UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
  

 

 

AVALIAÇÃO E ANÁLISE DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE NA INDÚSTRIA DE PAINÉIS DE FIBRAS DURAS
 
 Ghislaine Miranda Bonduelle
 
 
 Florianópolis, fevereiro de 1997
  
AVALIAÇÃO E ANÁLISE DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE NA INDÚSTRIA DE PAINÉIS DE FIBRAS
 
 
Tese apresentada como requisito parcial
à obtenção do título de Doutor. Programa
de Pós-Graduação em Engenharia da
Produção, Departamento de Engenharia
de Produção e Sistemas, Universidade
Federal de Santa Catarina.

 

Orientador:
Prof. Dr. Plinio Stange (in memorian)

 
FLORIANÓPOLIS
1997

AVALIAÇÃO E ANÁLISE DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE NA INDÚSTRIA DE PAINÉIS DE FIBRAS
 
 
GHISLAINE MIRANDA BONDUELLE
 

ESTA TESE FOI JULGADA ADEQUADA PARA A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE
 

"DOUTOR EM ENGENHARIA"

 

ESPECIALIDADE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS E APROVADA EM SUA FORMA FINAL PELO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO.

 

_________________________________
Prof. Ricardo Miranda Barcia, Ph.D.
Coordenador do Programa
Prof. Plínio Stange, Dr.
Orientador (in memorian)
Banca Examinadora :
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Prof. Rogério Cid Bastos, Dr.
Moderador
_________________________________
Prof. Miguel Fiod Neto, Dr.
Membro da UFSC
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Prof. Robert Wayne Samohyl, Dr.
Membro da UFSC
_________________________________
Prof. Norberto Hochheim, Dr.
Membro da UFSC
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Profa. Graciela Inês Bólzon Muñiz, Dra.
Membro externo (UFPR)
_________________________________
Prof. Sidon Keinert Jr, PhD.
Membro externo (UFPR)

AGRADECIMENTOS

 
Ao Prof. Plínio Stange, alguém que antes de ser um orientador, foi um amigo. Onde quer que você esteja, saiba que seus incentivos foram fundamentais para o prosseguimento de meu trabalho nos momentos de desânimo.

Ao Programa CAPES/PICD pela concessão das bolsas de estudo no país e no exterior (França), modalidade "Bolsa-Sanduíche".

Ao Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, pela aceitação no referido curso.

Ao Prof. Dr. Patrick Martin, da Université de Nancy I, pela orientação dentro do quadro da bolsa doutorado sanduíche.

Aos membros da banca examinadora pelas sugestões apresentadas para o engrandecimento deste trabalho.

A equipe do LACN/CRAN/Fac des Sciences pela acolhida no laboratório.

A Denise Choffel, pela amizade, companheirismo, apoio e paciência nas correções de meus erros em francês.

A Patrick Langbour, gerente de produção da empresa francesa onde este trabalho foi realizado, pela dedicação e apoio, durante o período de coleta de dados.

A Arnaud, pelo auxílio na parte gráfica, sugestões e constante colaboração.

Muitas são as dificuldades surgidas no decorrer da elaboração de um trabalho de tese. Felizmente, existem as pessoas que estão sempre prontas a nos auxiliar, a nos encorajar nos momentos mais difíceis. Gostaria de registrar meus sinceros agradecimentos a estas pessoas que sempre me apoiaram, em particular, a Graciela I. Bolzón Muñiz, Sidon Keinert Junior, Umberto Klock, Norberto Hochheim, Miguel Fiod Neto, Gláucia Aparecida Prates e Ingrid Nielsen.

A todos aqueles que colaboraram para a elaboração desse trabalho : o meu muito obrigado!

Finalmente, não poderia deixar de agradecer a existência das três pessoas mais importantes de minha vida: minha filha Aline, meu marido Arnaud e minha mãe Therezinha.


SUMÁRIO

 
RESUMO
 
ABSTRACT
 
RESUMÉ
1 INTRODUÇÃO
2 REVISÃO DA LITERATURA 
2.1 QUALIDADE
2.1.1 Conceitos
2.1.2 Gerenciamento da Qualidade
2.1.3 Sistema de Qualidade
2.1.4 Sistema de Produção
2.1.5 Sistema de Qualidade Propriamente Dito
2.1.6 A Norma ISO 9000
2.1.7 A Má Qualidade
2.2 CUSTOS
2.2.1 Custos de produção
2.2.2 Custos de exploração e manutenção
2.2.3 Preço de venda
2.3 CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

2.3.1 Conceito de Custo da Má Qualidade

2.3.2 Vantagens da Avaliação dos Custos da Má Qualidade

2.3.3 Elementos dos Custos da Má Qualidade

2.3.4 Interação entre os Custos Controláveis e Resultantes

2.3.5 Interação entre a Prevenção e a Avaliação

2.4 A INDÚSTRIA DE PAINÉIS

2.5 FERRAMENTAS DE CONTROLE

2.5.1 Controle Estatístico de Processos

2.5.2 Planejamento de experimentos
 

3 METODOLOGIA

3.1 LOCAL DE REALIZAÇÃO DO ESTUDO

3.2 CARACTERÍSTICAS DA LINHA DE PAINÉIS DE FIBRAS

3.3 A EMPRESA EM FACE À NORMA ISO 9000

3.4 DETERMINAÇÃO DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

3.4.1 Avaliação dos Dados Disponíveis no Setor Contábil

3.4.2 Tomada de Dados Complementares Junto ao Setor Produtivo e ao Serviço de Expedição e Vendas

3.4.3 Cálculo de Dados Adicionais não Explícitos no Livro Contábil

3.4.4 Organização dos Dados e Cálculo dos Custos da Má Qualidade

3.5 FERRAMENTAS DE CONTROLE UTILIZADAS NA DETERMINAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

3.6 MODELO PROPOSTO PARA A TOMADA DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE
 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 INDICADORES DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

4.2 CUSTOS DIRETOS

4.2.1 Custos Resultantes

4.2.2 Custos Controláveis

4.3 MARGEM DE LUCRO

4.4 A ISO 9000 COMO FERRAMENTA DE APOIO NA DETERMINAÇÃO DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

4.5 MODELO PROPOSTO PARA A TOMADA DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

4.5.1Analisar Concretamente o Setor que Será Analisado

4.5.2 Selecionar e Definir os Elementos dos Custos da Má Qualidade

4.5.3 Obter o Aval da Direção

4.5.4 Elaborar Modelos de Formulários, Relatórios e Procedimentos Preliminares

4.5.5 Treinar o Pessoal Envolvido

4.5.6 Aplicar o Modelo Proposto

4.5.7 Analisar as Dificuldades e Entraves na Determinação dos CMQ

4.5.8 Divulgar os Resultados

4.5.9 Procurar as Causas dos Custos da Má Qualidade

4.5.10 Aplicar as Medidas Corretivas e/ou Preventivas

4.5.11 Reavaliação do Sistema

4.5.12 Promover o Aperfeiçoamento do Sistema

 
5 CONCLUSÕES
5.1 COM RELAÇÃO AOS RESULTADOS OBTIDOS
5.2 COM RELAÇÃO AO MODELO PROPOSTO
5.3 COM RELAÇÃO ÀS AÇÕES SIMULTÂNEAS AO MODELO PROPOSTO
 
6 SUGESTÕES
6.1SOBRE A APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO SOBRE A NORMA ISO 9000
6.2SOBRE OS INDICADORES DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE
6.2.1 Custo da Má Qualidade Atinge em média 58% do Volume de Negócios
6.2.2 Custos da Má Qualidade Ultrapassam 50% do Valor Agregado
6.3 SOBRE AS FERRAMENTAS DE CONTROLE DE QUALIDADE
6.4 SOBRE A GESTÃO DE ESTOQUES
6.5 SOBRE A AVALIAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS DA MÁ QUALIDADE
 
Anexo 1 - Questionário sobre a Norma ISO 9000
 
Anexo 2 - Cálculo dos CMQ
 
Anexo 3 - Cálculos auxiliares
 
Anexo 4 - Ganhos potenciais
 
Anexo 5 - Formulários auxiliares do método de avaliação dos CMQ sugeridos
 
ANEXO 6 - Modificações na tomada dos CMQ considerando vendas do material desclassificado
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
 


LISTA DE ABREVIATURAS
 

CMQ - Custo da má qualidade
VN - Volume de negócios
VA - Valor agregado
EF - Efetivo
FF - Franco-francês (1FF @ 5 reais)
FF/t - Franco-francês por tonelada
FF/hom. - Franco-francês por homem
FF/mês - Franco-francês por mês
kFF - Quilo franco francês = FF*103
mFF - Milhões de francos-franceses = FF*106
MDF - Fibras de média densidade
QFD - Desdobramento da função qualidade
P.V.- Preço de venda
CEP - Controle estatístico de processos
JIT - Just in Time
UM - Unidade monetária


RESUMO
 
Este trabalho teve por objetivo principal avaliar os custos da má qualidade, em uma indústria de painéis de fibras, localizada no sul da França, durante o 1° semestre de 1995. O sistema adotado para a avaliação dos custos da má qualidade (CMQ) foi adaptado da norma AFNOR NFX50-126, acrescentando-se, ainda, outros indicadores para a avaliação da evolução desses custos como os ganhos potenciais da empresa e a sua margem de lucro. A análise das causas destes custos foi realizada através de ferramentas de controle, tais como gráficos de Pareto e Ishikawa, cartas de controle, capacidade do processo e planejamento de experimentos. A demonstração da aplicabilidade destas ferramentas em um sistema de avaliação de custos concentrou-se sobretudo na prensa, o maior gargalo de produção do processo em questão. Utilizou-se a norma ISO 9002 como guia referencial de análise da postura da empresa em relação à qualidade. O resultado foi considerado positivo, pois a abrangência da norma permite obter uma grande quantidade de informações, o que faz dela uma ótima ferramenta de apoio na avaliação dos CMQ.Os resultados obtidos na avaliação demonstraram que os custos diretos da má qualidade absorvem 58% do volume de negócios da empresa. A empresa não realiza a prevenção de defeitos e as anomalias internas respondem por 81% do CMQ, sendo a principal causa as desclassificações ( cerca de 33%), seguidas pelos estoques intermediários (16,9%), rejeitos e perdas sobre o formato (14%) e paradas e panes com um percentual de 10%. As principais não-conformidades na desclassificação são as manchas e as variações na espessura dos painéis, ambos originados na prensa. Os resultados do planejamento de experimentos efetuado sobre a prensa constataram que é preferível a utilização de chapas de compensação entre os pratos da prensa e que as espessuras são mais homogêneas no final do ciclo de produção de três semanas. A posição dos pratos na prensa também possui influência na espessura dos painéis, sendo mais instáveis aqueles que foram prensados entre os pratos superiores da prensa. O cálculo dos ganhos potenciais e da margem de lucro da empresa demonstraram que se a empresa produzir corretamente desde a primeira vez poderá obter uma margem teórica de lucro de 7%. Visando a obtenção dos custos da má qualidade de maneira simplificada e precisa, sugere-se um modelo de tomada dos CMQ para o caso estudado, bem como formulários e procedimentos que auxiliem e facilitem a implantação do modelo.
  
ABSTRACT
 

This work has as objective to evaluate the non quality costs, in an industry of fiberboard panel, located in South of France, during the first semester of 1995. The system adopted to the evaluation of non quality costs (NQC) was adapted from the norm AFNOR NFX50-126, adding other indicatives to the evaluation of the evolution of these costs like the potential gains of the company and it profit margin. The causes analysis of these costs was made through control tools as Pareto and Ishikawa graphics, processes control charts, capacity of the process and experiments plans. The demonstration of applicativity of these tools in an evaluation system of costs concentrated mainly in the press, the bigger neck of production of this process. It was used the norm ISO 9002 as a referential guide of the analysis of the posture of the enterprise in relation to the quality. The result was considered positive, because the norm allows to reach a great quantity of information’s, what turns it a good tool of support in the evaluation of the NQC. The results obtained in the evaluation showed that the direct costs in non quality absorb 58% of the company percentual of sales. The company does not do the prevention of defects and internal failures answer for 81% of NQC, being the main cause the disqualification (about 33%), followed by intermediary stocks (16.9%), rejections and losses about the shape (14%) and stops and failures with 10%. The main defects in the declassification are stains and variations of thickness of the panels, both originated in the press. The results of the trials planning effectuated over the press evidenced that is preferred the use of compensation plates between the plates of the press and that the thickness are more homogeneous in the end of the production cycle of three weeks. The position of the plates of the press has also the influence in the thickness of the panels, being more unstable than those pressed between the superior plates of the press. The calculation of potential gains and the margin of profits of the company showed that if the enterprise product correctly since the first time can obtain the theoretical profit margin of 7%. Looking for the obtainment of non quality of simple way, it is suggested a methodology of NQC for the studied case, as forms and proceedings that help and make easier to implant the model.

  


RESUMÉ
 

L’objectif de ce travail fut l’évaluation des coûts de la non-qualité CNQ, durant le premier semestre 1995, dans une usine de fabrication de panneaux de fibres localisé dans le sud de la France.Le système adopté pour cet évaluation fut adapté de la norme AFNOR NF X50-126 en ajoutant, d’autres indicateurs pour l’évaluation de l’évolution de ces coûts comme gains potentiels de l’entreprise et ses marges. L’analyse de ces coûts fut été réalisé par les outils de contrôle, comme les graphiques de Pareto et d’Ishikawa, les cartes de contrôle, la capacité du processus et les plans d’expériences. L’applicabilité de ces outils (dans un système) fut démontré sur majeur partir de la ligne de fabrication depuis le conformation du mât au stockage avant livraison (la presse, le plus gros goulot de production du processus en question). La norme ISO 9002 fut utilisé comme un guide référentiel de l’analyse de l’entreprise vis-à-vis de la qualité. Le bilan obtenu fut considéré positif, car le domaine d’application de la norme permet d’obtenir une grande quantité d’informations, ce qui en fait un excellent outil de soutien dans l’évaluation des CNQ. Les résultats obtenus dans cette évaluation ont démontré que les coûts directs de la non-qualité atteignent 58 % du chiffre d’affaires de l’entreprise. Cette dernière ne fait pas de prévention des défauts, et les anomalies internes sont, ainsi, responsables des 81% du CNQ, en ayant comme principale cause les déclassements (à peu prés 33 %), puis les stocks intermédiaires (17 %), les rebuts et les pertes sur format (14 %) et enfin les arrêts et panes avec une proportion de 10%. Les principales non-conformités dans le déclassement sont les tâches et les variations d’épaisseur des panneaux. Dans les deux cas, l’origine de ces défauts est à imputer en grande partie à la presse. Les résultats du plan d’expériences effectué sur la presse ont mis en évidence les zones critiques. Diverses solutions techniques furent proposées pour répondre aux différentes anomalie. Nous pouvons retenir l’utilisation de tôles de compensation, montées respectivement sur chaque plateau défectueux, qui a permis d’obtenir des épaisseurs bien plus homogènes pendant toute la durée du cycle de production de trois semaines. La position des 30 plateaux composant la presse a aussi son influence sur l’épaisseur des panneaux. Nous constatâmes notamment de fortes irrégularités dans les étages supérieurs. Le calcul des gains potentiels et de la marge ont permis de constater que l’entreprise pourrait faire une marge théorique de 7 %, en réalisant tous ses produits du premier coup. Avec pour objectif d’obtenir les coûts de la non-qualité de manière simplifiée, mais néanmoins plus précise, nous suggérons un modèle de prise de CNQ pour le cas étudié, ainsi que les formulaires et procédures qui aident à l’implantation du modèle et permettent une réponse plus rapide à la dérive.