b.3) Probabilidades de encontrar peças fora das tolerâncias especificadas
Z = -2,25 0,0122 - valor extraído da distribuição normal reduzida (SPIEGEL, 1982)
A probabilidade de ocorrência de painéis com massa específica inferior a 1000 kg/m3 é de 0,0122, o que equivale a 1,22 % do total produzido. Em uma análise rápida este valor pode parecer baixo, porém quando conferimos o quanto este percentual significa sobre o volume total produzido, os resultados podem ser bem expressivos.
Probabilidade dos valores situarem-se acima de 3,40 mm = 0,07 %
- Probabilidade dos valores situarem abaixo de 3,00 mm P(x 3,00)
Probabilidade de os valores situarem-se abaixo de 3,00 = 4,01 %
Os resultados encontrados demonstram que se pode ter 95,92 % de confiança de que a média amostral das espessuras dos painéis esteja entre os valores 3,00 e 3,40mm. A probabilidade de encontrar-se peças fora das especificações, de 4,08 %, não pode ser desconsiderada. Esse valor demonstra claramente a necessidade de regulagem da máquina.
b.4) Planejamento de experimentos
Os ensaios foram realizados em ordem aleatória, tal como é recomendado pelos especialistas. Os dados que foram objeto do experimento estão inscritos no quadro 11.
Observa-se que a média global medida é de 3,259 mm de espessura. Os efeitos dos fatores e das interações foram calculados com a ajuda deste mesmo quadro e são representados graficamente pela figura 32.
O planejamento tem por objetivo obter especificação da espessura nominal de 3,20 mm com tolerâncias de 0,20 mm controlando os fatores mais importantes.
O quadro 11 e a figura 31 evidenciam, por um lado, os efeitos dos fatores A e C e, por outro lado, a interação AB. É sempre interessante lembrar que um efeito é mais significativo quando ele é superior ou igual à tolerância especificada.
A interação AB pode ser observada pela figura 33, apresentada a seguir :
A interação BC, um pouco mais significativa (efeito = -0,08), representada pela figura 34, indica claramente que o prato no 15 dá ao painel uma espessura mais constante que o prato no 1 ( fator C no nível 2).
Pode-se observar , através deste exemplo, todo o interesse de um plano de experimento. De fato, caso tivesse sido aplicado um experimento clássico (que utiliza a análise individual da variação de um parâmetro), o início do ciclo de prensagem teria sido escolhido para obter-se uma espessura do painel mais fiel à especificação 3,20mm quando na realidade, é preferível, em razão das interações com o Fator A, de escolher o final do ciclo de prensagem (fator B no nível 2). Este fenômeno é explicado pelo fato que uma prensa desta gama leva alguns dias para "regular-se" em função da pressão solicitada.
Pode-se representar, esquematicamente, pela figura 36, as oito combinações para estes três fatores e constata-se muito claramente que trata-se da combinação A2-B2-C2 (em segundo plano e em pontilhado sobre a figura 36) que é a mais próxima da especificação escolhida.
b.5) Deformação do painel
Um outro problema observado na expedição é o encanoamento, entelhamento e curvamento, ou seja a deformação dos painéis. Esta não conformidade tem como causas básicas :
- empilhamento realizado sem alinhamento dos tabiques;
- tensão muito forte nas fitas de empacotamento;
- tempo de permanência nas câmaras de climatização excessivamente curto. este problema possui maiores consequências quando o tratamento da câmara úmida é insuficiente.
Analisando-se estas causas pode-se
constatar que as duas primeiras podem ser consideradas como falhas humanas,
as quais podem ser facilmente eliminadas através de uma boa orientação
aos operários responsáveis pelo serviço. A última
causa ocorre em um gargalo de produção, ou seja, a capacidade
volumétrica das câmaras é insuficiente para atender
a produção desejada. A redução do tempo de
permanência dos painéis nas câmaras é uma decisão
de dar prioridade na quantidade produzida sobre a qualidade. Neste caso
esta prioridade é evidenciada através da redução
do tempo de permanência dos painéis na câmara, cuja
conseqüência é a redução das propriedades
físicas e mecânicas dos painéis.
- estoque da produção anterior (precedente),
- estoque da produção em curso.
Estes resultados estão demonstrados na figura 37.
