6 SUGESTÕES

Com base nos resultados obtidos, apresentam-se algumas sugestões com o intuito de contribuir para a redução dos custos da má qualidade e conseqüente melhoria do processo produtivo. Para uma melhor compreensão, apresentam-se estas sugestões relacionadas aos itens que são listados a seguir:
 

6.1 SOBRE A APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO SOBRE A NORMA ISO 9002

Sugere-se uma total reestruturação no setor de Controle de Qualidade: deve-se treinar os recursos humanos deste setor para a sensibilização da qualidade, para que estas pessoas desempenhem o verdadeiro papel do gerenciamento da qualidade na empresa. A existência deste setor não deve ser limitada à inspeções finais e testes de laboratório. O controle de qualidade deve estruturar-se para ser parte integrante, e não somente um agente fiscalizador do processo de produção, contribuindo para a melhoria da qualidade.

A delegação de mais responsabilidades preencherá as horas ociosas do pessoal do setor, tornando-o mais produtivo e condizente com a sua função.
 

6.2 SOBRE OS INDICADORES DOS CUSTOS DA MÁ QUALIDADE

6.2.1 Custo da Má Qualidade Atinge em Média 58% do Volume de Negócios

As cifras gastas com os custos da má qualidade, se economizadas, poderiam ser aplicadas na prevenção de anomalias, através da introdução de melhorias no sistema e treinamentos.

Geralmente estas inovações são viáveis, pois mesmo que estes investimentos representem um aumento nos custos da prevenção, simultaneamente ocorrerá uma redução dos custo das anomalias compensando o sistema. A longo prazo os resultados deverão apresentar-se rentáveis. Um sistema de qualidade deve procurar equilibrar estes custos de anomalias internas e externas (custos resultantes) e custos de prevenção e detecção (custos controláveis), visando a otimização do sistema.
 

6.2.2 Custos da Má Qualidade Ultrapassam 50% do Valor Agregado

Este resultado é interessante, pois significa que as anomalias internas estão absorvendo a valorização efetuada no produto. Para concretizar esta afirmação, sugere-se a análise de todos os preços de venda dos produtos realizadas no período estudado, pois é freqüente a venda de produtos abaixo de seu custo de produção, conforme constatado na análise da margem de lucro. Esta é uma prática que leva a empresa a operar no vermelho. Uma alternativa para evitar este fato seria basear a política de preço na equação utilizada pelos japoneses :

Preço de venda = custo de produção + custos indiretos + lucro

Se o preço de venda fosse definido por esta fórmula, a influência dos custos da má qualidade sobre a rentabilidade da empresa seria mais evidente.
 

6.3 SOBRE AS FERRAMENTAS DE CONTROLE

A análise minuciosa dos dados obtidos através das ferramentas utilizadas no controle de qualidade é extremamente importante para o sucesso de um programa de redução dos CMQ. Sugere-se seu uso contínuo em um programa de redução dos custos da má qualidade.

No caso estudado detectou-se que 1,22% dos painéis podem apresentar massa volumétrica fora das especificações. Este dado deveria fazer parte do contrato firmado entre empresa-cliente, pois diz respeito as limitações do processo produtivo.

Da mesma forma, para o parâmetro espessura, existe 4,08 % de probabilidade de encontrar-se painéis fora das especificações. Para solucionar este problema deve-se efetuar alterações a nível mecânico na prensa. Porém, para obter-se esta regulagem devem ser tomadas decisões à níveis gerenciais sobre os investimentos necessários. Sugere-se, portanto, um estudo mais aprofundado do processo, inclusive com a tomada de amostras durante um período de tempo mais prolongado que o utilizado neste trabalho. Uma outra solução a ser considerada seria o aumento das tolerâncias nas especificações do produto.
 

6.4 SOBRE A GESTÃO DE ESTOQUES

A gestão de estoques é uma medida que deveria ser considerada pela empresa, pois a redução de investimentos em estoques pode constituir a base de redução dos preços dos produtos. O tratamento dado aos estoques intermediários (cerca de 17 % do CMQ), deve ser revisto : como estes estoques são destinados à valorização os mesmos devem ser reaproveitados o mais breve possível, ou vendidos como material de segunda categoria.
 

6.5 SOBRE A AVALIAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS DA MÁ QUALIDADE

Sugere-se a avaliação dos custos indiretos da má qualidade através de: