5.1. PARTES DE UMA FABRICA DE CELULOSE E PAPEL
Uma fabrica de celulose e papel, pode ser dividida nos seguintes setores:
TABELA 4. Partes de uma Fábrica de Celulose e Papel
| I.- Manuseio de madeira e Preparação de Cavacos | |
| EQUIPAMENTO | FUNÇÃO |
| 1. Transportador de toras | Transporte |
| 2. Descascador | Retirar e separar a casca |
| 3. Picador | Transformar a madeira em cavacos |
| 4. Silo equalizador | Armazenamento |
| 5. Peneira de cavacos | Separar as lascas e serragem |
| II- Unidade de Cozimento | |
| 6. Vaporizador de cavacos | Pré-aquecer e retirar ar dos cavacos |
| 7. Alimentador de cavacos | Alimentar os cavacos ao digestor |
| 8. Aquecedor de licor | Aquecimento do fluido de cozimento |
| 9. Digestor contínuo ou descontinuo | Separar as fibras celulósicas por cozimento continuo |
| III. Depuração e Lavagem | |
| 10. Peneira depuradora | Separar os cavacos não desintegrados |
| 11. Tanque de licor | Armazenar licor da lavagem |
| 12. Filtros ou Difusores | Lavar a celulose |
| 13. Depuração centrifuga/peneira | Separar impurezas |
| IV. Branqueamento de Celulose | |
| 14. Tanque de estocagem | Armazenamento de polpa |
| 15. Filtros ou difusores de Branqueamento | Lavar , entre as etapas |
| 16. Torre de branqueamento | Armazenamento e Branqueamento |
| V. Preparação da Massa: | |
| 17. Tanque da massa | Armazenamento |
| 18. Refinador de discos | Abrir / cortar as fibras de celulose |
| 19. Refinador cônico | Abrir / cortar as fibras de celulose |
| 20. Tanque de água branca | Armazenar água de retorno |
| 21. Caixa de nível | Regular a vazão de polpa |
| 22. Bomba de mistura | Misturar e alimentar polpa com água |
| 23. Depuração centrifuga | Separar as impurezas mais finas |
| VI. Maquina de Papel | |
| 24. Caixa de Entrada | Distribuir a massa na tela |
| 25. Mesa plana | Formar a folha de desaguamento inicial |
| 26. Seção de prensas | Prensar a folha para o deságüe |
| 27. Seção de secagem | Secagem da folha com vapor |
| 28. Calandra | Compactar e regular espessura da folha |
| 29. Enroladeira | Enrolar o papel |
| 30. Rebobinadeira | Desenrolar , cortar e rebobinar o papel |
| VII. Seção de Embalagem e Acabamento | |
| 31. transportador | Transportar bobinas |
| 32. Maquina de embalagem | Transformar o papel em sacos/caixas |
| 33. Balança | Pesagem do produto |
| VII. Recuperação Química | |
| 34. Evaporadores | Evaporar água do licor negro |
| 35. Precipitadores | Retirar sólidos dos gases da caldeira |
| 36. Caldeira de recuperação | Queimar o licor e recuperar os químicos |
| 37. Silo de sulfato de sódio | Armazenagem |
| 39. Forno de cal | Calcinação |
| 39. Caustificaçao | Preparação do licor recuperado |
- Sistemas de água: captação, bombeamento, tratamento e distribuição de água- Sistemas de vapor e condensado: Gerador de vapor e sistemas de distribuição de vapor e recuperação de condensado
- Turbinas a vapor
- Sistemas elétrico
-Sistemas de ar comprimido
- Preparação de produtos químicos: CL2,, ClO2, NaOH, SO2, etc.
- Sistemas de controle de poluição: Clarificação e tratamento de efluentes, lavador de gases, queima de gases odorosos, etc..
- Oficina de Manutenção
- Divisão de Engenharia
- Administração
5.2. PROCESSOS DE FABRICAÇÃO DA CELULOSE
A madeira , através de um transportador alimenta o picador que transforma as toras em
cavacos , os quais passam pela peneira de cavacos para separar a fração aceitável, dos rejeitos. Os rejeitos passam pelo repicador e voltam para a peneira.
Os cavacos são levados do silo de cavacos para o digestor onde recebem a ação química do licor branco ( solução de soda e sulfeto de sódio) onde, com auxilio da pressão e temperatura do vapor , os cavacos são cozidos durante um certo tempo e posteriormente descarregados para o
" blow tank ".
A massa do Blow Tank é bombeada para o sistema de depuração para a separação dos nós e cavacos não cozidos, os quais retornam para o digestor A massa depurada segue então para o filtro lavador, onde a polpa é lavada com água. O liquido extraído na lavagem (licor negro) é bombeado par o sistema de evaporação onde é concentrado e posteriormente queimado na caldeira de recuperação. O produto químico obtido na queima é então conduzido para a caustificação onde é recuperado na forma de licor branco para utilização no cozimento.
A celulose obtida segue para o sistema de branqueamento , ou para o sistema de secagem ou então para a maquina de papel.
Torna-se necessário salientar que existem outros processos e diferentes seqüências para a produção de celulose, porem as operações básicas não divergem das operações mencionadas.
* PREPARAÇÃO DA MADEIRA.
A madeira é usualmente transportada às fabricas sob forma
de pequenas toras (1,0 a 3,0 metros de comprimento- diâmetro entre
5,0 e 15,0 cm ). O meio de transporte e manuseio da madeira é que
vai determinar suas dimensões. Vagões ferroviários
e caminhões são as formas mais freqüentes de transporte.
A primeira etapa do processo é o DESCASCAMENTO. A casca da madeira contém impurezas , tais como , areia e tem baixo teor de fibras úteis. Por isso são separadas da madeira e vão constituir combustível para geração de vapor e energia elétrica.
O descascamento é , em geral, processado em grandes tambores cilíndricos, horizontais, rotativos.
A etapa seguinte é a PICAGEM da madeira. Esta operação visa produzir "Cavacos" com dimensões em torno de 20mm- 25mm, de forma a expor a madeira ao futuro contato com os produtos químicos e vapor. Os PICADORES são maquinas rotativas, providas de navalhas.
A seguir, vem o PENEIRAMENTO dos cavacos produzidos durante a picagem. Esta operação visa evitar, nas etapas seguintes do processo, cavacos muito grandes ou muito pequenos. Estas duas frações causariam perda de rendimento e outros inconvenientes operacionais.
Para repor as perdas de Na2 S no ciclo , adiciona-se sulfato de sódio ( Na2SO4 ) antes da combustão na caldeira de recuperação.
No setor de caustificação adiciona-se cal (CaO ) que reage com o carbonato de sódio
(Na2 CO3 ) formando NaOH para reutilização no cozimento.
* BRANQUEAMENTO
A celulose simplesmente lavada com água ainda apresenta cor marrom, devido a
presença de lignina oxidada.
O branqueamento da celulose é feito pela oxidação ou remoção da lignina das
fibras através da ação de produtos químicos.
Existem diversas etapas viáveis para o branqueamento, dependendo do grau de alvura desejado e de outros fatores:
Resumidamente, podemos mostrar as diversas etapas e alternativas de BRANQUEAMENTO , da seguinte forma:
* DESAGUAMENTO E SECAGEM
A celulose branqueada ou não branqueada pode ser obtida da fabrica
numa das seguintes formas quanto ao teor de umidade:
Existem diversos processos para a secagem as celulose após o desaguamento nas prensas:
No caso de eucalipto , que é a espécie mais utilizada na fabricação de celulose , a idade para corte situa-se entre 7 e 9 anos.
A dosagem desses produtos é proporcional à quantidade de madeira e se relaciona com as demais variáveis de processos ( temperatura, tempo de cozimento, etc.).
5.4 DESLIGNIFICAÇÃO POR OXIGÊNIO
A deslignificação por oxigênio fornece um modo a mais para estender o processo de cozimento, reduzindo assim a quantidade de químicos para o branqueamento e a quantidade de poluição oriunda dos estágios de branqueamento com cloro. A técnica envolve a integração de uma torre de reação de oxigênio entre os estágios de polpação kraft e o branqueamento. A polpa do digestor é lavada primeiro e então misturada com oxigênio e hidróxido de sódio quando entra no reator pressurizado. A polpa entra em deslignificação por oxigênio. A polpa é então lavada novamente para remover sólidos de lignina dissolvida antes de seguir para o branqueamento.
Instalação de um estagio de deslignificação por oxigênio pode reduzir o número kappa da polpa do tanque de 30 a 35 para talvez 16 a 17. ( 50 % de redução). Quando usada em combinação com outros processos de modificação , a deslignificação por oxigênio pode reduzir as necessidades de cloro no branqueamento ou elimina-lo completamente.
Existem 2 tipos de sistemas de oxigênio. O sistemas diferem em termos de consistência de reação da polpa, isto é alta consistência HC 20-28 % , enquanto a media consistência varia de 10-12%.
A adição de oxigênio gasoso à extração alcalina pode aumentar a remoção de lignina e fornecer adicional poder de branqueamento, assim reduzindo as necessidades de cloro e dióxido de cloro. A extração oxidativa tem sido usado para ajudar as fabricas cortar o hipoclorito , que é o mais caro e agressivo químico e está associado a emissões de cloro.
Segundo, o efluente do estágio de oxigênio é reciclada através do ciclo de recuperação.
O oxigênio também pode levar a fabrica a polpação "zero efluentes" e branqueamento livre de cloro.
O numero Kappa é usado como um parâmetro primário de controle até o ponto onde a polpa deixa os lavadores. Depois que polpa entra no estagio de branqueamento, o parâmetro é alvura da polpa. A alvura é a medida da quantidade de luz refletida pela polpa.
5.5. POLUIÇÃO EM INDUSTRIAS CELULÓSICAS E PAPELEIRAS:
As industrias de papel e celulose são particularmente grandes fontes de poluição do ar e dos recursos hídricos. Entretanto , a maioria dos processos em uso permitem o controle eficaz dos agentes poluentes, se bem que as custa de elevados investimentos.
Existem maneiras , embora dispendiosas, para controlar a poluição do ar: filtros, precipitadores eletrostáticos de impurezas.
1) Sólidos Suspensos
2) Materiais que produzem reações toxicas em plantas e animais
3) Gases dissolvidos
4) Pigmentos coloridos
5) Materiais não tóxicos mas que absorvem o oxigênio na água.
Os principais efluentes da industria de celulose são:
1) Líquidos contendo reagentes químicos e matéria orgânica : licor negro, licor residual do branqueamento, etc.
2) Água drenada as suspensão de fibras na maquina de papel , sempre contendo fibras, cargas, aditivos, cola, anilinas, tintas, etc.
5.6. MÉTODOS DE TRATAMENTO DE EFLUENTES:
Existem métodos alternativos : separação por adsorsão ou membrana, e oxidação por ozônio ou luz ultravioleta. Entretanto, existem desvantagens tais como custos e tratamento adicional dos resíduos nocivos concentrados.
Está sendo estudado no laboratório de Tratamento Avançado
de Águas Residuais , do Departamento de Proteção Hidrosférica
Ambiental, do National Institute of Resources and Environmental em Tsukuba,
Japão, um novo tratamento enzimático usando tyrosinase, peroxidase
ou laccase juntamente com um coagulante. Os precipitados são desintoxicado
e degradado por bactéria anaeróbica. O metano produzido no
tratamento anaerobico do precipitado pode ser removido e usado como combustível.
MÉTODOS PARA MEDIR A POLUIÇÃO EM AGUAS RESIDUAIS:
O DBO é comumente regulada por causa que essa pode estar diretamente a escassez d oxigênio em um lago ou rio.
A EPA ( Environmental Protection Agency) recomenda que o nível de DBO deve estar nos limites diários e mensais como observados na tabela abaixo:
TABELA 5 . LIMITES PROPOSTOS PELA EPA.
| LIMITES PROPOSTOS PELA EPA Kg/ TACS | ||
| Parâmetro | Máximo Diário | Máximo Mensal |
| DBO | 4.26 | 2.19 |
| TSS | 69.2 | 41.0 |
| COR | 8.75 | 3.89 |
| AOX | 0.267 | 0.0166 |
O objetivo dessa norma é proteger o ecossistema de receber água mantendo um nível aceitável de oxigênio dissolvido na água.