O custo do estoque dos painéis apresenta-se como uma porção bem representativa nos custos da má qualidade. Os valores encontrados são excessivamente altos quando comparados com o custo da produção dos painéis. No caso estudado, foram considerados o custo de produção dos estoques, o custo de estocagem e, ainda, a perda de parte deste material devido à estocagem inadequada. Estes elementos contribuiram para a obtenção destes resultados elevados.
Os estoques podem ter origem :
O sucesso da indústria japonesa é devido, em grande parte, aos sistemas de estoques zeros através da aplicação de filosofias como "Just-in-Time" e "Kanban". De acordo com SHINGO (1989), eliminar estoques significa eliminar desperdícios. HARMON e PETERSON (1991) vão mais além, quando afirmam que a eliminação de estoques desnecessários permite o aumento das áreas de trabalho e, quando este espaço é utilizado racionalmente pode constituir-se em uma fonte de benefícios econômicos.
De fato, os produtos estocados no chamado grenier geram uma fonte de custos da má qualidade que deveria ser evitada, tendo em vista seus altos custos de manutenção. Esta área poderia ser aproveitada dentro de um estudo de modificação do lay-out da fábrica, desobstruindo as áreas mais congestionadas. Melhorias na circulação e na visualização do processo podem reduzir custos decorrentes de erros provocados por dificuldades de acesso ao maquinário e produtos, falhas de comunicação, esquecimento de produtos em curso de fabricação ou acabados.
Efetivamente, produzir e manter produtos desclassificados em estoque custa duas vezes mais do que não produzir nada. Esta afirmação é baseada nos seguintes dados coletados na empresa objeto de nosso estudo :
+ 9 t à 183 FF/t para a operação de retriagem
+ 25 %, em média, (das 9 toneladas) para realizar o estoque à 2384 FF/t
25 902 FF a ser comparado com 9704 FF referente à uma hora de parada da linha
Não se pode deixar de citar um outro problema detectado, que advém do fato de o controle dos estoques ser realizado pelo serviço de vendas, se baseia em relatórios teóricos da produção e não na realidade do processo produtivo, acarretando falsas informações na gestão do processo.
O tratamento dado aos estoques necessita de mudanças de caráter prioritário, pois os painéis excedentes ou que aguardam uma finalidade qualquer são estocados em vários locais da fábrica, o que dificulta o seu controle e a sua conservação. O estoque dos painéis não obedece regras de tabicamento e alinhamento das pilhas, o que provoca defeitos como curvaturas e entelhamentos. Alguns locais da usina que são utilizados para estocagem não possuem revestimento do solo, sendo o mesmo empoeirado e irregular, o que provoca defeitos de manuseio da empilhadeira e manchas de lama nos painéis estocados.
Parte desse material jamais será
vendido e/ou aproveitado em virtude de suas péssimas condições.
As perdas sobre o formato são devidas aos recortes que são realizados em função das exigências da clientela, sendo que o controle pode ser realizado somente na otimização destes cortes.
Por outro lado, os rejeitos que são causados devidos a não conformidades apresentadas pelo painel são passíveis de controle, da mesma forma como no setor triagem. Os principais defeitos que originam os rejeitos são representados na figura 38.
É preciso considerar, também, que os defeitos oriundos do mau funcionamento dos equipamentos custam muito para a empresa e que são difíceis de avaliar, pois eles são incluídos nos custos globais do processo.
Estes custos devidos às panes compreendem: os gastos com o pessoal, os equipamentos e ferramentas de manutenção, os produtos e matérias perdidas e o custo da manutenção do estoque.
A figura 39 mostra a taxa de utilização da linha de produção, em um período de seis meses. esta taxa foi chamada de tempo produtivo padrão de acordo com BURBIDGE (1988).
O tempo produtivo padrão da máquina não atinge sua capacidade máxima de 100 % devido à vários fatores: as panes, as mudanças de peças, as preparações e regulagens, o funcionamento "a vazio", pequenas paradas para as pequenas falhas, as não conformidades, e as perdas no reinício da produção.
Como já mencionado, na empresa em questão são realizadas paradas, a cada três semanas, por um período de 72 h, onde são efetuadas manutenções no equipamento. Tanto o intervalo entre paradas como o tempo da parada são motivo de críticas por parte do pessoal ligado ao processo, pois a produção fica condicionada a produzir painéis de qualidade inferior durante os dois ou três primeiros dias após o seu reinício, devido aos reajustes das máquinas. Estas são as citadas perdas do reinício da produção. Como conseqüência, cerca de 50 % das paradas são devidos a reparações, pois esta manutenção realizada está incluída no item reparações.
HARMON e PETERSON (1991) defendem a idéia de que a redução do tempo de troca de ferramentas (changeover) e do tempo de preparação das máquinas (setup) podem reduzir os custos de produção em até 80% e, ainda, proporcionar o aumento da produtividade. Estes autores afirmam que uma preparação demorada das máquinas ocasionam ciclos de produção muito longos que irão originar estoques e atrasos nas entregas, ou seja, irão causar custos da má qualidade.
Por outro lado, SHINGO (1989) prefere dar ênfase à ociosidade a qual a mão-de-obra é submetida durante as reparações, paradas e panes. De acordo com este mesmo autor, a taxa de utilização das máquinas tem uma importância menor que a taxa de utilização da mão-de-obra, pois as máquinas podem ser amortizadas e o valor da amortização cair à zero, enquanto que os salários, que tendem a aumentar, deverão sempre ser pagos aos trabalhadores. Isto quer dizer que, a longo prazo, a mão-de-obra pode custar mais caro que uma máquina caso não seja bem utilizada.
No caso estudado, parte da composição dos custos da produção é devida à utilização da mão-de-obra em reparações e regulagens, quando poderia estar ocupada em uma atividade produtiva, que gere renda para a empresa.
O segundo fator de importância são as falhas mecânicas que ocorrem em virtude do equipamento ter sido comprado de segunda mão e « adaptado » ao processo. Mesmo que os controles das máquinas sejam modernos e computadorizados, a parte mecânica deixa muito a desejar, seja pela falta de um componente, seja pela sua concepção inadequada à finalidade requerida.
A figura 40 demonstra as principais
causas das paradas e panes provocadas no processo, segundo relatórios
mensais de produção de LANGBOURG (1995).
O preço de venda do produto é influenciado por três fatores principais: a concorrência, os custos de produção e, principalmente, a clientela. A necessidade de uma análise de mercado que inclua a evolução da concorrência e das expectativas do cliente é latente, sobretudo porque estas expectativas são dinâmicas e tornam-se cada vez mais exigentes através do tempo e em função da oferta do mercado. Este último fator, que possui forte repercussão nas vendas, pode ser ilustrado através da figura 42 que ilustra a evolução da satisfação dos clientes, de acordo com HARRINGTON (1990) :
c) Através da redução do custo de produção:
c.1) Corte de pessoal: O corte de pessoal normalmente é utilizado como o primeiro recurso de uma empresa para a redução de seu custo de produção. O raciocínio empregado é o de que ao reduzir a quantidade de pessoal, o quadro remanescente é forçado a exercer mais trabalho produtivo, mantendo-se, portanto a mesma produção a um custo menor. Porém, este tipo de pensamento é um pouco perigoso quando pensa-se em qualidade, pois um trabalhador sobrecarregado, trabalhando sob pressão e descontente é mais susceptível a erros, os quais podem levar a uma redução do nível da qualidade do processo. A empresa estudada já adotou este gênero de medidas e os impactos sociais foram significativos, sendo expressos na forma de greves, boicotes à produção, entre outras medidas retaliadoras. A força de trabalho, quando unida, pode acarretar grandes prejuízos para a empresa. A estabilidade do trabalhador é considerada uma grande aliada da qualidade pelas empresas japonesas, pois nestas indústrias um empregado é contratado por toda sua vida (SCHONBERGER, 1984). A longa permanência de um trabalhador no âmbito de uma empresa que promove a sua participação no processo produtivo é altamente benéfica nos programas de qualidade, pois pode-se investir neste trabalhador e efetuar-se um programa contínuo sem a necessidade de constantes retornos ao ponto de partida em função da saída e/ou entrada de funcionários. Neste ponto a indústria madeireira, caracterizada pela alta rotatividade de seus operários, possui um ponto negativo muito forte para o sucesso de programas de qualidade. Essa alta rotatividade ocorre, basicamente, devido a três motivos :
c.2) Redução de estoques: Manter estoques custa os juros sobre o capital empatado mais as despesas da própria manutençao física, o aluguel ou amortização dos armazéns e os salários dos trabalhadores neles ocupados (FULLMANN et al., 1989). Os estoques de segurança, mantidos por algumas empresas, tem relaçao direta com a má qualidade, pois quanto maiores estes estoques maior é o numero de irregularidades que ocorrem no processo.
c.3) Corte dos custos da má qualidade: Normalmente os cortes devem suprimir o que é supérfluo e, em um sistema produtivo, nada é mais supérfluo que a má qualidade. Ela tem como conseqüência desperdícios em termos de material, energia e mão-de-obra. A produção excedente, realizada com o intuito de repor peças que serão refugadas ou retrabalhadas, gera a indisponibilidade de recursos, como máquinas e mão-de-obra e, não traz nenhum resultado lucrativo para a empresa. Ao contrário, as atividades de retrabalho, inspeção intensa, segregação das peças defeituosas, que podemos considerar como extras, somente aumentam o custo da produção. FEINGENBAUM (1961) afirma que as unidades de retrabalho, as quais ele atribui o nome de fábricas ocultas, podem representar de 15 a 40% de sua capacidade total de produção. Não se pode esquecer de mencionar a importância dos custos indiretos, pois a não consideração dos mesmos podem levar à uma subestimativa dos CMQ.
Portanto, entre estas alternativas, a que desponta como a mais viável é a redução dos custos da má qualidade, com a conseqüente redução dos custos da produção.
Produzir com qualidade desde a primeira vez, de uma só vez e todas as vezes deveria ser um lema de todas as empresas .
Estes resultados estão apresentados resumidamente no quadro 12. Maiores detalhes podem ser obtidos no Anexo 4B.
QUADRO 12 - RESULTADOS DOS GANHOS POTENCIAIS
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| Margem com valor./CMQ (%) |
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| Margem sem valor./CMQ (%) |
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| Margem produção sem defeitos/vendas(%) |
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O quadro 12 demonstra que na hipótese de uma situação ótima, na qual a empresa conseguiria produzir apenas material de primeira qualidade, ou seja, produzir sem refugos e desclassificações, a empresa obteria uma margem de lucro positiva de 7%, em vez de operar no vermelho. Estes resultados consideram apenas a eliminação dos custos diretos da má qualidade, sem considerar uma eventual revisão na política de preços na qual é baseado o serviço comercial do Grupo.
Quando se analisa os dados referentes à produção real, observa-se que, se os custos da má qualidade forem suprimidos ou mesmo reduzidos em, no mínimo 51%, a empresa poderia obter resultados positivos em seu orçamento.
É preciso considerar que, na situação atual da empresa, a valorização, realizada através do retrabalho, é desejável, pois contribui para a redução da margem negativa, através do reaproveitamento dos painéis.
O estudo evidenciou, ainda, que o fator humano é fundamental para o sucesso da determinação correta e rápida dos custos da má qualidade. A resistência a mudanças e inovações, característicos da maioria das indústrias madeireiras, provoca a falta de sensibilização da importância da redução da má qualidade, da análise dos dados obtidos no processo, da ação corretiva e/ou preventiva que contribuem em muito para aumentar a má qualidade, uma verdadeira fonte geradora de custos supérfluos.
4.4 A ISO 9002 COMO FERRAMENTA DE APOIO NA DETERMINAÇÃO DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE
Os resultados obtidos na avaliação da qualidade existente na empresa, tendo como base os requisitos da norma ISO 9000, permitiram a detecção de pontos falhos onde a coleta dos dados para a avaliação dos custos da má qualidade não seria confiável ou mesmo impossível. Com base nesta avaliação, foram previstas medidas que auxiliaram o bom desenvolvimento do trabalho, como por exemplo a elaboração dos .formulários e procedimentos para a tomada dos custos da má qualidade. A abrangência da norma permite obter uma grande quantidade de informações, o que faz dela uma ótima ferramenta de apoio na avaliação dos CMQ. A norma é limitada no sentido que não traz informações sobre os custos indiretos da má qualidade.
