível a tecnologia atual que permite o acesso às redes de grande distância ou internacionais.
O desenvolvimento de sistemas de colaboração envolve basicamente três domínios distintos, que devem ser utilizados conjuntamente: banco de dados, comunicação e interface.
O conceito de banco de dados no sistema proposto era o de uma memória compartilhada, formada por hiperDocumentos. Para que o compartilhamento pudesse ocorrer era preciso prever recursos para o controle de acesso, assim como de concorrência, necessárias a um ambiente multiusuário. No sistema hiperNet, os (hiper)documentos poderiam ser constituídos de (hiper)páginas de tipo texto, gráfico ou executável. As (hiper)páginas, ligadas entre si a critério dos usuários, formavam a base de dados hipermídia que podia ser explorada, para leitura, execução, navegação, edição. Elas deviam também permitir consultas por nomes ou por palavras chaves. Poderiam existir tantos (hiper)documentos quanto o espaço em discos permitisse, distribuídos entre qualquer número de 'servidores', devendo ser sua localização física indiferente para o usuário.
Para que o ambiente realmente suportasse a ação cooperativa as autorizações de acesso deveriam ser baseadas em um modelo de fácil compreensão e o tratamento da concorrência deve ser feito de forma a permitir que vários usuários pudessem ter acesso simultaneamente o mesmo (hiper)documento com o mínimo de restrições.
Quanto á forma de comunicação, um ambiente de colaboração eficaz precisa incorporar comunicações síncronas e assíncronas. As primeiras tratam da comunicação que conecta ao mesmo tempo os interlocutores (uma reunião, o telefone, a comunicação via rádio-packet...) Já na comunicação assíncrona, a conexão entre os participantes é indireta (como em caixas-postais) e as comunicações são recebidas algum tempo depois de enviadas.
Um exemplo de modelo síncrono é o escritório (de projetos) proposto por Velterney: "todos os trabalhadores, a partir de seus postos de trabalho, ligam seus 'conectores de mídia', que devem ficar abertos durante o dia de trabalho. A qualquer momento, um trabalhador pode 'procurar' um colega e fazer-lhe uma pergunta, e\ou ambos podem fazer rascunhos ou anotações em telas que os dois possam observar."(Melgarejo, 1991:2).
No domínio assíncrono, os mais populares ainda, até a data atual, são os sistemas de "e-mail". No sistema hiperNet, as formas principais de comunicação interpessoal foram expandidas pelo conceito de hiperBilhete, para comunicações simples e esporádicas, de hiperMensagem, para troca de documentos estruturados, e, ainda pelo conceito de hiperMural, para comunicações persistentes por compartilhamento da base de dados. Esses conceitos, por serem centrais na concepção do sistema serão definidos em detalhes neste texto.
Para realmente implementar um sistema cooperativo o modelo de interface com o usuário precisaria ser repensado, pois os existentes, visavam usuários individuais, trabalhando sozinhos. Uma das metáforas de interface mais conhecidas é a "desktop" ou escrivaninha, que está claramente comprometida com o trabalho individual. O modelo alternativo elaborado pelos proponentes do projeto hiperNet usa como metáfora o quadro-mural, tradicionalmente associado à comunicação entre pessoas e grupos.
Além disso já se percebia, na época da concepção do projeto, que as técnicas de hipertexto tendiam a tornar-se um padrão para o uso do computador enquanto mídia -meio de comunicação. Donde a metáfora de quadro-mural foi enriquecida com as técnicas de hipertexto gerando o modelo do hiperMural.
O hiperMural "além de servir como contexto individual de trabalho, possibilita um modo compreensível de controlar o acesso às áreas compartilhadas, constituindo ainda um ambiente para a comunicação pública da rede, o hiperMural coletivo." (Melgarejo, 1991:3)
A idéia do quadro-mural, passa a ser então utilizada como metáfora para um ambiente de trabalho individual e coletivo ao mesmo tempo, e, ainda, como modelo para a interface de usuário e como método de particionamento lógico da base de dados.
Além de descrever a nível ideal o que seria o sistema foi objetivo dos proponentes do hiperNet, naquele primeiro momento, verificar até que ponto aquele enfoque era praticável com a tecnologia disponível, utilizando equipamentos pessoais (PC-compatível) conectados através de redes locais de baixo custos. Essa preocupação na busca de uma solução de compromisso, que combine a riqueza de possibilidades das técnicas de hipertexto com a eficácia de um sistema de comunicação em rede, é permanente . O MODELO hiperMural
Um quadro-mural é basicamente um meio de comunicação assíncrono, utilizado por grupos que tenham um interesse comum. É em geral um mecanismo coletivo ou público, mas, por outro lado, pode ser às vezes encontrado pendurado em frente a um posto de trabalho individual, sendo utilizado aí como um quadro de lembretes no estilo agenda pessoal.
Um quadro-mural pode conter vários tipos de itens (objetos de informação): pequenos textos, fotocópias, cartazes, recortes de jornais, gráficos, etc... A associação da idéia de quadro-mural com as técnicas de hipertexto, gera o modelo chamado de hiperMural (hM).
Um hiperMural (hM) pode ser definido como um conjunto de hiperDocumentos e um grupo de autores, que se constitui num conjunto de identificadores dos usuários que estão 'cadastrados' naquele hM.
Um hM deve permitir a 'afixação' de duas classes de objetos: as hiperPáginas (hP) e as anotações. As hP's, por sua vez, podem ser de três tipos: hP-texto, hP-gráfica (contém imagens digitalizadas) e hP-executável (contém instruções que podem ser executadas pela máquina a critério do usuário).
As hiperPáginas podem estar associadas umas às outras, através de ligações hierárquicas, formando hiperDocumentos.
À associação de um trecho qualquer de uma hiperPágina a um texto acompanhado de identificação do autor e data/hora, chama-se anotação. Uma anotação pode estar relacionada a mais de uma outra hiperPágina, inclusive em hiperDocumentos distintos, caracterizando uma referência.
O uso de um modelo conceitual, como o proposto, é muito importante, ressalta Melgarejo (1991), pois ao utilizar o quadro-mural como um modelo conceitual para o desenvolvimento e apresentação do sistema, espera-se propiciar um uso efetivo por parte dos usuários, que poderão utilizar a idéia como modelo mental. Isso auxilia o usuário a familiarizar-se com o sistema e lhe permite fazer previsões sobre o seu comportamento.
"Os modelos mentais permitem tanto entender melhor as situações problema como prever as conseqüências das ações examinadas para sua solução."(Marchionini apud Melgarejo, 1991:5).
O mesmo modelo hiperMural pode ser utilizado para compor vários contextos de trabalho para um usuário: o hiperMural Individual, o hiperMural de Grupo e o hiperMural Coletivo. O serviço de correspondência no modelo hiperMural.
O serviço de correspondência dentro do sistema hiperNet, oferece possibilidade de comunicação interpessoal e grupal . Mas as mensagens incorporarão as características de um sistema hipertexto. Elas serão diferenciadas em hiperBilhetes e hiperMensagens.
O hiperBilhete
Os hiperBilhetes (hB) são trechos de texto produzidos por um usuário, servem para o envio de mensagens simples e curtas, de modo esporádico.
Um hiperBilhete pode estar ligado a uma hiperPágina qualquer, da mesma forma que os itens de anotação. Isto permite que o sistema possa 'conduzir' automaticamente o usuário, a partir do hiperBilhete, à alguma informação adicional ou auxiliar contida em uma hiperPágina. No momento que a hiperPágina for ativada qualquer elo de conexão desta hiperPágina será também ativado, inclusive o de retorno ao hiperBilhete.
Se o destinatário de um hiperBilhete estiver ocupando alguma estação da rede, o hB deve ser automaticamente publicado na linha superior de sua tela , ou caso contrário, ele será armazenado em sua 'caixa-postal'.
Os hiperBilhetes são também um modo do sistema se comunicar com o usuário, para informá-lo de eventos de interesse ou solicitar que ele forneça informações via teclado.
HiperMensagens
Uma hiperMensagem (hM) é um hiperDocumento, que é enviado de
um usuário a outro da rede. A hM supre a necessidade de envio de mensagens
mais complexas e estruturadas, sempre quando não se deseja o
compartilhamento através dos hiperMurais.
Melgarejo (1991a) lembra que um software é uma ferramenta, de modo que ele só pode ser avaliado em relação a um determinado contexto de uso. É claro que um software não tem condições de impor um modelo pedagógico, mas certamente ele favorece certas práticas em detrimento de outras, e assim estimula determinadas maneiras de pensar e agir.
Impõe-se então demonstrar que a concepção do sistema hiperNet pode servir de apoio a uma prática pedagógica alternativa. Valorização do sujeito da aprendizagem
As técnicas de hipertexto possibilitam o uso de um estilo rico e pessoal e expressão pois fornecem a possibilidade do uso de múltiplas formas de representação: hiperPáginas de texto, de imagens e, ainda, hiperPáginas executáveis, que permitem acionar efeitos sonoros, gráficos e softwares de forma geral. Além disso a possibilidade de conectar hierarquicamente estas várias representações estimula e desafia a organização e criação do raciocínio associativo.
"Isto permite que um autor desenvolva o texto 'em árvore', utilizando as primeiras páginas como índices de idéias, que vão sendo refinadas em outras hiperPáginas. A estrutura de um hiperDocumento assim produzido é uma hierarquia, onde os níveis mais altos espelham as idéias gerais e os níveis mais baixos são detalhamentos". (Melgarejo, 1991a:5)
O usuário pode consultar a base de dados do sistema, e incorporar textos/imagens nela contidos ao seu próprio trabalho.Além disso, o sistema de anotações pode ser utilizado para comentar ou manter referências no texto em andamento, sem prejuízo do conteúdo já escrito ou de sua leitura.
"O hipertexto ou a multimídia interativa adaptam-se particularmente a usos educativos. É bem conhecido o papel fundamental do envolvimento pessoal do aluno no processo de aprendizagem. Quanto mais ativamente uma pessoa participar da aquisição de um conhecimento, mais ela irá integrar e reter aquilo que quer aprender. Ora, a multimídia interativa, graças a sua dimensão reticular ou não linear, favorece uma atitude exploratória, ou mesmo lúdica, face ao material a ser assimilado. É, portanto, um instrumento bem adaptado a uma pedagogia ativa." (Lévy, 1995:40)
No texto acima Lévy destaca que a mesmo a leitura dos hipertextos pode ser muito mais ativa do que o leitura de um texto comum, uma vez que o leitor pode definir a rota da leitura de forma mais flexível. O projeto hiperNet avança no sentido da compreensão de que se a leitura de um documento hipermídia já apresenta avanços importantes, muito mais rico é o ganho cognitivo de um ambiente de edição hipertextual.
Não há na concepção do sistema hiperNet, nenhuma preocupação com o controle do processo de aprendizagem numa conotação repressiva. O hiperMural Individual permite total privacidade ao usuário, garantido o desenvolvimento de um trabalho sem medos e livre de cerceamento. Apoio ao trabalho cooperativo
Os sistemas de rede de computadores são a princípio aptos ao trabalho cooperativo. Mas as dificuldades surgidas com a incompatibilidade dos protocolos e códigos são um empecilho sério ao efetivo desenvolvimento da cooperação em rede. No sistema hiperNet, previu-se a necessidade de compatibilidade e compartilhamento entre os documentos gerados em todo o sistema, mesmo na produção individual.
Além disso o sistema previu um local privilegiado para o trabalho em grupo, o hiperMural de Grupo. Os grupos devem poder ser formados livremente sem coerção e sem privilégios especiais. Não há nessa concepção a figura do owner (proprietário) das atuais listas de discussão da INTERNET. Todo participante do grupo tem direito inclusive de listar outros novos integrantes para o mesmo. Ou seja, o sistema prevê total liberdade de organização. O grupo deverá se organizar inclusive para criar as próprias regras para os casos de reescrita e destruição de hiperPáginas, etc. O sistema deve permitir que tais regras sejam postas em vigor ou implementadas com facilidade.
O sistema de anotações permite a colaboração entre colegas que podem revisar e comentar o trabalho dos outros. Em qualquer lugar onde as pessoas trabalham em grupo ou têm facilidade de comunicação, a revisão (ou comentário) do trabalho de colegas é uma das mais importantes formas de colaboração. Apoio à descentralização do processo formativo
As características do sistema descrito favorecem uma abordagem não centralizada para os programas pedagógicos.
Não há, o menor risco de institucionalização, como assinalam Gutierrez e Prieto, se essa for a determinação política. Este risco era implícito às técnicas de produção e distribuição de materiais, utilizadas nos processos de educação não presenciais tradicionais. Não há a necessidade de uma instituição administrando a produção e distribuição dos materiais a serem utilizados, pois o mesmo poderá ser confeccionado pelos próprios participantes a partir dos seus próprios interesses. É preciso apenas que instituições sejam mantenedoras dos locais onde a aprendizagem ocorre, não se atribui a estas instituições nenhum papel na definição da temática.
A criação e a livre organização dos grupos temáticos é a principal característica descentralizadora do sistema
"Além dos hiperMurais de Grupo, o hiperMural Coletivo poderá assumir características interessantes. Pelos seus atributos, o hiperMural Coletivo é uma espécie de 'anfiteatro' onde se dão as manifestações de cunho geral da comunidade usuária do sistema." (Melgarejo, 1991a:12).
Na perspectiva pedagógica animadora do projeto hiperNet, o conhecimento é uma construção ao mesmo tempo individual e coletiva. Esse mesmo conhecimento é produzido a partir das vivências e experiências individuais, que vão se coletivizando e significando, na medida em que são comunicadas. Aprende-se na medida que se problematiza a própria existência e se comunica esta experiência aos outros. Essa problematização coletiva leva à apropriação das ferramentas de comunicação e da cultura portanto.
"É importante destacar que, além das implicações pedagógicas, um software com as características descritas ( distribuído, múltiplos usuários) acaba por estabelecer uma microsociedade, com suas implicações culturais e políticas (quando não econômicas). Com a implantação de modelos autônomos e participantes para essas 'sociedades virtuais', esperamos poder avaliar concretamente as possibilidades de contribuição que esse tipo de software pode trazer para os processos de desenvolvimento de indivíduos criativos e preparados para a autogestão e o trabalho cooperativo." (Melgarejo, 1995)
Implementação técnica
O sistema hiperNet, na maneira como ele foi inicialmente modelado se constituía numa idealização de um ambiente capaz de suportar uma prática pedagógica revolucionária e libertadora. É compromisso da equipe que desenvolve o sistema a busca e o aproveitamento de todas as soluções técnicas disponíveis à sua implementação. Desde a sua idealização, até o momento atual (agosto de 1995), várias etapas foram desenvolvidas, houveram recuos e avanços importantes em função do rápido desenvolvimento tecnológico ocorrido na área.
Inicialmente tentou-se a implementação em redes locais de baixo custo (Marchini, 91). Foi desenvolvido também um sistema de hipertexto, o ConTexto (Hollanda, 89) que chegou a integrar serviços da rede NetWare e da rede experimental implementada (Ballista, 90; Marchini, 90).
Foram também implantados sistemas metropolitanos de redes sem fio tipo AMPRnet (rádio pacote). Em meados de 1993, foi decidida a utilização do conjunto de protocolos TCP/IP, dada a rápida expansão do sistema INTERNET. Essa decisão, gerou um novo encaminhamento para o projeto trazendo-o à situação atual. Um dos principais entraves vencidos pela equipe foi a superação da incompatibilidade entre a plataforma de desenvolvimento de software adotada (ambiente SMALLTALK) e o sistema WINSOCK, que permitia a conexão dos equipamentos tipo PC-compatível com os protocolos TCP/IP.
No momento em que foi realizada a experimentação que deu origem a este trabalho já se tinha disponível um cliente gopher, o eduGopher, de nível bastante profissional, que permitia a edição remota e cooperativa do repositório a partir de um menu com opções de edição. Combinado e agregado ao cliente gopher estava um sistema de Correio Eletrônico, o eduCorreio, e um cliente MOO, ainda em fase de desenvolvimento. Estas ferramentas compunham a primeira versão do ambiente que foi chamado de eduFórum. O eduFórum representou a primeira versão pública do sistema hiperNet.
Esta versão do sistema hiperNet ainda não é a inicialmente idealizada, mas já tem um grande potencial pedagógico a ser explorado. Implementação pedagógica A rede HiperNet
Como já foi dito é também objetivo do projeto hiperNet implantar e testar modelos de uso pedagógico efetivo de recursos de rede, que possam contribuir para transformações radicais na atual realidade educacional.
Isto porque, como destaca Melgarejo:
"Procuramos evitar uma possibilidade perversa: que a pesquisa universitária, financiada por toda a população, somente saia dos laboratórios para servir a grupos que possam pagar por seus resultados." (Melgarejo, 1995).
Foi preciso então compor uma rede de computadores, aonde a tecnologia já desenvolvida, juntamente com os referenciais pedagógicos que a instigaram, pudessem ser efetivamente aplicados e desenvolvidos.
Nesse sentido buscou-se articular, junto à entidades interessadas no processo educativo comunitário, a viabilidade do uso do sistema. As ações encaminhadas nesta direção permitiram o surgimento de parcerias com várias instituições que viabilizaram a implantação de NET's - Núcleos de Experimentação/Aprendizagem de Telemática.
Tecnicamente um NET é uma sub-rede de equipamentos do tipo PC, interligados por tecnologia TCP/IP. Essa sub-rede, por sua vez, está necessariamente conectada de forma permanente à sede do projeto, na UFSC, aonde se encontram equipamentos de maior porte (do tipo SPARC 10), que rodam os servidores principais da rede (Processadores de Listas, Servidores Gopher, WWW, MOO, POP, SMTP, etc.).
Na parceria, a equipe do projeto hiperNet entra com a tecnologia, instalação e manutenção inicial do software de rede, enquanto o parceiro local entra com o espaço físico, equipamentos, segurança e material de expediente.
Os softwares desenvolvidos no âmbito do projeto são também postos disponíveis, assim como softwares desenvolvidos pelo Edugraf, de uso mais genérico, como o AABC (Ambiente de Aprendizagem Baseado em Computador), a ser descrito na seção 5.2.1.
A equipe do projeto, também, planeja e executa a capacitação do pessoal local, tanto no uso/aplicação dos softwares educacionais, como quanto aos procedimentos de manutenção de rede local necessários. Estas pessoas serão mediadores que passarão a fazer o contato direto com a população usuária que irá se integrar a rede, participando dos Fóruns hiperNet.
Além disso, O EDUGRAF torna disponível nos Net's um conjunto de repositórios de informação que já vêm sendo sistematizados nas várias etapas anteriores do trabalho do laboratório.
Dos parceiros na construção de um NET, espera-se em contrapartida, além dos recursos computacionais e humanos, a garantia de acesso livre e desburocratizado da comunidade participante dos fóruns.
Os Net's que estavam instalados em Santa Catarina na época em que o projeto foi desenvolvido, juntamente com os seus respectivos parceiros são os seguintes:
Os fóruns hiperNet
Está se chamando de fóruns hiperNet aos debates que acontecem na rede hiperNet, em torno de um tema, utilizando o ambiente eduFórum como apoio.
Um fórum hiperNet gira em torno de um tema dominante, estabelecido livremente pelos seus participantes.
Para cada fórum é construído, pelas pessoas inicialmente interessadas, um repositório de informações (hiperMídia) que se torna disponível aos participantes. Este é constituído de textos, sons, imagens digitalizadas, ligações com outros repositórios na Internet, etc. Estes repositórios servem como base para o debate que se desenvolve em torno do tema, o mesmo vai sendo reconstruído durante os debates que ocorrem na rede, na medida em que novas sistematizações são construídas. O repositório é um instigador do debate. É importante salientar que todo participante tem iguais direitos de edição desse repositório hiperMídia, podendo adicionar material, apagar, mover, comentar, ligar, etc...
Os participantes dos fóruns contam também com um ambiente de exploração de 'realidade virtual' e conversação eletrônica. Este modo de comunicação (síncrona) coloca os participantes em contato direto e instantâneo, via rede. Essa conversação é espontânea e livre (em conteúdo). O ambiente computacional aonde se desenrolam essas conversas permite, ainda, que o participante possa explorar ambientes virtuais, onde ele pode criar objetos virtuais que ficam então dispostos à manipulação coletiva (no estilo RPG - roller playing games ).
A comunicação assíncrona é viabilizada num ambiente
de conferência eletrônica), onde o debate propriamente dito sobre
o tema do Fórum, é realizado. Essa conferência é
suportada por uma Lista de Difusão de Correspondência. A lista
de difusão mantém um seminário permanente sobre o tema.
Neste, todos podem ouvir, assim como, todos podem ser
ouvidos.
Os objetivos que delimitaram a ação empreendida no presente trabalho foram:
Os objetivos gerais são desdobrados de forma mais específica como segue:
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