O Anexo 1B apresenta o resumo das respostas para cada item abordado da norma ISO 9002. Em virtude de alguns itens desta norma serem interrelacionados, para evitar uma discussão repetitiva, foram agrupados os pontos que sobressairam-se, como fontes geradoras de custos da má qualidade :
4.5.1 Analisar Concretamente o Setor que será Analisado
A empresa deve ter bem definido,
de maneira clara e precisa, as razões da decisão da implantação
de um sistema de medição dos CMQ. Estas razões devem
ser baseadas na expectativa dos benefícios que a empresa obterá,
no poder econômico da empresa, nas suas estratégias, nos seus
pontos fortes e fracos, no mercado consumidor abrangido e potencial e no
desempenho da concorrência. A conscientização de que
a determinação dos CMQ é uma poderosa ferramenta de
auxílio para a tomada de decisões no que diz respeito à
modificações e/ou introdução de inovações
no gerenciamento da qualidade é fundamental para o sucesso do programa.
A empresa deve estar consciente das
implicações econômicas que a implantação
do sistema pode trazer, comprometendo recursos adequados para a sua implementação.
Deve ser analisada a existência
de recursos materiais, humanos e tecnologia adequados para a implantação
do sistema de medição dos CMQ e para a aplicação
de medidas que visem a redução e/ou prevenção
destes custos.
4.5.2 Selecionar e Definir os Elementos dos Custos da Má Qualidade
Análise conjunta dos setores
contábil, produção e qualidade para fixar o nível
de detalhamento do sistema. É preferível partir de uma avaliação
global que possa ser detalhada à medida que o programa se consolide
que partir de uma avaliação mais detalhada mas que necessite
de um grande número de estimativas. Um sistema de avaliação
de custos da má qualidade não deve ser, jamais, superestimado,
para não incorrer no risco de cair no descrédito da direção
da empresa. Mesmo que a direção tenha sido alertado dos resultados
que possam surgir com relação aos CMQ, sempre existe a possibilidade
da dúvida com relação à veracidade dos resultados,
principalmente se estes resultados forem significativos. Considerando-se
este fato, é necessário ter sempre a mão a prova da
realidade dos dados obtidos, seja através da contabilidade da empresa
ou dos relatórios oficiais internos de produção da
empresa.
4.5.2.2 Delegar responsabilidades
Deve ser prevista a alocaço
de recursos humanos para a implantação e consolidação
do sistema. Sobretudo no início do programa é necessário
mobilizar o controle e qualidade, definindo as responsabilidades e tarefas
de cada elemento. Cabe ao controle de qualidade verificar o desenvolvimento
do programa e convocar reuniões, para discussão do sistema,
com os setores contábil e de produção, sempre que
achar necessário. Na medida que existam condições
para incorporar estes dados no sistema contábil, o controle de qualidade
fica responsável somente pela melhoria contínua do sistema
apresentando as sugestões de alterações que julgar
necessárias.
Uma proposta contendo as vantagens,
bem como previsão das dificuldades e o cronograma do programa deve
ser apresentada à direção para apreciação
e concordância. Este aval da direção é a tacada
inicial para a conscientização dos funcionários da
necessidade de redução dos custos supérfluos no âmbito
da empresa.
4.5.4 Elaborar Modelos de Formulários, Relatórios e Procedimentos Preliminares
Cada setor dentro da empresa deve ter seus registros diários de coleta dos custos da má qualidade, bem como das causas destes custos. Cada processo possui suas peculiaridades, o que leva à variações nos parâmetros mensurados e na condução dos cálculos. Devido à quantidade de informações necessárias para a avaliação dos CMQ, aconselha-se a elaboração de formulários, relatórios e procedimentos que agilizem a tomada destes custos e que ao mesmo tempo servem como um documento de prova das informações obtidas. Nestes documentos devem constar onde, como, quem é o responsável e quando foram coletados os dados. Os Anexos 5A, 5B e 5C deste estudo apresentam modelos para o caso estudado, mas que podem ser adaptados à outros processos produtivos.
A quantidade inicial de formulários
pode dar a impressão de um excesso de burocracia, mas na fase inicial
é necessário um detalhamento das informações,
em virtude de que ao iniciar-se um programa de redução de
custos normalmente o sistema da empresa encontra-se desorganizado. Na medida
que o sistema comece a estabilizar-se a coleta de informações
pode ser "enxugada", com a eliminação de dados que são
coletados com o objetivo de checar informações.
4.5.5 Treinar o Pessoal Envolvido
O treinamento deve começar pela conscientização da necessidade do programa e enfatizar que a redução dos custos da má qualidade é um trabalho conjunto e que tem por objetivo trazer benefícios à empresa como um todo. Os trabalhadores devem ser assegurados que o programa não tem por meta descobrir as falhas humanas individuais, mas sim os pontos de ineficiência da empresa para corrigi-los e auxiliar a competitividade da empresa tornando-a sólida no mercado e garantindo a estabilidade dos seus empregados.
As pessoas diretamente envolvidas
com a coleta dos dados devem ser treinados da maneira como devem proceder
e os meios para atingir os seus objetivos devem estar assegurados.
4.5.6 Aplicar o Modelo Proposto
A implantação do modelo
proposto deve ter a supervisão rígida do controle de qualidade,
que detectará os desvios ocorridos com relação à
proposta original.
Os primeiros dados a serem coletados
são os disponíveis nos setores contábil e os dados
dos relatórios de produção e vendas. É importante
salientar que a tomada destes dados deve ser realizada com a concordância
dos responsáveis destes setores para a credibilidade dos resultados
a serem obtidos. Estes dados devem ser completados por observações
"in loco", através do preenchimento dos formulários previstos,
sempre contando com a participação do responsável
do setor e/ou responsável da produção. A participação
das pessoas diretamente envolvidas com as tarefas é muito importante
para obter-se dados precisos e coletados de maneira eficaz. No caso da
impossibilidade de mensuração de algum parâmetro, ele
deve ser estimado baseado na experiência que a empresa possui, envolvendo
todos os setores concernentes ao assunto.
Este estudo apresenta um modelo de
cálculo dos CMQ, o qual pode ser observado nos Anexos 1 e 2. Este
modelo pode servir de base à outras aplicações.
4.5.7 Analisar as Dificuldades e Entraves na Determinação dos CMQ
Mesmo uma metodologia que foi exaustivamente
discutida e analisada pode apresentar falhas no momento de ser implantada.
Em um processo produtivo existem n fatores que interagem ao mesmo
tempo e somente através da experiência e de melhorias no sistema
pode-se chegar à um grau de refinamento satisfatório na avaliação
dos CMQ. Esta fase de análise das barreiras encontradas é
muito importante e não deve ser descartada, pois o sucesso do sistema
depende das bases sobre as quais ele foi construído. Estas bases
devem ser fortes e sem a interferência de barreiras que prejudiquem
a sua solidez. Esforços conjuntos devem ser feitos para a eliminação
ou redução destas dificuldades. Cabe ao controle de qualidade
acompanhar e verificar se o que foi escrito está sendo aplicado
e se existem possibilidades de melhoria no sistema e discutir o assunto
em reuniões com as pessoas diretamente envolvidas.
O controle de qualidade deverá
difundir os resultados, através de desenhos, gráficos ou
ferramentas que julgar as mais compreensíveis para os funcionários.
Esta divulgação é importante para manter a participação
dos funcionários no programa encorajando-os a progredir ainda mais.
4.5.9 Procurar as Causas dos Custos da Má Qualidade
Através da aplicação
de ferramentas de controle como gráficos de Pareto, Ishikawa, diagrama
de correlações, cartas de controle, capacidade do processo,
planejamento de experimentos, pode-se analisar as causas dos CMQ e prever
ações corretivas e/ou preventivas que possam minimizar estes
problemas. Estas ferramentas são simples, eficazes, de retorno rápido
e, principalmente, de fácil aplicação. Estes requisitos
são fundamentais em processos produtivos onde o fator tempo é
fundamental para o sucesso de qualquer empresa, portanto ele precisa ser
bem empregado.
4.5.10 Aplicar as Medidas Corretivas e/ou Preventivas
As ações corretivas
devem ser aplicadas e mensuradas para avaliar o progresso obtido.
Sempre que alterações
forem introduzidas no processo os CMQ devem ser reavaliados para observar
se estas alterações estão sendo eficazes e, principalmente,
para monitorar se a medida aplicada não provocou o surgimento de
uma nova fonte de CMQ.
4.5.12 Promover o Aperfeiçoamento do Sistema
Todo sistema se modifica com o tempo e necessita de alterações para o seu desenvolvimento e melhoria contínua. O sistema deve se adaptar as novas exigências de níveis de qualidade da empresa e manter a sensibilização dos funcionários para realizarem um esforço conjunto para a contínua redução dos CMQ.
Esse método esta representado na figura 43 em forma de fluxograma: